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Forum Cinema em Cena

Muviola

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Everything posted by Muviola

  1. Eu acho que as sessões mais decepcionantes são naqueles filmes que começam muito bem, rola aquela empolgada, mas do meio para o final se perdem. Este francês "Faca no coração" se encaixa no tipo. Uma produtora lésbica de filmes pornôs gays, alcoólatra tem de lidar com a própria obsessão com sua ex, que por sinal é a editora de seus filmes e ao mesmo tempo com uma série de assassinatos de alguns de seus atores. Os primeiros assassinatos são muito bem construídos, à base de muita fetichizações com máscara, couro e dildo. A primeira meia-hora mescla bem giallo, De Palma e um pastiche à luz de muito neon. No entanto, a abordagem se perde muito. O que era uma divertida psicanálise se torna uma jornada de espiritualidade tirada sabe-se lá de onde e até as mortes posteriores perdem o impacto e imaginação, para não dizer que é brega. Uma pena, poderia ter sido bem legal.
  2. Diante de uma carreira marcada por desafiar convenções narrativas, "Inland Empire" extrapola ainda mais o limites. David Lynch criou aqui uma verdadeira fita de Moebius narrativa. Temos a suposta personagem 1 de Laura Dern, Nikki Grace, uma atriz prestes a iniciar a rodagem de um filme; a personagem 2, Susan Blue, a personagem interpretada por Nikki Grace; temos uma outra garota que assiste à tudi, talvez presa num cativeiro, talvez emulando a gente, a platéia; e há a camada de Laura Dern, que acompanha a garota (ou a gente) estando numa platéia ela mesma, acompanhando o que acontece na tela. Lynch aproveita a imagem do digital para distorcer ainda mais a estas linhas e nos joga numa atmosfora de confusão, ansiedade, mas também euforia. E além de tudo aproveita para comentar o status da indústria cultural naquela máquina de moer sonhos, chamada Hollywood. Lembro-me que na época ele fez campanha para Laura Dern no Oscar com uma vaca. Ela não ganharia mesmo, pois era o ano de Helen Mirren , mas merecia muito a indicação. Que trabalho! Este ainda é o último filme lançado por Lynch (não sou daqueles que considera a obra-prima magistral "Twin Peaks: O Retorno" um filme de 18 horas), mas fico sempre na esperança que ele tenha alguna nova ideia numa de suas sessões de meditação.
  3. Em Las Vegas, se diz que "a Casa sempre ganha", ou seja o apostador pode ter sua sorte e ganhar seua trocados, mas não tente desafiar a Instituição, que terá seu destino merecido. Me pareceu muito apropriado aqui
  4. Poucos diretores têm na carreira a quantidade de grandes filmes que Robert Altman dirigiu nos anos 70. "McCabe and Mrs. Miller" foi o segundo dessa leva. Um anti-werstern (ou talvez revisionista), se passa no noroeste dos EUA, ao invés do sudoeste. A trama se inicia com McCabe, que chega no povoado de Prebisterian Church. Seu passado é envolto de mistérios e há uma construção mitológica em torno disso, comumente tratado no gênero. Ele é um homem de negócios e visa construir uma taberna e um saloon. Chega Mrs. Miller, uma prostituta com um tino para negócios e propõe parceria com McCabe para construção de um bordel. O sucesso posterior desencadeia uma série de interessados e interesseiros. Altman usa estas construções mitológicas para tratar do escrúpulo do grande capital frente aos pequenos negociantes que iniciam sua prosperidade; o próprio McCabe, que é muito mais ingênuo do que sua suposta mitologia, diz que representa o interesse de pequenos comerciantes. Tendo uma dupla no auge da beleza em Warren Beatty e Julie Christie, com os zoom-ins de Vilmos Zsigmond e música de Leonard Cohen - interessante que no último ano vi três filmes com essas composições, além deste, "Fata Morgana" e "Precauções Diante de uma Prostituta Santa" - é mais uma prova da incrível ecleticidade de Altman.
  5. Os personagens de Christian Petzold estão em constante trânsito (tanto que tem ele até filme com este título) e em expectativas. Fora isso, eles todos têm acontecimentos passados que nunca são explicitados. Nós temos que ir criando esta biografia conforme presenciamos certas atitudes. Em Barbara, a incrível Nina Hoss é uma médica que atua na Alemanha Oriental dos anos 80, mas tem a expectativa de fugir com o namorado para o Ocidente. Ela é designada (ou castigada) para trabalhar num fim-de-mundo da parte litorânea e vive aos constantes olhares suspeitos de seus colegas e de agentes da Stasi, até que ela começa a criar um certo vínculo com o médico principal de A sensação de suspense é desenvolvida por meio de ambiguidades e a desconfiança com relação a todos ao redor de Barbara, mas tudo é feito com muito rigor, controle e frieza (no bom sentido). Não há como ter catarse se não se sabe o que encontrará no minuto seguinte.
  6. Para celebrar a chegada da estação florida (mentira, foi coincidência) assisti "O Conto da Primavera", de Eric Rohmer, o primeiro de sua série "Contos das Quatro Estações". Formalmente falando, não que haja grande diferença entre as séries "Contos Morais", "Comédias e Provérbios" e esta, mas sob a regência de Rohmer, nunca podemos falar que é "mais do mesmo". O início aqui, silencioso, é com uma jovem, chamada Jeanne, que depois vamos descobrir é professora de filosofia em ginásio, que se mostra incomodada com o lugar físico onde está. Ela está emprestando seu apartamento para a prima, mas ela também não consegue ficar na casa do namorado. Corta para uma festa, no qual ela parece não conhecer ninguém e também se sente desconectada com o lugar, até que uma adolescente, Natasha, puxa conversa e a chama para refugiar-se em sua casa. Algo que me chamou atenção: o cinema de Rohmer é verborrágico; no entanto, grande parte de suas personagens são pessoas altamente introvertidas e inseguras, por mais que transmitam grande conhecimento artístico e filosófico, sentem-se desconectadas ao lugar que pertencem, seja literal ou metaforicamente. Outro ponto, quase todo o filme dele há uma sequência de flerte e, nossa, como ele sabe filmar isso. Eu fisicamente me sinto seduzido pelo jogo que ele propicia de diálogos e plano/contra-plano. Por mais que eu tive dificuldade de captar sobre o que ele queria falar aqui (seus filmes não são de tramas, mas há sempre alguma ideia principal), só de me gerar essa sensação, me ganha.
  7. Sim, fiquei em choque ao saber que era uma história real
  8. Eu vi durante uma tarde de minhas férias este ano e se tornou um dos meus filmes favoritos. Eu gosto especialmente como o garoto Xiao representa a metonímia do próprio país, alguém em busca da própria identidade
  9. Aqui um artigo interessante sobre isso https://www.plough.com/en/topics/culture/art/two-identities-one-faith
  10. Segundo filme dos "Contos das 04 Estações", o "Conto de Inverno", se inicia no Verão e de uma maneira um tanto distinta da filmografia de Rohmer: uma montagem, sem diálogos, de uma história de amor com um potencial final feliz, até que corta...cinco anos depois, a jovem acorda em outra casa e tem uma filha. O Verão passional dá lugar ao frio Inverno dos compromissos é obrigações. A partir daí, temos Rohmer em sua essência: catolicismo e as demonstrações de Pascal, citações e recitações literárias, além de uma personagem que tem suas convicções, mas ainda assim é indecisa em seus atos. É interessante que para mim, um católico de nascimento, mas não de convicção, Rohmer sempre tratou do acaso em sua obra, mas como pensar em "acaso" para alguém que sempre enxergou claramente os planos de Deus?
  11. Fazia muito tempo que queria ver este segundo longa de Peter Weir, baseado num livro que pode ou não ter se baseado numa história real. Na Austrália de 1900, um internato de garotas vai ter um piquenique especial referente ao Dia de São Valentim. Nessa excursão, três garotas e uma professora desaparecem sem deixar qualquer rastro. Isso gera uma grande comoção, seja pelas buscas e investigações, seja pela forma como afeta alunas, professoras, diretora da instituição e pessoas que estiverem presentes na ocasião do desaparecimento. A primeira influência a se pensar é na A Aventura, de Antonioni, por olhar menos para a investigação e muito mais para as reações. Além dele, vejo uma forte influência do Southern Gothic americano, pela atmosfera ambivalente e desconcertante; um cenário que traz uma forte conotação de decadência; a influência de diferenças de classes, principalmente no que tange Europa x Novo Continente e, por fim, a repressão sexual como elemento catalisador de alienação. Servindo como um template para boa parte da filmografia de Sofia Coppola, Peter Weir tentaria fazer uma versão masculina em Sociedade dos Poetas Mortos, mas tendendo muito mais ao melodrama.
  12. Um "corpo estranho" (sem piada intencional) na filmografia de então de David Cronenberg, "M Butterfly", no entanto, não deixa de falar muito sobre o "corpo", não tratado mais como um elemento de horror, só que político. Jeremy Irons é um funcionário da Embaixada francesa na Pequim de 1964, iniciando o que seria o processo da "Revolução Cultural" de Mao. Ele enxerga os chineses como um bom europeu: estranhos, com ar de superioridade e até certo ponto, tédio. Durante uma apresentação de uma montagem chinesa de "Madame Butterfly", ele se sente atraído pela diva Song Ling. Ela lhe serve como guia para entendimento do que é a China e o que os chineses entendem pela presença imperialista européia (e americana, posteriormente) na região. Eles acabam se envolvendo emocionalmente, porém não sexualmente, já que ele nunca a vê nua. A relação dos dois passa por vários anos e momentos políticos (além da Revolução Cultural, Guerra do Vietnã e Maio de 68), em elipses que, confesso, me deixaram um pouco perdido em alguns momentos. Como citei na primeira frase, à primeira vista não parece um filme de Cronenberg, mas essencialmente o é: a transformação do corpo, seja para fins políticos ou psicanalíticos; o sexo, aqui também usado como um meio político; representação e inversão de papéis, seja homem x mulher ou colonizador x colonizado.; e o horror causado descobrir o outro e a si mesmo. Só depois me dei conta do quanto o título é importante para reforçar estes jogos de representação. Não é mais apenas a tragédia de "Madame Butterfly", mas de todos que enfrentam o horror causado por descobrir o outro e a si mesmo.
  13. Filme não tão conhecido da carreira de Hitchcock, lançado entre duas de suas principais obras (Pacto Sinistro e Janela Indiscreta), "A Tortura do Silêncio" já começa ao seu melhor estilo, apresentando um crime e o executor, numa Quebec bastante provinciana. A ação seguinte do assassino, um auto-declarado "refugiado alemão sem pátria" é confessar o crime ao padre da Paróquia onde vive. Em razão da natureza dogmática, o Padre mantém a confissão como segredo e por uma série de circunstâncias, ele mesmo passa a ser considerado suspeito. Esta é o principal conflito do filme: a justiça dos homens versus a vocação eclesiástica. Acho que Hitchcock acaba ficando no meio do caminho entre o noir e o melodrama. Penso no quanto seria incrivel se um Bergman ou até um Almodovar o filmassem. Apesar dessa indefinição, esteticamente me pareceu dos mais belos que já assisti de Hitchcock, tanto na composição dos quadros como na iluminação. Outra coisa a se destacar é Montgomery Clift (lindo). É até engraçado isso, pois Hitchcock notoriamente considerava que seus atores deveriam ser "gados" (sem conotação política aqui) e Montgomery Clift foi um dos atores que vieram do Método, da mesma leva de Brando, Paul Newman, James Dean. Deve ter sido bem conflitante esta relação, mas é bastante claro o componente metódico do ator; Clift compõe seu padre com as costas arqueadas e os ombros para frente, quase como se ele estivesse carregando sua própria cruz.
  14. É parte da trilogia "Road Movies", que tem "Alice na Cidade" e "Movimento em falso" como filmes anteriores. Eu acho que realmente não está na primeira prateleira dos mais famosos, mas eu gostei muito.
  15. Wim Wenders sempre amou o cinema. E por conta de todo este amor, ele sempre teve uma perspectiva pessimista para o cinema como arte e mídia. Wim Wenders ama também a estrada e tinha relação um tanto conflitiva com a Alemanha da epoca, com suas fronteiras internas físicas e psicológicas. Wim Wenders ama os EUA, mas critica o tanto que a influência cultural na Alemanha, em que "os americanos estão no nosso subconsciente". Em "No Decurso do tempo", mais conhecido como "Kings of the Road", um conservador reparador de projetores itinerante (imagino que tenha sido uma inspiração para "Cinema, Aspirinas e Urubus") testemunha um homem enfiando seu fusca no meio de um lago. Este homem vem de um casamento fracassado e do exterior, logo é possível supor que trata-se de um suicida. Não que isso seja ou gere uma trama; não há um objetivo para as viagens, um ponto final, há apenas a estrada. E é nela, na complacência e na passagem de tempo e espaço que passamos a questionar um tanto mais quem somos. Interessante que Wenders escrevia o roteiro conforme filmava, dando um caráter episódico ao filme. E ele não nos priva de mostrar a "existência": ele foca seus personagens pelados, cagando, mijando, masturbando. Não acontece nada nestas 3 horas, mas acontece tudo que vivemos.
  16. O último filme que havia comentado aqui foi do Denis Villeneuve. Agora, é um filme que o canadense chupinhou para o seu "Suspeitos" e, obviamente, sem as mesmas camadas. (sim, sou um tanto antipático ao seu cinema). "Spoorlos", ou "Silêncio do Lago" na versão br, é um suspense/terror holandês, dirigido por George Sluizer, baseado em um romance de certo sucesso na época (o escritor é o roteirista). Essencialmente, um casal de holandeses está viajando pela França, pára em um posto para reabastecer e, de maneira repentina e misteriosa, a jovem some. Seu namorado entra numa espiral de desespero para entender o que se passa e.... ...eis que o filme não segue de forma alguma a expectativa normal do gênero. Passamos a ter dois focos: o namorado, em sua obstinação ao melhor estilo capitão Ahab para encontrar o que passou e a montagem nos ajuda a entender exatamente isso, porque se passam 03 anos e parece que ele está exatamente no mesmo ponto; e o mais fascinante, temos o foco também no agente causador do sumiço. Sluizer não faz a mínima questão de esconder quem é esta pessoa; pelo contrário, o intuito é mostrá-lo e o mais extraordinário é que ele não é um típico serial-killer, incel e misógino, mas um pai de família e professor respeitado. Ele é essencialmente um personagem nietzchiniano, se perguntando sobre os limites humano "além do Bem e do Mal". Como falei, o mais importante não é entender exatamente o que de fato aconteceu, isto fica até certo ponto dedutível no momento que nos aproximamos do clímax, mas sim o que levou a isso: do encontro entre quem busca uma verdade e quem tem sua resposta.
  17. Tem uma versão nova, do Thomas Vinterberg com Carey Mulligan como a mulher cortejada, mas eu tampouco vi. Imagino que tente atualizar este papel feminino, mas pensando que é um filme de repercussão inexistente, não me parece que tenha sido bem-sucedido.
  18. Filme que fez Denis Villeneuve ficar conhecido para a cinefilia mundial, "Polytechnique" reencena o massacre que houve nesta faculdade em Montreal, em 1989. Como qualquer filme com esta temática, é difícil não fazer comparações com "Elefante". Apesar de achar que a obra de Gus Van Sant está muito acima, a abordagem é distinta. O assassino tinha intenção de matar mulheres por causa do "feminismo" e Villeneuve foca em três pontos: o assassino em sua preparação e na própria matança; duas amigas, em especial uma delas (muito parecida com Marjorie Adriano, por sinal) que se prepara para uma entrevista num ambiente machista; e outro estudante, próximo às duas amigas anteriores. Confesso que por alguns momentos estranhei a montagem, porque o filme claramente tem a mensagem apontando a doença do antifeminismo, mas durante boa parte do tempo o foco vai para a caçada do assassino e a reação do terceiro estudante, usando as mulheres como vitimas sem nome. Por fim, ele volta as atenções para a personagem feminina principal, ainda que usando um discurso meio superficial, para não dizer problemático: uma "conversa entre mães".
  19. Falando em Olimpíadas, o Kelvin é de Santos (ou Guarujá, não me lembro) e ele falou que não ouvia nada no seu fone que leva ao ouvido, mas que se ouvisse seria Charlie Brown.
  20. Não havia me atentado que Volonte foi o ator principal dos dois ganhadores da Palma. Isto porque, para mim, sua interpretação máxima é em "Investigação sobre um cidadão acima de qualquer suspeita"
  21. Gênio gênio gênio! Fico feliz que numa área que muitos não têm o devido reconhecimento, ele o teve.
  22. Lançado no mesmo ano daquela obrazinha qualquer "O Conformista", "A Estratégia da Aranha" é dos poucos filmes inspirados em escritos de meu escritor favorito Jorge Luis Borges (interessante que mais ou menos na época, Antonioni havia adaptado Cortázar em Blow Up). Já começa com o protagonista, Athos Magnani chegando numa cidadezinha na Itália, que mais parece um lugar-fantasma. Descobrimos que ele é filho de uma lenda local, que foi assassinado pelas costas por fascistas; mais do que ser filho, ele é idêntico ao pai e ambos carregam o mesmo nome. Sua visita foi à pedido de uma ex-amante do pai que deseja que Athos investigue as circunstâncias suspeitas do assassinato. Bertollucci faz um jogo duplo de presente/passado com pai/filho, num questionamento histórico, filosófico e psicanalista. A decisão de fazer os mesmos atores fazerem passado e presente (estrategia usada por Spike Lee em Das 5 Bloods) dá mais camadas a estas relações. Já que é adaptação tem de haver muita citação literária. Bem que poderia haver mais adaptações dele.
  23. Eu não costumo gostar muito da frase "tal obra nunca conseguiria ser feita hoje". Acho um tanto simplista, mas no caso deste "Louca Paixão", a afirmação pode ser dada. E olha que estamos falando de Paul Verhoeven, aqui no seu segundo longa. Os dez primeiros minutos deste filme tem sonho de duplo assassinato; Rutger Hauer (poucos atores conseguem atuar tão bem com o corpo todo) com o pau para fora e se masturbando; ele transando e guardando "recordações" das mulheres. E isto é só o começo... Verhoeven envolve sua comédia romântica entre o suspense e o drama, sempre com um pézinho no grotesco. Ele absolutamente não teme mostrar o sexo e a doença, com todos os fluidos que acompanham o corpo nestas fases. Este é até hoje o filme holandês de maior sucesso e é uma bela apresentação do que este doido mostraria posteriormente.
  24. Olha, eu consigo enxergar o lado dela: não era proteger o pai, mas o irmão. Só que claro, entendo a sua opinião.
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