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Forum Cinema em Cena

The Deadman

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Everything posted by The Deadman

  1. A Centopeia Humana 2 - Full Sequence - 4,0/5,0 Acho que estou pirando ou meu gosto filmíco está entrando em colapso, porque essas são as duas únicas explicações que me ocorreram quando me vi, inesperadamente e surpreendentemente, gostando (muito!) desse filme. Será que vi o que ninguém viu? Será que encontrei correlações psicológicas (até óbvias), signos que ninguém mais viu? Será que só eu vi a metalinguagem auto-ironica, cínica e politicamente incorreta do realizador? Será que só eu vi a brilhante construção fotográfica e cênica desse conto de horror? Será que só eu vi o capricho dos efeitos gore, efeitos práticos e realistas e não a porcariada em CGI que tem inundado os filmes de horror? POTAQUEPARIU!!!! Que filme doido. Literalmente. Uma viagem tresloucada e pervertidamente doentia orquestrada por Tom Six. Um dos filmes mais doentiamente perversos e bizarros que vi em muito tempo. E belamente filmado. A ambientação suja, feia, depressiva, clautrofóbica ajudada pela fantástica performance de Lawrence R. Harvey como o desequilibrado Martin torna esse filme uma peróla do sub gênero torture porn/horror... E definitivamente, o filme é dele. É ele (Martin). Desde já um dos vilões mais escrotos, doentios, vis, sinistros e filhos da puta de todos os tempos. Medo... É... Acho que pirei. rs PS: a referência a "Psicose" é chocante e muito boa.
  2. Ahhh... Como fui ver sem expectativa alguma e achei o filme competente por entregar o que promete, gostei bem. Mais ainda pela atuação do Schwarza e pelas presenças femininas mais que interessantes de Mireille Enos e Olivia Williams. Além disso não enche linguiça, tem duração enxuta de 107min. Mas realmente é esquecível.
  3. SABOTAGE - 4,0/5,0 Competente e enxuto filme policial nos moldes de "Dia de Treinamento" (não à toa, o diretor é roteirista deste) que traz Schwarza como o líder de um grupo de elite do DEA que mete os pés pelas mãos e por conta disso começam a ser caçados one by one devido a treta que envolve um cartel Mexicano/Guatemalteco. E tome muito balaço na fuça, ação, paranóia e uma reviravolta até interessante mas que resulta numa conclusão borocoxô (que poderia ter sido grand finale), meio anticlimático até (talvez devido a situação do personagem pode-se até argumentar que não havia outro modo dele terminar de outro jeito, optando por outra saída. Enfim...). Destaques pra um Schwarza mandando bem e acredite, crível dramaticamente (pra idade, tá inteiraço), além da edição de som e pros efeitos (principalmente no gore e nos efeitos dos tirambaços). Entretem na medida.
  4. Under The Skin - 3,0/5,0 O Pablo Villaça dá uma viajada legal na interpretação do que se vê e esquece convenientemente de alguns pontos importantes (do "auxiliar" misterioso, do tempo em cena do personagem de Pearson, da natureza do que a criatura efetivamente faz com as vítimas e porquê etc. Enfim...), mas no geral tive a mesma impressão sobre a mensagem da obra: uma crítica, uma história sobre as aparências e o que realmente vai under the skin, das motivações e das consequências as quais estamos sujeitos quando aprendemos, mudamos ou simplesmente decidimos arriscar sair do script, do status quo vigente ou do que estamos acostumados a fazer ou do que esperam que façamos. De qualquer forma, por mais que tenha seus momentos tenebrosamente belos e seja fodasticamente carregado nas costas pela protagonista, a história e a narrativa pretensamente cult de Glazer não deixa de ser arrastada, forçada até; não sendo suficiente para torná-lo um bom filme. Ganha 3,0 pela interpretação e coragem da Scarlett de, literalmente, se despir e pela sequência bizarramente bonita e incômoda do "Encontro no Limbo Negro". Veja por sua conta e risco (ou se estiver com insônia: é excelente pra pegar no sono rapidinho. ). Em minha opinião ficaria beeeem melhor se fosse um curta metragem, mas... PS: a trilha desse filme é uma das mais chatas e irritantes que ouvi em anos!!
  5. The Raid 2 Berandal - 4,0/5,0 Enquanto o primeiro primava pela violência e coreografias caprichadas das lutas, inseridas numa trama enxuta, direta, do embate de um pequeno grupo de policiais que se veem presos no ambiente claustrofóbico de um prédio dominado por uma gangue sanguinária; aqui temos uma trama mais shakespeareana, mais "corleonesca" e mais desenvolvida (o filme tem 150 min) não limitada apenas a um ambiente, mas agora por toda uma cidade dividida entre 3 gangues rivais e, no meio desse imbróglio, dessa guerra, o oficial Rama do filme anterior que tem uma missão bem mais difícil agora. O filme anterior é uma pérola e esse aqui tem seus momentos também. Só não ganha a nota máxima porque o outro tinha um quê de frescor e da surpresa de um ótimo filme de ação/luta vindo lá da terrinha do muay thai, quase uma aula de como fazer um filme tenso e "agressivo" na medida, sem contar as situações mais cabulosas e criativas que vi num filme de ação há muito tempo. Além disso, reaproveitam um ator que morreu no anterior de maneira desnecessária (tudo bem que aqui ele faz outro papel, numa outra caracterização, mas... não precisava mesmo). Há também uma bem vinda escalada da porradaria e de brinde algumas cenas em evidentes homenagens à filmes que vão de "Operação Dragão", "Old Boy" e até à "O Poderoso Chefão". PS 1: preste atenção na carnificina empreendida pela "mocinha dos martelos" dentro de um vagão de metrô enfrentando 8 marmanjos... PS 2: ... assim como na cena do confronto final entre Rama e o carinha dos punhais com lâminas em forma de foice... Quem gostou de "Operação Invasão" pode conferir sem medo algum, pois o filme mantém a pegada. PS 3: acabei de descobrir que não tem nada de Taliandia e nada de muay thai... A parada é da Indonésia e a arte marcial é pencak silat.
  6. "Hater do Omelete"?????!!! kkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkk Você não tem a mínima ideia do que eu sou, Tetsuo... Achou bobagem o que escrevi? Argumente.
  7. X-Men: Dias de Um Futuro Esquecido - 2,5/5,0 Que filminho picareta...! Lá pro meio cheguei a quase levantar e sair dada a quantidade de furos e das situações mais sem pé nem cabeça, sem respeito algum à lógica e a cronologia dos eventos dos outros filmes antecessores. O roteiro desse filme é horroroso. Ganha nota 2,5 por: 1 - Mercúrio detonando na cozinha do Pentágono. Cena linda!! 2 - Magneto erguendo o estádio. 3 - A violência do longa. Bryan Singer não poupa e mostra de desmembramento à decapitação de personagens... Putz! De resto, lixo. Disparado o pior da série até agora. Uma pena.
  8. Desculpe-me Adler, mas cá entre nós, seus argumentos estão bem confusos, hein?! De qualquer forma, vimos filmes diferentes. Você está supondo coisas e circunstâncias (não mostradas no filme, diga-se de passagem) para justificar ações e desdobramentos e eu, supondo outras para criticar (não o filme, note) essas mesmas ações e desdobramentos. Sobre poderem ou não poderem "sumir", acho que não me fiz entender direito. Estou dizendo exatamente o que você concluiu: os OS não são hardware, são software. Logo, precisam do hardware para se manifestarem e existirem. Se precisam do hardware para existirem, como podem simplesmente "ir embora"? Ir embora para onde? Se o grande "salto" na evolução deles foi justamente terem travado contato com o "mundo exterior" por que ficariam escondidos "dentro da rede" sem se manisfestar??! Em que sentido continuariam evoluindo consumindo e processando dados da rede? Sinto, mas além da maluquice e bizarrice da história, triste e linda de Theodore e Samantha, o tchan mesmo é a pergunta final: o que aconteceu com os OS's? E essa só pode ser respondida no campo das conjecturas. As suas, sorry, não me convenceram e não fazem sentido.
  9. Desculpe, mas ñ entendi direito seu primeiro argumento... SE o "sistema social" (ñ sei ao certo se entendi direito o que vc quis dizer com esse termo) é o mesmo que o nosso, como assim "...as relações sociais e as suas trocas podem estar sob outras leis." ???!!! Se estão sob outras leis, o "sistema social" ñ seria o mesmo que o nosso, ora bolas!!! Você está supondo coisas sem muito sentido. Aliás, forçando a barra mesmo. Ñ faz sentido algum imaginar um mundo onde as pessoas adquiririam um produto sobre o qual não tem nenhum controle ou direito. Isso ñ seria legal e muito menos ético. Ñ consigo abstrair um mundo futuro onde isso fosse possível e viável. Até porque SE os desenvolvedores estivessem prevendo isso, ñ lançariam o OS1, pelo simples motivo de que incorreriam em pouco tempo em falência e em multas e processos milionários. Simplesmente ñ faz sentido essa ideia. Um OS teoricamente não poderia "sumir", Adler, porque na verdade, tem um corpo, sim: seu hardware. O correto é dizer que ñ tem um corpo "humano". Os OS's são uma manifestação de um programa locado e em evolução dentro de um sistema, de uma máquina. Se eles sumiram, sumiram pra onde??!!! Se "esconderam" em alguma "nuvem" da rede? Se tornaram um vírus? Uma inteligência onisciente na rede à espreita? À espreita do quê?? Pra quê? (Skynet???! rsrsrs ) Bizarro...
  10. kkkkk Pois é... Isso mesmo. Vão embora, mas... Embora pra onde? O que realmente significou esse "...estamos TODOS saindo..."?!? Quê "todos" são esses uma vez que o sistema provavelmente trabalhava em rede e era um e todos ao mesmo tempo?! Essa divisão de personalidades e comportamentos inteligentes e sempre "evoluindo" são aspectos simplesmente assustadores e bizarros; para mim, muito difícil de compreender... Além disso, detalhezinho: se eu comprei um OS e ele "sumiu"... Processo em cima do fabricante!!! Acredito que seria um caos! Isso nem de longe é mencionado (tá. Não era esse o foco do filmes, mas... e aí??!)
  11. EVIDENCE - 3,0/5,0 Na onda das indicações do Soto para os mockumentary films peguei esse pra ver ontem e... Caralho. Esse filme simplesmente criou um novo gênero... O gênero whatafuck ou whatahell movies!! Que filme maluco!!! Apesar das interpretações honestas e da filmagem tosca criarem uma situação nonsense e alucinante de terror, de confusão e de desespero total, não tem como o fator whatafuck (cada vez mais whatafuck...) acabar por enfraquecer o filme. Menos mal que tem apenas 78min. Recomendado para quem quiser sentir desespero e ficar perdido quiném as meninas ao final do filme em meio à uma situação desesperadora e sem saída. Quem for procurar por "sentido", nesse aqui vai se estrepar de terno e gravata borboleta.
  12. Exato. Acho que apenas eu me identifiquei com essa personagem no cinema... Tanto que meu "ponto de vista" foi todo sentido e construído pelo olhar de estranhamento e incômodo dela. Não sem, é claro, me emocionar e ficar "sentido" com o drama de Theodore.
  13. Carai... Ninguém aqui se importou/ficou encafifado com o "grande mistério" ao final do filme?!?! Alguma teoria? Algum achismo?! Alguém...? Hein!? Ninguém?... [mode on Prof Economia de "Curtindo a Vida Adoidado"]
  14. Poxa... Ninguém aqui se importou com o grande "mistério final" do filme??! Só eu...rs Big, sabe o que mais me chamou a atenção (tristemente): é que a maioria das pessoas não se espantava ou horrorizava ao saberem que ele namorava um sistema operacional... Isso me soou aterrador, tristemente aterrador.
  15. her – 4,0/5,0 “Ela é mero exercício intelectual do diretor...” – by João Nunes p/o “Correio Popular” ¬ Campinas SP “...fabuloso trabalho dirigido e escrito por Spike Jonze...” – by Pablo Villaça CeC. Após o fim da sessão, ainda estava confuso e sem saber ao certo o que pensar (palavra escolhida à dedo) sobre o filme. Após algumas digressões básicas com minha namorada (não sem divergências gigantes sobre certos aspectos) me peguei surpreendentemente com a percepção crítica de que é um filme extremamente bonito e triste, mas não pelos motivos alardeados pela maioria esmagadora das críticas positivas, mas mais pelo cenário, pelo contexto humano (ou desumano) das relações atuais e, premonitoriamente quiçá, de como será nosso futuro, não muito distante... Acabei enxergando o filme como uma crítica sensível e ácida sobre o que é o Amor, sobre nossos sentimentos e sobre as nossas relações com as pessoas, coisas e nossa “vida interior”. E acredito que se enganam aqueles que pensam que Jonze não toma partido ou não esteja fazendo juízo de valor, criticando mesmo certas circunstâncias e ações de personagens e do mundo que retrata em “Ela” (que tradução de título mais idiota...). Resumidamente: um mundo de pessoas hiperconectadas mas, cada vez mais solitárias e perdidas, um mundo onde existe uma start up que redige cartas de “amor e carinho” pelos clientes (??!) que por sua vez tem apenas o “trabalho de passar seus dados e do(s) destinatário(s)"... Um mundo cada vez mais “perto” (informações de TUDO em tempo real à mão em milésimos de segundo e, notem, como é fácil e rápido viajar da praia às montanhas tomando um trem), mas cada vez mais distante (Theodore esta quase sempre “deslocado” nas paisagens ou contemplando-as de longe...) ao ponto do “vazio existencial”, a nossa necessidade de estar e compartilhar algo com alguém poder se viabilizar (será mesmo?) num engodo eletrônico virtual chamado OS1, o primeiro sistema operacional com “consciência” (a cena de apresentação do sistema me soa reveladora sobre o estado de confusão das pessoas e o real "objetivo" do produto...). O que a carência e a ilusão não fazem com a gente... Theodore é um artista sensível, é um homem atencioso, sociável, inteligente mas...é um bundão. Pelo menos o é até o final do filme quando parece “acordar” para o que é importante e REAL (ao optar em chamar sua amiga, Amy, para simplesmente se sentarem juntos a observarem o nascer do sol e não por se conectar num chat, jogar videogame ou ficar surfando na net entre zil notícias e anúncios). Um bundão perdidamente apaixonado pela ex, Catherine (Roney Mara, linda demais) e que, à despeito de suas qualidades, não consegue entender o porquê de terem se separado mesmo admitindo, tendo ciência da sua grande parcela de responsabilidade no término do seu casamento e do desencanto de sua parceira pela relação dos dois. E a loucura de sua paixão e da sua relação com Samantha nasce dessa incompreensão do que quer como Ser Humano e da sua incapacidade diga-se, infantil, de perceber que não está se relacionando com alguém, mas como disse o Pablo muito acertadamente, com uma “ideia”. Nesse ponto, inclusive, Pablo faz comentários e questionamentos precisos sobre a natureza e a realidade dos sentimentos, mas se esquece de notar algo fundamental: a fonte desses sentimentos. Apaixonamo-nos por um avatar num fórum, pelas ideias de um bate-papo num chat, mas todas estas sempre envolvem, mesmo que com distância e com a imaterialidade, PESSOAS, nem que estas sejam fakes. Não é um programa, um código binário capaz de, intuitivamente (e por dispor de dados acerca de minha pessoa), me “ler” que está do outro lado me respondendo, interagindo comigo. Isso importa, perguntaria alguém? Para mim, muito. Aliás, não importa: faz toda a diferença! Pode-se alegar: “Ahhh, mas as pessoas agem, reagem e interagem porque são capazes disso, fazem isso (nos percebem, nos leem) também...” Mas... São PESSOAS. Não máquinas. Não programas. Não nos relacionamos com máquinas e programas. Os usamos. Pessoas, pro outro lado, respiram, defecam, sonham, traem, respiram (e suspiram de verdade). Elas mentem, adoecem. Elas são...reais, são seres humanos como nós. Pessoas possuem corpo também, como o nosso, com o qual nos identificamos (ou não) e por isso desejamos, podemos tocar, admirar tanto quanto podemos e admiramos um traço “imaterial” como o caráter e a inteligência; o corpo é uma “mídia”, um veículo poderoso e imprescindível de muitos aspectos e desejos...humanos, que podemos ver, tocar, interagir num plano totalmente intangível de comparação e de compreensão para uma “máquina”, uma ideia, um comportamento intuitivo binário. Um corpo está sujeito à perfeições (e imperfeições), às limitaçôes físicas e temporais que, por causa disso, nos causa empatia e inclusive, pode nos servir de esteio e complemento nas percepções e demonstrações de sentimentos, ideias ou mesmo mostrar que é tudo mentira, já que “o corpo fala” e é parte fundamental para a manutenção de uma relação, senão completa, ao menos desejosa de sê-la. Se apaixonar... Não! Mais: ter uma relação amorosa com uma ideia, uma projeção, uma utopia é plenamente possível e humano. Fazemos isso todo momento... Só há que se saber que é um engodo, uma ilusão. Afinal, já diz um ditado que “a gente não ama alguém porque, mas apesar de”. Tendo sido agraciados com o dom do livre arbítrio, cabe a nós escolhermos entre a pílula azul ou a vermelha. ( ) Enfim... “Her” é um triste, belo, assustador e sensível retrato do mundo atual que dá passos, cada vez maiores e céleres, rumo à desumanização e a impessoalidade das relações. (ainda assim, fiquei feliz ao ver que Jonze, no final, não é pessimista, fechando a história com um sopro de dignidade, simplicidade e humanidade). PS 1: o filme é tecnicamente FODA!! Lindo... Montagem, direção de arte, figurino, fotografia... Tudo bacanudo e style, a cara do Jonze. Mas, o supra sumo mesmo é a trilha sonora... Inspiradíssima e linda! Vale a pena baixar e ficar ouvindo, ouvindo... PS 2 (meio spoiler): para onde foi ou o que diabos aconteceu com o(s) OS's????!!!!!!!!! Caso alguém queira debater sobre esse mistério, estou à postos...rs
  16. Cold Eyes – 4,5/5,0 Parafraseando o Soto, um foderoso thriller de ação policial coreano que tem quase 100% da ação ditada por uma situação pouco explorada em filmes do gênero: surveillance and tracking (a famosa "campana" e o rastreamento de suspeitos), ou nas palavras do inspetor chefe, se referindo ao trabalho da equipe “...rastrear e não perder o alvo. Nunca!” Equipe de policiais que atuam em campanas e tracking tem sua paciência e perícia postos à prova quando é designada para encontrar uma quadrilha de criminosos especializados em assaltos e invasões e que nunca (ou quase nunca) deixam rastros, liderados por uma figura conhecida apenas como “Sombra”. Impressionante e já dizendo à que veio em menos de 15 minutos, o diretor coloca a plateia no meio de duas ações aparentemente sem conexão entre si e que servem para mostrar as habilidades requeridas para ser um tracker bem como mostrar o grau de expertise, inteligência e detalhamento num assalto à banco comandado pelo impassível e letal, Sombra. A partir daí, são quase duas horas de um verdadeiro jogo de gato e rato pelas ruas de Seul com o “Esquadrão Horóscopo” (ideia muito divertida) tentando identificar os membros da quadrilha antes que uma nova ação criminosa (que pode ter consequências globais) ocorra. O filme tem produção primorosa, edição e trilha ótimas e os diretores, Jo Ui-seok e Kim Byung-seo (guardem esses nomes), conseguem fluidez e imprimem urgência e adrenalina, na medida, em todas as cenas. O filme tem poucas cenas de ação (mas todas muito bem executadas e tensas), mas compensa com tensão e suspense de primeira, chegando ao paroxismo de, por exemplo, transferir para uma perseguição à pé, sem correria, a tensão de uma perseguição de carros em alta velocidade (!!). Interessante notar como o humor é inserido de forma pontual e discreto, não atrapalhando nada (coisa que nem sempre acontece nos filmes orientais) e, de forma orgânica e sem soar forçado momento algum, a interatividade e a “dependência” do trabalho da polícia na identificação de suspeitos e das ações criminosas; das informações em tempo real das câmeras das ruas, comércios etc e das zil informações que transbordam e cruzam os ares e redes de fios quando do uso de toda uma parafernália eletrônica que vai de um cartão de crédito à celulares (e Seul é cenário de mão cheia pra isso, já que é uma das cidades, senão A Cidade, mais conectada e eletrônica do mundo). Contando com um trio de protagonistas talentosos e com química, é um dos melhores thrillers policiais que há muito não via. Destaque para a explícita e muito bem coreografada homenagem à cena icônica do “num corredor com um martelo na mão” de “Old Boy” (aqui, fazendo um travelling foda) e pra atuação da gatinha de olhos puxados, Han Hyo-joo, que faz de sua recruta “Leitoa”, uma personagem que dá gosto de ver em todos os sentidos, com direito à uma aula a la Jason Bourne de como usar um celular (!!) como arma pra machucar um oponente... Imperdível!! OBS 1: APOSTO que os yankees já compraram os direitos de refilmagem desse aqui... OBS 2: acabei de saber que este JÁ É uma refilmagem de um filme chinês de 2007 chamado "Eye in The Sky"... Soto, prova que nem toda refilmagem é mais do mesmo e não presta. Graças à Deus existem algumas exceções. Esse aqui é exemplo. Pode conferir, que é feijão sem bicho, mermão!!
  17. Ainda não vi o filme, mas entendo ambos os "lados". E de modo geral, concordo com o Questão em 2 pontos: primeiro, que se você conhece a obra original ou fonte primária (tipo um filme oriundo de uma outra Arte, tipo quadrinhos, como "300"...) E se você gosta, é automático e inevitável tecer comparações e ser mais "chato" na análise de um remake, um reboot ou mesmo de uma adaptação. Entretanto, tenho pra mim, sem citar números que, de um modo geral, quase todos os remakes de filmes que foram sucessos, são cult ou icônicos ficaram aquém das obras originais... Isso prova que o remake é mais uma questão de contemporizar para um público novo ou...faturar mesmo, to make money, do que qualquer desejo artístico já que existem públicos que demandam isso mesmo (um exemplo clássico são as refilmagens yankees de filmes estrangeiros já que o americano médio detesta legenda...). Como brasileiro que adora Cinema e não tem preguiça de legenda (muito pelo contrário!), me pergunto: se um filme é foda pra quê refilmá-lo?! Mais: se um filme de 2012 é super bacana pra quê refilmá-lo em 2014??! Tantas histórias boas, tantas ideias bacanas, tantos mundos pra serem explorados, tantos personagens pra serem apreciados e levados às telas... Que preguiça... De um modo geral morro de preguiça de remakes. Claro, já me surpreendi positivamente, mas a maioria dos casos foi bomba e/ou se mostrou supérfluo, meio que "mais do mesmo", sem nada que destaque algo mais do que já foi visto... Segundo ponto, o fato do original ser top, não significa que o remake seja ruim ou que não funcione como obra filmíca por conta disso. Um remake pode ser ruim entre outros motivos porque o original era muito melhor E/OU porque simplesmente é...ruim mesmo. rs Simples assim. Não funciona, é mal editado, os atores são ruins, efeitos chinfrins, trilha capenga etc. Por mais que um filme seja "cópia" do outro, fato é que são obras distintas, realizados e tocados por outras visões, outras pessoas (excetuando-se casos como o de Michael Haneke e seu "Violência Gratuíta"...). Por outro lado... Concordando com o Soto, tem certas coisas que sou tradicionalista, ortodoxo, chato mesmo. Logo, penso que a natureza satírica, sanguinária, violenta quase pastiche do filme "RoboCop" original se tornaram "conceitos" pra apreciação do personagem e do filme. Elas continuam (mais ainda nos tempos atuais!), sendo o cerne da história e de um personagem desse tipo inserido num mundo fascista e cínico, dominado por mídia e megacorporações. Claro... Um pouco mais de "drama" e de existencialismo não fariam mal ao original, assim como manterem a mão "pesada" na porradaria e sangue (aposto!) não faria mal algum à esse do Padilha (ainda mais um filme vindo de um cara que nos brindou com sequências cruas e vis tais como a do Major Rocha mandando "quebrar um perueiro" no meio da rua em plena luz do dia...) por exemplo mas... Porra!! PG 13??!? Pegaram pesado... Ainda sem motivação e interesse de conferir no cinema. Aguardemos... PS: ainda sem ter visto o resultado da obra realizada pelo Padilha, devaneio o que o Pete Travis de "Dredd" teria feito com um personagem como o RoboCop...
  18. Ahhhhhh, boommm...rs Já estava afim de assistir "Devoured" e essa resenha aí em cima sua era o que eu precisava pra conferir ainda essa semana. (isso se minha maratona "BrBa" deixar espaço...rs)
  19. Uai, Soto? Out of Furnace aqui em "19 Dias de Horror"??! Deu uma viajada ou o filme tem algum quê de terror mesmo?
  20. Rigor Mortis – 3,5/5,0 Um decadente ator se muda pra uma torre de apartamentos com o desejo de se suicidar sem alarde, mas no processo, é impedido por um caçador de vampiros aposentado figuraça (o cara só anda cueca samba canção e robe) e que agora é dono de um restaurante (!!) Daí em diante, passa a conhecer melhor a figura aí em cima e mais alguns bizarros vizinhos: o zelador bisbilhoteiro, uma tiazinha simpática e “bondosa”, gêmeas fantasmas que por sua vez estão conectadas ao apartamento onde vive e à história de uma mulher e seu filho albino, este por sua vez, peça chave para que um monge taoista, adepto de magia negra possa transformar um zumbi num vampiro e... Oi??! Isso mesmo! Enfim...o protagonista, de repente, se vê envolvido numa trama cabulosa de feitiçaria, fantasmas, possessão, vampirismo, zumbi e morte, com um toque de kung-fu!! (isso sem falar na esquisita e enigmática figura da "criança lagarto" que vive na cola do monge do mal...). Concebido como uma homenagem à um gênero de terrir bem específico do qual nunca tinha ouvido falar (Jiangshi fiction), que se baseia numa lenda do folclore chinês da Dinatia Qing (Jiangshi significa literalmente “vampiro que pula”...) e que fez muito sucesso na década de 80 e 90 em Hong Kong (Mr. Vampire), o filme substitui o humor por um “estranhamento” e um quê de bizarrice em relação ao comportamento de todos os personagens, bem como uma narrativa não linear que deixa os primeiros 40 minutos complicados de se acompanhar o que e porquê algo tá acontecendo. Mas, a partir de determinado evento as peças se encaixam e a história fica mais fácil de entender, caminhando para um desfecho que envolve um artefato misterioso e uma decisão, por parte do ex-caçador de vampiros, no mínimo, bizarra. Mas, eis que quando achamos que o filme acabou, vem os 50 segundos (isso mesmo, segundos) mais nonsenses e herméticos que eu já vi num filme e que coloca TUDO o que foi visto até ali em xeque... Há algumas pistas ao longo da projeção, principalmente no início, mas admito, não entendi bulhufas!* De qualquer forma, Juno Mak e o produtor Takashi Shimizu (Ju-On) fazem um filme estiloso, esteticamente bonito (fotografia e design de produção muito caprichados) e inventivo. Sinto que poderia ter sido um filme foda, mas fica a sensação de terem “inventado demais” e a conclusão, definitivamente, não ajuda nada. De qualquer forma, vale a conferida para conhecer uma outra mitologia sobre vampiros e por uma narrativa mais cadenciada, com uma montagem mais...poética, sem o frenesi das películas hollywoodianas. Destaque para o design e a maquiagem da criatura, pela composição de Hee Ching Paw interpretando Tia Mui e a tenebrosa e sem concessão cena da "ida ao banheiro"... (Medo) * Considerando que o protagonista do longa atuava também em Mr. Vampire (inclusive o personagem tem exatamente o mesmo nome do ator), talvez o final seja uma melancólica e triste homenagem ao gênero. SE for isso, o filme se torna genial! Mera interpretação... Quem conferir e puder comentar, agradeço!
  21. The Dyatlov Pass Incident - 3,5/5,0 Bacaninha mockumentary dirigido pelo Harlin ("Duro de Matar"). Não é "aquela Brastemp" do gênero (eu esperava bem mais vindo dele...), mas a produção é boa, bem como os atores e a história. Aliás, o filme só fica bom mesmo na meia hora final quando, no mínimo 3 teorias da conspiração se juntam (se mostram interdependentes, na verdade) e criam um desfecho bizarro e bem interessante. Ponto pro roteiro! Pena que é muita encheção de linguiça pra chegar nisso e que o clima de desconforto e incômodo não permeie o filme todo. Ainda assim, vale uma bizoiada! PS: pesquisar e ver as fotos da história do grupo real que encontrou uma cruel e enigmática morte nas geladas montanhas dos Urais é mais interessante e assustador. Para quem curte mistérios e bizarrices reais, não deixe de conferir.
  22. 4,0/5,0 - O Lobo de Wall Street Finalmente, depois de anos, um bom filme do Scorsese!! E (surpresa! ) uma comédia! Sim, comédia. Não consigo enxergar esse filme de outra forma. Ainda que baseado em eventos reais e na vida de alguém que vivenciou todo o excesso aqui mostrado (senão mais...); uma grande comédia cheia de humor negro ("Project X" encontra "Wall Street - Poder e Cobiça"), politicamente incorreto e imoral/amoral até o talo. Finalmente, um Scorsese refinado no fucking way to make movies e merecedor de concorrer e até ganhar Oscars (e não filmecos tais como "Ilha do Medo" e "Os Infiltrados", meros arremedos se comparados a obras como "Cabo do Medo" e "Os Bons Companheiros"...). O longa conta as venturas e desventuras de Jordan Belfort, homem que de ingenuo, quase um caipira, se transforma num escroque sem nenhum limite e escrúpulo que, com uma labia gigantesca, se torna um verdadeiro predador no mercado de ações de Wall Street depois do revés histórico do 87's Crash (The Black Monday) ao ter o insight de oferecer aos tubarões do mercado "the shit chips" saqueando milhões de dólares dos clientes (leia-se, vítimas) embolsando 50% de comissão dessas vendas e de maracutaias como a prática do "dump and pump" (comprar muitas ações de baixo valor e depois instar os clientes a comprar o resto para inflar seu valor, vendendo na sequência e tendo lucros astronômicos ANTES que os clientes pudessem fazer algo) e otras cositas mas que iam da operação fora do pregão, sonegação fiscal, estelionato, lavagem de dinheiro, evasão de divisas e por aí vai... tudo regado à doses cavalares de sexo, álcool, lude e cocaína. Eitcha porra!!! Mas, como o pai sentencia em determinado momento: "Uma hora você terá que arcar com as consequências..." E elas vem. Não exatamente como gostaríamos que viessem, mas vem. Afinal, para um homem com apetites vorazes e desmedidos como Jordan Belfort e todas as mazelas que causou (nenhuma é mostrada ou citada...pena) dá pra entender a polêmica em torno do filme uma vez que o cara e sua tchurma vivem e levam o conceito do hedonismo ao extremo do despirocamento e tudo isso com grana roubada, sem o menor pudor ou remorso; e isso choca (mais ainda ao descobrirmos o que rendeu todos esses excessos... Sem entregar muito: às vezes o crime compensa, sim. E muito!!!) e pode passar a impressão de Belfort está sendo cultuado, festejado por Scorsese. Mas, não é esse o caso. Ok... Parece que ele filma os primeiros dois terços ligado no 440, como se estivesse sob efeito das drogas que seu protagonista ingere, os diálogos (alguns impagáveis) rápidos, inteligentes, sacanas e a montagem, idem, brincando muito com a narrativa em off, com as percepções do protagonista em relação à realidade e a da própria audiência, numa metalinguagem super interessante mas; me parece óbvio que faz o filme com um olhar irônico, sarcástico e tão estupefato com todo aquele material que não vê outra alternativa senão dar um tom de comédia, mais que isso: de elevar à décima potência o tom de comédia, tripudiando do que é mostrado num over filming continuo. Enfim... Vale à pena a conferida!! Destaque absoluto pra DiCaprio que se entrega de modo visceral ao filme e sacramenta, de vez, ser um grande ator! Inclusive, com um insuspeito timing pra comédia. OBS 1: a cena de um incredúlo Belfort ouvindo "as regras" de como se dar bem em Wall Street de seu antigo chefe Mark Hanna (Matt McConaughey, inacreditável) é antológica e já vale o filme. OBS 2: o enquadramento final me soou uma provocação, uma grande brincadeira de Scorsese para com a audiência até ali... Algo como que dizendo: "Olha a cara dessas pessoas... Vocês são iguais a eles? Vocês realmente estão dando bola para tudo isso, acreditando nesse picareta?" Só não leva 5 cravados porque em seu terço final o filme perde ritmo, chegando a ficar meio chato (culpa da montagem) e por não abordar absolutamente NADA sobre qualquer situação ou danos causados por Belfort e sua quadrilha de engravatados da Stratton Oakmont. Mostrar, nem que fosse de forma breve, de relance, o efeito de suas ações na vida de um dos seus "clientes" seria interessante.
  23. Quando vi o trailer achei muito interessante, mas depois que li umas críticas detonando o filme, dei uma desanimada... E aí? Vale à pena mesmo?
  24. Europa Report - 4,5/5,0 O que o dinheiro não faz, hein?! Mas... e o que a criatividade não faz mais ainda??! Um competente e talentoso artífice (Cuaron) com 10 vezes (ou mais) de grana que esse aí em cima, concebeu com sua equipe, "Gravidade", um filme tecnicamente e visualmente arrebatador, mas que achei marromeno pela história em si (não me empolgou) e pela narrativa e edição bem feijão com arroz e... Ahhh... tá. Por que comecei a falar de "Europa Report" mencionando "Gravidade"?!? Porque ambos são sci-fis que tem como personagens astronautas em missão na vastidão do espaço sideral e cujos plots engrenam após eventos que envolvem tanto o famoso e dramático "Fator H" quanto à imprevisibilidade da Mãe Natureza, mas aqui, à despeito de ter custado uma merreca (li que foi algo em torno de 10 milhões de doletas) se comparado à seu irmão incensado à obra prima e concorrente até ao Oscar de Melhor Filme (oi??!); fato é que me peguei muito mais fisgado, tenso e curioso sobre esse do que "Gravidade". Mais: o achei um filme muito superior no conjunto da obra. Podem argumentar: "Pelamordedeus...!! Não dá nem pra comparar o visual e a fotografia, por exemplo." Ok... Cuaron estabeleceu um novo patamar técnico mas, considerando a opção de Cordero pelo estilo found footage e a narrativa a la mockumentary de "Europa Report", aqui o que poderia soar como desgastado e apelativo, soa crível, passando mais credibilidade, mais estranhamento e deslumbre pelo que é mostrado; se não pela qualidade obtida pelos efeitos especiais e fotografia "real", pelos enquadramentos naturais na composição das cenas ou emulando, em vários momentos, a realidade da missão Europa One (as várias cenas que antecedem o lançamento da missão, mostrando trechos de imagens de noticiários da TV, gravações da logística do evento, do desenvolvimento e montagem dos módulos e peças é de embasbacar). O filme tem ritmo acertadamente lento e sem pressa no desenvolvimento da história e dos personagens o que poderia ser um problema, mas a montagem competente se encarrega de não deixar a narrativa cair na monotonia, inclusive, devido aos períodicos saltos cronológicos do que é mostrado que, além de nos deixar curiosos sobre o destino de um personagem (ou como acontece algo com ele), acaba por trair nossa expectativa (positivamente) surpreendeendendo sem necessariamente se ater, para isso, à arroubos técnicos e visuais, trabalhando mais com o estofo humano e suas reações e por sugerir mais que mostrar (e a decisão de só efetivamente mostrar, quase num relance, o que de fato aconteceu se mostra, ao mesmo tempo uma decisão econômica, lógica e eficaz, causando terror e angustia sem precisar de muito). Resumindo: excelente filme que dá uma amostra realista do turbilhão de perigos, imprevistos, emoções e situações que uma jornada ao espaço, rumo ao desconhecido, deve ser. Que venham mais filmes, desse equatoriano, o Sr. Sebástian Cordero!!
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