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Forum Cinema em Cena
Jailcante

19 Dias de Horror

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"Creep 2" dá uma sequência digna e bem bacana ao primeiro, um found footage sobre um serial killer pateta e carismáticamente perigoso. Quinem o original, o filme te prende pela imprevisibilidade e tensão constantes. Só decai no desfecho, abrupto demais. E Mark Duplass carrega novamente o filme nas costas, se firmando como um dos grandes psicos do cinema. Que venha o terceiro! 8,5-10

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"The Sandman" é outra bobagem teen de terror sobrenatural onde tentan criar um novo Freddy Krueger, so que feito todo de areia..vai vendo!  Cretinice apenas passavel pra criancas.. 6-10

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"A Morte te da Parabéns" é uma bobagemzinha teen divertida que recicla "Panico" num formato "Feitico do Tempo". Só deve fazer mais sentido praqueles que nunca viram algum filme das franquias citadas..8-10

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"Totem" é um bom thriller sobrenatural numa producão acima da média ianque. Redondinho, com reviravolta final pouco previsível e alguns sustinhos, dá pro gasto esta nova fita do diretor do foderoso "Deadgirl". 8,5-10

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"Radius" é uma scy-fy indie de horror que tem uma interessantissima premissa, que a aproxima muito com a HQ "Manto e Adaga", e que te prende do inicio ao fim. Sim, tem seus defeitos, ar de telefilme, precariedade técnica, etc.. mas ainda assim vale a bizoiada. 8-10
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 Visto O RASTRO

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   Na trama, João (Rafael Cardoso) é um méedico que atingiu relativo sucesso na carreira administrativa na secretaria de saúde do Rio de Janeiro.. Ele leva uma vida feliz ao lado da esposa Leila (Leandra Leal). Entretanto, quando João fica responsável pela transferência dos pacientes de um hospital administrado por seu antigo mentor Heitor (Jonas Bloch) prestes a ser fechado por corte de verba, uma das pacientes, uma menina chamada Julia (Natalia Maciel Guedes) desaparece sem deixar rastros. João inicia então uma investigação para encontrar a criança, tornando-se cada vez mais obcecado a medida em que passa a ser assombrado por aparições fantasmagóricas.

 É sempre bom ver o cinema tupiniquim aventurar-se no terror, já que este é um gênero muito pouco explorado em nossa filmografia. O RASTRO torna-se um exemplo ainda mais raro por perceber-se certo investimento financeiro no projeto, com alguns efeitos especiais bem feitos, e nomes globais de relativo peso no elenco, como o casal protagonista, Claudia Abreu, Felipe Camargo, e até mesmo o falecido Domingos Montagner em um de seus últimos papéis antes de morrer. Por isso é uma pena constatar que um projeto que conseguiu atrair esses nomes, que poderiam chamar atenção para o gênero tenha um roteiro tão confuso e mal arranjado, em um filme que claramente não consegue decidir que história quer contar. Novos plots vão surgindo do nada ao longo da narrativa sem que haja um mínimo de preparação. O filme é uma bagunça completa, que não consegue provocar um mínimo de tensão, e ainda apela da forma mais sem vergonha possível aos sustos faceis. Há bom exemplos de filmes de terror em nosso cinema recente, o horror B Gore de Rodrigo Aragão ou os horrores psicológicos de Marco Dutra e Juliana Rojas. Mas não foi dessa vez que tivemos um bom blockbuster de horror brasileiro.

 

  

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 Visto NO CAIR DA NOITE

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  Na trama, o mundo parece ter sido atingido por um apocalipse viral. Paul (Joel Edgerton) vive isolado em uma casa no meio da mata juntamente com a sua esposa Sarah (Carmen Ejogo) e o filho Travis (Kelvin Harrison JR). A família vive sob uma rígida rotina, que visa evitar a contaminação e o ataque de estranhos. A rotina da casa é quebrada quando Will (Christopher Abbot) um homem alegando ser um pai de família, tenta invadir a casa, em busca de alimentos. Essa invasão desencadeia uma série de eventos que colocara a a prova a humanidade de Paul e de sua família.

  Se tem uma coisa que o falecido George Romero nos ensinou com seus filmes de mortos vivos, é que em cenários apocalípticos, o que mais se deve temer não são propriamente os agentes do armageddon, sejam eles zumbis ou uma praga letal, e sim a própria natureza humana. É dessa fonte que AO CAIR DA NOITE parece beber para construir o seu universo. O roteiro escrito por Trey Edward Shults, que também dirige o filme acertadamente não detalha o universo onde se passa a narrativa mais do que o necessário, deixando até mesmo algumas perguntas no ar, o que parece ser adequado com o clima de paranoia do projeto.

 Claro, essa é uma premissa que já foi vista um bom numero de vezes, e é em sua estética e construção atmosférica que estão as verdadeiras ambições de AO CAIR DA NOITE. É propício que a campanha de marketing do filme o tenha divulgado como sendo um filme dos mesmos produtores de A BRUXA, pois há muito em comum entre o filme de Robert Eggers e esta película. Ambos os filmes tem jovens como protagonistas que são corrompidos de alguma forma pelo mal oriundo do mundo dos adultos, e trabalham com planos longos e extensos momentos de contemplação de personagens, algo pouco comum ao gênero. Mas em AO CAIR DA NOITE isso muitas vezes parece apenas um exercício vazio. É muito válida a ambição do filme de dramatizar tais tensões do típico cenário apocalíptico, mas ele não sobrevive as suas próprias ambições.

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 Visto A MULHER DO DESEJO

 

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    Na trama, Marcelo (José Mayer) é um homem que descobre ter se tornado o único herdeiro de seu tio Osman (Também Mayer) um parente com o qual ele já não tinha mais contato. Marcelo viaja com a esposa Sonia (Vera Fajardo) até a cidade de Ouro Preto, já que para tomar posse da imensa fortuna do tio, o testamento determina que ele deve viver por alguns meses no casarão do falecido. Chegando lá, o casal se depara com um estranho mordomo (José Luiz Nunes) que o testamento proíbe de dispensar. A medida que os dias passam, Marcelo passa a ser acometido por estranhos pesadelos com o tio morto, enquanto Sonia começa a perceber estranhas transformações no comportamento do marido.

  Apesar do que o título, ou o poster possam sugerir, A MULHER DO DESEJO não se trata de algum soft porn brasileiro, mas de um filme de terror gótico setentista, fortemente inspirado pelo clássico conto de H.P Lovecraft "O Estranho Caso de Charles Dexter Ward", e em menor escala, pela adaptação intitulada O CASTELO ASSOMBRADO, dirigida por Roger Corman em 1963. O diretor Carlos Hugo Christensen, também responsável pelo roteiro, parece ter uma grande paixão pelo terror gótico, e enche a sua narrativa com elementos clássicos desse tipo de história, vide o casal inocente que se vê assombrado por fantasmas do passado, velhos empregados de intenções duvidosas que sabem bem mais do que dizem, e mesmo a religião cristã, representada na figura do Padre Paulo (Neimar Fernandes) como unica tabua de salvação para os protagonistas. No lugar da típica arquitetura européia, temos os cenários da velha Minas Gerais em Ouro Preto, muito bem explorados pela fotografia do filme. A fotografia, devo dizer, é um dos grandes destaques do filme, utilizando-se muito bem das sombras e penumbras do casarão onde se passa a maior parte da história para criar imagens belas e impactantes.

 Quanto ao elenco, o único destaque vai mesmo para um José Mayer em início de carreira, que manda bem no papel duplo de Marcelo/Osman, e consegue fazer a transição de forma natural a medida que o jovem Marcelo começa a se comportar de forma cada vez mais semelhante ao velho tio. No geral, A MULHER DO DESEJO pode não ser nenhuma pérola escondida, mas é um terror brazuca divertido, que não deve nada a algumas produções da Hammer ou da Amicus, que atuavam na mesma época. Uma prova que não é de hoje que o Brasil tenta fazer terror, e que ele existe muito além do Zé do Caixão de José Mojica Marins.

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Jogos Mortais - Jigsaw (Jigsaw, Dir.: The Spierig Brothers, 2017) 2/4

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Já não odeio a série como odiava antes, talvez porque gostei mais das continuações finais do que as iniciais (apesar de achar que ela deveria ter terminado no 6º filme, não no 7º). Esse vai na qualidade dessas últimas sequels (pro bem ou pro mal). Esse tem um twist que até me pegou, e gostei de como resolveram isso.

Não tem razão maior de existência, já que não acrescentou nada, e a série ainda é recente pra ter sentido alguma falta. Mas ok. Assistível.

Spoilers:

 

 

Pergunta: Cadê a tal "seita" do 7º filme? Sumiu, o cara daqui faz tudo sozinho. E do sétimo pra cá, não tiveram mais armadilhas pelo que se diz, então a seita deve se encontrar só pra papear mesmo... Até falam que tem um site que mostra tudo que jigsaw fez e pessoas os seguem, mas não se tem noção se tem mais gente recriando as armadilhas do jigsaw. Ficou só no cara daqui mesmo.

E até gostei do novo jigsaw, se a série continuar com ele, tudo bem. Aceito. Apesar dele aqui estar se envolvendo numa trama de vingança (que é algo que o jigsaw original não aprovava), mas depois da série ter ficado presa com o detestável Hoffman por 4 filmes, qualquer um que vier é lucro, e com esse talvez dá pra remontar algo como o jigsaw original era.

 

Todas Cores da Escuridão (Tutti i Colori del Buio, Dir.: Sergio Martino, 1972) 2/4

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Sem muita coisa pra dizer. Não curto tanto os filmes do Martino. Esse aqui vai junto. Tem algo ali legal, mas no geral não me prende tanto. Esse foi influenciado pelo Bebê de Rosemary (Sergio mesmo diz isso numa entrevista que vem no DVD). Esse coloca tudo como se a trama fosse o tempo todo meio subjetiva (muita cena de sonho, até o talo), mas no fim não seria. Tudo se resolve e fim. Não sei se isso seria qualidade ou defeito. Nem isso o filme me intrigou em analisar. Acabei assistindo meio apático mesmo.

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"Os Estranhos 2" é uma sequência tão esperada quanto desnecessária. Banalizaram o que havia de melhor no primeiro. Nem precisava desse titulo pois home invasion como esse agora existem as pencas, bem melhores. 7,5-10

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"The Hatred" é um terror bem pobre, uma producão genérica até não poder mais que tem a única funcão de encher linguica na grade de servicos de streamming. 7-10
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On 04/12/2017 at 10:49 AM, Jailcante said:

Jogos Mortais - Jigsaw (Jigsaw, Dir.: The Spierig Brothers, 2017) 2/4

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Já não odeio a série como odiava antes, talvez porque gostei mais das continuações finais do que as iniciais (apesar de achar que ela deveria ter terminado no 6º filme, não no 7º). Esse vai na qualidade dessas últimas sequels (pro bem ou pro mal). Esse tem um twist que até me pegou, e gostei de como resolveram isso.

Não tem razão maior de existência, já que não acrescentou nada, e a série ainda é recente pra ter sentido alguma falta. Mas ok. Assistível.

Spoilers:

 

 

Pergunta: Cadê a tal "seita" do 7º filme? Sumiu, o cara daqui faz tudo sozinho. E do sétimo pra cá, não tiveram mais armadilhas pelo que se diz, então a seita deve se encontrar só pra papear mesmo... Até falam que tem um site que mostra tudo que jigsaw fez e pessoas os seguem, mas não se tem noção se tem mais gente recriando as armadilhas do jigsaw. Ficou só no cara daqui mesmo.

E até gostei do novo jigsaw, se a série continuar com ele, tudo bem. Aceito. Apesar dele aqui estar se envolvendo numa trama de vingança (que é algo que o jigsaw original não aprovava), mas depois da série ter ficado presa com o detestável Hoffman por 4 filmes, qualquer um que vier é lucro, e com esse talvez dá pra remontar algo como o jigsaw original era.

Nem me interessei em ver esse quando eu soube da reviravolta. Perderam uma chance de encerrar a franquia com dignidade no sexto filme mesmo.

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"M.F.A" é um bom thriller de vinganca com mensagem subliminar bem forte sobre abuso sexual, indo além do rape-revenge basicão de "Doce Vinganca". A filha delicinha do Clintão ja mostrava ser boa em chutar traseiros em "The Vault" e "Angels and Demons", e aqui ela dá uma de Dirty Harry contra estupradores num campus, sem falar que ela nos dá uma boa mostra de como veio ao mundo, gatíssima.. 8,5-10
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"Super Dark Times" é um thriller dramático bem curioso que bebe da fonte nostalgica de "Stand by Me" e da fantasia de "Donnie Darco" com resultados irregulares. É interessante mas não é pra qualquer um. Ainda digerindo.. 8-10

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"The Night Watchmen" é uma comédia de horror razoável que bebe da fonte de "Drinque no Inferno", "Bloodsuckyng Bastards" , "Fright Night" e qualquer terrir com vampiros. Em tempo, recomendável apenas pra quem curte besteirol imbecil mesmo pois uma ou outra piada funciona, apesar de bem feitinho e com gore de dar gosto.  8-10

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 Visto A TRANSFIGURAÇÃO

 

 

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  Na trama, Milo (Eric Ruffin) é um garoto solitário de Nova York, que vive no Queens com o irmão mais velho. Milo tem um fascínio por vampiros, e passa a acreditar que de fato é um deles, o levando em uma onda de assassinato. Quando Milo conhece Sophie (Chloe Levine) uma garota tão solitária quanto ele, e que sofre maus tratos nas mãos do avô, uma ligação forte surge entre os dois, logo evoluindo para um romance juvenil. Mas as fantasias vampirescas de Milo podem se mostrar uma ameaça não apenas par o relacionamento dos dois, mas também para a vida de Sophie.

 Filme de estréia de Michael O'Shea, que também é responsável pelo roteiro, este indie vampiresco (não sobrenatural, é bom salientar) é um interessante estudo de personagem, que coloca o vampirismo do protagonista meramente como um detalhe da violenta comunidade onde vive, onde tem que conviver com o racismo, a violência das gangues e a brutalidade da polícia. O diretor filma o filme de forma muitas vezes quase documental, usando trilha incidental somente em momentos muito pontuais, e com uma fotografia discreta, que chama pouca atenção para si, embora ainda seja bastante orgânica. Em um filme em que o personagem principal vive apontando quais filmes de vampiro acredita serem "realistas" ou não, parece que A TRANSFIGURAÇÃO decidiu ser realista.

Tematicamente, o filme lembra THE GIRL WALKS HOME ALONE AT NIGHT que também mostrara um romance condenado pelo vampirismo em um contexto de violência urbana, embora pareça buscar mais inspiração mesmo no clássico sueco DEIXE ELA ENTRAR (que não por coincidência, é descrito como o filme favorito de Milo). O roteiro de O' Shea tem um bom diálogo com a cultura pop vampiresca, incluindo referências a NOSFERATU, TRILOGIA KARNSTEIN, CREPÚSCULO e TRUE BLOOD de forma orgânica, de modo que tais referências colaboram com a trama e ajudam a construir o casal protagonista. É curioso inclusive como tais preferências parecem mesmo sinalizar a natureza mais romântica e ingênua de Sophie por trás do ar mais marrento que tenta passar em suas primeiras interações com Milo.

  Os dois jovens protagonistas são muito bem dirigidos, e conseguem transmitir o grau certo de inocência da primeira paixão sem soar meloso em excesso. De fato, Milo e Sophie tem um comportamento bastante verossímil como adolescentes (mesmo o primeiro sendo um serial killer lunático) inclusive no certo constrangimento inicial com que se relacionam. O aparentemente distanciamento do jovem Eric Ruffin como Milo pode parecer atuação ruim em primeira instância, mas acho que tal distanciamento era o que o personagem pedia. 

No fim das contas, A TRANSFIGURAÇÃO não chega a ser genial, mas é um bom filme de estréia para Michael O'Shea. Vale a conferida, especialmente pela pegada "realista" dada ao vampirismo e ao bom trabalho do jovem casal principal.

   

  

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 Visto UM CONTRATEMPO

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  Na trama, Adrian Doria (Mario Casas) é um jovem e bem sucedido empresário que é acusado pelo assassinato de sua amante Laura (Barbara Lennie). Adrian alega inocência, mas todas as provas estão contra ele, e a polícia não vê como alguém poderia ter entrado e saído do quarto de hotel onde aconteceu o crime sem ser visto. Para ajudar Adrian em sua defesa, seu advogado Felix (Francesc Orella) contrata a ajuda de uma experiente preparadora de testemunhos, Virginia Goodman (Ana Wagener). Mas percebendo inconsistências na história de Adrian, Virginia faz com que o rapaz lhe revele aos poucos os eventos que podem ter levado alguém a incrimina-lo pela morte de Laura, o que envolve um crime anterior.

  Escrito e dirigido por Oriol Paulo, que já havia comandado o ótimo O CORPO, este UM CONTRATEMPO se revela um excelente thriller de suspense espanhol, que manipula de forma competente e de forma dinâmica os entrecortes da história, que não só vai e volta no tempo, como também assume vários pontos de vista, e mesmo diferentes versões do mesmo acontecimento. O filme também se utiliza muito bem de sua estética, com uma fotografia competente que trabalha com cores frias, além de trazer uma narrativa onde absolutamente nada é o que parece ser. 

  UM CONTRATEMPO guarda muitas semelhanças com o trabalho anterior do diretor, o já citado O CORPO, com ambas as narrativas girando em torno de mulheres supostamente perigosas, que já começam a história mortas, crimes do passado que voltam para assombrar os protagonistas e plot twists de explodir cabeças. Mas apesar das semelhanças (estéticas inclusive) este filme mais recente de Paulo mostra um amadurecimento como realizador, tanto na direção quanto no roteiro. O texto constrói os personagens de modo a dar-lhes camadas e naturalidade, ao mesmo tempo em que deixa claro que nenhum deles seja completamente confiável. A decupagem funciona perfeitamente para ressaltar a tensão, especialmente nas sequências mais simples, como a sempre tensa conversa  entre Adrian e Virginia, que serve como a espinha dorsal da narrativa, e vai tornando o ambiente do apartamento de Adrian mais claustrofóbico a medida em que a narrativa avança. O diretor encontra tempo memo pra demonstrar algum virtuosismo técnico que soa extremamente integrado na narrativa, através de uma bela cena onde vemos em uma fusão o isqueiro de Adrian afundando em uma fonte em contraposição a um carro afundando em um lago.

  O filme conta com um elenco muito bem escolhido, e bastante a vontade em seus papéis. O maior destaque acaba ficando mesmo para Ana Wagener e sua brilhante Virginia Goodman, vivida pela atriz como uma mulher forte e sagaz, que parece capaz dever através das omissões e mentiras não só de seu cliente, mas daqueles que surgem em sua história. A bela Barbara Lenine brinca com o arquétipo da Femme Fatale, como certo personagem observa em certo momento ao conceder a Laura imenso carisma, mas também uma praticidade que pode evoluir rapidamente para a frieza, embora também consiga transmitir as vulnerabilidades da personagem. Mario Casas também consegue conferir a dualidade necessária para Adrian, revelando as pequenas camadas de seu personagem aos poucos, fazendo com que suas transições nos pontos de virada da trama surjam naturalmente.

 

 Disponível na Netflix, UM CONTRATEMPO com certeza vale a conferida pra quem curte um suspense psicológico que explora as várias versões de uma mesma história, mas que como diz um personagem a certa altura do filme, esconde a sua verdade nos detalhes. Recomendadíssimo.

  

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Giallo Vol. 4

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Terminei de ver os 4 filmes do pack. E infelizmente foi o pack mais fraco. Talvez porque já pegaram os filmes principais do gênero nos outros packs e aqui sobrou pouca coisa. Sobre o pack em si, ainda colocando os filmes dublados em italiano sem possibilidade de pegar o áudio original (pelo jeito já era tudo filmado em inglês pra pegar distribuição internacional).

1º filme já tinha comentado antes:

On 04/12/2017 at 10:49 AM, Jailcante said:

Todas Cores da Escuridão (Tutti i Colori del Buio, Dir.: Sergio Martino, 1972) 2/4

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Sem muita coisa pra dizer. Não curto tanto os filmes do Martino. Esse aqui vai junto. Tem algo ali legal, mas no geral não me prende tanto. Esse foi influenciado pelo Bebê de Rosemary (Sergio mesmo diz isso numa entrevista que vem no DVD). Esse coloca tudo como se a trama fosse o tempo todo meio subjetiva (muita cena de sonho, até o talo), mas no fim não seria. Tudo se resolve e fim. Não sei se isso seria qualidade ou defeito. Nem isso o filme me intrigou em analisar. Acabei assistindo meio apático mesmo.

Demais filmes:

O que Ele Fizeram a suas filhas? (La Polizia Chiede Aiuto, Dir.: Massimo Dallamano, 1974) 2/4

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Esse aqui apesar de uma boa trama de investigação policial (não tem tanta morte assim como outros giallos, esse é focado na investigação mesmo), o filme, no final, não liga muito as pontas e em relação ao assassino fica a pergunta: Porque ele resolveu matar todo mundo ali? Ligação dele aos personagens que morreram era zero ou próximo a isso. Ou talvez tenha perdido alguma explicação no meio do caminho, sei lá...

(Spoilers - Minha melhor explicação seria que ele era um dos namorados da menina que morreu no começo, aí pra se vingar foi atrás da organização responsável pela morte dela. Mas se a explicação era essa, não explica porque foi tentar matar a promotora que investigava o caso. Sei lá mesmo)

O Perfume da Senhora de Preto (Il Profumo della Signora in Nero, Dir.: Francesco Barilli, 1974) 2/4

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Entregando spoilers, já que aqui não conseguiria evitar: O filme mistura Psicose com Bebê de Rosemary. Acho que deveria ter ficado só no Psicose mesmo, já que melhor parte é a mulher surtando depois de reencontrar a versão infantil e macabra dela, e matando outros personagens. O filme estica depois numa seita estranha que faz algo estranho ali e sem muito propósito. Enfim, um final extra meio brocha. Deveriam ter parado no suicídio da mulher.

A Rainha Vermelho Mata 7 Vezes (La Dama Rossa Uccide Sette Volte, Dir.: Emilio Miraglia, 1972) 2/4

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Considero o melhor filme do pack. Tem problemas aqui e ali, como o prólogo mostrar a história de 2 irmãs, mas, no tempo presente são 3 irmãs (uma surgiu do nada), e a resolução é meio rocambolesca demais, mas ok, é mais focado no que quer e entrega uma boa trama de "quem é o assassino?".

 

Ranking do pack ficaria: 1- A Rainha de Vermelho Mata 7 vezes; 2 - O que eles fizeram a suas filhas?; 3 - Todas cores da escuridão, e 4 - O Perfume da Senhora de Preto. Mas todos mantém uma certa média. Não tem nenhum muito melhor que o outro.

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"Daemon Runner" é uma bacanuda scy-fy de horror que nem parece indie de tão bem feito que é. Imagina um mix decente de  "Ghosbusters" com "Evil Dead"...é isso! É tudo o que o reboot dos Caça Fantasmas quis ser e não foi...no caso, Caça-Capetas...kkk. Que venha a sequencia!! 9-10

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"Tragedy Girls" é uma divertida comédia de horror, ou uma homenagem estilosa e sangrenta ao gênero slasher do naipe de "Final Girls" ou do recente "Better Watch Out".  Curiosidade é ver a dupla de psicos teeens ser composta pelas mutantes Tempestade e Negasonic Teenage Warhead, ambas mandando bem. O filme decai  de ritmo na metade, mas vale a bizoiada.  8,5-10

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"Soldiers of the Damned" é um filme que começa interessante como thriller bélico, feito "Dunkirk" ou "Resgate Soldado Ryan", mas depois se torna confuso quando adentra o elemento sobrenatural, sem graça e com uma ou outra morte que preste. Mas no geral o resultado é ruim pois é bem precário tecnicamente. 7-10

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"Most Beautiful Island" foi a grata surpresa indie da semana, de longe. Uma alegoria tensa, macabra e claustrofóbica sobre a imigracão. É uma espécie de "O Albergue" ás avessas, minimalista e contundente. 9-10

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"The Sound" é um thriller sobrenatural fraquinho mas bem intencionado. Confuso e cheio de pequenos defeitos, o melhor é a deliciosa Rose McGowan no papel principal, que faz o que pode pra alavancar esta bodega. 7-10

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"Madre" é um thriller psicológico chileno bem eficiente que reverbera "A Invasora" e "A Mão que Balança o Berço". Não chega aos pés dessas duas produções, mas faz um mix decente e tenso deles, pecando apenas pelo desfecho borocoxô. 8-10

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"Veronica" é um terrorzão espanhol sobre possessões bem eficiente. Emulando "O Exorcista" e até "Ouija" , acompanhamos a via crucis de sua infeliz protagonista, calcado num caso real. Sustos efetivos, reviravolta e bastante cagaco completam esta obra que aparenta ser redondinha, mas não é. 8,5-10

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