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CACO/CAMPOS

Infiltrado na Klan, Dir: Spike Lee

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37 minutes ago, Gustavo Adler said:

nada a ver, tem todo o sentido, na verdade, é o tema central

 

 E onde eu disse que não era? O que eu disse é que em termos de linguagem (e não de narrativa, como deixei claro em meu post) achei as imagens deslocadas, e narrativamente redundantes sim, pois a ligação com o contexto da trama com a Era Trump já haviam sido bem expostas ("Vamos Fazer a America Grande de Novo") aparece mais de uma vez. na boca dos caras da Klan O protagonista é acusado de ingênuo por um colega quando diz não acreditar que um cara com um discurso de ódio possa chegar a Casa Branca. Enfim. Eu prefiro chegar a minhas próprias conclusões do que praticamente ter um narrador me dizendo qual é a moral da história que acabei de escutar.

  

49 minutes ago, Gustavo Adler said:

nada a ver, tem todo o sentido, na verdade, é o tema central 

Inclusive pra demonstrar a quem o sistema serve, não aos movimentos negros que queriam uma revolução, e sim aos brancos que queriam a cremação negra. 

O filme pareceu tratar do tema sem tomar partido, mas tomou, e o final demonstra isso. E não tinha como ser diferente, não da pra dizer que quem está com a arma apontada na sua cabeça foi violento ao roubar a arma e quebrar o pescoço do cara que tava o ameaçando. Mas sim, é ódio o cara que tá armado sacar a arma e apontar pro outro. 

E é isso que o filme trata, sutilmente, ele demonstra que, embora o movimento negro pregue o uso da violência aparentemente como o movimento branco, quem tem a vantagem é o branco, o sistema é do branco, e a iniciativa é do branco, é o branco sob posse da arma do sistema quem tem o poder de por fogo na arma e pedir paz ao negro, não o negro que está diariamente sendo violado e ameaçado de ser violado. Pedir que o negro tenha paciência é muita petulancia e racismo de nós brancos, e como bem retratou o final. 

E digo mais, tanto foi perfeito que o policial negro que acreditava que poderia reformar o sistema, muda-lo, ou fazer a revolução através das instituições, não ousou questionar as ações e ideias da sua potencial companheira, e entendia bem a raiva que ela tinha. Sabia que ela estava certa mas achava que poderia combater esse sistema por outros meios não violentos.

 

 Eu já tenho uma visão um pouco diferente. Sim, o filme prega o quanto o sistema não está interessado em acabar com discursos de ódio, revelando-se no fim inútil contra a Klan. E sim, decididamente o filme não condena as ações da garota que lidera o movimento estudantil negro, que seguia uma linha de direitos civis a lá Malcolm X, e até as apoia. Mas embora tenha visto que o sistema não é um aliado confiável, não vejo que o protagonista (não o filme) passou a apoiar a corrente de pensamento bélica que a sua potencial namorada segue, tanto que ele não larga a polícia. Com certeza ele compreende, mas não acho que concorde. De fato, a investigação do protagonista não é apresentada como um total desperdício, pois serviu pra conscientizar alguns dos seus colegas, como vemos nas cenas do aplauso (que também tinha a função de sinalizar uma falsa vitória contra a Klan) e da prisão do policial racista. Especialmente o personagem do Adam Driver, tem uma jornada bem boa que começa vendo a missão de derrubar a Klan como um simples trabalho, para depois perceber que lutar contra discursos de ódio é muito mais do que isso, quando passa a sentir na pele o ódio antissemita que antes ignorava. Por esse final aberto do relacionamento dos dois (que pra mim é mais uma metáfora) vejo que embora o filme  decididamente não mostre fé alguma na efetividade das ações de homens como o Ron que tentam lutar pelos direitos dos negros e de outros vítimas de ódio, como os judeus, gays, e etc de dentro do sistema, o filme também não prega que eles devem ser vistos como inimigos, como a garota acredita. Pelo menos foi a leitura que fiz.

 

1 hour ago, Gustavo Adler said:

repito e reintero, o final foi perfeito.

 

 Pra mim aquelas imagens foram completamente dispensáveis. Mas já deixei claro por que penso assim.

14 hours ago, Tensor said:

 Há filmes que tem um comprometimento primordial com a narrativa, outros com algum deslumbramento estético, e tem os cineastas que, mesmo não abdicando disso tudo, lutam e filmam principalmente pela denuncia, que sempre me pareceu o caso do Spike Lee. O fato é que tu ver os dias de hoje encerrando aquele espetáculo (sim, eu adoro o filme) ressoa de forma mais potente. Tu vê a ficção (em um naturalidade  absurda entre o divertido e horrendo) e logo após o chão que tu ta pisando, a rua que tu ta atravessando. O coração sai mais duro. Tudo a ver com o que esse homem se dedicou a fazer na vida como diretor. 

  O argumento é válido TENSOR. E de fato, Lee sempre primou pelo filme denuncia. Mas pra mim, aquelas imagens finais, funcionam como denuncia, mas não como filme, por que parecem pertencer a outra obra, não aquela que eu estava assistindo (trata do mesmo tema, mas nenhum filme é só o seu tema, mesmo os filmes denuncia). Pra mim, não teve impacto nenhum aquelas imagens finais, e explico por que. Eu já tinha visto no filme todo o chão que eu piso, e a rua que eu atravesso. Tava tudo lá, de forma nada disfarçada. e bastante explícita. As mensagens sobre como nós vivemos em uma sociedade que ainda mantém conceitos fascistas, e os diversos riscos que isso pode acarretar, especialmente quando surgem porta vozes carismáticos como o personagem do Topher Grace, a conivência do sistema com isso, tudo tá espalhado pelo filme. Como você mesmo disse, o filme se sustenta sem isso. Pra mim, as imagens foram apenas a redundância de algo que já havia ficado extremamente claro.

  E sim, tem a ver com toda a obra do diretor, o que não significa que funcione.

Ainda é um baita filme, e essas inserções são só um pequeno pecado, mas que me deixaram um pouquinho decepcionado, me deixaram.

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Após anos de uma carreira aclamada nos cinemas, Spike Lee finalmente conseguiu sua primeira indicação ao Oscar de Melhor Diretor por Infiltrado na Klan.

 

Em entrevista para a Entertainment Weekly nesta quarta-feira (23), o cineasta disse que atribui a celebração ao movimento do #OscarsSoWhite, que marcou a premiação de 2016 ao não trazer diretores, atores ou atrizes negros indicados para as categorias.

“Bem, sejamos honestos. Isso não teria acontecido se não fosse pela hashtag #OscarsSoWhite. O que aquela campanha fez, ela fez a Academia entender que eles precisavam diversificar os membros. Olhe para Moonlight – a diversidade dos votantes fez a diferença, então se quiser voltar para 1989, aqueles membros não estavam sentindo Faça a Coisa Certa, eles não estavam.

“Mas olha, estamos aqui hoje, não em 1989, e o mundo sabe onde Faça a Coisa Certa se encaixa na História Americana, História mundial, história do cinema, então isso é garantido. Estamos aqui hoje, e eu estou muito feliz por todos aqueles que tiveram a benção de serem indicadas por um filme muito importante. E eu acho que historiadores, daqui a muitos anos, ao procurar por uma obra de arte que cristalizou a época louca pra ca*** que vivemos, eles colocarão Infiltrado na Klan no topo da lista, eu acredito nisso”, acredita Lee.

“Eu também gostaria de dizer que esse filme está do lado certo da História, do lado certo”, provoca o diretor.

Lee é o diretor de Infiltrado na Klan, que também recebeu indicações a Melhor Filme, Melhor Roteiro Adaptado, Melhor Trina Sonora, Melhor Edição e Melhor Ator Coadjuvante (Adam Driver).

Vale lembrar que, embora esta seja a primeira vez que Spike Lee seja reconhecido como cineasta, ele recebeu uma indicação ao Oscar de Melhor Roteiro Original por Faça a Coisa Certa, de 1989.

 

FONTE: OBSERVATÓRIO DO CINEMA

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On 1/24/2019 at 12:43 AM, Questão said:

 

 E onde eu disse que não era? O que eu disse é que em termos de linguagem (e não de narrativa, como deixei claro em meu post) achei as imagens deslocadas, e narrativamente redundantes sim, pois a ligação com o contexto da trama com a Era Trump já haviam sido bem expostas ("Vamos Fazer a America Grande de Novo") aparece mais de uma vez. na boca dos caras da Klan O protagonista é acusado de ingênuo por um colega quando diz não acreditar que um cara com um discurso de ódio possa chegar a Casa Branca. Enfim. Eu prefiro chegar a minhas próprias conclusões do que praticamente ter um narrador me dizendo qual é a moral da história que acabei de escutar.

  

Então, mas ai faço uma pergunta, se o filme fosse sobre a terra ser uma rocha, ele deveria deixar você tirar suas próprias conclusões olhando o filme de que o filme está reconhecendo a terra como uma rocha e não como uma moeda, ou sei lá, ou ele deveria dizer pra você que a terra era uma rocha?

Normalmente a gente aprendeu a ver a arte como uma expressão de livre interpretação, mas existem artes que querem dizer uma coisa muito clara e que não é livre a interpretação, embora seja livre a composição. 

O final do filme foi ele dizendo que apesar de qualquer esforços, tanto dos ativistas quanto do policial, o sistema se sustenta pelo racismo, a cultura é racista, a sociedade apoia o racismo, tanto é que permitiu um ritual simbólico desejando o fim de outros povos humanos as claras, sem qualquer rechaça, e, que se for olhar bem, estava bem condizente com seu representate e com a história de sua sociedade, como o filme havia contado lá atrás (vale lembrar que a parte final foi adicionada após o Spyke Lee ver a cena patética da ultra direita). 

O filme tinha algo a dizer, e não exitou em deixar muito claro. Deixar uma coisa como o racismo de uma sociedade e que mantem essa sociedade como algo a ser interpretado seria, ao meu ver, algo pior do que negar que a terra é redonda, seria negar a existência do sol, nesse sentido o Lee quis afirmar que o sol existe (que o racismo é a sociedade). 

E mesmo sem as cenas finais, o filme continua muito claro em afirmar que o sol existe, continua não deixando a interpretação livre. Mas as cenas finais deram o acréscimo de não permitir o espectador de acreditar que aquela sociedade hoje já não é mais assim, que que ficou no passado.,

 

Quote

 Eu já tenho uma visão um pouco diferente. Sim, o filme prega o quanto o sistema não está interessado em acabar com discursos de ódio, revelando-se no fim inútil contra a Klan. E sim, decididamente o filme não condena as ações da garota que lidera o movimento estudantil negro, que seguia uma linha de direitos civis a lá Malcolm X, e até as apoia. Mas embora tenha visto que o sistema não é um aliado confiável, não vejo que o protagonista (não o filme) passou a apoiar a corrente de pensamento bélica que a sua potencial namorada segue, tanto que ele não larga a polícia. Com certeza ele compreende, mas não acho que concorde. De fato, a investigação do protagonista não é apresentada como um total desperdício, pois serviu pra conscientizar alguns dos seus colegas, como vemos nas cenas do aplauso (que também tinha a função de sinalizar uma falsa vitória contra a Klan) e da prisão do policial racista. Especialmente o personagem do Adam Driver, tem uma jornada bem boa que começa vendo a missão de derrubar a Klan como um simples trabalho, para depois perceber que lutar contra discursos de ódio é muito mais do que isso, quando passa a sentir na pele o ódio antissemita que antes ignorava. Por esse final aberto do relacionamento dos dois (que pra mim é mais uma metáfora) vejo que embora o filme  decididamente não mostre fé alguma na efetividade das ações de homens como o Ron que tentam lutar pelos direitos dos negros e de outros vítimas de ódio, como os judeus, gays, e etc de dentro do sistema, o filme também não prega que eles devem ser vistos como inimigos, como a garota acredita. Pelo menos foi a leitura que fiz.

Mas ai é que está, eu não acho que o protagonista tenha a ilusão de ter o sistema como aliado, ele sabia exatamente que o sistema e a sociedade era com base no racismo, e dai acredito que ele tenha entendido a sua pretendente e acho também que, embora ele não goste da sua tática, ela tem sua razão, ela tem razão.

Ele acreditava que se infiltrando no sistema poderia criar uma brecha pra mudar o sistema e não para melhora-lo incluindo os negros nele. E nisso é que ele articulou pra mostrar pro companheiro dele que o sistema que se baseia no racismo também se baseia no racismo contra judeus, ele não quis educar um branco pra assim fazer com que ele passe a apoiar os negros, ele quis abrir os olhos do judeu pra perceber que esse sistema se baseia na exclusão de seu povo, dele também. Aqui o protagonista não tinha intensão ou expectativa de que o amigo dele tomasse alguma atitude com relação ao sistema ou com relação a inserção dos negros na sociedade, mas sim que ele enxergasse o real problema, a profundidade disso.

E, pra mim, a grande questão foi a denúncia do falso extremo. Não havia briga de extremistas ali, e sim luta pela sobrevivência da integridade de suas vidas. Sutilmente o filme demonstra que os movimentos negros não era um movimento que se podia interpretar como um lunático tal qual o movimento branco, e sim que o movimento negro precisava se utilizar de estratégias pra sobreviver e mudar esse sistema, que é branco.

Dai que a conversa entre os dois foi no tom de saber que a Angela Davis estava certa na sua luta, não me lembro dele recriminando-a pela luta, mas sim dele defendendo que existe outras estratégias que fazem parte da mesma luta, como a de ser policial. Ele sabia que ela estava lutando pela sobrevivência de sua integridade como mulher, negra, e de cultura de origem fora da cultura daquela sociedade. Tanto é que ela foi abusada pela polícia e eles conversaram com ele reconhecendo que a luta dela é desse ponto, de sobrevivência, de luta pra não ter o medo de ter sua vida abusada.

Eu não me lembro dele criticando as táticas dela, que ai enquadraria no que você disse de entender mas não concordar. Ele apenas apontou pra outras táticas que ele prefere. 

 

Mas ele sabe que quando o sistema for chamado pra defender, ele defenderá o branco, como ficou muito claro na cena em que ele, policial, um profissional do sistema, estava atuando a racista terrorista, sofreu reação dela, e teve que tentar rende-la e ainda assim, a polícia foi prende-lo e defender a pessoa branca (e a grande genialidade é tratar isso com naturalidade, demonstrando que o policial estava apenas fazendo aquilo que ele acredita que era seu dever, e levando o espectador a, até, se ve na posição do policial poderia cair no mesmo mal julgamento). 

 

Havia ali um impasse, mas porque um não gostava particularmente da tática do outro, mas ambos  concordavam que era preciso lutar por isso que eles estavam lutando e cada um escolheu a tatica que lhe foi necessário/+útil (que é, sutilmente, diferente de respeitar mas discordar).

 

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 Pra mim aquelas imagens foram completamente dispensáveis. Mas já deixei claro por que penso assim.

  O argumento é válido TENSOR. E de fato, Lee sempre primou pelo filme denuncia. Mas pra mim, aquelas imagens finais, funcionam como denuncia, mas não como filme, por que parecem pertencer a outra obra, não aquela que eu estava assistindo (trata do mesmo tema, mas nenhum filme é só o seu tema, mesmo os filmes denuncia). Pra mim, não teve impacto nenhum aquelas imagens finais, e explico por que. Eu já tinha visto no filme todo o chão que eu piso, e a rua que eu atravesso. Tava tudo lá, de forma nada disfarçada. e bastante explícita. As mensagens sobre como nós vivemos em uma sociedade que ainda mantém conceitos fascistas, e os diversos riscos que isso pode acarretar, especialmente quando surgem porta vozes carismáticos como o personagem do Topher Grace, a conivência do sistema com isso, tudo tá espalhado pelo filme. Como você mesmo disse, o filme se sustenta sem isso. Pra mim, as imagens foram apenas a redundância de algo que já havia ficado extremamente claro.

  E sim, tem a ver com toda a obra do diretor, o que não significa que funcione.

Ainda é um baita filme, e essas inserções são só um pequeno pecado, mas que me deixaram um pouquinho decepcionado, me deixaram.

 

Então, eu acho que justamente, pelo menos pra mim, o impacto foi que: esfregamos na cara que essa sociedade é dos brancos com base na exploração de outras raças, e, não se iluda, ela continua hoje, e estão lutando pra que aqueles tempos volte.

A minha interpretação que resultou disso foi: E ai? quando é que vamos discutir uma estratégia mais eficaz ou mesmo a de pegar em armas e por os brancos e seu jogo contra a parede pra forçar a sociedade a uma mudança? Porque o problema tá ai, gritando pra voltar a sua expressão máxima.

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On 1/27/2019 at 2:58 AM, Gustavo Adler said:

Então, mas ai faço uma pergunta, se o filme fosse sobre a terra ser uma rocha, ele deveria deixar você tirar suas próprias conclusões olhando o filme de que o filme está reconhecendo a terra como uma rocha e não como uma moeda, ou sei lá, ou ele deveria dizer pra você que a terra era uma rocha?

Ele não deveria me dizer que a terra é uma rocha. Deveria deixar que a história que ele estava contando, e que as imagens de seu filme dissessem isso. O problema não é só a redundância. Tem um monte de filme que fazem a mesma coisa no fim, e não me incomodam. O problema que um filme não é só a história que você tá contando, e nem a mensagem que quer passar. Tem que ter uma coesão. E com aquela montagem final, tive a impressão que era uma colagem de outro filme (com o mesmo assunto, mas outro filme). E isso me incomodou muito.

 

On 1/27/2019 at 2:58 AM, Gustavo Adler said:


O final do filme foi ele dizendo que apesar de qualquer esforços, tanto dos ativistas quanto do policial, o sistema se sustenta pelo racismo, a cultura é racista, a sociedade apoia o racismo,

 Exatamente o que ele já tinha dito durante todo o filme, repetidas vezes. Ao ver essas imagens do final, lembrei do recadinho do He Man, como se o Lee abrisse um quadro e dissesse "Olhe amiguinhos, na história de hoje, nós aprendemos que o racismo e discursos de ódio ainda estão entranhado na nossa sociedade."  Nesse sentido, voltando ao exemplo que dei na outra página, foi como se ao fim de DIVERTIDA MENTE, tivéssemos uma terapeuta dizendo da importância de sentimentos de tristeza para um desenvolvimento saudável.

 

On 1/27/2019 at 2:58 AM, Gustavo Adler said:

(vale lembrar que a parte final foi adicionada após o Spyke Lee ver a cena patética da ultra direita). 

E se percebe isso no filme. Percebe-se um impulso aqui. Um remendo em uma tapeçaria que já estava pronta. E não acho que eu deveria perceber que foi um impulso.

 

On 1/27/2019 at 2:58 AM, Gustavo Adler said:

E mesmo sem as cenas finais, o filme continua muito claro em afirmar que o sol existe, continua não deixando a interpretação livre. Mas as cenas finais deram o acréscimo de não permitir o espectador de acreditar que aquela sociedade hoje já não é mais assim, que que ficou no passado.,

  Justamente por não precisar que acho que aquelas imagens de Charlottesville sobram. Até por que como você disse, é um filme que deixa a sua mensagem bem clara, e que funcionaria da mesma forma sem elas. A pessoa que não pegou a mensagem antes daquelas imagens deprimentes de Charlottesville, não vai pegar depois, por que não quer pegar a mensagem, pois o Lee já havia deixado tudo muito claro. Como eu disse antes, a redundância me incomoda, mas talvez mais por que elas parecem soltas do filme, e não acrescentam nada novo á obra. Talvez se o Lee tivesse encontrado uma forma técnica de deixar aquelas imagens mais integradas, e não como um adendo de uma coisa que ele já tinha deixado mais do que claro, não me incomodasse tanto.

 

On 1/27/2019 at 2:58 AM, Gustavo Adler said:

Ele acreditava que se infiltrando no sistema poderia criar uma brecha pra mudar o sistema e não para melhora-lo incluindo os negros nele.

 Mas ele não tinha a real dimensão da resistência que encontraria para derrubar uma organização de discurso de ódio como a Klan, o que infelizmente provou-se equivocado, quando a sua investigação foi arquivada no fim do filme, com ele percebendo que estava fazendo muito menos diferença do que acreditava. Além disso, o protagonista parece não ter a noção do alcance do preconceito dentro da sociedade (não que ele fosse alheio á ele como o personagem do Driver) quando comenta que nunca um cara com o discurso do personagem do Topher Grace poderia se eleger presidente, sendo inclusive chamado de ingênuo por um dos colegas policiais. Ao fim do filme, ele já tem uma noção muito maior disso.

On 1/27/2019 at 2:58 AM, Gustavo Adler said:


E nisso é que ele articulou pra mostrar pro companheiro dele que o sistema que se baseia no racismo também se baseia no racismo contra judeus, ele não quis educar um branco pra assim fazer com que ele passe a apoiar os negros, ele quis abrir os olhos do judeu pra perceber que esse sistema se baseia na exclusão de seu povo, dele também. Aqui o protagonista não tinha intensão ou expectativa de que o amigo dele tomasse alguma atitude com relação ao sistema ou com relação a inserção dos negros na sociedade, mas sim que ele enxergasse o real problema, a profundidade disso.

 Mas eu não acho que em momento nenhum o Ron tinha a intenção ou expectativa de que seus colegas se conscientizassem do quanto os negros sofrem preconceito. O que ele faz o Driver perceber, é que embora sofressem de preconceitos diferentes, a luta deles é a mesma, e que ele deveria ficar tão p da vida quanto ele por aquele tipo de discurso existir. E o Ron consegue uma pequena vitória no filme, ao contagiar boa parte dos colegas com esse espírito (como mostra a cena dos aplausos que ele recebe dos colegas no fim, e da revolta pelo arquivamento, assim como a prisão do policial racista), mostrando que ele fez alguma diferença, mas novamente, muito menos do que ele achava que iria fazer.

 

On 1/27/2019 at 2:58 AM, Gustavo Adler said:


E, pra mim, a grande questão foi a denúncia do falso extremo. Não havia briga de extremistas ali, e sim luta pela sobrevivência da integridade de suas vidas. Sutilmente o filme demonstra que os movimentos negros não era um movimento que se podia interpretar como um lunático tal qual o movimento branco, e sim que o movimento negro precisava se utilizar de estratégias pra sobreviver e mudar esse sistema, que é branco.

 Não vi isso no filme (embora não esteja dizendo que não esteja lá). Por que pra fazer isso, acho que o Lee teria que mostrar inicialmente os dois lados como igualmente extremos, pra depois desconstruir. E desde o início, ele mostra que toda a fúria nas reuniões dos grupos de direitos civis negros era plenamente justificada, além de filmar essas reuniões com uma solenidade que deixa claro que a gente precisa respeitar essas pessoas, ou seja, o filme nunca sugere que esses grupos são radicais extremistas. Já as reuniões da Klan mostra que aquelas pessoas são um bando de idiota com sérios problemas psicológicos, que carregam um ódio irracional dentro de si. A não ser que o filme esteja derrubando essa ideia pré concebida do público que vai ver o filme, por que a obra em si nunca pré concebe essa ideia, pra depois desconstruí-la.

 

On 1/27/2019 at 2:58 AM, Gustavo Adler said:


Eu não me lembro dele criticando as táticas dela, que ai enquadraria no que você disse de entender mas não concordar. Ele apenas apontou pra outras táticas que ele prefere. 

 

Mas ele sabe que quando o sistema for chamado pra defender, ele defenderá o branco, como ficou muito claro na cena em que ele, policial, um profissional do sistema, estava atuando a racista terrorista, sofreu reação dela, e teve que tentar rende-la e ainda assim, a polícia foi prende-lo e defender a pessoa branca (e a grande genialidade é tratar isso com naturalidade, demonstrando que o policial estava apenas fazendo aquilo que ele acredita que era seu dever, e levando o espectador a, até, se ve na posição do policial poderia cair no mesmo mal julgamento). 

 

Havia ali um impasse, mas porque um não gostava particularmente da tática do outro, mas ambos  concordavam que era preciso lutar por isso que eles estavam lutando e cada um escolheu a tatica que lhe foi necessário/+útil (que é, sutilmente, diferente de respeitar mas discordar).

Eu não disse em momento nenhum que ele crítica a luta dela. Eu disse que ele crítica a forma como ela conduz essa luta. De fato, nem a forma como ele conduz essa luta, mas sim a eficácia dessa condução, e as opiniões dela sobre alguns pontos. Na cena da passeata, quando ela descobre que ele é policial, ele aponta que ele não vê resultado no que ela faz pra combater o racismo, e o que ele estava fazendo (derrubar a Klan) sim tinha eficácia (só que não saiu como ele esperava). Assim como também apontou que respeitava o palestrante do começo do filme, mas discordava das ideias dele sobre a possível adoção de luta armada.O Ron percebe que usar o sistema pra combater discursos de ódio e segregação não tem a eficiência que ele imaginava, o que eu não acho que significa que ele passa a concordar com as ideias dela. Pra ela, por exemplo, todo o policial é um representante da opressão , e embora eu acredite que o Lee esteja alinhado com essa visão, pela cena que você citou acima, o protagonista não está. Ele não larga a polícia, e com a ajuda dos amigos, usa o sistema pra prender o policial corrupto lá, em uma vitória mínima e quase insignificante, mas ainda assim, uma vitória. O Ron não concorda que pelo fato de ser policial, ele seja necessariamente um representante da opressão. Guardada as devidas proporções (e só como ponto referencial e não exato), o impasse do casal protagonista é quase como Martin Luther King/Malcolm X outra vez. A luta deles era a mesma, mas discordavam completamente da forma como conduziam. Então, sim, acho que o Ron respeita como ela conduz a sua luta, mas não concorda. Se concordasse, largava a polícia.

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19 hours ago, Questão said:

Ele não deveria me dizer que a terra é uma rocha. Deveria deixar que a história que ele estava contando, e que as imagens de seu filme dissessem isso. O problema não é só a redundância. Tem um monte de filme que fazem a mesma coisa no fim, e não me incomodam. O problema que um filme não é só a história que você tá contando, e nem a mensagem que quer passar. Tem que ter uma coesão. E com aquela montagem final, tive a impressão que era uma colagem de outro filme (com o mesmo assunto, mas outro filme). E isso me incomodou muito.


Eu entendi teu ponto agora. Bem, a mim não me incomodou não, porque é como se tivesse esfregando na cara mesmo, e acho que é necessário dentro da sociedade em que vivemos. Mas discordo de você quanto ao fato de "deveria". Acho que o filme dizer que a terra é uma rocha e não deixar que a história diga foi a estratégia dele, foi escolha dele. Ele construiu toda uma narrativa que escancarava pra, no final, ele jogar na cara que tanto é assim que continua até hoje assim.
 

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 Exatamente o que ele já tinha dito durante todo o filme, repetidas vezes. Ao ver essas imagens do final, lembrei do recadinho do He Man, como se o Lee abrisse um quadro e dissesse "Olhe amiguinhos, na história de hoje, nós aprendemos que o racismo e discursos de ódio ainda estão entranhado na nossa sociedade."  Nesse sentido, voltando ao exemplo que dei na outra página, foi como se ao fim de DIVERTIDA MENTE, tivéssemos uma terapeuta dizendo da importância de sentimentos de tristeza para um desenvolvimento saudável.

Então, eu não vejo problema nisso, eu concordo com você, de fato destoa. Mas, diferente de você, eu vejo necessidade, pois além das pessoas não entenderem (sim, porque não querem, como bem frisou você mais abaixo), esse acréscimo impede o espectador de manter distância no tempo. Não, essa história é tão presente quanto é verdadeira. 

E se percebe isso no filme. Percebe-se um impulso aqui. Um remendo em uma tapeçaria que já estava pronta. E não acho que eu deveria perceber que foi um impulso.

 

 

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Justamente por não precisar que acho que aquelas imagens de Charlottesville sobram. Até por que como você disse, é um filme que deixa a sua mensagem bem clara, e que funcionaria da mesma forma sem elas. A pessoa que não pegou a mensagem antes daquelas imagens deprimentes de Charlottesville, não vai pegar depois, por que não quer pegar a mensagem, pois o Lee já havia deixado tudo muito claro. Como eu disse antes, a redundância me incomoda, mas talvez mais por que elas parecem soltas do filme, e não acrescentam nada novo á obra. Talvez se o Lee tivesse encontrado uma forma técnica de deixar aquelas imagens mais integradas, e não como um adendo de uma coisa que ele já tinha deixado mais do que claro, não me incomodasse tanto.

Bem, então, talvez se ele encontrasse uma técnica que integrasse mais a parte final a obra talvez perderia o efeito de esfregar na cara. Tipo, pode até ter sido erro dele, mas não me incomodou porque estamos em um momento que é preciso desse momento de tradução do que se quis dizer, uma tradução que esfregue na cara aquilo que foi dito. 

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 Mas ele não tinha a real dimensão da resistência que encontraria para derrubar uma organização de discurso de ódio como a Klan, o que infelizmente provou-se equivocado, quando a sua investigação foi arquivada no fim do filme, com ele percebendo que estava fazendo muito menos diferença do que acreditava. Além disso, o protagonista parece não ter a noção do alcance do preconceito dentro da sociedade (não que ele fosse alheio á ele como o personagem do Driver) quando comenta que nunca um cara com o discurso do personagem do Topher Grace poderia se eleger presidente, sendo inclusive chamado de ingênuo por um dos colegas policiais. Ao fim do filme, ele já tem uma noção muito maior disso.

Hmmm, é verdade, mas acho que ele acreditava na estratégia dele, e não condenava a estratégia da sua amiga

 

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Mas eu não acho que em momento nenhum o Ron tinha a intenção ou expectativa de que seus colegas se conscientizassem do quanto os negros sofrem preconceito. O que ele faz o Driver perceber, é que embora sofressem de preconceitos diferentes, a luta deles é a mesma, e que ele deveria ficar tão p da vida quanto ele por aquele tipo de discurso existir. E o Ron consegue uma pequena vitória no filme, ao contagiar boa parte dos colegas com esse espírito (como mostra a cena dos aplausos que ele recebe dos colegas no fim, e da revolta pelo arquivamento, assim como a prisão do policial racista), mostrando que ele fez alguma diferença, mas novamente, muito menos do que ele achava que iria fazer.

Mas eu também não acho que ele tinha a intenção ou expectativa de que seus colegas se conscientizassem do quanto os negros sofrem preconceito, e ainda mais, nem acho que ele tinha a experctativa de que seus colegas deveriam ficar puto da vida. Acho que a única expectativa dele era que seus companheiros ficassem de olho e reconhecessem que esse preconceito pode se voltar contra eles, principalmente contra seu amigo judeu. Agora, se ele ficasse puto com esse racismo contra judeus ou não, ai é responsabilidade do amigo judeu, e se ele ficasse puto com o racismo que os negros sofrem, também é responsabilidade dele, não acho que o personagem principal tivera alguma expectativa quanto a reação dos seus amigos (mas sim, concordo contigo, ele consegue contagiar os colegas e obteve uma vitoria com isso.

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 Não vi isso no filme (embora não esteja dizendo que não esteja lá). Por que pra fazer isso, acho que o Lee teria que mostrar inicialmente os dois lados como igualmente extremos, pra depois desconstruir. E desde o início, ele mostra que toda a fúria nas reuniões dos grupos de direitos civis negros era plenamente justificada, além de filmar essas reuniões com uma solenidade que deixa claro que a gente precisa respeitar essas pessoas, ou seja, o filme nunca sugere que esses grupos são radicais extremistas. Já as reuniões da Klan mostra que aquelas pessoas são um bando de idiota com sérios problemas psicológicos, que carregam um ódio irracional dentro de si. A não ser que o filme esteja derrubando essa ideia pré concebida do público que vai ver o filme, por que a obra em si nunca pré concebe essa ideia, pra depois desconstruí-la.


 

Então, mas ai é porque eu peguei a perspectiva da visão média das pessoas atualmente que se prendem a forma, e não ao conteúdo. Se você for ver a forma com que os manifestantes negros diziam, e agiam, pode parecer semelhante ao que a kkkk fazia. O filme, como você falou, deixa claro que eles não eram extremistas, mas senti que o Lee deixou essa aparente semelhança como pano de fundo pra cativar quem possa estar inclinado a achar que todos aqueles que se antepõe a kkk está sendo extremista, a achar que ao propor o uso da violência, o movimento negro está sendo extremista e incentivando o ódio contra os brancos. 

O Lee põe em uma pequena parte, o discurso que pode cooptar a atenção daqueles que já, antes do filme, tendem a interpretar uma reação de defesa como extremista, pra através do filme, força-lo a reflexão (e aqui acho que o trecho final faz mais sentido ainda).

 

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Eu não disse em momento nenhum que ele crítica a luta dela. Eu disse que ele crítica a forma como ela conduz essa luta. De fato, nem a forma como ele conduz essa luta, mas sim a eficácia dessa condução, e as opiniões dela sobre alguns pontos. Na cena da passeata, quando ela descobre que ele é policial, ele aponta que ele não vê resultado no que ela faz pra combater o racismo, e o que ele estava fazendo (derrubar a Klan) sim tinha eficácia (só que não saiu como ele esperava). Assim como também apontou que respeitava o palestrante do começo do filme, mas discordava das ideias dele sobre a possível adoção de luta armada.O Ron percebe que usar o sistema pra combater discursos de ódio e segregação não tem a eficiência que ele imaginava, o que eu não acho que significa que ele passa a concordar com as ideias dela. Pra ela, por exemplo, todo o policial é um representante da opressão , e embora eu acredite que o Lee esteja alinhado com essa visão, pela cena que você citou acima, o protagonista não está. Ele não larga a polícia, e com a ajuda dos amigos, usa o sistema pra prender o policial corrupto lá, em uma vitória mínima e quase insignificante, mas ainda assim, uma vitória. O Ron não concorda que pelo fato de ser policial, ele seja necessariamente um representante da opressão. Guardada as devidas proporções (e só como ponto referencial e não exato), o impasse do casal protagonista é quase como Martin Luther King/Malcolm X outra vez. A luta deles era a mesma, mas discordavam completamente da forma como conduziam. Então, sim, acho que o Ron respeita como ela conduz a sua luta, mas não concorda. Se concordasse, largava a polícia.

Entendi, mas sei lá, senti que ele a ve como parceira de combate. Mas acho que tu colocou muito bem a questão: -  "o impasse do casal protagonista é quase como Martin Luther King/Malcolm X outra vez. A luta deles era a mesma, mas discordavam completamente da forma como conduziam. Então, sim, acho que o Ron respeita como ela conduz a sua luta, mas não concorda. Se concordasse, largava a polícia."

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