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Forum Cinema em Cena

Pequenas Causas Cinematográficas


Nacka
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1) Caro Deadman' date=' volte no tópico. Estamos discutindo incongruência e oportunismo; um monte de posts já foram feitos nesse sentido.

 

Agora, se formos discutir os aspectos artísticos do filme, é outra história... 2) A coisa pode ficar pior, pois o Dook já apontou várias escolhas erradas que foram feitas nA Paixão, como a pieguice excessiva e o negligenciamento dos dilemas morais. Eu concordo plenamente.

 

Repito o que havia dito antes: a fotografia é maravilhosa (que palheta de cores, hein? Deschanel é brilhante, aquele azul do começo é inesquecível), Caviezel e Morgestern estão ótimos. 3) O que mais temos nesse filme? Os méritos eu reconheço, mas os deméritos são tantos...
[/quote']

 

1) Desculpe-me mas... como assim "volte no tópico"?! 09 "Inconcruência e oportunismo" do que? Do filme? I don't think so...

 

2) Mode Dook [On] Fato ou opinião? 03 Mode Dook [Off]

 PARA MIM as escolhas foram PERFEITAS. Anyway, fiquei curioso: quais seriam os "dilemas morais" negligenciados pelo filme?

 

3) Pelo visto, meu post com impressões e comentários sobre o filme não encontrou ressonância em você, certo?

 

 Pontos de vista diferentes, meu caro, só isso! Respeito, só não concordo.03   
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Sério?

Vamos colocar na ponta do lápis:

Méritos:

Fotografia

Caviezel

Morgestern

Diabo

Flagelo Realístico

Deméritos:

FlashBacks bons' date='porém mal inseridos

Camera lenta para cada queda de Jesus

 

 

5x2 para os méritos.
[/quote']

 

Sim, vamos continuar a contagem, porém reformulando-a um pouco, inclusive em seus conceitos, vez que o roteiro e a forma com a qual o diretor transmite suas próprias verdades (dentre as que ele julga serem passíveis de transmissão, e esse é um ponto muito importante) também se enquadram no mérito artístico:

 

Méritos:

* Fotografia.

 

* Caviezel.

 

* Morgestern.

 

Eu termino nesses três. O Diabo como mérito? No filme ele tem a espessura de um papel-seda. Tem certeza de que quer colocá-lo aqui?

 

Deméritos:

* Flashbacks oportunistas e calculadamente encaixados entre as cenas do martírio.

 

* Slow motion, closes em pedaços de carne voando e sangue jorrando à vontade - falta de sutileza e tentativas grosseiras de arrancar lágrimas do público, ou simplesmente chocar.

 

* CGI sensacionalista.

 

* Proselitismo ou, usando um termo mais adequado porém mais rude, sectarismo.

 

* Preconceitos velados, como no caso da questão judaica (sim, considero aquelas cenas pejorativas e unilaterais; num momento onde a aceitação das diferentes crenças é tão importante para a paz mundial, Gibson prestou um desserviço à humanidade). Este é um subitem do anterior, mas eu destaquei para lançar a questão no ar: qual seria a reação das pessoas ao assitir um filme sobre a sharia islâmica, cujos valores e prioridades são tão estranhos ao ocidente? Não sei se haveria tanta condescendência com o sectarismo como ocorre aqui.

 

* Tentativa de catequização à base da porrada (literalmente).

 

* Superficialidade psicológica.

 

* Reforço da fé pela culpa.

 

Por fim, meu maior desgosto com o filme é que ele não convida à reflexão. Não traz uma só passagem interessante sobre o legado de Jesus Cristo, como a filosofia do amar o outro como a si próprio. Não, ele prefere investir naquele espetáculo circense, enfiado no espectador goela abaixo. Começa até bem, depois se perde.

 

Alguns destes tópicos já foram mencionados, de uma ou outra forma, em posts anteriores pelo Nacka e pelo Dook. Mas o bater na mesma tecla foi a pedidos...

 

Ao The Deadman:

 

É óbvio que é a minha opinião! Essa é uma pergunta que nem precisaria ser formulada... Você falou que aprecia o gore, é um direito seu. Minha concepção de fé - que é diferente daquela mostrada pelo diretor - é a de que a crença nasce e se desenvolve como um processo interno; desta maneira os dilemas morais sempre existem e isso não é ruim. Na superação deles, por meio da reflexão, é que a fé se reforça. Do contrário não há crença, mas muito provavelmente - parafraseando nosso código civil - simples temor reverencial. Este até pode surgir como reforço da autoridade da Igreja, mas não combina muito bem com a fé não.

 

Não sou teólogo, aliás li muito pouco sobre o assunto, mas creio que a perspectiva axiológica é essencial para compreender uma religião. Gibson trouxe à tela o nascimento de uma delas, justamente quando os valores que determinaram as ações de seu maior expoente seriam futuramente propagados pelo mundo inteiro, mas o fez de maneira superficial e fora de foco.

 

Este post enorme foi meu canto do cisne no caso. Boa sorte ao Dook e ao Nacka, ambos mais pacientes que eu. Aos senhores do Conselho de Sentença...
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Méritos:

1)Fotografia.

 

2) Caviezel.

 

3) Morgestern.

 

Eu termino nesses três. O Diabo como mérito? No filme ele tem a espessura de um papel-seda. Tem certeza de que quer colocá-lo aqui?

 

Deméritos:

1) Flashbacks oportunistas e calculadamente encaixados entre as cenas do martírio.

 

2) Slow motion' date=' closes em pedaços de carne voando e sangue jorrando à vontade - falta de sutileza e tentativas grosseiras de arrancar lágrimas do público, ou simplesmente chocar.

 

3) CGI sensacionalista.

 

4) Proselitismo ou, usando um termo mais adequado porém mais rude, sectarismo.

 

5) Preconceitos velados, como no caso da questão judaica (sim, considero aquelas cenas pejorativas e unilaterais; num momento onde a aceitação das diferentes crenças é tão importante para a paz mundial, Gibson prestou um desserviço à humanidade). Este é um subitem do anterior, mas eu destaquei para lançar a questão no ar: qual seria a reação das pessoas ao assitir um filme sobre a sharia islâmica, cujos valores e prioridades são tão estranhos ao ocidente? Não sei se haveria tanta condescendência com o sectarismo como ocorre aqui.

 

6) Tentativa de catequização à base da porrada (literalmente).

 

7) Superficialidade psicológica.

 

8) Reforço da fé pela culpa.

[/quote']

Méritos

1)OK

2)OK

3)OK

Diabo,sim,é um mérito,como já foi apontado por diversas pessoas,até pelo seu adorado Dook.

Esqueceu do Flagelo Realístico,que também já foi apontado por outros como um ponto positivo do filme.

 

Então continuamos com 5 méritos.

 

Deméritos

 

1)OK

2)OK

3)Subjetivo.

4)Fato ou Opinião?Prove.

5)Como você mesmo falou,isso é sua opinião.E,como você mesmo falou,é um subitem do 4º,então não entra na lista.

6)Não têm como passar a Paixão sem mostrar as cenas de flagelo.Elas aconteceram,fato.

7)Prove que falta sofrimento espiritual neste filme,caso contrário,isso é sua opnião.

8)Você sabe para o que serve a páscoa?

 

Contínuamos em 5x2 para os méritos.
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Cruzes (essa foi uma interjeição apropriada, não acham?). Eu havia dito que aquele seria meu último post, mas tô me sentindo afundando numa areia movediça. E vou ter que me contradizer, postando de novo.

Tudo o que foi escrito até agora tem seu percentual de subjetividade, em maior ou menor grau. O flagelo mostrado por Gibson, por exemplo, eu considero de mau gosto. E isso independe de ser verídico ou não, até porque aqueles que, de fato, presenciaram o calvário não tiveram o dúbio privilégio dos zoons e slow motions com que Gibson encharca o filme.

 

Porque voce rotula de "subjetivo", como se isso tirasse a força da argumentação, apenas quando não concorda? Está faltando congruência da sua parte, afinal seus Oks também são subjetivos. A boa atuação da Maya Morgestern é fato ou opinião? Opa, você concordou, então é fato (não carece de prova). Mas que coisa, hein?

 

Possivelmente eu não sei para que serve a páscoa, mas você deve saber. O que me ensinaram é que ela evoca a ressurreição do Cristo, por obra divina. Eu a celebro como a vida nascendo da morte, entre tantas coisas ruins que aconteceram no passado e acontecem no presente. De uma forma ou de outra, não tem nada a ver com culpa, por isso me ilumine com seu conhecimento.

 

Não preciso de provas, quero saber a sua verdade. Tenho certeza de que o homem foi à Lua, mesmo sem ter visto um pedregulho sequer tirado dela.

 

O curioso é que o meu maior desgosto com o filme foi omitido em seu quote. Por que?

 

P.S.: Não seja deselegante, eu não adoro ninguém e não preciso de reconhecimento externo para validar minhas opiniões, do Dook ou de quem quer que seja. Sim, eu acho que o Dook contribui muito para esse fórum, independentemente de eu concordar com ele ou não. Já havia afirmado isso publicamente muito antes desta discussão começar e repito se for necessário. É muito humilhante para você?
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Se fui deselegante me desculpe,me excedi um pouco.

 

Concordo,há subjetividade em tudo.

Porém,quanto ao flagelo sofrido por Jesus Cristo,como já foi falado aqui,foi até pior do que foi mostrado no filme,e se ele alcançou um realismo novo isso é um mérito do filme, sim.

Concordo com o exagero de Gibson em usar Slow Motion e Zoom,porém isto não tira o mérito realistíco do filme.

 

Ser subjetivo não tira,necessariamente,a força de uma argumentação,porém,há argumentações que são tão subjetivas que perdem sua força,como falar que o CGI é sensacionalista ou então que o filme é sectarísta.

Como você mesmo falou,você considera o filme como tal.VOCÊ.

Meus "OK´s" são apenas para indicar que concordo,não quer dizer que isso é um fato.

A boa atuação de um ator é subjetivo,porém,não tanto quanto falar que o filme é sectarísta ou sensacionalista.

 

Veja na bíblia:

'Este pão representa meu corpo,que há de ser sacrificado por vós'.....'Este vinho representa meu sangue,que há de ser derramdo por vós'.....'...percistam,pois,em lembrar de mim....'.

 

Como você mesmo viu,a Páscoa serve para LEMBRARMOS do sacrifíco que Jesus fez por nós,salvando ,assim,a todos que tiverem fé nele.Se isso causa culpa em você não posso fazer nada.

Não comentei por ter achado ridículo seu "maior desgosto".

Você falou que falta cenas de reflexão sobre o legado de Jesus,como o "amar outros como ama a sí próprio",porém,nos "famigerados" flashbacks onde é citado isto,inclusive,foi comentado pelos nossos colegas...

Quando Jesus está prestes a ser crucificado' date=' vem o flashback onde ele diz 'ama-te ao próximo como a ti mesmo'...

[/quote']

Isso não causa reflexão?Se não te causa você deve ser uma pessoa muito fria.....
Rafal2006-10-20 13:27:46
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"Sim' date=' vamos continuar a contagem, porém reformulando-a um pouco, inclusive em seus conceitos, vez que o roteiro e 1) a forma com a qual o diretor transmite suas próprias verdades (dentre as que ele julga serem passíveis de transmissão, e esse é um ponto muito importante)..." [/quote']

 

1) Que verdades? Sinceramente, não entendi. O cara se propõe a filmar a Paixão de Cristo nos mínimos detalhes (com uma visão artística autoral, of course), buscando um realismo quase absurdo do mote principal do filme (o sofrimentno espiritual e físico de Jesus) se baseando <?:namespace prefix = st1 ns = "urn:schemas-microsoft-com:office:smarttags" />em trechos do Novo Testamento e você viu ele transmitindo as verdade dele??! 09 Talvez quisesse dizer que “... o diretor transmite sua própria VISÃO...” . Aí sim, te entenderia. Do contrário, não percebi onde ocorre o que você diz acima.<?:namespace prefix = o ns = "urn:schemas-microsoft-com:office:office" />

 

 Deméritos:

* Flashbacks oportunistas e calculadamente encaixados entre as cenas do martírio.

 

* Slow motion' date=' closes em pedaços de carne voando e sangue jorrando à vontade - falta de sutileza e tentativas grosseiras de arrancar lágrimas do público, ou simplesmente chocar.

 

* CGI sensacionalista.

 

* 2) Proselitismo ou, usando um termo mais adequado porém mais rude, sectarismo. [/quote']

 

2) Considerando que são sinônimos, não vejo como um possa ser mais “rude“ do que o outro. A não ser que o tenha pretendido imbuir um conceito diverso na palavra “sectarismo” (intolerância). Estaria querendo insinuar alguma coisa no sentido do filme ser anti-semita? Ahh, para com isso, vai!

 

  3) Preconceitos velados' date=' como no caso da questão judaica (sim, considero aquelas cenas pejorativas e unilaterais; num momento onde a aceitação das diferentes crenças é tão importante para a paz mundial, Gibson prestou um desserviço à humanidade). Este é um subitem do anterior, mas eu destaquei para lançar a questão no ar: qual seria a reação das pessoas ao assitir um filme sobre a sharia islâmica, cujos valores e prioridades são tão estranhos ao ocidente? Não sei se haveria tanta condescendência com o sectarismo como ocorre aqui.[/quote']

 

3) Discordo novamente. Aliás, TODOS os outros filmes sobre a figura do Cristo abordam a mesma passagem, mas estranhamente, ninguém viu isso... 17 Considero limitados e sectários aqueles que não conseguem separar o joio do trigo! Talvez tivesse sido melhor Gibson parar o filme nos trechos “anti-semitas” (??!) e polêmicos e enquadrar o Papa explicando didaticamente que o povo Judeu não teve nada com aquilo e sim, aquele grupo de pessoas na época retratada... Dããhh!  07

 

 4) Tentativa de catequização à base da porrada (literalmente).

 

4) Cara' date=' só posso te dizer uma coisa: eu não vi isso no filme. Falo sério. Mas, se ele tentou, fracassou miseravelmente...

 

5) Superficialidade psicológica.

 

5) Você vai assistir um filme que se propõe a mostrar as últimas 12 horas de vida (ou melhor seria “morte”?) de Cristo, onde ele é barbaramente massacrado física e psicologicamente e que ver “profundidade psicológica”?? Tem certeza? Hummm... Acho que você optou por assistir o filme errado. 03

 

6) Reforço da fé pela culpa.

 

6) Culpa de quem?? Dos Cristãos' date=' baseados no dogma de que só há salvação pela admissão e remissão dos pecados e que todos somos “culpados” pela morte do Filho do Homem por conta de nossas falhas? Sinto informá-lo que você está mirando o alvo errado... 03

 

7) Por fim, meu maior desgosto com o filme é que ele não convida à reflexão.

 

7) Abaixo, trecho do texto de autoria de Fabrício C. Santos que achei apropriado por suscitar justamente o contrário: reflexão.

 

"<?:namespace prefix = v ns = "urn:schemas-microsoft-com:vml" /><?:namespace prefix = w ns = "urn:schemas-microsoft-com:office:word" />Capaz ainda de levantar outras questões, uma delas (mesmo que não tenha sido intencional, o que não necessariamente a torna inválida) chega a ser intrigante e digna de uma atenção especial: e se, no lugar de Jesus, Barrabás tivesse sido condenado ao flagelo? Com a mesma crueldade sendo colocada na tela, só que por meio do corpo do assassino Barrabás, o público aprovaria ou desaprovaria tais punições, igualmente severas àquelas sofridas por Cristo? Por ser um culpado comprovado, a violência dos atos (não do filme) seria mais justificável? Afinal, talvez muitos espectadores sintam intensamente as imagens da flagelação, porque, hoje, Jesus Cristo também se assemelha – erroneamente – a um super-herói pronto, uma idealização que pode ser fruto da carência de valores da humanidade. Perto disso, quem seriam os “Barrabáses”?"

 

8)"... Não traz uma só passagem interessante sobre o legado de Jesus Cristo' date=' como a filosofia do amar o outro como a si próprio. Não, ele prefere investir naquele espetáculo circense, enfiado no espectador goela abaixo. Começa até bem, depois se perde.[/quote']

 

8) Putz! Vários flasbacks mostram EXATAMENTE isso!

 

Ao The Deadman:

 

"9)É óbvio que é a minha opinião! Essa é uma pergunta que nem precisaria ser formulada..."

 

9) Que pergunta?! Do que você está falando? 09

10)"...Você falou que aprecia o gore' date=' é um direito seu. Minha concepção de fé - que é diferente daquela mostrada pelo diretor - é a de que a crença nasce e se desenvolve como um processo interno;..." [/quote']

 

10) Heim?!! 09 09

 

11) "...desta maneira os dilemas morais sempre existem e isso não é ruim..."

 

11) Mas quem aqui disse que são ruins? Eu só não acho que' date=' se considerarmos o que foi pretendido retratar no filme, isso fosse necessário. Só isso.

 

12)"... Na superação deles, por meio da reflexão, é que a fé se reforça. Do contrário não há crença, mas muito provavelmente - parafraseando nosso código civil - simples temor reverencial. Este até pode surgir como reforço da autoridade da Igreja, mas não combina muito bem com a fé não.

 

12) Concordo plenamente.

 

 

13) Não sou teólogo' date=' aliás li muito pouco sobre o assunto, mas creio que a perspectiva axiológica é essencial para compreender uma religião. Gibson trouxe à tela o nascimento de uma delas, justamente quando os valores que determinaram as ações de seu maior expoente seriam futuramente propagados pelo mundo inteiro, mas o fez de maneira superficial e fora de foco. [/quote']

 

13) Por falar em axiologia, não vi nenhum desvirtuamento nesse sentido e ao contrário do que você ACHA, FATO é que Gibson fez justamento o contrário, optou pelo FOCO EXTREMO: filmou a VISÃO dele do que foi a “Paixão de Cristo”. A idéia (ao meu ver equivocada) de execrarem o filme é justamente pelo mesmo ser focado, algo que também ocorreu com o brilhante “A Queda” de Hirschbiegel: o sectarismo do “Centro de Direitos Humanos Judaíco” afirmou que preferia que as pessoas não vissem o filme, por que (sic) “o diretor foi leniente numa tentativa de humanizar um monstro: Hitler.” Sem comentários... 07   

 

Outrossim, se você não viu NENHUMA cena que remeta aos valores do ideal cristão, definitivamente, vimos filmes diferentes...  05

 
The Deadman2006-10-20 16:21:54
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Será que agora o Jurí mudou de idéia?

 

Vamos analisar:

Mostramos que as perguntas propostas pelo jurí uma não anula a outra e

Todos concordam que o filme foi bem fiel as passagens bíblicas e fez algumas mudanças interessantes.

 

Agora,quanto ao filme ser oportunista ou não,isso não importa.O que importa é a qualidade do filme,e não sua campanha de marketing.

 

Vide a campanha feita aqui no Brasil para A Vila.

Todos concordam que ela é ridícula,que o foco do filme não é a reviravolta,mas....isso reduz a qualidade do filme?Nem um pouco!

 

 
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(...)

 

"<?:namespace prefix = v ns = "urn:schemas-microsoft-com:vml" /><?:namespace prefix = w ns = "urn:schemas-microsoft-com:office:word" />Capaz ainda de levantar outras questões' date=' uma delas (mesmo que não tenha sido intencional, o que não necessariamente a torna inválida) chega a ser intrigante e digna de uma atenção especial: e se, no lugar de Jesus, Barrabás tivesse sido condenado ao flagelo? Com a mesma crueldade sendo colocada na tela, só que por meio do corpo do assassino Barrabás, o público aprovaria ou desaprovaria tais punições, igualmente severas àquelas sofridas por Cristo? Por ser um culpado comprovado, a violência dos atos (não do filme) seria mais justificável? Afinal, talvez muitos espectadores sintam intensamente as imagens da flagelação, porque, hoje, Jesus Cristo também se assemelha – erroneamente – a um super-herói pronto, uma idealização que pode ser fruto da carência de valores da humanidade. Perto disso, quem seriam os “Barrabáses”?"

 

(...) 

 
[/quote']

 

A impressão que eu tive após ler esse post foi a de um mingau que passou do ponto. Quanto mais a gente tenta raspar o que ficou no fundo, mais o que está na colher adere de volta.

 

Se não me engano, você havia me perguntado se o que eu estava escrevendo era fato ou opinião. Ou o que eu li na página anterior foi outra coisa? Eu poderia até não responder, já que a resposta era óbvia, mas o fiz por cortesia e com bons modos. É realmente minha opinião.

 

Você não entendeu o que eu quis dizer com a verdade do Gibson? Quais foram as intenções dele ao fazer esse filme, no teu entendimento? Quais foram seus propósitos em retratar a paixão em seus mínimos detalhes (sic)? Pra mim ele passou o seguinte:

 

"Ei! Você aí, cristão não-praticante ou não cristão! Está vendo como Jesus sofreu por nós? O que ele suportou enquanto o resto da humanidade o açoitava? E não foi pouco não, ele sofreu pra caramba! Portanto, converta-se, ou retorne à igreja!" 

 

Assim mesmo, cheio de exclamações.

 

Se isso não é um reforço da fé pelo sentimento de culpa, uma catequisação à base do porrete, não sei o que é. Mostrar a paixão do Cristo foi um instrumento, e não um fim em si. Eu já havia dito isso, ou você não leu? Aí vai de novo:

 

"a forma com a qual o diretor transmite suas próprias verdades (dentre as que ele julga serem passíveis de transmissão, e esse é um ponto muito importante)..." 

 

Você negritou a sentença errada. A verdade do Gibson (ou seja, no que ele acredita) é que as pessoas podem, pelo sentimento de culpa ou - se for o caso, é pior ainda - pela piedade, se converter ao cristianismo ou reforçar seus laços com ele. Cada um acredita no que quer, mas transformar isso num filme é muita pobreza de espírito. Gibson cospe no próprio público que deseja seduzir.

 

Sectarismo não é sinônimo de proselitismo. Sim, considero o filme anti-semita pela forma que os judeus foram retratados, fanáticos desvairados babando por sangue. As eventuais explicações dadas pelo Papa não suavizam a questão, até porque ele exerce uma função política e não seria louco de silenciar ante as acusações que pipocaram de várias partes do mundo, principalmente após ter visto o filme em uma sessão prévia, concebida com o propósito de receber seu aval.

 

Se você visualizar o filme no meio que o circunda, com as relações entre o cristianismo, o judaismo e o islamismo em uma situação tão delicada, pode perceber que faltou senso de oportunidade ao Gibson, no mínimo. Uma das muitas insensibilidades que ele demonstrou.

 

Sobre a superficialidade psicológica, creio que você anda praticando a leitura seletiva, registrando apenas o que te convém. Desde o início eu afirmei que considerava o projeto todo equivocado e demonstrativo apenas da arrogância de seu diretor. Com aquelas imagens ele não teve outro propósito a não ser chocar, constranger e, por essa via torta, transmitir suas próprias crenças e converter os outros a elas. A superficialidade é premeditada e nem por isso deixa de ser ruim. É até pior que a involuntária.

 

Citação não implica reflexão. Eu até gostaria de ter refletido sobre os valores que o cristianismo prega, mas todo aquele sangue esguinchando em profusão da tela me impediram de tentar qualquer coisa nesse sentido. Os flashbacks te proporcionaram isso? Pra mim foram tearjerkers. Como já falei, oportunistas e situados de forma calculada entre um açoite e outro.

 

O Rafal, que inseriu a Páscoa na história não sei a que pretexto e considera a minha maior decepção com o filme algo ridículo, já me rotulou de frio. Sinta-se à vontade, mas sabendo que o "se não se emocionou, é porque é insensível" é primo do "se não entendeu, é porque é burro".

 

E com isso chegamos à tal reflexão que você transcreveu acima, e que eu mantive. Ela, que parece ser anterior ao próprio filme (ele foi utilizado para referendá-la, e não o contrário), só me passa generalização e subestimação da inteligência do espectador. Faz inferências absurdas, conclui coisas do nada. Demonstra também que, como seu próprio autor, as pessoas só vêem o que querem. Qual foi a sua reflexão acerca dela? Se as pessoas enxergam o Cristo como um super-herói idealizado, um tratamento de choque, a ferro e fogo, é legítimo para tirá-las dessa letargia?

 

É isso, então, o que você chama de foco extremo? Acho que já sei a resposta.

 

Por último, esse é um conselho que dou a você, se for do seu interesse: seja menos defensivo. Você retalhou meu post até torná-lo incompreensível, destacou apenas o que queria com o propósito de diminuir meu discurso. Quando eu disse para voltar no tópico, era apenas isso mesmo, coisa que você parece não ter feito. Observe que sua primeira reação foi assumir que, para mim, nossos pontos de vista não poderiam conviver. Isso, sinceramente, me pareceu muito paranóico.

 
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Mas isso não quer dizer que temos que ficar analisando os atos de comércio do diretor... Devemos analisar a posição dele no que tange o filme' date=' e não o fato de ele ter aproveitado o filme pra vender pingentes...

The Spartan

 

PS.: Acho que esse caso perdeu o foco...
[/quote']

Off: Sem moral vc Sunder. Vc adora sair da discussão sobre filmes pra ficar enfiando fidelidade à quadrinhos no meio. Foco não é bem sua especialidade...06

 

Se se julgasse a fidelidade da obra à Bíblia não diria que estaria fugindo do foco... Contudo, acho que ficar nesse julgamento das vendas é sim fugir do foco de discussão...

 

The Spartan
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Eu ia dar a sentença, já que tenho em mãos as opiniões dos demais jurados... mas desdobramentos imprevisíveis seguram minha mão (a que segura o martelo) então vou esperar um pouco mais... no decorrer do dia chegaremos ao fim do processo.

 

PS: Que pá de cal hein Alexei?
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É... Vejo que nas últimas horas o julgamento passou meio que por uma virada de argumentos, obrigando o júri a pensar com mais carinho na sentença... Só esperamos que a justiça seja feita nesse que foi, muito provavelmente, o primeiro julgamento na históia que teve um acusado sem advogados de defesa e acusação previamente escalados...06

 

The Spartan
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Ontem, pra variar, eu tive insônia e fiquei navegando à deriva pela rede até entrar no sítio da Slant Magazine, que eu visito regularmente pelos seus excelentes comentários sobre cinema e música. O editor da Slant é o Ed Gonzales, o único crítico de cinema da atualidade cujos textos eu faço questão de ler, como já havia afirmado isso em outros tópicos.

 

Bingo! Ed havia escrito uma crônica sobre A Paixão de Cristo, ainda em 2004, que eu não conhecia. Meus sentimentos sobre o filme são quase idênticos aos dele (como de costume), com a diferença do excepcional uso de palavras que ele faz. Esse cara não é menos que brilhante.

 

Esse texto, traduzido e transcrito abaixo, sintetiza tudo o que eu penso sobre a Paixão (minha imagem é um pouco pior que a dele, na verdade). A superficialidade psicológica, a catequese a fórceps, a subestimação do espectador, está tudo aí. Mais ainda, demonstra de uma maneira que eu não havia conseguido o quão preconceituoso e misógeno Mel Gibson se revelou com este filme.

 

Deu um trabalhão traduzi-lo (o original em inglês vem logo em seguida) e ainda assim ficou muito aquém do material original, mas vale a pena postá-lo aqui, mesmo com todos os pontos de reputação que provavelmente vão me tirar (mais que os já retirados) talvez em razão de eu supostamente estar questionando a fé cristã - o que é absurdo, pois ela não se confunde com sua interpretação para o cinema e este sim é o debate. Deleitem-se.

 

O Cristo Embriagado de Amor de Mel Gibson*<?:namespace prefix = o ns = "urn:schemas-microsoft-com:office:office" />

 

Há uma cena na Paixão de Cristo de Mel Gibson na qual a multidão do lado de fora do palácio de Pôncio Pilatos deve decidir entre um Jesus Cristo livre ou um assassino beijoqueiro de língua e enlouquecido que poderia muito bem ser um parente distante do diabo da Tasmânia. Em certos momentos o filme lembra um esboço de comédia ruim, com os atores tentando desesperadamente transcender seus respectivos personagens unidimensionais, mas apenas nesta única cena tal luta transcende a cartunesca representação do bem do mal feita por Gibson. Esta educativa e primitiva representação do quão profundo o ódio por Jesus atingiu evoca a singela atratividade das histórias bíblicas com as quais eu fui criado em minha infância. Lamentavelmente, isto é algo que não se leva para o resto do filme: um inumano, pornográfico e masoquista instrumento de tortura - um produto da agressiva culpa católica que, ao invés disso, deveria ter nascido do amor.

 

A Paixão é uma perigoso agrupamento de indicadores políticos e estereótipos. Satã é representado no filme como uma mulher andrógina e seus asseclas são crianças deformadas de diferentes idades. Herodes é um Calígula flamejante. Os judeus são maldosos e sedentos de sangue. Isto é algo que não pode ser ignorado, e eu digo isso porque o filme não vive e respira Jesus tanto quanto o faz em relação às neuras do seu verdadeiro autor (seu Criador, se você preferir): Mel Gibson. O Nazarin de Luis Buñuel veste a bagagem espiritual de seu diretor de maneira similar, mas também é um estudo ousado e humanista do mesmo masoquismo que permanece sem referência no filme de Gibson (sem mencionar como ele continua a comer a Igreja Católica por dentro). Será a Paixão anti-semita? Cristãos irão se voltar para os Evangelhos para se defender de tal acusação, e os judeus vão relembrar as maneiras pelas quais as representações da paixão vem sendo utilizadas para oprimir seu povo ao longo da história. Eu acho que a resposta está num meio-termo.

 

No filme os judeus são carniçais, e apesar da Paixão não inspirar explicitamente a violência contra eles, a qualidade masoquista das imagens de Mel Gibson é algo completamente diferente. Tenho problemas com o tom raivoso de retribuição que é pano de fundo de todas as imagens do filme, esse sentimento de recompensa do tipo “você vai ter o seu” que ameaça romper o tecido do tempo e espaço bem no momento em que a morte de Jesus desperta a ira de seu Pai. Para mim, os momentos finais da Paixão são implicitamente vingativos e há uma espécie de “hurra!” na maneira pela qual o Cristo sai da tumba que sugere uma Paixão de Cristo: Máquina Mortífera. Eu não estou tentando ser desagradável. Não tenho problemas com o verdadeiro Jesus – ele era todo amor. É sua representação esquemática que me causa problemas, e com isto fica óbvio que Gibson tem sua própria cruz para carregar.

 

Martin Scorsese celebrou a humanidade de Cristo em seu duro, porém tocante, A Última Tentação de Cristo. Ele é o Filho de Deus ou está sendo testado pelo Satã? O subtexto do filme era o próprio complexo messiânico, e desta forma a jornada de Jesus era de aceitação – ao final do filme, ele aceita não só seu papel como homem, mas também seu papel como salvador. No filme de Scorsese, o Diabo tenta Jesus sob a forma de uma criança loira e ariana – um símbolo enganador de pureza intocada. Gibson sequer entende o caráter sedutor da tentação. Não apenas o Diabo é uma mulher, mas uma que fala como um homem (mistura de gêneros = ruim) e leva no braço um anão deformado (deformidade = muito ruim). A vida é sexy, misteriosa, confusa, mas onde Scorsese e Buñuel fazem o Cristo trabalhar pela sua iluminação, Gibson torna as coisas fáceis para ele**. Seu simbolismo é grosseiro e dolorosamente óbvio. Ao invés de seduzir Jesus com algo belo porém venenoso por dentro, ele o tenta com o que é explicitamente letal e acaba fazendo todo o trabalho por Jesus.

 

Você fica com a sensação, ao ver o filme, que Gibson açoitaria cada um de nós se isso nos trouxesse para mais perto de Deus. É a iluminação espiritual através da dor. Gibson não chama por nós como seres espirituais, nem tenta nos tocar de maneira intelectual ou filosófica, como Andrei Tarkovsky e Pier Paolo Pasolini fizeram <?:namespace prefix = st1 ns = "urn:schemas-microsoft-com:office:smarttags" />em Andrei Rublev e O Evangelho Segundo São Mateus, respectivamente. Ele apenas nos soca no estômago. Esteticamente o filme é podre até a medula e eu culpo por isso os anos e anos que Gibson gastou fazendo filmes ruins: as pequenas crianças demoníacas (alguém lembrou do Come to Daddy do Chris Cunningham?), a câmera lenta desnecessária (só faltou um tiroteio ao estilo Matrix) e a equivocada imagem de Satã.

 

O problema em apresentar um filme sobre o contexto da santidade** de Jesus (desculpe, mas flashbacks espúrios à última ceia não contam) é que você cria um filme sem dimensões humanas. Eu esperei, até me preparei, para  uma obra extremista e livre de contexto, fruto do fundamentalismo. Exceto por uma memorável passagem que evoca o fracasso de Maria em proteger Jesus da maneira que ela fazia quando este era uma criança, não há amor na Paixão. Gibson tem dito em entrevistas que ele queria “chocar” a audiência, e desta maneira a Paixão se desdobra como uma fumaça artística** para a ladainha fundamentalista do ator/diretor. Isso não é algo necessariamente ruim, exceto pelo fato de eu achar que existem formas mais saudáveis e mais profundas de conectar os cristãos com a morte de seu salvador.

 

Eu entendo a necessidade, para alguns cristãos, de defender A Paixão. Sei que esse é um filme que algumas pessoas precisam, mas também não é um filme que apela para o espírito humano, e sim paras as noções básicas, primitivas, de verdade crua** e retribuição, não muito diferente do anti-católico e agitador The Magdalene Sisters*** de Peter Mulan. A Paixão parece ter sido feita para aqueles que acreditam que Deus é uma divindade raivosa e vingativa, e desta forma eu exorto os cristãos a rejeitar esse filme e acolher algo como o devastador O Filho, de Jean-Pierre Dardenne e Luc Dardenne. É um testamento profundamente tocante ao perdão cristão, que filosófica e empaticamente estuda a violência ao invés de utilizá-la como um ato de opressão cultural das massas.

 * Mel Gibson's Punch Drunk Christ, no original, como referência ao filme do Paul Thomas Anderson.

** A tradução foi difícil nestas passagens, só pude improvisar. Consultem o original e me corrijam, se for o caso.

 

*** Não me lembro do título do filme em português.

 

Mel Gibson's Punch Drunk Christ

 

There is a scene in Mel Gibson's The Passion of the Christ where the crowd outside Pontius Pilate's palace must choose to free Jesus Christ or a tongue-smacking, raving killer who might as well be a distant relative of the Tazmanian Devil. At times the film recalls a bad sketch comedy, with actors trying to desperately transcend their respective characters' singular dimensions, but only during this one scene does this struggle transcend Gibson's cartoonish representation of good and evil. This educational, primitive evocation of how deep the hatred for Jesus went evokes the simple-minded allure of the Bible stories I was raised on as a child. Sadly, this is something that doesn't carry into the rest of the film: an inhuman, pornographic, masochistic torture mechanism—a product of aggressive Catholic guilt that should have been born out of love instead.

 

The Passion is a dangerous accumulation of political signs and stereotypes. Satan is represented in the film as an androgynous woman and her minions are deformed children of different sizes. Herod is a flaming Caligula. The Jews are leering and blood-thirsty. This is something that can't be ignored, and I say this because the film doesn't live and breathe Jesus as much as it does the hang-ups of its true auteur (its Creator, if you will): Mel Gibson. Luis Buñuel's Nazarín similarly wears its director's spiritual baggage, but it's also a daring, humanist study of the very masochism that remains unaddressed in Gibson's film (not to mention, how it continues to eat away at the Catholic church). Is The Passion anti-Semitic? Christians will turn to the Gospels to defend this accusation, and Jews will recall the way passion plays have been used to oppress their people throughout time. I think the truth lies somewhere in the middle.

 

The Jews in the film are ghouls, and though The Passion doesn't explicitly inspire violence against them, the masochistic quality of Gibson's images is another thing altogether. I'm troubled by the angry tone of retribution that underscores every image in the film, this feeling of "you'll get yours" recompense that threatens to crack the matrix of time and space well before Jesus' death summons the ire of his father. To me, the final moments of The Passion are implicitly vindictive, and there's a "boo-yah!"-ness to the way Christ exits the tomb that suggests The Passion of Christ: Lethal Weapon. I'm not trying to be snide. I have no problems with the real Jesus—he was all about love. It's this high-octane representation that troubles me, and it's obvious that Gibson has a cross to bear.

 

Martin Scorsese celebrated Christ's humanity and teachings in his clunky but moving The Last Temptation of Christ. Is he the Son of God, or is he being tested by Satan? The meta of the film was the very first Messianic complex, and as such Jesus' journey becomes one of acceptance—by film's end, he accepts not only his role as a man, but his role as a savior. In Scorsese's film, the Devil tempts Jesus in the form of a blonde, Aryan child—a deceptive symbol of untainted purity. Gibson doesn't even understand the seductive allure of temptation. Not only is the devil a woman, she talks like a man (gender-bending = bad) and holds a deformed midget in her arms (deformity = really bad). Life is sexy, mysterious, confusing, but where Scorsese and Buñuel make Christ work for his enlightenment, Gibson makes things easy for his stick figure. His symbolism is thick and woefully obvious. Rather than seduce Jesus with something pretty but poisonous inside, he taunts him with what is obviously lethal, and in essence does all the work for Jesus.

 

You get a sense while watching the film that Gibson would flog each and every one of us if it brought us closer to God. This is spiritual enlightenment via pain. Gibson doesn't appeal to us as spiritual beings, nor does he attempt to touch us intellectually or philosophically, like Andrei Tarkovsky and Pier Paolo Pasolini did in Andrei Rublev and The Gospel of St. Matthew, respectively. He merely punches us in the gut. Aesthetically, the film is rotten to the core, and I blame the years and years Gibson spent making bad movies for that: the little demon children (Chris Cunningham's "Come To Daddy" anyone?), the needless slow-mo (all that's missing is a Matrix-style, bullet-time F/X show), and the misguided Satan imagery.

 

The problem with presenting a film about Christ sans context (sorry, but spurious flashbacks to the Last Supper don't count) is that you create a film without human dimensions. I expected, even welcomed, an extremist work of context-free, literalist fundamentalism. Except for a startling montage that evokes Mary's failure to take care of Jesus the way she used to when he was a child, there's no love in The Passion. Gibson has said in interviews that he wanted to "shock" audiences, and as such The Passion unravels as a high-art snuff film for the actor/director's fundamentalist choir. That's not necessarily a bad thing, except I think there are healthier, more profound ways of psychologically connecting Christians to the death of their savior.

 

I understand the need for some Christians to defend The Passion. I know this is a film some people need, expect this is not a film that appeals to the human spirit, but to primitive, base notions of aesthetic truth and retribution, not unlike Peter Mulan's anti-Catholic agitprop The Magdalene Sisters. The Passion is a film that appears to have been made for those who believe God is an angry, vengeful deity, and as such I challenge Christians to reject this film and embrace a film like Jean-Pierre Dardenne and Luc Dardenne's devastating The Son instead. It's a profoundly moving testament to Christian forgiveness, which philosophically and compassionately studies violence instead of using it as an act of mass-cultural oppression.

 

Ed Gonzalez

© slant magazine, 2004.

 

(editado para corrigir alguns erros de digitação e tornar o texto mais fluido, sem prejuízo da correspondência ao original)
Alexei2006-10-21 17:34:07
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Qual o próximo processo? Já há previsão?

Não assisti o filme do Gibson.

 

Sim já há previsão, o próximo começa na segunda-feira dia 23/Out, o pequenas causas vai debater a legitimidade do oscar de melhor filme deste aqui ó:

 

Crash - No Limite

 

crash-no-limite-poster06.jpg

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A impressão que eu tive após ler esse post foi a de um mingau que passou do ponto. Quanto mais a gente tenta raspar o que ficou no fundo' date=' mais o que está na colher adere de volta.[/quote']

 

Digo o mesmo do seu terceiro (ou seria quarto...06) Canto do Cisne.07

 

Se não me engano' date=' você havia me perguntado se o que eu estava escrevendo era fato ou opinião. Ou o que eu li na página anterior foi outra coisa? Eu poderia até não responder, já que a resposta era óbvia, mas o fiz por cortesia e com bons modos. É realmente minha opinião.[/quote']

 

Ok. Foi mal da minha parte, admito. É que o tom de "Autoridade" que concedeu ao Dook (convenientemente partidário da sua opinião...) me fez entender outra coisa. Obrigado pela explicação, ainda assim.  

 

 

Você não entendeu o que eu quis dizer com a verdade do Gibson? Quais foram as intenções dele ao fazer esse filme' date=' no teu entendimento? Quais foram seus propósitos em retratar a paixão em seus mínimos detalhes (sic)? Pra mim ele passou o seguinte:

 

"Ei! Você aí, cristão não-praticante ou não cristão! Está vendo como Jesus sofreu por nós? O que ele suportou enquanto o resto da humanidade o açoitava? E não foi pouco não, ele sofreu pra caramba! Portanto, converta-se, ou retorne à igreja!"[/quote']

 

Deixe ajudá-lo a entender minha opinião: seu alvo não deveria ser o filme e a opção de Gibson em filmar a Paixão de Cristo, mas a Cristandade enquanto doutrina (não só a Igreja Católica mas as Evangélicas também), pois, se existe algo em comum entre as religiões cristãs, é o fato de que SIM, JESUS VEIO AO MUNDO PARA PASSAR SEU ENSINAMENTO, SOFRER E MORRER PELOS PECADOS DOS HOMENS! Desculpe, mas parece que só gritando mesmo pra te fazer entender...07       

 

 

Assim mesmo' date=' cheio de exclamações.

 

Se isso não é um reforço da fé pelo sentimento de culpa, uma catequisação à base do porrete, não sei o que é. Mostrar a paixão do Cristo foi um instrumento, e não um fim em si. Eu já havia dito isso, ou você não leu? Aí vai de novo:

 

"a forma com a qual o diretor transmite suas próprias verdades (*dentre as que ele julga serem passíveis de transmissão, e esse é um ponto muito importante)..." 

 

Você negritou a sentença errada. A verdade do Gibson (ou seja, no que ele acredita) é que as pessoas podem, pelo sentimento de culpa ou - se for o caso, é pior ainda - pela piedade, se converter ao cristianismo ou reforçar seus laços com ele. Cada um acredita no que quer, mas transformar isso num filme é muita pobreza de espírito. Gibson cospe no próprio público que deseja seduzir. [/quote'] 

 

Mais uma vez, mera opinião. Ele (assim como qualquer outro diretor) tem o direito de fazer o filme que quiser. Sempre haverá aqueles que irão torcer o nariz e adjetivar pejorativamente obras controversas por conta de divergências pessoais e conceituais.    

 

*Ao negritar esse trecho você não só comprova que negritei corretamente como, na verdade, atesta sua confusão de idéias. Ou seja: ao passar para a tela o que julgou ser "passível de transmissão" ele passou uma VISÃO, uma opinião pessoal sobre algo (a passagem da Paixão) e não suas verdades. São coisas completamente diferentes. Agora, se você não concorda com isso o problema é seu. Mas, daí dizer que (sic) "ele  cospe no próprio público que deseja seduzir", desculpe mas não  vejo o porquê.

 

           

 

Sectarismo não é sinônimo de proselitismo.

 

Meu filho' date=' quem se bagunçou aqui foi você, não eu! E SIM, para a sua informação PROSELITISMO É UM DOS SINÔNIMOS DE SECTARISMO. Dê uma olhadinha num dicionário qualquer que você pode comprovar.03

 

  

 

Sim, considero o filme anti-semita pela forma que os judeus foram retratados, fanáticos desvairados babando por sangue. As eventuais explicações dadas pelo Papa não suavizam a questão, até porque ele exerce uma função política e não seria louco de silenciar ante as acusações que pipocaram de várias partes do mundo, principalmente após ter visto o filme em uma sessão prévia, concebida com o propósito de receber seu aval.

 

É... Uma turba que conspira para que um irmão de sangue seja levado à morte realmente não está sedenta por sangue... Sacerdotes sabedores do teor dos ensinamentos de amor e caridade de Jesus e testemunhas de seus milagres e que ainda assim mandam matar não estão desvairados por poder e vaidade... 07

 

 

 

Se você visualizar o filme no meio que o circunda' date=' com as relações entre o cristianismo, o judaismo e o islamismo em uma situação tão delicada, pode perceber que faltou senso de oportunidade ao Gibson, no mínimo. Uma das muitas insensibilidades que ele demonstrou.[/quote']

 

O que você chama de insensibilidade eu chamo de audâcia e coragem. Visões diferentes...03

 

 

 

Sobre a superficialidade psicológica' date=' creio que você anda praticando a leitura seletiva, registrando apenas o que te convém. Desde o início eu afirmei que considerava o projeto todo equivocado e demonstrativo apenas da arrogância de seu diretor. Com aquelas imagens ele não teve outro propósito a não ser chocar, constranger e, por essa via torta, transmitir suas próprias crenças e converter os outros a elas. A superficialidade é premeditada e nem por isso deixa de ser ruim. É até pior que a involuntária.[/quote']

 

Não vou negar: você está corretíssimo. Realmente pratico a leitura seletiva. Aliás, não só a leitura, mas tudo aquilo que me proponho a fazer. Só faço o que julgo ser conveniente para o meu bem. Se essa característica lhe desagrada, sinto muito, mas... Problema seu! 

 

Quanto às "vias tortas", como disse antes, se Gibson tentou, pelo menos comigo ele fracassou miseravelmente. Já sou um "convertido" há tempos... 

 

 

Citação não implica reflexão. Eu até gostaria de ter refletido sobre os valores que o cristianismo prega' date=' mas todo aquele sangue esguinchando em profusão da tela me impediram de tentar qualquer coisa nesse sentido. Os flashbacks te proporcionaram isso? Pra mim foram tearjerkers. Como já falei, oportunistas e situados de forma calculada entre um açoite e outro.[/quote']

 

Claro que não! Uma imagem, uma mensagem, um texto, um gesto não só em um filme mas visto em qualquer lugar podem te levar à reflexão ou não, mas (antes do MODO) o que conta é COMO isso bate em você. Pena que o filme de Gibson só serviu para afrontá-lo. Em mim ele bateu de forma diferente.

 

         

 

O Rafal' date=' que inseriu a Páscoa na história não sei a que pretexto e considera a minha maior decepção com o filme algo ridículo, já me rotulou de frio. Sinta-se à vontade, mas sabendo que o "se não se emocionou, é porque é insensível" é primo do "se não entendeu, é porque é burro".[/quote']

 

Sobre o que o Rafal disse a seu respeito, sugiro que se dirija a ele e tire suas dúvidas com quem de direito. Aliás, isso nem me interessa! Não me meterei nesse imbróglio... Agora, primo por primo, dizer que "quem se emocionou e se sentiu tocado é sectarista" (ou coisa pior, pelo teor de suas idéias...) é ser farinha do mesmo saco:  visão limitada de uma pessoa que não gosta de ver sua opinião contrariada. Relax man!03

 

 

     

1) E com isso chegamos à tal reflexão que você transcreveu acima' date=' e que eu mantive. Ela, que parece ser anterior ao próprio filme (ele foi utilizado para referendá-la, e não o contrário), só me passa generalização e subestimação da inteligência do espectador. Faz inferências absurdas, conclui coisas do nada. 2) Demonstra também que, como seu próprio autor, as pessoas só vêem o que querem. Qual foi a sua reflexão acerca dela? Se as pessoas enxergam o Cristo como um super-herói idealizado, um tratamento de choque, a ferro e fogo, é legítimo para tirá-las dessa letargia?" [/quote']

 

1) Você está inferindo ou afirmando... Não o entendi! Acredite, é POSTERIOR ao filme. Se quiser depois posso postar a crítica inteira. Mas sua opinião sobre (sic) "...generalização e subestimação da inteligência..." "Faz inferências absurdas e conclui coisas do nada." só me leva a concluir que você está sendo um roto falando de um maltrapilho.

 

2) Como já disse pro Nacka, já aprendi a duras penas que, querendo ou não, em Arte, as pessoas  geralmente só vêem aquilo que querem e nem sempre aquilo que deveriam ver...    

 

 

 

É isso' date=' então, o que você chama de foco extremo? Acho que já sei a resposta.[/quote']

 

Se já sabe a resposta (menino esperto...06), não faça a pergunta! Essa atitude de se achar na frente e subestimar alguém numa discussão é deselegante. Aqui, eu até poderia discorrer sobre a MINHA OPINIÃO, mas pelo que já pude perceber, você não está interessado nela. Sendo assim... Continue com a SUA resposta. 03

 

     

 

Por último' date=' esse é um conselho que dou a você, se for do seu interesse: seja menos defensivo. Você retalhou meu post até torná-lo incompreensível, destacou apenas o que queria com o propósito de diminuir meu discurso. Quando eu disse para voltar no tópico, era apenas isso mesmo, coisa que você parece não ter feito. Observe que sua primeira reação foi assumir que, para mim, nossos pontos de vista não poderiam conviver. Isso, sinceramente, me pareceu muito paranóico.

 
[/quote']

 

Como disse no início do post, pra alguém que disse que a paciência já tinha ido pro brejo e que não voltaria a postar sobre o filme, é até engraçado ver você dando esse conselho...06 Mas, aqui me sinto na obrigação de agradecé-lo, mas o dispenso.

 

Estranho... Não percebi ter "retalhado" seu post a ponto de torná-lo incompreensível. Se assim fiz ou lhe pareceu, peço desculpas. Outrossim, saiba que não quis apenas destacar o que queria com o "propósito de diminuir seu discurso", mas apenas no sentido de sequenciar meus contra-argumentos em relação ao que você postou. Ver paranóia aí me parece ser tão paranóico quanto... 
The Deadman2006-10-22 18:04:40
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Opa ... Eu adoro este filme. Mas debateremos se este filme merecia o Oscar no lugar dos outros quatro indicados ou se ele é bom? Porque por mais que alguns usuários gostem de Crash' date=' nunca vi ninguém preferindo ele a qualquer um dos indicados.

[/quote']

 

Verdade.

 

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espero que não se prenda à questão Oscar... e quem defenderá Crash?

 

Diabo' date='sim,é um mérito,como já foi apontado por diversas pessoas,até pelo seu adorado Dook.

Esqueceu do Flagelo Realístico,que também já foi apontado por outros como um ponto positivo do filme.
[/quote']

 

O fato do Flagelo realístico não anula o fato dele ter sido inútil.

 

5) Você vai assistir um filme que se propõe a mostrar as últimas 12 horas de vida (ou melhor seria “morte”?) de Cristo' date=' onde ele é barbaramente massacrado física e psicologicamente e que ver “profundidade psicológica”?? Tem certeza? Hummm... Acho que você optou por assistir o filme errado. 03<?:NAMESPACE PREFIX = O />

[/quote']

 

Então a proposta do filme é uma bosta, da profundidade de um pires.

 

Um breve resumo do filme: um festival de sangue lotado de flashbacks até vc cansar de tudo isso. As mensagens que Jesus passou, e a suposta ligação com os eventos do filme soaram didáticas demais, do tipo: "Olhem, veja como ele era bonzinho e passava mensagens bonitas. E é de emocionar a ligação das mensagens dele com o flagelo dos pecados de vcs que fez com que ele morresse".

 

E na boa, todo mundo conhece a história de Jesus, e tal mas... imagina se a pessoa que ve o filme nunca ouviu falar do cara? Mesmo com os flashbacks, ficaria totalmente perdida. E além disso, pensaria que Jesus era retardado, visto que passou por todo aquilo porque ele era bonzinho e os humanos eram malvados (especialmente a bicha louca do Herodes e o Diabo David Bowie).
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KD o veredicto?

 

The Spartan

 

Ok. Os juízes do Pequenas Causas... chegaram a um consenso. O filme do diretor Mel Gibson apesar de seus dúbios méritos técnicos, não deixa de ser oportunista na pior acepção da palavra. Gibson exerce a tirania das imagens chocantes para sacudir sua platéia até à exaustão e tira a oportunidade de julgarmos os feitos de Cristo pela fé. Não precisamos nem mesmo acreditar em Cristo para "entender" que ele foi um mártir. 

Optar por retratar as últimas 12 horas de Cristo torna o filme descontextualizado e nem mesmo os famigerados flashbacks conseguem consertar isso, ou seja, o que o diretor pretendia se torna o ponto fraco do filme. Com personagens caricatos e o próprio Cristo transformado em saco de pancadas A Paixão de Cristo não convida à reflexão depois que sobem os créditos... presta portanto um serviço ralo à fé e ao cinema.

 

Passamos agora ao próximo processo que trata de julgar se o filme Crash - No Limite do diretor Paul Haggis é merecedor do Oscar de melhor filme e se estamos diante de um bom filme ou apenas de mais uma odiosa birra da Academia... o júri gostaria que houvessem manifestações de pelo menos um usuário disposto a defender o filme, como advogado de acusação, indicamos o Dook.

 

Então: Crash - No Limite

crash-no-limite-poster02t.jpg

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Defesa:

 

help

 

Acusação:

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Ok. Os juízes do Pequenas Causas... chegaram a um consenso. O filme do diretor Mel Gibson apesar de seus dúbios méritos técnicos, não deixa de ser oportunista na pior acepção da palavra. Gibson exerce a tirania das imagens chocantes para sacudir sua platéia até à exaustão e tira a oportunidade de julgarmos os feitos de Cristo pela fé. Não precisamos nem mesmo acreditar em Cristo para "entender" que ele foi um mártir. 

Optar por retratar as últimas 12 horas de Cristo torna o filme descontextualizado e nem mesmo os famigerados flashbacks conseguem consertar isso, ou seja, o que o diretor pretendia se torna o ponto fraco do filme. Com personagens caricatos e o próprio Cristo transformado em saco de pancadas A Paixão de Cristo não convida à reflexão depois que sobem os créditos... presta portanto um serviço ralo à fé e ao cinema. [/quote']

 

 Não concordo com o veredito e menos ainda com os comentários (nitidamente parciais) dos Juízes sobre o filme, mas se foi consensual, fazer o quê, né? 01

 Caberia um recurso?!  17 06

 

        
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