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Forum Cinema em Cena

SergioB.

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Posts posted by SergioB.

  1. (175)

    "A Mulher na Janela" talvez tenha sido das minhas piores experiências literárias. Não sou o público alvo. Faz uns 2 anos, dei o meu exemplar para a dona da minha academia (que, lembrando Trocando em Miúdos de Chico Buarque, "nunca leu"). O filme de Joe Wright, que chegou hoje à Netflix, é fidelíssimo ao livro, não há nenhuma alteração do nível da ação, e, pior, mantém os diálogos pavorosos do livro. 

    Mas o filme é um pouco melhor do que o livro. O francês Bruno Delbonnel conseguiu dar uma "lustre" no visual do filme, trazendo com cores sensações do lado de fora da casa. Achei que foi muito bem iluminado. O design de Kevin Thompson reproduz exatamente a casa, impressionante. Pra quem não leu o livro, não vai parecer nada demais, mas achei uma entrega muito competente. Já a trilha sonora de Danny Elfman não me disse nada, embora tenha tentado pegar alguns momentos de Bernard Herrmann ou Franz Waxman, de filmes de Alfred Hitchcock. É curioso, aliás, como o filme e o livro homenageiam Hitchcock (um diretor cuja obra eu não tenho tanta familiariedade assim), pois ele frequentemente adaptava livros ditos menores, mais baratinhos.

    Amy Adams salva o filme de ser um constragimento total. Todo mundo a quer com um Oscar na mão, mas não por esse filme, gente. Vamos esperar um pouco, já que quando ela mais merecia nem indicada foi.

    O filme, em geral, é um resumão de todas as senhas de suspense, todas as senhas dos thrillers. Um pacotão do que o público gosta, um pacotão do que vende.

    Joe Weight adaptou "Reparação", "Anna Karenina", por que adaptar esse livro? Quis seguir a receita de Hitchock?

     

    A Mulher na Janela poster - Foto 11 - AdoroCinema

  2. (174)

    Descobri agora que as pessoas não gostam de "Trauma", do Dario Argento. Tenho dúvidas se ele fez algo melhor nos anos 1990. Primeira produção americana dele. Mas a mocinha da vez é italiana, romana, e sua filha, Asia Argento.  Linda, mas, como atriz, deixa um pouco a desejar na função da heroína dos filmes dele, como já o foram Jessica Harper ou Jennifer Connelli. 

    O filme, pra mim, é nostálgico e delicioso. Saudade de ver algo assim com a galera, depois de procurar algum dvd com capa de suspense e letras amarelas...Movimentos sofisticados de câmera, referências ao terror histórico (até na escalação da Piper Laurie, ótima como sempre) junto também com imagens bagaceiras como cabeças decapitadas falantes. Sangue, animais, vômitos, ótima maquiagem e efeitos do mestre Tom Savino, um "Quem Matou?" na nossa cara; como não gostar desse "Giallo"?

    Compará-lo com as obras-primas passadas seria exigir demais. Mas diverte muito.

     

    Trauma (1993)

  3. (173)

    Caetano Veloso interpreta Lamartine Babo em "Tabu", de 1982, filme experimental do carioca Júlio Bressane. Lamartine Babo, um gênio do carnaval, dos hinos de futebol, das marchinhas, da canção. Agora, no século XXI, devidamente cancelado pelos versos "Mas como a cor não pega mulata/ mulata eu quero o seu amor".  Que dirá agora fazer-se um filme sobre ele! Aqui, mais precisamente, um encontro ficcional com o poeta Oswald de Andrade. O filme é uma defesa do carnaval, do samba, da música popular, como parte fundamental da identidade brasileira.

    Bom, é uma tese boa, os ouvidos agradecem demais, mas como filme...é um filme de montagem. Intercala vários momentos musicais, com "Tabu" de Murnau, filmes não identificados por mim sobre o descobrimento do Brasil, e filmes pornográficos antigos... É o cinema como montagem. Sem ficar refém do consequentalismo de uma ação e outra. Nada tem muito a ver como sucessão de imagens. Não tem trama lógica. 

    Fiquei pensando na escolha de Caetano para viver Lamartine , e pensei um pouco no aspecto físico, do baiano ser delgado, franzino, como o antigo compositor, mas acho que tem mais a ver com aquela sucessão de autênticas marchinhas que Caetano compôs nos anos 1970/1980: "Samba, Suor e Cerveja", " A Filha da Chiquita Bacana", "Atrás do Trio Elétrico", e tal...

    Se a figura de Oswald fica meio perdida no contexto geral, creio que Caetano e Lamartine têm, realmente, muito a ver. Os três, aí sem dúvida, vocacionados para amar o Brasil.

     

    Tabu (filme de 1982) – Wikipédia, a enciclopédia livre

  4. Há pouco mais de 70 dias do início dos Jogos Olímpicos, eu confesso que já estou insuportável. Se tenho um minuto de descanso, fico calculando quantas medalhas cada país vai ganhar, que cor de medalha o Brasil vai ter, etc. Só vai piorar! Ainda bem que a internet aproxima os malucos todos, e encontrei pelo mundo outros como eu.

    Ontem, um colega meu venezuelano me perguntou por que eu não estou dando medalha para o Brasil no Hipismo Saltos. Serão as reiteradas decepções, e reiteradas confusões, desde Pequim? Fato é que o Brasil beliscou o pódio por Equipe no Rio, foi por pouco. Mas, enfim, o ponto mais importante, de lá para cá, foi a chegada do cavaleiro Marlon Zanotelli. Que história de vida! Criado viajando com o pai, a mãe, e mais três irmãos, pelo interior do país, na completa marcha estradeira; pra depois ficar anos "batendo cocheira com garfo", ou montando no frio na Europa, e em 2019 campeão Pan-americano individual e por Equipe em Lima, e vencendo várias vezes provas 5 estrelas e quatro estrelas nos últimos dois anos. Já escrevi aqui que é um esporte muito difícil de acompanhar, pois tem provas toda semana na Europa, de várias estrelas diferentes, com alturas diferentes, etc. Mas talvez realmente o Marlon, hoje 13º do ranking mundial, tenha mais chance do que as pessoas estão ponderando até agora. Na verdade, a mídia brasileira não sabe cobrir hipismo. E é difícil mesmo!

    Uma coisa lamentável que ocorreu neste ano é que a égua Alice, do conjunto campeão do mundo em 2018, de uma saltadora alemã, égua essa que é, segundo entendidos, um dos melhores animais do século XXI, sofreu uma "lesão", "estourou" como se diz, agora no mês de abril, e está fora das Olimpíadas! A égua era tão rápida, tão "cheia de sangue", tão respeitosa, que era considerada uma barbada para o Ouro em Tóquio. 

    A infelicidade abriu portas para que outros conjuntos apresentem-se para as 3 medalhas no individual. E abaixa um pouco o potencial da Alemanha na prova por Equipe. Vale dizer que o Hipismo Saltos em Tóquio será completamente diferente. Pela primeira vez, começará com a prova individual e só depois irá para a Equipe. Só haverá 3 atletas, sem descarte. E outras mudanças...

    Tudo isso é pra dizer que o Brasil tem chance sim se juntar a Equipe certa. E tudo isso pra dizer que o Marlon tem chance de pódio, embora a quantidade enorme de provas dificulte o acompanhamento nítido desa trajetória. Rodrigo Pessoa afirma que o Brasil é um "forte outsider" na Equipe. Mas é impressionante ver como ele trata com admiração e com carinho o Marlon. Alguma coisa tem aí...Uma sucessor?

    Temos a vaga por Equipe, mas não temos a definição dos nomes. Vamos ver quem o técnico suiço, excelente, estimado por toda a equipe, convocará. Na verdade, mais importante do que os avaleiros são os cavalos; cavalos de nível. Na minha modesta opinião, eu iria, neste momento, com: Marlon Zanotelli, Pedro Veniss, e Rodrigo Pessoa. Se o último não tiver um cavalo de nível olímpico, adequado para a competição, então, iria com José Reynoso Filho - mesmo ele sendo um atleta locado no Brasil e com um shape mais acima do peso. Ele - além do DNA, seu pai um dos maiores da história - tem muito conhecimento,e muita vontade, depois do que aconteceu lastimosamente com ele em Londres.

    Brasil leva ouro no Pan de Lima no hipismo saltos e garante a vaga olímpica para Tóquio 2020

    (Alexandre Loureiro - COB)

  5. (172)

    "N`um vou nem falar nada!!!"

    Uma obra-prima de Woody Allen, infelizmente pouco vista. Um drama bergmaniano, um "Morangos Silvestres" de Nova York. "A Outra", de 1988, é um arraso! Diálogos excelentes, atuações soberbas, primeiro trabalho de Allen e Sven Nykvist - fotógrafo de Bergman - juntos. 

    Muita coisa pra falar. Mas confesso que só o revi por causa de Martha Plimpton. Não canso de ler a respeito de sua atuação no filme "Mass", que pode lhe dar, em 2022, sua primeira indicação ao Oscar. Todo mundo só fala prematuramente em Lady Gaga, mas Martha Plimpton e Ann Dowd é quem podem surpreender. Aqui, Martha tem um pequeno papel, como a enteada e boa amiga de Gena Rowlands, mas já chama a atenção como ela era boa atriz desde nova, desde "Os Goonies".

    Aliás, que elenco: Gena Rowlands, Gene Hackman, Ian Holm, John Houseman, Blythe Danner, Betty Buckley... Perfeitos. 

    Gosto demais desse título, "Another Woman", pois ele se espraia. É "a outra" , a amante que Gena foi; é "a outra", a personagem sem nome de Mia Farrow, ouvida do consultório psiquiátrico; e em suma "a outra", a que vive dentro de você, no seu inconsciente.

    Das mil coisas maravilhosas desse filme que podem ser ressaltadas, uma é a perfeita junção entre sonho-memória-presente. As transições de uma instância para outra funcionam de maneira muito elegante.

    O final, particularmente, é de se aplaudir de pé!

    "Força é mudares de vida"

    A Outra - 1988 | Filmow

  6. De madrugada, final da Etapa de Surf em Margaret River , fechando a "perna" australiana, com dupla vitória brasileira, feito que só aconteceu uma vez antes, um feito de Filipe Toledo e Tatiana Weston-Webb. Tatiana vem tendo um ano fantástico, sua segunda final, agora campeã, e vice-líder da WSL.

    Que chegue nesse rítmo em Tóquio! Se surfar assim, na próxima etapa, em outras águas (ela tradicionalmente vai bem na Austrália), volto a colocá-la em minha lista de prováveis medalhistas. Por enquanto, dou Ouro e Prata para as americanas, Carissa Moore e Caroline Marks; e Bronze para a lenda australiana, sete vezes campeã mundial, Sthepanie Gilmore. 

     

     

     

    Imagem

  7. (171)

    Revi "Olhos Negros", um filme que vi pela primeira vez quando da famosa Coleção Caras, que fez sucesso absoluto nos anos 1990. Meus pais tinham a coleção toda, que inspirou depois a da Folha de S. Paulo, e a de O Globo...Os filmes eram motivo para a assinatura de todas as publicações...

    Gosto muito dos filmes do russo Nikita Mikhalkov, mas todos, admito, têm uma certa "barriga". É que o tempo no cinema dele é como a vida, feito de instantes desimportantes também. O filme é uma história de amor, com Marcello Mastroianni brilhando intensamente como  (mais um) conquistador bon vivant. Pela atuação, ganhou o seu segundo prêmio de Melhor Ator em Cannes, e foi indicado ao Oscar em 1988, sua derradeira indicação. O elenco conta ainda com Silvana Mangano, excelente como sempre, mas no fim da vida, debilitada pelo câncer. E com um fantástico ator moscovita chamado Vsevolod Larionov, que arrebenta também.

    Incrivelmente lindo em termos de figurino e cenários, bem fotografado, boa música...Temos o universo dos contos de Tchecov levado para a Itália. O início é muito bom, o meio dá uma caída, mas o final é arrebatador. São 3 grandes cenas, uma depois da outra. 

    Um romance , em que se de repente a persistência amorosa falhar; do outro lado da mesa, haverá alguém que com ela irá de seguir.

    Lindo!

    Dvd - Oci Ciornie ( Olhos Negros ) - [ Baseado Em Tchekov ] | Mercado Livre

  8. * Eu vendo filme e perdi a grande prova de Atletismo no ano. Putz grila! O que foi isso? Nos Estados Unidos, Alison "Piu" correu os 400m com Barreiras para 47s.68, recorde brasileiro e sul-americano!! Mas ficou em terceiro!! Porque o americano e o atleta das Ilhas Virgens Britânicas correram ainda mais forte. Gente, os deuses do Olimpo odeiam o Brasil! Não é possível! Sempre que nossos atletas do atletismo melhoram, outros melhoram também! Tipo, o tempo do Alison seria Ouro no Rio 2016! Que prova forte é essa?! Norueguês, americano vice-capeão mundial (47s13!), esse das ilhas Virgens (47s50!), e agora o "Piu". Não é possível mais um quarto lugar! Espetacular o do garoto, mas o início foi muito conservador, como foi dito na narração americana.

    Será que ele ainda pode melhorar mais? Quem sabe, correr em Tóquio para 46s?

     

    * Parabéns ao Conjunto das ginastas da Rítmica. Mandaram bem na Copa do Mundo em Baku no Azerbaijão. Duas finais, coisa que há muito tempo eu não via, nas 5 Bolas, e na mista de Três Arcos e Duas Massas. Claro, não tinha China, não tinha Israel, mas mesmo assim, as notas, as notas em si, foram muito boas, ficando bem acima das do México e dos Estados Unidos, nossos rivais para disputar a vaga olímpica em junho no Pan do Rio, que não terá a presença do Canadá, morrendo de medo de pegarem Covid no nosso Brasilzão.

    Conjunto Brasil Copa do Mundo de ginástica rítmica Baku

    *Martine Grael e Kahena Kunze, Bronze em prova em Cascais- Portugal. Começaram mal a competição e foram melhorando. Sempre no pódio. Ouro para Alemanha, Prata para as espanholas, últimas campeãs mundiais.

    * Natália, ponteira da seleção feminina de vôlei, operou o dedo mindinho esquerdo ontem. Desfalcará o time nas primeiras emanas da VNL. Acontece. Já levei muita pancada no dedo também. Recuperação rápida, mas parece um castigo nunca poder contar com ela, Gabi, e Tandara, ao mesmo tempo, na seleção.

    Com pequena lesão muscular, Natália faz tratamento visando Pré-Olímpico de  vôlei - Mais esportes - HOME

    (Foto: FIVB/Divulgação)

     

    *Henrique Avancini em 10º lugar em competição na Alemanha neste domingo, Primeira Etapa da Copa do Mundo. Francês e suíços no pódio. Exatamente meu trio de medalhistas. Ele é muito bom, o melhor do esporte em nosso país, vou torcer muito por ele, claro, mas não consigo dar uma medalha a ele nem a Ana Marcela. 

    Os deuses do Olimpo odeiam o Brasil!

     

     

  9. (170)

    Se eu dissesse que amei, que é o filme da minha vida, estaria mentindo. Mas é inegável que "Vitalina Varela", do português Pedro Costa, é um arraso enquanto arte cinematográfica. Foi o candidato ao Oscar de Filme Internacional por Portugal (depois da primeira escolha, "Listen", ter sido inadmitida), e ganhou muitos prêmios em reconhecimento a sua brilhante Fotografia.

    É até difícil falar do filme, sem falar do processo do filme. Pedro Costa trabalha há anos com os caboverdianos, e constrói há anos uma estética muito particular. Tudo é muito laborioso, cada cena - dizem - dura semanas. Vitalina Varela é o nome do filme, é o nome da atriz, e ela coassina o roteiro, que, dizem, é sua história pessoal. Muito forte a sua presença em cena.

    O filme é uma ladainha. Os personagens falam em sussuros, depois de longos silêncios. A primeira palavra aparece no minuto 10. É como um enorme velório. Vitalina sai de Cabo Verde para velar o marido, que morreu há dias, sendo que ficou na ilha do Atlântico esperando por décadas um convite do marido para recebê-la em Portugal. Quando chega, é mal recebida. Fica em choque ao ver onde o marido morava, num casebre escuro, com o teto a cair (em contrapartida, a casa deles em Cabo Verde, era grande, bem cuidada, pintada - O capricho da mulher, eu diria). Faltava a essa casa o senso de dever de Vitalina, o toque feminino, o toque amoroso. Mas ela terá outras más descobertas em Portugal a respeito de como o marido vivia.

    O filme é um breu! A fotografia de Leonardo Simões é escuríssima, mas muito bonita. E o preto, a cor dominante do filme, domina tudo, das meias dos personagens, às panelas, à veste talar do padre, e - claro - é a cor, política, dos corpos da comunidade migrante. 

    É um filme que merece ser visto, pois é muito impressionante como gramática de cinema. Muita gente boa o considera uma obra-prima. Seja o status que vier a adquirir, é um desafio enorme para a nossa máquina de gostar.

    Tenho que conhecer mais a filmografia do cara.

    Vitalina Varela poster - Foto 12 - AdoroCinema

  10. (169)

    Um sacrilégio. Em mais de 3 anos postando aqui diariamente, não havia um único comentário sobre um filme do grande Carlos Reichenbach! Agora tem, e logo com o que é considerado sua obra-prima "Amor, Palavra Prostituta", de 1982. Eu amei, assim como amo outros dele, mas meu preferido continua sendo o extraordinário "Falsa Loura". 

    Mas é inegável a sinceridade deste filme, por trás de sua feiúra estética, por trás de seus atores amadores, por trás dos seus talhes promovidos pela Ditadura, Aliás, que governo de militares apoiaria um filme em que há um cadáver enforcado ( na minha cabeça, uma clara referência ao que se passou com Herzog), ou que mostra uma clínica clandestina de abortos? Vaginas, seios, pintos, e muitas falas de revistas pornográficas, são o de menos...

    Mais uma vez "Carlão" desnuda a alma grosseira do brasileiro. Os homens são orgulhosamente machistas e escrotos com as mulheres. Elas, por sua vez, umas bobas, ainda acreditando em promessas de Contos de Fadas românticos. A crítica cultural se faz presente em vários momentos, por exemplo, quando um dos personagens, o do intelectual desempregado, olha a fachada de uma sala de cinema, no qual se exibe "O Iluminado" e "Superman II", mas ele prefere ir a um cinema erótico brasileiro! Brasil Marginal Raíz!

    O título vem de Jack London. O Roteiro é assinado por Reichenbach e Inácio Araújo, hoje colunista de cinema de A Folha de S. Paulo. Se alguém acha a estruturação em capítulos coisa de Lars Von Trier, ou de Wes Anderson, saiba que no Brasil mesmo já se fazia isso há muito tempo. Aqui, 4 capítulos para os quatro personagens, nos quais se aprofunda em cada um deles, mas também nos demais. Muito bem feito! Sua construção visa a justificar uma troca de casais, uma troca de posição moral. Repito, muito bem feito!

    Um filmão! Com sangue rolando das vaginas, gritos de gozo, muitos pelos pubianos, tudo sem medo da verdade.

    Medo de quê? O cartaz abaixo é quase um sobreaviso. Um material altamente perigoso. Repito, medo de quê?

    São Paulo Association of Art Critics Awards (1983) - IMDb

  11. (168)

    Para fechar a comparação, vi "Pickpocket"/ "O Batedor de Carteiras", de 1959. Aqui, sim, muitas semelhanças com o filme de 1997 de Jia Zhangke. O mesmo orgulho do furto como uma arte; um grupo de batedores se ajudando; o uso de um paletó agigantado (furtado?) tanto pelo ator chinês quanto nesse filme estrelado por um "modelo" (e não ator, na linguagem Bressoniana) mexicano Martin LaSalle. Aliás, ele foge um pouco do esquema supergélido, robótico, das performances dos filmes de Bresson. Escapou.

    As tomadas de batidas de carteira são filmadas belissimamente, como se fossem magia. Adorei a montagem, principalmente a cena do trem. Voltando, outro aspecto semelhante aos dois filmes é a aproximação romântica que talvez pudesse, quem sabe, quebrar o vício em roubar. A maior distinção, contudo, é que esse perfil do ladrão não diz nada sobre a França, nem sobre sua época. É o perfil de um homem, simplesmente.

    A referência a Crime e Castigo é nítida, sobretudo no uso das escadas dos prédios (quem leu sabe) e sobre o discurso niilista, em que os valores morais dominantes não trazem, nem nunca trouxeram, felicidade aos seus protagonistas. Foi preciso ir por outro caminho.

    A figura do ladrão se apresenta como uma carta do infinito leque da humanidade.

     

    O Batedor de Carteiras - 1959 | Filmow

  12. (167)

    Um amigo cinéfilo me mandou um link de madrugada para eu ver o curta "Feelings", de 1984, primeira obra do diretor americano Todd Solondz. Um projeto universitário, na verdade. Reparou meu amigo que nos créditos há a menção ao diretor argentino Juan Jose Campanella como assistente de direção. Muito bizarro os dois serem colegas, né?

    Mais bizarro é ver o curta e constatar o link com o Brasil. Uma irônica despedida de um adolescente em crise amorosa interpretado pelo próprio diretor. Não há texto. É apenas Solondz cantando ( como um gato sendo maltratado) "Feelings", aquele sucessão dos anos 1970 do cantor brasileiro Morris Albert, mais tarde julgado como plágio.

    Sofremos muito de amor na adolescência, e Solondz tira um sarro disso. Como um clipe dos "The Smiths".

    Anos depois, um mergulho na dor de verdade, com "Happiness" - aquela coisa!

    Feelings - 1984 | Filmow

  13. (166)

    Animado com o filme aí de cima, fui ver "O Dinheiro", último longa de Robert Bresson, e ganhador de Melhor Direção em Cannes 1983, empatado com a obra-prima de Tarkovsky "Nostalgia". A Palma de Ouro ficou, como não poderia ser diferente, com "A Balada de Narayama" de Imamura. Olha o nível do Festival...

    As similitudes entre as duas obras são muito pequenas. Guardam o finalzinho em comum, e a crítica ao dinheiro obtido de forma fácil. No mais, tudo bem diferente. Aqui, uma ação infundada de dois garotos causará uma cadeia de eventos terríveis com personagens completamente diferentes, um verdadeiro circuito de destruição. Achei bem inteligente, pois essa roda-vida do dinheiro tem a ver com sua principal característica de "fungibilidade", de passar de mão em mão. É baseado em um conto de Tosltói chamado "Nota Falsa", outra vez, portanto, adaptando uma obra de um autor russo, como já o fizera com "Noites Brancas" em "Quatro Noites de um Sonhador" - já resenhado aqui.

    Tudo é feito na forma de representação peculiar dos filmes do Bresson, sem emoção dramatúrgica, sem qualquer traço de atuação teatral. Vemos, em pouco menos de 90 minutos, a transformação total do caráter de um homem. 

    O dinheiro transforma ou só expõe a natureza do homem? Aliás, a ironia da história é enorme, já que o dinheiro, a princípio, o bilhete inicial, não é verdadeiro. É falso.

    Gostei bastante.

    O Dinheiro filme - Veja onde assistir online

  14. (165)

    Qual o melhor diretor da atualidade?  No mundo indie, dois partidos assomam: o coreano Lee Chang-dong, ou o chinês Jia Zhangke. Não é preciso escolher, eu sou fã dos dois, sendo "Oasis" do primeiro, ou "O Mundo" do segundo, alguns dos meus filmes preferidos da vida. Contudo, ainda acho que o Zhangke está um passo à frente dos seus pares, muito pela sua posição no mundo. Ele é chinês, ele vem do país que vai dominar tudo, e ele é o diretor que consegue capturar a transformação radical deste país. 

    Hoje assisti ao primeiro longa de Jia Zhangke, "Artesão Pickpocket", ou como é conhecido ainda, pelo nome de seu protagonista, "Xiao Wu". É um filme rodado em 1997, mas registrado em 1998, driblando a censura daquele país, e no qual orgulhosamente se diz que é feito por não atores.

    Um cara que sempre viveu de pequenos furtos no vilarejo de Fenyang (cidade natal do diretor), e que pela sua habilidade manual se considera um artista, está na situação de não ter sido convidado para a festa de casamento do seu melhor amigo, que largou o crime, para se transformar em um pequeno empreiteiro local.  A notícia do casamento é assunto na cidade, vai parar até na televisão estatal ( de cunho pesado, cheia de não-notícias, mal-feita, sem graça - uma crítica indireta à Ditadura chinesa). Mas Wu não foi convidado, enquanto todos os seus ex-parceiros de crime foram. É que - vejam bem - o boom econômico desintegrou a gangue! Sim, todos agora querem ter um emprego respeitável, para se casarem, para terem uma vida mais retilínea. E outra questão muito importante: o Governo central começa a anunciar em vários cartazes, na tevê e no rádio, algo como uma Nova Lei Penal. Em que não se toleraria mais os crimes, todos, ao contrário, ganhariam penas mais pesadas. O rigor legal é uma forma, portanto, de também "consertar" o país, rumo ao desenvolvimento.

    Assim o protagonista se vê muito solitário, excluído, com seu "talento" em dificuldades. Recorre a uma prostituta, meio que se apaixona por ela, uma mulher que adora cantar músicas pop em odiosos Karaokês. Zhangke é um mestre dos detalhes - fico de cara...As músicas que ela canta são aqueles horrendos pops melosos. Ou seja, a cultura do novo momento é essa insignificância musical do capitalismo de ascensão. A cultura pop desse filme refletir-se-à doravante na imitação da cena de dança de "Pulp Fiction" de "Prazeres Desconhecidos", e na arquitetura falsa de "O Mundo".

    Muitas coisas acontecem no subtexto.  Ouvimos a tevê anunciar a devolução de Hong Kong à China, em 1997. Eletroeletrônicos de marcas duvidosas são vendidos agora em feiras no meio da rua, junto à cigarros Marlboro, que estavam chegando ao país. São as marcas de que, mesmo em um pequeno vilarejo, a China "progride". Progride pelo consumo, progride na limpeza das ruas com exércitos de varredores e demarcando pequenos estabelecimentos para demolição.

    No final do filme, o incorrigível protagonista deparará com a mutação da nova China. Onde pequenos furtos, nem homens pequenos, digo eu, muito menos homens de ambição pequena, podem conviver no espaço público.

    Dizem que este filme tem a ver com "O Batedor de Carteiras" e "O Dinheiro", filmes de Robert Bresson.

    Excelente!

    Pickpocket (1997)- MyDramaList

     

  15. (164)

    De ateu para ateus. "A Via Láctea"/ "Via Láctea"/ "A Via Láctea ou o Estranho Caminho de São Tiago", de 1969, é o último filme de Buñuel a criticar de frente os dogmas religiosos. Usa como mote a jornada de dois peregrinos pelo famoso Caminho de Santiago de Compostela, em que de forma fragmentada aparecem a eles figuras históricas como o Marquês de Sade, a Virgem Maria, São Pedro, o Papa, inquisidores medievais...

    É surreal, mas não é "louco", digamos assim. Os diálogos escritos por Buñuel e o falecido neste ano (várias vezes indicado em Roteiro, e premiado com o Oscar por um curta) Jean-Claude Carrière são mordazes, questionadores, impertinentes. A um padre que explanava sobre a hóstia consagrada ser o corpo de Cristo, pergunta-se o que Cristo vira dentro do estômago. Em outra cena, ridiculariza-se o dogma da Trindade. Em outra, informa-se que em um Concílio - de Braga - ficou decidido que recusar-se a comer carne era uma condenação ao inferno (Como vegetariano que sou há anos, portanto, está selado meu destino). Mostra-se Jesus dentro de casa com outros irmãos, mostra-se a multiplicações de milagres, a multiplicação de aparições da Virgen, e a multiplicação de souvernirs religiosos...

    Não é um filme fácil. Nenhum do Buñuel é. Não tem início, meio e fim, nem coisa parecida. São instantes de lucidez, picardia, e deboche. Um dos que sutilmente passam batido seria o dos peregrinos constantemente pedirem carona aos carros ao longo da estrada. Ou seja, eis retratada a hipocrisia e má-fé mesmo daqueles que se propõem a caminhar.

     

    Via Láctea - Filme 1969 - AdoroCinema

  16. (163)

    "Era Uma vez na Anatólia", filme do turco Nuri Bilge Ceylan, que ganhou o Grande Prêmio do Júri em Cannes 2011, fazendo parte da sua consecutiva aquisição de prêmios até chegar à Palma de Ouro pela obra-prima "Sono de Inverno" em 2014.

    Desmentindo a simbologia de conto de fadas ou de acontecimento extravagante sugeridos pelo título, acompanhamos neste filme uma delegação de profissionais da Lei: detetive, promotor, policiais, e um médico legista, em busca de um corpo desaparecido nas planícies da Turquia. Junto a eles, os dois assassinos confessos, que não se lembram direito onde desovaram o corpo. Ou seja, não há investigação sobre a culpa, não há mistérios, não há reviravoltas quanto aos motivos do crime, o que temos é apenas a procura pelo cadáver. 

    O que importa é a conversa entre os profissionais, principalmente entre o promotor e o médico legista. Logo percebemos quem é o garantista, quem é o "Datena" da ocasião, quem não vê a hora de largar a profissão...Achado o corpo, a comitiva retorna ao povoado, e se desfaz. O foco fica todo no médico legista e na formação do seu parecer.

    Nos últimos minutos, acontece o grande lance do filme. Isso depois de quase 180 minutos. 

    Um filme silencioso, frio, feito de planos gerais, à distância, nos quais a ambientação "enterra" um mistério. Já se observou que o cinema de Ceylan tem muito de Antonioni. Pergunto eu: Este é um "A Aventura" turco? Já que ambos são sobre a busca por um corpo. Ambos são filmes "vazios". Só que aquele clássico foi intensamente vaiado em Cannes 1960, enquanto este saiu premiado em um ano de competição fortíssima.

    Era uma Vez na Anatólia - Filme 2011 - AdoroCinema

  17. (162)

    Muito já foi dito sobre "Gaviões e Passarinhos", de 1966, declaradamente o filme favorito de Pasolini. Estranha comédia, social e religiosa. Último filme de Totò, um dos maiores astros italianos, que hoje ninguém sabe quem é...Totò e Ninetto Davoli andam por uma estrada pela Itália paupérrima na companhia de um corvo marxista, que se posta como a consciência, como um guia dos dois...

    Uma metáfora social em que as classes dos opressores e oprimidos é espelhada nos pássaros, e, para atingir-se a concórdia entre eles, seria necessária a religião. Estranho pensamento. Então numa história dentro da história, os dois personagens viram frades e vão evangelizar os passarinhos. A religião lavaria as disputas e levaria à paz. 

    O engraçado é que quando se sai do episódio religioso, e volta-se à época moderna, os personagens são cruéis com uma família pobre que não paga o aluguel do terreno de que são proprietários. E depois, por sua vez, eles são cobrados duramente, com violência, por seus respectivos credores. Gaviões e passarinhos são todos, uns dos outros, na inescapável sociedade capitalista. Tão inescapável, que a divergência de pensamento será eliminada, ao final.

    O filme conta com uma dos melhores créditos de abertura de todos os tempos, com os nomes dos artistas e técnicos, sendo cantados em forma de coro cômico.

    Essa ação na estrada, road movie a pé, seria repetida nos dois filmes subsequentes de Pasolini, seu maravilhoso segmento em "As Bruxas", e em "Édipo Rei".

    Ennio Morricone na ótima trilha, Danilo Donati no Figurino, Dante Ferretti na arte (e roteiro!). A conjugação máxima do cinema italiano daquela época.

     

    GAVIÕES E PASSARINHOS - 1966 - Raríssimo! - Reliquias em DVDs

  18. (161)

    É engraçado como as pessoas em geral têm simpatia pelas ideias de Jean-Jacques Rousseau, um crente da bondade humana, mas que na vida real abandonou 5 filhos em orfanatos, para levar uma vida errante e de amantes; enquanto o inglês Thomas Hobbes, que popularizou o dito latino "Homem Lobo do Homem", é encarado negativamente mas por sua vez era impecável em sua vida privada...É de Hobbes a inspiração para o título deste filme de 2003 de Michael Haneke, "O Tempo do Lobo"/ "Tempos de Lobo".

    Ao longo dos anos, o diretor alemão também se mostra um curioso sobre a maldade humana. E neste filme, tudo é  escuro, trágico, desesperador, sem piedade das pessoas ou dos animais, por exemplo, mata-se um cavalo de verdade. Diz o cineasta que este filme é uma resposta aos filmes-catástrofe de Hollywood. O diferencial é que nesta distopia não há explicação, não há contexto. Os nomes dos personagens dialogam com suas obras anteriores, como se esquecer da Eva de "O Sétimo Continente" e sua família suicida, ou de Benny, a criança assassina, de "O Vídeo de Benny"?

    A família de Huppert logo no início do filme descobre que sua casa de campo foi invadida por desconhecidos, e se vê rendida. Logo entendemos que o mundo, ou talvez, a França, está em maus lençóis. Por que? Nunca saberemos. Não há explicação. Tudo vira uma sinfonia do desespero. Luta por água, luta por comida, luta contra o frio, e depois os homens sendo cruéis e estúpidos consigo mesmo, quando se reúnem em pequenos grupos, a dizer, como os Filósofos Constratualistas , "em sociedade".

    Um filme muito duro! Que no final oferece uma pontinha de esperança. Não uma esperança social como Rousseau escrevia. Haneke tem a inteligência de mostrar que os contratos tentados no filme não dão certo, pois alguns homens sempre tentarão dominar os outros!  Um  simulacro de "contrato" entre duas partes, uma acolhida mútua. Um elo entre indivíduos - sem participação dos outros. A única saída possível.

    Time of the Wolf (2003) - IMDb

  19. * Da série "Certas Coisas Só Acontecem com Nosso País" vem o segundo pisão na linha no campeonato de revezamentos, e a desclassificação do 4x100m masculino! Gente...inacreditável! Brasil ficaria com a Prata (não há medalhas, na verdade. É competição de pontos), pois a África do Sul teve uma chegada impressionante nos últimos 100m, ficando a 1 centésimo à nossa frente. Mas fomos desclassificados! Ainda bem que nos classificamos no Mundial de 2019! Senão estaríamos na mesma situação difícil das meninas! Fui checar as passagens, e abrimos e fechamos muito bem, mas a segunda perna, com o Felipe Bardi foi ruim. Tanto o tempo do Brasil, quanto o da África do Sul são mais de 1 segundo pior do que os países fizeram naquele mundial, e pior também do que na Eliminatória. Parece que as condições climáticas estão ruins lá na Polônia. Muito frio e vento.

    Lamentável! Um mês nos Estados Unidos para terminar assim, em erros técnicos.

    Nos 4x400misto, o Brasil teria vencido se repetisse o tempo da eliminatória, mas Geisa Coutinho, de 40 anos, foi muito mal na terceira perna, e entregou o bastão em quinto pro Alison "Piu", que com uma chegada fantástica, ainda descolou um sofrido segundo lugar. Esse garoto tá deixando a gente sonhar... Não nos iludamos, contudo, com este revezamento, pois pra medalha em Tóquio terá de se correr 4 ou 5 segundos abaixo do tempo do time vencedor aqui. Estados Unidos, Jamaica e Bahrein são muito fortes. 

    Brasil leva prata no 4x400m misto, mas é desclassificado no 4x100m

    (Foto: Adam Nurkiewicz/ Getty Images)

    * Sem vagas olímpicas adicionais na Esgrima. Nossas atletas no Pan-Americano acabaram em terceiro lugar. Só o ganhador ia a Tóquio. Sinto pelo Athos Schwantes, da Espada masculina, não poder disputar seus terceiros Jogos.

    * Assisti a vários jogos do Vôlei de Praia em Cancun. Alison/Álvaro Filho tomaram um "sacode" dos atletas do Catar, que chegaram às três finais, e hoje venceram o torneio, já que os Noruegueses optaram por não jogar. Do "Catar" entre aspas, né?, pois um é da Gâmbia e outro do Senegal. Não tenho nada contra naturalização, desde que o atleta tenha de fato algum vínculo natural com o país. O time de Handball do Catar, o atletismo, e acho que o Hipismo, também é assim, cheio de atletas transnacionais. Isso tinha que mudar. Não é correto. 

    Não consigo ver medalha no masculino, apesar da melhoradinha, que proporcionou o Bronze na segunda etapa. Acho Noruega, Russia, e Catar melhores. Simples assim. E os times dos Países Baixos, dos Estados Unidos, e da República Tcheca, são adversários de respeito também. Muito difício.

    Já Ágatha e Duda disputam a medalha de Ouro pela segunda vez consecutiva, agora contra a ótima dupla da Austrália, que estava sem viajar há um tempão. Elas são muito boas também. Gostei demais do difícil jogo contra as canadenses campeãs mundiais, Sara Pavan/Melissa Paredes, ontem. Dou a nossa dupla o Bronze, apenas, hoje, por precaução. Mas o correto seria pelo menos elevá-las a Prata.

    Boca maldita! Agatha e Duda perdem um jogo ganho! Inacreditável! 19-21 22-20 16-14 para Clancy/ Artacho Del Solar. Cansaram no final! 

    Saldo dos três torneios: Bronze Ouro Prata. 

    Ágatha celebra vaga na final de Cancún — Foto: FIVB

    (Foto: FIVB)

     

     

  20. (160)

    A parceria entre Sony Animation e Netflix entregou um dos prováveis concorrentes ao Oscar de Animação em 2022, já agora, no início de maio. É o excelente "A Família Mitchell e a Revolta das Máquinas", um filme superlegal, muito divertido, alto astral, e extremamente bem realizado.

    O tema é muito pertinente, como a nossa devoção cega à tecnologia possivelmente põe em perigo o mundo, ou as dinâmicas familiares. O tradicional conflito geracional é espelhado agora entre adolescentes que nasceram digitais e pais ainda analógicos. Me vi em muitas situações, como na ótima cena em que o tateante pai vai apertar um botão simples da tela, e, ora veja, o dedo acaba indo parar em outro inadequado...O filme brinca com várias coisas assim.

    Supercriativo, amei a incorporação de memes, a incorporação de personalidades do Instagram, ou de desenhos em 2d...A trilha sonora é ótima, com uma boa canção embalando os ótimos créditos finais.

    Uma delícia!

    A Família Mitchell e a Revolta das Máquinas poster - Foto 4 - AdoroCinema

  21. Passei a tarde acompanhando o Mundial de Revezamento de Atletismo, na Polônia, cujas finais serão amanhã. O Brasil já tem algumas equipes garantidas em Tóquio, pois chegou a algunas finais no último Mundial. Uma das equipes que justamente buscava a vaga olímpica era o 4x100m feminino, que apesar de ficar em quarto no Mundial, foi desclassificado na ocasião por pisar na linha. E hoje?

    Terminam em primeiro, com um ótimo tempo, e...são desclassificadas por um pisão na linha, que caracteriza infração de raia. Gente! Duas vezes! É brincadeira! Tem certas coisas que realmente só acontecem com nosso país. ERA SÓ FICAR ENTRE AS OITO! Só! Agora terão de buscar a vaga por tempo. No momento, Brasil está em primeiro por tempo. Mas só restam duas vagas a nível mundial por esse critério. E há equipes muito fortes como Nigéria, Bahamas, Austrália, Costa do Marfim (com duas atletas de final individual...), Canadá ainda a correr. A janela fecha em 29 de junho. O que resta é competir todas as vezes possível e tentar fazer uma marca excelente. Ainda tem sul-americano pela frente. Mas sendo pessismista acho que não vai dar. Um mês em camping nos Estados Unidos para isso. Inacreditável!

    No 4x100m masculino, um bom tempo, com 38.45, junto com a Itália, muito forte. Amahã ainda tem Japão e África do Sul, bem fortes também. Um revezamento que já tem vaga. Vamos para o Bi!

    Nos 4x400m misto, que também já tem vaga, o Brasil correu muito bem, com "Piu" arrasando na última perna. 

    Vamos, galera!

    391390-968049-edson-luciano-ribeiro-com-o-revezamento.jpeg

  22. (159)

    Um dos piores filmes que vi neste ano, talvez o pior, "A Última Nota" é um filme que tem vários elementos bonitos: Roupas elegantes para os personagens, paisagens bonitas da Europa, música da melhor já feita pela humanidade, um grande ator, e...Nada! Não tem conflito! É um drama sem conflito! Comé que pode? Um velho pianista que após passar pela morte da esposa tem dificuldades para subir ao palco, e recebe ajuda de uma jornalista...  Nem a paixão romântica que se adivinha, salva, pois tem medo dela.

    E dá-lhem imagens de Patrick Stewart pensativo na janela, andando pelas ruas matutando, imaginando brancos ao executar o instrumento. Mas não acontece nada. É reto, é uma régua. Não tem nada ! Acho que é daqueles filmes para nossas mães acharem "sensível".  

    A direção é amadora, sem criatividade para resolver o problema dos filmes de piano, que é o de filmar a execução em plano médio. Só planos por cima das teclas, ou por cima do tampo.

    Um filme completamente falso, que tem medo de si mesmo! Terrível!

    A Última Nota - Filme 2019 - AdoroCinema

  23. Outra medalha que se vai...

    Hoje tivemos a última etapa do circuito mundial de Caratê, e tanto Vinicius Figueira quanto Valéria Kumizaki perderam cedo. Ele na primeira rodada, ela na segunda. Vinicius, entretanto, se deu muito mal, pois viu o egípcio, seu maior adversário à conquista da vaga olímpica, terminar em quarto lugar e ultrapassá-lo no ranking olímpico. Agora, ambos terão que disputar o pré-olímpico mundial.

    Como pode! Ele até já tinha sido declarado detentor de uma das seis disputadas vagas do ranking, em decisão revisada posteriormente, e agora terá que partir com tudo para a derradeira chance em junho. Deve estar arrasado! Porque vai ser muito difícil! Só vão 10 atletas para Tóquio. 

    Cabe dizer que o Caratê estará ausente de Paris 2024.

    Vinicius perde na estreia da etapa de Lisboa — Foto: Ivy Janibelly

    (Foto: Ivy Janibelly)

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