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Forum Cinema em Cena
Nacka

Adaptações de HQ, o Festival_Pag. 18.

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Claro que estou no Caribe. E é de uma praia (particular) que estou publicando o resultado do Júri Popular do Festival de Adaptações HQ... 06

 

 

Ok, sem mais delongas vou publicar todas as notas com link para resenha do vencedor:

 

 

JAIL – 8.583<?xml:namespace prefix = o ns = "urn:schemas-microsoft-com:office:office" />

FELDIAS – 8.7

FORASTEIRO – 7.375

SCARLET ROSE – 9.071

LUCY – 7.9

TENSOR – 8.916

CACO/CAMPOS – 4.833

SITH – 8.928

 

Como podem ver, a Scarlet levou o prêmio com sua resenha sobre Constantine (cliquem na bolinha para reler a lista/resenha vencedora: bullet ) e vai recebê-lo em casa (Lola me mande endereço com CEP e nome completo para envio):

 

 

 

DVD - Conan: O Bárbaro

 

 

 

DVD Alien Vs. Predador

 

 

DVD Batman O Retorno Edição Especial- Duplo

 

 

Os vencedores do Júri Oficial devo publicar, no fim de semana (ainda tenho notas para receber, senhores do júri por favor). Agora vou sair, passeio de escuna e depois almoço no deck do hotel...lol

 

 

 

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Boooa, Lolla! Mandou benzaço mesmo!

 

 

 

Mas bem que esse prêmio do Júri podia ser distribuído:

 

 

 

1ª - Conan (Lolla)

 

2ª - Alien Vs Preadador (Sith)

 

3ª - Batman Returns (Tensor)

 

 

 

Que acham? Daí todos saem ganhando. 06.gif

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Boooa' date=' Lolla! Mandou benzaço mesmo!

 

 

 

Mas bem que esse prêmio do Júri podia ser distribuído:

 

 

 

1ª - Conan (Lolla)

 

2ª - Alien Vs Preadador (Sith)

 

3ª - Batman Returns (Tensor)

 

 

 

Que acham? Daí todos saem ganhando. [img']smileys/06.gif" align="middle" />

 

 

 

AVP pro segundo? Que malandrilson... 06.gif

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O 8° lugar do Festival:
 
 
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CACO/CAMPOS
 
 
 
 
superman_1978.jpg
 
 
 

Superman – O Filme<?xml:namespace prefix = o ns = "urn:schemas-microsoft-com:office:office" />

É difícil fazer uma resenha de um clássico como Superman, sem fazer lhe faltar com justiça.
Um cientista brilhante Jor-El do condenado planeta Krypton, envia a terra o seu único filho que e adotado e criado por um bondoso casal de fazendeiros Jonathan e Martha Kent, o menino e batizado como Clark Kent e demonstra ser um jovem incomum com dons extra-ordinários.

Com a morte de Jonathan o jovem encontra um cristal que lhe revela a sua origem e conhecimento kryptoriano com passar dos anos se torna repórter do Planeta Diário e conhece Lois Lane e Jimmy Olsen.

Influenciado pelos dogmas de Jor-El ele assume ser o maior herói do planeta e resolver proteger a humanidade dos crimes e desastres naturais.

Suas boas ações chamam atenção do mundo inteiro e traz esperança ao corações das pessoas especialmente a repórter Lois Lane que ao entrevista-lo e se apaixonar por ele o batiza de Superman.

Despertando o ódio e a inveja do brilhante criminoso Lex Luthor que planeja um crime brutal, e sentindo-se ameaçado Luthor estuda um método de eliminar o herói de uma vez por toda.

Aventura clássica que serviu e serve de referência para outras do gênero com a fidelidade absoluta ao herói, com seu chamativo uniforme, identidade secreta, poderes e origem e um brilhante casting onde todos brilham perfeitamente e dão ritmo ao longa que traz o humor na hora certa e cria um épico emotivo e contagiante e um tom messiânico de superman (Jesus Cristo) que deseja salvar a sociedade enquanto Luthor(diabo) que escravizar e destruir-la. Aproveitando sabiamente o contexto da guerra-fria quando são utilizados os mísseis americanos.

E claro o tema edificante de John Williams que marcou uma geração com a presença elegante de Reeves como o herói solidário e a direção original de Richard Donner que consegui a proeza de fazer as pessoas acreditar que filmes de heróis funcionam quando são bem conduzidos.

Minha singela lista do festival Hqs:
1- Batman O Cavaleiros das Trevas
2-X-Men Primeira Classe
3-Hulk (Ang Lee)------------------------------------
4-Homem Aranha 2
5-Homem de Ferro
6-Watchmen
7-V de Vingança
8-Superman----------------------------------
9-Scott Pilgrim Contra o Mundo
10-Procurado
11-Sin Citty
12-Estrada da Perdicão
13-Batman (Tim Burton)
14-X-Men 2-------------------------
15-Homens de Preto
 
Observações e Notas dos Jurados:
 
Fapreve:

 

A resenha que

já era pequena, praticamente some se contar que a metade é um resumo do filme.

Uma pena, pois o pouco que escreveu sobre sua opinião sobre o filme até estava

interessante.

 

Nota 5/10.

 

QUESTÃO:

 

 

 

Resenha fraca por se dedicar mais

a resumir o filme do que outra coisa. Tem uns erros de acentuação bem tensos

tambem. A resenha não baseia muito seus argumentos, o  que diminuiu a

nota. Faltou uma analise maior dos aspectos tecnicos/narrativos do filme.

 

 

 

Nota 04/10.

 

 

 

RENATO

 

 

 

Nota: 7,25

 

SILVA

Lista - A lista está bem razoável,

mas eu senti falta de comentários sobre os filmes escolhidos. Listar apenas os

filmes deixa a sua lista "muito pobre", seria interessante ver o

porquê deles terem sido escolhidos.

 

 

 

Nota - 2/10

 

 

 

Resenha - Na verdade a resenha dele

estava mais com cara de sinopse.  E até mesmo a estruturação da resenha em

si está bem pobre, não há uma boa construção dela...

 

 

 

Nota - 1/10

 
 

Nota: 1,5

 

 

 

 

THIAGO LUCIO

 

A resenha do

Caco foi bem fraca. Preocupou-se em contar a sinopse do filme e se contentou com

elogios óbvios aos méritos do filme. A lista é coerente, faz questão de lembrar

os principais destaques do gênero.

Nota - Lista/Resenha: 4/10
 
 
 
Nota Geral: 21,75
Média: 4,35
 
 

 

 

 

Nacka2011-07-22 17:02:56

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opa' date=' começou den.gif[/quote']

 
Mas já parei. 06
 
Estou na dependência de algumas notas e não posso dar prosseguimento... sorry... talvez amanhã... 19
 
 

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opa' date=' começou [/quote']

 

 
<font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Mas já parei. 06
<font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"> 
<font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Estou na dependência de algumas notas e não posso dar prosseguimento... sorry... talvez amanhã... 19
 
 

 

 

 

 

 

Mas que maldito! 06.gif

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Puerra, no outro festival só eu comentei e ninguém reclamou... o Sapo só deu notas...

 

Mas tá beleza, o lance do Caco foi basicamente o que todos disseram, fez mais um resumão do que dizer mesmo porque ele gosta do filme e tals.

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Puerra' date=' no outro festival só eu comentei e ninguém reclamou... o Sapo só deu notas...

 

 

 

Mas tá beleza, o lance do Caco foi basicamente o que todos disseram, fez mais um resumão do que dizer mesmo porque ele gosta do filme e tals.
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Mas achei vacilo do sapo também. Na verdade foi tu e mais dois que comentaram, não? Enfim, quem não comentou vacilou.

 

 

 

Aproveita que o Nacka não divulgou ainda e manda os comentários pras listas, cabeça.

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O 7° lugar do Festival vai para...

 

Forasteiro, com sua lista e resenha malditas:

 

 

 

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Critérios: cinco filmes da lista não são adaptações diretas de HQs (Os Incríveis, Corpo Fechado, Judex, A Balada do Pistoleiro e Hancock). Entendo a premissa do festival, “Adaptações de HQs”, não somente como a adaptação de uma HQ específica, mas da mitologia e das temáticas que envolvem este universo. Acho as escolhas bastante razoáveis (quatro dos cinco possuem ligações factuais com o mundo das HQs; um deles eu entendo que pode exigir justificativas). Não quero ser extenso aqui na lista, portanto reservo o próprio fórum, onde teremos todo o tempo do mundo, para eventuais contestações que responderei sem problemas.

O top está ordenado por predileção. Acho mais prático. Os filmes para resenha são Marcas da Violência / Corpo Fechado / A Balada do Pistoleiro.

01. Marcas da Violência (David Cronenberg, 2005)

violencef.jpg

Marcas da Violência está em outro patamar. Em princípio eu não pretendia afirmar que não entendo nada de HQs porque sei que isto soa apenas como uma tentativa imbecil de rebaixar expectativas, mas a verdade é que não entendo mesmo, e jamais pensei em Marcas da Violência como uma adaptação de sei lá qual graphic novel. Eu mesmo olho para o filme com certa desconfiança nesta lista, mas a possibilidade de citar ao menos uma obra-prima é sempre irresistível.

Marcas da Violência está em outro patamar (me pareceu adequado escrever isto duas vezes). Transpira a essência do cinema de David Cronenberg, este narrador absolutamente único e inimitável. Não escondo que é o filme mais fácil de resenhar. Espero poder falar mais sobre ele.

02. Corpo Fechado (M. Night Shyamalan, 2000)

corpoy.jpg

— You know why, David? Because of the kids. They called me Mr. Glass.

Como não consumidor de HQs, só entro em contato com sua iconografia através de outras mídias. Talvez por este motivo, Corpo Fechado trabalha algo que considero mais interessante que a própria substância em si da HQ: seu códice e suas formas de construção, abordadas por Shyamalan através da sua velha temática central: o isolamento. Parece-me adequado, já que o super-herói é, fundamentalmente, uma figura solitária. Vou falar mais a respeito se ele for escolhido.

03. Judex (Georges Franju, 1963)

judex.jpg

Judex é seguramente o filme mais metido a besta da lista. Mas eu não me importo, porque ele é também (e de muito longe) o mais belo. Georges Franju (de Os Olhos Sem Rosto) exercita em síntese a composição do icônico, o que, dentro do limite do que penso que conheço, é um conceito seminal na HQ. É a ilustração, acima de tudo, de um artefato que conecta estas duas artes que estamos celebrando aqui: a força da imagem, em torno da qual apenas gravitam, como meros adereços, todos seus demais componentes.

04. A Balada do Pistoleiro (Robert Rodriguez, 1995)

desperadog.jpg

Rodriguez apreende o códex HQzístico não apenas num maciço aporte de elementos e referências superficiais, mas na cuidadosa e tributária emolduração de seu protagonista. El Mariachi é um super-herói até a raiz dos cabelos, mas não é um herói proveniente da própria cultura cinematográfica (há a sempre inegável contribuição do western, mas para-se por aí), nem o pastiche de qualquer correlativo preexistente nos quadrinhos. Robert Rodriguez captou diretamente da cultura pop, como quem alcança no ar um punhado de estrelas, a alma de um século de HQs, dando vida a uma obra própria. Se pudéssemos olhar para o futuro e documentar as principais influências da HQ na cultura e em outras mídias, certamente pularíamos simples reproduções e adaptações, e começaríamos pelo que há de mais essencial, a partir de uma criação quase espontânea, quiçá inconsciente. O primeiro fruto dessa presença meio espírita das HQs sobre a cultura popular. Vou falar mais sobre se ele for escolhido.

05. Hancock (Peter Berg, 2008)

hanam.jpg

Considero Hancock, de forma ainda mais segura e específica que o filme de Rodriguez, um acontecimento no campo das adaptações de HQs para o cinema e no já tratado assunto do intercâmbio entre as diferentes mídias dentro da cultura pop. Trata-se de uma criação consciente (não espontânea como antes, por isso a maior consistência), puramente cinematográfica, fundada sobre a iconografia das HQs. Claro que não é a primeira, mas talvez seja a única a sobreviver sozinha dentro dessa linguagem. Hancock é o universo HQ respirando através do cinema, livre de amarras mais concretas (como uma graphic novel em que se basear ou mesmo um autor que conecte as duas artes). Como resultado, temos uma narrativa toda especial, que amplifica seu próprio universo e introduz o espectador a um novo mundo pelo menos duas vezes ao longo de sua duração (ignorando por óbvio o plot inicial). Difícil mesmo é encontrar quem goste do filme.

06. Os Incríveis (Brad Bird, 2004)

incriveis.jpg

Outra criação original, mas que ao contrário de Hancock, usa a mitologia como substância e não como veículo para a transposição de uma grafia para outra. Os Incríveis trabalha conscientemente os super-heróis enquanto figuras já incrustadas no imaginário popular e usa destes padrões já estabelecido para ir derrubando expectativas. Mesmo assim, nada daria certo se o universo original criado para o filme não fosse suficientemente fascinante, assim como a mitologia própria de qualquer HQ. É um dos grandes da Pixar.

07. Batman Returns (Tim Burton, 1992)

batmanb.jpg

Não importa o quanto Tim Burton venha errando nos últimos anos, ele terá comigo crédito eterno por Batman Returns, um filme que tanto não leva a sério sua HQ como quase faz questão de zombar dela. Mas no fundo eu não entendo o desprezo dos fãs (reforçado principalmente agora, depois de Christopher Nolan), já que Burton cultua em Batman Returns elementos que na verdade são basilares à cultura HQ, como a fuga e o próprio fantasiar lúdico sobre a realidade. Além disso, sua estética pesada foi o mais próximo que o cinema chegou de um grafismo essencialmente HQzístico sobre a imagem em movimento (em geral, as tentativas terminam no mero mimetismo, como é o caso de Sin City e Scott Pilgrim. Não é de fato algo ruim, já que as referências rasteiras cumprem exatamente o que se propõem: provocar dedos apontados e gritos de “olha lá, olha lá!” durante a sessão).

08. O Máskara (Chuck Russell, 1994)

maskh.jpg

O Máskara é um triunfo da farsa e do absurdo sobre a frieza do real. É claro que o filme não corre os riscos habituais por já estabelecer desde o início uma atmosfera que pende mais para o desenho animado do que para o cinema, evitando rupturas e outros virtuosismos narrativos, mas mesmo assim: qualquer passo em falso o teria derrubado na vala do ridículo. É a diferença, afinal, remetendo à citação anterior, de Tim Burton para Joel Schumacher: a mão do cineasta. Este assunto continua no próximo da lista…

09. X-Men 2 (Brian Singer, 2003)

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Foi quando vi X-Men 3, de Brett Ratner, que tomei um enorme respeito não apenas por Brian Singer, mas por qualquer lunático que ouse adaptar uma HQ. Sendo uma arte baseada basicamente na ilusão da realidade, o cinema se revela um terreno um tanto inóspito na recepção de histórias em quadrinhos. É MUITO fácil errar a mão. Vendo para onde Ratner levou a série, fica fácil admirar X-Men 2 como um grande exemplo de como se realiza uma adaptação. É notável o equilíbrio e a síntese no tratamento de cada drama individual, na evolução de cada personagem, e como o universo particular dos X-Men torna-se fascinante quando balizado por uma direção que (ao contrário do que fez Burton, e sim, eu gosto de ambos por motivos opostos) respeita muito o material que ilustra sem nunca se esquecer de que isto aqui é cinema, não uma mera extensão da linguagem original (um dos motivos do fracasso de Watchmen, por exemplo).

10. Diabolik (Mario Bava, 1968)

diabolikw.jpg

Uma viagem psicodélica sem volta ao inferno pseudo-futurista dos anos 60. Diabolik exala LSD em cada cor berrante e síncope da narrativa, um filme que é documento do que havia de pior na cultura da época, retratada por Bava com uma atitude zombeteira e displicente, mas sempre genial nas escolhas que claramente diretor algum no mundo faria. Dizem ser bastante fiel à HQ original, onde Diabolik é mais um bandido que só se interessa por ouro e sexo do que um super-herói.

11. Batman – O Cavaleiro das Trevas (Christopher Nolan, 2008)

tdk2c.jpg

O crônico problema de condução de ritmo de Christopher Nolan, aqui, como que por obra da reza de milhões de fãzóides histéricos, é o principal trunfo no entretenimento de O Cavaleiro das Trevas. Nolan foge à estrutura clássica da narração não por iniciativa consciente, mas por providência acidental. TDK mantem-se em um pico ininterrupto de tensão por pelo menos uma hora e meia, em uma sequência de acontecimentos amontoados como pretexto para a sustentação da ação e do suspense. A lógica (contrariada aqui) é que isto dê muito errado, como aconteceu em A Origem.

Essa constância autossustentada em TDK só é possível porque Nolan gastou um filme inteiro para introduzir sua versão de Batman, desconstruindo boa parte do que o cinema entendia até então por adaptação de HQs. Nolan aprisiona-se a um realismo que, em BB, me pareceu injustificável, mas que agora faz todo o sentido. TDK pode regozijar-se longamente com o que foi construído em Batman Begins, ignorando o que nele já fora esgotado (dramas, personagens, desconstrução e reconstrução de uma mitologia) para focar no entretenimento bruto, o que é muito bom. Seria ainda melhor se Nolan fosse um grande diretor de ação (ou se fosse um grande diretor), mas a mim isto basta sem maiores problemas.

 

 

 

A Balada do Pistoleiro
(Desperado, 1995. de Robert Rodriguez)

 


 

desperado.png


— Saw his face?
— His face? No... His eyes.


A primeira aparição é um acontecimento místico. “As luzes iam se apagando só para ele”, diz Steve Buscemi a um bando de embasbacados como quem conta uma história de acampamento. Desde já fica claro que El Mariachi não é um homem; é um ser etéreo, habitante do imaginário que visita o mundo de baixo de tempos em tempos pra meter bala e chutar uns traseiros. É o passado trágico, ter o irmão como arqui-inimigo, ter um nickname, um uniforme… E não há transição. Se vemos Peter Parker virar Homem-Aranha e Bruce Wayne se tornar o Batman, El Mariachi abre o filme já envolto em sua lenda. A história de Buscemi é o primeiro tributo a uma vitória sobre a monotonia do real que Rodriguez ensaia durante todo o filme. El Mariachi é antes um herói narrado por terceiros nessa diegese que se desdobra do que ele mesmo, um personagem sobre o personagem, é antes a roupa preta, o case cheio de armas e a violência fantasística do que um rosto discernível ou qualquer outro traço que lembre uma figura humana.

Essa mitologia fanática por si mesma não é a adaptação de uma HQ em específico nem um filme-referência (cito respectivamente Sin City e Planeta Terror), mas uma invenção que sorve da cultura popular sua matéria-prima. Duvido que Rodriguez tenha pensado em super-heróis ao criar seu El Mariachi, porque não foi preciso. Quando certa iconografia está suficientemente entranhada no imaginário pop, não carece de lógica ou raciocínio, apenas instinto.

Esse universo magístico que Rodriguez conjectura se farta de excessos visuais e cria para A Balada do Pistoleiro um traço próprio, de uma imundície, uma aridez; o mundo que o herói pisa é extensão dele mesmo. Esse hermetismo gráfico é quase cartunesco às vezes, como o chão ensanguentado do bar após a chacina, ou o banheiro cheio de merda que esconde um cartel de drogas, ou no muquifo que lhe serve de batcave: da trilha mexicana às velas vermelhas à água podre que escorre por sobre o espelho usado para o Mariachi vestir sua fantasia. O mundo inteiro parece estar em avançado estado de decomposição por culpa desse intercâmbio interior–exterior que muitos já encenaram (Melville, Mann, Zurlini): há um corpo em algum lugar de A Balada do Pistoleiro.

Como tantas vezes nos quadrinhos, morre o homem e nasce o alterego no momento da tragédia que o define enquanto herói: o assassinato da mulher amada e o tiro que lhe aleijou a mão, epígrafe de sua mitologia. O antigo mariachi era um homem comum até adquirir seus superpoderes, ao mesmo tempo um dom e uma maldição. A mão quase dividida ao meio por uma bala, tornando-se incapaz de aprender novamente a delicadeza da música, refugia-se no simplismo duro do revólver, instrumento que exige apenas um dedo para ser executado. Lançar chamas pelos olhos e ter a força de dez homens é nada diante de um desejo de vingança contra tudo que se move.

El Mariachi nasce super-herói não por iniciativa consciente, mas porque a virtude insurgente dos quadrinhos aparece como atalho mais rápido para a sintetização da fantasia (um dínamo), para zombar do realismo canhestro em que o cinema tende a se imergir e celebrar o impossível enquanto entidade fundante de toda criação, ainda que essa loucura seminal, por onde começa toda forma de arte, venha a ser domada por um autopoliciamento broxante ou pela força das circunstâncias (como aconteceu com Rodriguez).

Não é por acaso que tudo em A Balada do Pistoleiro corresponda a um sonho da ficção que se dobra em si; um gozo demorado. Quando filmou El Mariachi, 3 anos antes, Robert Rodriguez fez o filme que pôde (ele usava uma câmera — a única que tinha — montada sobre uma cadeira de rodas velha para fazer os travellings). A quem viu de repente seu orçamento de US$ 7 mil virar US$ 7 milhões, A Balada do Pistoleiro é um mundo de brinquedo. Sua simples existência basta para que se engaje sobre ele uma fruição inabalável. O cuidado pra que cada cena seja a melhor de todas e pra que cada momento seja histórico mergulham o filme no mais delicioso over criativo, uma livre vazão a vontades incensuráveis que definem o cinema histriônico de Rodriguez.

Afinal ambos, o cinema e a HQ, parecem nascer dessa mesma inocência e desse mesmo protesto: a ilusão da finalidade em si mesma, o prazer da invenção de um segundo universo (porque o primeiro não é mais suficiente). Ambos começam porque alguém se rebela contra a realidade a tal ponto que elege como necessidade primária a criação de uma realidade nova, menos chata, mais cheia de homens voadores e lança-mísseis ambulantes. Há mais semelhanças que diferenças entre A Balada do Pistoleiro e uma revista do Fantasma, há esse ponto incontornável onde as duas artes acham uma à outra: por trás da existência tanto de um filme quanto de uma história em quadrinhos está o ingênuo esforço para fazer do mundo um lugar mais interessante.

 

 

 

NOTAS e Comentários:

 

Silva - 7,5/10

Mr. Scofield - 5.25/10

Fapreve - 8.0/10

Renato - 2/10

 

Total: 22,75

Média: 5,68

 

 

 

RENATO<?xml:namespace prefix = o ns = "urn:schemas-microsoft-com:office:office" />


Lista - 3,0
Resenha - 1,0

 

THIAGO LUCIO:

 

Sem nota (lista e resenha) - Ele fugiu da proposta, por melhores que sejam os seus argumentos, não dá para negar que a proposta do festival não era essa. Muitos dos filmes escolhidos não se tratam de adaptações de HQ e a proposta era essa. Se considerarmos os arquétipos das HQ´s vamos ter que considerar 80% dos filmes produzidos e lá se vão as pretensões deste festival. É uma ousadia que custa caro em termos de premiação, não se trata de engessar o processo, mas há de se ter critérios. Mas não posso deixar de considerar que o Foras foi muito feliz nos breves resumos que postou para cada um dos filmes, de qualquer forma reúne bons filmes de uma maneira geral, e a resenha é muito escrita, muito bem resolvida, sabe ser passional sem deixar de ser técnica, sabe ser emotiva sem deixar de ser formal. Ainda assim não posso deixar de dar a nota já que não considero que ela se mostrou pertinente à proposta.

 

 

FAPREVE

 

 

Também sou a favor de se manter a proposta inicial do Festival. E digo isso até para manter minha opinião quanto ao caso do Silva no Festival anterior que foi parecido. Por isso no final tirarei pontos. Mas isso é o de menos. Acho que o objetivo principal do Festival, e do Cineclube, é acarretar discussões sobre filmes. Pena que no caso do Forasteiro a discussão veio da forma e não do conteúdo, que, aliás, é muito bom.
Entendo a tentativa do Forasteiro e lendo a resenha dele (inclusive de um filme que acho apenas razoável) não dá pra negar que o texto é delicioso e que dificilmente teria outro do mesmo nível.

Começando pelo início da resenha e sua bela descrição do começo do filme. Do herói chegando já envolto em sua lenda. Do conhecido/desconhecido que só quer tocar o terror. Dos excessos visuais comuns em adaptações de HQs.  Até o final que resume perfeitamente o cinema e a própria HQ: um universo paralelo que expande a nossa realidade comum.

Nota 10,0 pelo texto, mas fica com 8,0 por não ser de um filme realmente adaptado.

 

Mr. Scofield

 

Lista: 4,5/10 - A nota basicamente se fez pelos bons comentários. Não há dúvidas que o Foras apresenta uma grande sensibilidade quanto aos filmes que assiste e escreve belíssimos textos. A justificativa dele é interessante, ao meu ver, e encontra eco na opinião de quem criou o tópico (que fala em dubiedade proposital), o que evidencia que a subversão do tema em busca de algo novo é procedente. Mas, saindo do âmbito das intenções e buscando meus próprios critérios, achei vários dos posts posteriores do Foras magníficos mas concordo com quem disse que esta discussão não precisava ter surgido da participação em si. Tampouco vejo como desrespeito aos outros ou tentativa de se mostrar melhor que ninguém (esta possibilidade então é incrivelmente estúpida) mas o preciosismo de seus textos funciona com uma dupla face: tanto fascina quanto às vezes soa excessivo. Tomo como exemplo a citação de Marcas da Violência. Eu realmente não vi nada ali além de um texto de dois parágrafos que só ressaltam que o filme é uma obra prima, o que não me convence. Contraponha com o de Batman Returns e verá a diferença gritante. Talvez se eu tivesse dado uma nota global, isto não tivesse ficado evidenciado e foi por isso que optei por atribuir a nota por partes.

Resenha: 6,0/10 - Não assisti à Balada do Pistoleiro, mas dadas as explicações do Foras no início da lista, não entendi também porque foi escolhido para a resenha, sua nota poderia ter subido consideravelmente se fosse uma adaptação. Não há muito a dizer aqui, a nota é dada pelo caráter do festival. Se fosse um texto no meio do CeC, seria 10. Me fez lamentar pela carência de postagens deliciosas como estas.

 

 

silva

 

 

Lista - Como esperava (e, de fato, foi), polêmica até os ossos. Mesmo alguns filmes não sendo "adaptações" propriamente ditas, ele justificou todas elas. E é sempre bom quando alguém tenta fugir do lugar comum.

Nota - 8/10

Resenha - A escolha do filme que ele resenhou foi minha, justamente para ver "como ele iria defender o ponto de vista dele". No mais, não concordo muito com algumas das justificativas dele (algumas são muito gerais, e podem ser aplicadas a inúmeros filmes), mas ele sabe escrever e a maior parte dos seus argumentos poderiam gerar ótimas discussões. A resenha dele não me arrebatou por completo, mas foi uma leitura interessante.

Nota - 7,5/10

 

Nacka2011-07-23 15:16:55

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6º Lugar do Festival vai para...

 

 

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LISTA:

 

 

5/5

Batman: O Cavaleiro das Trevas (Christopher Nolan, 2008)
Sinistro, sério e desesperançoso. O filme acaba ganhando um peso enorme. A realidade que Batman enfrenta é tão podre, que um herói certinho não pode salvar o dia. Ninguém pode... E representando o caos, em oposição à ordem, representada por Batman, temos alguém que se tornou um dos maiores vilões do cinema.

X-Men: Primeira Classe (Matthew Vaughn, 2010)
O filme maduro a respeito do nascimento dos X-Men. Mais drama do que ação. Embora a ação empolgue, a parte mais importante está nos conflitos que os mutantes enfrentam, definindo ideologias e tentando se aceitar. Destaque para Erik, Charles, Raven e um ótimo desenvolvimento de personagens.

 

4/5

X-Men (Bryan Singer, 2000)
A preocupação em tratar da disputa entre humanos e humanos e das diferentes mentalidades envolvidas na situação são o ponto de destaque. Não é muito um filme de ação, mas é entretenimento. Do tipo que a gente pode levar a sério. Magneto, Logan e Rogue, os personagens que ganham mais atenção, se saem bem, cada com seu drama pessoal.

X-Men 2 (Bryan Singer, 2003)
Traz as mesmas qualidades do primeiro, dando mais espaço para a ação. Pela milésima vez é preciso elogiar o ataque de Kurt no início do filme. Música, efeitos especiais e estilo de luta numa união antológica.

Homem-Aranha 2 (Sam Raimi, 2004)
Todo o filme é montado em clichês, como o herói que desiste de ser herói, e o vilão trágico que é vítima do próprio experimento. E funciona muito bem assim, atingindo a nossa vontade ser alguém melhor, mais nobre... Não é uma história de vilão versus herói, e sim sobre Peter tentando lidar a vida fora do comum que ele leva.

Homem de Ferro (Jon Favreau, 2008)
É um filme sobre um herói surgindo e aprendendo que seus atos têm consequências. Um herói imperfeito, e o mais charmoso entre os personagens de adaptações de HQ. Grande parte da qualidade do filme se deve ao talento e ao carisma que ele esbanja. A ação, a armadura e a química dele com sua assistente, que não se permite desaparecer em cena, completam o pacote.

Homem de Ferro 2 (Jon Favreau, 2010)
Basicamente tem as mesmas qualidades do primeiro. Mas, por algum motivo que eu nunca consegui descobrir, é um tiquinho menos bom.

Batman Begins (Christopher Nolan, 2005)
Outro filme-origem. O herói pode aparecer já pronto, mas mostrar seu surgimento também é uma escolha válida, e é o principal objetivo de Begins, que nos permite acompanhar Bruce sofrendo e aprendendo a ser Batman. Além de nos apresentar uma Gotham deprimente.

icon_exclaim O Corvo (Alex Proyas, 1994)
Vingança praticamente na sua forma mais gloriosa. Várias imagens lindas proporcionadas por uma Nova York feia, pobre e violenta. A gente consegue se identificar com Eric e apreciar seus atos de punição muito bem dirigidos, e que são até divertidos.

icon_exclaim Ghost World (Terry Zwigoff, 2001)
Representa aquele momento da nossa vida em que a infância fica definitivamente para trás. As responsabilidades da vida adulta chegam, e podemos fazer escolhas convencionais ou ousar algo diferente. É um filme divertido, mas há algo triste nele...

icon_exclaim O Máskara (Chuck Russell, 1994)
O personagem-título é tão carismático, da forma mais bizarra possível, que ele tem que ser o centro das atenções quando aparece. Um papel ideal para Jim Carrey, porque ele pode ser exagerado o quanto quiser (enquanto estiver incorporando o Máskara). Uma das minhas comédias preferidas.

 

 

 

O Corvo (The Crow, Alex Proyas, 1994)

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Eric aparece na janela do apartamento, enquanto a luz ilumina metade de seu rosto, que expressa raiva e determinação, e é uma cena linda de se ver. A beleza é uma característica de todo o filme. A câmera sobrevoa a cidade, imitando o vôo de um pássaro, e como a aparência do ambiente depende da visão do diretor, temos a chance de admirar uma Nova York escura, degradada, suja, perigosa e sempre chuvosa. A arte pode transformar feiúra em beleza, e quando nos deparamos com um beco cheio de lixo e mal iluminado, é uma bela visão, de certa forma...

O desenvolvimento de personagens não faz falta. Não interessa quem são Eric e as pessoas que ele persegue. O que importa é que ele tinha uma vida e um futuro e estava feliz. Também importam as emoções que o guiam, e que são a revolta, a dor imensa pelo que lhe foi tirado injustamente e o desejo de vingança. Elas aparecem com grande vigor, refletindo a força física de Eric e toda a energia que ele e o diretor colocam nas lutas. Quando se trata de crimes, nos identificamos com a vítima e experimentamos o sentimento de vingança, principalmente se os meios legais não conseguem punir o criminoso. Nós queremos que a punição aconteça, mesmo que de forma imoral, e O Corvo nos dá o que desejamos.

Eric mata os seres abjetos que arruinaram sua vida, mas não imediatamente. Primeiro se diverte com eles, numa brincadeira que alimenta nosso sadismo e cria expectativa. A morte mais bonita é aquela que envolve um carro jogado na água, câmera lenta na medida certa, um coral cantando e chamas em formato de corvo.

 

NOTAS e Comentários:

 

 

 

FAPREVE - 7/10

Questão - 6/10

Silva - 8.5/10

Thiago Lucio - 5/10

Renato - 6.75/10

 

TOTAL: 33,25

Média: 6,65

 

 

 

 

FAPREVE

Não faltou um pedaço da resenha Lucy, não? Pena, já que a parte que foi postada estava interessante, partindo para uma visão bem pessoal e apaixonada. E isso ficou claro pra mim já que mesmo tendo visto o filme há séculos e não me lembrar de nada do filme, só de que não tinha gostado muito, gostei do texto (parte dele) e até senti vontade de rever o filme um dia. Pena que acabe logo. Poderia ter uma nota bem melhor.

Nota 7,0.

 

 

QUESTÃO

 

6/10. Ela defende bem seus argumentos, mas faltou situar o leitor no filme analisado. Faltou um bom fechamento da resenha tambem.

 

Nota 06.

 

 

 

SILVA

 

Lista - Boa lista. Ainda que concentrada naqueles mais "clássicos', ela arranjou um espacinho para citar três filmes para fugir do lugar-comum, o que acabou deixando a lista bem a cara dela.

 

Nota - 8/10

 

Resenha - Não entendo o porquê do medo de mostrar a resenha. Ela pode terminar de forma abrupta demais (talvez mais um parágrafo concluindo o que foi apresentado seria o ideal), mas o que ela escreveu está muito bom. Bem escrito, bem estruturado, sem ser uma "resenha-padrão", focando exatamente no que há de melhor no muito bom "O Corvo": a ambientação suja e negra de Nova York. E ela faz isso de maneira bastante certeira.

 

Nota - 9/10 

 

Thiago Lucio

A lista da Lucy está muito boa, fazendo algumas escolhas fora do padrão óbvio, mas da mesma forma que o Tensor, não havia necessidade para tanto "X-Men" e "Homem de Ferro" por melhores que sejam já que outras obras nem tanto conhecidas, mas com qualidade semelhante poderiam ser lembradas. Logicamente que é uma lista pessoal e não há como condenar. Esperava muito mais da resenha da Lucy, não apenas por ter sido seu padrinho, mas por ter escolhido como um de suas opções para resenha, o que me chamou bastante a atenção. Não comete o erro do Caco, mas não tem a consistência do comentário do Tensor. Faltou um pouco mais de conteúdo, do jeito que ficou tornou-se frustrante, ela podia ter explorado muitos outros aspectos do longa.

 

Nota para lista/resenha: 5/10

 

Renato:


Lista - 6,5
Resenha - 7,0

Nacka2011-07-23 15:24:14

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