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Forum Cinema em Cena

SergioB.

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Everything posted by SergioB.

  1. "Upstream Color"/ Cores do Destino, de 2013, é, por enquanto, o segundo filme do diretor americano Shane Carruth, depois de ter quebrado a cabeça de todo mundo com a matemática de "Primer" de 2004. Esse filme aqui é talvez até mais difícil. Eu só não compartilho da opinião: nada faz sentido! Ao contrário. Tudo me parece muito bem concatenado, ainda que eu - e 99% das pessoas - não consiga explicar o filme em sua totalidade. De difícil interpretação, é aceitável dizer que o casal protagonista foi submetido a uma droga experimental, testada também em uma criação de porcos (aproveitando as semelhanças de genoma). E essa droga produzia uma espécie de ligação que reforçava os laços de "animalidade" entre os dois seres, além de produzir danos nos corpos. Por isso a mulher passa a sentir a terra, o ar, a água, as plantas, de uma maneira diferente e especial, como um retorno à natureza, simbolizada diversas vezes ao mostrar a leitura dela, "Walden, ou A vida nos Bosques", um livro que é ao mesmo tempo uma crítica econômica, uma experiência sensorial, e um documento de amor à natureza. Num outro giro, enquanto estava sob os efeitos da droga (mostrada mais no início do filme), a mulher é roubada materialmente pelo "cientista". Porém, quando encontra o amor, ambos percebem que suas memórias foram confundidas, outro efeito da droga, e percebem que isso não pode ser normal, e tentam se refugiar um no outro. Ao mesmo tempo, há a captação de uma música, muito suave e constante, presente em todo filme (muito bonita, por sinal), que é fruto da percepção aumentada dos sons da natureza. Ao final, os porcos doentes, que sofreram a experiência, são descartados, e uma nova ninhada de porcos saudáveis nasce - recebendo posteriormente os cuidados do casal, da mulher, até de forma "maternal", pois um dos efeitos da doença foi ela não poder ter filhos - embora em determinado momento se imagine grávida (mas quem está prenhe na verdade é a porca! Ual, agora que me toquei! O que reforça o entendimento da ligação das espécies). Ufa! Que dureza! Lembro-me da frase clássica de Antonioni: "Explicar um filme é trai-lo". Mas se um dia alguém procurar por esse filme no Fórum, talvez meu caminho hermenêutico ajude a aclarar as ideias. Dito isso, um filme de montador, né? Dei a impressão que era um filme de roteirista, que estamos diante de um superoteiro, mas não acho isso mesmo. Acho um filme de Montador, como Carruth o é. Um filme feito basicamente na ilha de edição, juntando mil fragmentos e os espalhando ao longo da narrativa. Difícil, mas não impossível.
  2. Minha vez de ver "Hogar"/ A Casa, título espanhol de sucesso da Netflix, nesses tempos de Quarentena. Um passatempo, um entretenimento, um filme de resposta. Sua maior debilidade é o Roteiro - e não, como as pessoas apontam, as falhas de autópsia, por exemplo - é modificar - completamente do nada - o caráter do personagem principal. E, sub-repticiamente, creditar isso ao "desemprego" enorme da Espanha, também entre os mais educados. Socorro! Fotografia manjada de filme espanhol (que recentemente o crítico Dalenogare me respondeu dizendo que também pensa o mesmo); muitos cortes fáceis, o que deixa tudo confortável... Porém, um grande ator é um grande ator é um grande ator, faz diferença, eleva os projetos. Javier Gutiérrez está excelente. (OBS: Minha obsessão olímpica adorou ver em um filme a paixão dos espanhóis pela Ginástica Rítmica. Espanha, Prata no Rio 2016, na prova de Conjunto.)
  3. Hey, @Tensor, parabéns! Pode contar comigo, no que estiver ao meu alcance, para apoio e divulgação. Tema pertinente.
  4. Nova data para os Jogos: de 23 de julho a 8 de agosto de 2021. Em tese, mais um ano de preparação. Só que não tem competição de nada em 2020. Então é um enorme somatório de tempo perdido, e de abatimento físico. Droga!
  5. Revi "À Prova de Morte", esse trash de luxo, esse menos celebrado Tarantino. Não sei vocês, mas eu cheguei a vê-lo no cinema, não lembro o ano exatamente, muito depois do lançamento. Lembro de ter detestado. Como é o efeito do tempo...Hoje já gostei bem mais. Entendi melhor o filme. Seus dois segmentos, por trás da porralouquice, são quase uma conversa, uma dialética. Primeiro, as mulheres como vítimas. Depois, as mulheres em resistência, se vingando. E notei que há uma mudança de tempo sinalizada, por exemplo, pela capa das revistas nos cenários (Por exemplo, promovendo o filme "Maria Antonieta"), ou pelo figurino. Inclusive, tempo suficiente para as mulheres não serem vistas apenas como objeto sexual, aptas apenas a serem um cartaz sensual ou aptas somente a uma lapdance. Da primeira vez essa noção feminista me passou batida, creio. Continuo não gostando dos diálogos deste filme. Esticam-se demais, mas sem a mesma qualidade dos outros filmes. Como não comparar? Sua ponte temática com "Once Upon a time..." : O decisivo papel dos dublês nos filmes de ação. Tarantino assumiu a Fotografia neste filme. É notável como ele consegue assumir as rédeas, para desgastar, propositadamente, o seu próprio trabalho, esburacando a fotografia, arranhando, criando linhas, e defeitos de cor. O rebaixamento irônico de qualidade, in casu, é uma homenagem aos filmes B. Uma homenagem ao camp.
  6. Estreia de Milos Forman em sua carreira americana, e já começou chutandobundas, com esse filme sensacional chamado "Taking Off"/ Procura Insaciável, em 1971. Uma comédia maravilhosa que, distando 8 anos de "Hair", reflete sobre o embate de gerações: pais quadrados e filhos hippies. A história é simples: a filha de um casal careta, escondida dos pais, parte para fazer uma audição. Os pais entram em desespero quando a filha demora a aparecer, e entram, doravante, em contato com uma Sociedade de Pais de Jovens Desaparecidos. Desaparecidos não pela violência, mas simplesmente por quererem liberdade; quererem viver a vida de modo mais livre. Esse é apenas o fio condutor. Na primeira parte do filme, durante a audição, vemos Nina Hart, Carly Simon, e, surpreendentemente, uma jovenzinha Kathy Bates, arrasando no teste musical; enquanto outras meninas esquecem a letra, desafinam, ficam nervosas. As audições delas são entrecortadas com os pais pirando no telefone, nervosos em casa. A segunda parte do filme, já tendo os adultos,entrado em contato com a tal Sociedade que procura Jovens, nos brinda com uma cena fantástica: um longo tutorial de como fumar maconha! É que um dos pais, um advogado, propõe aos outros integrantes entender de verdade o mundo dos filhos, o quê de fato eles procuram. Então, de smoking e vestidos de gala, eles ouvirão instruções de como acender, apertar, e tragar. Logo depois, a liberdade esfumaçada começará a produzir efeitos... Em uma cena posterior ao tutorial, quando os adultos estão bem soltinhos, Forman recomendou aos atores que improvisassem uma longa cena de Strip Poker! Os atores, então, dão um banho! Notadamente, Lynn Carlin (indicada ao Oscar anos atrás por "Faces", de Cassavetes - um filme de mesma atmosfera) e Buck Henry, morto este ano, diretor indicado ao Oscar por "Heaven Can Wait". Brilhante roteiro e execução, uma ousadia tremenda da Nova Hollywood. Amei! Meu ranking Milos Forman atualizado: 1) Amadeus; 2) Um Estranho no Ninho; 3) O Povo contra Larry Flint; 4) Taking Off 5) Hair
  7. Vem da Argentina meu próximo livro (Meu não, de meu pai, com vestígios da leitura dele há décadas atrás). "O Túnel", uma novela de 1948, trabalho mais conhecido de Ernesto Sábato. Um pintor enlouquecido de ciúme. A posse física adoecida. Será ele de Escorpião, como yo?!?
  8. "Allegro non Troppo"/ Música e Fantasia, animação de 1976, do mestre italiano, Bruno Bozzetto. Pretende satirizar a ideia de "Fantasia" de Walt Disney, ao também imaginar animações para célebres peças musicais. O resultado é desigual. Alguns desenhos são muito inspirados como a criação da vida por meio de uma garrafa de Coca-Cola abandonada por uma nave espacial em um planeta desabitado, ao som de Bolero, de Ravel. Outras peças já não funcionam tanto. A que eu mais gostei foi a animação melancólica para Valsa Triste do finlandês Jean Sibelius, com um gatinho preto, só no mundo, que imagina um lar feliz, depois que os homens se destruíram. Muito tocante.
  9. Depois de ver "The Current War", fiquei com a impressão que a história do Nikola Tesla já tinha sido contada em uma narrativa, e pelejei pra lembrar, até que me ocorreu "O Grande Truque", com David Bowie no papel. Se lá o colocaram como um mero Coadjuvante durante o desenvolvimento da transmissão elétrica, aqui fizeram dele uma espécie de "cientista louco", próprio de ficção científica. Eu gosto bem desse filme. Mas acho que pelos motivos diferentes do que a maioria das pessoas. Amo o Design do Nathaw Crowley, um craque, indicado ao Oscar em 2007, que dá muito gabarito estético à essa trama elaboradíssima dos irmãos Nolan, muito mais avançada do que o do próprio livro em que é baseada. Amo o Figurino, amo a luz... Se todos os olhares se voltam em júbilo para as revelações à propósito do personagem de Christian Bale (para alguns sendo muito "na cara", para outros muito surpreedentes), eu parei para prestar atenção dessa vez mais no personagem do Hugh Jackman. E aí é que apareceram brechas de entendimento para mim, no que tange à "morte dos clones". Ou então são minhas próprias falhas de raciocínio. Bom, só queria dizer que acho o filme perfeitamente bem resolvido no que tange ao arco do personagem do Bale, tudo ali pra mim faz sentido. No caso do Jackman, alguma coisa pra mim não ficou muito "redonda". Tanto que se explica, de alguma forma, desnecessariamente, o truque do personagem do Bale ao final; mas não o do Jackman. Dito isso, acho a história, esse jogo de rivalidade, muito "dahora". Os atores estão bárbaros também. Meu Ranking Nolan: 1) Batman - The Dark Knight ; 2) Dunkirk; 3) O Grande Truque; 4) Amnésia; 5) Interstellar (o terceiro ato estraga implacavelmente toda a perfeição do segundo)
  10. Finalmente vi "Lili Marlene", filme de 1981, do grande Rainer Werner Fassbinder. O título é o mesmo da canção que embalou os soldados - do Eixo e Aliados - durante a Segunda Guerra Mundial, sendo, sem dúvida, a canção mais importante da Alemanha. Esse drama conta a história de amor de sua intérprete, que, corajosa, era apaixonada por um judeu, e não o abandonou, mesmo correndo grande perigo. A canção tornou-se um elo entre os dois, do mesmo jeito que servia de elo para os soldados no Front e suas famílias em casa. Se esse é o lado bonito da canção, ela também foi usada como propaganda do regime, já que caiu nas graças de Hitler. Essa manipulação da cultura é uma das denúncias do filme, principalmente quando o jogo vira, e tentam banir a canção. Fassbinder estava no auge da carreira, e conseguira um orçamento enorme para rodar esse filme. Dá pra ver. Há um clima de cabaré decadente, que só o diretor alemão consegue instalar. Além de um ótimo diretor, penso ser ele na verdade um grande encenador. Amo a iluminação de seus filme, seu conhecimento dos bares, seu conhecimento do métier dos artistas, a aparência de festa problemática. Mas, devo dizer, eu tenho sempre alguns problemas com a montagem de seus filmes. Aqui, então, é um disparate. Os cortes estão hiperbruscos. Quando não se vale de imagens de guerra costurando as cenas (tanques, bombas, fuzilamentos, etc), os cortes são simplesmente secos. Inclusive com saltos temporais sem nem pedir licença. Os atores são aquele (palavra masculina) entourage maravilhoso de sempre. Sua patota incrível, de todos os seus filmes, em uns filmes uns ficam com papéis maiores, em outros, menores, e tudo bem. Este conhecido elenco conta com o acréscimo feliz do italiano Giancarlo Giannini e, curiosamente, de Mel Ferrer. Ninguém filmou a Alemanha do período da Guerra como ele! Em sua visão, a política é apenas um empecilho para a consecução do amor - este um sentimento que vale mais do que a vida. Mesmo quando ele é doentio, ou impertinente. Procurei "Lili Marlene" por anos. Valeu a pena. Meu ranking Fassbinder atualizado: 1) Berlin Alexanderplatz (maior "filme" que já vi na vida, 15 horas); 2) O Medo Devora a Alma; 3) O Direito do Mais Forte é a Liberdade; 4) Lili Marlene; 5) O Amor é mais Frio que a Morte
  11. Minha vez de ver "The Way Back", novo filme de Ben Affleck, e novo filme do diretor Gavin O`Connor . Do Affleck eu não espero muito como ator, mas do Gavin O`Connor eu esperava mais como diretor, mormente depois do excelente "Warrior" ( e do bom "O Contador", e de lá do comecinho da carreira dele, ainda gosto de "Livre para Amar"). Comparando os dois filmes, sai o MMA, entra o basquete; mas a questão de um treinador alcoólatra continua. Bem como continuam os paralelos com a vida real: lá Nick Nolte, aqui Ben Affleck, ambos pacientes desse vício terrível, vítimas de dependência química. Há um detalhe que só quem tem vivência com a doença imaginaria: uma latinha de cerveja no suporte de shampoo! Esses detalhes, essas sutilezas, passam despercebidos, mas falam mais do que mil palavras. Porém, quem dera se o filme fosse composto por esses instantes de puro cinema. O roteiro é uma repetição de clichês do gênero: treinador sendo devolvido à vida por meio de seus atletas. Início perturbado de relação entre eles, depois a amizade, o reconhecimento. É assistível, mas é pouco diante do talento do Gavin. Ele deveria ter escrito o roteiro, assim como fez em "Warrior" e "Livre para Amar". A cena final, todavia, é outro instante de bom cinema: O caminho de volta será um caminho mais longo do que imaginamos. E solitário.
  12. Pois é, mande seu contato, inbox, @Jorge Soto!! @Big One, o Dalegonare me disse hoje que concorda com minha suspeita sobre a fotografia repetida dos filmes espanhóis, que, segundo ele, dá pra identificar a nacionalidade de longe... É tão bom ter um argumento de autoridade dizendo que aquela impressão não era maluquice minha!
  13. Não vou nem falar nada! Ah, vou. Eu amo tanto esse filme, tanto! "The Best Years of Our Lives/ Os Melhores anos de Nossas Vidas, grande vencedor do Oscar em 1947, com suas 7 bem dadas estatuetas, e mais uma em caráter honorário. As pessoas burras, 74 anos depois, reclamam que é longo, que é melodramático, que preferem o igualmente longo e melodramático - "A Felicidade Não se Compra" - Eu não! - o adversário natalino destacado daquele ano no Oscar - mas é que essas pessoas não enxergam o principal. A questão do filme é que o herói foi substituído pelo cidadão comum! O que é, em essência, a definição do Realismo, enquanto arte. O Realismo, como gênero, serve para mandar a mitologia passear. Pois bem, chegam os 3 militares e desembarcam na cidade esperando glórias, e só recebem o desemprego, a falta de emoção da rotina, a cidade alterada, a saudade do perigo, os transtornos mentais, a sensação de vazio, a namorada que lhe esqueceu...E precisam recomeçar! Do zero. Assim como nós teremos, depois desta guerra virótica. Por enquanto, seremos pequenos heróis; depois apenas cidadãos comuns, cheios de dívidas e cicatrizes emocionais. Em nome do realismo, colho alguns diálogos maravilhosos, históricos: "Ano passado era matar japoneses, neste ano é ganhar dinheiro"; "Dá para servir refrigerantes em qualquer cidade"; "Você se lembra?, na saúde e na doença; nos tempos bons e nos tempos ruins", "E quando é que chegam os bons?", e continua, um depois do outro. Tremendamente bem escrito. Tudo real, tudo tangível, vida comum esbofeteando a sua cara, assim como a longa fila do Cheque-Desemprego para o personagem de Dana Andrews. Mas a maior cena de todas é o ator mutilado de duas mãos, com um par de ganchos bem treinados, o canadense Harold Russell, se despindo na frente da namorada. Que cena é essa? AN-TO-LÓ-GI-CA! Um Oscar maravilhosamente bem dado a ele, que rouba o filme, além de ser, até hoje, o único ator a receber duas estatuetas pelo mesmo personagem na mesma noite: Ator Coadjuvante, e um Oscar Honorário, em virtude da inspiração que proporciona a todos nós. Das cenas mais bonitas do cinema ever! Teresa Wright, linda, um sonho. Myrna Loy, Virginia Mayo, maravilhosas. Fredric March, ótimo, seu segundo Oscar de Melhor Ator. William Wyler, também seu segundo Oscar como Diretor, depois do igualmente sublime "Rosa de Esperança". Este filme é a rosa esmigalhada! É o Sonho Americano em plena autocrítica, traumatizado, sem inimigos externos, só internos! E Wyler ainda teria uma corrida de bigas pela frente...
  14. Tô fugindo desse papo ruim. Ontem, Big, GUST84, e eu, ficamos de prosa, em live do WhatsApp, só a respeito de cinema. Festival de sotaques.
  15. Dando desde já uma tremenda banana aos censores virtuais, essa gente carniceira de quinta categoria, conferi o novo trabalho de Roman Polanski, "J`accuse"/ "O Oficial e o Espião" . É um drama histórico. Propõe-se ser um estudo minucioso do famoso Caso Dreyfus, baseando-se em livro e roteiro do inglês Robert Harris ( autor de "O Escritor Fantasma"). A reconstituição de época (Design de Jean Rabasse - indicado ao Oscar por "Vatel"), os figurinos, toda a parte visual, são grandiosos, em tudo falando "épico". É um filmão, cheio de cenários, cheio de pompa, cheio de circunstância. Mas para mim fica evidente que veio de um livro. É muito detalhista na descrição abjeta das tramas do exército francês daquela época para envolver criminosamente o capitão Dreyfus. Conta-se a história tintim por tintim, o que, em cinema, pode ser meio cansativo. Mas...surpresa...quando se chega ao final, e sabemos que historicamente o final é "feliz", eis que...O filme acaba! O que seria a recompensa do espectador de ver finalmente a consecusão da Justiça, o filme acaba! Não gostei muito disso. Mas saúdo a inteligência de tirar o foco do escritor Émile Zola, cuja ação importantíssima no caso aprendemos até no colégio, e centrar-se na figura do Major Picquart, vivido com sobriedade e competência por Jean Dujardin. Aliás, quem fala mal dele como ator, poderá aqui vê-lo em grande atuação. Extirpa seu viés cômico, e seu jeitão de galã, atuando com muita economia, mas altivez. Lindo trabalho. O título internacional, ao emparelhar as duas figuras, e deixar para lá o notório artigo jornalístico, também vai nesse mesmo sentido feliz de fazer prevalecer a relação dos dois homens, os únicos do exército que não tiveram medo da verdade. O mais importante do filme, no entanto, não está no filme, está fora do filme. Quis escrever a palavra filme várias vezes. É que tem gente preocupada demais com a vida real. Porra, deixa eu ver o filme! Polanski, aos 86 anos, faz claramente aqui um paralelo de Dreyfus com sua própria vida. Ambos sentem/sentiram a sensação de serem perseguidos pelo antissemitismo, e também, doravante, pelo mecanismo judicial, bem como pelas execuções sumárias, virtuais, apressadas, do populaxo sempre às portas do tribunal (e distante das provas). Meu Ranking Polanski contudo permanece inalterado: O Pianista - Tess - Chinatown - O Bebê de Rosemary - A faca na água.
  16. OLIMPÍADA DE TÓQUIO FINALMENTE ADIADA PARA 2021!!!! *Contudo o nome oficial, a logomarca, os banners, os edredons da vila, seguirão com o nome Tóquio2020! *Pela primeira vez uma Olimpíada adiada, as outras tinham sido canceladas. *Primeira em ano ímpar. *Tocha olímpica ficará acesa até lá. Não tinha o que fazer.
  17. "I Saw The Devil"/ Eu vi o Diabo. Filme coreano de 2010, que poderia ficar assentado apenas em ser uma espécie de "pornô da violência", mas é tão bem construído, tão maravilhosamente bem fotografado, tão bem montado, tão bem dirigido, tão bem atuado...O que faz o Choi Min-Sik aqui? Um filme excelente, mas que não é pra qualquer um. A cena que eu mais gosto? Difícil apontar, mas a do "picadinho" no carro é incrível.
  18. "El Hoyo"/ "The Platform"/ O Poço é uma distopia que chegou ao primeiro lugar nos filmes mais vistos da Netflix Brasil no último final de semana. É uma alegoria sobre desigualdade social, que, diferente de seu parente "Snowpierce", muda o eixo, concentrando-se em ser uma viagem vertical. Um Design de produção excelente, que, eu diria, tem muito do engenho do teatro, mas que serviu perfeitamente à história em seu mecanismo principal. A Fotografia...eu já falei aqui, que todo filme espanhol me parece igual...Não lhes parece? Não sei dizer a razão. Me ocorreu agora que Almodóvar trabalha com o brasileiro Affonso Beato (Tudo Sobre Minha Mãe, Carne Trêmula), por exemplo. Ou com o marroquino Alcaine (A Pele que Habito, Volver, Dor & Glória, Mulheres à Beira de um Ataque de Nervos, Má Educação). Quanto ao roteiro em si, é uma defesa romântica do socialismo - sendo o personagem principal inspirado claramente em um Dom Quixote (que enlouqueceu com tanta literatura), de caráter social. A mensagem da repartição dos bens aos mais desfavorecidos é passada eficientemente pelo filme. Mas eu, como sou um liberal clássico (na economia e nos costumes) só tenho uma pergunta aos incaultos por trás da câmera: "Quem produziu a comida?". A produção vem antes da distribuição, não o contrário.
  19. Mandei meu número. Inaugure o Fórum Cinema em Cinema do app.
  20. Não consulto nenhum site há 3 dias, pra você ter ideia. Um meteoro seria muito bem-vindo.
  21. Para mim que sou solteiro, meus pais (idosos) vêm em primeiro lugar. Estou instalado com eles, desde que as coisas ficaram mais graves. Embora haja algumas desavenças irritantes por eles serem teimosos e não verem perigo em nada, a verdade é que sou muito privilegiado. Estou em uma casa gigantesca (4 mil metros quadrados - que leva o apelido social de "fazenda"), com piscina, quadra (onde posso pelo menos correr), animais, um grande jardim que me consome energias, e encarregado de todos os trabalhos domésticos mais puxados (pois os funcionários estão em casa). Meus amigos que moram em apartamento estão começando a enlouquecer, e, confessadamente, já pegam o carro para rodar a cidade - vê-la ainda que da janela. Objetivamente vou bem, mas a cabeça contudo vai mal: sem meus amigos do rock, de cervejada; sem sexo ( Por que ninguém fala disso? Interditado para os solteiros - o que é um pesadelo para os escorpianos puros...); consciente que a vida comunitária, como a conhecíamos, terminou. É-me intolerável ler as notícias. Não aguento mais saber desse turbilhão de desgraça.
  22. O que menos importa na história de "In a Lonely Place"/ No Silêncio da Noite, clássico drama Noir dos anos 1950, é o aspecto policial. O romance entre os dois protagonistas é que será posto em investigação. Com diálogos espertíssimos, e atuações excelentes, Humphrey Bogart e Gloria Grahame, antes de seus Oscars, nos prendem a atenção, e destilam rajadas de humor cínico não só diante da injusta investigação policial, como também ao mundo do cinema daquela época ( comparando cineastas formulaicos a vendedores de pipocas). Como se sabe, Gloria era casada com o diretor Nicholas Ray na época deste filme, e o trocaria, 8 anos mais tarde, pelo enteado - com quem se casaria, num grande escândalo. Será que na cabeça do diretor, já naquela época, havia também alguma dúvida sobre o amor?
  23. Estava eu ontem lendo as primeiras páginas desta seção do Fórum, lembrando de vários colegas que não estão mais aqui, rindo das discussões seríssimas que se faziam aqui, veneno contra veneno, testemunhando como o @Jorge Soto vê essa quantidade colossal de filmes desde aquela época, e então esse filme surgiu como unanimidade entre os usuários. Eu o perdi na época, embora tenha sido premiado em Cannes 2011, e feito uma bela carreira internacional. "Des Hommes et des Dieux"/ "Of Gods and Men"/ Homens e Deuses é realmente esplêndido! Filme de adulto é outra coisa, heim? Xavier Beauvois conta com muita contemplação e delicadeza a história verídica de 8 monges instalados nas montanhas da Argélia nos anos 1990, que ficam entre a crueldade de um grupo extremista islâmico e o exército do país, ainda confessamente magoado pelo colonialismo francês. Acompanha-se a rotina dos monges, seus atos de fé, sua amizade, seus medos, seus estudos do Corão para entenderem-se melhor com a comunidade local, suas angústias pessoais, tudo de uma maneira muito lenta, mas é essa lentidão que transmite justamente a paz, a seridade do trabalho, a fortaleza da fé. Ao final, o espectador paciente será presenteado com uma cena inesquecível, uma "última ceia" ao som de O Lago dos Cisnes de Tchaikovsky, quando os monges não precisarão falar nada, só aceitarem seus destinos. Os colegas de 2011, fundadores do Fórum Cinema em Cena, que tanto me ajudaram a refinar meu gosto cinematográfico, estavam certos: Maravilhoso!
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