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Forum Cinema em Cena

Poesias


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Veja o vermelho rubro
em cada verso que escrevo
manchando uma folha em branco,
do vermelho intenso que me escorre
pelos dedos.

Vermelho rubro...
do corte feito em meus sentimentos,
derramado no manuscrito que deixo,
letra por letra escorridas dos meus
pensamentos.

Manuscrito de sangue
em cada verso que escrevo,
vermelho rubro...
que me escorre pelos dedos.

Deixarei lindas rosas rubras...
despetaladas sobre o manuscrito, tão vermelhas
e vivas, quanto o amor que sinto.

 

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Tu tb escreve?

 

Chão de Giz


Eu desço dessa solidão, espalho coisas sobre um chão de giz
Há meros devaneios tolos a me torturar

Fotografias recortadas de jornais de folhas amiúde
Eu vou te jogar num pano de guardar confetes
Eu vou te jogar num pano de guardar confetes


Disparo balas de canhão, é inútil pois existe um grão vizir
Há tantas violetas velhas sem um colibri
Queria usar quem sabe uma camisa de força ou de vênus

Mas não vão gozar de nós apenas um cigarro
Nem vou lhe beijar gastando assim o meu batom


Agora pego um caminhão, na lona vou a nocaute outra vez
Pra sempre fui acorrentado no seu calcanhar
Meus vinte anos de "boy, that's over, baby" , Freud explica
Não vou me sujar fumando apenas um cigarro
Nem vou lhe beijar gastando assim o meu batom
Quanto ao pano dos confetes já passou meu carnaval
E isso explica porque o sexo é assunto popular
No mais estou indo embora... <?:namespace prefix = o ns = "urn:schemas-microsoft-com:office:office" />

 

 Zé Ramalho

 

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*aproveitando o embalo da Shy, mais uma letra do Zé Ramalho. Grifei minhas partes favoritas!

Beira do Mar

[Zé Ramalho]

Eu entendo a noite como um oceano

Que banha de sombras o mundo de sol

A aurora que luta por um arrebol

De cores vibrantes e ar soberano

Um olho que mira nunca o engano

Durante o instante que vou contemplar



Além, muito além onde quero chegar

Caindo a noite me lanço no mundo

Além do limite do vale profundo

Que sempre começa na beira do mar

É na beira do mar


Ói, por dentro das águas há quadros e sonhos

E coisas que sonham o mundo dos vivos

Há peixes milagrosos, insetos nocivos

Paisagens abertas, desertos medonhos

Léguas cansativas, caminhos tristonhos

Que fazem o homem se desenganar


Há peixes que lutam para se salvar

Daqueles que caçam em mar revoltoso

E outros que devoram com gênio assombroso

As vidas que caem na beira do mar

É na beira do mar


E até que a morte eu sinta chegando

Prossigo cantando, beijando o espaço

Além do cabelo que desembaraço

Invoco as águas a vir inundando

Pessoas e coisas que vão se arrastando

Do meu pensamento já podem lavar

Ah! no peixe de asas eu quero voar

Sair do oceano de tez poluída

Cantar um galope fechando a ferida

Que só cicatriza na beira do mar

É na beira do mar







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KOSMOS

 

A página começa a ler você,<?:namespace prefix = o />

ser aquilo que você sonhava ser:

Pacto contra o nada,

jardim veloz de acantos, planetários,

Vulcões de asbestos, voragens de pó e lacunas de relva.

No rebatimento da luz, azul se espalha,

E lenta vem a noite, espelho negro espesso

revelando furos na lona do circo eterno

pontos em negativo na tela branca

os olhos do tigre de Blake.

(Rodrigo Garcia Lopes)

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  • 2 weeks later...

Fram, tem letras que são pura poesia musicadas!

 

Lau, amei essa poesia e até visitei esse blog aí! 10

 

Mudam-se as vontades<?:namespace prefix = o ns = "urn:schemas-microsoft-com:office:office" />

Mudam-se as vontades,
Muda-se o ser, muda-se a confiança;
Todo o Mundo é composto de mudança,
Tomando sempre novas qualidades.
Continuamente vemos novidades,

Diferentes em tudo da esperança;
Do mal ficam as mágoas na lembrança,
E do bem, se algum houve, as saudades.
 
O tempo cobre o chão de verde manto,
Que já coberto foi de neve fria,
E em mim converte em choro o doce canto.
 

E, afora este mudar-se cada dia,
Outra mudança faz de mor espanto:
Que não se muda já como soí-se as vontades,
Muda-se o ser, muda-se a confiança;

Todo o Mundo é composto de mudança,
Tomando sempre novas qualidades.

Continuamente vemos novidades,
Diferentes em tudo da esperança;
Do mal ficam as mágoas na lembrança,
E do bem, se algum houve, as saudades.

 O tempo cobre o chão de verde manto,
Que já coberto foi de neve fria,
E em mim converte em choro o doce canto.

E, afora este mudar-se cada dia,
Outra mudança faz de mor espanto:
Que não se muda já como soia.

Camões

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Pegando o embalo da poesia/música:

Les Miserables - I Dreamed A Dream

 

Houve um tempo em que os homens eram bons
Suas vozes eram doces
e suas palavras encorajadoras
Houve um tempo em que o amor era cego
E o mundo era uma canção
E essa cançaõ era excitante
Houve um tempo... e então tudo deu errado

Eu sonhei um sonho num tempo que se foi
Quando as esperanças eram grandes e a vida valia ser vivida,
Eu sonhei que o amor nunca morreria
Eu sonhei que Deus poderia perdoar.

Então eu era jovem e destemido,
Quando os sonhos eram sonhados, realizados e desperdiçados.
Não havia preços a serem pagos,
Nem canção não cantada, nem vinho não provado.

Mas os tigres vêm à noite,
Com sua voz suave como o trovão,
Como se despedaçassem suas esperanças
Como se transformassem seus sonhos em vergonha

Ele dormiu por um verão comigo
Ele preencheu meus dias com amor sem fim
Ele levou minha juventude em sua correia
Mas ele se foi quando o outono chegou

E ainda sonhava com ele vindo a mim
E nós viveríamos os anos juntos,
Mas há sonhos que não podem ser
E há tempestades que não podemos prever.

Eu tive um sonho de como minha vida seria
Tão diferente deste inferno que estou vivendo
Tão diferente agora daquilo que parecia
Agora a vida matou o sonho
Que eu sonhei.

Matheus2009-04-24 13:25:55
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memória

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a solidão é um homem

sem esperança e uma mulher

com sua caixa de lembranças

onde estão guardados laços

bombons de licor e mágoa

uma tesoura antiga

para recortar a vida

como se fosse obra de arte

 

 

a solidão é um homem

sem esperança

desses que desistem das coisas

sem tê-las experimentado

como se tudo tivesse

o mesmo gosto nauseante

da paixão abortada

em plena primavera

 

a solidão é andar na ponta dos pés

nessa madrugada 

sem acordar uns aos outros

vividos, sabemos

que todos os bebês dormem

e os velhos contam nos dedos

para  frente e para trás

os dias que faltam

 

 

a solidão é um homem

sem esperança

e a resposta mais mal acabada

que se pode dar ao dia

que nasce dessa madrugada de derrotas

em que eu desejo corrigir a rota

deste meu afeto antigo e inútil

invadindo meu sono

e o campo dos sonhos

com os punhais da ilusão

angústia e lírios... 

 

 

(célia musilli)

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MariaShy, a Célia Musilli é uma grande jornalista/poetisa de Londrina. <?:namespace prefix = o ns = "urn:schemas-microsoft-com:office:office" />

 

 

Esperando Aviões

                         (Vander Lee)

 

 

Meus olhos te viram triste
Olhando pro infinito
Tentando ouvir o som do próprio grito
E o louco que ainda me resta
Só quis te levar pra festa
Você me amou de um jeito tão aflito

Que eu queria poder te dizer sem palavras
Eu queria poder te cantar sem canções
Eu queria viver morrendo em sua teia
Seu sangue correndo em minha veia
Seu cheiro morando em meus pulmões

Cada dia que passo sem sua presença
Sou um presidiário cumprindo sentença
Sou um velho diário perdido na areia
Esperando que você me leia
Sou pista vazia esperando aviões

Sou o lamento no canto da sereia
Esperando o naufrágio das embarcações.

 

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Lau, virei fã... aff ! 10

Ela está no meu "Favorito"

 

 

Ficar só e sem palavras é uma contingência estranha,

como o silêncio que precede o big bang. 

 Quem já bebeu e se fartou com o leite da Via Láctea

 não se acostuma  com a solidão de quasar na qual você me limita, pulsando à distância com o brilho intermitente

de quem vem mas não vem...

 

Às vezes sinto  vontade de perguntar

se suas estrelas descem dos muros,

escorrem pelas calçadas e habitam alguma morada.

 

 

 Mas receio que minhas perguntas assustem

 as feras cativas do seu impulso de solidão

 e sei que só posso me aproximar se chegar pé ante pé,

com a delicadeza de quem respeita o sono...

 

Dá-lhe, Célia Musilli 
MariaShy2009-05-06 18:25:11
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Estava eu andando entre mortos
Perdida num campo de negras rosas
Ferida por alguns espinhos, derramava meu sangue
Sentia meu espírito me deixar alguns instantes

Sentei-me então perto à maior lápide
Ouvi sussurros do vento
Quebravam aquele silêncio
Harmoniavam aquele momento

E naquela nobre melodia
Confusa, eu me perdia
Negras sombras já estavam a me envolver
E meu coração, eu nem sentia mais bater

E num momento repentino
Já era finito meu desatino
Meu coração já voltava a doer
E as sombras começavam a desaparecer

Com o tempo, já não ouvia mais o vento
Dentro de mim, gritavam meus lamentos
E novamente..
Estava eu andando entre mortos
Perdida num campo de negras rosas

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Queria tanto falar...<?:namespace prefix = o ns = "urn:schemas-microsoft-com:office:office" />

...mas me calo por saber que não tenho direito...

as opções foram postas

expostas

e

o

aceito

engessa-me

no mudismo

... Se a boca cala

... os olhos tentam falar ...

...inútil

...você não está presente

para ler o que eles tentam dizer...

... se tudo sofro...

...calo...

... no medo irremediável

de perder...

...o que nunca tive...

... ser privada da sua presença...

Na sua eterna ausência...

... que me dói...

Na insuportável dor ...

Do existir...

 

 

laure2009-05-07 23:28:05
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Às vezes com a pessoa a quem amo

Às vezes com a pessoa a quem amo
Fico cheio de raiva
Por medo de estar só eu dando amor
Sem ser retribuído;
Agora eu penso que não pode haver amor
Sem retribuição, que a paga é certa
De uma forma ou de outra.
(Amei certa pessoa ardentemente
e meu amor não foi correspondido,
mas foi daí que tirei estes cantos.)

(Walt Whitman) 

 

 

"Canta de mim mesmo"
Tradução de Eduardo Francisco Alves Geir Campos
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Retrato de uma Mãe:<?:namespace prefix = o ns = "urn:schemas-microsoft-com:office:office" />

Uma simples mulher que, pela imensidão de seu amor,
tem um pouco de Deus.
Pela constância de sua dedicação, tem muito de anjo.

Que sendo moça, pensa como uma anciã.
Que sendo velha, age com todas as forças da juventude.

Quando ignorante, melhor que qualquer sábio,
desvenda os segredos da vida.
Quando sábia, assume a simplicidade das crianças.

Quando pobre, sabe enriquecer-se com a felicidade
dos que ama.
Quando rica, empobrece para que seu coração não sangre
ferido pelos ingratos.

Quando forte, estremece ao choro de uma criancinha.
Quando fraca, entretanto, se alteia com a bravura dos leões.

Quando viva, não lhe sabemos dar valor,
porque à sua sombra todas as dores se apagam.
Quando morta, tudo o que somos e tudo o que temos
daríamos para vê-la de novo,
e dela receber um aperto de seus braços,
uma palavra de seus lábios.

Não exijam de mim que diga o nome dessa mulher,
se não quiserem que ensope de lágrimas essa página…
porque eu a vi passar em meu caminho.

Ramon Angel Jara

 

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Poema em transe

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seu sorriso sempre

                    aparece

quando fecho os olhos

no átimo do sono

seu sorriso sempre

                   aparece

quando abro os olhos

na manhã dos sonhos

você vem?

você vai?

semelhanças

e este aroma de romã

como uma dose excessiva

                         de

romance

seu sorriso sempre

                  aparece

quando? ontem

hoje? longe

seu sorriso sempre

                   aparece

provocando meu desejo

                      em transe


célia musilli

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Amor, amor
 Madrugada
Azul, sem luz
Dias de brinquedo
Linda assim me veio
E eu me entreguei
Inocentemente
Como um selvagem
Como o brilho esperto
Dos olhos de um cão

Amor, amor
Diz que pode, depois morde
Pelas costas sem querer
Amor, amor
Assim como um leão caçando o medo

Meu caminho nesse mundo, eu sei
Vai ter um brilho incerto e louco
Dos que nunca perdem pouco
Nunca levam pouco
Mas se um dia eu me der bem
Vai ser sem jogo

Amor, amor
Fiel me trai, me azeda
Me adoça e me faz viver.

Amor, amor
Eu quero só paixão
Fogo e segredo.<?:namespace prefix = o ns = "urn:schemas-microsoft-com:office:office" />

                                       

                                   (Cazuza, Roberto Frejat, George Israel)

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A poesia latinoamericana de luto. Hoje morreu Mario Benedetti.

 

Te quiero

Mario Benedetti

Tus manos son mi caricia

mis acordes cotidianos

te quiero porque tus manos

trabajan por la justicia

si te quiero es porque sos

mi amor mi cómplice y todo

y en la calle codo a codo

somos mucho más que dos

tus ojos son mi conjuro

contra la mala jornada

te quiero por tu mirada

que mira y siembra futuro

tu boca que es tuya y mía

tu boca no se equivoca

te quiero porque tu boca

sabe gritar rebeldía

si te quiero es porque sos

mi amor mi cómplice y todo

y en la calle codo a codo

somos mucho más que dos

y por tu rostro sincero

y tu paso vagabundo

y tu llanto por el mundo

porque sos pueblo te quiero

y porque amor no es aureola

ni cándida moraleja

y porque somos pareja

que sabe que no está sola

te quiero en mi paraíso

es decir que en mi país

la gente viva feliz

aunque no tenga permiso

si te quiero es porque sos

mi amor mi cómplice y todo

y en la calle codo a codo

somos mucho más que dos.

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  • 2 weeks later...

AUSÊNCIA<?:namespace prefix = o ns = "urn:schemas-microsoft-com:office:office" />

O que tens a me dizer agora
Que já vai alta e avançada a hora
E as nossas almas tanto se confundem?

Se ao calar-me surge o teu nome

E um calor em brasa me consome

Sob as lembranças todas que nos unem. 
No quarto as horas, em insônia, voam. 
No dorso meu as noites se amontoam.


E eu que nem sombra sou de Atlas,

Pra sustentar a noite e estrelas altas

E nem a lua cabe em meu sorriso,
Fico a rolar pelos lençóis, insone,

Qual pena leve n’olho do ciclone,

Perdendo o sono ao soar dos guisos.

E os latidos dos cães ao longe ecoam;

E as horas todas no teu mar escoam. 
Pelas marolas vão meus pensamentos,

Como jangadas ao sabor dos ventos

Que atormentados sopram-lhes as velas.


 Agora em meu leito como náufrago,
Sentindo, da ausência, o toque áspero,

Vou recolhendo o que restou de saldo:

Uma imensa dor, um modo trôpego,

No rosto opaca cor, um pulso rápido...

O que sobrou de mim sob o rescaldo.

As horas todas queimam, incendeiam;

As minhas cinzas soltas devaneiam.

                       
Quando ao amanhecer a brisa leve

Me presenteia com um sono breve,

Vejo-me em sonho a beijar-lhe a face...


E a penumbra ganha colorido,

E o meu olhar se enche de sentido

Sobre o calor divino desse enlace.

As nossas horas todas se confundem

Sob as lembranças tantas que nos unem.

Frederico Salvo

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SUÍTE

 

havia o desenho dos corpos e o desenho das pontes

um sobre o outro

silhuetas queimando na tarde incipiente

estivemos lá

num quarto abafado

sob um céu comovente

na hora em que os anjos

realizam o milagre da carne, sem pecado 

 

minha boca movia-se num beijo

deixava-me ficar assim

com a língua em ondulações de serpente

carícias sobre a nudez

reentrâncias delicadas

a flor da minha pele no Saara

o calor da vida era quase insuportável

 

 

à memória desta cena

acendo candelabros de lembrança luminosa

nada escapa aos meus sentidos

muito tempo depois

quando o amor é vago

um quasar distante

você ainda me visita

com a natureza das chamas

 

elas fingem que se apagam

e propagam faíscas

começando outra vez o crepitar do fogo

corpo sobre o corpo

miragem com que me iludo no sótão

procurando fósforos

a cada dia que nasce

nas paisagens nômades



célia musilli

http://sensivelldesafio.zip.net/

 

 

 

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Se eu morrer antes de você, faça-me um favor. Chore o quanto quiser, mas não brigue com Deus por Ele haver me levado. Se não quiser chorar, não chore. Se não conseguir chorar, não se preocupe. Se tiver vontade de rir, ria. Se alguns amigos contarem algum fato a meu respeito, ouça e acrescente sua versão. Se me elogiarem demais, corrija o exagero. Se me criticarem demais, defenda-me. Se me quiserem fazer um santo, só porque morri, mostre que eu tinha um pouco de santo, mas estava longe de ser o santo que me pintam. Se me quiserem fazer um demônio, mostre que eu talvez tivesse um pouco de demônio, mas que a vida inteira eu tentei ser bom e amigo. Se falarem mais de mim do que de Jesus Cristo, chame a atenção deles. Se sentir saudade e quiser falar comigo, fale com Jesus e eu ouvirei. Espero estar com Ele o suficiente para continuar sendo útil a você, lá onde estiver. E se tiver vontade de escrever alguma coisa sobre mim, diga apenas uma frase : ' Foi meu amigo, acreditou em mim e me quis mais perto de Deus !' Aí, então derrame uma lágrima. Eu não estarei presente para enxuga-la, mas não faz mal. Outros amigos farão isso no meu lugar. E, vendo-me bem substituído, irei cuidar de minha nova tarefa no céu. Mas, de vez em quando, dê uma espiadinha na direção de Deus. Você não me verá, mas eu ficaria muito feliz vendo você olhar para Ele. E, quando chegar a sua vez de ir para o Pai, aí, sem nenhum véu a separar a gente, vamos viver, em Deus, a amizade que aqui nos preparou para Ele. Você acredita nessas coisas ? Sim??? Então ore para que nós dois vivamos como quem sabe que vai morrer um dia, e que morramos como quem soube viver direito. Amizade só faz sentido se traz o céu para mais perto da gente, e se inaugura aqui mesmo o seu começo. Eu não vou estranhar o céu . . . Sabe porque ? Porque... Ser seu amigo já é um pedaço dele !

Vinícius de Moraes
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Estado de espírito

mais puro que o vôo da corda
mais corda que a vida do vento
mais vento que a asa da lira
mais lírica que a prosa da pétala

mais pétala que a pluma dos dias
mais dias que o desejo do tempo
mais tempo que o acorde de sol
mais sol que a vontade de chuva

mais chuva que a sede de água
mais água que o verde da uva
mais uva que o veludo da veia
mais veia que a calda da lava

mais lava que a terra do fogo
mais fogo que a língua na boca
mais boca que a fome no corpo
mais corpo que a dança do sangue

mais sangue que o ouro da pedra
mais pedra que estátua de seda
mais seda que sonho de mel
mais nuvem que rosas no céu

mais céu que o fundo do azul
mais azul que os olhos de deus



Monica Berger
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