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Forum Cinema em Cena

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Já havia um tópico para o filme aqui, mas ele parece ter sido engolido pelo tempo.

 

Pode parecer que não há muito mais o que se falar sobre o filme, mas acho que filmes como esse são fontes eternas de discussão.

 

Surgiu no tópico "O que vc Anda Vendo e Comentando" a questão de que o filme Laranja Mecanica é visto, por alguns, como uma comédia. Outros discordaram, dizendo que quem o enxerga dessa maneira na verdade "não entendeu o filme" (a famosa síndrome Matrix).

 

O que vcs acham? O filme pode ser rotulado de que maneira, se isso fosse realmente preciso? A violência te choca, ou vc a enxerga como uma caricatura da violência?

 

 
veras2007-01-13 12:56:12
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Sua colocação lá no tópico é perfeita, Enxak. De fato, e o tempo todo, Kubrick está nos colocando na pele de Alex, está fazendo com que o sejamos e o entendamos a ponto de torcemos para ele, um personagem tão cruel e condenável. Acho mesmo que quando vemos a graça na violência, estamos compartilhando da visão de Alex. Putz, Kubrick não existe!16

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Como eu disse lá,nossos conceitos de ética e moral enxergam que aquilo que o Alex faz,como o espancamento do escritor no começo do filme,é errado,mas mesmo assim nos pegamos rindo das cenas.Na mão de um diretor não tão afiado,o Alex seria desde o início,até o fim da projeção um personagem repulsivo,que odiaríamos,mas não...Ele chega a ser carismático,torcemos para que tudo fique bem com ele,perdoamos suas atrocidades,porque,como vc disse,Kubrick nos induz a compartilhar da mesma visão de Alex.É o que mais admiro neste filme.

 

 
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É, e Kubrick também faz isso em Barry Lyndon que, por sinal, é genial idem.

Mas vcs tocaram em um ponto interesssante, o ético.

 

E se nem todas as pessoas tiverem o mesmo conceito da ética e da moral(o que é fato) ou por motivos pessoais(sofreram estupro, algo assim) enxergarem o filme de maneira diferente? Essa maneira seria o choque e a conseqüente repulsa? E se a fosse, ela seria razão suficiente para não gostar do filme?

 

 

Afinal, citar ética como motivo para gostar do filme é espada de dois gumes, então podemos perguntar: isso é suficiente ou tem mais? Além disso, esse não é o primeiro nem o último vilão pelo qual me identifiquei e, creio, vcs se identificaram.
filmesking2006-10-18 14:18:35
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Eu não acho que alguém com traumas de estupro deixaria de gostar do filme, já que ele não defende essa prática (com todo o respeito, quem interpreta o filme assim, definitivamente não entendeu 06).

 

O filme é uma auto-caricatura. Kubrick dá um tom bem farsesco, bizarro, pro filme. Eu torço pelo Alex pelo cinismo, por humor negro. A música é bem tocante nesse aspecto. Convenhamos que máscaras de porco, uma musiquinha alegre do Beethoven, estupradores que se veste de maneira ridícula e dão risadas que nem retardados, não são das situações mais tensas. 06
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Como eu disse lá' date='nossos conceitos de ética e moral enxergam que aquilo que o Alex faz,como o espancamento do escritor no começo do filme,é errado,mas mesmo assim nos pegamos rindo das cenas.Na mão de um diretor não tão afiado,o Alex seria desde o início,até o fim da projeção um personagem repulsivo,que odiaríamos,mas não...Ele chega a ser carismático,torcemos para que tudo fique bem com ele,perdoamos suas atrocidades,porque,como vc disse,Kubrick nos induz a compartilhar da mesma visão de Alex.É o que mais admiro neste filme.

 

[/quote']

 

Rio demais nessa cena. 06 Minha mãe uma vez meio que assistindo também o filme me perguntou: "Ai Jefferson, você ainda ri disso?". 06 O negócio é que é impossível não ri. Alex é engraçado, carismático, autêntico, não dá pra não simpatizar com ele. Coisas de Kubrick.
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Contém Spoilers...

 

Vocês riram da cena de estupro? 13 Ou da cara que o escritor faz no final? Esta é realmente engraçada.....

Aquela cena é chocante.... fiquei impressionado da primeira vez que eu vi.... na hora fiquei com raiva do Alex... mas depois o carisma dele me fez "gostar" dele e torcer por ele.... até mesmo na cena em que ele mata uma mulher... a ironia com que ele a trata, a forma que ele a persegue com o pênis de porcelana (putz... é sensacional...) deixa a cena muito mais irônica do que a do livro....

A obra de Antony Burgess já é uma obra-prima, e nas mãos de Kubrick se tornou algo fantástico... o final é muito superior ao do livro.

Não concidero o filme uma comédia.Muito menos uma ficção. Este é um dos filmes mais difíceis de se classificar.... pra mim é mais um drama com humor negro do que qualquer outra coisa.

Bom, Laranja Mecânica é o melhor filme que eu já vi na vida, e acho que dificilmene alguem vai superar.
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Na boa, o que menos me choca nesse filme é a violência...

 

E não tem como não rir de um personagem que mata uma mulher a "pirocadas". É engraçado mesmo.

 

 

Deixa eu me posicionar na discussão ...

 

Concordo que Laranja Mecânica possui

seus (vários) momentos engraçados' date=' mas será que seria justo

classificá-lo como comédia? Suponhamos que fossemos encubidos da missão

de definir um gênero para o filme. Vocês concordariam em colocá-lo como

comédia?

[/quote']

 

Não vejo problema nenhum.

 

 

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...mas será que seria justo classificá-lo como comédia? Suponhamos que fossemos encubidos da missão de definir um gênero para o filme. Vocês concordariam em colocá-lo como comédia?

 

Não vejo essa necessidade de se rotular os filmes.Filmes deveriam ter só 4 tipos de rótulos nas locadoras: Bons,Ruins,Medianos e Pornos. 06
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...mas será que seria justo classificá-lo como comédia? Suponhamos que fossemos encubidos da missão de definir um gênero para o filme. Vocês concordariam em colocá-lo como comédia?

 

Não vejo essa necessidade de se rotular os filmes.Filmes deveriam ter só 4 tipos de rótulos nas locadoras: Bons' date='Ruins,Medianos e Pornos. 06
[/quote'] Hehe, também não exar

Pena que isso é muito relativo...
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Não vejo essa necessidade de se rotular os filmes.Filmes deveriam ter só 4 tipos de rótulos nas locadoras: Bons' date='Ruins,Medianos e Pornos. 06
[/quote']

 

Era mais ou menos isso que eu estava tentando falar para o Engraxador no outro tópico, mas ele preferiu ser irônico e ficar dizendo que eu tinha uns papos "doentes".

Kakashi2006-10-18 23:20:52

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Laranja Mecânica – Dir.: Stanley Kubrick

Laranja Mecânica é o segundo filme na minha lista de favoritos, o primeiro “adulto” (Rei Leão consagrou minha vida). Marcou-me, sim. Não sei quanto a vocês, mas ter assistido a esta obra-prima do gênio Stanley Kubrick aos doze anos não é tarefa das mais saciáveis. Mas adorei o filme e ele mudou minha percepção sobre a vida. Pesado, demais, ainda tenho algumas insônias – nada que impediu-me de comprar o filme. Excelente, porém, é a palavra mais adequada.

Quanto à situação cômica, confesso que meu humor negro ainda está em forma de embrião. Particularmente, não curti “Fargo”, justamente pelo fato de ter que rir de sanguinárias cenas. Mas “Laranja Mecânica” é exceção. O trailer é o melhor de todos os tempos e comprova minha opinião: satírico, bizarro, cômico, hilário... A cena do “Singin’ in the Rain” é perfeita. Ainda quase leva-me às lágrimas quando Alex sofre as barbáries que cometera, logo, é incrível o processo que Kubrick faz, questionando o certo e o errado, e, certamente, com um pouco de atenção, você estará torcendo por Alex no final – até porque Malcom MacDowell brindou-nos com uma atuação inenarrável e Beethoven é, indubitavelmente, o melhor compositor a se trabalhar num filme de Kubrick, como esse.

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É impossível não torcer por Alex. Kubrick provoca da seguinte forma: primeiro ele mostra um Alex execrável para que odiemos ele. Em seguida mostra o Alex bonzinho e, ao invés de gostarmos disso, torcemos pra que ele volte à ser execrável. Ele nos manipula e nos premia com o final feliz mais bizarro de todos.

 

Imagine sua sobrinha de 8 anos de idade te perguntando: "Tio, o filme termina feliz?" E vc responde: "Sim querida, ele volta à ser um estuprador violento e um vandalo". 06

 

 

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É impossível não torcer por Alex. Kubrick provoca da seguinte forma: primeiro ele mostra um Alex execrável para que odiemos ele. Em seguida mostra o Alex bonzinho e' date=' ao invés de gostarmos disso, torcemos pra que ele volte à ser execrável. Ele nos manipula e nos premia com o final feliz mais bizarro de todos.

Imagine sua sobrinha de 8 anos de idade te perguntando: "Tio, o filme termina feliz?" E vc responde: "Sim querida, ele volta à ser um estuprador violento e um vandalo". 06
[/quote']

 

06

 

É exatamente esse o espírito.Acho fodástica a forma como esse filme manipula todos os nossos conceitos pre-estabelecidos.Nós é que acabamos sendo os cobaias de uma experiencia,sem as injeções.
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Laranja Mecânica – Dir.: Stanley Kubrick

Quanto à situação cômica' date=' confesso que meu humor negro ainda está em forma de embrião. Mas “Laranja Mecânica” é exceção. O trailer é o melhor de todos os tempos e comprova minha opinião: satírico, bizarro, cômico, hilário... A cena do “Singin’ in the Rain” é perfeita. Ainda quase leva-me às lágrimas quando Alex sofre as barbáries que cometera, logo, é incrível o processo que Kubrick faz, questionando o certo e o errado, e, certamente, com um pouco de atenção, você estará torcendo por Alex no final – até porque Malcom MacDowell brindou-nos com uma atuação inenarrável e Beethoven é, indubitavelmente, o melhor compositor a se trabalhar num filme de Kubrick, como esse.

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Faço das suas palavras as minhas, excelente análise.10

 

Laranja Mecânica eu classifico como OBRA-PRIMA, um filme fora de série, perfeito em todos os sentidos.
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Eu diria que o grande trunfo de Laranja Mecânica na questão de causar essa inversão de valores éticos e morais no espectador está em dois fatores: a direção primorosa de Kubrick e as atuações, especialmente (claro) a de Malcolm McDowell.<?:namespace prefix = o ns = "urn:schemas-microsoft-com:office:office" />

 

Kubrick sabe exatamente o que fazer e como fazer. Por que torcemos por Alex, apesar de tudo? Para começar, o tom dado ao filme em momentos distintos: na primeira metade, tudo relacionado a violência ou sexo é mostrado em um tom cômico e exagerado - a briga de gangues, que parece ter vindo diretamente de Tom e Jerry; a invasão na casa do escritor; o menage a trois acelerado; o confronto em slow motion no cais; e, principalmente, toda a hilária seqüência do spa, envolvendo o pênis de porcelana.

 

Mesmo quando Alex vai preso e está cumprindo uma pena comum, simplesmente se fingindo de bonzinho e esperando o tempo passar, Kubrick mantém esse tom cômico, com os outros presos assediando Alex e o escandaloso oficial da prisão, impagável.

 

Esse tom cômico, no entanto, a meu ver desaparece a partir do momento <?:namespace prefix = st1 ns = "urn:schemas-microsoft-com:office:smarttags" />em que Alex se senta pela primeira vez na cadeira, no início do tratamento Ludovico. O filme fica subitamente sério e sem qualquer ironia ou exagero. Vemos Alex sendo condicionado a sentir repulsa ante violência e sexo — e a Nona Sinfonia também — e não achamos qualquer graça nisso (e, no entanto, rimos enquanto ele “lutava” com a dona do spa).

 

Kubrick só irá retomar o tom irônico do filme já perto do final, na cena-chave em que Alex está comendo na casa do escritor. É nessa cena que vemos os passos iniciais do processo que levará Alex a se “curar da cura”. Quando ele vai parar no hospital o tom cômico já volta com toda a força, quando o ministro dá comida na boca dele. Ou seja, temos um filme que é conduzido de forma a ser “engraçado” (entre aspas, pois o filme não é uma comédia — não totalmente, ao menos) nos momentos em que o protagonista é um delinqüente e mais dramático nos momentos em que ele está “curado” disso.

 

As atuações ajudam muito nisso também. Enquanto as vítimas de Alex, na primeira parte do filme, quase não têm nenhum tempo em tela, e são mostradas friamente, de modo que o espectador não tenha nenhuma simpatia por elas, com Alex a situação é bem inversa. Quando ele se torna uma vítima da sociedade, o espectador já simpatiza com ele, em parte por causa do já citado tom cômico, em parte por ele ser o narrador, em parte pela atuação de McDowell, em parte por mais um milhão de fatores. Soma-se a isso McDowell atuando como se tivesse sido amaldiçoado pela vida e pelo mundo, uma pobre vítima, e a súbita mudança no enfoque da violência, que deixa de ser caricata para se tornar bastante realista — compare a cena da briga de gangues com a angustiante cena em que Alex é quase afogado.

 

Claro que não é só isso. Fazer o espectador torcer por um delinqüente sádico não é fácil, e Kubrick combina centenas de fatores para alcançar esse objetivo. Mas, enfim, aí está o que acho que mais interfere nisso.

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