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Fogo Contra Fogo


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Fogo Contra Fogo (Heat, 1995)

 

****,5

 

Michael Mann é um diretor fantástico; de todos os seus filmes, não há um ruim e todos contam com sau direção segura. Mas "Fogo Contra Fogo" é, disparado, o melhor de Mann.

 

Suas três horas de duração não incomodam um pouquinho sequer, afinal o diretor se sente à vontade nas (poucas) cenas de tiroteio e perseguições presentes. Mann não força a câmera e desenvolve suas personagens de modo natural (Neil McCauley, Vincent Hanna e Chris) de forma que sentimo-nos incomodados com os duelos entre eles, sem saber "por qual lado" optar. Enquanto isso, Robert DeNiro e Al Pacino chutam traseiros e os paus das barracas.

 

O roteiro começa vago e algumas personagens ficam em segundo plano, como a de Jon Voight, o que poderia ser um problema... Se não fosse um brinde: neste duelo entre Pacino/Hann e DeNiro/Mc Cauley pouco importam as histórias dos outros, tá certo. Além disso, o que podem soar à primeira vista como clichês (o love affair entre Eady e Mc Cauley / o policial dedicado) viram ouro nas mãos de Mann: o discurso de DeNiro sobre "largar em trinta segundos" não fica exaustivo e superficial, opositalmente, o caso romântico dá um ponto a mais para o filme.

 

Fora isso, o filme é foda. Ficamos aguardando o conflito com angústia e quando ele chega, surpresa, vamos tomar café. Edição no capricho, como manda as escrituras, os atos fluem divinamente, sem pesar nos nossos ombros. Agrada, também, no quesito policial: a "névoa" vai se dissipando e encantando, com mortes, planos de fuga etc. Só complica em certos momentos, porque fica difícil de acompanhar tamanha arquitetura de McCauley, com seus comparsas.
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Ótima crítica do Garami para o filme:

 

A L.A.P.D. (Polícia de Los Angeles) foi fundada em 1853 e é a terceira maior organização policial dos Estados Unidos, atualmente. Tendo trabalhado em diversos casos importantes e famosos (como o caso Charles Manson), é natural que a L.A.P.D. tenha passado a fazer parte da ficção cinematográfica, sendo retratada em diversos filmes (como Cães de Aluguel, Duro de Matar, O Exterminador do Futuro, entre outros). Porém, tal organização sempre foi retratada pelo cinema em uma visão muito geral e pouco introspectiva: mostrava-se muito a atuação de suas forças especiais e “esquecia-se” de apresentar os profissionais individualmente, principalmente no que tange o cotidiano de um policial que faz parte de tal organização e que precisa conciliar sua vida com seu trabalho.

 

Porém, em 1995, Michael Mann (responsável por filmes como “O Último dos Moicanos”, “Ali” e o recente “Miami Vice”) apresentou ao mundo uma visão um tanto quanto diferente. Era um filme intimista, revelador, tenso em certos momentos e, principalmente, introspectivo. Contando com as atuações de Al Pacino, Robert de Niro, Val Kilmer, Jon Voight e até mesmo de uma Natalie Portman em início de carreira, Mann construiu um novo conceito dentro dos filmes de ação/policial. É interessante observar que na década de 90, tais gêneros eram muitíssimo bem cotados e rendiam diversos filmes. Muitos desses transbordavam inteligência e criatividade (como exemplo, podemos citar Cães de Aluguel, Pulp Fiction e Os Suspeitos). Entretanto, a proposta de Michael Mann era um tanto diferente: pretendia mostrar um embate quase que pessoal entre dois homens, explorando, assim, o âmago de cada um. Não importaria o desvendar do crime e nem o tiroteio destruidor ao final, mas sim, o que cada um carrega dentro de si e o que os impulsiona. Mais importante do que as armas seria a essência posta à prova. Não que “Fogo Contra Fogo” seja um estudo psicológico a níveis incompreensíveis. Ele é um filme policial como outro qualquer, porém, com a ressalva de ter um foco diferente do normal. Ele preocupa-se mais como seus personagens do que com a ação desenfreada. E o simples fato de ter se arriscado de tal maneira já o faz digno de aplausos.

 

Vincent Hanna (Al Pacino) é um tenente da Divisão de Homicidios da L.A.P.D. Após saber que três policiais foram assassinados em um assalto a carro forte (de onde foram roubados 1,6 milhões de dólares em títulos ao portador), ele passa a investigar o caso e a perseguir Neil McCauley (Robert de Niro), um criminoso que acabara de sair da cadeia, mas que já está na ativa mais uma vez. Primando por focalizar o que se passa dentro de cada um desses personagens, o filme utiliza-se de sub-tramas para ilustrar o “cotidiano” dos dois: enquanto Vincent está em seu terceiro casamento, vendo sua esposa infeliz por causa de sua dedicação exacerbada com o traballho e sua enteada sentindo-se rejeitada pelo pai biológico, Neil procura não envolver-se com nada nem ninguém “dos quais não possa se desfazer em 30 segundos”.  Entretanto, por mais que pareçam extremos opostos, esses dois homens são incrivelmente semelhantes. E é nisso que o filme aposta com sua trama.

 

O que mais aproxima Vincent e Neil, certamente, é a dedicação com que se entregam àquilo que fazem. E essa dedicação é o que os torna pessoas distantes e com as quais é difícil de conviver. Em certo momento do filme, Justine (Diane Venora), esposa de Vincent, lhe diz: “Você não vive comigo. Você vive entre os corpos das pessoas mortas”, frase à qual, Vincent sequer reage, pois sabe do fundo de verdade que esta tem. Sua compenetração em seu trabalho é sua forma de dar sentido à sua existência. Enquanto isso, Neil é um homem sozinho, que confia única e somente em seu braço direito, Chris (Val Kilmer) . Porém, por mais que se cerque de seus companheiros de crime, Neil não pode negar que é sozinho. Sozinho assim como Vincent que, mesmo possuindo uma família, não consegue adaptar-se à ela, tornando-se, até mesmo, um fardo. A melhor forma de constatar a semalhança entre esses dois homens é quando eles sentam frente a frente e, tomando café, conversam sobre suas vidas (em uma cena memorável, com um diálogo realmente incrível). A partir de então, eles percebem que tanto um como o outro tem plena consciência daquilo que suas vidas se tornaram. E mais! Reconhecer que são mais semelhantes do que aparentam lhes dá mais motivos para “enfrentarem-se”. A perseguição acaba saindo do plano-comum de “policial x bandido” para tornar-se quase que pessoal. É derrotado aquele que primeiro perder a noção daquilo que realmente é.

 

Para ilustrar tamanho “combate”, Michael Mann faz um belo trabalho de câmera, principalmente no que tange as tomadas aéreas e às cenas de ação. Enquanto as primeiras mostram a extensão e o visual de Los Angeles à noite (dando a entender que todo aquele território pode servir de palco para a caçada de Vincent à Neil), as cenas de ação mostram-se incrivelmente reais e bem elaboradas, evidenciando o talento e o cuidado de Mann para tal tipo de cena. Outro aspecto interessante de se perceber em “Fogo contra Fogo” é a forma como os enquadramentos são feitos nos personagens para representar suas emoções. Em certo momento, Neil encontra-se próximo a uma janela. Ela, somada à pouca luz utilizada em cena tentam representar a solidão do personagem e sua dificuldade em se aproximar das pessoas. Tudo isso em um clima quase noir.

 

Entretanto, nem tudo são flores. O maior inimigo desta obra é sua duração. Os 174 minutos de filme acabam por torná-lo um tanto quanto maçante. Além disso, algumas das (muitas) sub-tramas do filme que acabam por estendê-lo ainda mais poderiam, facilmente, ser enxutas e, assim, tornar o filme mais “limpo”. Uma dessas sub-tramas é a do personagem Donald Breedan (Dennis Haysbert), um ex-parceiro de Neil que consegue emprego em uma lanchonete após sair da prisão. Apesar de ser uma sub-trama interessante e eficiente, ela poderia ser excluída tranquilamente sem que isso causasse um dano à obra.

 

Sendo assim, “Fogo contra Fogo” é um marco na história dos filmes policiais e mais um dos exemplares que tornaram a década de 90 tão memorável. Além disso é um excelente exemplo de como os diferentes gêneros de cinema são flexíveis, bastando para moldá-los, a criatividade dos responsáveis pela obra. Enquanto os diretores e roteiristas souberem como aproveitar as inúmeras possibilidades do cinema, continuaremos a ser brindados com grandes obras, que se imortalizarão dentro da história da Sétima Arte.<?:NAMESPACE PREFIX = O />

ltrhpsm2006-10-15 22:50:46
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  • 2 weeks later...
Gosto muito' date=' mas não consigo deixar de achar que poderia ser melhor. Talvez menor... [/quote']

 

Como o rubysun comentou no Cineclube em Cena quando o filme esteve em “exibição”, Mann sabe como ninguém cronometrar o tempo de seus filmes e editá-los na medida certa. Se você observar as cenas extras do DVD Duplo, então... Concluindo, as sub-tramas são necessárias para dar vida à situação e o filme não virar meros tiroteios estilosos; inclusive a do negro que mais tarde morrerá, visto que é exposta a sujeira em seu interior, por maiores esforços que a personagem faça para livrar-se.
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Quando terminei de ver esse filme' date=' fiquei extasiada. Aquela cena qdo os dois se encontram na lanchonete representou pra mim simplesmente o encontro de dois gênios, duas lendas vivas, um dos pontos fortes do filme (com exceção do final)...Esplêndido!!!10[/quote']

 

Aquela cena é mesmo impactante.
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Quando terminei de ver esse filme' date=' fiquei extasiada. Aquela cena qdo os dois se encontram na lanchonete representou pra mim simplesmente o encontro de dois gênios, duas lendas vivas, um dos pontos fortes do filme (com exceção do final)...Esplêndido!!!10[/quote']

 

Aquela cena é mesmo impactante.

 

uma das melhores cenas do cinema

 

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  • 1 year later...
Quando terminei de ver esse filme' date=' fiquei extasiada. Aquela cena qdo os dois se encontram na lanchonete representou pra mim simplesmente o encontro de dois gênios, duas lendas vivas, um dos pontos fortes do filme (com exceção do final)...Esplêndido!!!10[/quote']

 

Aquela cena é mesmo impactante.


uma das melhores cenas do cinema

 

 

 

Concordo . Um diálogo antológico .

 

 
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Quando terminei de ver esse filme' date=' fiquei extasiada. Aquela cena qdo os dois se encontram na lanchonete representou pra mim simplesmente o encontro de dois gênios, duas lendas vivas, um dos pontos fortes do filme (com exceção do final)...Esplêndido!!!10[/quote']

 

Aquela cena é mesmo impactante.


uma das melhores cenas do cinema

 

 

 

Concordo . Um diálogo antológico .

 

 

 

Mas tb é só isso, pq o filme mesmo é até mediano e previsivel. Vale apenas por esse registro, mas acredito q um filme tb deva se-lo pelo seu conjunto..
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a melhor cena de tiroteio - a mais realista por mim ja vista - e ja estive em alguma heheheheheheh    e ja participei de outras tantas, e muito mais proxima a realidade do que muitos imaginam, sem contar o G3 - para mim o melhor fuzil - hehehehehe   nada contra o ak47 -  o melhor do mundo mas muito pesado e o fal 7,62 tambam muito pesado , o G3 e leve preciso e mortalmente eficiente! hehehehehehehehheeh     

 

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Embora eu goste de "Fogo Contra Fogo", precisaria revê-lo para avaliá-lo com mais propriedade, mas o meu top do Michael Mann, hoje, ficaria assim:

 

1) O INFORMANTE - 9/10

2) COLATERAL - 8/10

3) FOGO CONTRA FOGO - 8/10

4) MIAMI VICE - 7/10

5) ALI - 6/10

 

Destes filmes, o que eu menos gostei foi "Ali", por isso este mereceria uma revisão tb, mas por enquanto fica assim.
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a melhor cena de tiroteio - a mais realista por mim ja vista -    

 

Vc ainda não viu 'Miami Vice'???

 

não, ainda não vi!  não gosto da propaganda do filme. não sei se aceitaria ver os personagens interpretados por atores diferentes! heheheh a cena de bang bang e boa thiago!????    

 

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