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Forum Cinema em Cena

Última Parada 174, Bruno Barreto 2008


CACO/CAMPOS
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Direção: Bruno Barreto
Roteiro: Bráulio Mantovani (Cidade de Deus)
Elenco: Douglas Silva (Patola), André Ramiro (Comandante Souza), Michel Gomes (Sandro Nascimento)

Sinopse: A história de Sandro Nascimento, rapaz morador de uma favela do Rio de Janeiro que, no ano 2000, fez o Brasil parar diante da TV ao seqüestrar um ônibus no bairro Jardim Botânico.

 
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No dia 12 de junho de 2000, enquanto o Brasil estava parado em frente à TV, eu estava na escola estudando. Era o segundo ano do Ensino Médio lá no Ernani Cardoso, que na época já era o MV1 de Cascadura. Quando cheguei em casa só peguei os últimos e derradeiros momentos daquele trágico episódio do seqüestro do ônibus 174.

Naquela tarde o bandido Sandro do Nascimento abordou um ônibus da linha 174 e sequestrou os passageiros, durante intermináveis quatro horas. O BOPE iniciou os trabalhos de negociação, sem sucesso. O final, todos lembramos, foi trágico: uma mulher feita foi morta por um integrante do BOPE.

Essa versão oficial e das imagens da imprensa todos nós vimos. Depois, com o documentário Ônibus 174, de José Padilha, vimos uma outra versão, mostrando o episódio sob o ponto de vista do “adolescente excluído pela sociedade”. E agora, como podemos ver no trailer, a história voltará a ser contada sob o ponto de vista do Sandro Nascimento.

Quando ouvi falar desse filme no ano passado, esperava que dessa vez que teríamos o episódo contado sob a ótica dos policiais. Numa matéria da revista Soldado da Fortuna, sobre o BOPE, o Capitão Bushnello, à época integrande do batalhão, contou com todas as letras; receberam ordens de NÃO atirar, pois isso ficaria feio na TV, não convinha para a imagem do governo do estado. O responsável pelas ordens: o senhor Anthony Garotinho. Compactuo com a opinião do Cardoso: Garotinho é o responsável pela morte da professora Geisa. Vai ficar faltando esta versão.

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Filme de Bruno Barreto deve ser lançado em outubro - 24/07/2008 15:42

 

A Paramount Pictures anunciou que vai lançar ainda neste semestre Última Parada 174, novo filme de Bruno Barreto (O Que é Isso Companheiro?, Caixa Dois). A data ainda não está definida, mas rumores apontam que a estréia vai ocorrer em outubro, seguindo o exemplo de Tropa de Elite. É provável que o longa faça sua pré-estréia durante o Festival do Rio, que acontece no final de setembro.

 

Quem interpreta Sandro é o jovem Michel Gomes (ele participou de Cidade de Deus no papel de Bené na infância). O filme acompanha toda a trajetória do rapaz, inclusive sua sobrevivência na Chacina da Candelária, ocorrida em 23 de julho de 1993. Douglas Silva (Cidade dos Homens) faz um dos amigos de Sandro que morreram naquela ocasião. Outro rosto já conhecido do público é de André Ramiro, de Tropa de Elite, que aqui vive o comandante Souza, responsável pela negociação com Sandro durante o seqüestro.

 

Confira o primeiro trailer do filme:fonte: cinenews

 

As imagens do trailers são forte mosta os momentos derradeiro do ônibus 174, está e uma história que eu quero muito ver nos cinemas e espero que Barreto consiga retratar todo o drama de Sandro e os motivos que os seus a últimos atos de agonia e a trágedia anuciada. E uma história triste merece ser vista.


     
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Filme de Bruno Barreto é confirmado no Festival de Toronto
(15/08/2008 - 15h21)

Da Redação www.cineclick.com.br

 

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Cena de Última Parada 174
O filme Última Parada 174, do diretor Bruno Barreto (Bossa Nova), foi selecionado para participar do Festival de Toronto, Canadá, deste ano. O evento vai ocorrer entre os dias 4 e 13 de setembro.

Última Parada 174 é o único longa latino-americano selecionado para a sessão Special Apresentations. Também serão exibidos nesta mostra Che, de Steven Soderbergh; Synecdoche, New York, de Charlie Kaufman; The Wrestler, de Darren Aronofsky; Me and Oson Welles, de Richard Linklater; Genova, de Michael Winterbottom, e 35 Rhums, de Claire Denis.

O roteiro conta a história de Sandro do Nascimento, ex-menino de rua que seqüestrou um ônibus no Rio de Janeiro por cinco horas.

Ocorrido em 12 de julho 2002, o crime foi acompanhado de forma dramática pelos brasileiros por meio da TV e, no mesmo ano, rendeu o documentário Ônibus 174, que colocou o nome de José Padilha (Tropa de Elite) sob os holofotes da produção cinematográfica nacional. O desconhecido Michel Gomes é quem interpreta Sandro no longa-metragem, cujo roteiro é assinado por Bráulio Mantovani (Cidade de Deus).

O filme retrata a história de vida de Sandro, sobrevivente da chacina da Candelária que manteve reféns dentro do ônibus 174, Rio, em junho de 2000. Uma professora foi morta e o próprio Sandro acabou morrendo também depois de se entregar.

O diretor Bruno Barreto e os atores Michel Gomes (que interpreta o seqüestrador do ônibus) e Cris Vianna (que vive um personagem inspirado em Yvonne Bezerra de Mello, fundadora do projeto Uerê) vão representar o longa no festival.

Última Parada 174 vai abrir o Festival do Rio 2008 no dia 25 de setembro e será lançado em todo o Brasil pela Paramount Pictures dia 24 de outubro.
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Novo filme de Bruno Barreto terá estréia no Festival de Toronto

'Última parada - 174' é baseado na história real do seqüestrador de um ônibus, no Rio.
Festival de Toronto terá início em 4 de setembor, com filmes de todos os cantos do mundo.

Foto

Cena de ''Última parada - 174''

 

O Festival Internacional de Cinema de Toronto anunciou uma série de filmes que farão sua estréia durante o evento, incluindo o brasileiro "Última parada - 174", de Bruno Barreto. O festival começa em 4 de setembro.

 

"Última parada - 174" é um filme de ficção baseado na história real de um sobrevivente de uma chacina no Rio de Janeiro que anos mais tarde sequestra um ônibus. A história foi contada no documentário "Ônibus 174", de José Padilha.


Além do diretor, os atores Michel Gomes, que interpreta o seqüestrador do ônibus 174, e Cris Vianna, que faz uma personagem inspirada na mãe adotiva de Sandro, vão representar o filme no Canadá. ''Última parada - 174'' será também o filme de abertura do Festival do Rio 2008, exibido no dia 25 de setembro.

Entre as outras estréias que foram anunciadas recentemente estão "The brothers Bloom", de Rian Johnson, estrelado por Adrien Brody e Mark Ruffalo; a co-produção americano-britânica "Easy virtue", de Stephen Eliot, com Colin Firth, Jessica Biel e Kristin Scott Thomas, e "Genova", de Michael Winterbottom, protagonizada por Colin Firth e Hope Davis.


 

Outros filmes que farão sua estréia mundial em Toronto incluem "Me and Orson Welles", de Richard Linklater, "Aide-toi et le ciel t'aidera", do diretor francês François Dupeyron, e "Un Barrage center le pacifique", de Rithy Pahn.


 

Outros destaques da programação são "Slumdog millionaire", de Danny Boyle, "Is there anybody there", de John Crowley e com Michael Caine no elenco, a comédia romântica "Management", de Stephen Belber, "A woman in Berlin", do diretor alemão Max Farbebock, e "Zack and Miri make a porno", de Kevin Smith, estrelado por Seth Rogen e Elizabeth Banks.


 

"Stone of destiny", estrelado por Robert Carlyle e com direção de Charles Martin Smith, encerrará o festival em 13 de setembro.

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Olha eu botaria fé nesse filme se fosse comandado pelo Walter Salles, pelo Andrucha Waddington ou até pelo Fernando Meirelles mesmo ... mas Bruno Barreto ... 12

 

O documentário é sensacional, completo, oferece um panorama extraordinário, marcante e impactante sobre a nossa trágica sociedade ... não sei o que esperar desse aqui ... mas que tá me cheirando a um draminha pé de chinelo, ah tá ...

 

PS: Espero estar enganado tanto que irei conferir ...03
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  • 2 weeks later...

"'Última Parada 174' é uma história humana", diz Bruno Barreto

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"Última Parada 174" foi rodado há um ano, no Rio de Janeiro. E reproduz com fidelidade os momentos em que Sandro, interpretado por Michel Gomes, do grupo Nós do Morro, seqüestra o ônibus e faz reféns os passageiros da linha 174. UOL Cinema assistiu às filmagens da cena em que o seqüestrador e a personagem de Geísa Firmo Gonçalves saem do ônibus e levam tiros de um grupo de soldados. A equipe escolheu o local exato onde a tragédia aconteceu, em frente ao Jardim Botânico.

Bruno Barreto, que conversou com a reportagem entre as filmagens dos planos, conta que se inspirou no documentário "Ônibus 174", o filme que projetou José Padilha como cineasta, para fazer "Última Parada 174". "Na ocasião da tragédia, eu morava nos Estados Unidos e só havia lido sobre o assunto", disse ele. "E me inspirou de uma maneira indireta, porque o meu filme está totalmente na contramão do documentário, que tem uma estrutura de thriller. O meu filme é uma história humana, na qual o [seqüestro do] ônibus 174 é apenas o climax."

"Última Parada 174", de Bruno Barreto, traz no elenco Michel Gomes, Cris Vianna, Marcello Mello Jr. e Douglas Silva. A estréia está prevista

para o dia 24 de outubro em âmbito nacional.

 

 

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Bruno Barreto observa Michel Gomes no papel de Sandro Nascimento em ensaiod de uma cena

 

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Bruno Barreto estuda que enquadramento usar no rosto de Michel Gomes, ator que interpreta Sandro Nascimento

 

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Ricardo Blat (à esq.), preparador de atores, observa Bruno Barreto conversar com os atores de"Última Parada 174"

 

Apesar de ter o elogiadíssimo e premiado documentário de Jose Padilha, ainda tenho vontade e fé que Barreto possa mostrar os desdoblamentos que levaram Sandro a cair na marnalidade.

Quero ver o lado humano do personagem, o engraçado que na época da trágedia minha professora de português(a única) disse que o Sandro estava assustado e não queria matar ninguém e foi só uma vitima do sistema.

Agora quero ter a oportunidade de ver a história a fundo.03
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Ator brasileiro tem visto negado para Festival de Toronto, diz jornal

Michel Gomes, morador do Complexo do Alemão, é protagonista de 'Última Parada - 174', filme de Bruno Barreto

 

Divulgação/Divulgação

Cena de 'Última Parada - 174'

O diretor Bruno Barreto está encarando um contratempo para a pré-estréia do filme "Última Parada - 174" no Festival de Toronto. O ator Michel Gomes, protagonista do longa e morador do Complexo do Alemão, teve o visto negado pelo consulado do Canadá por não ter declarado o imposto de renda, informa a coluna da Mônica Bergamo, no jornal "Folha de São Paulo".

 "Última Parada - 174" é a versão de Barreto para o seqüestro do ônibus 174 no Rio de Janeiro, em 2000. Michel interpreta o assaltante Sandro do Nascimento que, após fazer os passageiros de reféns por horas, foi morto pela polícia carioca.

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  • 3 weeks later...

ESTÁ NOTICIA VAI PARA OS PESSIMITAS06 E ISSO AÍ BARRETO MOSTRA VERDADEIRA HISTORIA DE SANDRO03

 

Última Parada 174 é sucesso de público e crítica em Toronto

Por Arthur Melo

15/09/2008

 

O filme brasileiro "Última Parada 174", do diretor Bruno Barreto, foi um enorme sucesso na Mostra "Special Presentations", em Toronto. Além de ter garantido sessões lotadas até o fim da tarde, o longa arrancou elogios da crítica especializada que compareceu às sessões.

 

O jornal Globe and Mail, o principal de Toronto, disse que "o diretor Bruno Barreto e o roteirista Braulio Mantovani criaram um emaranhado de causas e efeitos sociais pelo Rio de Janeiro e destruíram a linha entre criminosos e vítima", oferecendo três estrelas ao filme.

Já a revista britânica Screen comentou que o diretor soube utilizar bem o visual de drama urbano, fugindo da previsibilidade; sem contar o bom desempenho dos atores iniciantes.

 

A produção chegou a ser classificada por alguns como o melhor trabalho de Bruno Barreto desde "Dona Flor e Seus Dois Maridos", como o site americano de cinema IndieWire, que comentou também que "Última Parada 174" não possui momentos falsos.

 

O filme, que marcará a abertura do Festivaldo Rio 2008 no dia 25 de setembro, relembra o terrível fato ocorrido no Rio de Janeiro em 2000, quando o jovem Sandro do Nascimento (um sobrevivente da chacina da Candelária) seqüestrou um ônibus no bairro do Jardim Botânico. Tendo uma professora sob sua mira como refém, a polícia disparou e matou os dois, chocando milhões de pessoas pelo país que acompanharam tudo pela TV.

 

O lançamento nacional, pela Paramount Pictures, será em 24 de outubro. "Última Parada 174" é uma co-produção franco-brasileira da Moonshot Pictures, Movie&art, Mact Productions, Paramount Pictures e Globo Filmes com participação do Canal+

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Oscar 2009 - "Última Parada 174", de

Bruno Barreto, é escolhido para representar o Brasil na disputa do

prêmio de melhor filme estrangeiro

 

 

da Redação

 

 

 

 

 

Foto: Divulgação
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 ico_seta.gif Cena de "Última Parada 174", de Bruno Barreto

O Ministério da Cultura (MinC) acaba de divulgar que o filme "Última Parada 174", de Bruno Barreto,

foi o escolhido para representar o Brasil na disputa de uma vaga no

Oscar 2009. A produção agora será inscrita na Academia de Artes e

Ciências Cinematográficas e irá concorrer com mais 89 filmes. Apenas

cinco serão escolhidos, quando estes irão disputar pela estatueta

dourada do Oscar. A cerimônia do Oscar acontece no dia 7 de fevereiro

de 2009.

 

 

 

"Última Parada 174" é um drama baseado em fatos reais sobre a vida dde

Sandro do Nascimento, menino de rua que sobreviveu à chacina da

Candelária e, em 2000, sequestrou um ônibus no Rio de Janeiro. Tendo

uma moça como refém na mira de seu revólver, a polícia - atiradores de

elite - acabou disparando e matando os dois. O fato foi transmitido

pela TV. Em 2002 o diretor José Padilha, de "Tropa de Elite",

transformou a história no documetário "Ônibus 174".

 

 

 

Oficialmente, o filme "Última Parada 174" chega aos cinemas brasileiros

somente no dia 10 de outubro. Mas para cumprir a uma regra da Academia,

os produtores tiveram de colocar o filme em cartaz em apenas uma sala -

na cidade de Jundiaí, no interior de São Paulo. De acordo com a

determinação da Academia, o filme escolhido pelo país convidado deve

obrigatoriamente ter sido exibido em circuito comercial por sete dias

consecutivos.

 

 

 

O Ministério da Cultura escolheu "Última Parada 174" a partir de uma

lista com 14 filmes brasileiros. Todos de ótima qualidade, a lista

incluía, entre outros, "Meu Nome Não é Johnny", de Mauro Lima; "A Casa de Alice", de Chico Teixeira; e "Chega de Saudade", de Laís Bodanzky.

 

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Vi o trailer neste fim de semana, no cinema, antes de Efeito Dominó.

 

Não esperava algo tão impactante. Aquelas cenas iniciais me fizeram lembrar o trailer de Munique. É a melhor prévia de um filme nacional que já vi, embora eu não tenha visto muitas...

 

Sem dúvida, Barreto poderá causar comoção social com este filme. Tomara que o longa completo seja tão poderoso quanto as imagens mostradas no trailer. Quero muito assistir. O interesse subiu de 1 a 10 em questão de um ou dois minutos.

 

 

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'O ônibus 174 é o nosso 11 de setembro' diz Bruno Barreto

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"Última parada 174" é o candidato brasileiro a uma vaga no Oscar.
Diretor espera que o filme faça espectadores refletirem sobre a violência.

Bruno Barreto, diretor do filme “Última parada 174”, que nesta terça-feira (16) foi anunciado como o candidato brasileiro a uma vaga no Oscar , defende que o longa “não é sobre um episódio violento, mas sobre as conseqüências da violência”. “O ônibus 174 é o nosso 11 de setembro”, comparou o cineasta em entrevista ao canal Globonews.

O filme é baseado na história real de Sandro Barbosa do Nascimento, sobrevivente da chacina da Candelária, ocorrida em 1993 no Rio de Janeiro, e que sete anos mais tarde seqüestra um ônibus. A tragédia também foi contada no documentário “Ônibus 174”, de José Padilha. 

 “O filme é história, a construção e a trajetória de como um menino meigo, comum se torna o inimigo público número 1”, explicou Barreto. “É também a história de uma mãe que o adotou como filho. O que me interessou mais foi o drama humano e não o episódio violento que ele se torna no final”.

Empolgado com a indicação do Ministério da Cultura –
o filme venceu 14 produções nacionais – Barreto espera que “Última parada 174” faça com que “o espectador reflita”. "Espero que as pessoas consigam ver que com este episódio todos nós perdemos, não só o Sandro, não só a estudante que ele matou. Todos nós que estávamos vendo aquele episódio na televisão, milhões de brasileiros". 


Bráulio Mantovani, produtor do filme, foi informando da indicação de “Última para 174” pelo G1. “Estou muito orgulhoso. Este ano o que não faltavam eram ótimos filmes nacionais para serem escolhidos”, comemorou o produtor. 

Mantovani conta que foram muitas as dificuldades para angariar recursos para a produção. “Demoramos muitos anos para concretizar o projeto, foram várias negativas em editais, patrocinadores...”, revelou.

O produtor destacou a boa atuação do ator Michel Gomes, do grupo Nós no Morro, que interpreta o protagonista de “Última parada 174". “Eu vi o Michel começar ainda criança e agora veio esse amadurecimento como ator. Fico cheio de orgulho”.

Aos 13 anos, o ator fez sua estréia no cinema como o menino Bené, em “Cidade de Deus”, dirigido por Fernando Meirelles e também produzido por Mantovani.

 

E isso aí Barreto e para frente Brasil 03
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Revista especializada critica Última Parada 174
(18/09/2008 - 12h54)

Da Redação www.cineclick.com.br

 

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Cena de Última Parada 174
A Variety, revista especializada em cinema e influente em Hollywood, divulgou a crítica de Todd McCarthy ao filme Última Parada 174, representante do Brasil na disputa por uma vaga aos indicados ao prêmio de Melhor Filme de Língua Estrangeira no Oscar 2009.

O crítico diz que o longa mostra "uma vida profundamente problemática e cheia de perdas de familiares, mas acrescenta pouco aos muitos filmes já produzidos que retratam a pobreza e o desespero na camada social mais baixa do Brasil".

O roteiro conta a história de Sandro do Nascimento, ex-menino de rua que seqüestrou um ônibus no Rio de Janeiro por cinco horas. Ocorrido em 12 de julho 2002, o crime foi acompanhado de forma dramática pelos brasileiros por meio da TV e, no mesmo ano, rendeu o documentário Ônibus 174, que colocou o nome de José Padilha (Tropa de Elite) sob os holofotes da produção cinematográfica nacional.

O desconhecido Michel Gomes é quem interpreta Sandro no longa-metragem, cujo roteiro é assinado por Bráulio Mantovani (Cidade de Deus). Este longa retrata a história de vida de Sandro, sobrevivente da chacina da Candelária, que manteve reféns dentro do ônibus 174, no Rio de Janeiro, em junho de 2000. Uma professora foi morta e o próprio Sandro acabou morrendo também depois de se entregar.

McCarthy ressalta que o documentário de Padilha é excelente e afirma que, graças à produção de 2002, o espectador sente "uma bocejante sensação de déjà vu durante todo o filme". O crítico continua, dizendo que isso "pode funcionar" no Brasil, mas que não faz o filme "viajar para longe" de seu país de origem.

O autor da crítica ainda diz que "o final trágico é anunciado durante todo o filme" e que Última Parada 174 deveria "fazer mais do que apenas incentivar a simpatia e a compreensão" aos menos favorecidos. McCarthy também critica as legendas do filme em inglês, afirmando que uma palavra de uma das principais cenas do longa está escrita errada. O crítico diz que a palavra "lynch" está escrita linch, com i, na cena que um personagem fala "Lynch him!" (linche-o, em tradução literal).

Apesar de repreender a produção, Todd McCarthy declara que os "jovens atores e as locações nas ruas têm vitalidade", mesmo que os "papéis secundários dos adultos pareçam caricatos".

Dirigido por Bruno Barreto (Caixa Dois), Última Parada 174 abrirá o Festival do Rio no dia 25 de setembro e estréia em 24 de outubro nos cinemas; o filme teve sua primeira exibição no Festival de Toronto (Canadá), encerrada no último sábado (13/9).

O Cineclick entrou em contato com a produtora Moonshot Pictures e com a assesoria do filme, que não souberam dar maiores informações sobre o erro na legenda do longa. A assessoria afirmou que não é responsável pela legendagem da produção.
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Barreto: Fiquei muito contente com a indicação
(18/09/2008 - 18h43)

Por Angélica Bito www.cineclick.com.br

 

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Barreto nas filmagens de
Última Parada 174
Nesta semana, o Ministério da Cultura (MinC) escolheu o filme Última Parada 174 para representar o Brasil junto ao prêmio da Academia de Artes e Ciências Cinematográficas de Hollywood. Desta forma, ele pode ser um dos cinco indicados ao Oscar de Melhor Filme Estrangeiro na premiação.

O Cineclick conversou com o diretor Bruno Barreto por telefone e ele se mostrou bastante animado com a "indicação à indicação", como ele mesmo definiu: "Fiquei muito contente, claro". "É claro que tenho expectativas, é um filme do qual gosto muito. Não adoro todos os filmes que fiz, gosto somente de dois - Romance da Empregada (1987) e Atos de Amor (1996) -, acho que este será o terceiro.", compara o diretor. "Tenho uma certa expectativa, mas também não sei quais são os outros concorrentes, é esperar e ver", pondera.

Além de Última Parada 174, outros 13 títulos foram inscritos por seus produtores para representarem o Brasil junto ao prêmio. Foram eles: A Casa de Alice, de Chico Teixera; A Via Láctea, de Lina Chamie; Chega de Saudade, de Laís Bodanski; Era Uma Vez, de Breno Silveira; Estômago, de Marcos Jorge; Meu Nome não é Johnny, de Mauro Lima; Mutum, de Sandra Kogut; Nossa vida não cabe num Opala, de Reinaldo Pinheiro; Olho de Boi, de Hermano Penna; Onde andará Dulce Veiga?, de Guilherme de Almeida Prado; O Passado, de Hector Babenco; Os Desafinados, de Walter Lima Júnior; e O Signo da Cidade, de Carlos Alberto Riccelli.

"Hoje em dia, é tão difícil fazer com que seu filme tenha visibilidade no circuito nacional; a melhor coisa disso tudo é a exposição que o filme está tendo antes de ser lançado", comemora o diretor. Última Parada 174 ainda não estreou em circuito comercial no Brasil, mas, para poder ser inscrito junto ao MinC para poder representar o Brasil junto ao Oscar, entrou em cartaz durante uma semana em Jundiaí, cidade do interior de São Paulo. A mesma tática foi adotada pelos produtores de Tropa de Elite ano passado, mas o filme de José Padilha não representou o Brasil junto à Academia, perdendo a vaga para O Ano em que Meus Pais Saíram de Férias. "Não houve tempo para preparar o filme para um lançamento, ele acabou de ficar pronto", explica Barreto. "O lançamento é algo que leva no mínimo quatro meses e não teríamos tempo para isso", afirma. !Não existe nada de ilegal ou errado, ninguém está dando volta na regra, nos Estados Unidos isso é feito o tempo todo; não é uma estratégia maquiavélica", defende-se. "Por ouro lado, inscrever o filme para o Oscar de 2010 faria com que ele ficasse meio velho", conclui.

Última Parada 174 abrirá o Festival do Rio no dia 25 de setembro e estréia em 24 de outubro; o filme teve sua primeira exibição no Festival de Toronto (Canadá. O roteiro conta a história de Sandro do Nascimento, ex-menino de rua que seqüestrou um ônibus no Rio de Janeiro por cinco horas. Ocorrido em 12 de julho 2002, o crime foi acompanhado de forma dramática pelos brasileiros por meio da TV e, no mesmo ano, rendeu o documentário Ônibus 174, que colocou o nome de José Padilha (Tropa de Elite) sob os holofotes da produção cinematográfica nacional. O desconhecido Michel Gomes é quem interpreta Sandro no longa-metragem, cujo roteiro é assinado por Bráulio Mantovani (Cidade de Deus). Este longa retrata a história de vida de Sandro, sobrevivente da chacina da Candelária que manteve reféns dentro do ônibus 174, Rio, em junho de 2000. Uma professora foi morta e o próprio Sandro acabou morrendo também depois de se entregar.

Última Parada 174 ainda passará por uma seleção da Academia e em 22 de janeiro de 2009 serão divulgados os indicados à premiação. A 81ª edição do Oscar ocorre no dia 22 de fevereiro de 2009 no teatro Kodak, em Los Angeles (EUA).
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Do G1, ótima critica...

 

Crítica: ‘Última parada 174’ transforma criminoso em vítima

 

Longa de Bruno Barreto abre nesta quinta (25) o Festival do Rio.

Filme foi escolhido pelo Brasil para disputar vaga no Oscar 2009.

 

Luciano Trigo Especial para o G1, no Rio

 

Por se tratar de uma ficção, ainda que “baseada em fatos reais”, não convém julgar “Última parada 174” pelas liberdades que o cineasta Bruno Barreto toma em relação à verdade. Aliás, quem quiser ver um documentário sobre o episódio, um dos mais tristes da crônica policial do Rio de Janeiro, deve assistir ao ótimo “Ônibus 174”, dirigido por José Padilha em 2002. Não deixa de ser incômodo, porém, que o filme de Barreto, que abre nesta quinta-feira (25) o Festival do Rio em sessão apenas para convidados, praticamente ignore a existência da segunda protagonista da tragédia – a vítima, Geísa Firmo Gonçalves, uma professora de 20 anos usada como escudo pelo seqüestrador Sandro, depois de passar horas de horror sob a mira de um revólver, com o resultado que todos conhecem.

 

Esse “apagamento” tem uma explicação: o filme elegeu outra vítima, um jovem “inocente”, um coitadinho que a injustiça social transformou em bandido, se é que ele pode ser chamado assim: o próprio Sandro. Uma segunda vítima perturbaria o delicado equilíbrio da narrativa, que já enfrenta o difícil desafio de estabelecer alguma empatia entre o espectador e o protagonista. O êxito do filme depende dessa empatia – e, de certa forma, “Última parada 174” é bem-sucedido, graças a um roteiro engenhoso, que explora a relação simbólica entre mãe e filho (e o trauma de sua ausência), e à boa interpretação do ator Michel Gomes, em meio a um elenco desigual. Curiosamente, esses elementos reforçam o caráter ficcional da obra: sendo um filme de tese, a realidade importa pouco, ou só importa na medida em que ela ilustra o que se quer dizer.

 

E qual é a mensagem? Trata-se da velha equação que explica e justifica a violência e a criminalidade com base na desigualdade e na miséria. Sandro comeu o pão que o diabo amassou, é verdade, mas isso não eliminou sua liberdade de escolha. Fosse assim, todos os miseráveis seriam ladrões, assassinos ou traficantes. Esse discurso da vitimização que contamina “Última parada 174” – e muitos outros filmes brasileiros recentes, de temática social – tem algumas características preocupantes.

saiba mais

 

A primeira é a relativização dos valores: num mundo em que todos são vítimas, não existem culpas nem responsabilidades individuais; se por trás de toda violência existem outras violências igualmente bárbaras, é isso acontece com freqüência, não resta muito a fazer enquanto existirem desigualdades: quem aperta o gatilho e quem leva o tiro são semelhantes, matar e morrer são apenas duas faces da mesma moeda. Segunda: ao reduzir o espectador a uma imobilidade impotente, ao privá-lo de sua capacidade de discernir o certo do errado, o filme tem uma função terapêutica e catártica: expiar a culpa histórica das elites (e também das classes médias) em relação às camadas mais desfavorecidas da população brasileira.

 

Um dia alguém escreverá uma tese sobre o fascínio que a violência e a miséria exercem sobre os cineastas brasileiros deste começo de século, e como isso afeta a leitura que eles fazem da tragédia urbana brasileira – e nessa tese “Última parada 174” ocupará um lugar de destaque. Pena que dificilmente alguém venha a dirigir um filme sobre a personagem esquecida, que revelaria outra dimensão da tragédia: Geísa, uma moça que também nasceu na pobreza, deixou o interior do Ceará para tentar a vida no Rio, morava na Rocinha e dava aulas para crianças, por um salário de R$ 300. Uma jovem cuja trajetória de superação só foi interrompida, de forma estúpida, pelo acaso de estar no mesmo ônibus que Sandro - “a maior vítima dessa história”, como explicita uma passageira do ônibus, para não deixar dúvidas.

 

Fonte: http://g1.globo.com/Noticias/Cinema/0,,MUL773618-7086,00-CRITICA+ULTIMA+PARADA+TRANSFORMA+CRIMINOSO+EM+VITIMA.html

 

 

 

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Barreto diz que chamar filme de " favela movie" e um problema

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SILVANA ARANTES

FOLHA DE SÃO PAULO

 

Última Parada 174" é um filme de ficção de Bruno Barreto inspirado pelo documentário "Ônibus 174" (2002), de José Padilha, que em seguida dirigiu "Tropa de Elite" (2007).

 

A partir do documentário de Padilha sobre Sandro Nascimento, o garoto de rua que seqüestrou o coletivo 174, no Rio de Janeiro, em 2000, e morreu nas mãos da polícia, no desfecho do episódio, Barreto viu a possibilidade de filmar "um Charles Dickens nas ruas do Rio", conforme ele diz.

O diretor planejou, portanto, rodar um drama clássico sobre orfandade, vínculo afetivo e construção de identidade sob violência, depois de dirigir a comédia romântica "O Casamento de Romeu e Julieta" e a comédia moral "Caixa Doi$", ambos filmados em São Paulo.

Pedra no sapato"

Como a geografia do Rio divide-se entre "o asfalto" e "o morro" e a cidade é palco da infindável "guerra do tráfico" retratada em diversos filmes desde "Cidade de Deus" (2002), Barreto admite ter no pano de fundo da saga de seu protagonista "um problema, uma pedra no sapato", que é a hipótese de o título ser visto como mais um "favela movie", perfil ao qual o público brasileiro começa a dar as costas.

A associação foi feita por parte da crítica norte-americana, após as exibições de "Última Parada 174" no Festival de Toronto, neste mês.

A revista "Hollywood Reporter", por exemplo, classificou o filme como "uma visão demasiadamente familiar da pobreza e da violência nas favelas do Rio".

Barreto diz ter ouvido de um executivo da distribuidora Sony Classics a dúvida: "Será que os críticos vão conseguir ver que não é um outro "Cidade de Deus", que é exatamente o caminho inverso?".

O cineasta acha "compreensível" que críticos estrangeiros façam essa aproximação, mas afirma: "Se algum crítico aqui vir dessa forma, está míope".

O diretor julga que seu filme é "exatamente o oposto" de "Cidade de Deus", cujo roteirista, Bráulio Mantovani, ele convidou para escrever "174 - Última Parada".

"Adoro "Cidade de Deus". Acho um marco no cinema mundial. Agora, é um grande afresco, não se propõe a dissecar os sentimentos. É um épico. Meu filme é exatamente o oposto. É um épico do coração, intimista", afirma.

Da mesma forma que em "Cidade Deus", parte do elenco de "Última Parada 174", é formada por atores não-profissionais selecionados em bairros pobres. Para Barreto, dirigir não-profissionais significou um "desafio existencial" de aprender a "abrir mão da necessidade de controle", já que o improviso é incorporado como método nesse tipo de trabalho.

A preparação do elenco começou a ser feita por Fátima Toledo ("Cidade de Deus"), mas Barreto decidiu interromper o trabalho com ela e retomá-lo com os irmãos Ricardo Blat e Rogério Blat.

"Não dei certo com a Fátima, porque o método dela é o mesmo para todos os filmes. Não a estou criticando, apenas constatando. O maior prazer que tenho ao filmar é dirigir o ator. Ele tinha que vir preparado, mas não pronto. Com a Fátima, ele vem quase pronto. O diretor pode intervir muito pouco", afirma o cineasta.

Com orçamento de R$ 8 milhões, "Última Parada 174" é o primeiro filme em que Barreto atuou também como produtor. A Filmes do Equador, de seus pais, Lucy e Luiz Carlos Barreto, não se animou com o projeto na origem, o que não diminuiu sua confiança.

"Fiz esse filme sem medo de errar", diz. Barreto considerou o périplo em busca de patrocínio como "um bom batismo". "Eu estava mal acostumado, mimado, porque nunca tive que fazer isso."

VALEU BARRETO

 

Também acho um saco rotularem os filmes nacionais 11 especialmente quando a trama enfoca violência e marginalidade.

Foi assim com Cidade dos Homens e Era uma vez(Breno Silveira) que são excelentes filmes mas são sempre comparado com Cidade de Deus ou Tropa de Elite.

 

Acho que cada caso e um caso e a maiora da população brasileira e mesmo pobre por isso nunca há de faltar no cinema nacional histórias como a de Sandro e etç03
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Do G1' date=' ótima critica...


Crítica: ‘Última parada 174’ transforma criminoso em vítima

Longa de Bruno Barreto abre nesta quinta (25) o Festival do Rio.
Filme foi escolhido pelo Brasil para disputar vaga no Oscar 2009.


Luciano Trigo Especial para o G1, no Rio

Por se tratar de uma ficção, ainda que “baseada em fatos reais”, não convém julgar “Última parada 174” pelas liberdades que o cineasta Bruno Barreto toma em relação à verdade. Aliás, quem quiser ver um documentário sobre o episódio, um dos mais tristes da crônica policial do Rio de Janeiro, deve assistir ao ótimo “Ônibus 174”, dirigido por José Padilha em 2002. Não deixa de ser incômodo, porém, que o filme de Barreto, que abre nesta quinta-feira (25) o Festival do Rio em sessão apenas para convidados, praticamente ignore a existência da segunda protagonista da tragédia – a vítima, Geísa Firmo Gonçalves, uma professora de 20 anos usada como escudo pelo seqüestrador Sandro, depois de passar horas de horror sob a mira de um revólver, com o resultado que todos conhecem.

Esse “apagamento” tem uma explicação: o filme elegeu outra vítima, um jovem “inocente”, um coitadinho que a injustiça social transformou em bandido, se é que ele pode ser chamado assim: o próprio Sandro. Uma segunda vítima perturbaria o delicado equilíbrio da narrativa, que já enfrenta o difícil desafio de estabelecer alguma empatia entre o espectador e o protagonista. O êxito do filme depende dessa empatia – e, de certa forma, “Última parada 174” é bem-sucedido, graças a um roteiro engenhoso, que explora a relação simbólica entre mãe e filho (e o trauma de sua ausência), e à boa interpretação do ator Michel Gomes, em meio a um elenco desigual. Curiosamente, esses elementos reforçam o caráter ficcional da obra: sendo um filme de tese, a realidade importa pouco, ou só importa na medida em que ela ilustra o que se quer dizer.

E qual é a mensagem? Trata-se da velha equação que explica e justifica a violência e a criminalidade com base na desigualdade e na miséria. Sandro comeu o pão que o diabo amassou, é verdade, mas isso não eliminou sua liberdade de escolha. Fosse assim, todos os miseráveis seriam ladrões, assassinos ou traficantes. Esse discurso da vitimização que contamina “Última parada 174” – e muitos outros filmes brasileiros recentes, de temática social – tem algumas características preocupantes.
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A primeira é a relativização dos valores: num mundo em que todos são vítimas, não existem culpas nem responsabilidades individuais; se por trás de toda violência existem outras violências igualmente bárbaras, é isso acontece com freqüência, não resta muito a fazer enquanto existirem desigualdades: quem aperta o gatilho e quem leva o tiro são semelhantes, matar e morrer são apenas duas faces da mesma moeda. Segunda: ao reduzir o espectador a uma imobilidade impotente, ao privá-lo de sua capacidade de discernir o certo do errado, o filme tem uma função terapêutica e catártica: expiar a culpa histórica das elites (e também das classes médias) em relação às camadas mais desfavorecidas da população brasileira.

Um dia alguém escreverá uma tese sobre o fascínio que a violência e a miséria exercem sobre os cineastas brasileiros deste começo de século, e como isso afeta a leitura que eles fazem da tragédia urbana brasileira – e nessa tese “Última parada 174” ocupará um lugar de destaque. Pena que dificilmente alguém venha a dirigir um filme sobre a personagem esquecida, que revelaria outra dimensão da tragédia: Geísa, uma moça que também nasceu na pobreza, deixou o interior do Ceará para tentar a vida no Rio, morava na Rocinha e dava aulas para crianças, por um salário de R$ 300. Uma jovem cuja trajetória de superação só foi interrompida, de forma estúpida, pelo acaso de estar no mesmo ônibus que Sandro - “a maior vítima dessa história”, como explicita uma passageira do ônibus, para não deixar dúvidas.


Fonte: http://g1.globo.com/Noticias/Cinema/0,,MUL773618-7086,00-CRITICA+ULTIMA+PARADA+TRANSFORMA+CRIMINOSO+EM+VITIMA.html


 

a critica dele falha justamente no ponto que ele mais critica. Dizer que a pobreza que permeia mais de 500 anos do país não é a verdadeira culpada pela violência do país é tão ou mais ficticio que qualquer filme. A desigualdade é sim a grande culpada pelo quadro que vivemos hoje, e essa mania de representantes da sociedade querer estabelecer vilões e herois, como se vivessemos em uma história de quadrinhos(que faz dessa idéia de dois lados separados a sua verdadeira razão de existência) é de uma superficialidade e mesmo fuga da realidade completa.

 

Entendo que as escolhas são de cada um, mas as escolhas de cada um são influênciadas pelo meio, e o meio que grande parte da sociedade brasileira vive, é revoltante. Em outros países, em outros momentos, seria motivo de uma grande revolta, e ai a violência explodiria em uma guerra cívil.
Gustavo Adler2008-09-25 17:18:45
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ai' date=' la vem mais discussos sociologicas sobre a violencia e o caos no brasil por causa de um filme, o q é legal, mas e o FILME?artisticamente falando presta?as atuaçoes sao boas?a trama vale a pena?"tropa de elite" 2 a missao, aff. [/quote']

 

Mas se o filme fala sobre todas essas discussões, discutir a arte do filme é discutir esses temas 03

a não ser que queiram se manter rasos
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