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Forum Cinema em Cena

O Que Seria do Cinema Sem a Música?


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Tema proposto pelo Amifbio e que já teve uma discussão começada no tópico O Que Você Anda Vendo e Comentando?, como acho que pode render bons frutos, trago-o para um tópico exclusivo, vejamos no que dá. Pois bem, comentemos a importância das trilhas sonoras em filmes específicos, quais marcam, quais se sobrepõem aos filmes, quais atrapalham (exageradas), e casos como o do Haneke, que dispensam qualquer música fora do ambiente para contextualizar sua obra.

Mais do que citar meramente casos em separado, tentemos criar um consenso geral desta importância, em cada mente, e deixando explicíto isto e porquê... Hum.
ltrhpsm2007-07-28 01:04:58
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Às vezes, uma trilha sonora pode se personificar (Como acontece em Marie Antoinette) e a retirada dela pode deixar a produção vazia. Além disso, muitas cenas melodrámaticas são reforçadas com acompanhamento musical e o impacto causado é, de fato, outro.

Entretanto, temos alguns filmes que banem o uso de trilha sonora é o resultado é um silêncio psicológico incrível. Dois exemplos? Paradise Now e Gosto de Cereja. É comum produções orientais (indianas, principalmente) não serem acompanhadas de um fundo musical... Ainda assim, é inegável que o impacto causado também é grande.

 

Concluindo... Para se realizar um filme sem trilha sonora, acredito que o cineasta tenha que ser muito competente na direção de cenas que exigem maior apelo emocional. 03

 

 

 

BTW, excelente tópico 10
Rike2007-07-28 00:47:31
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Considero trilha algo muito importante, mas existem filmes poderosíssimos cuja presença da trilha foi extremamente escassa como "Entre Quatro Paredes" (basicamente se limita aos créditos finais) o que acabou acentuando ainda mais os sentimentos que o filme pretendia extrair do espectador.

 

 

 

No entanto, esses exemplos são raros e acho extremamente notável o trabalho que gênios fazem. Atualmente tenho dois compositores favoritos: John Williams (Memórias de uma Gueixa) e Phillip Glass (As Horas).

 

 

 

Um filme cuja trilha sonora é simplesmente irretocável é "Os Excêntricos Tennenbaums". Irretocável!!! 16.gif16.gif16.gif Também estimo bastante as trilhas de "Magnólia", "As Horas", "Memórias de uma Gueixa", "Pequena Miss Sunshine", "Hora de Voltar", "A Rainha" e por aí afora.

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Desde sempre considero a trilha sonora um dos aspectos mais

interessantes dos filmes. Em alguns casos é impossível dissociar a

trilha do filme, ou de partes dele. Para ficar em filmes já citados,

quando falam dos Excêntricos Tenenbaums lembro-me imediatamente da Gwyneth Paltrow

descendo do ônibus ao som de "These Days" da Nico e do quase-suicídio de Luke Wilson

com Elliott Smith (que foi mais bem sucedido na sua tentativa) cantando

"Needle in the Hay". Magnólia? Aimée Mann com "Wise Up". Garden State?

"New Slang", óbvio.

 

Entre os compositores de trilhas originais destaco Angelo Badalamenti ("Laurens Walking" de Straight Story é perfeita!), Yann Tiersen (O Fabuloso Destino de Amelie Poulain) e Clint Mansell (Requiem for a Dream).

 

Quickel2007-07-28 01:59:18

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Todas as trilhas de todos os filmes do Tarantino (com exceção de Grindhouse que nem deu pra eu reparar direito, tamanha a qualidade do produto) chutam bundas. Mas acho que nenhuma trilha que eu já tenha ouvido supera a de Três Homens em Conflito.

 

Sobre o assunto, eu particularmente prefiro filmes COM trilha sonora. Tudo aquilo que é adicionado na sala de edição pra mim tende a fazer com que o filme fique melhor. Exemplo! To vendo aqui A Professora de Piano e um dos melhores momentos do filme foi quando a música ambiente de uma cena se estendeu pra outra, porque a trilha mais ou menos serve é pra isso mesmo, causar um impacto emocional maior nas pessoas. But, isso deve ir de cada um, né...

 

 

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Mas o Haneke não usa trilha sonora, que é uma outra maneira de se expressar, tão válida quanto. Aliás, apesar do quão fudida pode ser uma música pra criar um clima, é difícil superar o sadismo daquele silêncio de Funny Games.

 

Mas bom, geralmente trilha sonora é uma das coisas que eu mais lembro dos filmes, muitas vezes eu prefiro filme X a filme Y tanto quanto prefiro trilha X a trilha Y, e etc.
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Tenho que admitir que, apesar de ser muito esquecido quanto a qual música é de qual filme - vide os joguinhos sugeridos n'O Cinéfilo -, o poder que a trilha sonora tem em determinadas cenas e obras faz delas inesquecível, ainda que eu as considere inferiores a outras. Tanto que no meu atual top 10, apenas Dogville tem algo mais retido, ainda que incisivo em determinados momentos e que leva o coração à boca, pela sutilidade do narrador e daqueles cenários. O Rei Leão nem preciso dizer nada, Laranja Mecânica e Amadeus idem, Era Uma Vez No Oeste tem o Harmonica, ou seja, um personagem totalmente dependente da trilha sonora do Morricone para determiná-lo. As Time Goes By é de chorar e por aí vai...

Quanto a musical, acho que o que que tem mais músicas marcantes é O Fantasma da Ópera, o Webber é mestre naquilo...
ltrhpsm2007-07-28 01:51:49
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Entre os compositores de trilhas originais destaco Angelo Badalamenti ("Laurens Walking" de Straight Story é perfeita!)' date=' Yann Tiersen (O Fabuloso Destino de Amelie Poulain) e Clint Mansell (Requiem for a Dream).
[/quote']

 

Esses dois, juntos do Amenábar, são os compositores dessa década que mais me agradam. As melodias do Tiersen para Amelie Poulain e Adeus, Lenin! são 50% dos filmes. Já o Mansell vem construindo uma parceria muito bacana com o Kronos Quartet trabalhando na música dos filmes do Aronofsky. A OST de The Fountain é felomenal!
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Falando em Amenábar, a cena de Mar Adentro em que o Javier Bardem se levanta da cama e voa até a praia ao som de Puccini ("Nessun Dorma") é qualquer coisa de sobrenatural...

 

Estava lembrando de um dos meus filmes favoritos, O Martírio de Joana d'Arc (La Passion de Jeanne d'Arc), de Carl Th. Dreyer. O diretor queria que o filme fosse assistido sem trilha, em silêncio. Só fiquei sabendo depois de já ter visto com música e sinceramente não consigo pensar no filme de outra forma. Como acho que a visão do autor deve ser sempre respeitada, qualquer dia revejo o dvd com o volume no mínimo.

 

 

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Pra mim é um mistério o Yann Tiersen nunca mais ter feito nada em longas depois de "Adeus, Lênin!"...é um absurdo, até.

 

Mais importante que ter uma boa trilha é saber usá-la bem, como é o caso de "O Piano" por exemplo, a trilha do Michael Nyman encaixa como uma luva para o drama da Ada. No filme, a música literalmente fala por ela.

 

Outros compositores que merecem menção são Bernard Herrmann, sempre marcante, e o Vangelis, que compôs clássicos modernos em Carruagens de Fogo, Blade Runner e 1492 - A Conquista do Paraíso, dando proporções épicas aos respectivos filmes.
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Pra ser sinceram acho que o que me faz chorar nos filmes nem é a cena. e sim a música.. pq até mesmo antes de acontecer as coisas, qdo começa a música,e pressupondo o que vai acontecer, já começa a vir as lágrimas...

Ache que sem as trilhas, os filmes não passariam metade das emoções que passam... às vezes o filme pode ser uma droga, mas se tiver uma trilha bonita que se encaixe nos momentos certos, isso pode um grande ânimo e subir bastante a nota dele...
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Entre os compositores de trilhas originais destaco Angelo Badalamenti ("Laurens Walking" de Straight Story é perfeita!)' date=' Yann Tiersen (O Fabuloso Destino de Amelie Poulain) e Clint Mansell (Requiem for a Dream).[/quote']

 

 

 

Esses dois, juntos do Amenábar, são os compositores dessa década que mais me agradam. As melodias do Tiersen para Amelie Poulain e Adeus, Lenin! são 50% dos filmes. Já o Mansell vem construindo uma parceria muito bacana com o Kronos Quartet trabalhando na música dos filmes do Aronofsky. A OST de The Fountain é felomenal!

 

 

 

Já eu não acho a trilha sonora de Amélie Poulain isso tudo e que a força dessa OP é realmente na direção fantástica de Jeunet (e se tirassem a trilha, confesso que não me importaria, "Amélie Poulain" é um filme mágico).

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Desde sempre considero a trilha sonora um dos aspectos mais

 

interessantes dos filmes. Em alguns casos é impossível dissociar a

 

trilha do filme' date=' ou de partes dele. Para ficar em filmes já citados,

 

quando falam dos Excêntricos Tenenbaums lembro-me imediatamente da Gwyneth Paltrow

 

descendo do ônibus ao som de "These Days" da Nico e do quase-suicídio de Luke Wilson

 

com Elliott Smith (que foi mais bem sucedido na sua tentativa) cantando

 

"Needle in the Hay". Magnólia? Aimée Mann com "Wise Up". Garden State?

 

"New Slang", óbvio.[/quote']

 

 

 

Eu confesso que não guardo nome das músicas, mas quando falo da trilha sonora de "Os Excêntricos Tennenbaums", me lembro imediatamente da passagem onde Richie e Rayleigh vêem o arquivo sobre Margot que os detetives particulares fizeram da garota. Muito bom aquele rock aliado aos amassos feitos por Paltrow. 16.gif16.gif

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Nesses dias eu fui rever Fargo. Logo no comecinho do filme' date=' com o Jerry vindo de carro naquela imensidão, eu me lembrei do quanto amo o filme apenas ouvindo a música. [/quote']

 

 

Outra trilha fantástica... a minha música preferida é quando a besta do Buscemi demora 10 minutos pra estacionar o carro em um estacionamento vazio.
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Pra mim é um mistério o Yann Tiersen nunca mais ter feito nada em longas depois de "Adeus' date=' Lênin!"...é um absurdo, até.

 

Mais importante que ter uma boa trilha é saber usá-la bem, como é o caso de "O Piano" por exemplo, a trilha do Michael Nyman encaixa como uma luva para o drama da Ada. No filme, a música literalmente fala por ela.

 

Outros compositores que merecem menção são Bernard Herrmann, sempre marcante, e o Vangelis, que compôs clássicos modernos em Carruagens de Fogo, Blade Runner e 1492 - A Conquista do Paraíso, dando proporções épicas aos respectivos filmes.
[/quote']

 

Concordo!

O Vangelis é um compositor frequentemente esquecido destas listas, mas ele, com certeza está entre os grandes, e não citá-lo é uma tamanha injustiça.

Aliás, acho que ele, entre todos, é o que tem maior mérito no sentido do impacto da trilha composta. om certeza, a trilha que está na cabeça de todos são os temas do John Williams, mas elas sempre remetem a algum filme. Ouvir Indiana Jones, ET, Star Wars está diretamente relacionado aos respectivos filmes.

Mas no caso do Vangelis, a trilha sonora transcende o próprio filme (que muitos discordam da qualidade do filme, mas não da música). Acaba por acontecer a vulgarização da música, algo muito triste, mas prova do alcance delas. Carruagem de fogo é clássico, 1492, balde runner (quem nunca viu um show de mágica com o tema do blade runner ao fundo), transcendem os próprios filmes...
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Agora dois exemplos de filmes em que a trinha sonora desempenha um papel fundamental, são Era uma vez no oeste e Conan.

Muita gente já torceu o nariz, mas para mim são dosi filmes semelhantes. Filmes com poucos diálogos (por isso Conan funcionar com o Arnold, que não deixa de ter o seu análogo, Charles B. no outro). Basicamente desenrolar de cenas  acompanhadas pela música.

 

No caso do Conan fica mais evidente ainda a onipresença da trilha sonora, que dita o ritmo e dá a evolução do filme. O próprio diretor disse que Conan é um filme musical: música e paisagens.

Aliás, ao contrário do Vangelis em que as trilhas sonoras transcendem os próprios filmes, Conan é o melhor exemplo da trilha sonora encarnar o filme. Não se vê o filme e a primeira coisa que vêm à cabeça é a excelente trilha sonora do Basil Poledouris E quando você ouve a trilha, é impossível não se lembrar do filme. Nenhuma trilha possa tão bem a alma do filme como neste caso.
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Respondendo a questão levantada pelo Lt. Particularmente, sou mais filmes musicados. A trilha não só enriquece o material como, muito além disso, complementa-o. Desde o cinema mudo a música vem sendo usada para deixar as exibições menos enfadonhas; para climatizá-las sugando o expectador para o universo peculiar da obra. Da mesma forma que o texto se relaciona com a razão do expectador, a música se relaciona com o seu emocional e a direção - o olhar pessoal do diretor - faz o meio-de-campo entre os dois. É o caso, por exemplo, de Jurassic Park. Williams se aproveitou dos espaços previamente deixados por Spielberg para preenchê-los com composições de apelo deslumbrante, mágico; dando um outro tom a um filme que na mão de um compositor diferente poderia ter uma cara predominantemente tensa, tal como é a direção.

Mas não sou cabeça fechada para nada. Não viro a cara para filmes "quietos", sobretudo se o diretor teve um bom motivo (ou uma boa intuição) para querê-lo assim.
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Eu considero a trilha sonora como parte excencial de um filme. Uma boa trilha me marca tanto quanto um bom filme, embora o ideal é que uma coisa acompanhe a outra.

Se ela está ajudando a contar a história, como no caso dos musicais, ou se ela está criando o clima, como nos filmes de terror por exemplo, a trilha está sempre desempenhando um papel importante. Uma boa prova disso é que sua ausência é logo percebida... parece que algo está faltando... quando a trilha complementa a imagem mostrada, algums diálogos se tornam desnecessários.

 

Aproveitando o tópico, vocês preferem trilhas instrumentais? Ou composta por músicas populares?

 

Eu acho que depende muito da temática do filme... John Williams, Danny Feldman, Morricone, Hans Zimmer, etc... Criaram trilhas fantásticas, nós logo nos lembramos de uma cena quando ouvimos suas trilhas.

Mas algums diretores tem muito bom gosto para trilhas... Tarantino e Cameron Crowe por exemplo. A trilha de Forrrest Gump e Garden State também são excelentes.

 

 

 

 

 

 

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Tenho que admitir que' date=' apesar de ser muito esquecido quanto a qual música é de qual filme - vide os joguinhos sugeridos n'O Cinéfilo -, o poder que a trilha sonora tem em determinadas cenas e obras faz delas inesquecível, ainda que eu as considere inferiores a outras. Tanto que no meu atual top 10, apenas Dogville tem algo mais retido, ainda que incisivo em determinados momentos e que leva o coração à boca, pela sutilidade do narrador e daqueles cenários. O Rei Leão nem preciso dizer nada, Laranja Mecânica e Amadeus idem, Era Uma Vez No Oeste tem o Harmonica, ou seja, um personagem totalmente dependente da trilha sonora do Morricone para determiná-lo.

[/quote']

É... funciona bem como a alma do projeto.

 

E em negrito, me fez lembrar do Glauber. Folheando "Deus e o Diabo" esses dias, notei... o uso da trilha ali servia bem como uma narrativa geral  (explicitas nas letras) incomum, com a simplicidade marcando a principal característica.

HAL20002007-07-28 20:54:37

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