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Forum Cinema em Cena

Noonan

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Everything posted by Noonan

  1. Bem, primeiramente, obrigado a todos pelos elogios. Agora, sobre a questão história x imagem: concordo com tudo o que o Dook e o Silva disseram. Uma vez eu falei no tópico do Spielberg que boa parte da força de uma história vem do modo como ela é contada, e considerava o diretor um dos melhores nesse quesito. Acabaram citando Encurralado, que eu não tinha visto na época. Pois bem, tive a chance de assisti-lo recentemente, e isso só serviu para reforçar minha visão. É impressionante o número de pessoas, mesmo entre cinéfilos, que dá uma importância imensa à história do filme e desconsidera o modo como ela é contada. Queria ver essas pessoas vendo Encurralado; dizer que o filme tem um fiapo de história já é ser generoso... no entanto, é uma das coisas mais tensas que já vi na vida, e um dos melhores que já vi do Spielberg. Outro exemplo: Amnésia. História simples e banal de vingança. Mas por que o filme é tão elogiado? Pelo modo como essa história banal foi contada, pelo modo como foi editado. Mostrar tudo na ordem inversa a) nos coloca na mesma situação do personagem e consegue a façanha de transformar o que seria um mero detalhe do início em uma revelação final de tremendo impacto. Basicamente é isso. A indagação principal que o diretor faz a si mesmo não é "que história vou contar?" e sim "como vou contá-la?" - e é aí que entram imagem e som, as essências do cinema. Se Sergio Leone se preocupasse apenas com a história, e não com a forma, Era uma Vez no Oeste teria uma hora e meia de duração e provavelmente não seria tão aclamado. Se Kubrick fizesse o mesmo com 2001, teríamos um curta-metragem - isso se tivéssemos alguma coisa. E tudo isso se aplica a Herói. Yimou tinha em mãos uma história - também simples e clichê - de três assassinos que querem matar um rei, até que um deles percebe que o crime poderia não ser uma atitude muito inteligente. As coisas vão se desdobrando e todos terminam por morrer heroicamente. Como contar essa história? Que tal contá-la três vezes para mostrar uma espécie de evolução dos três personagens? Que tal contá-la de forma que possamos fazer um dos filmes com visuais mais belos de todos os tempos? Enfim, essa é a minha opinião. E acho que o exemplo envolvendo Picasso já disse tudo.
  2. Recomendo o impressionante Kanojo to kanojo no neko, de Makoto Shinkai, curta em animação de pouco mais de 5 minutos. (com legendas em inglês)
  3. Concordo. Mas acho que só na 3a. Temporada mesmo' date=' pois os filmes desta segunda já foram fechados.[/quote'] Sim, é para a terceira fase mesmo que estou sugerindo.Noonan2007-03-25 23:45:42
  4. Comentário duplo: Sobre Laranja Mecânica - Crítica magnífica do Lt, esmiuçou muito bem alguns aspectos que geralmente são deixados de lado, fugindo um pouco das "discussões primordias" levantadas pelo filme. Bem, não há muito mais o que dizer... É impressionante como cada cena de Laranja passa a impressão de que não poderia ter sido feita de outra forma: a briga em câmera lenta entre Alex e seus drugues, toda a cena em que ele é escolhido para participar do tratamento Ludovico (a música que toca, aliada ao que acontece na tela, gera um efeito irônico e engraçadíssimo), e qualquer outra - iria descrever o filme inteiro aqui, se continuasse. Barry Lyndon - O Enxak captou o cerne do filme; ele não é só visualmente belo, é um estudo interessantíssimo sobre a condição humana, como deixa bem claro a frase final (que é uma porrada - e das fortes - na cara, aliás). É uma história sobre as decisões que tomamos, os motivos que tivemos para tomá-las e o peso que elas terão no futuro. E, como de praxe nos filmes do diretor, deixa o espectador inquieto e cheio de pontos de interrogação na cabeça ao terminar. Para mim, uma das quatro grandes obras do diretor (as outras são 2001, Laranja e Dr. Fantástico).
  5. Essa discussão acerca do idioma do filme está sendo surreal. Se formos levar a língua em conta, precisaremos jogar fora Ben-Hur, Amadeus, A Última Tentação de Cristo... Ficar se concentrando em aspectos irrelevantes como esse é, como diria Bernardo Krivochein, síndrome de ovopelismo.Noonan2007-03-24 19:02:47
  6. "Mesmo sendo com Cage" não... a atuação de Cage em Adaptação é excepcional. Aliás, acho esse filme o melhor da década até agora.
  7. Comentando o que não comentei: A Morte Passou por Perto: acho bem mediano. No entanto, como o Dan disse, lá já se pode perceber alguns traços de um gênio ainda em formação. Nascido para Matar: sim, acho a primeira parte melhor (Pyle ), mas creio que deveríamos lutar contra esse costume de se falar do filme como se fossem dois. Como o Fox disse, a primeira parte não faz sentido sem a segunda (se Nascido só retratasse o treinamento, ia sobrar um grande "Tá, e aí?" na cabeça do espectador ao final); e a segunda parte não funciona sem a primeira. Aliás, o contrato de R. Lee Ermey para representar o sargento Hartman deveria ser emoldurado e exposto num museu. Dr. Fantástico: genial, uma das obras-primas do Kubrick para mim - há dias em que chego a considerá-lo melhor que Laranja Mecânica. E concordo com o silva: é um dos filmes mais ácidos e irônicos de todos os tempos. E ainda por cima é incrivelmente engraçado. Ah, e o contrato de Peter Sellers também deveria ser emoldurado. O do Nicholson e o do McDowell também, antes que eu me esqueça.
  8. Pô, vocês têm que ver mais animes...
  9. Crítica fantástica para aquele que é, na minha opinião, o melhor filme de todos os tempos. O Alexei foi realmente direto e se concentrou nos aspectos principais do filme e numa das poucas partes em que a maioria das interpretações batem: o ser humano se libertando dos limites físicos que sempre lhe foram impostos. Uma coisa que o Ciccarini falou na Moviola dele sobre 2001, e que eu achei extremamente interessante, foi que essa questão da libertação poderia se referir não só ao ser humano como também ao cinema: o cinema se libertando de amarras como a obrigação de agradar a todo mundo, investir sempre na mesma fórmula, e assim por diante... 2001 é um filme bastante incomum, afinal, tanto em sua construção narrativa quanto em conteúdo (como disse o Foras, "sobrecarregar o espectador" provavelmente não era algo que preocupasse Kubrick, especialmente depois desse filme), não esquecendo a liberdade interpretativa que é dada a quem assiste. Enfim, obra-prima.
  10. Crítica excelente, excelente, à altura do filme (aliás, esse é um dos poucos filmes cujo título nacional foi bem feliz, mesmo não sendo uma tradução literal do original - ou uma repetição, no caso). Mas, no fim das contas, acho que não tenho nada a acrescentar ao que já foi exposto.
  11. Acabo de assistir ao primeiro episódio de Noein. Bem interessante, me deixou com vontade de ver os próximos.
  12. Excelente crítica do Foras... talvez o Kubrick pare de assombrá-lo, depois dessa. Vou comentar alguns pontos. 1. Discordo da primeira parte, que Nicholson tenha sido a escolha errada para o papel. Muito pelo contrário, ninguém mais conseguiria interpretar Torrance - é só ver o sofrível Steven Weber, na versão de 1997. Mas concordo com a segunda. Não que Nicholson tenha "cara de louco" desde o começo, mas a mim ele não inspira confiança, por assim dizer, desde o primeiro minuto em que aparece na tela. No entanto, admito que isso talvez se deva ao fato de ter visto o filme após ler o livro, ou seja, tendo consciência do que vinha pela frente. De qualquer maneira, a impressão ficou e sempre que vejo o filme me parece que o personagem já não está totalmente são desde o início. 2. Sobre toda a questão sobrenatural do filme. Vejo muita gente dizendo que O Iluminado nunca deixa claro se ocorreram eventos sobrenaturais na história, ou os fantasmas foram simplesmente imaginação de Jack... e discordo completamente. Ora, lógico que existiam fantasmas no Overlook - Danny e Wendy também os viram; e lógico que há a porção sobrenatural - Danny é "o iluminado", Halloran ouviu o "chamado psíquico" do garoto a quilômetros de distância, e assim por diante. Para mim, a grande sacada de Kubrick é deixar no ar a questão se o Overlook foi mesmo o "culpado" por tudo o que aconteceu. Foi mesmo por causa dos tais fantasmas que Jack ficou louco? Ou ele teria ficado de qualquer maneira? Ou os fantasmas foram apenas uma desculpa bem-vinda? Afinal, Grady e os outros dizem a Jack exatamente o que ele quer ouvir, na minha visão... É como se Jack quisesse fazer tudo o que fez, mas estivesse esperando que alguém o incitasse a fazer, para depois poder se justificar - "Foi ele que mandou". E sim, Danny é inútil na trama do filme. Na verdade, mesmo no livro Jack rouba a cena e o próprio King percebe isso... ele faz os porquês da história girarem ao redor de Danny, mas concentra a maior parte do livro em Jack. 3. Sobre Halloran. Bem, eu não sou muito fã do final do livro exatamente por causa de Halloran (ele chega, salva Wendy e Danny, os três fogem e o hotel explode com Jack dentro). Fica aquela impressão de deus ex machina, de que o final poderia ter sido melhor mas King ficou com preguiça, depois de já ter escrito bastante. Mas Kubrick é um diretor que nunca se rendeu ao óbvio. E, em O Iluminado ele não só foge do óbvio como faz uma piada com ele - e para isso Halloran está no filme, na minha opinião. O cozinheiro, também iluminado, que aparece no início do filme, recebe o chamado do garoto e atravessa o país para salvá-lo. Isso pode não incomodar muita gente, mas o espectador que conhece Kubrick se pergunta "Pô, Stanley, você vai se render a uma saída tão fácil?" E Halloran, depois de sua jornada, que aliás tomou alguns minutos do filme, chega ao hotel, heróico... e morre! Morre sem cerimônia alguma, inclusive. Chega, leva uma machadada e acabou. Para mim, isso é Kubrick fazendo piada com o óbvio; logo no início, Halloran diz "Me peça ajuda, se algo ruim acontecer", e é um filme de terror, logo algo ruim irá sim acontecer. Desde o começo, o espectador já supõe que Halloran reaparecerá, para salvar o dia. E aqui está o reaparecimento. Talvez Kubrick tenha tido a intenção de zoar a cara do King, também, não sei. Para mim, foi genial, de qualquer maneira. 4. Sobre as cenas de horror "inúteis". Discordo totalmente dessa parte da resenha. Cinema é primordialmente imagem, e Kubrick sabia disso. Eu acho válido quando um diretor foge um pouco do enredo, ou da lógica, para criar uma cena visualmente bonita, ou perturbadora, no caso. Dessa maneira, se, para criar cenas como a primeira aparição das gêmeas, ou a do quarto 237, que são antológicas, Kubrick deveria deixar um pouco de lado a "relevância que elas teriam à trama", para mim está ótimo. Afinal, tais cenas, mesmo que não acrescentem nada ao enredo do filme, acrescentam muito à sua eficácia em deixar quem assiste perturbado. E, para mim, nesse caso, isso é o que importa. 5. Sobre a tomada final, para mim aquilo é uma espécie de generalização. Jack, o Jack pré-Overlook, é basicamente como qualquer um de nós, e qualquer um de nós é como o Jack pré-Overlook. "O zelador sempre foi você", diz Grady. Sempre pessoas como você. Pessoas normais. Será que todos nós não deixaríamos aflorar nosso desejos mais escondidos (no caso de Jack, a dominação sobre a mulher e o filho) em uma situação propícia - isolamento + uma "justificativa"? É essa a pergunta que sempre me fica na cabeça quando sobem os créditos. E isso é o cinema de Stanley Kubrick.Noonan2007-03-19 14:08:44
  13. Ótima resenha do lt, que abre espaço para várias discussões interessantes sobre o filme. Amanhã irei revê-lo, e então comento mais.
  14. No início eu também pensei que o Venom fosse ser um mero gancho para o quarto filme, e que a cena mostrada no trailer fosse ser exatamente a última. Mas depois, pensando sobre o caso, mudei de idéia. Toda a equipe vem falando há tempos que tudo o que foi deixado em aberto será concluído nesse filme (embora a possibilidade de seqüências seja mantida, lógico)... e fazer uma propaganda enorme em cima do Venom, mantendo durante meses o mistério sobre se ele apareceria ou não e como seria a sua aparência, para no fim das contas transformá-lo num gancho seria pedir a revolta coletiva. Além disso, no IMDb a duração do filme consta como 156 minutos... ou seja, longo o suficiente para desenvolver toda a questão de Peter e o simbionte e inserir Venom nos quarenta ou trinta minutos finais. Por isso, sim, creio que teremos um combate entre o Aranha e o Venom.
  15. É... há alguns meses eu tinha decidido que veria Fear and Desire, custasse o que custasse. Mas não achei o filme pelos meios alternativos.
  16. Noonan

    Bush

    E para variar, começam as generalizações e radicalismos.
  17. O pior é que a síndrome de underground não vitima apenas cinéfilos...
  18. Antes do Pôr do Sol é do Linklater, Enxak.
  19. Noonan

    Bush

    O problema é que a maior parte dessas pessoas que estão "protestando" o fazem só pelo gosto da baderna ou porque está na moda ser anti-Bush...
  20. Achei o trailer bem melhor, sinceramente.
  21. O vídeo pode ser visto agora no site da NBC.
  22. Lt, não acha que seria melhor ordenar os filmes cronologicamente?
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