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King Edward

TV: 99 Motivos Para Desligar a Sua

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Tenho estado muito revoltado com a televisão, aberta e à cabo. Então tive a idéia de fazer um tópico interativo para os que, como eu, estão desiludidos com a televisão. Escrevam aqui os motivos que vocês têm para desligar a Tv e ler um bom livro, jogar um game, ficar de bobeira na net ou qualquer outra coisa.

 

 

 

Motivo Nº 1 - Comerciais incessantes. Antes parecia ser apenas com a TV a cabo (a manhã inteira o Discovery fica com propagandas da polishop), mas a TV aberta já está apelando pra isso também. Há mais comerciais que programas propriamente ditos. Alguns comerciais são criativos, mas sua repetição 20 vezes/h assistida tornam qualquer propaganda chata. Outras são simplesmente ridículas 14.gif

 

 

 

Motivo Nº 2 - Os telejornais estão se tornando um obtuário. Ligo num telejornal, seja ele qual for, e vejo uma longa lista dos "desastres do dia", algo muito empolgante e que eleva minha alto-estima 07.gif

 

 

 

continuem. quem sabe não chegamos a 99 motivos e eu escrevo um livro com eles 06.gif

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 Olha só, assim como há porcarias na TV, tb há na net e tals.

 Tu só tem que ser seletivo qto ao que assistir.

 

 Vai aí um motivo p/ desligar a tal:

 

 - Tempo p/ tu se dedicar a (ou senão tiver achar um)  um hobby

 

 

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Adorava a Eliana quando era criança, mas como trabalho o dia todo aos domingos, nunca vi seu programa. Pelo que leio é voltado para a família, com o mínimo de apelação possível. Eliana está dando certo como apresentadora madura. Concorreu ao APCA e ao Prêmio Contigo! ao lado dos veteranos Silvio, Hebe...desbancando Angélica e Galisteu que nem foram lembradas.

 

Por falar em apelação dominical nas emissoras abertas, alguém se lembra do infâme sushi erótico no Faustão? Aquilo foi o limite da guerra Globo x SBT e deu pano pra manga durante meses.
T Archipenko2007-11-16 22:37:46

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[Por falar em apelação dominical nas emissoras abertas, alguém se lembra do infâme sushi erótico no Faustão? Aquilo foi o limite da guerra Globo x SBT e deu pano pra manga durante meses.]

 

 

 

 

 

 

 

Por acaso era o sushi global contra a banheira so sbt...aquilo era horrivel e muito apelativo14.gif14.gif14.gif

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Por aí Kika. Mas o sushi erótico foi num dia só. O suficiente para o Ministério da Cultura, a impressa e outros meios caírem matando em cima da Globo. Até o Siro Darlan queria censurar o programa do Faustão. Por falar em Faustão, não o suporto! Suas piadas são forçadas e grosseiras. 09 O programa do Gugu é lixo total, mas pelo menos a bicha tem carisma...06

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[Por aí Kika. Mas o sushi erótico foi num dia só. O suficiente para o Ministério da Cultura, a impressa e outros meios caírem matando em cima da Globo. Até o Siro Darlan queria censurar o programa do Faustão. Por falar em Faustão, não o suporto! Suas piadas são forçadas e grosseiras. O programa do Gugu é lixo total, mas pelo menos a bicha tem carisma...]

 

 

 

 

 

 

 

Foi uma vez só...mas foi pr dar o que falar, mas o gugu não tem tanta audiencia nã...depois da entrevista do ex pccc, o bixo pegou

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sábado é o melhor dia da televisão. e ponto.

é o dia da genialidade.

 

caldeirão do huck. programa do raul gil. MELHOR DO BRASIL. (antes tinha NAMORO NA TV, mas algum retardado tirou do ar), e noite pra fechar com CHAVE DE OURO: SABBÁ SHOW.

nunca esquecendo de Fantasia, de segunda a sábado, nas madrugadas do sbt.

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nem na TV à cabo? ah' date=' vai. tem sempre um filminho bom passando. [/quote']

 

 

 

manhã - comerciais da polishop, desenhos e séries que já foram repetidos umas vinte vezes.

 

 

 

tarde - filminhos toscos, desenhos e séries que já foram repetidos umas vinte vezes

 

 

 

noite - filmes bons, mas com comerciais massantes que fazem você perder a vontade de assistir. desenhos e séries que foram repetidos umas vinte vezes (o episódio inédito da série/desenho só passa uma vez nos fins de semana)

 

 

 

sábado é o melhor dia da televisão. e ponto.

 

 

 

é o dia da genialidade.

 

 

 

caldeirão do huck. programa do raul gil. MELHOR DO BRASIL. (antes tinha NAMORO NA TV, mas algum retardado tirou do ar), e noite pra fechar com CHAVE DE OURO: SABBÁ SHOW.

 

 

 

nunca esquecendo de Fantasia, de segunda a sábado, nas madrugadas do sbt.

 

 

 

Calderão do Huck começa sempre do mesmo jeito. a mesma música, as mesmas dançarinas fazendo a mesma coreografia. e atrações que são cópias toscas dos programas da Tv a cabo (extreme makeover, overhaulin). Faustão está entrando na mesma coisa, com dança no gelo, dança dos famosos, etc. E isso me leva ao motivo nº 5 (o 3 foi da shy e o 4 do dook)

 

 

 

Motivo Nº 5 - Falta de criatividade. A busca incessante por algo novo leva a TV aberta a imitar programas estrangeiros. 12.gif

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14.gif

Motivo Nº 2 - Os telejornais estão se tornando um obtuário. Ligo num telejornal' date=' seja ele qual for, e vejo uma longa lista dos "desastres do dia", algo muito empolgante e que eleva minha alto-estima 07.gif 

[/quote']

 

Nada contra os obituários, mas o que me revolta é falta de informação precisa. Normalmente eles não informam o nome das vítimas na TV aberta apenas o acidente <?:namespace prefix = st1 ns = "urn:schemas-microsoft-com:office:smarttags" />em si. Se você sabe que algum parente seu está no local da tragédia e não é informado, você fica apreensivo. Em fim é uma tortura, a notícia deveria auxiliar e não atormentar mais do que deveria.  

 

 

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[Por falar em apelação dominical nas emissoras abertas' date= alguém se lembra do infâme sushi erótico no Faustão? Aquilo foi o limite da guerra Globo x SBT e deu pano pra manga durante meses.]



Por acaso era o sushi global contra a banheira so sbt...aquilo era horrivel e muito apelativo14.gif14.gif14.gif

 

Nada contra a “imoralidade” a nudez ou sexo desmedido. A tv alemã passa uma programação hardcore de pronô em horário nobre e nem por isto é mais estúpida que nossa. Muito pelo contrário. Eles não fazem insinuações toscas broxando todo mundo na hora H. Eles apelam com força sem pseudo-moralismo. Alguém aqui sabe qual foi o último filme de sexo explicito na TV? Algum tempo atrás eram raras as cenas na TV de nudez total, isto em horário após ás 22 h. Parece que a programação é feita por um sacerdote eunuco e que as vezes faz pequenas liberações. Vale lembrar que já censuraram Calígula na TV Gazeta.

<?:namespace prefix = o ns = "urn:schemas-microsoft-com:office:office" />

 

Mas concordo com vocês neste caso do sushi é em função de apelo pela audiência, que faz uma programação com um conteúdo estúpido. Para dizer o mínimo.

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Nada contra a “imoralidade” a nudez ou sexo desmedido. A tv alemã passa uma programação hardcore de pronô em horário nobre e nem por isto é mais estúpida que nossa. Muito pelo contrário. Eles não fazem insinuações toscas broxando todo mundo na hora H. Eles apelam com força sem pseudo-moralismo. Alguém aqui sabe qual foi o último filme de sexo explicito na TV? Algum tempo atrás eram raras as cenas na TV de nudez total' date=' isto em horário após ás 22 h. Parece que a programação é feita por um sacerdote eunuco e que as vezes faz pequenas liberações. Vale lembrar que já censuraram Calígula na TV Gazeta.

 

 

 

[/quote'] olha plutão...por essas insinuações toscas e broxante eu não ligo a TV, para ligar e ver isso pego um filminho básico porno 06.gif

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PLutão' date=' esses programas por você citados não atraem o público brasileiro, por isso não são investidos. O povão quer mesmo é mulher pelada relobando em programas pouco construtivos como BBB.[/quote']

 

Isto é um círculo vicioso. O povo quer merda por que a programação passa? Ou a programação passa merda por que o povo quer?

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Fico muito tempo com a tv desligada... e quando assisto,são os jornais,acabo assistindo um pouco de cada emissora...por exemplo,a Record fala dos padres pedófilos enquanto a Globo fala da Igreja Renascer...até as notícias são "manipuladas"(mas isso não é novidade),vamos ver a cotação do dólar na internet,saber a previsão do tempo e em que horas passa o ônibus,que a gente ganha mais.

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Pelo menos na net você seleciona o que quer saber. Quando abro a net encontro o UOL com reportagens do tipo "morrem 10 em sei lá onde" "mulher baleada...". Como nada disso me interessa pulo essa parte. Na TV isso não pode ocorrer

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Encontrei um texto em PDF bem interessante no que diz respeito à TV pública:

 

A TV PÚBLICA E SEUS INIMIGOS

Ângela Carrato*

Resumo: A maior parte das chamadas TVs educativas e culturais no Brasil foi criada nas

últimas duas décadas, período que coincide com a redemocratização do país. Apesar disso

e dos propósitos de ênfase na educação, cultura e cidadania, estas emissoras ainda estão

distantes de poder cumprir as propostas que lhes deram origem.

O objetivo deste trabalho é, portanto, ao discutir os três maiores problemas enfrentados

por estas emissoras, mostrar quem são seus inimigos e como agem Este trabalho

igualmente se propõe a apresentar alternativas para o efetivo envolvimento da comunidade

na programação e financiamento de TVs efetivamente públicas, rompendo-se assim o ciclo

de dependência em relação aos governos e mercado.

Palavras-chaves: Televisão-Pública, educação, cultura e cidadania.

* Mestre em Comunicação. Universidade de Brasília.


 

Page 2

2

INTRODUÇÃO

No Brasil, não existe TV Pública.

1

A emissora que mais se aproxima deste modelo é a TV

Cultura, de São Paulo, mantida pela Fundação Padre Anchieta. Em 1998, por iniciativa dos

então dirigentes da TV Cultura e com apoio de quem estava à frente das TVs educativas em

19 estados, foi criada a Associação Brasileira das Emissoras Públicas, Educativas e

Culturais (ABEPEC).

2

Nestes sete anos de existência, a ABEPEC tem se dedicado a uma tarefa quase impossível:

dar voz e vez ao segmento de emissoras que representa. Emissoras que, diga-se, possuem

em comum apenas o fato de não se pautarem pela lógica das TVs comerciais e, ao mesmo

tempo, enfrentarem todo tipo de problema para sobreviver.

Das 20 emissoras que integram a ABEPEC, a maioria não possui ordenamento jurídico

compatível com sua função, enfrenta problemas trabalhistas sérios, conta com orçamento

insuficiente para fazer face a suas atividades e não dispõe de recursos para investir em

novos formatos de programas e nem em tecnologia digital.

Como, nos campos político, econômico, cultural e social aconteceram avanços

significativos no país, a exemplo das eleições diretas em todos os níveis e do fim da

censura estatal à imprensa, era de se esperar que progressos também tivessem ocorrido no

que diz respeito à mídia, em especial à mídia televisiva voltada para a educação e a cultura,

as chamadas TVs públicas que, no Brasil, acabaram sendo acomodadas sob o impreciso e

vago rótulo de “emissoras educativas e culturais”. A realidade, no entanto, aponta para

direção oposta.

A situação destas emissoras nunca foi tão dramática. E o mais grave é que a maioria dessas

emissoras está agonizando em meio a um boicote difícil de ser percebido e rompido.

Boicote que começa pelos próprios governos às quais estão vinculadas, passa pelas TVs

comerciais, anunciantes e agências de publicidade e envolve até setores que deveriam ser

seus mais fiéis aliados, como os sindicatos e os seus próprios funcionários.

O curioso neste processo é que nenhum desses setores assume publicamente qualquer

crítica mais significativa ao modelo de TV cultural e educativa em vigor no país e, menos

ainda, apresenta proposta efetiva para torná-lo viável. Razão pela qual não só cabe como é

pertinente perguntar: quem, no Brasil dos dias atuais, tem medo das TVs educativas e


 

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3

culturais? Ou, dito de outra forma, quem tem medo da TV pública? Afinal, tamanho

silêncio indica que, no fundo, todos estes setores reconhecem o poder que esse tipo de

emissora confere à cidadania e não medem esforços para manter o assunto o mais distante

possível da pauta de interesse da sociedade.

O CONCEITO DE TV PÚBLICA

Existem vários modelos de TVs públicas no mundo. Dentre eles, os mais destacados e

conhecidos são o da inglesa BBC, o da norte- americana PBS e o da japonesa NHK.

Especificidades à parte, os três guardam em comum o fato destas emissoras serem

financiadas com o dinheiro do contribuinte (pessoa física ou jurídica) e de suas

programações não sofrerem cerceamento por parte do governo destes países.

3

Engana-se, porém, quem acredita que a história destas emissoras seja um verdadeiro mar de

rosas. Todas, em maior ou menor grau, enfrentaram problemas ao longo do tempo, mas é

importante destacar que conseguiram vencê-los e saíram fortalecidas. Dois exemplos

recentes são significativos.

Durante a guerra das Malvinas, a ex-primeira ministra inglesa, Margareth Thatcher, não

mediu esforços para tentar impor censura às informações sobre o conflito, em especial

quando envolviam baixas e derrotas para os soldados ingleses. Graças à resistência dos

dirigentes e dos jornalistas da emissora, somados à parcela mais esclarecida da opinião

pública, as tentativas de Thatcher fracassaram. Também o atual primeiro-ministro, Tony

Blair, de forma menos ostensiva, não tem medido esforços para “enquadrar” a BBC, em

especial no que se refere às informações envolvendo conflitos no Oriente Médio e a guerra

do Iraque. Apesar do noticiário da BBC ter enfrentados questionamentos, estes não

abalaram a confiança dos telespectadores na emissora.

4

Já a PBS norte-americana deu um verdadeiro exemplo de seriedade e de profissionalismo

ao cobrir a eleição presidencial de 2004. Enquanto emissoras comerciais, em sua maioria

esmagadora, posicionavam-se, ostensivamente ao lado da candidatura de George W. Bush à

reeleição, a PBS esmerou-se em cobrir, passo a passo, toda a campanha, em especial os

últimos 15 dias, quando os institutos de pesquisa apontavam para um empate técnico entre


 

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4

o republicano Bush e o democrata John Kerry. É consenso para os estudiosos e a parcela

mais esclarecida da opinião pública norte-americana que a melhor cobertura da campanha

presidencial nos Estados Unidos foi a realizada pela PBS. Esta seriedade e independência

garantem o sucesso das campanhas semestrais que a emissora realiza visando levantar

fundos para seu custeio.

5

No Brasil, em que pese a recente experiência acumulada de quatro eleições presidenciais,

do mesmo número de eleições para governadores de estado e integrantes do Congresso

Nacional, é impossível se dizer o mesmo. Em maior ou menor grau, todas as emissoras

educativas e culturais, aqui incluindo-se a TV Cultura, a TVE Brasil (RJ) e as emissoras de

TV da Radiobrás, enfrentaram e ainda enfrentam problemas com os governos que as

controlam. É óbvio que a presença de um dirigente politicamente mais aberto, mais

consciente de seu dever para com o interesse público e menos apegado ao cargo faz

diferença, mas não é suficiente para alterar esta realidade.

Exatamente num momento em que setores da sociedade, a exemplo do Movimento dos

Sem Terra (MST) e da Defesa dos Consumidores estão avaliando os avanços alcançados e

pensando em estratégias para o futuro, é essencial que o mesmo seja feito em se tratando

de uma área vital para a democracia e a cidadania como o segmento das TVs públicas,

educativas e culturais.

TVs COMERCIAIS E TVs NÃO COMERCIAIS

No Brasil, a TV já nasceu comercial. E um modelo comercial que praticamente não possuía

nenhuma das virtudes tradicionalmente destacadas neste tipo de atividade.

6

A história da

TV em nosso país dá grande destaque ao pioneirismo de Assis Chateaubriand, mas é

extremamente evasiva no que se refere aos interesses econômicos que motivaram a

iniciativa. Vale dizer: enquanto na Europa e mesmo nos Estados Unidos em primeiro lugar

estavam os telespectadores, entendidos como cidadãos, entre nós, desde o começo os

telespectadores foram considerados apenas consumidores e tratados como tal. A diferença é

considerável.


 

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5

Em seu desenvolvimento, o modelo de TV adotado no Brasil seguiu de perto o norte-

americano, baseado no financiamento da programação mediante inserções comerciais.

Neste sentido, distingue-se, totalmente, do modelo europeu que vigorou até meados da

década de 70 do século passado, quando as principais emissoras do Velho Continente eram

estatais e nas quais se proibiam veiculações publicitárias.

Mas se a TV comercial surge em meados da década de 1950, só 14 anos depois entra no ar,

em Pernambuco, a primeira emissora educativa. Entre 1967 e 1974, surgiram nove

emissoras educativas, cujas origens e vinculações eram as mais diversas. Em 1972, em

plena ditadura militar, é criado, pelo ministério da Educação, o Programa Nacional de

Teleducação, cujo objetivo era coordenar as atividades de teleducação no país.

7

Se dependesse dos dirigentes das TVs comerciais e da maioria dos governantes, a TV

educativa continuaria até os dias de hoje exibindo apenas os enfadonhos telecursos que as

caracterizaram nos primeiros tempos e

com um sinal extremamente fraco, mal

ultrapassando os limites do município em que localizava-se. Esta situação só começa a

mudar a partir de 1988, quando as TVs educativas conseguem, através de decreto,

permissão para expandirem seu sinal e quando as diversas modalidades de emissoras

passam a ser tema de discussão durante os trabalhos da Assembléia Nacional Constituinte.

Enquanto, nas TVs educativas, os avanços, quando aconteciam, se davam a passos de

tartaruga, os avanços na TV comercial no Brasil batiam todos os recordes, devidamente

apoiados e estimulados pelo poder público.

8

As comemorações envolvendo os 40 anos da Rede Globo dão uma idéia bastante precisa

sobre a velocidade destas mudanças, especialmente no que se refere aos quesitos

equipamentos, competência técnica, qualidade de produção e abrangência de cobertura do

território nacional.

9

Como se sabe, a TV está presente em praticamente todos os lares

brasileiros, aumentando ainda mais o poder desta mídia.

10

Este poder, no entanto, está longe de qualquer compromisso efetivo com os interesses da

maioria da população, seja em termos de conteúdos da programação, seja no que se refere a

um telejornalismo minimamente pautado pelas características do que é realizado numa

BBC ou PBS.

Como explicar que, em alguns aspectos, o Brasil possua uma televisão comercial de

Primeiro Mundo e, quando se trata das TVs educativas e culturais, a cargo do Estado, o


 

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modelo pareça regredir décadas? Será mero acaso os governos se orgulharem tanto das TVs

comerciais brasileiras e praticamente não tomarem conhecimento (exceto no que se refere

ao noticiário) das TVs mantidas pelo Estado?

A resposta obviamente é não. O que pode parecer contraditório para os menos avisados é,

na realidade, uma política deliberada, meticulosamente executada com o objetivo de não

criar problemas com o poderoso lobby das emissoras comerciais, capitaneado pela Rede

Globo. Independente da coloração partidária, entra governo, sai governo, esta realidade

permanece imutável. Todos os governantes querem estar bem com a face mais explícita do

que se convencionou chamar de “quarto poder”.

As estreitas ligações do então presidente José Sarney com as emissoras de TV comerciais,

em especial a Rede Globo, são por demais conhecidas.

11

Razão pela qual não se esperava

muito de seu governo. Nos dois mandatos do sociólogo e professor Fernando Henrique

Cardoso não aconteceu qualquer avanço que mereça registro. Ao contrário. Quando

ministro das Comunicações, Pimenta da Veiga promoveu um verdadeiro festival de

concessões de canais de TVs “educativas” para políticos situacionistas e aliados da base

eleitoral, em detrimento de movimentos comunitários e sociais.

E se os mais diversos setores da população já estavam escaldados com este tipo de prática,

a vitória do ex-metalúrgico e ex-sindicalista Luiz Inácio Lula da Silva renovou as

esperanças dos que lutam pela democratização da mídia televisiva no Brasil. Esperanças

que tinham razões concretas de ser. Nas eleições anteriores que disputou, Lula sentiu na

pele o poder das emissoras comerciais de TV, em especial da Rede Globo.

12

Some-se a isso

que de seu programa de governo constava a destinação de 1% da verba publicitária oficial

para as TVs educativas e culturais. Pela primeira vez na história política brasileira, algo

assim era mencionado e proposto.

O presidente Lula já ultrapassa metade de seu mandato e nenhum movimento no sentido de

se cumprir tal promessa foi feito. Não tem faltado, aliás, entre seus assessores mais

próximos, quem tente desdizer o que ele disse ou mesmo dar outra interpretação a esta

promessa.

13

O mais grave é que essa situação transcorre cercada do mais amplo silêncio, uma vez que à

mídia comercial não interessa que este assunto venha a público e nas TVs educativas e

culturais não há espaço político para abordagens nesta linha. Aliás, a mídia comercial que


 

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se gaba de tratar de todos os assuntos, faz questão de desconhecer, solenemente, tudo o que

diz respeito à própria mídia, exceto os temas ligados às frivolidades. Haja vista o que é

publicado nas chamadas colunas sobre TV dos principais jornais e revistas do país.

14

Assim, enquanto estudiosos da comunicação insistem em afirmar que, na

contemporaneidade, a mídia se transformou no espaço público por excelência, numa

espécie de ágora moderna, no Brasil, os detentores da mídia comercial insistem em manter

as questões que dizem respeito ao tema fora do alcance da sociedade.

O cidadão, pela ótica dos detentores da mídia comercial, têm todo o direito de saber tudo

sobre tudo, exceto o que se refere à própria mídia. E se os proprietários da mídia impressa

alegam tal direito (discutível, é claro) por constituírem-se em empresas privadas, o mesmo

não se aplica à mídia eletrônica, uma vez que se trata de concessão que recebem do poder

público, em última instância, da própria cidadania que insistem em desconhecer.

O resultado é uma cadeia de problemas difícil de ser rompida. Cadeia que começa nos

orçamentos insuficientes das emissoras públicas, educativas e culturais, que leva a uma

qualidade precária da programação que exibem que, por sua vez, não atrai grandes

audiências que, em consequência, não estimula possíveis apoiadores e nem pressiona os

governos por orçamentos mais adequados. Moral da história: as emissoras públicas,

educativas e culturais continuam confinadas a um espaço de influência social mínimo e,

toda vez que esta cadeia tende a ser rompida, entram em cena as mais diversas pressões

para que tudo permaneça como está. Como estas cenas, ao contrário do que se faz na TV,

não são visíveis, limitando-se a articulações de bastidores, é importante que, em algum

momento, possam ganhar a luz.

ELOS FORTES E ELOS FRACOS


 

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8

Para uma emissora educativa e cultural, o seu elo mais forte é com o telespectador,

entendido como cidadão. Mesmo ainda não existindo um código de ética específico para

essas emissoras, a experiência acumulada pela maioria delas, a começar pela TV Cultura de

São Paulo, já possibilita que algumas atitudes básicas sejam adotadas por quase todas as

integrantes da ABEPEC.

Entre estas atitudes destacam-se: 1-) nos telejornais, a ênfase no chamado jornalismo

público, voltado para

a promoção e o respeito à cidadania;

15

2-) na programação, a

prioridade ao conhecimento, à educação, cultura e lazer. As emissoras educativas e

culturais igualmente valorizam a interprogramação (os chamados intervalos comerciais nas

demais emissoras), através de campanhas educativas, com destaque para a organização e

mobilização dos mais diversos setores populares. As emissoras educativas não admitem

publicidade de drogas, entendidas como cigarros, bebidas alcoólicas e remédios.

O resultado do compromisso com o telespectador não demorou a surtir efeito. A TV

Cultura passou a ter, do início da década de 1980 até meados da década seguinte, uma

programação, especialmente infantil e documentários, merecedora dos maiores elogios de

público e da crítica, além de receber vários prêmios internacionais.

A independência de sua programação era acompanhada pelos telejornais que, em nada,

lembravam os noticiosos “chapa branca” que sempre caracterizaram as emissoras mantidas

pelo governo no Brasil.

16

Tamanha independência por parte da emissora acabou levando-a a atritos com vários

governadores de São Paulo. Atritos que variaram desde a truculência de um Paulo Maluf

que tentou destituir o presidente da Fundação Padre Anchieta (que mantêm a TV Cultura) e

foi barrado pela Justiça, passando pelas ironias de Mário Covas (“sou o único governador

que paga as contas de uma TV na qual ele não manda”), até desembocar nas recentes

pressões econômicas de Geraldo Alkimin sobre a emissora.

Como o governador de São Paulo não tem poder para destituir o presidente da Fundação

Padre Anchieta, que é eleito pelos conselheiros da Fundação e tem mandato definido, a

forma encontrada para pressioná-la tem sido através do não repasse de recursos, mesmo que

devidos. É exatamente neste ponto que reside a fragilidade do “modelo brasileiro” de TV

pública.


 

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9

A saída encontrada pela Fundação Padre Anchieta para romper o cerco econômico a que foi

submetida se deu através de uma “solução negociada”, que acabou levando à estranha

fórmula de uma mesma entidade com dois presidentes, um para o conselho de

representantes e, outro, executivo.

17

A mais recente queda de braços da TV Cultura com o Governo de São Paulo, cujo ápice se

deu em meados do ano passado, deixou graves sequelas na emissora. A mais visível foi a

perda de qualidade de sua programação, que passou a limitar-se à exibição de desenhos

infantis praticamente o dia inteiro. Apenas parte da programação noturna foi preservada,

com a qualidade de um dos carros-chefes da emissora, o “Jornal da Cultura”, seriamente

comprometida. Some-se a isso que a emissora perdeu bons profissionais e viu seus índices

de audiências quase encostarem no zero.

18

O presidente-executivo da TV Cultura, Marcos Mendonça, tem orientado seu trabalho em

busca de auto-suficiência para a emissora. O que isso significa? Mesmo sendo uma TV

pública, ela está longe da autonomia que o título deveria lhe conferir. Em outras palavras, a

emissora terá que encontrar meios de se manter, em que pese limitações legais envolvendo

a divulgação de publicidade e também as pressões (algumas sutis e outras nem tanto) do

próprio governo estadual e mesmo das demais emissoras concorrentes.

É curioso observar o silêncio da mídia brasileira e paulista em torno da crise da TV Cultura.

Silêncio quebrado unicamente pelo jornal O Estado de S. Paulo e pela revista Carta Capital,

coincidentemente dois veículos que não possuem emissoras de TV. Nos demais, o assunto,

quando tratado, era feito de forma extremamente superficial e sempre de maneira negativa

para a TV Cultura.

19

A crise da TV Cultura teve, ainda, outros níveis de desdobramentos. Por ser a maior

produtora de conteúdo da chamada “rede pública de televisão” do país,

20

a redução do

número de programas exibidos bem como a excessiva repetição que passou a caracterizar

sua grade de programação atingiu as demais 19 emissoras que integram a ABEPEC,

exigindo delas uma série de providências.

As emissoras maiores e com melhores condições de produção, a exemplo das TVs

Educativas de Minas Gerais, Rio Grande do Sul, Bahia e Pará, buscaram ampliar

regionalmente sua produção. As menores, a exemplo das TVs Univesitárias do Espírito

Santo e de Santa Catarina, tiveram que se conformar com a precariedade da situação,


 

Page 10

10

assumindo para si o desgaste da TV Cultura e de tudo o que atende pelo nome de público

neste país.

O aumento no volume de horas de programação própria regional de uma emissora

educativa, acompanhado pela melhoria significativa de qualidade do seu conteúdo seria

motivo de comemoração em qualquer emissora do mundo, menos em Minas Gerais. Ele foi

o início dos muitos problemas que a Fundação TV Minas Cultural e Educativa (Rede

Minas) passou a enfrentar a partir de 2004, tanto junto ao governo do Estado, ao qual

pertence, como junto às demais emissoras, anunciantes e agências de publicidade do

Estado.

Em pouco mais de um ano, a então direção da Rede Minas conseguiu dobrar as suas horas

diárias de programação própria, passando de sete para 14 horas. Isto só foi possível, porque

havia uma capacidade técnica instalada ociosa e também ociosidade de mão de obra

especializada na emissora.

A nova grade de programação agradou em cheio aos telespectadores, mas passou a ser

motivo de preocupação para as emissoras concorrentes. É importante destacar que as

demais emissoras de TV em Minas produzem apenas entre duas horas e três horas diária de

programação local própria. O restante é ocupado com programas de rede nacional. Por isso,

o simples fato de uma emissora educativa (de propriedade do Governo do Estado) teimar

em permanecer 24 horas no ar sendo que dessas, 14 com programação própria diária

passou a incomodar e muito. Incomodou tanto que as pressões não demoraram a surgir. A

primeira providência do Governo do Estado, para tentar acalmar as TVs comerciais foi

encurtar ao máximo o orçamento de sua emissora, levando-a a intensificar a buscar por

apoios culturais (patrocínios para programas e veiculações de institucionais) junto à

iniciativa privada.

Num primeiro momento, parte da iniciativa privada reagiu bem à proposta e chegou a

responder com entusiasmo. Em poucos meses, no entanto, o entusiasmo deu lugar a um

inesperado distanciamento, seguido de pedidos de anuência que a emissora deveria obter

do próprio Governo para que pudessem apoiá-la. É desnecessário dizer que esses pedidos

jamais foram respondidos positivamente pelo Governo que, agindo assim, canibalizava a

sua emissora. Detalhe: muitas das iniciativas propostas pela TV Minas foram viabilizadas


 

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11

por instâncias indevidas do próprio Governo de Minas. Razão pela qual utilizo o termo

canibalização.

21

Outro aspecto que vale ressaltar é que se parte dos anunciantes só apoiavam a Rede Minas

se tivessem o sinal verde do governo, a outra parte mostrava-se intransigente, pois

considerava que o dever de bancar a TV educativa regional era do Governo e não de

anunciantes.

Como se esses problemas não bastassem, alguns representantes da mídia local (que

possuem emissoras de TV) partiram para questionar, através de matérias e “notinhas”

maldosas em colunas sociais, se uma TV educativa poderia ter publicidade. Nenhum desses

veículos lembrou-se de cobrar do Governo o que seria seu dever: custear as despesas

básicas de uma emissora estatal, cultural e educativa.

EM BUSCA DAS SAÍDAS POSSÍVEIS

Os problemas experimentados pelas emissoras educativas e culturais no Brasil são

praticamente os mesmos e podem ser agrupados em três níveis: ordenamento jurídico,

qualidade de sua programação e custeio. Esses três níveis acabam se interpenetrando, de tal

maneira, que os problemas em um deles refletem nos demais. Motivo pelo qual precisam

ser enfrentados em conjunto.

Não falta, entre dirigentes e funcionários das emissoras educativas e culturais, quem

acredite que as chances de mudanças significativas na atual conjuntura são poucas. A título

de exemplo, citam o recuo do Governo Federal no que se refere à criação das TVs Públicas

Municipais, cujo decreto neste sentido teve existência de apenas 50 dias.

22

O recuo, mais

uma vez, é atribuído às pressões das emissoras de TVs comerciais.

Não compartilho deste ponto de vista. Acredito que o momento seja dos mais oportunos

para uma articulação da magnitude que esta demanda, especialmente quando se sabe que o

Governo Federal começa a discutir, internamente, o anteprojeto de Lei Geral das

Comunicações, que deverá ser enviado ao Congresso Nacional.

Em 2006 haverá eleição para presidente da República, governos dos Estados, Congresso

Nacional e Assembléias Legislativas. Como nenhum político que esteja nestes cargos quer


 

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12

criar atrito, atendendo a todas as pressões dos lobbies das TVs comerciais, de olho na

própria reeleição ou num cargo mais alto do que o ocupado no momento, a estratégia mais

acertada pelos que defendem as TVs públicas é partir para fazer as cobranças pertinentes ao

setor o mais rápido possível. É essencial, também, que os mais diversos segmentos da

opinião pública sejam envolvidos nesta luta. Aliás, esta luta, para ter eficácia, precisa ser

suprapartidária e incluir setores que, até o momento, se mantiveram à parte do processo,

como os sindicatos de profissionais liberais e dos que atuam na área da informação,

jornalismo e comunicação, além do próprio mundo acadêmico.

É fundamental, igualmente, que os sindicatos de profissionais tenham consciência de que o

papel que lhes cabe neste processo ultrapassa, em muito, os contornos específicos de sua

categoria ou o da mera luta envolvendo apenas piso salarial. Mais ainda: é fundamental que

percebam que uma remuneração adequada é parte desta luta maior e não o contrário.

No que diz respeito ao mundo acadêmico, ele precisa voltar a alargar suas fronteiras,

passando a refletir e a agir sobre uma realidade ainda pouco conhecida e estudada como é a

das TVs públicas, educativas e culturais em nosso país.

Exemplo concreto da ausência destes estudos e reflexões diz respeito às soluções

apresentadas pela academia toda vez que a realidade destas emissoras é invocada:

nomeação de conselho curador para estas fundações e criação de conselhos populares de

programação.

A existência de conselhos curadores deveria ser regra em todas as instituições públicas,

uma vez que tem o papel de aprovar diretrizes maiores para a entidade, bem como suas

contas. A simples existência destes conselhos, no entanto, não é garantia de tranquilidade

para nenhuma instituição. A Fundação Padre Anchieta é o melhor exemplo. Ela possui

um conselho curador com 60 representantes, que não teve meios para conter o

esvaziamento econômico e financeiro a que a instituição foi submetida.

Quanto à criação dos conselhos populares de programação, que teriam por tarefa definir os

formatos dos programas e serem produzidos e exibidos pelas emissoras públicas, educativas

e culturais, sou de opinião que eles poderiam ter uma tarefa auxiliar neste sentido, nunca

definitória. A título de exemplo, da mesma forma que seria absurdo atribuir a um conselho

de pacientes a definição sobre o melhor tratamento a lhes ser ministrado, não é razoável que


 

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13

se espere que os telespectadores definam formatos e demais inovações na grade de

programação de uma emissora.

O risco de absurdos destes acontecerem, num país como o Brasil, no entanto, é grande.

Mesmo com um ensino de comunicação e mídia consolidado há mais de cinco décadas, a

maioria da população continua agindo, nesta área, como em véspera de jogo da seleção

brasileira de futebol: todos acreditam saber qual é a melhor escalação para se vencer o

adversário. Dito de outra forma: todos acham que

sabem tudo sobre futebol e

comunicação.

O mundo acadêmico poderia, por outro lado, dar uma enorme contribuição para as

emissoras educativas e culturais, se criasse disciplinas nos cursos de jornalismo, televisão e

publicidade nas quais fossem discutidos aspectos essenciais para essas emissoras como

jornalismo público, a publicidade voltada para o interesse do cidadão e toda uma linha de

programação que não estivesse tão calcada no sensacionalismo das TVs comerciais.

A preocupação se justifica, uma vez que os futuros profissionais das TVs públicas,

educativas e culturais são formados por estas instituições, que acabam repetindo os

modelos de programação dominantes.

Na situação atual, o mundo acadêmico cobra das TVs educativas e culturais a pesquisa por

novos modelos de programação. Estas emissoras, sem recursos humanos e materiais,

devolvem a cobrança para o mundo acadêmico e não se sai do lugar. Não seria o momento

destas instituições darem as mãos? Neste sentido, cabe perguntar, qual o grau de

profundidade no relacionamento entre a USP e a TV Cultura, por exemplo? Ou entre a

UFMG e a TV Minas? Será que a simples existência de TVs universitárias é resposta

suficiente?

A primeira etapa desta luta, a ser vencida, diz respeito à necessidade imediata, vital, de que

haja mobilização da sociedade em prol da mudança no ordenamento jurídico das TVs

educativas e culturais no país. Elas não podem continuar submetidas ao interesses dos

governantes de plantão. Se vão continuar como fundações ou se o melhor caminho a ser

seguido por elas é a transformação em organizações sociais de interesse público (OSIPs)

caberá a cada comunidade responder, observando sua história, peculiaridades e grau de

mobilização.


 

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O outro aspecto igualmente essencial a ser equacionado, nestas emissoras, refere-se ao seu

custeio. Sempre atormentada com a elevada carga tributária vigente no país, a população

brasileira mostra-se contrária à criação de qualquer novo imposto, mesmo que seja para a

causa mais nobre do mundo. Este é o motivo pelo qual não prosperou a proposta da TV

Cultura de cobrar R$ 1,00 na conta de luz de todos os usuários deste serviço no Estado de

São Paulo. O recurso seria destinado à Fundação Padre Anchieta e integraria o orçamento

da emissora.

Em que pese a proposta ter sido mal recebida, acredito que ela poderá ser retomada, desde

que cercada de uma série de cuidados. O primeiro deles envolveria uma campanha de

esclarecimento público sobre o assunto, seguido pela absoluta transparência na prestação de

contas sobre os valores obtidos. Seria extremamente difícil uma família posicionar-se

contra um imposto assim, se fosse informada que é com ele que a emissora pôde retomar as

gravações do Castelo Rá-Tim-Bum

23

ou realizou um programa voltado para os jovens.

Um imposto nestes moldes teria, ainda, a função de promover o envolvimento de parcela

expressiva da população em uma temática que ela desconhece ou observa muito de longe,

em que pese as relações sociais estarem mais midiatizadas do que nunca.

CONCLUSÃO

Discutir a realidade das TVs Públicas, Educativas e Culturais no Brasil não é assunto de

interesse apenas para quem atua nestas emissoras e, menos ainda, dos políticos em geral. A

discussão envolvendo este tópico coloca o dedo num aspecto essencial para democratizar a

relação do poder público com a sociedade. Motivo pelo qual o adversário imediato destas

emissoras tem sido exatamente os governos e não, como se pode pensar à primeira vista, as

emissoras comerciais.

Dependeria dos governos (estadual e federal) criar mecanismos para viabilizar estas

emissoras, como, igualmente, dotar-lhe de recursos para que pudessem cumprir a contento

a missão que lhes foi atribuída. E se isso não acontece, é porque os governos

(independente de coloração partidária) querem evitar atritos com o poderoso lobby das

TVs comerciais ou até mesmo integram estes lobbies.


 

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A história das TVs educativas e culturais no Brasil mostra, por outro lado, que estas

emissoras só conseguiram avanços a custa de muita pressão. A mesma pressão que precisa

ser retomada, com urgência, nos dias atuais. E não há época melhor do que um ano pré-

eleitoral.

NOTAS

1- Por TV pública entende-se a que possui autonomia política e financeira. Vale dizer: seus dirigentes

possuem mandato definido e não podem ser substituídos dependendo dos interesses do governante de

plantão e a emissora conta com orçamento próprio, definido por lei. Talvez o melhor e mais conhecido

exemplo de TV pública no mundo seja a da inglesa BBC.

2- A ABEPEC é uma entidade jurídica de direito privado, sem fins lucrativos, e que congrega as 20

emissoras geradoras estaduais de caráter educativo, cultural, não comercial. Para efeito deste trabalho,

nos reportaremos exclusivamente a estas emissoras e às suas redes regionais, quando existirem. Mais

informações sobre a ABEPEC, consultar o site: www.abepec.com.br

3- Um relato sobre estas emissoras está em “O Desafio da TV Pública. Uma reflexão sobre sustentabilidade

e qualidade.” Organização de Beth Carmona, Rio de Janeiro, TVE Rede Brasil, 2003, pp. 20 a 40.

4- Em outubro de 2004, os principais jornais brasileiros deram destaque para a cobertura dos problemas que

a BBC estava enfrentando com o governo inglês. O noticiário destes jornais, em especial a Folha de S,

Paulo, está longe de poder ser considerado imparcial.

5- Tive oportunidade de acompanhar, de perto, está cobertura, pois estava nos Estados Unidos no mês que

antecedeu às eleições de novembro de 2004.

6- A TV comercial no Brasil jamais levou em conta aspectos como ênfase na concorrência, manter-se sem

recursos oficiais e distante do jogo de interesses do Estado e de seus ocupantes. Para um aprofundamento

sobre o assunto, consultar: Morais, Fernando. Chatô, o Rei do Brasil. São Paulo, Cia das Letras, 1994 e

Herz, Daniel. A História Secreta da Rede Globo, Porto Alegre, Tchê, 1987.

7- O assunto é abordado, em detalhes, no já citado, “O Desafio da TV Pública”, p.56

8-

Ver o já citado “A História Secreta da Rede Globo”.

9-

A Rede Globo é a primeira a alardear estas conquistas, transformando-as em informação divulgada pela

emissora durante todo o mês de abril e começo de maio de 2005.


 

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10- A TV está presente em 95% dos lares brasileiros, ao passo que menos de 10% da população tem acesso

aos jornais . A TV por assinatura atinge um total de apenas 3,6 milhões de assinantes no país. Fonte: A

Indústria da Comunicação no Brasil, publicação da Associação Brasileira das Agências de Publicidade

(ABAP).

11- Para uma relação dos políticos que possuem concessão de canais de TV, consultar o site da Federação

nacional dos Jornalistas . WWW. Fenaj.org.br

12- Para um aprofundamento sobre o tema ver : Neto, Antônio Fausto. “Telejornais e a Produção da Política:

Estratégias Discursivas e as Eleições Presidenciais de 1994.” In Mouillaud, Maurice e Porto, Sérgio

Dayrell (orgs.). O Jornal, Da Forma Ao Sentido. Brasília, Paralelo 15, 1997.

13- Foi o que tentou, a título de exemplo, o sub-secretário de Comunicação da Presidência da República,

Marcus Flora, durante seminário realizado pela revista Pay-TV, em São Paulo, em junho de 2004.

14- Jornais como Folha de S. Paulo, Estado de S. Paulo e O Globo possuem colunas diárias sobre TV. Só

que elas limitam-se às fofocas, resumos das novelas do dia anterior e à divulgação de informações sobre

estréias no setor. Sobre a TV enquanto mídia, poder e um dos pilares da sociedade contemporânea,

praticamente nada é publicado.

15- A TV Cultura elaborou um Manual do Jornalismo Público, que já serve de referência interna e para

várias emissoras da ABEPEC. Este manual deve ser lançado, para o público, ainda em 2005.

16- Por noticiário “chapa branca”, entenda-se aquele que só divulga o lado oficial, do poder.

17- Depois de uma crise que se arrastou por todo o ano de 2004, chegou-se a uma solução de compromisso.

O então presidente da Fundação Padre Anchieta, Jorge Cunha Lima, passou a ser o presidente do

Conselho de Representantes da emissora. Criou-se o cargo de presidente-executivo para a Fundação, para

o qual foi nomeado Marcos Mendonça, ex-secretário de Estado da Cultura de São Paulo, indicado pelo

governador Geraldo Alkmin.

18- Sempre de olho nos índices de audiência, as TVs comerciais são extremamente ágeis para tomar decisões

de importância envolvendo sua programação e seu futuro. Já nas TVs educativas e culturais, o governo

não parece ter nenhum pressa. A crise da TV Cultura levou mais de um ano para começar a ser

equacionada. A Rede Minas está com um presidente interino desde o início de fevereiro de 2005. A

ausência de decisões compromete o futuro destas emissoras aos olhos dos telespectadores.

19- Das revistas semanais de informação no Brasil, a única que faz uma cobertura sistemática sobre mídia é

“Carta Capital”. Ver, em especial, a edição nº 326, de 26 e janeiro de 2005, que tem como matéria de

capa “ Todos os Súditos da Rede Globo. O Governo não resiste às pressões da emissora, esvazia a

Ancinav e perde mais uma vez a chance de regular os meios de comunicação”.

20- A Rede Pública de Televisão (RPTV) é constituída de faixas de programação exibidas, em tempo real,

por todas as emissoras que integram a ABEPEC. Atualmente, a RPTV conta com 26 horas semanais, em

que são exibidos desenhos infantis, documentários, shows e telejornais.

21- Aparentemente, um processo assim de canibalização não tem lógica. Afinal, é o governo jogando contra

uma fundação do próprio governo. Quando se observa com cuidado, a lógica aparece: tudo é feito para

não desagradar as emissoras de TVs comerciais, que não aceitam que o Governo invista numa emissora


 

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que não opera dentro da lógica comercial e que, por definição, combate o processo de concentração de

propriedade na TV, a mercantilização da programação e da cultura.

22- “TVs Comerciais continuam dando as cartas”. Editorial do Jornal Pauta, órgão oficial do Sindicato dos

Jornalistas Profissionais de Minas Gerais, nº 152, abril de 2005, p.02.

 

http://64.233.169.104/search?q=cache:klin1laJxO0J:www.gepicc.ufba.br/enlepicc/pdf/AngelaCarrato.pdf+A+TV+P%C3%9ABLICA+E+SEUS+INIMIGOS&hl=pt-BR&ct=clnk&cd=1&gl=br&lr=lang_pt

Plutão Orco2007-11-28 12:53:53

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Ana Maria Braga no fundo do poço...

 

 

ana20maria20braga20sexyky7.jpg

 

Com baixa audiência, Ana Maria Braga faz dança sensual na Globo

 

Ana Maria Braga levou ao "Mais Você" uma professora de pole dance, a mesma que Flávia Alessandra faz na boate de striptease da novela "Duas Caras". Depois de mostrar imagens da atriz na novela, Ana Maria Braga não se intimidou, pegou na barra e começou a dançar.

 

Não houve aumento da audiência.

 

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