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Poesias


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Uma poesia do Vinícius de Moraes que eu gosto bastante. Apesar da simplicidade ela tem um ritmo muito bom, e talvez seja a própria simplicidade e o pieguismo da poesia que dão a graça, principalmente na terceira e quarta estrofes. 

 

 

Se você quer ser minha namorada
Ah, que linda namorada
Você poderia ser
Se quiser ser somente minha
Exatamente essa coisinha
Essa coisa toda minha
Que nínguem mais pode ser

Você tem que me fazer um juramento
De só ter um pensamento
Ser só minha até morrer
E também de não perder esse jeitinho
De falar devagarinho
Essas historias de você
E de repente me fazer muito carinho
E chorar bem de mansinho
Sem níguem saber por quê

Porém, se mais do que minha namorada
Você quer ser minha amada
Minha amada, mas amada pra valer
Aquela amada pelo amor predestinada
Sem a quela a vida e nada
Sem a qual se quer morrer

Você tem que vir comigo em meu caminho
E talvez o meu caminho seja triste para você
O seus olhos tem que ser só dos meus olhos
Os seu braços o meu ninho
No silêncio de depois
e você tem que ser a estrela derradeira
Minha amiga e companheira
No infinito de nos dois

Conan o bárbaro2006-11-13 17:50:37
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Codinome Beija-Flor<?:namespace prefix = o ns = "urn:schemas-microsoft-com:office:office" />

Cazuza

Pra que mentir
Fingir que perdoou
Tentar ficar amigos sem rancor
A emoção acabou
Que coincidência é o amor
A nossa música nunca mais tocou...

Pra que usar de tanta educação
Pra destilar terceiras intenções
Desperdiçando o meu mel
Devagarzinho, flor em flor
Entre os meus inimigos, beija-flor

Eu protegi o teu nome por amor
Em um codinome, Beija-flor
Não responda nunca, meu amor
Pra qualquer um na rua, Beija-flor

Que só eu que podia
Dentro da tua orelha fria
Dizer segredos de liquidificador

Você sonhava acordada
Um jeito de não sentir dor
Prendia o choro e aguava o bom do amor
Prendia o choro e aguava o bom do amor

 

 

  Afff!  Bom saber que os bárbaros  tb amam 08

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Soneto da perdida esperança

 

 

 

Perdi o bonde e a esperança.

 

Volto pálido para casa.

 

A rua é inútil e nenhum auto

 

passaria sobre meu corpo.

 

 

 

Vou subir a ladeira lenta

 

em que os caminhos se fundem.

 

Todos eles conduzem ao

 

princípio do drama e da flora.

 

 

 

Não sei se estou sofrendo

 

ou se é alguém que se diverte

 

por que não? na noite escassa

 

 

 

com um insolúvel flautim.

 

Entretanto há muito tempo

 

nós gritamos: sim! ao eterno.

 

 

 

Carlos Drummond de Andrade

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Amar

 

Que pode uma criatura senão,

 

entre criaturas, amar?

 

amar e esquecer,

 

amar e malamar,

 

amar, desamar, amar?

 

sempre, e até de olhos vidrados, amar?

 

 

 

Que pode, pergunto, o ser amoroso,

 

sozinho, em rotação universal, senão

 

rodar também, e amar?

 

amar o que o mar traz à praia,

 

e o que ele sepulta, e o que, na brisa marinha,

 

é sal, ou precisão de amor, ou simples ânsia?

 

 

 

Amar solenemente as palmas do deserto,

 

o que é entrega ou adoração expectante,

 

e amar o inóspito, o áspero,

 

um vaso sem flor, um chão de ferro,

 

e o peito inerte, e a rua vista em sonho, e uma ave de rapina.

 

 

 

Este o nosso destino: amor sem conta,

 

distribuído pelas coisas pérfidas ou nulas,

 

doação ilimitada a uma completa ingratidão,

 

e na concha vazia do amor a procura medrosa,

 

paciente, de mais e mais amor.

 

 

 

Amar a nossa falta mesma de amor, e na secura nossa

 

amar a água implícita, e o beijo tácito, e a sede infinita.    08.gif03.gif

 

 

 

 

 

Carlos Drummond de Andrade

 

 

 

 

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Um sorriso

Quando
com minhas mãos de labareda
te acendo e em rosa
embaixo
te espetalas

quando
com o meu aceso archote e cego
penetro a noite de tua flor que exala
urina
e mel
que busco eu com toda essa assassina
fúria de macho?
que busco eu
em fogo
aqui embaixo?
senão colher com a repentina
mão do delírio
uma outra flor: a do sorriso
que no alto o teu rosto ilumina?

 

                                                                                           Ferreira Gular
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Uma poesia do Vinícius de Moraes que eu gosto bastante. Apesar da simplicidade ela tem um ritmo muito bom' date=' e talvez seja a própria simplicidade e o pieguismo da poesia que dão a graça, principalmente na terceira e quarta estrofes. 

 

 

Se você quer ser minha namorada
Ah, que linda namorada
Você poderia ser
Se quiser ser somente minha
Exatamente essa coisinha
Essa coisa toda minha
Que nínguem mais pode ser

Você tem que me fazer um juramento
De só ter um pensamento
Ser só minha até morrer
E também de não perder esse jeitinho
De falar devagarinho
Essas historias de você
E de repente me fazer muito carinho
E chorar bem de mansinho
Sem níguem saber por quê

Porém, se mais do que minha namorada
Você quer ser minha amada
Minha amada, mas amada pra valer
Aquela amada pelo amor predestinada
Sem a quela a vida e nada
Sem a qual se quer morrer

Você tem que vir comigo em meu caminho
E talvez o meu caminho seja triste para você
O seus olhos tem que ser só dos meus olhos
Os seu braços o meu ninho
No silêncio de depois
e você tem que ser a estrela derradeira
Minha amiga e companheira
No infinito de nos dois

[/quote']

 

 

 essa eh a coisa mais linda que eu já vi na minha vida!!!!!!!!!!! dah vontade de escrever na parede do quarto, fazer tatuagem dela, decorar...sei lah mais o que.....amo Vinicius de Moraes e nunka tinha visto essa poesia dle...valeu mesmo Conan.....10

 

 
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Por toda a minha vida

 

 

 

Minha bem-amada

Quero fazer de um juramento uma canção

 

Eu prometo, por toda a minha vida

Ser somente teu e amar-te como nunca

Ninguém jamais amou, ninguém

 

Minha bem-amada

Estrela pura, aparecida

Eu te amo e te proclamo

O meu amor, o meu amor

Maior que tudo quanto existe

Oh, meu amor

 

( Vinicius de Moraes )

 

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               PROCURA-SE UM AMIGO

 

 

 

Não precisa ser homem, basta ser humano, basta ter sentimentos, basta ter coração. Precisa saber falar e calar, sobretudo saber ouvir. Tem que gostar de poesia, de madrugada, de pássaro, de sol, da lua, do canto, dos ventos e das canções da brisa. Deve ter amor, um grande amor por alguém, ou então sentir falta de não ter esse amor.. Deve amar o próximo e respeitar a dor que os passantes levam consigo. Deve guardar segredo sem se sacrificar.

 

 

 

     Não é preciso que seja de primeira mão, nem é imprescindível que seja de segunda mão. Pode já ter sido enganado, pois todos os amigos são enganados. Não é preciso que seja puro, nem que seja todo impuro, mas não deve ser vulgar. Deve ter um ideal e medo de perdê-lo e, no caso de assim não ser, deve sentir o grande vácuo que isso deixa. Tem que ter ressonâncias humanas, seu principal objetivo deve ser o de amigo. Deve sentir pena das pessoa tristes e compreender o imenso vazio dos solitários. Deve gostar de crianças e lastimar as que não puderam nascer.

 

 

 

     Procura-se um amigo para gostar dos mesmos gostos, que se comova, quando chamado de amigo. Que saiba conversar de coisas simples, de orvalhos, de grandes chuvas e das recordações de infância. Precisa-se de um amigo para não se enlouquecer, para contar o que se viu de belo e triste durante o dia, dos anseios e das realizações, dos sonhos e da realidade. Deve gostar de ruas desertas, de poças de água e de caminhos molhados, de beira de estrada, de mato depois da chuva, de se deitar no capim.

 

 

 

     Precisa-se de um amigo que diga que vale a pena viver, não porque a vida é bela, mas porque já se tem um amigo. Precisa-se de um amigo para se parar de chorar. Para não se viver debruçado no passado em busca de memórias perdidas. Que nos bata nos ombros sorrindo ou chorando, mas que nos chame de amigo, para ter-se a consciência de que ainda se vive.

 

 

 

Vinicius de Morais

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               PARA VIVER UM GRANDE AMOR

 

 

 

Para viver um grande amor, preciso é muita concentração e muito siso, muita seriedade e pouco riso - para viver um grande amor.

 

 

 

Para viver um grande amor, mister é ser um homem de uma só mulher; pois ser de muitas, poxa! é de colher... - não tem nenhum valor.

 

 

 

Para viver um grande amor, primeiro é preciso sagrar-se cavalheiro e ser de sua dama por inteiro- seja lá como for. Há que fazer de corpo uma morada onde clausure-se a mulher amada e postar-se de fora com uma espada - para viver um grande amor.

 

 

 

Para viver um grande amor, vos digo, é preciso atenção como o "velho amigo", que porque é só vos quer sempre consigo para iludir o grande amor. É preciso muitíssimo cuidado com quem quer que não esteja apaixonado, pois quem não está, está sempre preparado para chatear o grande amor.

 

 

 

Para viver um grande amor, na realidade, há que compenetrar-se da verdade de que não existe amor sem fieldade - para viver um grande amor. Pois quem trai seu amor por vanidade é desconhecedor da liberdade, dessa imensa, indizível liberdade que traz um só amor.

 

 

 

Para viver um grande amor, il faut, além de ser fiel, ser bem conhecedor de arte culinária e de judô - para viver um grande amor.

 

 

 

Para viver um grande amor perfeito, não basta ser apenas bom sujeito; é preciso também ter muito peito - peito de remador. É preciso olhar sempre a bem-amada como a sua primeira namorada e sua viúva também, amortalhada no seu finado amor.

 

 

 

É muito necessário ter em vista um crédito de rosas no florista - muito mais, muito mais que na modista! - para aprazer ao grande amor. Pois do que o grande amor quer saber mesmo, é de amor, é de amor, de amor a esmo; depois, um tutuzinho com torresmo conta ponto a favor...

 

 

 

Conta ponto saber fazer coisinhas: ovos mexidos, camarões , sopinhas, molhos, estrogonofes - comidinhas para depois do amor. E o que há de melhor que ir pra cozinha e preparar com amor uma galinha com uma rica e gostosa farofinha, para o seu grande amor?

 

 

 

Para viver um grande amor é muito, muito importante viver sempre junto e até ser, se possível, um só defunto - para não morrer de dor. É preciso um cuidado permanente não só com o corpo mas também com a mente, pois qualquer "baixo" seu, a amada sente - e esfria um pouco o amor. Há que ser bem cortês sem cortesia; doce e conciliador sem covardia; saber ganhar dinheiro com poesia - para viver um grande amor.

 

 

 

É preciso saber tomar uísque ( com o mau bebedor nunca se arrisque!) e ser impermeável ao diz-que-diz-que - que não quer nada com o amor.

 

 

 

Mas tudo isso não adianta nada, se nesta selva oscura e desvairada não se souber achar a bem-amada - para viver um grande amor.

 

 

 

 

 

Vinicius de Morais

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Estrela perigosa

 

 

 

 

 

Estrela perigosa

 

Rosto ao vento

 

Marulho e silêncio

 

leve porcelana

 

templo submerso

 

trigo e vinho

 

tristeza de coisa vivida

 

árvores já floresceram

 

o sal trazido pelo vento

 

conhecimento por encantação

 

esqueleto de idéias

 

ora pro nobis

 

Decompor a luz

 

mistério de estrelas

 

paixão pela exatidão

 

caça aos vagalumes.

 

Vagalume é como orvalho

 

Diálogos que disfarçam conflitos por explodir

 

Ela pode ser venenosa como às vezes o cogumelo é.

 

 

 

 

 

No obscuro erotismo de vida cheia

 

nodosas raízes.

 

Missa negra, feiticeiros.

 

Na proximidade de fontes,

 

lagos e cachoeiras

 

braços e pernas e olhos,

 

todos mortos se misturam e clamam por vida.

 

Sinto a falta dele

 

como se me faltasse um dente na frente:

 

excrucitante.

 

Que medo alegre,

 

o de te esperar.

 

 

 

 

 

Clarice Linspector

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"O Corvo"
(por
Edgar Allan Poe - Tradução de Fernando Pessoa)

Numa meia-noite agreste, quando eu lia, lento e triste,
Vagos, curiosos tomos de ciências ancestrais,
E já quase adormecia, ouvi o que parecia
O som de algúem que batia levemente a meus umbrais.
"Uma visita", eu me disse, "está batendo a meus umbrais.
É só isto, e nada mais."

Ah, que bem disso me lembro! Era no frio dezembro,
E o fogo, morrendo negro, urdia sombras desiguais.
Como eu qu'ria a madrugada, toda a noite aos livros dada
P'ra esquecer (em vão!) a amada, hoje entre hostes celestiais -
Essa cujo nome sabem as hostes celestiais,

Mas sem nome aqui jamais! 

Como, a tremer frio e frouxo, cada reposteiro roxo
Me incutia, urdia estranhos terrores nunca antes tais!
Mas, a mim mesmo infundido força, eu ia repetindo,
"É uma visita pedindo entrada aqui em meus umbrais;
Uma visita tardia pede entrada em meus umbrais.

É só isto, e nada mais". 

E, mais forte num instante, já nem tardo ou hesitante,
"Senhor", eu disse, "ou senhora, decerto me desculpais;
Mas eu ia adormecendo, quando viestes batendo,
Tão levemente batendo, batendo por meus umbrais,
Que mal ouvi..." E abri largos, franqueando-os, meus umbrais. 

Noite, noite e nada mais. 

A treva enorme fitando, fiquei perdido receando,
Dúbio e tais sonhos sonhando que os ninguém sonhou iguais.
Mas a noite era infinita, a paz profunda e maldita,
E a única palavra dita foi um nome cheio de ais -
Eu o disse, o nome dela, e o eco disse aos meus ais.

Isso só e nada mais. 

Para dentro estão volvendo, toda a alma em mim ardendo,
Não tardou que ouvisse novo som batendo mais e mais.
"Por certo", disse eu, "aquela bulha é na minha janela.
Vamos ver o que está nela, e o que são estes sinais."
Meu coração se distraía pesquisando estes sinais. 

"É o vento, e nada mais." 

Abri então a vidraça, e eis que, com muita negaça,
Entrou grave e nobre um corvo dos bons tempos ancestrais.
Não fez nenhum cumprimento, não parou nem um momento,
Mas com ar solene e lento pousou sobre os meus umbrais,
Num alvo busto de Atena que há por sobre meus umbrais, 

Foi, pousou, e nada mais. 

E esta ave estranha e escura fez sorrir minha amargura
Com o solene decoro de seus ares rituais.
"Tens o aspecto tosquiado", disse eu, "mas de nobre e ousado,
Ó velho corvo emigrado lá das trevas infernais!
Dize-me qual o teu nome lá nas trevas infernais."

Disse o corvo, "Nunca mais". 

Pasmei de ouvir este raro pássaro falar tão claro,
Inda que pouco sentido tivessem palavras tais.
Mas deve ser concedido que ninguém terá havido
Que uma ave tenha tido pousada nos meus umbrais,
Ave ou bicho sobre o busto que há por sobre seus umbrais, 

Com o nome "Nunca mais". 

Mas o corvo, sobre o busto, nada mais dissera, augusto,
Que essa frase, qual se nela a alma lhe ficasse em ais.
Nem mais voz nem movimento fez, e eu, em meu pensamento
Perdido, murmurei lento, "Amigo, sonhos - mortais
Todos - todos já se foram. Amanhão também te vais".

Disse o corvo, "Nunca mais". 

A alma súbito movida por frase tão bem cabida,
"Por certo", disse eu, "são estas vozes usuais,
Aprendeu-as de algum dono, que a desgraça e o abandono
Seguiram até que o entono da alma se quebrou em ais,
E o bordão de desesp'rança de seu canto cheio de ais

Era este "Nunca mais". 

Mas, fazendo inda a ave escura sorrir a minha amargura,
Sentei-me defronte dela, do alvo busto e meus umbrais;
E, enterrado na cadeira, pensei de muita maneira
Que qu'ria esta ave agoureia dos maus tempos ancestrais,
Esta ave negra e agoureira dos maus tempos ancestrais,

Com aquele "Nunca mais". 

Comigo isto discorrendo, mas nem sílaba dizendo
À ave que na minha alma cravava os olhos fatais,
Isto e mais ia cismando, a cabeça reclinando
No veludo onde a luz punha vagas sobras desiguais,
Nauqele veludo one ela, entre as sobras desiguais,

Reclinar-se-á nunca mais! 

Fez-se então o ar mais denso, como cheio dum incenso
Que anjos dessem, cujos leves passos soam musicais.
"Maldito!", a mim disse, "deu-te Deus, por anjos concedeu-te
O esquecimento; valeu-te. Toma-o, esquece, com teus ais,
O nome da que não esqueces, e que faz esses teus ais!"

Disse o corvo, "Nunca mais". 

"Profeta", disse eu, "profeta - ou demônio ou ave preta!
Fosse diabo ou tempestade quem te trouxe a meus umbrais,
A este luto e este degredo, a esta noite e este segredo,
A esta casa de ância e medo, dize a esta alma a quem atrais
Se há um bálsamo longínquo para esta alma a quem atrais!

Disse o corvo, "Nunca mais". 

"Profeta", disse eu, "profeta - ou demônio ou ave preta!
Pelo Deus ante quem ambos somos fracos e mortais.
Dize a esta alma entristecida se no Édem de outra vida
Verá essa hoje perdida entre hostes celestiais,
Essa cujo nome sabem as hostes celestiais!"

Disse o corvo, "Nunca mais". 

"Que esse grito nos aparte, ave ou diabo!", eu disse. "Parte!
Torna á noite e à tempestade! Torna às trevas infernais!
Não deixes pena que ateste a mentira que disseste!
Minha solidão me reste! Tira-te de meus umbrais!
Tira o vulto de meu peito e a sombra de meus umbrais!"

Disse o corvo, "Nunca mais". 

E o corvo, na noite infinda, está ainda, está ainda
No alvo busto de Atena que há por sobre os meus umbrais.
Seu olhar tem a medonha cor de um demônio que sonha,
E a luz lança-lhe a tristonha sombra no chão há mais e mais,

Libertar-se-á... nunca mais!

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               PARA VIVER UM GRANDE AMOR

Para viver um grande amor' date=' preciso é muita concentração e muito siso, muita seriedade e pouco riso - para viver um grande amor.

Para viver um grande amor, mister é ser um homem de uma só mulher; pois ser de muitas, poxa! é de colher... - não tem nenhum valor.

Para viver um grande amor, primeiro é preciso sagrar-se cavalheiro e ser de sua dama por inteiro- seja lá como for. Há que fazer de corpo uma morada onde clausure-se a mulher amada e postar-se de fora com uma espada - para viver um grande amor.

Para viver um grande amor, vos digo, é preciso atenção como o "velho amigo", que porque é só vos quer sempre consigo para iludir o grande amor. É preciso muitíssimo cuidado com quem quer que não esteja apaixonado, pois quem não está, está sempre preparado para chatear o grande amor.

Para viver um grande amor, na realidade, há que compenetrar-se da verdade de que não existe amor sem fieldade - para viver um grande amor. Pois quem trai seu amor por vanidade é desconhecedor da liberdade, dessa imensa, indizível liberdade que traz um só amor.

Para viver um grande amor, il faut, além de ser fiel, ser bem conhecedor de arte culinária e de judô - para viver um grande amor.

Para viver um grande amor perfeito, não basta ser apenas bom sujeito; é preciso também ter muito peito - peito de remador. É preciso olhar sempre a bem-amada como a sua primeira namorada e sua viúva também, amortalhada no seu finado amor.

É muito necessário ter em vista um crédito de rosas no florista - muito mais, muito mais que na modista! - para aprazer ao grande amor. Pois do que o grande amor quer saber mesmo, é de amor, é de amor, de amor a esmo; depois, um tutuzinho com torresmo conta ponto a favor...

Conta ponto saber fazer coisinhas: ovos mexidos, camarões , sopinhas, molhos, estrogonofes - comidinhas para depois do amor. E o que há de melhor que ir pra cozinha e preparar com amor uma galinha com uma rica e gostosa farofinha, para o seu grande amor?

Para viver um grande amor é muito, muito importante viver sempre junto e até ser, se possível, um só defunto - para não morrer de dor. É preciso um cuidado permanente não só com o corpo mas também com a mente, pois qualquer "baixo" seu, a amada sente - e esfria um pouco o amor. Há que ser bem cortês sem cortesia; doce e conciliador sem covardia; saber ganhar dinheiro com poesia - para viver um grande amor.

É preciso saber tomar uísque ( com o mau bebedor nunca se arrisque!) e ser impermeável ao diz-que-diz-que - que não quer nada com o amor.

Mas tudo isso não adianta nada, se nesta selva oscura e desvairada não se souber achar a bem-amada - para viver um grande amor.


Vinicius de Morais [/quote']

 

 

Uau !!!!10 Lindo! lindo!!!
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Gente Humilde

 

              

 

 

 

Tem certos dias em que eu penso em minha gente

 

E sinto assim todo o meu peito se apertar

 

Porque parece que acontece de repente

 

Como um desejo de eu viver sem me notar

 

Igual a como quando eu passo num subúrbio

 

Eu muito bem vindo de trem de algum lugar

 

E aí me dá como uma inveja dessa gente

 

Que vai em frente sem nem ter com quem contar

 

São casas simples com cadeiras na calçada

 

E na fachada escrito em cima que é um lar

 

Pela varanda flores tristes e baldias

 

Como a alegria que não tem onde encostar

 

E aí me dá uma tristeza no meu peito

 

Feito um despeito de eu não ter como lutar

 

E eu que não creio, peço a Deus por minha gente

 

É gente humilde, que vontade de chorar

 

 

 

__________________________________________________

 

 

 

Futuros Amantes

 

              

 

 

 

Não se afobe, não

 

Que nada é pra já

 

O amor não tem pressa

 

Ele pode esperar em silêncio

 

Num fundo de armário

 

Na posta-restante

 

Milênios, milênios

 

No ar

 

E quem sabe, então

 

O Rio será

 

Alguma cidade submersa

 

Os escafandristas virão

 

Explorar sua casa

 

Seu quarto, suas coisas

 

Sua alma, desvãos

 

 

 

Sábios em vão

 

Tentarão decifrar

 

O eco de antigas palavras

 

Fragmentos de cartas, poemas

 

Mentiras, retratos

 

Vestígios de estranha civilização

 

 

 

Não se afobe, não

 

Que nada é pra já

 

Amores serão sempre amáveis

 

Futuros amantes, quiçá

 

Se amarão sem saber

 

Com o amor que eu um dia

 

Deixei pra você

 

 

 

________________________________________________________

 

 

 

Preciso não dormir

 

Até se consumar

 

O tempo da gente

 

Preciso conduzir

 

Um tempo de te amar

 

Te amando devagar e urgentemente

 

Pretendo descobrir

 

No último momento

 

Um tempo que refaz o que desfez

 

Que recolhe todo sentimento

 

E bota no corpo uma outra vez

 

Prometo te querer

 

Até o amor cair

 

Doente, doente

 

Prefiro então partir

 

A tempo de poder

 

A gente se desvencilhar da gente

 

Depois de te perder

 

Te encontro com certeza

 

Talvez num tempo da delicadeza

 

Onde não diremos nada

 

Nada aconteceu

 

Apenas seguirei

 

Como encantado ao lado teu.

 

 

 

Chico Buarque

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Vazio

A noite é como um olhar longo e claro de mulher.
Sinto-me só.
Em todas as coisas que me rodeiam
Há um desconhecimento completo da minha infelicidade.
A noite alta me espia pela janela
E eu, desamparado de tudo, desamparado de mim próprio
Olho as coisas em torno
Com um desconhecimento completo das coisas que me rodeiam.
Vago em mim mesmo, sozinho, perdido
Tudo é deserto, minha alma é vazia
E tem o silêncio grave dos templos abandonados.
Eu espio a noite pela janela
Ela tem a quietação maravilhosa do êxtase.
Mas os gatos embaixo me acordam gritando luxúrias
E eu penso que amanhã...
Mas a gata vê na rua um gato preto e grande
E foge do gato cinzento.
Eu espio a noite maravilhosa
Estranha como um olhar de carne.
Vejo na grade o gato cinzento olhando os amores da gata e do gato preto
Perco-me por momentos em antigas aventuras
E volto à alma vazia e silenciosa que não acorda mais
Nem à noite clara e longa como um olhar de mulher
Nem aos gritos luxuriosos dos gatos se amando na rua.

Rio de Janeiro, 1933

Vinícius de Moraes

Lucia2006-11-18 06:27:24
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Uma poesia do Vinícius de Moraes que eu gosto bastante. Apesar da simplicidade ela tem um ritmo muito bom' date=' e talvez seja a própria simplicidade e o pieguismo da poesia que dão a graça, principalmente na terceira e quarta estrofes. 

 

 

Se você quer ser minha namorada
Ah, que linda namorada
Você poderia ser
Se quiser ser somente minha
Exatamente essa coisinha
Essa coisa toda minha
Que nínguem mais pode ser

Você tem que me fazer um juramento
De só ter um pensamento
Ser só minha até morrer
E também de não perder esse jeitinho
De falar devagarinho
Essas historias de você
E de repente me fazer muito carinho
E chorar bem de mansinho
Sem níguem saber por quê

Porém, se mais do que minha namorada
Você quer ser minha amada
Minha amada, mas amada pra valer
Aquela amada pelo amor predestinada
Sem a quela a vida e nada
Sem a qual se quer morrer

Você tem que vir comigo em meu caminho
E talvez o meu caminho seja triste para você
O seus olhos tem que ser só dos meus olhos
Os seu braços o meu ninho
No silêncio de depois
e você tem que ser a estrela derradeira
Minha amiga e companheira
No infinito de nos dois

[/quote']

 

 

 essa eh a coisa mais linda que eu já vi na minha vida!!!!!!!!!!! dah vontade de escrever na parede do quarto, fazer tatuagem dela, decorar...sei lah mais o que.....amo Vinicius de Moraes e nunka tinha visto essa poesia dle...valeu mesmo Conan.....10

 

 

 

Opa, que bom que você gostou!02 Eu acho bastante interessante. Vinícius tinha a manha. Sou contra este preconceito com a simplicidade e só alogiar poesias "complexas" e de conteúdo depressivo. hehe. Foi-se a época em que eu gostava de poesias depressivas, agora acho tudo um saco. Falta de criatividade, é tudo repetição da mesma fórmula...
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Poesia sem título (1979)

Quero que venhas depressa
O tempo é pouco
Careço de partilhar meus delírios com você
Conheço lugares jamais penetrados
Misto de poeta e pirata
Só os loucos são capazes de voar
Não tenhas receio de mim
Quero Te levar aonde estou
Como poderei mentir-lhe
Se eu sou somente o que sou?

Raul  Seixas
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Uma poesia do Vinícius de Moraes que eu gosto bastante. Apesar da simplicidade ela tem um ritmo muito bom' date=' e talvez seja a própria simplicidade e o pieguismo da poesia que dão a graça, principalmente na terceira e quarta estrofes. 

 

 

Se você quer ser minha namorada
Ah, que linda namorada
Você poderia ser
Se quiser ser somente minha
Exatamente essa coisinha
Essa coisa toda minha
Que nínguem mais pode ser ...

[/quote']

 

 

 essa eh a coisa mais linda que eu já vi na minha vida!!!!!!!!!!! dah vontade de escrever na parede do quarto, fazer tatuagem dela, decorar...sei lah mais o que.....amo Vinicius de Moraes e nunka tinha visto essa poesia dle...valeu mesmo Conan.....10

 

 

 

Opa, que bom que você gostou!02 Eu acho bastante interessante. Vinícius tinha a manha. Sou contra este preconceito com a simplicidade e só alogiar poesias "complexas" e de conteúdo depressivo. hehe. Foi-se a época em que eu gostava de poesias depressivas, agora acho tudo um saco. Falta de criatividade, é tudo repetição da mesma fórmula...

 

 

...concordo totalmente...vc sabia que o próprio Vinicius admitiu que essa fase em que ele escrevia poemas de amor desse tipo e seus tão famosos sonetos foi sua fase de decadência... pelo menos perante os parâmetros da literatura...

...pra vc ver como ele era gênio....na sua fase dita *decadência* ele conseguiu escrever muitos dos poemas mais lindos do mundo....

 

 

Soneto de Devoção

Essa mulher que se arremessa, fria
E lúbrica aos meus braços, e nos seios
Me arrebata e me beija e balbucia
Versos, votos de amor e nomes feios.

Essa mulher, flor de melancolia
Que se ri dos meus pálidos receios
A única entre todas a quem dei os
Carinhos que nunca a outra daria.

Essa mulher que a cada amor proclama
A miséria e a grandeza de quem ama
E guarda a marca dos meus dentes nela.

Essa mulher e um mundo! - uma cadela
Talvez... - mas na moldura de uma cama
Nunca mulher nenhuma foi tão bela.


Vinicius de Moraes

 

 
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Amor Meu Grande Amor

Amor, meu grande amor
Não chegue na hora marcada
Assim como as canções como as paixões
E as palavras

 Me veja nos seus olhos
Na minha cara lavada
Me venha sem saber
Se sou fogo ou se sou água
...
Amor, meu grande amor
Só dure o tempo que mereça
E quando me quiser
Que seja de qualquer maneira
Enquanto me tiver
Que eu seja a última e a primeira
E quando eu te encontrar, meu grande amor
Me reconheça

 

 Amor, meu grande amor
Que eu seja a última e a primeira 
...

 

 

Seria bom s todo mundo fosse amado assim08
Maria shy2006-11-18 19:13:17
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Quando um homem ama uma mulher...

Depois de um dia de labuta,
Quando as forças estão esgotadas,
O guerreiro quer abrigo,
Quer beber com um amigo,
Quer voltar para sua amada...

E o amor tem dessas coisas,
Admiração, respeito e cumplicidade...
Enquanto é cego é perfeito,
Pois no outro não há defeito,
Só se vê felicidade...

E se amar é uma vocação,
Beber é uma necessidade...
Por amor um homem se aniquila
Numa garrafa de tequila
Prá fugir da realidade...

Mas o homem só se destrói
Quando vê que sua amada
É um ser humano comum,
Como ele próprio é um,
E que de especial não tem nada...

Talvez veja nela a si mesmo,
Como num espelho se vê o reflexo...
Talvez veja nela a mediocridade,
Com alguns lampejos de vaidade...
Terá, enfim, algo complexo...

"Não sei se vou ou se fico",
Dirá a si mesmo o condenado...
Pois tudo o que sonhara na vida
Não passou da ilusão perdida
De um coração apaixonado...

Terá crises de consciência
Quando lembrar do passado...
E todos os erros e mazelas
Serão atribuídos a ela
Como se ele não fosse também culpado...

Pensará nas orgias vividas,
Nos excessos cometidos,
Nas mulheres possuídas,
Nos cigarros, nas músicas e nas bebidas...
"E com ela, como terá sido?"

"Quantos homens ela teve?"
"Quando, onde e como ela fodeu?"
"Será que ela pensa em algum amante?"
"Como foi que eu não vi tudo antes?"
"E a primeira vez, como aconteceu?"

Ficará cheio de dúvidas
E criará mil problemas...
Tomando "uma" esquecerá a dor...
Talvez sinta novamente o amor...
Talvez resolva seu dilema...

Pois somente um ser puro
É digno de ser amado...
E a bebida suaviza o que é duro,
Torna claro o que é escuro,
Mantém tudo bom e imaculado...

Bêbado, ela será uma santa...
Sóbrio, ela será uma cadela...
Bêbado, desejará tê-la ao leito...
Sóbrio, o orgulho lhe apertará o peito
E o afastará da presença dela...

Ela não entenderá como
Nem porquê tal transformação...
O homem da sua vida não bebia,
Não xingava nem lhe batia
E hoje só lhe traz humilhação...

Depois de algum tempo, já cansada
De tentar entender a mudança,
Ela passará a culpar a bebida
Por ele estar "broxando" na vida...
Perderá, por fim, as esperanças...

E o que antes não existia de fato,
Com gole de vinho seleto,
Sairá do plano abstrato,
Das idéias de um corno nato,
E passará para o plano concreto...

Um corpo feminino jovem e bonito
Não fica menos atraente
Quando é mal servido de carícias,
Quando do sexo não recorda as delícias,
Se os desejos se mantêm ardentes...

Assim nasce um corno...
Uma rotina, uma idéia e uma bebida...
Um diálogo não consumado, uma palavra mal colocada,
Um gesto impensado, uma ofensa lançada,
Uma vida destruída pelo silêncio...

Assim nasce um bêbado...
Uma rotina, uma idéia e uma bebida...
Uma paixão apagada, uma paisagem sem cor,
Um desejo de paz, um sofrimento sem dor...
Uma vida esquecida pela embriagues...

Beber para esquecer a dor de não poder mais aceitar
Os defeitos de quem amamos um dia...
Para aliviar a angústia e o arrependimento...
Para conseguir ser feliz nestes momentos,
Idolatrando bêbado o que sóbrio se via...

Ele não a abandona enquanto sóbrio
Porque o hábito o fará novamente embriagado...
Quando bêbado os defeitos dela desaparecem,
Seu amor, seu carinho novamente florescem,
Ele se sente sujo e envergonhado...

Agora que ela passou a ter amantes...
Ele é só mais um miserável
Que em nada se parece com o homem de antes...

Hoje ele bebe até cair na beira da calçada...
Sóbrio, diz não aceita "aquela" conduta...
Bêbado, chora até ficar com a boca travada...
Diz para si mesmo que é triste amar puta...
Principalmente as mais procuradas

                                                                           Maurício de Lima
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               Se todos fossem iguais a você

 

 

 

 

 

Vai tua vida, teu caminho é de paz e amor

 

A tua vida é uma linda canção de amor

 

Abre os teus braços e canta a última esperança

 

A esperança divina de amar em paz

 

 

 

Se todos fossem iguais a você

 

Que maravilha viver

 

Uma canção pelo ar

 

Uma mulher a cantar

 

Uma cidade a cantar

 

A sorrir,a cantar, a pedir

 

A beleza de amar

 

Como o sol

 

Como a flor, como a luz

 

Amar sem mentir, nem sofrer

 

Existiria verdade

 

Verdade que ninguém vê

 

Se todos fossem no mundo

 

Iguais a você

 

 

 

_____________________________________________________________

 

 

 

                        A felicidade

 

 

 

Tristeza não tem fim, felicidade, sim...

 

A felicidade é como a pluma

 

Que o vento vai levando pelo ar

 

Voa tão leve, mas tem a vida breve

 

Precisa que haja vento sem parar...

 

 

 

A felicidade do pobre parece

 

A grande ilusão do carnaval,

 

A gente trabalha o ano inteiro

 

Por um momento do sonho

 

Pra fazer a fantasia de rei ou pirata ou jardineira

 

Pra tudo se acabar na quarta-feira

 

 

 

A felicidade é como gota de orvalho numa pétala de flor

 

Brilha tranqüila, depois de leve oscila

 

E cai como uma lágrima de amor

 

 

 

A minha felicidade está sonhando

 

Nos olhos da minha namorada

 

É como esta noite passando, passando

 

Em busca da madrugada

 

Falem baixo por favor

 

Pra que ela acorde alegre como o dia

 

Oferecendo beijos do amor

 

 

 

Tom Jobim e Vinícius de Moraes Kikas2006-11-19 00:21:24

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Soneto XXV <?:namespace prefix = o ns = "urn:schemas-microsoft-com:office:office" />

Antes de amar-te, amor, nada era meu:
vacilei pelas ruas e as coisas:
nada contava nem tinha nome:
o mundo era do ar que esperava.

E conheci salões cinzentos,
túneis habitados pela lua,
hangares cruéis que se despediam,
perguntas que insistiam na areia.

Tudo estava vazio, morto e mudo,
caído, abandonado e decaído,
tudo era inalienavelmente alheio,

tudo era dos outros e de ninguém,
até que tua beleza e tua pobreza
de dádivas encheram o outono.

Pablo Neruda            
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Vida pelo avesso

Às vezes é preciso chorar
Rasgar a alma e limpar o ser
Beber o fel como se fosse mel
Cortar a vida ao meio e
jogar pedaços em todas as direções
Procurar o rosto no escuro
Fazer tudo ao contrário dos sonhos
Viajar na cauda de um cometa
Perder-se no infinito
Ficar cega para o amanhã
Não tecer mais fantasias
Perdi o fio da meada
Incerto é o caminho
Pálida é a cor da esperança
De mim fugiram todas as alegrias
A porta do tempo fechou-se
Uma teia invisível enroscou-se sobre
os meus dias
Tudo que recebi de presente do destino
foi uma simples vida pelo avesso. <?:namespace prefix = o ns = "urn:schemas-microsoft-com:office:office" />

Zena Maciel

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Versos <?:namespace prefix = o ns = "urn:schemas-microsoft-com:office:office" />

Que eu não veja empecilhos na sincera
União de duas almas. Não amor
É o que encontrando alterações se altera
Ou diminui se o atinge o desamor.
Oh, não! Amor é ponto assaz constante
Que ileso os bravos temporais defronta.
É a estrela guia do baixel errante,
De brilho certo, mas valor sem conta.
O Amor não é jogral do tempo, embora
Em seu declínio os lábios nos entorte.
O Amor não muda com o dia e a hora,
Mas persevera ao limiar da morte.

E, se se prova que num erro estou,
Nunca fiz versos, nem jamais se amou."

 

William Shakespeare

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POEMINHA AMOROSO

 

 

 

Este é um poema de amor

 

tão meigo, tão terno, tão teu...

 

É uma oferenda aos teus momentos

 

de luta e de brisa e de céu...

 

E eu,

 

quero te servir a poesia

 

numa concha azul do mar

 

ou numa cesta de flores do campo.

 

Talvez tu possas entender o meu amor.

 

Mas se isso não acontecer,

 

não importa.

 

Já está declarado e estampado

 

nas linhas e entrelinhas

 

deste pequeno poema,

 

o verso;

 

o tão famoso e inesperado verso que

 

te deixará pasmo, surpreso, perplexo...

 

eu te amo, perdoa-me, eu te amo..."

 

 

 

Cora Coralina 02.gif

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É assim que te quero, amor,

 

assim, amor, é que eu gosto de ti,

 

tal como te vestes

 

e como arranjas

 

os cabelos e como

 

a tua boca sorri,

 

ágil como a água

 

da fonte sobre as pedras puras,

 

é assim que te quero, amada,

 

Ao pão não peço que me ensine,

 

mas antes que não me falte

 

em cada dia que passa.

 

Da luz nada sei, nem donde

 

vem nem para onde vai,

 

apenas quero que a luz alumie,

 

e também não peço à noite explicações,

 

espero-a e envolve-me,

 

e assim tu pão e luz

 

e sombra és.

 

Chegastes à minha vida

 

com o que trazias,

 

feita

 

de luz e pão e sombra, eu te esperava,

 

e é assim que preciso de ti,

 

assim que te amo,

 

e os que amanhã quiserem ouvir

 

o que não lhes direi, que o leiam aqui

 

e retrocedam hoje porque é cedo

 

para tais argumentos.

 

Amanhã dar-lhes-emos apenas

 

uma folha da árvore do nosso amor, uma folha

 

que há-de cair sobre a terra

 

como se a tivessem produzido os nosso lábios,

 

como um beijo caído

 

das nossas alturas invencíveis

 

para mostrar o fogo e a ternura

 

de um amor verdadeiro.

 

 

 

Pablo Neruda 03.gif

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