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Laranja Mecânica

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Laranja Mecânica<?:namespace prefix = o ns = "urn:schemas-microsoft-com:office:office" />

 

Cinema é uma arte curiosa. Mais por seus apreciadores que seus realizadores. A 7ª' date=' bem mais que as outras, tem seus gênios fincados na história por um público massivo, elaborado, diversificado, multifacetado. É uma forma de arte extremamente abrangente e derramada pelos mais diversos cantos e tipos de espectadores, conseguindo atingir a todos, de uma forma ou de outra. Exatamente pela total ausência de uma consciência universal (que sobrevive, ainda que em pequenos fragmentos, nas outras formas de arte), o cinema exige o girar da roda para que seja compreendido em totalidade (se é que isto é possível). Assim sendo, certos filmes parecem viajar no tempo, ter vindo direto do futuro para marcarem uma era e serem reconhecidos apenas anos mais tarde.

 

Laranja Mecânica, de Stanley Kubrick (o diretor que virou subtítulo de suas obras), é mais que um exemplo. A maior dificuldade em falar sobre Laranja não é sua complexidade, sua filosofia e críticas, sua imensurável beleza plástica. É não cair em redundância, em quase risco de plágio. Se você quiser ser realmente original ao falar sobre o filme, fale mal. O problema vai ser de onde raios tirar argumentos. Eu mesmo sofria com esta dificuldade, pois confesso que não gostava nada desta obra-prima. Mas suas qualidades eram quase de caráter objetivo. Quase inegáveis (“quase” pra poder dizer que questioná-las com embasamento não é impossível, apesar de inacreditavelmente improvável). No entanto, ele foi me conquistando. É daquelas obras de arte que precisam do tempo para nos fazer entender que tínhamos sido uns imbecis. A única forma de estabelecer esta justiça tardia é cair de joelhos perante a grandiosidade de Laranja Mecânica e agradecer por ter percebido a tempo de contemplá-la. Ter percebido que Kubrick era um profeta e que via através das paredes.

 

Alex DeLarge é o líder de uma gangue inglesa num futuro (para os anos 70) próximo indefinido. Tudo que o move é, como diz na contracapa do DVD (começou a redundância...), “violência, violação e Beethoven”. Depois de uma traição, Alex é condenado a 14 anos de cárcere pelo Estado, que o leva para um tratamento experimental afim de “curar” sua violência, o reintegrando, desta forma, à sociedade.

 

O que torna, à primeira vista, o fascínio arrebatador possível é o universo único de Laranja Mecânica. As cores, a música, o comportamento alienado de Alex e, principalmente, seu modo de falar (que rendeu bordões proliferados até hoje), fazem com que o mundo criado por Stanley Kubrick não exista (no melhor dos sentidos). O diretor consegue, ainda, invadir a mente conturbada de Alex com uma precisão e sensibilidade jamais vistas. Ele traduz para nós, espectadores recém chegados àquela maravilhosa dimensão paralela (que, por sua vez, reflete de forma intensa a assustadora realidade), exatamente o que Alex vê. Se Alex enxerga a beleza na violência, temos uma cena ao pôr do sol, na beira d’água, em câmera lenta, ao som de Beethoven, na qual Alex bate em dois de seus drugues. É lindo! Se ele se diverte, temos uma cena de espancamento na qual o mais raro humor negro floresce (Alex bate no escritor cantando Singing in the Rain). Se ele vê o sexo (no seu caso, estupro) como arte, assim a temos no spa da “mulher dos gatos”. Você não apenas acompanha a história de Alex, mas sim, é como se fosse o próprio! Exatamente esta maneira incomparável com a qual somos maravilhosamente manipulados, faz com que nunca mais apareça ninguém com a habilidade de Stanley Kubrick para lidar com imagens. E se aparecer, certamente não o reconheceremos, pois será algo fora da compreensão humana (assim como o próprio Kubrick já foi, e ainda é, pra muita gente).

 

Outro aspecto louvável <?:namespace prefix = st1 ns = "urn:schemas-microsoft-com:office:smarttags" />em Laranja Mecânica é a nossa relação com Alex DeLarge. Nós começamos o odiando, pela absurda crueldade com o mendigo e, principalmente, na casa do escritor. Conforme a evolução da história, vamos nos sensibilizando com ele, até que passamos a torcer para seu final feliz. O melhor de tudo, no entanto, é que Alex jamais deixa de ser o jovem maquiavélico que sempre foi. Portanto, não é porque Alex muda, que começamos a vê-lo de modo diferente. Quem muda somos nós! Somos arrebatados por uma paixão quase inexplicável por um assassino estuprador a ponto de realmente desejarmos que ele volte a ser o que sempre foi. Dá, afinal, pra acreditar no absoluto poder que Kubrick mantém sobre seus espectadores?

 

Outro elemento fundamental para que o efeito supracitado se faça possível é a atuação absurda de Malcolm McDowell. Seu olhar de baixo pra cima abre o filme de forma assustadora. Este olhar pode encabeçar um ranking, pra mim. Malcolm com seu Alex DeLarge no topo, Anthony Hopkins com o canibal Hannibal Lecter em segundo e Ralph Fiennes com o nazista Amon Goeth, em A Lista de Schindler, em terceiro. Nenhum deles, por mais que aqui eu me esforce, podem ter suas expressões traduzidas em qualquer língua conhecida. É coisa de outro mundo. Além dos olhos, o sempre meio sorriso de Alex e sua forma de falar sopram os ventos afiados do sarcasmo sobre Laranja Mecânica.

 

Por falar em sarcasmo, desde e que assisti ao filme pela primeira vez, não sei em qual estante da locadora colocá-lo. Bem que poderiam facilitar e pôr uma estante do gênero “obras-primas” e pronto. Laranja Mecânica é comédia, mas nem sempre. Apenas os que têm tolerância à violência e senso apurado de humor negro conseguem classificá-lo desta forma. Laranja mecânica é ficção científica. Nem sempre, sendo que a ficção é uma mera metáfora da mais impactante realidade reinante até hoje, 35 anos depois do seu lançamento. Laranja Mecânica é drama. Sem dúvida, mas nem sempre. Em primeiro lugar, porque este gênero é, como direi, “genérico” demais. Em segundo, porque até o ponto do tratamento Ludovico, e depois da tentativa de suicídio, o ar debochado das ações de Alex e sua diversão contagiante fazem com que nos recostemos e gargalhemos, ainda que sem razão lógica.

 

Chegando enfim aos termos de crítica à sociedade, desta vez com mais méritos para o escritor Anthony Burgess (autor do romance no qual o filme foi inspirado), Laranja Mecânica é uma ogiva nuclear, programada para explodir na mente dos que assim permitirem. Kubrick já havia falado sobre a humanização da máquina, que tal agora falar sobre a mecanização do homem? Mas não se iluda, na verdade você estará debatendo, daqui a mais 30 anos, qual de fato era o epicentro do filme. Maldade inerente ao ser humano, descaso do Governo em tratar o problema de forma “preguiçosa”, a violência (de Alex) gerando violência (da sociedade), manipulação, enfim...

 

Para tentar resumir, posso falar da famigerada frase final (“I was curd all right”, “Eu estava curado mesmo”) que de alguma forma, resume um pouco a própria idéia do filme. O fato é que Alex recuperara sua humanidade. A capacidade de tomar decisões morais, de escolher entre o “bem” e o “mal”, e principalmente, a capacidade de errar, constuindo assim o final feliz mais surpreendentemente controverso da história do cinema. O erro, a crueldade e a violência são inerentes ao ser humano. Ou seja, ele finalmente estava curado, mas não como imaginavam os mentores do tratamento Ludovico. Alex enfim havia reconquistado sua possibilidade de escolha, de optar, acabara naquele instante de abandonar a forma de “laranja mecânica”. Era um humano verdadeiro, outra vez. Se continuaria a fazer as coisas das quais sempre gostou, não importava (pra ninguém), pois o yang ying está intrínseco no seu caráter de qualquer forma. A cura era a possibilidade de praticá-lo, de materializar seus dantescos desejos. Era poder optar por sua maldade, sua personalidade original. Concomitante, está a cena na qual a frase é dita. Os “nobres” que o aplaudem representam agora toda a violência disfarçada, todo um circo de boçais hipócritas, estilhaçando, num palco frígido ao abrir das diáfanas cortinas de fumaça, as frágeis mente(capta)s provincianas de uma platéia que festeja, inerte, ao som da mais bela banda podre, dançando conforme sua música. Não era, portanto, o crime físico que Alex praticava, mas sim o crime moral, muito mais grave, cometido, no caso, pelo Governo, e desta forma, simbolicamente aplaudido pela sociedade. 

 

Laranja Mecânica permite à humanidade que aprenda com ele, como era o eterno objetivo do diretor. É intrigante, no entanto, que nem um gênio como Stanley Kubrick, com uma filmografia de tom tão crítico e cortante, conseguiu mudar de forma significativa o meio que o rodeava. No entanto, não há o que exigir de Kubrick, ele já fez o seu papel, que não guardava nenhuma pretensão exagerada. “Apenas” mudando, esporadicamente, a forma de ver o mundo de algumas pessoas abertas à possibilidade, vítimas satisfeitas das flechadas sublimes deste diretor inacreditável, tenho certeza de que ele já se daria por satisfeito. E que desçam as cortinas!

[/quote']

 

É isso...É isso...All right.Foda,Foras.Vc me enche de orgulho,porra! 1104

 

06

 

Mas falando sério...Que bela análise ahn? Deveria ser transferida ao Cineclube (se o Nacka gostasse do filme,claro).Isso merece ser lido.

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Bom, meu último post nesse tópico... parece que alguas coisas q falei entenderam errado ou ficou no ar..

Eu não chamei o filme de "lixo", foi de idiota, é diferente! O momento que eu disse a palavra "lixo" foi ilustrativo.

E não sei como é possível que vocês não achem que um filme desse induz violência, ou vocês acham que todo mundo que asiste é um intelecto como vocês? E é, realmente, eu assisto violência na tv e por todas as mídias todo santo dia, como todo mundo... acha que eu ainda ia chegar no fim do dia e procurar um filme desses pra relaxar um pouco???

Outra coisa: religião não é inspiração pra violência, que absurdo! As pessoas que são egoístas e arrogantes, são elas que se auto-motivam à violência, por falta de respeito às diferenças! Se fosse assim, tudo seria motivo de "inspiração à violência", até um ursinho de pelúcia... 09

Mas eu quis postar minha opinião pra vocês rebaterem mesmo... eu sabia que iriam discordar totalmente, mesmo algumas coisas q eu disse sendo verdade ( viu? até isso poderia nos levar à violência! hehehe ).

Eu não sou nenhuma manca ou tapada pra não saber o que estou dizendo. Eu entendi a opinião de vocês.. mas vocês entenderam a minha?

 

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Outra coisa: religião não é inspiração pra violência' date=' que absurdo! As pessoas que são egoístas e arrogantes, são elas que se auto-motivam à violência, por falta de respeito às diferenças! Se fosse assim, tudo seria motivo de "inspiração à violência", até um ursinho de pelúcia... 09
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Aqui você se contradiz de maneira cômica.06 Posts atrás, e nesse mesmo post, você afirma que o filme pode gerar violência. Já no negritado, afirma que as pessoas se auto-motivam à cometer atos violentos. Decida-se, oras!Você mesma parece acreditar na frase em vermelho.
Darknesssss2007-01-19 04:51:18

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Bom' date=' meu último post nesse tópico... parece que alguas coisas q falei entenderam errado ou ficou no ar..

Eu não chamei o filme de "lixo", foi de idiota, é diferente! O momento que eu disse a palavra "lixo" foi ilustrativo.[/quote']

 

Releia os seus próprios posts... Vc verá que vc mesmo armou a sua própria arapuca.

 

E não sei como é possível que vocês não achem que um filme desse induz violência' date=' ou vocês acham que todo mundo que asiste é um intelecto como vocês?[/quote']

 

Não reclame depois em outros tópicos que ninguém aceita suas opiniões... A idéia de que cinema induz violência é tão ultrapassada quanto a historinha da cegonha trazendo bebês...

 

 

E é' date=' realmente, eu assisto violência na tv e por todas as mídias todo santo dia, como todo mundo... acha que eu ainda ia chegar no fim do dia e procurar um filme desses pra relaxar um pouco???[/quote']

 

Laranja Mecânica não é um filme feito 'para relaxar um pouco'...

 

Outra coisa: religião não é inspiração pra violência' date=' que absurdo! As pessoas que são egoístas e arrogantes, são elas que se auto-motivam à violência, por falta de respeito às diferenças! Se fosse assim, tudo seria motivo de "inspiração à violência", até um ursinho de pelúcia... 09[/quote']

 

 

Curioso... lá em cima vc falou que Laranja Mecânica é um filme que induz (i.e. inspira) a violência... Agora vc vem falar que religião não inspira violência (basta ver o Oriente Médio) e ainda diz que 'se fosse assim, tudo seria motivo para inspiração de violência'... Ora, VOCÊ está colocando cinema neste 'tudo' aí em cima... Dá pra se decidir ou ser menos hipócrita, por favor?

 

Mas eu quis postar minha opinião pra vocês rebaterem mesmo... eu sabia que iriam discordar totalmente' date=' mesmo algumas coisas q eu disse sendo verdade ( viu? até isso poderia nos levar à violência! hehehe ). [/quote']

 

 

Então não banque a menina chorona em outro tópico dizendo que ninguém aceita suas opiniões. Quando vc as dá, está colocando o seu na reta. Get used to it.

 

Em tempo: quais são as 'verdades' que vc disse em seu post?

 

Eu não sou nenhuma manca ou tapada pra não saber o que estou dizendo. Eu entendi a opinião de vocês.. mas vocês entenderam a minha?

 

 

Ufa! Ainda bem que vc nos avisou que não é manca ou tapada... Pq quem lê isto...

 

"E não sei como é possível que vocês não achem que um filme desse induz violência"

 

...fica com uma tremenda dúvida.

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Outra coisa: religião não é inspiração pra violência' date=' que absurdo! As pessoas que são egoístas e arrogantes, são elas que se auto-motivam à violência, por falta de respeito às diferenças! Se fosse assim, tudo seria motivo de "inspiração à violência", até um ursinho de pelúcia... 09
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Aqui você se contradiz de maneira cômica.06 Posts atrás, e nesse mesmo post, você afirma que o filme pode gerar violência. Já no negritado, afirma que as pessoas se auto-motivam à cometer atos violentos. Decida-se, oras!Você mesma parece acreditar na frase em vermelho.

 

Ela deu um tiro no próprio pé. 06

<?:namespace prefix = o ns = "urn:schemas-microsoft-com:office:office" />

 

Ela mesma viu que a violência é inerente ao que se cultua, ela só não percebeu ainda.

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É isso...É isso...All right.Foda' date='Foras.Vc me enche de orgulho,porra! 1104

 

06

 

Mas falando sério...Que bela análise ahn? Deveria ser transferida ao Cineclube (se o Nacka gostasse do filme,claro).Isso merece ser lido.

 

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Valeu.05 Essa aí já foi lida e relida diversas vezes, tanto no Cinéfilo quanto no Perdidos no Espaço, ninguém aguenta mais.06 Além disso, só cabem críticas inéditas no Cineclube. 

 

O Nacka não gosta do filme?!13

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Valeu.05 Essa aí já foi lida e relida diversas vezes' date=' tanto no Cinéfilo quanto no Perdidos no Espaço, ninguém aguenta mais.06 Além disso, só cabem críticas inéditas no Cineclube. 

 

O Nacka não gosta do filme?!13

 
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Não, e eu te aconselho a não perguntar o motivo... A última vez em que isso foi feito quase acabamos num barraco. 06
Noonan2007-01-19 11:38:38

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Laranja Mecânica chocou-me. É impossível assisti-lo e permanecer indiferente a ele.

 

Pois é impressionante como o personagem de Alex foi moldado pelo Kubrick a ponto de até provocar risos na hora do Singin'in the rain na casa do escritor (e normalmente eu morreria de raiva pelo personagem por causa da violência em si, mas eu ri e fiquei cantarolando a semana toda, foi uma associação cômica).

 

Ri muito quando Alex estava na prisão posando-se de um cristão aplicado à leitura bíblica pois é exatamente assim boa parte da sociedade religiosa, hipócrita. O mundo enxerga demais a aparência. Jesus mesmo disse aos fariseus, a elite religiosa do império romano: Sois sepulcros caiados, mas por dentro cheio de podridão e imundícia. Isso é um verdadeiro tapa na cara nos religiosos pois quantos enganam com sua "piedade" mas interiormente são mais execráveis do que muitos por aí...

 

Poderia discorrer sobre muitos aspectos, mas sem dúvida, é um filme riquíssimo, provocador, instigante, polêmico.

 

Mas discordo completamente da usuária que falou sobre a violência. Não é um filme de violência gratuita. Vai a fundo na moral inerente no ser humano. Pois não é por acaso que vemos Alex nascido em boa casa, boa família, boas condições financeiras, mas mesmo assim, Alex era voltado a toda e qualquer prática de ultraviolência, não por que foi criado num ambiente assim, mas por ele ter essa natureza. Foi assim que entendi.

 

Querida Luci, assista o filme. É um filme, como falei, riquíssimo! Grandioso. Assista e compartilhe aqui!03

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Antes de tudo, vale salientar que Laranja Mecânica é uma obra-prima. Foda. Perfeito. Muda a sua menira de enxergar o Mundo. E talvez eu exagere a la Alex a seguir; sorry, folks.

 

Bom' date=' meu último post nesse tópico... parece que alguas coisas q falei entenderam errado ou ficou no ar..

Eu não chamei o filme de "lixo", foi de idiota, é diferente! O momento que eu disse a palavra "lixo" foi ilustrativo.[/quote']

 

Lixo = Filme ruim. Idiota = Filme ruim. Dane-se a ilustração.

 

E não sei como é possível que vocês não achem que um filme desse induz violência' date=' ou vocês acham que todo mundo que asiste é um intelecto como vocês? E é, realmente, eu assisto violência na tv e por todas as mídias todo santo dia, como todo mundo... acha que eu ainda ia chegar no fim do dia e procurar um filme desses pra relaxar um pouco??? [/Quote']

 

Se entrou na chuva, é para se molhar. Se vocÊ acha que Laranja Mecânica foi feito para acalmar os nervos e te fazer relaxar - aliás, se você acha que o cinema é uma diversãozinha estúpida de fim-de-semana -, você precisa reler os seus conceitos.

 

Outra coisa: religião não é inspiração pra violência' date=' que absurdo! As pessoas que são egoístas e arrogantes, são elas que se auto-motivam à violência, por falta de respeito às diferenças! Se fosse assim, tudo seria motivo de "inspiração à violência", até um ursinho de pelúcia... 09

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Como já foi dito, você se contradiz e aí entra a perfeição do filme de Kubrick: as pessoas são induzidas à violência pela sociedade. Cabe a cada um refletir. Se você não sabe discernir o bom do mau e a realidade do retrato da realidade, sinto muito... Veja bem; o filem mostra como a sociedade festá violenta, perversa e o Estado aproveita-se disso, gananciosamente. Não induz a violência, assim como não induz o riso. Kubrick mostra como nós tratamos a violência: um "mal" que deve ser combatido a todo custo, descartado da raiz (Alex, teoricamente). Porém, já são visíveis as implantações violentas no mund scoial (a polícia e o próprio 'tratamento'). O filme apenas alisa a percepção com a qual vemos este mundo.

 

Mas eu quis postar minha opinião pra vocês rebaterem mesmo... eu sabia que iriam discordar totalmente' date=' mesmo algumas coisas q eu disse sendo verdade ( viu? até isso poderia nos levar à violência! hehehe ).

Eu não sou nenhuma manca ou tapada pra não saber o que estou dizendo. Eu entendi a opinião de vocês.. mas vocês entenderam a minha?

 
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Cuma? Levar à violência? Vou te matar via PC? Crazy?

 

Reveja o filme.

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Lixo = Filme ruim. Idiota = Filme ruim. Dane-se a ilustração.

 

Se entrou na chuva' date=' é para se molhar. Se vocÊ acha que Laranja Mecânica foi feito para acalmar os nervos e te fazer relaxar - aliás, se você acha que o cinema é uma diversãozinha estúpida de fim-de-semana -, você precisa reler os seus conceitos.
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Cuma? Levar à violência? Vou te matar via PC? Crazy?

 

O It tá fazendo a lição de casa direitinho... 10

 

06

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Burn Nacka' date=' burn...

 

[/quote']

Realmente fiquei muito curiosa por seus argumentos, Nacka, honey. Ninguém nunca veio a mim para destratar Kubrick. rsrs

 

O desafio está de pé,Nacka.Preencha o formulário abaixo e me envie via MP.

 

 

Título do "filmaço": Laranja Mecânica (A Clockwork Orange,1971,Stanley Kubrick)

Quem desdenha: Nacka

Breve resumo do filme: xxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxx


Porque muita gente diz que é um filmaço? xxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxx

1 motivo para tentar rever os seus conceitos sobre este filme: xxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxx

 

Porque este filme não é um filmaço? xxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxx

Breve análise acusativa: xxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxx

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 Como vários filmes dos anos 70, Laranja Mecânica, é um filme bem politíco, não é uma comédia, mas o filme satiriza vários aspectos que chegam a ser vergonhosos no comportamento humano,  a sátira da violência ganha mais espaço pois é um característica da personagem principal, Alex. A dificuldade de definir o genêro do filme é justamente o jeito como os personagens são tratados, eles recebem uma dose de exageros, muito simbólicos, não seja grosseiro com quem já deu risada com o filme, apesar de ser meio desagrádavel alguém rir de um filmaço.

 E Lucy. Ling, não li os seus comentários, mas pelos quotes do Itrhpsm, percebe que você acha o filme um lixo que induz a violência, respeito quem não gosta de Laranja Mecânica, mas sem argumentos não. Cinema

não existe para relaxar, muito bem dito, Itrhpsm, o cinema é muito mais grandiosos que isso,  é ARTE. Laranja Mecânica não induz a violência apenas a relata, e satirizando. Confesso que não era muito fã de Laranja Mecânica,, quando entrei no fórum (e por um tempo, no começo, quem postava era a idiota da minha irmã), gostava, mas preferia muito mais 2001 (atualmente acho que são tão diferentes, então, não comparo), mas com o tempo fui perceber mais coisas, e até modificou a idéia que eu tinha, acho que talvez funcionaria para você também.

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Pois é Mariana,os argumentos contra o filme (quando existem) são sempre frouxos e absolutamente insatisfatórios.

 

Mas como sabemos,o Nacka é um dos usuários mais antigos e respeitados daqui,right? Talvez ele tivesse algo de construtivo a dizer,contra o filme.Talvez...19

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A crítica mais original que eu já li do filme foi uma do Amir Labaki da Folha de S. Paulo. Não falava mal do filme, mas era boa exatamente por apresentar uma visão diferente do que a da maioria das pessoas que vêem o filme. Ele sugeria que o Alex do fim do filme era um adulto comum, com todos seus desejos de destruição reprimidos. A cena final, em que Alex se imagina transando com uma mulher e algumas pessoas o aplaudem, seria uma amostra de uma prática sexual sadia, muito diferente dos estupros cometidos por ele anteriormente. Não compartilho dessa opinião mas é uma das melhores críticas sobre a obra.

 

Pois é Mariana' date='os argumentos contra o filme (quando existem) são sempre frouxos e absolutamente insatisfatórios.

 

Mas como sabemos,o Nacka é um dos usuários mais antigos e respeitados daqui,right? Talvez ele tivesse algo de construtivo a dizer,contra o filme.Talvez...19
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Acho que a única crítica que falava mal de Laranja Mecânica era uma do Roger Ebert (veja só...).

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Indy, acho que a crítica que você citou é essa:

 

 

Kubrick: A arte da Violência


Contrapondo-se à violência individual' date=' o Estado impõe com violência seus parâmetros de normalidade. Suas instituições distinguem o aceitável do inaceitável e descem impunemente o cacete nos cidadãos que resistem ao enquadramento. Esta é a grande lição política de "A Clockwork Orange", (Laranja Mecânica), o filme de Stanley Kubrick que os europeus assistiram em 1972 porque nenhuma censura procurou na época infantilizá-los sob o pretexto de que a história seria um mau exemplo para os que sublimam uma carga de agressividade.

Anthony Burgess, que publicou há 16 anos o romance do qual se extraiu o filme, é um inglês intuitivo que beirou a genialidade a partir de uma premissa banal. Linguista, poliglota e entusiasta de James Joyce - é o autor de dois ensaios e de uma edição abreviada de "Finnegans Wake" - ele procurou forjar para seus personagens uma linguagem bem particular, recheada de neologismo. Mas o que não passaria de um bom recurso literário acabou fornecendo à "Laranja Mecânica" um dos eixos básicos para sua leitura política. E isso porque os personagens - situados um pouco antes do ano 2000 - exprimem-se num inglês misturado a sons e a palavras russas. Sintetiza-se uma aproximação entre a violência estatal das superpotências. Pouco importa se apenas uma delas, a União Soviética, possui seus dissidentes oficiais e seus asilos psiquiátricos. Esse tipo de repressão, denunciado publicamente bem depois da publicação do livro de Burgess, é comum a todo Estado que atua segundo o dogma dos detentores de um saber: o que é bom e o que é mau.

Alex, o personagem central encontra-se com outros marginais de seu bando numa cafeteria futurista chamada "Korovo Milkbar", onde se toma um leite vitaminado chamado Moloko, que jorra pelos seios de uma enorme e sensual boneca. Para qualificar as coisas que lhe aprazem, ele usa a palavra "Horroshow", em inglês quer dizer espetáculo de horror. Mas em russo apalavra "Horosh" significa excelente, perfeito. São pequenas ambiguidades semânticas que determinam um enfoque moral meio ambiguo do banditismo praticado.

Malcon Macdowell, interpretando o papel de Alex, é uma espécie de trombadinha da "science-fiction". Rouba, é capaz de linchar suas vitimas pelo prazer de vê-las sofrer, e não tem nada de um marginal que apela para a violência a fim de obter dinheiro. A sociedade em que vive se define pela opulência. Ele próprio dispõe de um fantástico equipamento de som para se deliciar com a Nona Sinfonia de seu compositor predileto, Ludwig Van. É de Beethoven que se trata, embora a partitura tenha sofrido uma adaptação meio cafona, em que vozes e instrumentos da orquestra foram substituídos pelos sons de um sintetizador eletrônico.

Pois bem, Alex é traído por seus companheiros de noitada e cai em mãos da polícia. Transforma-se no detento 6655321 de uma prisão estatal chamada Prita 84-F. Um belo dia, um psicólogo chamado dr. Branom propõe que, em troca de uma libertação antecipada, ele se submeta ao "Método Ludovico", destinado a curá-lo da violência.

O método seria um recurso narrativo cômico se não caricaturasse com tanta perfeição teorias cientificas consagradas. Trata-se do mais puro behaviorismo, que consiste em "condicionar" o paciente a rejeitar todo comportamento "anormal". Alex é colocado num palco onde se obrigam a assistir filminhos com cenas de violência inegável. Mas antes dessas sessões cinematográficas, injetam-lhe um medicamento que lhe provoca insuportável náusea. Associando as cenas ao mal-estar físico, ele neutraliza sua agressividade natural e se transforma num "cidadão modelo".

Ora, o "Método Ludovico" representa no filme de Kubrick toda uma teoria pela qual se define a ciência oficial. Ou seja, a verdade. O ideal do Estado é ter sob seu comando cidadãos que não contestem uma paz estabelecida.

 

Ao aceitar o conceito de normalidade que lhe impõem durante o tratamento, ele não tem apenas aniquilado seu potencial de marginalismo. E sobretudo, um conformismo social que se manifesta.

A coisa é extremamente sutil. Se o público não concorda moralmente com a violência gratuita de Alex, o desenrolar do filme leva o mesmo público a descobrir que o cidadão pacífico torna-se sinônimo de indivíduo destruído.

É por isso que a dupla Burgess-Kubrick não construiu, com a Laranja
Mecânica, uma simples apologia às violências, conforme a interpretação dos simplistas e reacionários. Há nessa postura uma enorme hipocrisia. Do faroeste ao "chefão", e do policial inglês da década de 40, aos seriados produzidos para a TV, a violência física já se incorporou aos ingredientes cinematográficos para que possa constituir um mau exemplo que o espectador se disporia imediatamente a imitar.

Não é nada disso. O que Kubrick demonstra é que os marginais e as instituições do Estado (sobretudo quando elas empunham o bastão da "ciência") praticam uma violência idêntica.


Bem após o sucesso comercial de "Laranja Mecânica", um outro filme levantou genialmente o problema, e chegou inclusive a ganhar um Oscar. Foi "The Flight Over The Cou-Cou Nest" ("Um Estranho no Ninho", no Brasil), de Milos Forman. É claro que, desta vez, o paciente de um asilo psiquiátrico mostrava-se com menor ambiguidade e o público ficava a seu lado a partir das primeiras cenas. Ele era vítima do sistema, como se diz, do começo ao fim. Mas entre Forman e Kubrick há a proposta semelhante de não permitir que os qualificativos retrógrados e de simplismo moralista sejam aplicados apenas aos indivíduos que se considera "anormais". É preciso igualmente, interrogar a ideologia que se esconde por detrás da definição desses parâmetros de normalidade.

 

9/03/1978

 

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Pois é Mariana' date='os argumentos contra o filme (quando existem) são sempre frouxos e absolutamente insatisfatórios.

 

Mas como sabemos,o Nacka é um dos usuários mais antigos e respeitados daqui,right? Talvez ele tivesse algo de construtivo a dizer,contra o filme.Talvez...19
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Evitando fadiga parte II

 

Não tenho nada a falar sobre o filme a não ser que o vi há muito tempo e na época não me agradou, não tive a curiosidade ou vontade de rever depois. Sinto muito enxaqueca armadilhas iguais as suas eu farejo a quilômetros... mas um dia quem sabe?  

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