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Piaf - Um Hino ao Amor (La Môme / La Vie


-felipe-
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Piaf - Um Hino ao Amor

 

 

 

Marcelo Hessel

 

 

 

Justiça seja feita, são grandes as chances de Persépolis, animação anti-fundamentalismo iraniano, ser finalista do Oscar de Melhor Filme Estrangeiro pela França. Mas só pode ter sido falha de comunicação interna o país não escolher a cinebiografia de Edith Piaf para concorrer ao prêmio hollywoodiano. Do momento em que sai do ventre de sua mãe nas ruas imundas de Paris, a mirrada menina de olhos azulaços, que viraria uma das maiores cantoras de todos os tempos, já tem "OSCAR" escrito na testa.

 

 

 

Há filmes que não merecem ser reduzidos a um rótulo, mas neste caso é questão de defesa do consumidor dizer que Piaf - Um Hino Ao Amor (La Môme, 2007) é a típica cinebiografia pensada para comover os votantes da Academia. Como os recentes Ray e Johnny & June, a idéia é honrar o passado do músico sem feri-lo com releituras, transformar ator/atriz na reencarnação fílmica do biografado e vender muito CD de trilha sonora. O fato de Piaf - Um Hino ao Amor ser francês não faz, essencialmente, a menor diferença. Cinema sentimental é igual no mundo inteiro.

 

 

 

A ordem do diretor Olivier Dahan (Rios Vermelhos 2) é embelezar, em todos os sentidos. Planos-sequências em apartamentos de pés-direitos suntuosos, fotografia saturada diante do mar calmo, close-up na cantora na hora da nota mais alta, hiperdramatização das relações, música ininterrupta, maquiagens mil. Em Piaf todos são maiores que a vida, da meretriz-mãe ao pugilista galã, mas la môme piaf, a miúda pardalzinha, como Edith aprendeu a ser chamada, é ainda maior que todos.

 

 

 

Evidente que a trajetória de vida da intérprete não é como uma qualquer. Edith Giovanna Gassion foi nascer justamente quando a Primeira Guerra vitimava a Europa, em 1915, e cresceu em meio a bordéis e circos. Cantou em muita sarjeta para conseguir comprar seu almoço, e se teve a sorte de ser chamada um dia para gravar um disco é porque o mundo - que quase lhe tirou a visão e a vida quando criança - finalmente estava dando uma trégua a Edith.

 

 

 

Se esta crítica dá ao filme cotação de três ovos, é em respeito a Edith e, especialmente, a Marion Cotillard, que no fim das contas vai acabar sendo indicada ao Oscar de melhor atriz. Bill Murray falou uma vez que nunca ganharia um Oscar porque as pessoas, por fazê-las rir, só lhe davam um obrigado; para ser premiado é preciso fazê-las sofrer.

 

 

 

Costuma-se dizer também que boas biografias desmistificam o biografado e abrem lacunas para que o espectador enxergue aquele ídolo como ele realmente é, ou era. O problema de Piaf não é o over-acting, a extrema mistificação. O problema é que o filme não dá a essa formidável figura, cercada dos mimos do "alto cinema", sequer o direito de ser mundana.

 

 

 

3.jpg-felipe-2007-10-13 01:45:06

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  • 2 weeks later...

Eu vi e o filme realmente muito quadradão. A narrativa não-linear e aquele plano-sequencia não conseguem desviar o filme de ser apenas mais uma bem feita biografia musical. Se filme consegue em certos momentos se sustentar e emocionar o público, isso é culpa do trabalho magistral feito com a Marion Cottilard.

 

Grande atuação em um filme apático.
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diferentemente da maioria daqui do fórum, eu particularmente gosto de cinebiografias, ray e jonnhy e june são 2 exemplos recentes q me agradaram bastante, claro q estão longe de serem perfeitos, mas foram melhor produzidos e dirigidos do q esse piaf, não q este tb não tenha suas qualidades, mas o q mais incomoda é o filme se concentrar 99,9% na cantora e esquecer por várias vezes o elenco secundário, enfim, como a marion não tem nada com isso, ela tem mais do q tempo de mostrar todo o seu genial talento e brilhar na tela, já o oscar parece ser somente uma questão de tempo, pouco tempo

nota 8
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  • 4 weeks later...

Mas, D4rk, o filme é sobre Edith Piaf. Se fosse desenvolver outro coadjuvante (coisa que nem Ray nem Johnny e June fez) tiraria o foco da narrativa, erro imperdoável. E por falar nisso, vi ontem e achei muito bom.

 

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Até a metade da projeção, eu estava prestes a concordar com a maioria e escrever que Piaf - Um Hino Ao Amor era um filme que se segurava pela magnífica atuação de Marion Cotillard. Dahan investia em uma abordagem completamente deselegante, cenas mal construídas, situações ridículas (tinha visto cerca de 2 cenas onde personagens são separados e seus braços levantados). Mas daí, quando Edith Piaf torna-se uma mulher rica e poderosa, eis que Dahan compõe uma cena elegantíssima, composta basicamente por travellings que acentuava ainda mais a postura poderosa de Piaf. E eis que a mim, caiu a ficha: Dahan compôs cada um de seus quadros como uma espécie de espelho que reflete a situação de Piaf. Quando soberana, travellings elegantes ou até mesmo câmeras em baixo ângulo. Quando pobre, cenas com câmeras na mão completamente desajeitadas e quadros fora do eixo. Além do mais, as situações ridículas acentuam mais a tragicidade da história de Piaf, mesmo que Dahan exagere um pouquinho. Mesmo assim, essa estratégia é sem dúvidas muito inteligente para um cara que só dirigiu anteriormente Rios Vermelhos 2: Anjos do Apocalypse.

Com isso, passei a admirar muito mais o filme, já que essa estratégia de Dahan não somente dava mais estilo ao filme, como também acentuava a força da performance de Marion Cotillard e dos aspectos técnicos (todos excelentes). A narrativa não-linear é uma solução eficiente e também elegante para tapar os buracos do filme (embora não deixe de ser uma trapaça, a trapaça foi muito bem realizada). Esses buracos, inclusive, são um dos maiores erros do filme, já que até mesmo o palerma que ficou ligando para várias pessoas durante a projeção ficou com dúvidas acerca de certos acontecimentos. Isso é compreensível, já que a vida de Piaf é mesmo repleta de acontecimentos e um estudo mais aprofundado no caráter iria requerer muito tempo (tanto é que vários acontecimentos da vida da cantora foram deixados de lado). Além do mais, o final é muito piegas, uma péssima nota em falso do Dahan.

Geralmente não sou muito fã de cinebiografias, já que recentemente estamos sendo bombardeados por Taylor Hackford's, James Mangold's, entre tantos outros, mas eis que surge um Olivier Dahan que reergue tal gênero. Acho patético quando a companhia do cinema da minha cidade diz que haverá uma pré-estréia de tal filme, quando sua estréia nacional foi há bastante tempo atrás, mas dessa vez fiquei felicíssimo pela oportunidade de rever esse filme. Filmes como esse não duram muito por aqui. 4/5

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  • 2 weeks later...

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Não gostei muito não. Até achei interessante o estilo que o Bernardo apontou, mas o que eu vi foi um filme extremamente burocrático mesmo, quase um dramalhão tentando te fazer chorar a todo custo. Sem contar que achei que podiam ter usado melhor as canções para pontuar a trama ao invés de encher o filme com o maior numero possivel de canções francesas. Fiquei até feliz quando ouvi aquele silêncio durante os créditos finais.06 Vale pela atuação extraordinária de Cotillard e pra quem quiser saber mais sobre a Piaf, no mais, preferi Ray mesmo. 3/5

 

 

*Assisti o filme numa sessão com umas 15 pessoas, todas pareciam ter mais de 60. No fim ficaram todos comentando coisas como "Que filme lindo!" e "Você chorou também?"

 

 

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  • 1 month later...

Acima de todos os filmes de 2007 esta a atuação da Marion Cotillard. É uma das maiores performances femininas da história do cinema, é uma pena q o filme seja medíocre.<?:namespace prefix = o ns = "urn:schemas-microsoft-com:office:office" />

Poucas vezes eu me arrepiei tanto com uma caracterização como essa. A cena da praia no final do filme e a q ela já idosa entra em um quarto (não me lembro bem o contexto) são fabulosas. 

É um filme q merece ser lembrado para sempre, somente por causa da Cotillard.

Sollozzo2008-01-21 12:45:16
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