Jump to content
Forum Cinema em Cena

luccasf

Members
  • Posts

    348
  • Joined

  • Last visited

Everything posted by luccasf

  1. Então, como eu havia dito, eu gosto de algumas bandas, entretanto, são algumas músicas, apenas. Falando em Judas Priest, depois de Accept, é a banda que eu mais ouço. Vou procurar algumas faixas dessa outra, W.A.S.P. Agradeço pelas dicas. Depois eu comento aqui.
  2. ER Ainda não assisti "Trauma", mas vou procurar. Bones x Criminal Minds
  3. Accept, Restless and Wild (1982) Pra ser sincero, nunca foi um gênero musical que me chamasse atenção, entretanto, por acaso, acabei ouvindo "Fast As a Shark" do Accept. Gostei muito e depois disso, comecei a procurar as outras músicas da banda. Não tenho muito conhecimento sobre as grandes bandas, apenas conheço as músicas consagradas. Pretendo procurar outras, nem que seja por mera curiosidade.luccasf2010-08-25 15:53:15
  4. Que belíssima edição. Ainda estão vendendo? Continuo de olho no Steelbook de "The Crazies". Espetacular, e pelo pouco que fiquei sabendo, tem uma quantidade interessante de extras.
  5. Epidemia (Epidemic) É incrível a irreverência de um diretor tão idealista quando o assunto é fazer filmes. Lars von Trier é extremamente reconhecido pelos amantes do cinema, por proporcionar experiências ímpares em cada filme que produz. O dinamarquês sempre defendeu a ideia de que cada diretor deve ter uma estilística diferente, explorando a sétima arte do modo mais cru possível. Os olhos do diretor sempre visionaram o cinema de um modo diferente, afinal: "um filme deve ser como uma pedra no seu sapato". É com essa premissa padrão de criar algo grandioso, que Lars explora os mais diversos gêneros proporcionando cada vez mais, o êxtase do espectador. E isso não se mostra diferente em "Epidemia". O gênero terror é explorado de forma totalmente diferente pelo diretor, que opta por criar algo mais suave porém dramático. A metalinguagem criada no filme deve ser enaltecida pelo fato de dividir o espectador em dois mundos. Um mundo que corresponde ao engenhoso enredo, envolvendo dois roteiristas (Lars von Trier e Niels Vørsel) que acabam de finalizar um filme, porém a partir de um erro, acabam perdendo todo o trabalho e possuem apenas cinco dias para desenvolver um novo. E o outro mundo, o metalinguístico. O mesmo é desenvolvido a partir das diversas formas de pensar e construir um filme com base nas ações dos roteiristas. Algo totalmente fantástico, afinal acabamos aprendendo como pensar igual aos mestres. Porém o mais agradável do filme vem com o complemento do enredo. Uma correlação entre esses dois mundos, gera um longa extremamente envolvente, ao mesmo tempo que possui seus toques terríficos. Resumindo, acabamos nos surpreendendo constantemente. Difícil não cair nessa teia sedutora. É com essa premissa tão ousada, que "Epidemia" vem carregado de metáforas, sintetizando os dois mundos em um só, como uma pasta de dente com duas cores. O roteiro em si, é bom. Por mais que ele se perca um pouco durante seu desenvolvimento, não podemos atribuir um peso tão grande à esse problema, ademais isso é amenizado pelo desfecho angustiante e entorpecente, típico do diretor. Os diálogos são ótimos, os personagens coadjuvantes são bem explorados e de fato exercem peso inimaginável na estória. As atuações são agradáveis dando destaque, como anteriormente foi citado, para as perfomances do próprio Trier e do seu roteirista, e por fim, apenas para ressaltar, porém não menos importante, um desfecho que deixa algo no ar mas que finaliza excentricamente o longa-metragem. A fotografia em preto e branco é o grande charme da produção. Como consta no "Dogmas 95", movimento cinematográfico originado pelo próprio Lars von Trier juntamente com Thomas Vinterberg, o cinema deve ser feito sem toda aquela exploração comercial/industrial que ao longo dos anos vem tomando mais espaço na sétima arte. Infelizmente, o movimento não passou de meras intenções. A fotografia é bela, ao mesmo tempo que suaviza o enredo contrastante. Ponto para o Lars. A mesma cria uma atmosfera incompatível com o que é apresentado, juntamente com a trilha sonora, fator que contraria uma das intenções do "Dogmas 95", porém que é utilizada com extrema parcimônia. No entanto, isso não deve ser considerado como um ponto fálido, ademais estamos tratando de uma nova interpretação para o que conhecemos por "terror". Óbviamente não é o melhor filme do dinamarquês, porém não podemos descartá-lo da boa filmografia, que o mesmo possui. "Epidemia" tem uma premissa extremamente envolvente e complexa, onde o espectador esta sujeito a ser surpreendido meio às misteriosas artimanhas envolvidas na estória, típicas do Lars. Um filme que dá uma nova visão ao terror, envolvendo boas doses de drama. É peculiar, é intrigante, é angustiante, é Lars von Trier. Nota: 7,5 ------------------------------------------------------------------------------------ Gosto muito do cinema do Trier, e por isso, precisei rever esse divisor de águas da sua polêmica filmografia. Por mais que eu tenha feito essa análise há muito tempo, pra ser sincero, foi uma das minhas primeiras, creio que consegui descrever boa parte dos quesítos. Claro que não está no mesmo nível das anteriores, mas fiz questão de postar. Recomendo para quem gosta do cinema do dinamarquês.
  6. Olha, e tem gente que quer ler, porque os textos têm excelente qualidade e são ótimos, já que ele se expressa muito bem. Eu escrevo muito e jamais deixei de escrever textos grandes, apesar das críticas do PT. Sall, não generalize sua opinião. Ora, simplesmente pule se não quiser ler. Sou da opinião de estimular pessoas que escrevem de forma clara e acrescentam ao fórum, independentemente do tamanho de seus comentários (o mesmo PT é um exemplo contrário, já que escreve pouco e adoro os comentários do mesmo jeito) e não desanimá-los, afinal, esse é um fórum de cinema, não? Primeiramente, como eu sempre faço questão de dizer, agradeço muito pelas palavras. Eu tenho 15 anos e todos os elogios que eu recebo de pessoas mais velhas, principalmente, servem para dar mais força na minha caminhada. Fico feliz que tenha gostado, de verdade. Pode até parecer pouca coisa para a grande maioria, entretanto, para quem está escrevendo, receber um elogio, é receber uma dose indescritível de satisfação. Vou continuar postando minhas críticas, pode deixar. E quanto ao Sall, cara, se você achou que eu fui grosseiro na minha resposta, peço desculpas, além do mais, não era a minha intenção, de forma alguma, sinceramente. Um abraço.
  7. Na verdade, comecei a escrever por diversão. Eu postava, e ainda posto, nos fóruns e comunidades que eu participo, e com o tempo, acabei mandando as análises para o "Não eh um Blog". Site pequeno, mas eu gostei da equipe, e do interesse deles para eu escrevesse, por isso, mando o conteúdo pra lá. Caso seja necessário apagar o meu post, por causa do site, podem apagar, não tem problema.
  8. Valsa com Bashir (Waltz with Bashir) Esse, sem dúvidas, foi o filme que mais me fez pensar e pensar e pensar, até formular uma idéia concreta sobre o mesmo. Deixei de encará-lo apenas como um filme, e passei a interpretá-lo como um desafio. Talvez a dificuldade, seja produto do efeito que o filme causa após seu término, afinal ficamos tão envolvidos com a belíssima animação proporcionada, que viajamos para um mundo surreal, porém essa viagem acaba juntamente ao filme, pois, apesar de se tratar de uma animação, nos deparamos com uma história real através de fatos que comprovam uma era de tristeza, sofrimentos e muitas mortes. Em "Valsa com Bashir", a singeleza do homem é testada frente a uma realidade que todos desejariam que não existisse. A guerra não deixa de ser uma atitude pusilânime, ademais é uma maneira imoral de tentar impor ou obter algo, a partir da fraqueza do inimigo. Em outras palavras, é uma covardia explícita. Mas esse não é o pior de tudo, porque ela causa danos a pessoas que desconhecem esses "princípios" (no amplo sentido pejorativo) que acabam, por obrigação, tendo que conhecer essa realidade tão contrastante, em relação à corriqueira. Essa situação, é muito bem trabalhada por Ari Folman a partir da exploração do protagonista e do conflito principal do filme. O que deixa o filme tão reluzente é a perfeição na imagem animada. Cada gesto, cada emoção, é fielmente retratada pelos personagens. Um trabalho digno, capaz de deixar qualquer espectador que assista, de queixo caído. Nos perdemos frente a uma beleza tão incomum, que acabamos nos esquecendo por minutos, que não estamos assistindo um filme infantil. A trilha sonora é um quesíto que pode gerar interpretações diferentes, do controverso ao chocante, mas o que não podemos negar em meio a tudo isso, é a concordância com a situação momentânea. Os caprichos de Ari Folman nos proporcionam 85 minutos de êxtase, mas o mais interessante se encontra no desfecho. A interpretação do mesmo é algo muito pessoal, para alguns foi uma atitude arriscada, para outros é algo impactante por jogar na cara, a triste realidade da forma mais bruta possível. Foram poucos os filmes que me deixaram com um nó na garganta ao terminar de assistir, como "Valsa com Bashir". Um filme que mostra até onde um homem pode chegar, para conseguir o que deseja. Nota: 9,5 -------------------------------------------------------------------------------- Uma animação belíssima que carrega um caráter extremamente pesado, para esse gênero. Ari Folman consegue mesclar as duas coisas, resultando nessa obra-prima que tenta, por meio da estética formidável, amenizar todo esse sofrimento real. Brilhante.
  9. Encontro Explosivo (Knight & Day) Todos os gêneros do cinema, independentemente do diretor ou de qualquer outro profissional que comanda a produção, pode fugir um pouco da realidade. Assim como foi no romantismo português, importante período literário que ilustrava a realidade com base nos sentimentos e em algo de caráter mais idealizado, o cinema também pode fazer isso. No entanto, voltamos ao ponto inicial. Quem pretende utilizar esse artifício, deve saber muito bem como manejá-lo, principalmente se a intenção é de gerar qualquer efeito cômico, como aconteceu com "Encontro Explosivo", do americano James Mangold. Essa breve introdução, não condena o diretor pelo fato dele tentar criar algo de caráter inverossímil, mas sim, na sua intenção de gerar humor com tais cenas. Intenção que não saiu do papel nesse grande clichê estrelado por Tom Cruise e Cameron Diaz. Como já era de se esperar, "Encontro Explosivo" apenas disfarça, em sua trama, as peculiaridades que podemos observar em quase todos os filmes do gênero. Procurar originalidade nesta produção do diretor James Mangold, não é a melhor saída. O filme retrata o alvoroço que é causado, quando a personagem da Cameron Diaz acaba interferindo, sem ao menos estar ciente do que acontecia, na missão de um agente especial, interpretado pelo Tom Cruise. Começa então, uma jornada de sobrevivência, enquanto, além das vidas que estão em jogo, encontra-se algo que ambos os lados procuram. Como já é de praxe: muitas perseguições, muitas explosões, muitos tiros e nada de diferente. "Encontro Explosivo" vem para aumentar a pilha de obras do gênero ação, que criam aquela sensação de "já ter visto em outro filme", no espectador. Até então, nada que surpreenda às expectativas pessimistas por senso comum, que podem surgir, por parte de quem pretende assistir. É interessante fazer um adendo sobre o elenco, especialmente no personagem interpretado pelo Tom Cruise. Como muitos sabem, o ator deu vida ao agente especial Ethan Hunt na franquia "Missão Impossível". O que é mais interessante e por outro lado, extremamente intrigante, é que o personagem do Tom Cruise não se mostra muito diferente neste filme, muito pelo contrário. As poucas mudanças que notamos, deve-se ao caráter que o filme segue. Do contrário, Ethan Hunt estaria de volta nesta produção piloto da franquia supracitada. Esse diferencial que foi citado anteriormente, ilustra as doses de humor que o diretor tenta acrescentar, naquela manjada fórmula dos filmes de ação. Por outro lado, vemos a visão feminina do gênero, bem retratado pela atuação da Cameron Diaz. Por mais que ambos sejam considerados grandes profissionais, eles não conseguiram trazer um diferencial tão significativo para interessar o público, a ponto de resultar num produto agradável. As explosões, as perseguições e as outras artimanhas que costumam estar presentes nesses filmes, conseguem divertir o espectador, entretanto, não é uma qualidade que mereça tanto destaque no roteiro, além do mais, apenas cumpriu com os requisitos básicos que todo público já espera em um filme de ação. Com uma boa fotografia que registra as diversas e belas locações do filme, acompanhada pelos takes curtos peculiares do gênero, "Encontro Explosivo" fracassa na sua tentativa de dar um tom mais satírico e original ao que já conhecemos, resultando em meros momentos que o espectador esboça um leve sorriso ou aprecia um êxtase pelo que está assistindo. A inverossimilhança que seria uma ferramenta para expandir essa tentativa do diretor, não surte o efeito desejado. Mais um filme que não conseguiu quebrar as barreiras do padrão, tornando cada vez mais forte esse conceito de que o gênero está precisando de boas ideias, e claro, atípicas. Por fim, diria que os amantes do gênero até podem apreciar esta produção, entretanto, é muito mais interessante ir até a locadora e escolher um outro filme com uma trama mais trabalhada, além do mais, se é pra ver o que "Encontro Explosivo" tem a oferecer, garanto que é melhor arriscar outra opção. James Mangold encerra sua boa sequência de filmes que acrescentaram algo, mesmo que discretamente, para o cinema. Se eu fosse resumir essa produção em poucas palavras, creio que seria: apenas mais um. E nada mais. Nota: 5 -------------------------------------------------------------------------------- E tive que assistir duas vezes, porque a namorada ficou bem curiosa. Claro que eu não esperava uma produção que finalmente resultaria num solavanco ao gênero, entretanto, foi bem abaixo da expectativa.
  10. A Aldeia dos Amaldiçoados (Village of the Damned) Muitas pessoas costumam conferir os filmes antigos, a fim de conhecer as abordagens que eram feitas sem toda a tecnologia, ou até mesmo, sem toda essa exploração comercial feita em cima das produções contemporâneas. O filme que falarei a seguir, é mais uma obra que, mesmo com caráter de filme B, consegue entreter o espectador, sem ser necessário a utilização de qualquer técnica mais apurada. No ano de 1960, marcado por grandes obras de diretores consagrados, como: "Psicose" de Hitchcock, "Spartacus" de Kubrick, "A Doce Vida" de Fellini e "Acossado" de Godard, o diretor alemão Wolf Rilla, conduz um filme que remete o espectador àquela essência presente nos grandes filmes B de Roger Corman. Com uma temática nada convencional, a produção "A Aldeia dos Amaldiçoados", mesmo passando despercebida naquela época, frente às grandes realizações de outros profissionais, conseguiu fortificar mais ainda aquela frase clássica, que anos depois, seria dita pelo glorioso cineasta brasileiro, Glauber Rocha. "Uma câmera na mão e uma idéia na cabeça!". Deixando o enredo de lado e analisando os outros pontos técnicos do filme, reparamos que um deles chama mais atenção: o elenco. Por mais que o mesmo seja bem desconhecido, com suas excessões, notamos um trabalho muito eficiente por parte dos atores, não deixando de lado o elenco mirim. É entendível quando dizem que eles são o grande charme do filme, roubando a cena totalmente, numa temática típicamente excêntrica desse período do cinema. Uma pequena cidade da Inglaterra vivencia um estranho episódio. Inexplicavelmente, todos caem no sono por horas. Sem entender o que aconteceu, os moradores ignoram esse acontecimento. Meses depois, várias mulheres ficam grávidas misteriosamente, sendo que ambas, dão à luz no mesmo dia. No entanto, aqueles bebês que futuramente se tornariam crianças extremamente inteligentes, guardam um grande segredo. É com esse plano de fundo, que o diretor alemão nos entrega um bom filme do gênero suspense, que futuramente seria adaptado por um dos grandes nomes do gênero: John Carpenter. Com um roteiro que se desenvolve bem, mesmo com a pequena duração, "A Aldeia dos Amaldiçoados" possui os grandes traços para preencher as exigências do gênero. Além do tema e das boas atuações, o filme conta com uma boa fotografia nas diversas cenas dentro daquela humilde cidade do interior. Contextualização de ambiente muito bem feita. E o que proporciona uma intensificação naquela atmosfera densa do filme, é o fato da fotografia supracitada, ser preto e branco. Por fim, e não tão importante, reparamos na utilização predominante da música clássica como trilha sonora, que não é um fato extremamente relevante, mas que evidencia mais uma marca no cinema da década. O espectador fica tão fissurado naquele enredo surrealista, que pouco se incomoda com os meros efeitos especiais. Em outras palavras, o filme foi suficiente em todos os quesítos cinematográficos, nos quais serviram de apoio para o desenvolvimento da estória. Considerado o filme mais interessante da fraca filmografia do alemão, "A Aldeia dos Amaldiçoados" consegue ser um bom passatempo, principalmente para os amantes dos filmes antigos, além do mais, traços peculiares daquela época, é o que não falta nessa produção. Uma viagem de reminiscências, acompanhada de uma das melhores estórias do gênero. Enquanto os produtores contemporâneos utilizam dos mais diversos efeitos para atrair os espectadores, um filme produzido na década de 60 consegue ser mais interessante e ainda assim, trazer à essência que todos queremos. O do bom e velho cinema. Nota: 7 ----------------------------------------------------------------------------- Num ano extremamente significativo para o cinema mundial, essa produção B passa despercebida, mas deve ser elevada pela sua qualidade técnica, levando em conta certas questões.
  11. O bom das mídias do Blu-Ray, é o fato da região do Brasil ser a mesma dos EUA. Já fiz diversas comprar pela Amazon, dando destaque para essa última, que comprei "Brinquedo Assassino" Edição Dupla por R$25 com frete. luccasf2010-08-19 20:53:47
  12. Cada vez mais, notamos que as produtores estão optando pelas produções que já trazem uma garantia na bilheteria, ou seja, nos remakes. É a tendência do momento, com certeza. O investimento está direcionado totalmente para essas obras, e dificilmente vamos ter mudanças significativas. Não tão cedo.luccasf2010-08-18 19:29:55
  13. O Nevoeiro (The Mist) Frank Darabont é um dos grandes coringas do cinema mundial. Podemos atribuir esse título ao diretor, pois seus trabalhos costumam ter relação com o mestre do suspense, Stephen King. Uma adaptação já é por início, uma produção mais ousada, pois manter a essência de um clássico, sempre é um desafio e poucos diretores conseguem realizar tal feito com sucesso, por isso vemos tantos remakes decepcionando a massa. Conhecemos as peculiaridades do Darabont e dentre estas, podemos notar a grande eficiência em abordar o psicológico dos personagens de forma gloriosa e inteligente. E isso permaneceu inalterável em "O Nevoeiro". O enredo do filme está focado em um misterioso fenômeno que traz à uma cidade americana, um denso nevoeiro que recobre qualquer vestígio de vida. Como se não bastasse esse inédito e soturno mistério, os moradores notam a presença de algo entre a névoa, entretanto, o que seria? O pânico paira sobre as pessoas quando os primeiros sinais do que estaria escondido naquela densa névoa, começam a surgir frente aos seus incrédulos olhos. Um plano de fundo glorioso e extremamente típico do rei do suspense. Estamos falando de Stephen King deixando sua marca, mais uma vez. A direção do francês é algo sublime. O mesmo consegue mesclar o suspense proveniente da lúgubre obra do mestre King, ao mesmo tempo que acrescenta, com parcimônia, os seus toques dramáticos que são fortalecidos pela presença de um elenco surpreendedor. O grande destaque da obra, que aos poucos consegue roubar a atenção mediante à uma atuação invejável, é a brilhante Marcia Gay Harden. Uma atuação sensacional, que consegue criar um outro conflito aos personagens do filme, que já lidavam com o desconhecido por dentre a névoa obscura que misteriosamente surgiu, trazendo caos aos moradores da cidade. No entanto, com essa premissa, podemos ver o talento do Darabont reluzir, pois o diretor trabalha um pesadelo na vida dos personagens mediante o surgimento da névoa, porém, como lutar com algo que não se pode ver? Um pesadelo interminável, onde o personagem e o próprio espectador não consegue se prevenir dos toques geniosos de um dos melhores diretores da atualidade. É com esse plano de fundo que o francês dirige com maestria, um dos melhores suspenses dos últimos anos. Trabalhando muito bem em um único ambiente, grande parte do filme, ele consegue focar a câmera no conflito psicológico presente na mente de cada personagem, deixando a catástrofe oculta na névoa, como uma mera coadjuvante. Brilhante sacada do francês, pois nossa atenção é desviada totalmente, por isso esquecemos o que acontece fora do ambiente claustrofóbico que o filme é rodado. Em momento algum, o filme se mostra monótono pois o diretor consegue criar um dinamismo nas câmeras, e claro, no próprio roteiro, a fim de entreter o espectador com as desavenças proporcionadas pelo repto psicológico. É tenso, é envolvente, é angustiante, é Frank Darabont. A fotografia é totalmente fiel à atmosfera criada no filme, contrastando a beleza lúgubre, com o pavor que circunda o espaço. O trabalho realizado pelo francês e pelo Ronn Schmidt, diretor de fotografia, acaba ganhando mais espaço com as belas edições de cena, outro ponto grandioso de sua obra. Sem dúvida, esconder o que traz medo do espectador, foi a melhor jogada por introduzir o mesmo na trama, como meros coadjuvantes oniscientes. Um trabalho invejável e que demonstrou mais uma vez, o talento do diretor em cada quesíto cinematográfico. Não foi porque o francês dirigiu um suspense, que não conseguiu acrescentar os seus toques peculiares na trama. Muito pelo contrário. O desfecho é a prova viva disso. Em outras palavras, o desfecho é Frank Darabont puro. É com um trabalho miraculosamente bem produzido, que "O Nevoeiro" consegue enriquecer este gênero tão carente de bons filmes. Com uma perfeição típica e uma exploração geniosa da câmera, o francês nos apresenta mais uma adaptação do Stephen King. Digna do mestre. Falando nisso, difícil é diferenciar um mestre do outro. Frank Darabont e Stephen King, combinação sensacional. Nota: 8 -------------------------------------------------------------------------------------- Consegui rever mais um hoje, aproveitando que não tive aula na escola. Essa é uma análise que eu fiz no começo do ano passado, por isso, não está tão bem escrita como as anteriores. Pretendo dar uma repaginada total, principalmente para dar um ênfase na edição do filme. Bom filme.
  14. Estou ansioso para ver "Never Let Me Go", do Romanek. Disseram que tem boas chances para marcar presença na próxima cerimônia da Academia, entretanto, tem muitas outras obras para ir às telonas. Pelo que já foi apresentado, já fica certo que o Nolan sairá com algumas estatuetas.
  15. Acossado (À bout de souffle) Primeiro filme do consagrado Jean-Luc Godard, e consequentemente, um prelúdio de uma nova geração do cinema francês. Num período de decadência cultural francesa, pós Segunda Guerra Mundial, eis que surgem novos profissionais, jovens, criativos, transgressores do cinema comercial. Em outras palavras, eis que surge a nouvelle vague. Godard, juntamente com outros contestantes, cria uma nova face para o cinema francês. Em seu primeiro filme, "Acossado" de 1960, o diretor já demonstra o nível do seu trabalho, aguçando a nova geração que surgia naquele momento. Baseado na obra do seu grande amigo, François Truffaut, Godard cria um filme extremamente atípico da época, abraangendo um perfeccionismo, dentro dos padrões, para cada quesíto cinematográfico da sua obra. No mesmo ano de "Acossado", grandes diretores exibiam suas notórias obras para o mundo. Dentre esses, podemos ressaltar "Psicose" do mestre Hitchcock, grande influente do cinema do Godard, "Spartacus" do Kubrick e claro, por último, porém não menos relevante, "La dolce vita" do Fellini. O que é mais impressionante é que em seu primeiro filme na direção, o francês conseguiu se colocar ao lado destes grandes diretores, com um thriller que revolucionou, até então, o sóbrio cinema francês. O enredo é basicamente centrado nos personagens de Jean-Paul Belmondo e Jean Seberg, brilhantemente interpretados. O filme representa a busca de um amor para um coração bruto, sem vida, do salafrário Michel Poiccard (Jean-Paul). Sua personalidade oscila mediante ao encanto da belíssima Patricia Franchini (Jean Seberg), que testa o seu amor, mesmo tendo conhecimento do passado que condena este infeliz e ríspido, ladrão francês. Ao decorrer do seu primeiro longa, Godard lapida o coração do protagonista, nos apresentando um novo Michel Poiccard que fará de tudo pela mulher que está apaixonado. Seu longa-metragem é marcado por uma filmagem extremamente excêntrica e por vezes instável, marcada pelos movimentos consentidos do corpo. Muitos não aderem à técnica, mas não tem jeito, é brilhante, principalmente por sempre acompanhar, de forma peculiar, os personagens. As atuações se mostram gloriosas, Jean-Paul Belmondo e Jean Seberg contrastam entre a personalidade rude e a delicada de ambos os personagens, respectivamente. Quando os atores olham diretamente para a câmera e por vezes, falam com o espectador, nos tornamos meros interlocutores meio à presença de Godard na direção. Um roteiro nada precavido é o que se torna outro ponto interessante de sua obra, afinal, enquanto Godard escrevia as cenas de manhã, a tarde tudo era gravado. Dizia o francês que era, principalmente, pra gerar maior espontaneidade na atuação. Com singelas intenções ou não, Godard fez um belo trabalho. O francês consegue trabalhar em um único ambiente, como por exemplo o quarto da Seberg, de forma supreendente, explorando cada ângulo para ilustrar o diálogo entre os personagens. Definitivamente, um ótimo trabalho, invejável. Desde seu primeiro filme, Godard já demonstrava o que estava por vir desta nova geração. A nouvelle vague teve muitos nomes, mas não podemos deixar de enaltecer um destes, Jean-Luc Godard. É gratificante para nós espectadores, ainda podermos apreciar os filmes do francês. Por mais que essa tendência de transgredir o cinema comercial venha de muito tempo atrás, dificilmente vemos diretores seguindo esse idealismo. Um movimento cinematográfico formado por jovens talentos conseguiu mudar o rumo de uma cultura inteira e mais adiante, do cinema mundial. Por isso, somos gratos aos responsáveis da "nova onda". Jovens talentos, grandes profissionais. Nota: 9 ------------------------------------------------------------------------------------------ Depois do expressionismo alemão, o nascimento da nouvelle vague é o movimento que mais me encanta. Acompanhar a filmografia do Godard e até mesmo do Truffaut, desde o início, é espetacular. É nítido como fizeram obras-primas, e a cada ano, acrescentavam mais peculiaridades ao cinema francês. Sublime.
  16. Comecei a ler "A Divina Comédia" do Dante. Sempre tive curiosidade para conferir essa obra, mas até então, não tinha encontrado um exemplar. Pretendo fazer um breve comentário após o término. Depois desse, já tenho "A Costureira e o Cangaceiro" para ler. Disseram que a escritora americana caprichou no enredo.luccasf2010-08-16 20:56:13
  17. Onde os Fracos Não Têm Vez (No Country For Old Men) Donos de uma singularidade inquestionável, os irmãos Coen nos entregam uma produção extremamente peculiar, e por conseguinte, essa marca registrada nos induz a mais um filme espetacular. Escrever sobre um longa-metragem já é uma tarefa difícil, entretanto, quando o filme analisado é dos irmãos Coen, o desafio toma proporções maiores, porque, entender as ligações e simbologias implícitas no roteiro, e até mesmo a forma no qual o mesmo é conduzido, é um páreo muito duro de vencer. Mesclando de forma gloriosa o drama e o suspense, os diretores nos presenteiam com um filme que traz consigo, experiências únicas para o espectador, oscilando da frustração à comoção. Mais uma vez, uma produção que faz o público refletir após o seu término, não se restringindo apenas à explosões, assassinatos e perseguições. Em outras palavras, "Onde os Fracos Não Têm Vez" é Coen puro. Cada filme chama atenção por determinado aspecto em especial, mas este, nos atrai por inúmeros. A premissa consiste numa reação em cadeia, partindo de um ponto inicial: a descoberta de um crime no oeste do Texas, onde um ex-combatente da guerra do Vietnã, encontra uma série de corpos, uma caminhonete com carregamento pesado de drogas e uma mala com 2 milhões de dólares. Como foi dito anteriormente, esses vestígios desse episódio do narcotráfico malsucedido, é marcado por uma reação em cadeia, envolvendo o próprio ex-soldado (Josh Brolin), um psicopata totalmente insano, brilhantemente interpretado pelo espanhol Javier Bardem, e um xerife (Tommy Lee Jones) que não consegue compreender as proporções que a criminalidade se encontra no momento, ao comparar com os últimos anos. Uma premissa muito bem explorada, que consegue alternar o predomínio dos gêneros, o suspense e o drama, com total eficiência. Um trabalho prodigioso realizado em cima dos personagens. No entanto, o que corrobora para essa ascendência no quesíto, são as atuações que se mostram o grande toque especial da produção. Javier Bardem molda um assassino frio, calculista, de poucas palavras, totalmente insensível ao sentimento alheio. A retórica do personagem, por mais escassa que seja, demonstra a sua insensatez a partir dos seus diálogos especialmente trabalhados pelos irmãos, a fim de expressar diversos sentimentos em uma mesma fala. Já o personagem do Tommy Lee Jones, representa o ideal da mudança de acordo com o meio. Os diretores conseguem desviar a atenção do público focada no ritmo alucinado das perseguições, para o confronto psicológico que este personagem vive. Um drama real que retrata o avanço da criminalidade numa terra onde a autoridade, principalmente, caso não esteja disposta a apostar a alma no ofício, não terá chance alguma. O título do filme resume a obra por inteiro, e ao término, o espectador nota como a experiência de quase duas horas, pode ser resumida em seis palavras, de forma bem elaborada: "Onde os Fracos Não Têm Vez". O roteiro, premiado no Oscar de 2008, demonstra a qualidade dos irmãos Coen numa adaptação. Seu desenvolvimento é ímpar e muito bem conduzido. Mais uma vez, o desfecho pode ser incompreendido por muitos, mas os diálogos são primordiais para o entendimento do mesmo. As metáforas ressaltam as mudanças do que era e do que é a criminalidade. Algo que tomou proporções incabíveis, e que representa o pensamento ideológico do personagem do Tommy Lee Jones. Impossível não assemelhar essa técnica com os diretores. Algumas sequências de cenas têm um visual belíssimo, mediante à uma fotografia salientada por um plano de fundo miraculoso, dando destaque para os primeiros minutos. As tomadas diurnas e noturnas enriquecem a atmosfera do filme. O jogo de luz é muito bem explorado no filme, principalmente por acrescentar, nas cenas de suspense, um toque claustrofóbico. Juntar um personagem cruel que por si só já transforma o clima em algo de caráter pesado, e adicionar boas técnicas para aprimorar as sequências, é ter a faca e o queijo na mão. Por fim, é notório o trabalho dos irmãos Coen, em explorar os dois gêneros e fazer com que cada um receba um desenvolvimento pleno e satisfatório. O dilema presente na introdução do filme, é trabalhado até o último minuto. Uma obra que não se restringe somente ao que o gênero oferece. "Onde os Fracos Não Têm Vez" vai além do que é premeditado pelo espectador. É com mais um grande trabalho, que os diretores expõem seus modos de fazer cinema e enchem os olhos dos amantes da sétima arte, de esperança. Esperança de ter profissionais que deixem de encarar o cinema de forma comercial. Além do mais, no mundo do cinema, enquanto houver grandes nomes, os fracos não terão vez. Nota: 9,5 ----------------------------------------------------------------------------- Deu tempo de rever, antes de voltar para a densa rotina. Essas peculiaridades dos Coen, me deixam fascinado.luccasf2010-08-16 18:10:27
  18. Nosferatu (Nosferatu, Eine Symphonie des Grauens) Depois de tantos anos, podemos afirmar, indiscutivelmente, que o romance escrito pelo irlandês Bram Stoker, "Dracula", foi uma das obras mais adaptadas da história da literatura mundial, dando destaque para o cinema e o teatro. Dentre todas essas realizações, podemos ressaltar uma que teve um nível de influência inconcebível no movimento expressionista alemão, e por conseguinte, no mundo da sétima arte. O alemão Friedrich Wilhelm Murnau, conhecido por ser um dos grandes realizadores do cinema mudo e influente de certos movimentos cinematográficos como o Kammerspiel, que será abordado mais adiante, dirige no ano de 1922, uma adaptação independente do romance supracitado, mesmo não recebendo a autorização necessária, que futuramente, faria com que diversos exemplares fossem destruídos. "Nosferatu", como é conhecido aqui no Brasil, retrata mais uma versão do ente mitológico que se alimenta do sangue de suas vítimas, mas que nesse caso, é representado pelo tenebroso Conde Orlok. Essa produção dirigida pelo Murnau, não foi um marco para as ocasiões anteriormente citadas, apenas por causa da sua temática soturna, mas sim, pelo deslumbre cinematográfico dessa obra-prima. A aurora do gênero e do próprio cinema alemão. O cinema mudo por si só, não costuma agradar todos os amantes da sétima arte, entretanto, o conjunto dessa obra é miraculoso. É nítido como o diretor trabalha com consciência em todos os quesítos da produção, nos presenteando com um dos melhores produtos possíveis. Como foi dito anteriormente, "Nosferatu" é uma adaptação independente do alemão, que retrata a estória do humilde agente imobiliário de Wisborg, que viaja para terras distantes, a fim de vender uma casa ao misterioso conde Orlok. No entanto, com o passar dos dias, o inocente agente percebe que esse seu cliente tem algumas peculiaridades macabras, que futuramente liberarão o terror incrustado naquela pavorosa criatura. Com toques de mestre, o diretor Friedrich Murnau dá vida à um dos maiores espetáculos do mundo da sétima arte, trazendo as tipicidades dos movimentos cinematográficos e fazendo com que o espectador tenha das mais diversas reações. Do medo ao gozo interior. Deslizando com a câmera por diversos cenários que enriquecem a fotografia, o diretor se aproveita do produto imagético, para trabalhar essa trama surreal. Além de conseguir construir o clima pesado da produção, principalmente com a trilha sonora que acompanha todas as cenas, variando sua melodia de acordo com a vontade do diretor em induzir o espectador ao medo, o roteiro se mostra um ponto forte, especialmente no ótimo desenvolvimento que o filme recebe, dando destaque para o trabalho em cima da destruição psicológica de cada personagem, que ocorre de forma gradativa. Mesmo com os diálogos escassos, notamos a presença do potencial das frases, principalmente na descrição da criatura. Em outras palavras, o Murnau é cauteloso em todos os sentidos possíveis, tentando manter um nível positivo em sua produção. A tensão que também cresce de forma gradativa, chega ao seu ápice no desfecho antológico que fecha com chave de ouro, entretanto, é válido dizer que não é o único momento memorável dessa obra-prima, muito pelo contrário. A estética do filme é marcante, e talvez, ainda seja o quesíto primordial para o seu reconhecimento contemporâneo, mediante à época no qual foi produzido. Além do trabalho de câmera espetacular, dando destaque para os bons enquadramentos e as tomadas que exploram a perspectiva na cena, devemos atribuir um peso extremamente significativo para a fotografia. A mesma é um fator extremamente relevante para a produção, principalmente por demonstrar a força do expressionismo alemão no cinema. Encarado como uma corrente cinematográfica que buscava distorcer a realidade e criar um mundo com base na visão do realizador, a essência do expressionismo alemão esta nítidamente presente em "Nosferatu". A própria aparência grotesca do vampiro milenar e a presença excessiva da dramaticidade por parte personagens, são fatores que fazem referência ao movimento supracitado. A iluminação que auxilia diretamente na filmagem, além de aprimorar a atmosfera lúgubre dos takes, também fecha o pacote das peculiaridades expressionistas. Por fim e não menos importante, especialmente pela influência do Murnau, podemos notar a tendência do Kammerspiel. Este, é um movimento secundário que valoriza os personagens e a suas respectivas influências na trama, deixando os diálogos em segundo plano, como mero coadjuvante. Por fim, notamos que "Nosferatu" é uma combinação de diversas características da época, principalmente as estéticas, que resultaram nessa obra-prima do cinema alemão. Fruto de um trabalho muito bem feito pelo diretor, "Nosferatu" ainda tem repercussão mundial, principalmente quando voltamos no tempo e começamos a analisar o crescimento dos gêneros cinematográficos, e todas as influências que estão presentes nos filmes antigos. De uma singularidade inquestionável, este, juntamente com "O Gabinete do Doutor Caligari" do Robert Wiene, é, sem dúvida, o grande nome do movimento expressionista alemão, conseguindo mostrar ao espectador, todas aquelas características presentes na literatura, só que no caso, projetadas no mundo da sétima arte. Combinação perfeita. Como citado no primeiro parágrafo, não é simplesmente um filme, mas sim, um deslumbre cinematográfico. Nota: 10 --------------------------------------------------------------------------- Consegui um tempo para rever essa obra-prima do expressionismo alemão. Gosto muito do cinema do Murnau, e todas as peculiaridades dos movimentos da época, como o supracitado e o Kammerspiel. Extremamente recomendado para quem não assistiu.
  19. Festim Diabólico (Rope) Para compreender essa supremacia tão comentada em cima do cinema hitchcockiano, não é necessário muito esforço, pelo contrário. Basta apreciar algumas de suas grandes obras, como por exemplo: "Disque M para Matar", "Psicose", "Janela Indiscreta", e claro, o próprio "Festim Diabólico", considerado por muitos, sua obra-prima máxima. Compreender seu cinema é uma tarefa muito fácil ao comparar com a missão de eleger seu melhor filme. Ainda visto como um dos grandes ícones do cinema mundial, Alfred Hitchcock fez jus à todas as intitulações até então designadas para ele. Seu cinema magistral e peculiar, é um marco de refêrencia no mundo da sétima arte, e esta grande produção, como eu havia dito anteriormente, é uma das muitas que justificam todos esses elogios. Sente em seu sofá e deixe que o diretor o conduza numa das melhores tramas que o cinema já prestigiou. O mestre sempre demonstrou sua dominância em certos gêneros. O suspense não seria o que é hoje, sem todos os feitos do grande Alfred Hitchcock. Dono de técnicas miraculosas, o inglês conduz um dos melhores suspenses da história do cinema com um trabalho de câmera espetacular. Partindo de uma premissa adaptada de um caso real, o diretor nos mostra dois amigos que assassinam um terceiro, a fim de demonstrar sua superioridade mental meio aos seres inferiores. A intenção é de realizar um crime perfeito sem que ninguém descubra o que aconteceu. No entanto, para alimentar mais esse divertimento mórbido, os dois amigos realizam uma festa, onde a mesa de jantar é um baú onde se encontra o falecido. Agora, veremos, verdadeiramente, quem são os seres superiores. Uma das grandes marcas registradas de seus trabalhos, é o empenho na personalidade do elenco. Nenhum personagem está escalado apenas para cumprir roteiro sem exercer um peso significativo, muito pelo contrário. Cada um tem seu espaço e serve como pista para a solução dos mistérios. Veremos isso mais adiante. Como foi dito anteriormente, um dos grandes charmes de suas obras, é a filmagem. Isso não se mostra diferente nessa obra-prima. Utilizando as técnicas sensacionais já vistas em suas outras obras, o inglês conduz a câmera de forma incomparável. Na primeira cena do filme, já notamos suas peculiaridades quando a câmera foca num determinado ponto, esperando o suspense do espectador crescer gradativamente, principalmente quando o mesmo ouve um grito, sem ao menos saber de onde veio. Como é possível não se apaixonar por um cinema que te desafia e que te coloca como cúmplice? Com uma introdução de câmera que já demonstra como vai ser o banquete cinematográfico, Hitchcock atinge seu ápice no quesíto, ao decorrer do filme. As tomadas longas e bem editadas, causam a impressão de que o filme é feito num take só, sem quebrar o ritmo do suspense enclausurado em um único ambiente, e sem cair num clima monótono. Devido à sua genialidade com a câmera, o espectador fica em dúvida na hora de escolhar o grande atrativo do filme. No entanto, isso não é necessário. No cinema de Hitchcock, o conjunto é o prato principal. Genial, sem mais. Para acompanhar esse ritmo sublime das filmagens, nada melhor do que um elenco que consegue transmitir ao espectador, toda a atmosfera que circunda aquele local. Donos de personalidades fortes, soberbas e memoráveis, os personagens do inglês marcam seus filmes, onde dependendo da situação, todos podem ser os grandes protagonistas. Em "Festim Diabólico", notamos que a câmera alterna frequentemente de foco, cada momento em um personagem, cada vez ilustrando para o espectador, a intenção do mesmo estar escalado no filme. Os diálogos irônicos e bem construídos acabam aprimorando o trabalho dos atores, além de dar pistas sobre o mistério que testemunhamos. Em outras palavras, o espectador acaba se tornando uma peça do filme por saber de tudo, mas não consegue se expressar, mesmo vendo que o diretor induz os personagens com maestria. Obra-prima do mestre Hitchcock. Maldita redundância. Seu cinema influenciou e ainda influencia diversas obras contemporâneas, mas dificilmente vemos alguma produção que consegue dar toques extremamente semelhantes aos que eram dados pelo mestre. Além das técnicas que marcavam suas produções, Hitchcock buscava o perfeccionismo em todos os quesítos cinematográficos e por incrível que pareça, quando não conseguia, ficava muito perto disso. Devido à sua singularidade, seu cinema jamais terá um adversário no mesmo nível, jamais. Muitos profissionais podem tentar, entretanto, o patamar que o inglês se encontra é inalcançável. Pelo menos para nós humanos, afinal, como Nietzsche dizia, existe uma raça superior a nossa. A raça dos Super-Homens. A raça de Hitchcock. Nota: 9,5 ------------------------------------------------------------------------ Boa noite, pessoal. Estou chegando agora por aqui. Dei uma lida nas regras, e notei que não era permitido chat e flood nos tópicos, entretanto, não sei se posso deixar minha crítica aqui. Caso não seja permitido, peço desculpas e podem apagar.
×
×
  • Create New...