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Legalização das Drogas


LLUCH
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Você é a favor ou contra a legalizção das drogas  

48 members have voted

  1. 1. Você é a favor ou contra a legalizção das drogas

    • Totalmente a favor
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    • Totalmente contra
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    • A favor apenas das "Smart Drugs"
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Se legalizarem as drogas, os traficantes saem de seus buracos e abrem lojas de coca, craque e maconha em shopping centers....

 

Ai as pessoas vão poder se servir como se fosse um self-service e depois pagar pelo peso...06

 

Os mais poderosos iriam abrir grifes de coca na mega loja da Daslu...no Iguatemi ao lado da Tiffany Co. e na Rua Oscar Freire ao lado da Dolce & Gabbana...

 

 

Seria o apocalipse!
T Archipenko2007-08-29 14:03:00
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 Acho que é na Holanda, que existe um fumódro (não sei se ainda existe), uma praça onde as pessoas vão lá p/ se picar.

  E o mala do governo até fornece seringas descartáveis...afff! 1807
[/quote']

 

ue, o daqui fornece camisinhas em postos de saude... e programas como Domingao do Faustao e Domingo Legal na televisao..06
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 Acho que é na Holanda, que existe um fumódro (não sei se ainda existe), uma praça onde as pessoas vão lá p/ se picar.

  E o mala do governo até fornece seringas descartáveis...afff! 1807
[/quote']

 

ue, o daqui fornece camisinhas em postos de saude... e programas como Domingao do Faustao e Domingo Legal na televisao..06

 

Tudo que for "merda"a gente pode contar com o governo09
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Tanto faz proibir ou não proibir nesse caso. Não há punições nem medidas eficazes para acabar com o tráfico e com o consumo de drogas.

Sem legalizar, tem gente que fuma maconha em praça pública. E nada acontece! Se legalizar, vão continuar fumando maconha em praça pública. A diferença vai ser que eles vão comprar na padaria e não na favela.

A campanha contra as drgoas já existem. Não adianta muita coisa. Precisa mesmo é de um combate em massa, uma fiscalização nas fronteiras brasileiras, a destruição dos aeroportos clandestinos no meio da floresta amazônica, polícia no morro pegando bandido, arma e droga.

As drogas são o ganha-pão do crime. Precisamos de uma guerra contra as drogas, pois no dia que o tráfego acabar, o crime vai diminuir assustadoramente.

Delenda est carthago!!!! 16

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Não começa Soto!!! Você adora falar desse assunto....cuidado hein....quem desdenha quer comprar...

 

Vale refrescar sua memória dizendo que as mulheres também "liberam o brioco" (06)....vai deixar alguém liberar o brioco pra você, pra vê se você para de falar sobre isso...06
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  • 4 weeks later...

nao tenho curiosidade, nao uso, nao recrimino quem usa desde que use longe de mim, nao usei e nem irie usar! lamento pelas familias que tem viciados em suas fotos mas eu to fora de drogas.     ahco so que o governos tinha e que vender e cobrar imposto     como cobra da bebida alccolica e do cigarro e dos remdios . assm talvez - que iluzion - esqueçam de cobrar de nos trabalhadores e empregadores!

 

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  • 2 weeks later...

Leiam isso:

 

 

Entrevista

com Rodrigo Granda, membro das FARC-EP

 

Por Jornal suiço Solidarité 05/10/2007 às 19:46

 

Em Havana, no passado dia 24 de Julho, o nosso jornal

conseguiu uma entrevista exclusiva com Rodrigo Granda, membro da Comissão

Internacional das Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia ? Exército do Povo

(FARC-EP), sequestrado na Venezuela pela polícia secreta colombiana,

encarcerado, e finalmente libertado a pedido de Nicolas Sarkozy. Ele

permite-nos compreender melhor as posições desse movimento político-militar que

há 43 anos combate o regime da oligarquia colombiana, sustentada pelos Estados

Unidos.

 

As FARC consideram-se um movimento político-militar que

lidera uma guerra social insurrecta contra o Estado colombiano. Nessa

qualidade, as FARC capturam polícias, soldados, oficiais e mercenários. As FARC

decidiram também sequestrar personalidades civis representantes do aparelho de

Estado colombiano. Finalmente, acabaram por raptar também civis cuja libertação

foi condicionada ao pagamento de um resgate. Se ninguém pode contestar que um

exército aprisione combatentes adversos, como é que as FARC podem justificar o

encarceramento de civis? Não pensam que essas acções tendem a isolar largos

sectores da opinião pública colombiana opositora do governo?

 

 

Efectivamente, as FARC-EP são um

movimento político-militar que têm o justo direito de rebelião contra um Estado

que pratica uma democracia de fachada. Nós respondemos a uma guerra

que nos foi imposta pelas altas esferas do poder colombiano. Durante décadas, o

terrorismo de Estado foi utilizado como método de extermínio contra nós e

contra o nosso povo. Desde logo,

toda a gente o sabe, uma guerra desse tipo necessita de financiamento. Este

conflito foi-nos imposto pelos ricos da Colômbia: então eles têm de financiar

essa guerra que eles mesmos desencadearam. É por essa razão que as FARC

capturam pessoas, e as libertam em troca de uma soma de dinheiro, que é, na

verdade, um imposto. Esse dinheiro destina-se ao financiamento do aparelho de

guerra do povo.

 

 

Como deve saber, nós falamos sobre a construção de um novo poder e de um novo

Estado. Na Suíça, na França, ou nos

Estados Unidos, se alguém não pagar os impostos vai para a prisão

necessariamente. O novo Estado que nós estamos em vias de constituir decidiu

que deve haver um imposto pela paz. Isso significa que toda a pessoa física ou

moral, bem como empresas estrangeiras estabelecidas na Colômbia e que facturam

valores superiores a um milhão de dólares por ano, devem responsabilizar-se por

um imposto para a paz que represente 10% dos seus lucros. Os devedores são

informados que devem entrar em conversações com os responsáveis financeiros das

FARC e entregar essa soma. Se essas pessoas não o fizerem, são detidas e presas

até que tenham efectuado o pagamento, com o qual nós assumimos os encargos do

novo Estado, construído e dirigido pelas FARC, agindo como o exército do povo.

 

 

Evidentemente, durante as operações militares, as FARC capturam oficiais, sub

oficiais, polícias e soldados ? actualmente detidos como prisioneiros de

guerra. Nestes confrontos, o inimigo também faz prisioneiros do nosso lado que,

após julgamentos sumários e falsos, cumprem penas demasiado pesadas nas

diferentes prisões do país. Infelizmente, isso é normal no contexto da guerra.

Seja como for, num conflito tão agudo como é o da Colômbia, é possível que

certas detenções de civis não sejam bem aceites pela população de modo geral.

No entanto, consideramos que tendo sido publicada a lei 002, segundo a qual

determinadas pessoas e entidades economicamente poderosas devem pagar o imposto

para a paz, isso significa que as avisámos devidamente e que elas podem entrar

em conversações para regularizar a sua situação nos prazos acordados. Se

conseguirmos isso, as detenções diminuirão.

 

 

 

Quanto ao facto de essa situação nos afastar da população civil, até pode

acontecer, mas não será com certeza determinante, porque a larga maioria da

população colombiana sabe perfeitamente que as FARC-EP apenas detêm pessoas

economicamente favorecidas e que podem pagar. Não se detêm pessoas ao acaso. No

que toca aos prisioneiros de guerra, guardamo-los com vista a uma futura troca

humanitária, que esperamos que se realize brevemente. Temos sempre em conta o

facto que, na Colômbia, a justiça e os juízes especiais impõem penas fortes, a

numerosos guerrilheiros e guerrilheiras detidos ? que tiveram a sorte de não

terem sido assassinados aquando da sua captura ?, que equivalem praticamente a

penas perpétuas. Porque no nosso país a justiça é uma justiça de classe e

aplica-se como tal: os que usam do justo direito à rebelião são condenados como

"terroristas" ou "autores de sequestro": as sentenças

contra os revolucionários oscilam entre os 40 e 80 anos de prisão. Assim, o

imposto é uma necessidade ditada pela situação actual de guerra que a Colômbia

está a viver. Nós queríamos não ter de deter ninguém, nem civis ? mesmo os

provenientes dos píncaros da oligarquia ?, nem militares? mas o confronto

quotidiano no nosso país impõe que as coisas se passem dessa maneira, e não

como nós desejaríamos.

 

 

 

O financiamento da luta armada depende

em larga medida do imposto revolucionário que incide sobre a cultura da folha

de coca e sobre a produção de pasta de base, e em certa medida também dos

raptos com pedido de resgate. Se um processo de paz se iniciasse, a guerrilha

poderia sobreviver sem essas fontes de financiamento sem pôr em perigo a sua

autonomia política e organizacional? Por outras palavras, não existe no

interior do vosso movimento forças que tendem a defender o statu quo por

temerem que a desmobilização possa privar as FARC de fontes de rendimentos

decisivos, e que isso conduza à sua marginalização?

 

 

Em primeiro lugar, devo dizer que as FARC-EP sempre foram um movimento

autárcico, ou seja, que sempre viveram dos seus próprios recursos e que nunca

dependeram ? nem antes nem agora ? e nunca dependerão de qualquer financiamento

estrangeiro. Enquanto FARC-EP, nós conseguimos desenvolver inicialmente uma

economia de subsistência antes de desenvolver factores de produção que permitem

a manutenção do nosso movimento. As FARC-EP já existiam na Colômbia muito antes

do desenvolvimento do narcotráfico ou da implementação de uma política

logística de captura sistemática de pessoas, que são coisas conjunturais. Com o

passar do tempo, as FARC-EP diversificaram o seu financiamento graças a

investimentos de ordem vária: nas operações financeiras no interior e exterior

do país, na produção agrícola, na criação de gado, nas minas, nos transportes e

em muitos outros sectores produtivos.

 

 

É inegável que a Colômbia foi transfigurada por políticas neoliberais impostas

pelo terror, que destruíram os campos, num país produtor de folhas de coca para

a elaboração de cocaína, o que obrigou milhares e milhares de famílias de

camponeses pobres a tirar o seu sustento dessa economia para não morrer à fome,

face à destruição das suas culturas tradicionais de café, milho, bananas,

sorgo, algodão, etc.

 

 

 

As FARC-EP são um movimento principalmente rural e nós

estamos em contacto directo com essa realidade, mas nós não temos meios para

obrigar as pessoas a abandonar essas plantações ditas ilícitas sem lhes dar uma

alternativa. Por ocasião do diálogo de el Caguán (1999-2002), o governo de

Pastraña, por iniciativa da nossa organização de guerrilha, organizou a

primeira conferência pública internacional para a substituição das culturas

ditas "ilícitas" e a protecção do ambiente. A União Europeia, o

Japão, o Canadá, bem como a ONU, o Grupo dos países amigos do processo de paz

na Colômbia e os países orientadores desse diálogo [entre eles a Suíça]

participaram nesses encontros. Os Estados Unidos foram convidados, mas

declinaram o convite. Nessa altura, as FARC apresentaram um projecto viável

para a erradicação das plantações de folhas de coca nos municípios de Cartagena

del Chairá e do Caquetá, que dedicavam cerca de 8000 hectares a essa cultura.

 

 

 

Teríamos gostado que a comunidade internacional se empenhasse a favor de uma

alternativa à repressão e que fossem feitos investimentos sociais nessa região

para o desenvolvimento de um "laboratório experimental" dedicado à

procura de soluções para a supressão dessas culturas, e que poderiam também ser

aplicadas noutras zonas do país, e se possível do continente: no Equador, no

Peru, na Bolívia. Esta é uma proposta que será sempre válida. Acreditamos

também que a legalização da droga contribuiria para a resolução do problema.

Economistas como Friedman e uma revista tão prestigiada como The Economist

reconhecem isso. Existem razões para isso: como se trata de um tipo de comércio

clandestino, a rotação do capital é impressionante. Actualmente, calcula-se que

o produto mundial do narcotráfico represente 680 biliões de dólares e não há

crime que não se cometa para se ter essa enorme quantidade de dinheiro.

 

 

Trata-se logo à partida de um problema económico, depois político, e finalmente

ético, mas se os lucros gigantescos desaparecessem, a incitação fundamental que

são os ganhos sobre os investimentos desaparecia e os Estados poderiam

controlar esse mercado. Algo parecido com o que aconteceu com o fim da

proibição nos Estados Unidos, apesar das diferenças de proporção, na época de

Al Capone e Cie, nos anos 20. Deverá ser claro ? e nós demonstrámo-lo perante a

nossa nação e a comunidade internacional ? que as FARC-EP não são, de maneira

nenhuma, narcotraficantes, nem estão implicadas na produção, nem no transporte,

nem na comercialização, nem na exportação de narcóticos. Pelo contrário, nós

estamos dispostos a trabalhar com a comunidade internacional e mesmo com o

governo dos Estados Unidos na resolução deste grave problema.

 

 

 

A nossa organização impôs a colecta de um imposto junto dos compradores de

pasta de coca que penetram nas zonas onde existem estas culturas e onde nós

estamos presentes; e este imposto representa uma forma de controlo

relativamente aos abusos cometidos contra os camponeses cultivadores. Mas não

exercemos funções de polícia. Compete ao Estado colombiano controlar essas

zonas, e até agora ele tem sido incapaz de o fazer, apesar dos milhares de

milhões de dólares investidos pelo governo dos Estados Unidos para acabar com

este tráfico que afecta o mundo.

 

 

 

Além disso, é de notar que as receitas geradas por esse imposto representam uma

fracção ínfima dos custos do aparelho militar das FARC-EP. O que ganhamos com a

detenção de pessoas ajuda à manutenção económica das FARC, mas não é um produto

decisivo. O objectivo último das FARC-EP não é o "conforto" do seu

pessoal dirigente, da sua hierarquia ou dos seus combatentes. Para nós, o

dinheiro é um meio, algo que pode contribuir para a concretização da finalidade

política e estratégica das FARC-EP, que visa a tomada do poder para efectuar

mudanças políticas, económicas, sociais, ecológicas e outras, das quais o país

tem necessidade e que reclama. O financiamento é, nesse sentido, um meio para atingir

esses fins. Ninguém nas FARC-EP aspira a ser multimilionário; essa é uma das

grandes diferenças entre nós e os narcotraficantes e os paramilitares que

procuram enriquecer pessoalmente e "levar uma vida à grande".

 

 

Enfim, as FARC-EP não fazem a guerra por gosto. Nós já dissemos que se o quadro

político mudar e as condições para a prática de uma política abrangente, legal,

sem receio de represálias ou de assassinatos, existirem, se a via aberta for

para uma democracia real, nós poderemos pensar em mudar a forma actual de

confronto militar para responder a essa nova situação. Durante todo o mandato

presidencial de Uribe, e muito antes, as FARC-EP tiveram de se constituir como

uma oposição política e militar ao regime, porque não existia outra forma de expressar

o nosso pensamento. A burguesia colombiana é uma burguesia sanguinária,

retrógrada, que apenas compreende a linguagem das armas. Se não tivéssemos

respondido à agressão, já nos teriam marcado com um ferro em brasa, e

estaríamos acorrentados como na época da escravatura?

 

 

As recentes mobilizações em massa contra a violência e os sequestros fizeram

com que a responsabilidade recaísse sobre o governo bem como sobre os

insurgidos. Será que essas mobilizações não representam uma reviravolta para a

esquerda, na medida em que Álvaro Uribe soube tirar partido delas para desviar

a atenção do público da sua implicação nos escândalos da parapolítica?

 

 

 

Como acaba de dizer, essas mobilizações significam uma rejeição da violência, e

mais particularmente da violência oficial e paramilitar. O povo colombiano está

certamente cansado do confronto militar, mas que povo não estaria depois de 40

anos de guerra imposta pelo regime estabelecido? Álvaro Uribe tentou

capitalizar um movimento no qual participaram sectores populares muito próximos

das FARC-EP, e até membros da nossa organização. Nessas mobilizações podia-se

ver cartazes exigindo a troca humanitária de prisioneiros, a procura de diálogo

para uma abertura política ao conflito social e armado que o país vive. Se

analisar os boletins de imprensa, da rádio e da televisão, constatará que a

maior parte dos editorialistas do país criticaram o oportunismo político do

governo. Além disso, convém lembrar que na cidade de Cali se deu um confronto

público entre o Ministro do Interior e um dos parentes dos 11 deputados mortos

durante a tentativa falhada de salvamento militar, ordenada pelo governo, no

dia 18 de Junho de 2007. Não é certo que o presidente Uribe tenha capitalizado

essas mobilizações. Pelo contrário, as últimas sondagens de opinião efectuadas

após esse acontecimento mostram que a imagem de Uribe está gasta e "em

queda livre", pela primeira vez depois da sua ascensão à presidência.

 

 

 

Quanto ao problema da parapolítica, ele foi denunciado há mais de vinte anos

pelo jornal Voz, órgão do Partido Comunista da Colômbia, pelas FARC-EP e pelos

democratas de todo o país. No entanto, o Estado colombiano ignorou sempre essas

denúncias. Há um ano e meio, tive ocasião de falar ? na prisão de alta

segurança de Combita, onde estive detido ? com o responsável pela paz do

governo Uribe, o doutor Luís Carlos Restrepo. Durante essa conversa, abordámos

diversos temas: entre outras coisas, consegui demonstrar-lhe que a política de

"segurança democrática" imposta pelo Presidente e o Plano Colômbia

tinham falhado. E ele respondeu-me: "escute senhor Granda, o Estado

colombiano combateu-vos certamente com métodos não-ortodoxos?" Esses

métodos de que falava Restrepo são precisamente a parapolítica e o

paramilitarismo, porque esse modo de fazer foi friamente calculado pela

Colômbia. É uma das formas de expressão do fascismo, graças às quais os

monopólios financeiros, o sector industrial e os grandes proprietários rurais

beneficiaram da recomposição económica do país, provocada pela globalização e

as privatizações que a acompanham. Os negócios e os lucros obtidos por esses

sectores foram extraordinários. O que resta para privatizar neste momento é

reduzido, o que nos diz que o período de implementação mais brutal do projecto

neoliberal na Colômbia já está, em certa medida, atrás de nós, pois não resta

nenhuma empresa pública de importância para vender às transnacionais. É por

essa razão que eles tentam agora desmontar esses aparelhos de morte que eles

tinham posto a funcionar como apoio militar ao projecto fascizante de imposição

do neoliberalismo.

 

 

 

Nesse sentido, podíamos fazer uma comparação como o Chile do general Pinochet.

Lembre-se que as políticas neoliberais começaram a ser impostas no continente

depois do golpe de Estado de 1973 no Chile. Esse golpe de Estado liquidou

praticamente a resistência popular da classe trabalhadora, das classes médias e

camponesas; impôs a disciplina social dos monopólios, ou seja, do fascismo ao

serviço do neoliberalismo, que utilizou o terror na nossa América para impor o

seu projecto económico e a sua ideologia política. Actualmente, na Colômbia, o

"establishment" está abalado, porque as instituições e os homens que

o compõem estão implicados na crise à qual eles conduziram a nação. A Colômbia

é um dos países com o mais alto nível de corrupção à escala mundial. Dir-se-ia

que as instituições colombianas foram criadas para proteger todas as formas de

corrupção. É por essa razão que o "establishment", para impor as suas

políticas neoliberais, jogou borda fora todo o sentido ético em política, e

agora recebe e paga a factura do seu "casamento" com o

narco-paramilitarismo criado para eliminar a esquerda revolucionária, não

importa a que preço. Esse modelo e esse projecto fascistas para a Colômbia

falharam. Quando a maré de denúncias deflagra, o presidente tenta evidentemente

evitar todo o debate público e transmite ecrãs de fumaça: a reeleição, o

referendo, a copa do mundo de futebol, etc., a fim de distrair a opinião

pública nacional. Mas os escândalos e a corrupção reinante na Colômbia são de

tal amplitude que esses espectáculos publicitários não conseguirão desviar a

atenção do aspecto fundamental: a corrupção imposta pela máfia, o

paramilitarismo e o narcotráfico ? que são a mesma coisa ? a favor de um

governo mafioso que pratica uma narco-democracia.

 

 

 

O Exército de Libertação Nacional (ELN) decidiu recentemente depor as armas. Em

que medida é que essa decisão enfraquece a luta armada das FARC, visto que

doravante o Estado colombiano, o paramilitarismo e os Estados Unidos poderão

concentrar todos os esforços para vos combater?

 

 

 

É necessário relativizar a luta contra-insurrecta que nós vivemos hoje, da

parte do governo colombiano e dos Estados Unidos. Praticamente desde o início

do Plano Colômbia, as FARC-EP resistiram sozinhas a essas operações. É inegável

que o Estado colombiano nunca combateu militarmente o paramilitarismo. As

operações militares nas zonas onde operavam os camaradas do ELN foram mínimas;

numa certa medida, a responsabilidade e o peso fundamental das operações

levadas a cabo pelo exército colombiano e os gringos foram suportadas pela

nossa organização. Deverá lembrar-se que neste momento, a Colômbia é o terceiro

país beneficiário da ajuda militar norte-americana, a seguir a Israel e ao

Egipto. Na primeira etapa do Plano Colômbia, os Estados Unidos investiram 7500

milhões de dólares e o Estado colombiano impôs um imposto de guerra de 12% (que

aumentou este ano mais 8%). Mesmo assim, todas as operações do Plano Colômbia e

aquelas que se seguiram falharam face à resistência e à contra-ofensiva das

FARC-EP. Logo, é bastante relativo pensar que o inimigo nos possa desorientar,

ainda que gaste todas as baterias contra nós. A nossa história demonstra isso

desde a época em que nascemos, em Marquetalia, em 1964: note-se que 16 mil

militares foram destacados para essa região contra o grupo fundador das FARC,

formado por quarenta e seis homens e duas mulheres de origem camponesa. Nessa

altura não existia nenhum outro movimento insurgido dentro do país. O peso dessa

ofensiva contra as zonas de autodefesa camponesa ? denominada "Operação

LASSO" ? recaiu naturalmente sobre as FARC-EP.

 

 

 

Acreditamos que nesse novo período de tempo, foi atingido um limite nas acções

militares das tropas gringas, mercenárias e do exército colombiano. Actualmente

fala-se do seu declínio. Nas altas esferas do governo colombiano e nos

corredores do Pentágono, fala-se no fracasso sonante do Plano Colômbia, do

Plano Patriota, do Plano Consolidação e do "Plano Victoria"

(2002-2007). Os gringos e o Estado colombiano não conseguem uma vitória militar

sobre um movimento armado que, como o nosso, conduz uma luta há quarenta e três

anos, e que dispõe de uma larga experiência, tanto ao nível dos seus

comandantes como dos seus combatentes. Trata-se de uma experiência quase única

na América latina e no mundo. Pode constatar que neste momento, não existe

nenhum grande plano ou "operação militar" no hemisfério ocidental com

a envergadura e as características das operações conduzidas no Centro e no Sul

da Colômbia, e praticamente em todo o território nacional.

 

 

 

Verdadeiramente, nós tivemos de enfrentar uma guerra sozinhos. Antes, existia o

"campo socialista", a solidariedade internacional, e tivemos de

"dançar com a mais feia" (utilizando aqui uma expressão popular

colombiana um pouco machista), mas reparámos que sozinhos também poderíamos

confrontar e vencer o inimigo. Para nós, trata-se de uma obrigação e de um

contributo solidário para os povos oprimidos do mundo. A combinação de todas as

formas de luta de massas irá assegurar-nos a vitória num futuro próximo. Não

resta nenhuma outra alternativa ao Estado colombiano senão a de aceitar a sua

incapacidade de desencaminhar os insurgidos, bem como o fracasso do seu

projecto fascista, que utilizou o terror de Estado como arma fundamental, e a

de procurar um acordo connosco para que possamos conversar e encontrar uma

resposta política negociada para o longo conflito social e armado que o nosso

país vive.

 

 

 

Quanto ao desarmamento do ELN, estou a agora a sabê-lo? Sei que o ELN não depôs

as armas. Além disso, não me quero pronunciar sobre as decisões do ELN. É uma

organização soberana, uma organização de guerrilha que combate há anos e que,

pelo que sei, nunca, até ao presente, entregou um único cartucho.

 

 

 

As FARC nasceram de um movimento de camponeses pobres que constitui desde

sempre o núcleo da sua base social. Desde então, será que as FARC foram capazes

de repensar a sua reorientação estratégica à luz da urbanização extremamente

rápida da Colômbia? Por outras palavras, como é que as FARC se dirigem às

massas urbanas empobrecidas que sofrem os ataques constantes dos paramilitares,

e a repressão exercida pelo Estado colombiano? Dizia-lhe há pouco que as

FARC-EP são uma organização político-militar. A luta conduzida pelas FARC-EP

não é um confronto de aparelhos, ou seja, do aparelho militar do Estado

colombiano e do aparelho militar propriamente dito das FARC-EP?

 

 

 

De um modo geral, se se analisar a evolução do comportamento dos Estados

burgueses, verifica-se que estes têm diversas maneiras de pôr em marcha o que

eles chamam de "democracia representativa", e que eles combinam todas

as formas de luta para explorar os povos. Os gringos chamam isso de

"cenoura e pau", e que praticam-no da seguinte forma: se eles

consideram que as massas são dóceis, deixam que se desenvolva certas formas

limitadas de democracia durante algum tempo; se consideram que as massas se

radicalizaram, eles mandam as tropas para as ruas e exercem a repressão. Mas se

eles notam que as massas ainda se radicalizam mais, recorrem ao terrorismo de

Estado e praticam o genocídio dos seus opositores e o extermínio das

organizações de massas. É o terror ao nível mais assustador que todos os países

da nossa América conheceram no passado recente e que ainda perdura na Colômbia.

 

 

 

 

Deste ponto de vista, é legítimo que os movimentos revolucionários da Colômbia

e do mundo empreguem todas as formas de luta em massa para obterem as mudanças

revolucionárias de que a sociedade tem necessidade em determinado momento do seu

desenvolvimento. Nós não decretámos a luta armada. Aliás, ela não o pode ser,

muito menos pela vontade deste ou daquele partido. A luta armada nasce da

necessidade imperiosa de defender os interesses de classe num dado momento,

quando os Estados burgueses fecham toda a possibilidade de democracia e de

expressão de que as massas poderiam beneficiar.

 

 

 

Na Colômbia, infelizmente, a história confirma o que acabo de afirmar: as

FARC-EP, em busca de uma reconciliação nacional em 1982, entraram em diálogo

com o presidente da época, Belisario Betancourt. Chegámos a assinar os acordos

de La Uribe. Como corolário desses acordos foi fundado o vasto movimento

chamado União Patriótica (UP). Quando esse movimento surgiu na vida política

nacional beneficiou de um sentimento de simpatia por parte dos habitantes do

campo e das cidades, das classes médias, dos estudantes, etc. Dito de outra

forma, era um movimento que reunia sectores muito diversos. Assim que este se

começou a desenvolver, a burguesia entrou e pânico e encetou um extermínio

planificado e sistemático: em primeiro lugar dos seus dirigentes e de seguida

dos seus militantes. Tudo isso conduziu ao genocídio político mais aberrante

que a América latina já conheceu. Com essa experiência, votada ao fracasso pelo

terrorismo de Estado, as FARC-EP aprenderam muito, e não estão dispostas a

repetir a mesma história. Nós

contribuímos com um esforço importante na criação de movimentos e organizações

populares e políticas a nível nacional. Fizemos um esforço considerável para a

construção do Partido Comunista clandestino da Colômbia, que tem de ser

clandestino porque já tivemos a experiência de cinco mil mortes com a UP. Nós

construímos também o Movimento Bolivariano para uma nova Colômbia, no qual

todos e todas podem participar. Este movimento não tem estatutos, as pessoas

podem-se reunir em pequenos grupos para evitar os golpes do inimigo; ninguém

deverá fazer referência ao seu activismo político e as suas formas de expressão

são clandestinas. Através destas estruturas organizacionais é possível

participar no movimento estudantil, operário, camponês, popular? mas as FARC-EP

construíram também as Milícias Bolivarianas que actuam nos campos, nos

arredores e no interior das grandes cidades.

 

 

As FARC-EP consideram que a revolução na Colômbia deve emergir sob a forma de

insurreições urbanas, talvez semelhantes às que se desenvolveram no Nicarágua

(lembremo-nos das batalhas de Managua, Masaya, Estelí, Léon, para citar apenas

algumas), que na época foram acções de guerrilha e de insurreição popular

combinadas que, no seu conjunto, fizeram cair a ditadura de Somoza.

 

 

 

Nós estamos a fazer um esforço muito importante em direcção ao movimento

sindical, estudantil, das classes médias urbanas, dos trabalhadores e

trabalhadoras informais, ao movimento municipal, cooperativo, dos pais de

família. Ou seja, nós estamos a tentar retornar tudo a formas de organização

simples, a fim de favorecer, a partir de fora, a consciência política e prática

da necessidade de mudança de que o país precisa, ainda mais agora que as

consequências desastrosas das políticas neoliberais não só radicalizam as

massas urbanas, como também, paradoxalmente, as aproximam e aliam nas lutas.

 

 

 

Na Colômbia, as FARC-EP estão interessadas na construção de um novo governo de

reconciliação e de reconstrução nacionais, abrangente e democrático, sem

exclusões, no qual possam participar todos os sectores da vida política

nacional que desejam retirar o país do abismo no qual ele se encontra, para o

colocar em posição de enfrentar os desafios do século XXI, com muita esperança,

optimismo e na vanguarda das nações democráticas e revolucionárias do mundo.

 

 

 

Quais são para as FARC os movimentos sociais urbanos cujo desenvolvimento

parece estrategicamente essencial para esse processo?

 

 

 

Nas cidades, nós trabalhamos essencialmente na direcção dos sectores

industriais. Trabalhamos igualmente no seio do movimento cooperativo, com

colectivos de acção municipal nos bairros, com associações de economia

informal, que se multiplicaram no decurso dos últimos anos, devido às políticas

neoliberais. Damos também muita importância aos problemas das mulheres e da

juventude em geral. Consequentemente, beneficiamos de uma representação em

todos esses sectores. Agimos de modo consciencioso de modo a dotá-los de um

carácter organizacional e de os orientar para a luta política. Ao mesmo tempo,

este trabalho alimenta, pelas experiências e formas de confronto com a

repressão, a nossa própria acção política. Ainda que as FARC tenham nascido

como um movimento essencialmente camponês, e que essa base social se mantenha

na sua composição actual, é igualmente verdade que existem outros sectores da

sociedade que nos acompanham na luta. Entre as pessoas ligadas às FARC-EP,

encontramos sectores das classes médias e profissionais, técnicos e superiores,

mas também profissionais liberais, padres, pessoas do meio cultural e artístico

popular em todas as suas expressões. É uma mudança que se operou no decurso

destes últimos anos. Sublinhamos a participação das mulheres nas nossas

fileiras, com uma representação de 43% das forças da guerrilha.

 

 

 

Diz-se que as FARC-EP nem sempre se mostraram capazes de permitir, em concreto

nas regiões sob o seu controlo, o desenvolvimento de uma sociedade civil

organizada de maneira autónoma em função dos diferentes interesses que a

permeiam (cooperativas, sindicatos, associações diversas, minorias indígenas,

etc.). Será que essa atitude não revela um projecto de sociedade autoritária

fundada exclusivamente nas capacidades e nas competências de uma espécie de

partido-Estado?

 

 

 

(Risos?) Não sei a que é que se refere nessa pergunta. E muito menos quando é

que tivemos parte alguma do território nacional sob o nosso controlo. Isso

nunca aconteceu. Na Colômbia, nós não conduzimos uma guerra de posição. Nós

somos um exército de guerrilhas móveis. Quando estamos durante algum tempo em

determinadas regiões, desenvolvemos a democracia directa de uma forma inédita

noutras organizações apoiadas pelo Estado ou pelos partidos da oligarquia. Mais

ainda, eu penso que as FARC-EP são muito mais democráticas que certos Estados

ou democracias. Nós dispomos, enquanto órgão de decisão das FARC-EP, da

conferência nacional dos guerrilheiros, que se reúne de quatro em quatro anos

(ou um pouco mais, conforme o estado da guerra). Os postos de comando, sem

excepção, são decididos através do voto dos guerrilheiros. Dito de outra forma,

não existe nomeação por decreto. É através do voto popular, através do voto dos

membros das FARC-EP, que se vive a democracia e que se regulam as questões de

hierarquia no interior do movimento guerrilheiro, em colaboração com as

comunidades. O caso mais significativo foi o de San Vicente del Caguán, no

Centro Sul do país, durante o período de descomprometimento e de diálogo, entre

1999 e 2002. Instalámo-nos aí durante três anos e trabalhámos em conjunto com

as comunidades no quadro de acções civis e militares. Juntos, população civil e

guerrilheiros, construímos pontes, estradas, escolas, hospitais, caminhos

municipais, e diversos rios, ribeiras e ribeirinhos altamente poluídos puderam

ser reabilitados. Por outro lado, as FARC-EP emitiram regulamentos em matéria

ecológica (caça, pesca, poda e exploração da madeira, protecção das árvores

indígenas), e tudo isto se fez com a participação da comunidade. Por exemplo,

para a construção de uma estrada, reuniram-se 100 a 200 colectivos de acção

municipal de toda a região, e, através de votação popular, determinaram quem

iria trabalhar, como, e com que apoios económicos e logísticos. Faziam-se as

contas e apresentavam-se às massas para que elas pudessem analisar a finalidade

de cada investimento. Isso é a democracia participativa e aberta, uma

verdadeira democracia de massas como o país nunca conheceu. É a experiência que

nós fizemos. O autoritarismo não faz parte dos princípios das FARC-EP.

Certamente, nós defendemos princípios, e de acordo com esses princípios nós não

cedemos. Nós temos a nossa própria visão daquilo que deve ser a democracia. A

democracia deve ser aberta e o mais directa possível. Ou seja, uma democracia

de massas que permita definir e debater grandes problemas. É muito simples: se

numa comunidade existem 100 pessoas, por que razão é que só 10 deverão decidir?

Para nós, são essas 100 pessoas que devem decidir. Fala-se de uma democracia representativa

na Colômbia, porque existem eleições, mas na realidade, esses patifes que vão

ao Senado ou à Câmara dos Representantes não são de modo algum representantes

autênticos das comunidades. São pessoas que chegam lá através da sua riqueza,

do clientelismo e das vigarices a que submetem o nosso povo. Consequentemente,

como pode verificar, é importante clarificar de que tipo de democracia se está

a falar, o que nós enquanto FARC-EP entendemos por democracia e o que vocês, na

Europa, entendem por este termo. Eu considero que as FARC-EP são uma

organização democrática que exerce a democracia nos domínios em que trabalha.

Nós somos a favor da democracia directa a mais ampla e participativa possível.

Uma democracia exercida para e por a maioria e não uma democracia de fachada,

uma democracia para um grupo restrito de privilegiados. Esse tipo de

"democracia" não nos agrada e nós não a iremos praticar. Disse-lhe

que nas FARC-EP, nós preferimos organizar as massas em forma de colectivos

variados que lhes permitam defender os seus interesses. Eis o segredo da

sobrevivência das FARC-EP no coração de um conflito tão complexo como o da

Colômbia.

 

 

 

As FARC-EP são frequentemente criticadas, inclusive por forças da esquerda,

pelo uso de métodos "expeditivos" no seu seio: é o caso das execuções

dos desertores, do envio de militantes "desmoralizados" para

cumprirem missões suicidas, da obrigatoriedade de as combatentes grávidas

abortarem, etc. Não há dúvida que as FARC-EP estão envolvidas numa luta armada

bastante dura, mas será que tais métodos ou práticas não põem em questão os

direitos individuais dos combatentes ou a liberdade de discussão no seio da

guerrilha, revelando assim uma forma de organização política demasiado vertical

na tradição estalinista?

 

 

 

A sua questão mostra que se sabe muito pouco sobre as FARC-EP e que ainda se

sente o eco, talvez inconscientemente, da propaganda do regime (o regime

oligárquico colombiano e o seu aliado, os Estados Unidos). É o inimigo que diz

que nós estamos organizados de maneira vertical, que resolvemos os problemas de

uma forma expeditiva, como evoca na sua questão.

 

 

 

Nós utilizamos métodos políticos para resolver todos os problemas que surgem no

interior das FARC-EP. Inicialmente, os novos combatentes seguem uma formação de

seis meses, em que os documentos que se estudam são essencialmente os nossos

estatutos, as normas de comando e o regime disciplinar. Se os aspirantes se

deram conta que não podem, por razões físicas ou morais, pôr em prática essas

normas, eles podem voltar para casa sem problemas, porque até esse momento,

eles não conhecem mais nada nem ninguém, a não ser as pessoas que tal como eles

frequentaram essa formação inicial clandestinamente. Quando se passa esse

nível, uma pessoa assume um comprometimento, e quando integra as FARC-EP, sabe

que é para a vida, ou seja, até ao triunfo da revolução e à construção de uma

nova sociedade.

 

 

 

Nós não dispomos de um serviço militar obrigatório, nem voluntário. A

integração nas FARC-EP supõe um envolvimento completo na formação política e

militar na base de uma adesão consciente. Não nos esqueçamos que se encontram

pessoas capazes de manusear armas por todo o lado, mas pessoas que compreendam

a política, a luta de classes e as transformações sociais, numa sociedade como

a nossa, é bem mais difícil. Esse conjunto de capacidades, cujo desenvolvimento

é do nosso interesse, necessita e exige uma formação permanente e a longo

prazo.

 

 

 

Consequentemente, isso não implica obrigatoriamente o uso do pelotão de

execução ou a prática de execuções extrajudiciárias. Existem nos nossos

estatutos muitas outras formas de sancionar as rupturas da disciplina da nossa

organização. A execução está apenas prevista para os traidores e os infiltrados

que trabalham conscientemente para o inimigo. É a medida mais grave que se

aplica dentro das FARC-EP. Quaisquer outras situações que possam surgir

resolvem-se através da crítica e da autocrítica com base nos princípios do

marxismo-leninismo que são parte integrante da nossa concepção da revolução.

 

 

 

O resto, tal como está contido na sua pergunta, revela uma campanha difamatória

que tenta transformar as FARC num movimento sem disciplina, sem hierarquia, sem

mandatos de comando reconhecidos. E nessas condições, uma organização militar

não consegue subsistir. Há um adágio que diz: "sem disciplina, a milícia

desaparece".

 

 

 

Nesse sentido, é absurdo pensar-se que nós enviamos pessoas desmoralizadas, com

problemas psíquicos, ou sem qualificações político-militares suficientes, para

cumprir missões. Estamos em guerra! Quem poderia cometer tamanho erro? Na

verdade, no interior das FARC-EP, a participação em missões constitui uma forma

de reconhecimento do bom trabalho; é um encorajamento e uma honra para os

combatentes. Nas FARC-EP, preconiza-se uma participação consciente, e por isso,

o valor dos combatentes em condições de participar em cada uma das acções de

guerra, ou nas missões especiais que as FARC-EP decidam empreender, é estudado

previamente pelos comandantes.

 

 

 

No que diz respeito às mulheres da

guerrilha, tenho a dizer que elas são livres. Pela primeira vez, uma

organização de esquerda e um movimento revolucionário encara a mulher como uma

pessoa absolutamente livre e igual ao homem, que assume as mesmas

responsabilidades, as mesmas tarefas e os mesmos direitos. Após a época do

matriarcado, a guerrilha é hoje, sem dúvida, o lugar onde a mulher começa a

cumprir o papel que ela perdeu historicamente, o que foi a maior derrota que o

género feminino sofreu na história da humanidade. Quanto ao problema da

gravidez nas FARC-EP, as guerrilheiras sabem antecipadamente que no contexto de

guerra em que estão a viver não podem engravidar. Por isso, no interior da

nossa organização, pusemos em prática um trabalho educativo de difusão de

informação e de prevenção para que as mulheres conheçam bem os mecanismos da

procriação, bem como as formas de evitar a gravidez e/ou as doenças sexualmente

transmissíveis.

 

 

 

Por vezes, por erro ou acidente,

acontecem casos involuntários de gravidez, e tendo em conta as normas e as

condições objectivas de vida num ambiente de combate, a gravidez é

interrompida, geralmente, a pedido da própria combatente. Nesses casos, a

interrupção é efectuada em condições higiénicas de assepsia, com o

acompanhamento de médicos qualificados, e tomando medidas para evitar riscos de

vida. Em muitos países, a interrupção da gravidez está legalizada e faz

parte de certas constituições no mundo, contudo sempre nos diabolizaram e

acusaram de arbitrariedade nestas questões. Não haverá aqui uma moral dupla?

Saiba que para as FARC-EP, os valores familiares (tão importantes para a

sociedade colombiana) constituem um dos fundamentos para a concepção da nova

sociedade que nós queremos construir. Mas estamos a viver uma etapa que não

facilita o desenvolvimento dessa parte importante da vida.

 

 

Penso que é revelador, apesar de toda essa propaganda contra a nossa

organização, o facto de a presença feminina nas fileiras das FARC-EP ser

actualmente da ordem dos 43%. As guerrilheiras das FARC são verdadeiras

amazonas na guerra, ou como diria Simon Bolívar referindo-se a essas valorosas

guerreiras romanas, elas são verdadeiras "luzes". Fora do contexto de

guerra, as nossas camaradas mulheres têm um comportamento muito feminino. No

combate, elas são tão aguerridas como os homens. Elas dão-nos lições de

honestidade, de abnegação, de sacrifício, de fraternidade e de heroísmo? como

poderíamos nós maltratar essas camaradas que são parte fundamental da luta pelo

triunfo da revolução?...

 

 

 

Quem é o responsável pela morte dos onze deputados colombianos detidos pelas

FARC? Como é que é possível que esses onze reféns tenham sido encontrados

juntos no mesmo lugar? Acha que se trata de uma operação deliberada do Estado

colombiano para lançar uma vasta campanha política contra a guerrilha das FARC?

 

 

 

 

Há já algum tempo que as FARC-EP alertavam a opinião pública nacional e

internacional do facto de as operações de resgate de prisioneiros pelo exército

serem demasiadamente arriscadas para a vida dos reféns detidos. É por essa

razão que as FARC-EP disseram que a responsabilidade pela morte dos onze

deputados do Valle del Cauca, no dia 18 de Junho de 2007, incumbia

essencialmente aos que deram a ordem e os tentaram libertar pela força. O

primeiro responsável é o senhor Uribe.

 

 

 

Explicar-lhe por que é que eles estavam juntos seria entregar-me a

especulações, porque eu lembro-me que nessa data, eu tinha acabado de deixar a

prisão de La Dorada. No entanto, parece-me indiscutível que se tratou de um

plano minuciosamente preparado tanto a nível político como militar e de

propaganda. O governo de Uribe iniciou o seu plano falando da possibilidade de

libertar um determinado número de prisioneiros das FARC-EP, em relação aos

quais ninguém havia pedido nada. Tentámos sempre obter uma troca humanitária de

prisioneiros bilateral FARC-EP/governo. De repente, Uribe solta, de modo

totalmente unilateral, determinados combatentes das FARC-EP. Essa acção, no meu

entender, estava ligada à preparação secreta de uma outra acção de maior

envergadura nas montanhas colombianas. Tratava-se precisamente do resgate dos

doze deputados, agentes da CIA, mercenários ingleses e israelitas e de comandos

do exército colombiano.

 

 

 

O projecto era este : enquanto esse grupo aparecia como tendo libertado com

sucesso os doze deputados, Uribe voltava a deter os prisioneiros libertados e

daria início a um trabalho político no interior e exterior do país, com o

intuito de demonstrar que as intervenções directas seriam doravante o meio mais

indicado para se obter a libertação das pessoas controladas pelas FARC-EP,

acabando assim com qualquer esperança de trocas humanitárias e de qualquer

possibilidade de diálogo. O resultado dessa operação e de outras operações de

libertação análogas, do tipo "Embaixada de Lima" ou "Operação

Entebbe" não podem acabar bem nas florestas colombianas. O que se impõe

inexoravelmente na Colômbia é a troca humanitária entre o governo e as FARC-EP,

como preâmbulo a uma possibilidade de diálogo que abra a via para a paz e a

justiça social. Esperamos que os leitores e as leitoras, a comunidade

internacional, os Estados, os governos, os partidos, as organizações sociais,

religiosas, humanistas e de esquerda possam contribuir para essa demanda, para

a possibilidade real de uma troca humanitária, do estabelecimento de um diálogo

que crie saídas para o conflito social e armado que estamos a viver na

Colômbia.

 

 

 

[*] Da publicação suíça solidaritéS.

 

 

 

Acerca de Rodrigo Granda ver também:

 

 

 

As FARC reafirmam a opção comunista e respondem a campanhas difamatórias ,

Miguel Urbano Rodrigues, 23/Abr/2004

 

Ricardo, estamos contigo! , Miguel Urbano Rodrigues, 20/Nov/2004

 

Carta aberta de intelectuais à opinião pública internacional , 17/Jan/2005

 

Sequestro de Rodrigo Granda: "A ditadura fascista de Pinochet fez

exactamente o mesmo aos seus opositores políticos" , Dick Emanuelson,

26/Jan/2005

 

Droga, indigenismo, ALCA , Miguel Urbano Rodrigues, 23/Abr/2005

 

Democracia, participação, revolução ? três vértices de um triângulo , Miguel

Urbano Rodrigues, 29/Ago/2005

 

O julgamento farsa de um revolucionário: Audiências virtuais através de câmaras

de TV, na cela da prisão , entrevista de Rodrigo Granda, 04/Abr/2006

 

Declaração final do 1º encontro nacional de solidariedade com as lutas do povo

colombiano , MMSLPC, 17/Mar/07

 

Nem é acordo nem é humanitário , Athemay Sterling, 03/Jun/07

 

A troca é produto de acordos , Secretariado do Estado Maior Central das

FARC-EP, 22/Jun/2007

 

O encontro de Hato Grande , Iván Márquez, 08/Set/07

 

 

 

O original encontra-se em

www.solidarites.ch/journal/index.php3?action=2&id=3052&num=113&db_version=2

.

 

Tradução de Rita Maia.

 

 

 

Esta entrevista encontra-se em  http://resistir.info/

 

 

 

 

 

 

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  • 2 months later...

Confesso que mudei minha opinião radicalmente de uns tempos pra cá.

 

Acho que deveriam legalizar logo essas porcarias todas. Assim elas passariam a valer menos e o tráfico se extinguiria.

 

A enxurrada de violência que o tráfico gera, matando pessoas que nada tem a ver com isso é tão impressionante que tenho a impressão de que a única forma de combatê-lo, com nosso governo e polícia ineficientes e "tirando" o meio de vida deles.

 

Mas não se pode esperar isso de um governo que não consegue nem distribuir o dinheiro do Fome Zero com competência.
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  • 2 weeks later...
Bando de hipocritas' date=' tenho certeza que a maioria deve usar esporaticamente [/quote']

 

Sai fora, não me inclua nesse grupo não. Acho qualquer tipo de droga nojento. Coisa de gente fraca!



tb acho. Maconha, lança perfume, qualquer coisa q dê barato, to fora 07

 

Pesquisas recentes confirmaram que maconha faz mal ao cerebro e queima neuronios . Nada desse negocio de que "maconha é fraquinha , inofenciva... " 06 Vai nessa , zé..

coisa de gente fraca , mesmo .
PALMEIRAS2007-12-19 18:10:24
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