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Ensaio Sobre a Cegueira - dir: Meirelles

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Review do critico de cinema do Estadão, Luiz Carlos Merten:

 

Whiteville

 

por Luiz Carlos Merten' date=' Seção: Cinema s 11:42:22.

CANNES

- É muito raro dizer uma coisa dessas, mas sinceramente não sei dizer

se 'gostei' de 'Blindness', que abriu agora de manhã o 61.o Festival de

Cannes. Fiquei impressionado, isso sim, com o tratamento visual que

Fernando Meirelles e o fotógrafo César Charlone dão ao tema da cegueira

branca que se constitui na metáfora de José Saramago em seu filme. As

interpretações são maravilhosas - Julianne Moore, Mark Ruffalo, Alice

Braga -, mas na maior parte do tempo senti uma admiração fria. A

miséria daquelas pessoas para as quais a cegueira e o confinamento são

passos em direção à barbárie não me tocou como gostaria. Na verdade, em

poucos momentos eu viajei naquele horror, e foram os momentos em que

Fernando utiliza (com parcimônia) a música. Quero crer como Jeanne

Balibar, a grande atriz de Jacques Rivette, que integra o júri

presidido por Sean Penn - ela disse que o ideal é ver os filmes duas

vezes, e isso deveria ser cobrado dos críticos, antes que eles

escrevessem suas impressões. Pode ser que Jeanne tenha razão e

'Blindness' seja este filme que exige um tempo mais lento de maturação,

como os vinhos exigem para degustação. Só que num festival, em geral,

não se tem este tempo e o filme vai crescer, ou desaparecer, em

comparação com os outros que a gente for vendo. Mas é tudo muito forte.

A maquiagem de São Paulo - como nunca foi vista na tela -, a

superexposição da imagem à luz, com aquelas sombras luminosas - parece

paradoxo, mas você vai entender quando vir -, que coisa! O mais curioso

foi falar com as pessoas depois da sessão. Houve gente que comparou com

'O Senhor das Moscas', 'Os Filhos da Esperança', 'O Anjo Exterminador'

e até 'Dogville', pela estilização cênica e dramatúrgica, digamos

assim. 'Blindness' seria 'Blackville' - ou o contrário de black,

'Whiteville'-, sem Lars. 'Blindness', que no Brasil vai se chamar

'Ensaio sobre a Cegueira', ainda vai dar muito pano para manga, ora se

vai.

 

[/quote']

 

Fonte: Blog Luiz Carlos Merten

 

 

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Teve uma entrevista com o Meirelles no Jornal da Globo ... algumas pequenas informações apenas ... a versão exibida foi a 11ª montagem, as cenas de estupro chocaram as mulheres durante sessões testes, o Sean Penn recusou o personagem que foi pro Craig e depois passou para o Rufalo por não ter um nome e o Saramago só vai ver o filme no sábado em uma sessão particular ... 03[/quote']

 

1 - Sean Penn é um bucha por recusar o papel com esse argumento;

2 - P*rra!! Chocaram as mulheres?? E daí?? Uma das seqüências mais dramáticas do livro e o cara me corta?? Meirelles, vai chutar macumba!!

3 - Saramago dificilmente vai gostar, o que não significa nada, já que o véio louco é um reclamão por natureza06

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Review do critico de cinema do Estadão' date=' Luiz Carlos Merten:

 

Whiteville

 

por Luiz Carlos Merten, Seção: Cinema s 11:42:22.

CANNES

- É muito raro dizer uma coisa dessas, mas sinceramente não sei dizer

se 'gostei' de 'Blindness', que abriu agora de manhã o 61.o Festival de

Cannes. Fiquei impressionado, isso sim, com o tratamento visual que

Fernando Meirelles e o fotógrafo César Charlone dão ao tema da cegueira

branca que se constitui na metáfora de José Saramago em seu filme. As

interpretações são maravilhosas - Julianne Moore, Mark Ruffalo, Alice

Braga -, mas na maior parte do tempo senti uma admiração fria. A

miséria daquelas pessoas para as quais a cegueira e o confinamento são

passos em direção à barbárie não me tocou como gostaria. Na verdade, em

poucos momentos eu viajei naquele horror, e foram os momentos em que

Fernando utiliza (com parcimônia) a música. Quero crer como Jeanne

Balibar, a grande atriz de Jacques Rivette, que integra o júri

presidido por Sean Penn - ela disse que o ideal é ver os filmes duas

vezes, e isso deveria ser cobrado dos críticos, antes que eles

escrevessem suas impressões. Pode ser que Jeanne tenha razão e

'Blindness' seja este filme que exige um tempo mais lento de maturação,

como os vinhos exigem para degustação. Só que num festival, em geral,

não se tem este tempo e o filme vai crescer, ou desaparecer, em

comparação com os outros que a gente for vendo. Mas é tudo muito forte.

A maquiagem de São Paulo - como nunca foi vista na tela -, a

superexposição da imagem à luz, com aquelas sombras luminosas - parece

paradoxo, mas você vai entender quando vir -, que coisa! O mais curioso

foi falar com as pessoas depois da sessão. Houve gente que comparou com

'O Senhor das Moscas', 'Os Filhos da Esperança', 'O Anjo Exterminador'

e até 'Dogville', pela estilização cênica e dramatúrgica, digamos

assim. 'Blindness' seria 'Blackville' - ou o contrário de black,

'Whiteville'-, sem Lars. 'Blindness', que no Brasil vai se chamar

'Ensaio sobre a Cegueira', ainda vai dar muito pano para manga, ora se

vai.

 

 

Fonte: Blog Luiz Carlos Merten

 

 

Achei esse texto muito interessante porque reflete exatamente o que penso do filme. Claro, eu falo isso baseado nas cenas que ja assisti, portanto o filme pode me surpreender, decepcionar ou confirmar o que penso atualmente.

 

E sim, a fotografia e a montagem parecem estar maravilhosas 04

 

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Um pouco mais de lenha:

'Ensaio sobre a cegueira' é deprimente, diz 'Times' 
 
Filme de Fernando Meirelles abriu o Festival de Cannes
O filme de Fernando Meirelles, Ensaio sobre a cegueira, baseado na obra homônima do escritor português José Saramago e que abriu o Festival de Cinema de Cannes na quarta-feira, foi descrito por um crítico britânico como "deprimente".
Foi “a abertura mais deprimente para um festival internacional que eu já vi” , escreveu James Christopher, do jornal britânico The Times.

“Depois da glamurosa esteira rolante de estrelas no ano passado, para comemorar os 60 anos sensacionais de estréias de filmes artísticos, o festival apagou as ‘luzes de Natal’, apertou o cinto e voltou ao austero negócio de mostrar os auto flagelados diretores-autores do futuro”, escreve o crítico, para quem a noite de abertura foi “um choque azedo e inesperado”.

“Ensaio sobre a cegueira não vai obter fãs. Mas muitos admiradores entrincheirados”, afirma o crítico, para quem o filme deve agradar ao presidente do júri, Sean Penn, por que seria o tipo de filme "de apelo a um ator idealista".

Para o crítico, o filme é ambicioso e algumas cenas de ruas são tão bem feitas que chegam a ser “itens de colecionador”, mas ele critica a atuação dos atores.

O jornal argentino La Nación disse que o filme foi recebido com “muita frieza”, mas se trata de um exemplo da crescente globalização cinematográfica, destacando que muitas análises em Cannes compararam a produção – que fala da degradação da sociedade durante uma epidemia de cegueira que assola uma cidade - a desastres naturais como o causado pelo “furacão Katrina, a fome da Somália e os excessos na Guerra do Iraque”.

Mas o jornal afirma que, apesar do profissionalismo e dos desafios assumidos por Meirelles, “o filme é bastante óbvio em sua apresentação de um universo sórdido e em sua denúncia da manipulação, da miséria e da precariedade da sociedade contemporânea. Além disso, não consegue transmitir os climas e a emoção que levaram o romance original publicado em 1995 pelo ganhador do Prêmio Nobel à consideração mundial”.

O La Nación ressalta que Meirelles tentou filmar o romance vários anos antes, mas Saramago se recusou a vender os direitos do livro durante anos porque, segundo o escritor, “o cinema destrói a imaginação”. “Em vista do medíocre resultado final do filme, o notável autor de O Evangelho Segundo Jesus Cristo tinha razão”, afirma a reportagem.

Já o crítico do jornal britânico The Guardian deu ao filme quatro estrelas, descrevendo Ensaio sobre a cegueira como “um pesadelo apocalíptico adaptado de um romance de 1995 do vencedor do Nobel José Saramago e dirigido por Fernando Meirelles, que nele encontrou a exposição brutal da lei da selva das favelas que vimos em seu filme de 2002, Cidade de Deus”.

“Ensaio sobre a cegueira é um drama com imagens soberbas e alucinatórias de colapso urbano. Tem uma linha de horror em seu centro, mas se torna mais leve pelo humor e gentileza”, afirma o crítico Peter Bradshaw. 

BBC Brasil

Deprimente é o argumento do James Christopher. 06

 

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Gusmão, onde tu conseguiu esse quadro?

 

E só de ler que o filme "precisa ser visto novamente", que ele "pode crescer com o tempo" já me deixa mais animado ainda para vê-lo!

 

 

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meu o filme está com opiniões divididas...

 

 

 

O filme deve ser estilo o livro, um filme com cenas fortes, e isso não é facil de ser digerido, não é um drama para se chorar porque é bonitinho, é um filme forte, que quando acaba deve deixar vc quieto e pensativo...

 

 

 

e outra odeio quando aplaudem um filme hehe, apesar que num evento como cannes isso representa alguma coisa...

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E ao mesmo tempo também aplaudido pela outra metade do povo que tava lá...

aquele sim se mostrou ame ou odeie. A reação desse até agora tá mais pro lado morno, á la my blueberry nights ano passado. 09

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E ao mesmo tempo também aplaudido pela outra metade do povo que tava lá...

 

aquele sim se mostrou ame ou odeie. A reação desse até agora tá mais pro lado morno' date=' á la my blueberry nights ano passado. [img']height=17 alt=09 src="http://www.cinemaemcena.com.br/forum/smileys/09.gif" width=17 align=absMiddle>

 

 

 

Esse é aquele "Beijo Roubado"??? meu que filme legal, gostei mesmo, vi no cinema mais pelo cartaz mesmo....só achei que a segunda parte do filme é muito longa....

 

 

 

mas de resto é exelente!!!

 

 

 

foi só um off-topic mal....

 

 

 

 

 

voltando ao filme do Ensaio sobre a Cegueira, eu to louco para assistir esse filme, não importa o que falem que verei....e esperarei para ver no cinema...

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Eu tenho ouvido falar muito da reação das pessoas sobre esse filme. Acho que o fato de estarem comentando isso, já é bom. Quantos filmes que hoje consideramos maravilhas não foram rejeitados no passado?

 

Eu não vi muita "frieza" da parte dos críticos não. Vi muita crítica pesada, ao contrário. Críticas que não sabem nem o que dizer, meio perdidas.

 

Acho que o filme deve ser muito diferente e chocou um pouco, por isso essa reação.

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E ao mesmo tempo também aplaudido pela outra metade do povo que tava lá...

aquele sim se mostrou ame ou odeie. A reação desse até agora tá mais pro lado morno' date=' á la my blueberry nights ano passado. [img']height=17 alt=09 src="http://www.cinemaemcena.com.br/forum/smileys/09.gif" width=17 align=absMiddle>


Esse é aquele "Beijo Roubado"??? meu que filme legal, gostei mesmo, vi no cinema mais pelo cartaz mesmo....só achei que a segunda parte do filme é muito longa....

mas de resto é exelente!!!

foi só um off-topic mal....


voltando ao filme do Ensaio sobre a Cegueira, eu to louco para assistir esse filme, não importa o que falem que verei....e esperarei para ver no cinema...

 

Esse mesmo, eu gostei também, é bom!

 

Sobe cegueira só vai dar mesmo pra gente saber quando estreiar aqui, que seja logo! 02

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O Metel do Estadão recebeu e-mail do Meirelles contando a experiência com Saramago e postou um trecho que reproduzo aqui:

 

Saramago aprova 'Blindness'

 

por Luiz Carlos Merten, Seção: Cinema s 07:21:03.

CANNES

- Havia pedido a Fernando Meirelles que me desse notícias sobre a

exibiçção de 'Blindness' (Ensaio sobre a Cegueira) para o escritor José

Saramago, autor do livro, sábado em Lisboa. Abri há pouco meus e-mails

e encontrei o relato do Fernando sobre o que ocorreu. Ele me disse que

na internet já vazou como foi a sessão, mas acho que Fernando, generoso

como sempre, não vai ficar brabo comigo - perdoem-me o gauchês - se eu

repassar para vocês uma partezinha do seu e-mail. Retirei tudo o que

havia de mais pessoal, como comentários que ele me faz, e me centro no

fato, tal como o viveu. Vamos lá:

 

`O resumo da história é que apesar de ter feito uma projeção muito

escura e com um som ruim, ao acabar a sessão o Saramago estava muito

emocionado e nós dois ficamos nos esforçando para não chorarmos juntos.

Ele enxugou uma lágrima e eu num impulso beijei-lhe a testa. Foi muito

emocionante. Com a voz embargada ele me disse que ao acabar de assistir

ao filme se sentia tão feliz quanto no dia em que terminou de escrever

Ensaio Sobre a Cegueira. Não precisava ouvir

 

mais nada mas perguntei sua opinião sobre alguns cortes que eu quero

fazer na locução. Ele me pediu para não mexer em nada. Disse que o

filme está muito preciso, nada falta e não existem excessos ou pompa.

Ele gostou da economia do filme, especialmente na cena final. Simples,

sem tentar criar momentos espetaculares ou recursos para acentuar a

 

emoção.'

 

 

Depois de vários dias sob pressão aqui em Cannes, com críticas

divergentes e até contraditórias, acho que agora o Fernando relaxou.

Bom para ele.

 

 

Big One2008-05-19 22:50:14

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