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Forum Cinema em Cena

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Tendo acompanhado os desfiles mais ou menos do Grupo B, eis as minhas apostas para o resultado OFICIAL de amanhã:

 

 

 

01. Tradição

 

02. União do Parque Curicica

 

03. Sereno de Campo Grande

 

04. Alegria da Zona Sul

 

05. Arranco do Engenho de Dentro

 

06. Lins Imperial

 

07. União de Jacarepaguá

 

08. Boi da Ilha do Govenador

 

09. Flor da Mina do Andaraí

 

10. Mocidade de Vicente de Carvalho

 

11. Unidos do Jacarezinho

 

12. Acadêmicos do Sossego

 

 

 

A briga vai ser boa ali em cima, todas as cinco primeiro escolas têm chances iguais, mas apostarei no nome da Tradição que com desfiles pífios terminava na metade da tabela, com um bastante elogiado deve se sagrar campeã para voltar ao Acesso A. A Curicica foi vice ano passado e também fez bom desfile este ano, é outra favorita, tal qual Sereno de Campo Grande. Alegria da Zona Sul veio rica e com belo samba, mas os carros tiveram problemas, isso pode ser crucial. Arranco também sempre incomoda.

 

 

 

Lá embaixo, outra incógnita. Jacarezinho veio com desfile trash e era última escola; Sossego veio bizarra também, mas pode sobrar para a Mocidade por ter abertos os desfiles ou até para a Flor da Mina por ter sido a segunda, mas acho que tem menos riscos. Dessas aí, só o Jacarezinho já estava no Grupo e mesmo assim tinha subido do C no retrasado, portanto não tem tanta força assim - a diferença é que o Jacaré tem algum nome e uma das melhores comunidades de todos os grupos e isso pode contar a seu favor se as bizarrices que passaram pela Sapucaí não forem devidamente canetadas.

 

 

 

Eu estou na TORCIDA pela Alegria, mas ficarei bastante feliz também se subir a Curica ou a Tradição. Pena que só sobe uma este ano. Espero que a Mocidade Vicentina não caia, o Sossego merece mais. Adoro o Jacaré, mas talvez mereça também...ltrhpsm2010-02-18 04:14:10

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Começa o troca-troca. Max Lopes deixa a Imperatriz

 

Por Fábio Silva

 

 

 

Terminado a apuração, as escolas de samba já começam a pensar no Carnaval 2011.

 

 

 

Hoje pela manhã, antes mesmo da abertura dos envelopes, o presidente da Imperatriz Leopoldinesne, Luisinho Drumond confirmou a saída do carnavalesco Max Lopes (foto). Para a vaga de Max, a escola tenta contratar o carnavalesco Alexandre Louzada que deverá deixar a comissão de carnaval da Beija-Flor.

 

 

 

Insatisfeito com 11º colocação obtido neste carnaval, o presidente da União da Ilha, Nei Filardi afirmou que não manterá a carnavalesco Rosa Magalhães.

 

 

 

Na Mocidade, a permanência de Cid Carvalho é dada como certa pelo presidente Paulo Viana.

 

 

 

Com contratos renovados antes mesmo do desfile Renato Lage fica no Salgueiro, assim como o carnavalesco campeão de 2010 Paulo Barros na Unidos da Tijuca. Cahê Rodrigues também deverá ser mantido no cargo de carnavalesco da Grande Rio.

 

 

 

Na Mangueira ainda é incerta a permanência dos carnavalescos Jaime Cezário e Jorge Caribé. Fábio Ricardo, carnavalesco da Rocinha estaria nos planos do presidente da escolaIvo Meirelles.

 

 

 

Na Vila Isabel uma reunião que será realizada esta semana definirá a permanência ou não do carnavalesco Alex de Souza.

 

 

 

Na Portela, Alex de Oliveira e Amauri Santos não deverão ser mantidos no cargo de cargo de carnavalesco. O presidente da agremiação Nilo Figueiredo vai se reunir ainda este mês como sua comissão de carnaval para decidir o nome do novo carnavalesco da agremiação.

 

 

 

Na Porto da Pedra, após retornar de uma viajem que fará para o exterior esta semana, o presidente Uberlan de Oliveira definirá a permanência do carnavalesco Paulo Menezes.

 

 

 

----

 

 

 

Eu acho que para o bem do Carnaval a Rosa deveria ficar na Ilha e o Max ir para a São Clemente. A dispua para não cair certamente seria acirradíssima com isso. O Paulo Menezes podia contar na Porto, fez belo trabalho, foi mal julgado na minha visão. E o Fábio Ricardo TEM de vir para alguma escola do Especial, de preferência a Mangueira ou a Portela. Agora, como ficará a Imperatriz eu não sei... O Louzada poderia ir para a Porto então (ele que fez em 2005 a re-edição do "Oi, joga água que é de cheiro, confe e serpentina") e o Menezes ir para a Imperatriz, seria perfeito. Ainda sobraria uma das tradicionais, Mangueira ou Portela. Resumindo, por mim o IDEAL seria este:

 

 

 

TIJUCA - Paulo Barros

 

GRANDE RIO - Cahê Rodrigues

 

BEIJA-FLOR - Laíla e cia., saindo o Louzada

 

VILA ISABEL - Alex de Souza

 

SALGUEIRO - Renato Lage

 

MANGUEIRA - Fábio Ricardo

 

MOCIDADE - Cid Carvalho

 

IMPERATRIZ - Paulo Menezes

 

PORTELA - ???

 

PORTO DA PEDRA - Alexandre Louzada

 

UNIÃO DA ILHA - Rosa Magalhães

 

SÃO CLEMENTE - Max Lopes

 

 

 

Aí o Mauro Quintaes poderia ir para a Viradouro. No caso de a Portela ficar sem ninguém, eu prefiro o Max lá (a Águia merece mais respeito e um carnavalesco de nome; eu não queria me render a este comentários, mas vou ter de concordar) e a São Clemente com o Mauro mesmo, possivelmente caindo, mas dando-lhe uma chance no Especial. Tem também o Szaniecki na pista, mas eu não me entendo com este cara, ele só atrapalha.

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Sopa, como torcedor da Imperatriz, também estou temeroso com o futuro da escola (por mim, deveria mantê-la esse ano, para que no ano seguinte colocar um "enredo-homenagem" dos 20 anos dela na Imperatriz). Além disso, particularmente, não gosto desse "novo rumo" dos desfiles das escolas de samba (mais high-tech, mais espetáculo do que nunca, mas pouco samba mesmo). Muitos podem me chamar de "saudosista demais", mas cada vez mais o carnaval do grupo especial está deixando de ser uma festa popular (exceto pelos blocos e os grupos de acesso).

 

 

 

Aliás, eu também estava no Sambódromo no sábado e, apesar de me divertir muito, nenhuma das escolas desfilou com aquela pinta de "É campeã". No fim, permaneceu a tradição da São Clemente.

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Vou comentar o resultado dos dois Carnavais.

 

 

São Paulo

Não tiro os méritos da Rosas de Ouro. Entretanto, a Mocidade Alegre fez um carnaval infinitamente superior (inclusive plasticamente e esteticamente). Não foi perfeito, claro. Afinal, a perda de pontos no quesito Comissão de Frente foi devido ao fato de um membro ter escorregado duas vezes na apresentação de dois módulos, e foi o que acabou tirando o título da minha Mocidade, certo? Agora, a Rosas de Ouro cometeu erros em evolução e não foi penalizada (senão me engano, foi apenas penalizada por um jurado). O Samba-enredo, que era ruim, levou 4 notas 10 (Aliás, este quesito foi um absurdo. Todas as escolas levaram 10). As alegorias tinham problema de acabamento e algumas até de gosto duvidoso, e não foi penalizada por isso. Enfim, uma pena. Fiquei bastante infeliz com o resultado. Tudo bem que a Rosas de Ouro estava com o título engasgado há anos, mas não mereceu por ESTE carnaval especificamente.

 

Outras injustiças foram as classificações da Tucuruvi e da Pérola Negra. Como assisti a Tucuruvi pela televisão, não percebi o que aconteceu de tão grave na evolução da escola. Agora, assisti ao desfile da Pérola Negra no próprio sambódromo e, para mim, ainda é uma icógnita o motivo das notas baixas para a bateria.

 

Não compreendi, também, o fato da Imperador do Ipiranga ter caído ao invés da Tom Maior. Mais incompreensível foi a colocação da Mancha Verde.

 

A decepção do carnaval foi a Império de Casa Verde, que ficou em um merecido 7º lugar. O enredo era pretexto de grandiosidade e, em toda a sua história, a escola nunca veio tão pequena e contida. Vai entender.

 

 

Rio de Janeiro 

Um dos Carnavais mais fracos e cheio de erros dos últimos anos. A situação foi tão complicada que alguns desfiles de São Paulo, plasticamente, superaram os do Rio de Janeiro. Mas não questiono a vitória da Tijuca. Novamente, não foi o melhor carnaval do Paulo Barros, mas a concoerrência estava tão fraca e tão lamentável, que levou merecidamente. O Renato Lage disse que não gosta do estilo do Paulo Barros e afirmou que Carnaval não é teatro. Renato Lage que me desculpe, mas o Paulo Barros é uma das únicas mentes realmente criativas do carnaval carioca atualmente.

 

Lamentável foi o desfile da Viradouro. Terrível. A minha Portela se salvou nesse ano, mas que fique claro que, talvez, não haja segunda chance. O Nilo tem que sair URGENTE da presidência e, graças a Deus, irão fazer uma nova eleição no próximo mês. É a chance da Portela se reestruturar, acordar e se reeguer como uma das grandes do Carnaval Carioca.

 

 

 

 

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Sopa' date=' como torcedor da Imperatriz, também estou temeroso com o futuro da escola (por mim, deveria mantê-la esse ano, para que no ano seguinte colocar um "enredo-homenagem" dos 20 anos dela na Imperatriz). Além disso, particularmente, não gosto desse "novo rumo" dos desfiles das escolas de samba (mais high-tech, mais espetáculo do que nunca, mas pouco samba mesmo). Muitos podem me chamar de "saudosista demais", mas cada vez mais o carnaval do grupo especial está deixando de ser uma festa popular (exceto pelos blocos e os grupos de acesso).

 

 

 

Aliás, eu também estava no Sambódromo no sábado e, apesar de me divertir muito, nenhuma das escolas desfilou com aquela pinta de "É campeã". No fim, permaneceu a tradição da São Clemente. [/quote']

 

 

 

Pô, Silva, não sabia que você era Imperatriz - ou me esqueci -, sempre penso que você é Grande Rio. Veio na escola? Vocês têm de avisar quando saem ou vão assistir, pô, ficam com vergonha?, haha. Eu ano que vem deverei ir no Grupo de Acesso A, acompanhei pela TV este ano. Viu de qual setor?

 

 

 

Quanto à Imperatriz, acho que a Rosa deveria ter saído sim: já estava cansada da escola e a escola cansada dela, sem possibilidades de evolução. Todavia, a demissão pronta do Max Lopes mostra falta de co-ordenação, até porque a maior parte dos problemas da escola está na parte de harmonia (alas recheadas de gringos), evolução (escola que não consegue mais trazer carros grandes devidamente e trava) e mestre-sala & porta-bandeira. O samba-enredo até que enfim foi bem escolhido e a bateria acertou-se, mas eu não sei o que virá depois desse resultado... A escola também teve azar com a posição no desfile.

 

 

 

Quanto ao sábado, eu não pude ver ainda Rocinha e Cubango pois não aguentei na Band (acordei só para a Estácio de Sá); mas achei a São Clemente boa - o samba fraco funcionou muito bem - e tecnicamente com poucas falhas, mas é MUITO estranho ter levado só notas 10.0 (apenas um 9.7 do casal descartado). Além disso, o que é chato na São Clemente é que ela sempre cai ao subir, não ameaça como fez a Ilha, ousando, ou pode fazer uma Rocinha, Renascer e mesmo o Império que acabou com a sua vaga no GE, mas por não se sujeitar ao gigantismo do Especial.

 

 

 

Quanto a este debate da evolução no carnaval, eu escreveria algo agora, mas já tinha escrito tudo isso e perdi a postagem. É uma discussão longa e acho prepoderante ser tomada em consideração pelo público comum e pela mídia. Eu acredito que haja duas visões muito extremistas sobre o tema, uma muito resistante (concordo com o lado de quem diz que Carnaval evolui sim e o tempo se encarregará de nos dizer se PB marcará época nas escolas ou virará nuvem passageira... Lembremos que J30 começou com os destaques nas alegorias) e outra muito rendida (o próprio Paulo já fez carnavais melhores, apesar de o acabamento este ano ter melhorado, as suas ideias desta vez não me foram tão convicentes, nem o ineditismo - a maioria dos carros veio num estilo que ele já trouxera antes). Só repito algo que disse na CMJ: não pensem que o título da Tijuca veio só por causa do PB. Claro que ele gera um efeito contagiante, mas a escola evoluiu perfeitamente; veio cantando com vontade; contagiou o público, não só por questão das coreografias, mas pelo samba que funcionou perfeitamente para brincar; e a bateria passou bem, se não foi tão arriscada, por outro lado superou os probemas dos dois últimos anos.

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Bem, não entendo nada de carnaval, quem entende é o Sopa (me explicou várias coisas por mp ontem), mas eu também não achei o Paulo Barros tão inventivo quanto em outros momentos (o que era aquele carro de "Onde Está Wally?" de 2007 hein?). O carro em que os super-heróis deslizavam foi esquisito pelo próprio conceito mesmo. O Batman de esqui? wtf? Acho que o lance das identidades secretas dos heróis poderia render mais. Na verdade não foi abordado, não foi representado, ele simplesmente jogou os personagens no desfile aproveitando-se da metáfora já pronta. O carro do pavão, com pessoas pintadas dispostas em forma de triângulo é, na base, a mesma idéia do famoso carro dna. E homenagem a Michael Jackson é sempre bem-vinda mas ficou totalmente alheia ao resto do desfile nesse caso, pareceu coisa de última hora.

 

 

 

A comissão de frente, na prática, hipnotizou, mas vamos combinar que na estrutura foi apenas um truque de mágica que existe há anos e que todo mundo já viu + uma coreografia ok. Se começar a trazer mágicos pro desfile só porque funciona com o público, vai ficar estranho. Mas nesse caso específico ok, caiu como uma luva pro enredo.

 

 

 

Sobre o lance do espetáculo e tal, não sei como funciona pra quem é daí do RJ, das comunidades, pra quem vai assistir na Sapucaí, mas pra quem tá em casa vendo tv é ótimo. Eu não quero ver neguinho sambando, eu quero é ser impressionado.

 

 

 

Sobre o geral, sempre torci pela Viradouro e essa queda tá na conta do ignorante do Marco Lira, que saiu falando em complô contra a escola ontem e preconceito porque a Viradouro é de Niterói. Como é que não teve preconceito em 97? Tem que primeiro assumir que fez um trabalho porco pra então tentar mudar alguma coisa e, talvez, voltar ano que vem, caso contrário vai ficar eternamente no grupo de acesso (aliás, Sopa, quando que tem eleição de novo na Viradouro?).

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Eu achei o desfile da Tijuca bom. Só.

 

A escola começou bem e entrou imponente na avenida. Com destaque para o carro da Biblioteca de Alexandria e dos Jardins Suspensos da Babilônia. Entretanto, diria que a coerência do enredo e a qualidade plástica dos carros alegóricos decaiu da metade para o final. O carro dos Batman's esquiadores era de extremo mau gosto e não acrescentou em nada no desenvolvimento do enredo. O da Área 51 possuía um conceito interessante, mas, alguém pode me explicar o que Michael Jackson fazia ali? Desconexo.

 

Não achava o samba da Tijuca tão bom assim também. Digo.. Como o samba da Vila Isabel e da Tijuca tiram as mesmas notas?

 

Enfim. Não achei o melhor carnaval da Tijuca não. No conjunto, pode ter sido melhor que as outras mesmo. Mas, acredito que Paulo Barros já mereceu mais por outros carnavais.

 

 

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Legal isso estar rendento tanto, vou acompanhar a apuração dos Grupos de Acesso e depois respondo a tudo com alguma calma. Por ora, segue o ranking das torcidas aqui no Fórum C&C:

 

 

 

Abelha - Beija-Flor

 

Fapreve - Beija-Flor

 

Forasteiro - Viradouro

 

Fran - Salgueiro

 

Kah* - Mocidade Independente

 

Luizz - União da Ilha

 

Rike - Portela

 

Silva - Imperatriz

 

Sith - Grande Rio

 

Thiago Araujo - Mocidade Independente

 

-THX- - Beija-Flor

 

TNT_Karmas - Mocidade Independenteltrhpsm2010-02-19 01:30:20

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Cara, não sei se te interessa, só fanático para acompanhar, mas está passando na Tupi inclusive com vídeo (www.tupi.am) e chat. Agora julgaram o Grupo E - último grupo -, o Leão de Nova Iguaçu foi campeão falando de Neguinho da Beija-Flor. Ainda tem o Grupo D, o C (que determina quem vai desfilar ano que vem na Marquês de Sapucaí) e enfim o B, que é o que eu acompanhei.

 

 

 

Por enquanto, minha torcida deu certo, Leão campeão.

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Sopa' date=' como torcedor da Imperatriz, também estou temeroso com o futuro da escola (por mim, deveria mantê-la esse ano, para que no ano seguinte colocar um "enredo-homenagem" dos 20 anos dela na Imperatriz). Além disso, particularmente, não gosto desse "novo rumo" dos desfiles das escolas de samba (mais high-tech, mais espetáculo do que nunca, mas pouco samba mesmo). Muitos podem me chamar de "saudosista demais", mas cada vez mais o carnaval do grupo especial está deixando de ser uma festa popular (exceto pelos blocos e os grupos de acesso).

 

 

 

Aliás, eu também estava no Sambódromo no sábado e, apesar de me divertir muito, nenhuma das escolas desfilou com aquela pinta de "É campeã". No fim, permaneceu a tradição da São Clemente. [/quote']

 

 

 

Pô, Silva, não sabia que você era Imperatriz - ou me esqueci -, sempre penso que você é Grande Rio. Veio na escola? Vocês têm de avisar quando saem ou vão assistir, pô, ficam com vergonha?, haha. Eu ano que vem deverei ir no Grupo de Acesso A, acompanhei pela TV este ano. Viu de qual setor?

 

 

 

Quanto à Imperatriz, acho que a Rosa deveria ter saído sim: já estava cansada da escola e a escola cansada dela, sem possibilidades de evolução. Todavia, a demissão pronta do Max Lopes mostra falta de co-ordenação, até porque a maior parte dos problemas da escola está na parte de harmonia (alas recheadas de gringos), evolução (escola que não consegue mais trazer carros grandes devidamente e trava) e mestre-sala & porta-bandeira. O samba-enredo até que enfim foi bem escolhido e a bateria acertou-se, mas eu não sei o que virá depois desse resultado... A escola também teve azar com a posição no desfile.

 

 

 

Quanto ao sábado, eu não pude ver ainda Rocinha e Cubango pois não aguentei na Band (acordei só para a Estácio de Sá); mas achei a São Clemente boa - o samba fraco funcionou muito bem - e tecnicamente com poucas falhas, mas é MUITO estranho ter levado só notas 10.0 (apenas um 9.7 do casal descartado). Além disso, o que é chato na São Clemente é que ela sempre cai ao subir, não ameaça como fez a Ilha, ousando, ou pode fazer uma Rocinha, Renascer e mesmo o Império que acabou com a sua vaga no GE, mas por não se sujeitar ao gigantismo do Especial.

 

 

 

Quanto a este debate da evolução no carnaval, eu escreveria algo agora, mas já tinha escrito tudo isso e perdi a postagem. É uma discussão longa e acho prepoderante ser tomada em consideração pelo público comum e pela mídia. Eu acredito que haja duas visões muito extremistas sobre o tema, uma muito resistante (concordo com o lado de quem diz que Carnaval evolui sim e o tempo se encarregará de nos dizer se PB marcará época nas escolas ou virará nuvem passageira... Lembremos que J30 começou com os destaques nas alegorias) e outra muito rendida (o próprio Paulo já fez carnavais melhores, apesar de o acabamento este ano ter melhorado, as suas ideias desta vez não me foram tão convicentes, nem o ineditismo - a maioria dos carros veio num estilo que ele já trouxera antes). Só repito algo que disse na CMJ: não pensem que o título da Tijuca veio só por causa do PB. Claro que ele gera um efeito contagiante, mas a escola evoluiu perfeitamente; veio cantando com vontade; contagiou o público, não só por questão das coreografias, mas pelo samba que funcionou perfeitamente para brincar; e a bateria passou bem, se não foi tão arriscada, por outro lado superou os probemas dos dois últimos anos.

 

 

 

Sopa, acho que você pensa que sou Grande Rio pelo fato de morar em Caxias. Na verdade é justamente o contrário: torço muito para que a Grande Rio não vença. Uma escola de samba que não faz NENHUM ensaio junto com a comunidade (a maioria dos ensaios é na Zona Sul, acredite se quiser) não merece ganhar o título .

 

 

 

Não vim na escola (como eu falei, hoje em dia desfilar numa Escola de Samba está cada vez mais distante do povão), e decidi assistir o grupo de acesso na hora (tanto é que cheguei depois da primeira escola, acabei ficando bem no canto, no setor 9. E como foi a transmissão da Band? Disseram que foi "padrão Globo atual", o que é bastante ruim (saudades das transmissões da Rede Manchete). Isso procede?

 

 

 

E como eu disse, a situação da Imperatriz me preocupa. Eu diria que a escola, além desses problemas, não conseguiu se adaptar bem a grandiosidade e ao "espetáculo para gringo ver" que se transformou o Carnaval do grupo Especial.

 

 

 

E sobre a evolução do Carnaval, sim, concordo que na verdade só o tempo dirá se essas mudanças marcarão época ou não mas ainda insisto no meu receio dessa festa deixar cada vez mais de ser "popular". Por isso que fico com o grupo de acesso e principalmente os blocos: esses sim recuperaram toda a sua força, mesmo com o apoio mínimo da prefeitura (de que adianta prender quem faz xixi na rua se colocam pouquíssimos banheiros químicos - e os que são colocados não sofrem manutenção ou limpeza ; sem falar dos serviços de transporte público - trem, metro, ônibus - que ainda precisam melhorar muito), e cada vez mais se configuram como a verdadeira festa popular (onde ninguém precisa pagar algo para participar).

 

 

 

 

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Legal isso estar rendento tanto' date=' vou acompanhar a apuração dos Grupos de Acesso e depois respondo a tudo com alguma calma. Por ora, segue o ranking das torcidas aqui no Fórum C&C:

 

 

 

Abelha - Beija-Flor

 

Fapreve - Beija-Flor

 

Forasteiro - Viradouro

 

Fran - Salgueiro

 

Kah* - Mocidade Independente

 

Luizz - União da Ilha

 

Rike - Portela

 

Silva - Imperatriz

 

Thiago Araujo - Mocidade Independente

 

-THX- - Beija-Flor

 

TNT_Karmas - Mocidade Independente[/quote']

 

Esqueceu de mim, sou Grande Rio... uns 3 anos atrás até estagiei nela um tempo...

 

Agora falando sobre o carnaval... não acompanhei mto os desfiles esse ano... apenas da União da Ilha por causa da minha namorada e depois vi os VTs das outras escolas, não gostei da Tijuca, aquilo para mim não tem nada a ver com samba, e sim um espetaculo de circo... a beija-flor achei bem sem graça tb, e sobre a Mangueira... bem... é sempre divertido ver a mangueira se ferrar.. :P

 

E por final... São Clemente ano q vem cai... então a União da Ilha, pela qual tenho simptia, até fui na quadra dela ano passado, deve continuar outro ano.. :D

Sith2010-02-18 18:00:48

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Rio de Janeiro  Um dos Carnavais mais fracos e cheio de erros dos últimos anos. A situação foi tão complicada que alguns desfiles de São Paulo' date=' plasticamente, superaram os do Rio de Janeiro. Mas não questiono a vitória da Tijuca. Novamente, não foi o melhor carnaval do Paulo Barros, mas a concoerrência estava tão fraca e tão lamentável, que levou merecidamente. O Renato Lage disse que não gosta do estilo do Paulo Barros e afirmou que Carnaval não é teatro. Renato Lage que me desculpe, mas o Paulo Barros é uma das únicas mentes realmente criativas do carnaval carioca atualmente. Lamentável foi o desfile da Viradouro. Terrível. A minha Portela se salvou nesse ano, mas que fique claro que, talvez, não haja segunda chance. O Nilo tem que sair URGENTE da presidência e, graças a Deus, irão fazer uma nova eleição no próximo mês. É a chance da Portela se reestruturar, acordar e se reeguer como uma das grandes do Carnaval Carioca.

 

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Eu discordo. Depois de 2008 e 2009, 2010 superou muito as expectativas. À exceção de problemas parciais das escolas com evolução, quase não houve enredos ruins na concepção (só Portela, Grande Rio e Viradouro, que, mesmo assim, ainda poderia ter rendido); três sambas-enredo que são realmente do gênero musical (Imperatriz, Vila e Beija-Flor) e outros que puderam crescer bastante na Sapucaí (Ilha, Mangueira, Tijuca e Porto); e um nível mais parelho na disputa. A Tijuca sobressaiu por aliar o modernismo que o povo e a GLOBO requerem com um nível técnico praticamente imbatível, difícil de ter pontos descontados; além de ter um baita casal de mestre-sala & porta-bandeira e diretor de harmonia eficiente (grandes contratações da escola).

 

 

 

Quanto à Portela, os anos pós-2005 são meio bizarros. Em todos os anos, foram enredos politicamente corretos e, de certo modo, vendidos a alguma empresa ou ideia (o Brasil brasileiro em 06, esqueci qual era o patrocínio por trás, o Pan em 07 e o da inclusão digital agora); sempre arriscando na escolha dos carnavalescos. Fato é que os dois enredos autorais permitidos (em 2008, com o desfile da Natureza, belíssimo; e 2009 com o do amor, bom também, destacado no pior ano deste século) deram posições excepcionais para a escola que nestes últimos dez anos só voltou às Campeãs justamente em 08 e 09, quando parecia se re-erguer. Aliás, ela vinha numa crescente, até pintar esse enredo tosco de 2010 e o tetracampeonato inexplicável do Diogo Nogueira e cia. na disputa de samba-enredo (chega, né?). Deu no que deu. Como a Portela tem o melhor chão ao lado do da Mangueira e quase não tem problemas de evolução, sempre fica pelo menos na metade. A bateria também foi um destaque à parte e o casal melhorou. Se tivesse escolhido um samba melhor e tivesse disfarçado o podre enredo com um pouco mais de capricho - como a Grande Rio -, poderia ter voltado nas Campeãs.

 

 

 

Esqueceu de mim' date=' sou Grande Rio... uns 3 anos atrás até estagiei nela um tempo...Agora falando sobre o carnaval... não acompanhei mto os desfiles esse ano... apenas da União da Ilha por causa da minha namorada e depois vi os VTs das outras escolas, não gostei da Tijuca, aquilo para mim não tem nada a ver com samba, e sim um espetaculo de circo... a beija-flor achei bem sem graça tb, e sobre a Mangueira... bem... é sempre divertido ver a mangueira se ferrar.. :PE por final... São Clemente ano q vem cai... então a União da Ilha, pela qual tenho simptia, até fui na quadra dela ano passado, deve continuar outro ano.. :D[/quote']

 

 

 

Esse povo que odeia a Mangueira, tsc, tsc, tsc... 06.gif E ainda virou Grande Rio agora, por causa de contatos profissionais? 'Taí o modelo GR de fazer torcedores, hahaha, nem acompanha a própria escola. Mas nem sabia, está anotado. Aliás, não tem mangueirense aqui? Tijuca e Porto da Pedra são pequeninas mesmo, já esperava; e a Vila Isabel, sei lá, parece que não tem torcida fora da sua região.

 

 

 

E estou torcendo muito para a Ilha vir pelo menos tão forte como este ano em todos os sentidos (garra, samba-enredo e força de carnavalesco), porque voltará ao rol das grandes, sem dúvidas.ltrhpsm2010-02-19 03:19:44

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Sopa' date=' acho que você pensa que sou Grande Rio pelo fato de morar em Caxias. Na verdade é justamente o contrário: torço muito para que a Grande Rio não vença. Uma escola de samba que não faz NENHUM ensaio junto com a comunidade (a maioria dos ensaios é na Zona Sul, acredite se quiser) não merece ganhar o título .

 

 

 

Não vim na escola (como eu falei, hoje em dia desfilar numa Escola de Samba está cada vez mais distante do povão), e decidi assistir o grupo de acesso na hora (tanto é que cheguei depois da primeira escola, acabei ficando bem no canto, no setor 9. E como foi a transmissão da Band? Disseram que foi "padrão Globo atual", o que é bastante ruim (saudades das transmissões da Rede Manchete). Isso procede?

 

 

 

E como eu disse, a situação da Imperatriz me preocupa. Eu diria que a escola, além desses problemas, não conseguiu se adaptar bem a grandiosidade e ao "espetáculo para gringo ver" que se transformou o Carnaval do grupo Especial.

 

 

 

(CONTINUA...)[/quote']

 

 

 

Exatamente, Silva, é porque você é de Caxias e também porque eu me lembro de que em um ano você comentou que desfilara na Grande Rio - acho que em 2007, quando comentávamos na CMJ o Desfile das Campeãs, em que ela também voltou como segunda. Eu não tenho nada contra a escola em si, mas os seus rumos é que me agonizam. Quer ter bastante artista, tudo bem, nada contra, faz parte. Enredos patrocinados também podem render. Mas renegar a comunidade como você diz e se vender SEMPRE, além de aparecer nas cabeças só por conta do investimento que recebe que me faz desgostar da G.R. Confesso que ano passado eu até gostei, a escola tinha um belo samba e - muito possivelmente por causa do horário do desfile - ficou "apenas" em quinto lugar. Se ela vier bem, eu não tenho problema alguma; pelo contrário, até torço para que faça por onde e um dia ainda seja campeã (só faltam ela, Porto e Ilha do grupinho - desconsidero aqui a já rebaixada São Clemente, hehe).

 

 

 

Quanto a desfilar: eu não sei, pois nunca o fiz, mas acho que não é tão difícil assim, à exceção de escolas como Vila e Beija-Flor, totalmente fechadas para a comunidade. Onde eu fico - setor 06 - todos os anos vejo um bocado de gente que passa até por umas duas escolas no mesmo dia.

 

 

 

A respeito do Grupo de Acesso, eu vi pela Band e sofri com a qualidade da transmissão. Na média, ficaram iguais à Globo, mas, apesar de todos os pesares, eu ainda preferiria o certo amadorismo do Perlingeiro na CNT. Para começo de conversa, eles só transmitiram a partir da metade final do Império Serrano e, na verdade, nem houve transmissão do Império - só mesmo as imagens, porque eles ficaram se apresentando, comentaram o da Unidos de Padre Miguel que passara etc. Além disso, demoraram para se acertar, perderam os esquentas à toa e os intervalos eram gigantescos, além de termos de ver Recife e Salvador (em muito maior quantia do que vemos na Globo).

 

 

 

Por outro lado, houve algum espaço para críticas, o Ivo Meirelles comentou a partir da sétima escola - e ele sempre tem algum conhecimento - ao lado do Miro Ribeiro - que, se é vendido à Liga do Acesso, ao menos acompanha a parada há muito tempo. O narrador, Sérgio Costa, não comprometeu, não ficava falando demais ("tudo maravilhoso", contando mil-e-um detalhes etc) nem falou tolices. Além disso, o áudio estava bem regulado, houve mais pausas do que eu esperava para ouvir o samba com a bateria, e quando havia comentários ainda ouvíamos bem o carro de som e a marcação dos surdos, dos tamborins e as bossas. Só que era tudo muito rápido, dos 55 minutos de cada escola, digamos que eles passavam MESMO uns 35-40. Perderam-se também no começo, pois ficavam mostrando a bateria no recuo e aí um setor inteiro passava sem eles mostrarem (em geral, os terceiros setores; iam bem no primeiro e no segundo, esqueciam o terceiro, mal falavam do quarto e voltavam bem no quinto, mas assim que a bateria saía já ia para o intervalo).

 

 

 

E você? O que achou de modo geral? Está podendo, setor 09, hein... (para quem não sabe, é o dos turistas, do lado do recuo da bateria) Acompanhou até o fim? Eu achei o nível bom, mas realmente faltou "a" escola; e, como dito, só vi 9 escolas até agora e mal. A depender da tua resposta - como amanhã assistirei aos desfiles que faltam e que eu gravei -, eu falo mais do Acesso.

 

 

 

Finalizando: o problema da Imperatriz é este mesmo. Ela se fechou num método que coube bem na década de 90 e até o comecinho da década passada, mas quando a Rosa começou a ter de se vender nos enredos e ainda perdeu bastante da disposição (por exemplo, 2009 era autoral dela e o que foi aquele "carro" do cavalinho "homenageando" 1989???), desandou de vez. Espero que possa trazer o Fábio Ricardo, da Rocinha (apesar de que eu o preferiria na Mangueira), mas o principal é que o Luizinho dê condições para ele trabalhar e que deixe a escola preparada, com uma mentalidade campeã, buscando imponência. Aquela quadra precisava ser reformada urgentemente pelo que eu li e acompanhei.

 

 

 

Daqui a pouco, tem mais.

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Eu discordo. Depois de 2008 e 2009, 2010 superou muito as

expectativas. À exceção de problemas parciais das escolas com evolução,

quase não houve enredos ruins na concepção (só Portela, Grande Rio e

Viradouro, que, mesmo assim, ainda poderia ter rendido); três

sambas-enredo que são realmente do gênero musical (Imperatriz, Vila e

Beija-Flor) e outros que puderam crescer bastante na Sapucaí (Ilha,

Mangueira, Tijuca e Porto); e um nível mais parelho na disputa. A Tijuca

sobressaiu por aliar o modernismo que o povo e a GLOBO requerem com um

nível técnico praticamente imbatível, difícil de ter pontos descontados;

além de ter um baita casal de mestre-sala & porta-bandeira e

diretor de harmonia eficiente (grandes contratações da escola).

 

 

 

It. Concordo no que se diz aos quesitos: enredo e samba-enredo. Mas não consigo ignorar outros aspectos que ficaram totalmente aquém das expectativas. Talvez, o quesito mais decepcionante tenha sido alegorias. Não exijo luxo, mas o que eu vi foi uma falta de criatividade e acabamento e um desleixo/ descuidado por parte de quase todas as escolas. Fantasias, também, estavam apenas corretas. Outro quesito decepcionante foi Comissão de Frente. Faltou inspiração, licença poética e criatividade. Não é a toa que apenas a Comissão de Frente  - divertidíssima, diga-se de passagem - e o conjunto de Alegorias da Tijuca recebeu nota máxima, se contarmos as 5 notas. E foi o que fez a diferença: a criatividade do Paulo Barros, apesar de ainda achar que a Tijuca já fez desfiles muito melhores.

 

O que eu quero dizer é que plasticamente os desfiles foram decepcionantes.

 

 

 

 

Quanto à Portela, os anos pós-2005 são meio bizarros. Em todos os

anos, foram enredos politicamente corretos e, de certo modo, vendidos a

alguma empresa ou ideia (o Brasil brasileiro em 06, esqueci qual era o

patrocínio por trás, o Pan em 07 e o da inclusão digital agora); sempre

arriscando na escolha dos carnavalescos. Fato é que os dois enredos

autorais permitidos (em 2008, com o desfile da Natureza, belíssimo; e

2009 com o do amor, bom também, destacado no pior ano deste século)

deram posições excepcionais para a escola que nestes últimos dez anos só

voltou às Campeãs justamente em 08 e 09, quando parecia se re-erguer.

Aliás, ela vinha numa crescente, até pintar esse enredo tosco de 2010 e o

tetracampeonato inexplicável do Diogo Nogueira e cia. na disputa de

samba-enredo (chega, né?). Deu no que deu. Como a Portela tem o melhor

chão ao lado do da Mangueira e quase não tem problemas de evolução,

sempre fica pelo menos na metade. A bateria também foi um destaque à

parte e o casal melhorou. Se tivesse escolhido um samba melhor e tivesse

disfarçado o podre enredo com um pouco mais de capricho - como a Grande

Rio -, poderia ter voltado nas Campeãs

Concordo que são bizarros, It. Aliás, este "sobe e desce" da escola só comprova a instabilidade e que a qualquer momento pode acontecer uma tragédia. E, para mim, é culpa da presidência. Falta atitude, falta iniciativa. Confesso que quando havia visto as fotos do barracão, pressenti o pior. É incompreensível que depois do carnaval do ano passado, com carros alegóricos inspiradíssimos e bem acabados, um belo abre-alas inspirado em O Feitiço de Áquila, esse ano vimos que a portela perdeu mais de 1.0 só no quesito alegoria. Foi um desfile monocromático, frio, sem emoção alguma. Nem ver a velha guarda desfilar foi emocionante.

 

Eu acho que isto deveria ser o despertar da Portela. Para ver como a escola está desequilibrada e precisa se firmar, parar com este sobe e desce.

 

 

Bob Harris2010-02-19 15:50:07

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  • 11 months later...

Nossa, em 2010 fique bem ausente do fórum mesmo. Nem vim irritar vocês com minhas propagandas das escolas de samba quando os enredos e os sambas-enredo foram divulgados. Antes de fazê-lo, numa postagem mais para a frente, com as devidas avaliações, coloco aqui uma reportagem que li agora sobre as condições de trabalho para as escolas do Grupo de Acesso. É incrível observar que o poder público simplesmente ignora a sua existência. Espero que, agora que têm uma liga própria, as escolas do Grupo A e do Grupo B lutem pelo direito de um espaço verdadeiramente cultural e profissional para a produção do espetáculo.

 

 

 

SRZD-Carnavalesco mostra o drama de fazer carnaval no Carandiru

 

Vicente Almeida | Carnavalesco | 26/01/2011 03h29

 

 

 

Se as escolas de samba do Grupo Especial esperaram longos anos para poderem ter um espaço decente para trabalharem na produção do carnaval carioca' date=' as escolas dos Grupos de Acesso sonham mais ainda. Longe da estrutura e organização oferecida pela construção da Cidade do Samba, as agremiações que formam a base da folia carioca sofrem com a falta de estrutura, condições de trabalho insuficiente, áreas insalubres e, principalmente, falta de segurança nas ruas próximas. Para elas, a difícil missão é transformar lixo em luxo.

 

 

 

A reportagem do SRZD-Carnavalesco visitou as instalações dos barracões e constatou que a situação vai de mal a pior. O local conhecido como "Carandiru", localizado próximo ao terminal rodoviário Novo Rio, é um antigo galpão de manutenção da companhia de trens RFFSA, que foi invadido a alguns anos e abriga, em sua maioria, escolas dos grupos A, B e C. Essas agremiações estão praticamente deixadas de lado pelo poder público. A situação é tão precária que quando existe uma divisão para separar os materiais e alegorias das agremiações, ela é feita com folhas finas de madeira, muitas em estado avançado de deterioração.

 

 

 

O acúmulo de lixo gerado pela produção dos desfiles aliado ao vazamento de esgoto em alguns pontos servem de criadouro de ratos e gambás, que podem causar sérios danos à saúde dos trabalhadores. Para completar a caótica situação do espaço, como se não fossem suficientes todos os problemas, a reportagem constatou algumas alegorias abandonadas de outras escolas que nem estão instaladas por lá e até a sucata de um carro de passeio. As condições de trabalho são tão problemáticas que alguns funcionários afirmaram que é insuportável trabalhar de bermuda, mesmo com o forte calor que faz quando o sol bate em cima do telhado de zinco, devido ao enorme número de mosquitos no local. Nessa época, as chuvas devastam diversas regiões do país e nos abandonados barracões não poderia ser diferente.

 

 

 

- Aqui funciona da seguinte maneira: quando chove a gente tem que paralisar os trabalhos, pois a água toma conta do chão e se nós não ficarmos atentos, perdemos tudo que foi feito. Isso tudo vira um brejo. A companhia de limpeza aparece aqui na semana do carnaval e recolhe os restos de material que são descartados, capinam o matagal e colocam pó de pedra no chão. Com certeza isso melhora a situação, mas essa manutenção tinha que ser mais constante. Temos uma média de quinze funcionários que trabalham aqui o ano todo - diz o carnavalesco da Difícil é o Nome, Geraldo Cavalcanthé.

 

 

 

A união é mesmo a palavra que impera dentro do precário espaço. Os próprios funcionários que dão expediente nos barracões se juntam para evitar que a chuva provoque pontos de acúmulo de água e não gere focos de desenvolvimento do mosquito da dengue. Outra missão comum dos trabalhadores é tomar conta uns dos outros. Após o Carnaval de 2010 fios de cobre que fazem a iluminação do local foram roubados e deixaram muitas escolas às escuras.

 

 

 

Porém, não é apenas no "Carandiru" que as agremiações enfrentam problemas. Escolas que não estão abrigadas no local também sofrem com as adversidades. A Alegria da Zona Sul, recém promovida ao Grupo de Acesso A, sofreu com furtos de materiais e computadores de seu barracão, que já pertenceu ao Salgueiro, antes da vermelha e branca da Tijuca se mudar para o condomínio de luxo na Gamboa.

 

 

 

- Tem que gostar muito e precisar ainda mais para suportar tudo o que a gente passa aqui. Olha que no Carandiru a situação é muito pior. Temos a "sorte" de estar morando em um barracão que pertenceu a uma escola do Grupo Especial. Na Alegria, gastamos cerca de R$ 3 mil por mês com a conta de luz. Isso consome uma boa parte de nossa subvenção anual. Está cada vez mais complicado colocar o carnaval na rua. Precisamos urgentemente de medidas de segurança aqui nas redondezas. As ruas são muito desertas de noite e nossos funcionários têm que sair em grupo para não serem roubados. São muitos pivetes e moradores de rua que ficam na região e amedrontam a todos - declarou Flávio Mello, diretor de carnaval da Alegria da Zona Sul.

 

 

 

Tempos atrás se falou na construção de uma espécie de Cidade do Samba para abrigar as escolas do Grupo de Acesso. Porém, a ideia parece que perdeu força e o assunto tem sido deixado de lado. As escolas de samba do Grupo Especial conquistaram o direito de ter um local digno para desenvolver o "maior espetáculo da Terra" e, ao que parece, é necessário que as escolas dos Grupos de Acesso se unam para reivindicar seus direitos junto ao poder público e a administração municipal. Quem sabe, dessa forma, conquistarão condições decentes e dignas de trabalho para conseguir fazer que a árdua missão de produzir um desfile de escola de samba com pouco dinheiro fique menos díficil.[/quote']

 

 

 

Uma questão que talvez seja mais interesssante para os outros usuários do fórum, que acompanharam os desfiles da Unidos da Tijuca, e provocou até uma discussão aqui após a vitória de Paulo Barros é a teatralização. A próxima reportagem mostra a força dos coreógrafos no cenário atual. O fato é que, hoje, não se concebe desfile de escola de samba sem ala ou carro com coreografia, exceto por raríssimas exceções.

 

 

 

Coreógrafos 'dominam' o mundo do samba

 

Isaac Ismar | Carnavalesco | 26/01/2011 17h52

 

 

 

Já são quase 20 anos de carnaval. Edu Saad' date=' de 36 anos, e Beto Barros, de 42, sabem todos os caminhos para teatralizar carros alegóricos e alas quando o assunto é desfile de escola de samba. Não é à toa que a dupla tem compromisso com sete agremiações (Unidos da Tijuca, Porto da Pedra, São Clemente, Renascer, Caprichosos, Rocinha e Inocentes de Belford Roxo) para a folia deste ano.

 

 

 

No total, eles coordenam aproximadamente 2.000 pessoas envolvidas nas coreografias e teatralizações. Ou seja, quase uma escola de samba inteira. Edu e Beto são conhecidos também como os "Ursos", responsáveis pela ala de mesmo nome, que é bem conhecida na Unidos da Tijuca. A ala foi batizada em alusão a uma gíria do universo GLBT, já que seus integrantes são homossexuais gordinhos.

 

 

 

- Gostamos muito do carnaval. A paixão é tão grande que uma escola só não segura a gente. A ala dos ursos caiu no gosto dos dirigentes das escolas. Felizmente, temos o carinho de todos. O trabalho é bem feito. Nunca tivemos problemas - disse Beto.

 

 

 

Na atual campeã do carnaval do Grupo Especial, a ala dos ursos estará no último setor. O casal Dom João e Carlota Joaquina será representado na Avenida por 70 ursos.

 

 

 

Outra escola da elite do carnaval carioca que contratou Edu e Beto foi a Porto da Pedra. Na agremiação de São Gonçalo haverá uma ala com homens vestidos de mulher, com direito a salto alto.

 

 

 

A São Clemente promete ousadia. É que a ala terá a extensão de um setor inteiro (de um carro alegórico ao outro) com 560 pessoas, prometendo ser um dos melhores momentos do desfile da agremiação de Botafogo. A representação desta fase do desfile não foi revelada pela dupla.

 

 

 

No Grupo A os trabalhos de Edu e Beto também são grandes. Recentemente, a Caprichosos de Pilares anunciou que eles cuidam da teatralização de 73 pessoas em um dos carros alegóricos, que representará a feira livre. Os integrantes desta alegoria serão frutas saindo dos caixotes. Tudo na maior irreverência, como prevê o enredo "Gente Humilde", do carnavalesco Amauri Santos. Outras 200 pessoas estarão em duas alas também sob coordenação dos coreógrafos.

 

 

 

No ano passado, Edu e Beto conquistaram o prêmio [email protected] Net de melhor ala do Grupo A: as baleias, pela Renascer de Jacarepaguá. A maré boa continua na agremiação de Jacarepaguá. E agora a dupla é responsável por todas as alas coreografadas e teatralizadas da escola.

 

 

 

- É um trabalho maior, pois são seis alas que precisam de teatralização. São quase 490 pessoas envolvidas - contou Beto.

 

 

 

Outra "encomenda" grande é a da Acadêmicos da Rocinha. São quatro alas e dois carros alegóricos para teatralizar, envolvendo 468 foliões. As alas representam os egípcios, fenícios, para-brisa e óculos. Nas alegorias os ursos estarão na quarta, como as "louras geladas", vestidos de drag queen. No carro seguinte será a vez de brincarem no "mundo microscópio". Vale lembrar que o enredo da escola de São Conrado é sobre o vidro, "Rocinha! Estou Vidrado em Você".

 

 

 

E por fim, na Inocentes caberá aos coreógrafos a teatralização da alegoria em homenagem aos saudosos Mamonas Assassinas.[/quote']ltrhpsm2011-01-27 01:37:30

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  • 2 weeks later...

Outro excelente texto, desta vez sobre a "chatice" dos Carnavais contemporâneos. Recomendo a leitura a todos os que ao menos dão uma breve assistida e já gostaram, algum dia, de assistir aos desfiles mesmo na TV:

 

 

 

Caretice e comprometimento' date=' os males do carnaval são

 

Por: Fábio Pavão – 3 de fevereiro de 2011

 

 

 

Dos males do carnaval atual, um dos mais graves, mesmo não estando entre os mais comentados e discutidos, certamente é o nível dos enredos apresentados pelas escolas de samba nos dias de hoje. O bom humor, a irreverência e, o que é mais grave, a própria relevância cultura, estão cada vez mais no passado. Sobre isso, dizem, e eu concordo, que o importante não é exatamente o tema, mas a forma como ele é desenvolvido. Esta afirmação é verdadeira, mas serve apenas para analisar casos isolados, em que o artista, com maior ou menor inspiração, consegue ou não salvar um tema aparentemente difícil de ser desenvolvido. O problema desta afirmação, em primeiro lugar, está em naturalizar o fato de que cabe ao carnavalesco salvar qualquer coisa, ao invés de simplesmente desenvolver uma boa idéia. Em segundo lugar, basta olharmos para a média dos enredos apresentados nos últimos anos para percebemos que, apesar de todo esforço e boa vontade dos artistas do carnaval, os trabalhos pecam pela falta de criatividade e, na opinião de muitos, estão contribuindo para tornar os desfiles, digamos, cada vez mais chatos e caretas.

 

 

 

Uma comparação com a década de 1980 é inevitável, mas, que fique claro, não se trata de uma postura saudosista, ou seja, a tentativa de retornar a uma suposta época de ouro que se perdeu no tempo, tão comum à tradição romântica. Esta comparação, em forma de reflexão, é apenas uma análise à falta de liberdade para se criar os enredos nos dias de hoje, uma vez que suas escolhas e o próprio desenvolvimento estão submetidos, ao mesmo tempo, as pressões da sociedade e ao comprometimento que as escolas de samba, ou suas lideranças, estabelecem. Parto do princípio de que carnaval é um ritual de nossa sociedade e, como tal, espelha seus dramas e conflitos. Na década de 1980, o Brasil se libertava da mordaça dos anos de chumbo e, nos palcos, rádio, tv ou mesmo nas passarelas carnavalescas, ecoava o grito que se manteve calado por mais de uma década. Grito este, aliás, que não estava apenas na liberdade de expressão de uma jovem democracia, mas nos hábitos, costumes, comportamentos e expressões culturais que rompiam suas conservadoras correntes.

 

 

 

Em relação aos enredos carnavalescos, ainda no final da década de 1970, a União da Ilha, graças ao talento da carnavalesca Maria Augusta, mostrou que a beleza poderia estar na simplicidade, mostrando o “bom, bonito e barato” e elevando ao extremo uma característica fundamental do carnaval: a criatividade. Neste processo, a carnavalesca não conseguia apenas superar o abismo financeiro que separava a escola da Ilha do Governador das poderosas agremiações de bicheiros, mas criava a identidade que acompanharia a escola pelas décadas seguintes, mesmo em seus momentos mais difíceis e após ser contaminada pelos males do carnaval moderno.

 

 

 

Na década seguinte, é a vez da Caprichosos de Pilares ganhar notoriedade e fazer sucesso. É exatamente dando um passo adiante ao que a União da Ilha havia feito que a Caprichosos, graças à criatividade do carnavalesco Luiz Fernando Reis, que soube como poucos interpretar o momento de transformação da sociedade e o papel das escolas de samba neste processo, torna-se uma grande agremiação e também constrói sua identidade. A particularidade de Luiz Fernando e da a azul-e-branco de Pilares está no fato deles terem não apenas incorporado o “bom, bonito e barato”, transformando a Sapucaí em uma verdadeira feira livre, em 1982, mas também, anos depois, com a abertura política, ter aproveitado o estilo para fazer enredos críticos e irreverentes.

 

 

 

Embora não tenha conquistado o campeonato, a exemplo da União da Ilha anos antes, a Caprichosos se tornou a “escola da moda”, alcançando uma popularidade que, poucos anos antes, seria impensável. Alguns enredos se tornaram exemplos de que era possível unir criatividade, crítica e irreverência, como “Brazil com ‘Z’ não seremos jamais, ou seremos?”, que chegou a incomodar os representantes diplomáticos dos EUA. Ao mostrar de forma oportuna e bem humorada a influência cultural norte-americana sobre nós, o enredo caiu nas graças de público e crítica e, assim como o do ano seguinte, “Eu prometo”, mesmo este último não tendo alcançado o mesmo sucesso, conseguiu tocar o imaginário popular que estava em ebulição, captando com rara felicidade o inconsciente coletivo.

 

 

 

Seguindo a mesma linha, a São Clemente construiu sua identidade também em meados da década de 1980, trazendo, além da crítica e da irreverência, a exploração de problemas sociais de uma forma até então inédita. Temas como saúde, educação e até os menores abandonados, que, a princípio, poderiam ser pesados e anticarnavalescos, foram apresentados de uma forma leve e criativa, novidade que fez a escola, pela primeira e única vez em sua história, se manter na elite do carnaval carioca por cinco anos consecutivos. Já na virada para a década de 1990, a preto-e-amarelo teve a ousadia de criticar os rumos do próprio carnaval, com o clássico “ e o samba sambou” e, no início do governo Collor, fez uma espetacular crítica ao fato do Brasil repetir sempre os mesmos erros históricos, com a saga de “Clementius” para se manter no poder, provando, de forma genial, que “pau que nasce torto sempre torto vai ficar”.

 

 

 

Três escolas, três formas diferentes de desenvolver enredos bons, bonitos, baratos, irreverentes e críticos, mostrando a riqueza e a pluralidade de idéias do carnaval carioca. Estava em formação um estilo alternativo de desfile, capaz de impulsionar pequenas escolas que não gozavam de grande estrutura ou mecenas. Um tipo de desfile que contrastava com a imponência e o luxo das escolas mais ricas e, de certa forma, também com a pureza e a originalidade do samba no pé verde-e-rosa. No entanto, em pouco tempo, tudo isso se tornou parte do passado. Como as escolas de samba refletem os dramas e conflitos da sociedade, é interesse comparar seus espetáculos com outras formas de expressão desta mesma sociedade, mesmo produções da indústria cultural, como as telenovelas. O atual sucesso incontestável de Vale Tudo, reprisada pelo canal Viva, expõe muitas semelhanças entre as transformações das produções globais e dos enredos carnavalescos. Vale Tudo também é o grito de uma sociedade que, após anos de opressão, se libertava da mordaça da ditadura e podia, finalmente, criticar o eterno “país do futuro”, trazendo para o horário nobre seus dilemas morais. Qualquer semelhança com os citados enredos da Caprichosos e da São Clemente não é mera coincidência, mas o fato de duas expressões artísticas e culturais traduzirem o inconsciente coletivo de uma mesma sociedade.

 

 

 

Como outro exemplo, cito uma observação feita pelo meu amigo noveleiro Paulo Renato, que chamou a atenção para o fato das cenas de abertura de Vale Tudo acontecerem em um quarto fechado, valorizando apenas a riqueza de um diálogo que expõe um conflito familiar. Hoje, entretanto, as primeiras cenas de uma novela são sempre deslumbrantes, a tomada aérea de uma paisagem, geralmente desconhecida pelo grande público, que deve ser cativado pela beleza do visual. Mais uma vez, nos dias de hoje, qualquer semelhança com as escolas de samba, que tem no visual sua maior preocupação e investimento, limitando a originalidade e a criatividade de outrora, não é mera coincidência. Esta é uma das principais linguagens da nossa sociedade atual.

 

 

 

Não são, pois, as escolas de samba que estão se tornando chatas e caretas, mas a própria sociedade mergulha no conservadorismo do politicamente correto, tornando suas expressões culturais, reflexos desta sociedade, igualmente chatas e caretas. Novelas e escolas de samba continuam demonstrando problemas sociais, mas, ao invés da crítica bem desenvolvida de Vale Tudo, temos o cansativo panfleto de propaganda em defesa dos portadores de deficiência física ou usuário de drogas. De forma semelhante, a Portela, atualmente a mais chapa-branca das escolas de samba, levou para a avenida as chamadas metas do milênio, falando de saúde, educação e uma série de outras preocupações sociais, mas sem o brilho e a sutileza da São Clemente de outrora. O problema, assim, parece estar além das escolas de samba.

 

 

 

Nos dias de hoje, vivemos na sociedade a primazia do politicamente correto, que atinge diretamente suas formas de expressões artísticas e culturais, como as novelas e os desfiles carnavalescos. O politicamente correto engessa a criatividade, policiando a liberdade e, como conseqüência, reproduz uma moral conservadora. Onde estão, por exemplo, as famosas mulheres peladas no carnaval? São cada vez mais exceções em um espetáculo que não é apenas voltado para a família, mas, principalmente, para famílias puritanas. Críticas são exceções, pois, o que vale, é se engajar nas atribuições neoliberais em que a sociedade civil substituiu o Estado na tarefa de “construir um mundo melhor”, a exemplo do que fazem as novelas. Naturalmente, ao criticar o politicamente correto em excesso, não sou a favor de banalizar piadas e brincadeiras de cunho racista, para citar apenas um exemplo. Pelo contrário, evitar algumas expressões supostamente jocosas é parte da transformação social e o caminho para uma sociedade verdadeiramente igualitária. O exagero está em engessar a criatividade e amordaçar a liberdade de expressão, tornando o carnaval um espetáculo careta, previsível e pasteurizado.

 

 

 

Além desta caretice, o comprometimento das escolas de samba torna ainda mais chatos os enredos apresentados. Este, entretanto, ao contrário da caretice generalizada, parece ser uma idiossincrasia do mundo do samba. Não há mais espaço para se criticar o poder público. É este mesmo poder público, por exemplo, que reforma a quadra de escolas milionárias. É ele quem pode arrumar espaço para barracões. O comprometimento aumenta quando, diante da necessidade de patrocínio, é o poder público quem banca a escola. Assim, ao invés da crítica inteligente, temos hoje elogios e homenagens sem qualquer mérito para tal. Além do poder de crítica e da irreverência, os enredos, sem liberdade de criação, perderam também sua relevância cultural. Em muitos casos, dito com todas as palavras, são apenas instrumentos negociados para puxar o saco do governante.

 

 

 

Vejamos, por exemplo, o caso das três escolas que citamos acima como referência. Ilha, Caprichosos de Pilares e São Clemente vivem em eterna crise de identidade. Desfiles alegres e irreverentes fazem parte dos discursos todos os anos, mas não passam de retórica. Predomina a idéia de que, sem luxo, não se consegue disputar em igualdade de condições com as grandes escolas. O problema é que, quanto mais investem no luxo, mais distante elas ficam das agremiações que disputam títulos. Isso ocorre porque, ao abandonarem suas identidades, estas escolas não possuem a mesma estrutura ou poder financeiro para disputar em igualdade de condições com as agremiações de ponta. Assim, a Ilha passou quase uma década no grupo de acesso, e, apenas agora, dá sinais de que está se recuperando. A Caprichosos caiu para o grupo de acesso e, a julgar por seus últimos desfiles, está cada vez mais distante do Especial. E a São Clemente, que não consegue abandonar sua fama de “escola ioiô”, até se propôs ano passado a trazer novamente enredos críticos, mas, com o apoio de última hora da prefeitura, o que era crítica se tornou exaltação, em uma chapa-branca homenagem ao “choque de ordem” no primeiro setor. No restante, a crítica ao carnaval atual era tão cheia de cuidados e medo de exagerar que, na verdade, a defesa do enredo ficou mais parecendo elogio.

 

 

 

Não quero, mais uma vez, me estender fazendo críticas ao atual modelo de comércio de enredos, que, na prática, nada tem de moderno, mas é um resquício da mentalidade atrasada e paternalista das escolas de samba. É uma marca do amadorismo do carnaval, que, ao contrário de outras manifestações culturais, atrelam o financiamento aos rituais do próprio espetáculo. É, como já dissemos, a lógica do “pagou mandou” adaptada ao pagou “virou tema”. E neste modelo, sobram exaltações novamente sem qualquer mérito ou relevância cultural. Cidades pequenas se tornam paraísos na terra. Fatos históricos sem qualquer importância ganham status de grandes feitos. Empresas e produtos, muitas vezes com joguinhos de palavras no samba, enchem nossos ouvidos como se fossem realmente importantes. A hipérbole é a figura de linguagem favorita do carnaval moderno, que exagera para nos convencer de uma relevância que definitivamente não possuem. Em suma, além de careta e chato, o comprometimento faz os enredos de hoje serem essencialmente mentirosos.

 

 

 

Assim, entramos na segunda década do século XXI com os desfiles pasteurizados e a criatividade deixada para um segundo plano. No jogo de interesses comerciais e nas mordaças do politicamente correto, perde, principalmente, o carnaval carioca. É certo que o carnaval tem outros males. É certo, também, que também tem as suas virtudes. No entanto, em relação ao nível dos enredos, um dos principais problemas do carnaval atua, caretice e comprometimento, os males do carnaval são.[/quote']

 

 

 

Extraído de: http://tudodesamba.com.br/caretice-e-comprometimento-os-males-do-carnaval-sao/

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Obrigado, Sall. E Nostromo, mais interessante que as suas postagens certamente é. Copiando meu comentário que fiz para os sambas-enredo do Grupo Especial (fucem no 4shared para ouvir se não tiverem o CD).

 

 

 

Dos doze sambas-enredo deste ano, há apenas três pelos quais tenho boas expectativas: a Imperatriz repetiu a parceria campeã do ano passado (que fez um sambaço) e, apesar da queda na qualidade da letra (culpa do fraco enredo de Max Lopes), conseguiu o melhor resultado. Beija-Flor e Salgueiro têm problemas distintos: se a Beija falha na criatividade da letra em certos trechos, é capaz de emocionar com o óbvio (ponto para Neguinho, para variar). Já o Salgueiro tem o velho problema da correria, mas encaixou uma letra sensacional - e aqui, méritos também para a melhor sinopse do ano, de Renato Lage.

 

 

 

De resto, é uma sensação de déjà-vu terrível. Aliás, até os outros três sambas positivamente destacados sofrem com isso. Nada é horrível, intragável ou trash, porém está tudo muito nivelado e similar a outros anos. Até no CD eu tenho dificuldades de saber qual escola está cantando, se estou desligado da ordem. O tão elogiado samba da Mangueira não funcionou comigo - ao menos no CD, esse negócio de três tenores só prejudica (preferia o Luizito solo) -, mesma coisa para o da Vila. A Grande Rio é aquela velha história: letra mixuruca, ritmo acelerado para o Ciça brincar na bateria. Como eu gosto do Ciça, creio que é um samba divertido para brincar, porém longe do ideal para o bom enredo e para uma escola que almeja tanto o título.

 

 

 

Minha relação com as obras de Mocidade, Portela, Porto da Pedra e Unidos da Tijuca dependem do dia: às vezes são legais, às vezes chatos. Mais do que nunca, precisarão "funcionar" na Sapucaí. Já a União da Ilha e a São Clemente, infelizmente, escolheram sambas recauchutados em todos os aspectos e fecham o CD até animosamente, mas de forma aquém do "mediano". É chato porque gostaria que tivéssemos uma briga diferente na luta pelo rebaixamento, porém tudo se encaminha para a queda da escola de Botafogo, e a Ilha não deve voltar a disputar a vaga nas Campeãs.

 

 

 

Em suma, claro que seria difícil superar a qualidade de 2010 (quando tivemos três obras-primas: Vila, Mangueira e Imperatriz; dois sambaços: Beija-Flor e Ilha; e outros que foram muito bem, como Mocidade e Tijuca), e ainda não nos aproximamos da catástrofe de 2009. Acho que também houve uma repetição nos temas/enredos escolhidos e isso prejudica, porém não pode servir de desculpa, exceto em casos bizarros - como veremos nos grupos de acesso mais tarde. Contudo, a expectativa não é muito elevada em termos de samba-enredo marcante para 2011; os desfiles - tanto pelo visual, quanto pela força do canto - terão de ir além do esperado para marcarem alguma melodia para sempre.

 

 

 

Não gosto de dar notas; todavia, como a maioria das pessoas - e eu também - precisa de um apoio numérico objetivo para comentar algo subjetivo, faço da seguinte forma: notas de 3 a 5 para a melodia e de 3 a 5 para a letra (também não sou a favor dessa divisão, pois parece que o samba-enredo é pensado em duas partes, e não necessariamente é assim, as duas é que tem de se encaixar perfeitamente para formar uma música boa). A nota à esquerda é da letra, a à direita é da melodia.

 

 

 

01. Imperatriz - 4.5 + 5.0 = 9.5

 

02. Salgueiro - 5.0 + 4.0 = 9.0

 

03. Beija-Flor - 4.5 + 4.5 = 9.0

 

04. Porto da Pedra - 4.0 + 4.5 = 8.5

 

05. Unidos da Tijuca - 4.0 + 4.0 - 8.0

 

06. Mocidade - 4.0 + 4.0 = 8.0

 

07. Portela - 4.0 + 4.0 = 8.0

 

08. Grande Rio - 3.5 + 4.0 = 7.5

 

09. Vila Isabel - 4.0 + 3.5 = 7.5

 

10. Mangueira - 4.0 + 3.5 = 7.5

 

11. São Clemente - 3.5 + 3.5 = 7.0

 

12. União da Ilha - 3.0 + 3.5 = 6.5

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Por mais chato que o carnaval seja e por mais que eu odeie essa festa, não posso concordar que ele se limita a ser uma distração para pobres que só atrasa o desenvolvimento do país.

 

 

 

O carnaval gera milhões em receita para o país. Gera empregos diretos e indiretos. E a maioria dos que passam os 4 dias se divertindo são turistas ou são pessoas que de qualquer maneira não teriam trabalho na época.

 

 

 

Não gostar de carnaval tudo bem. Eu mesmo não suporto. Mas ignorar todo o valor que ele tem para a economia e para a cultura brasileira é um pouco demais.Nostromo2011-02-07 23:46:59

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