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Pablo, porque deu 4 estrelas? Quais são os aspectos negativos deste filme?

Sou novo no fórum, e gostaria de lhe dizer que é incrível como uma crítica sua, sendo negativa ou positiva, influencia em minhas escolhas para o fim de semana (quase sempre orientado pela 7ª Arte).

 

Abraço.

 

TIAGO S. MANCIN - JUNDIAÍ/SP
grond2008-09-05 14:48:50
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Ótima crítica, mas talvez eu discorde um pouco da idéia de crueldade referente ao Pastor.

Me passa pela cabeça que pode ser que essa perspectiva relacionada a não-cura ser "culpa" da fé pequena da vítima e não de Deus seja algo em que ele de fato acredite e não representativo de uma suposta conotação negativa para o personagem (um pouco pesado o termo crueldade ímpar, acho).

 

Embora não seja religioso, cresci vendo minha mãe adentrando grupos católicos que se aprofundam em ensinamentos bíblicos, etc (e até confesso que grande parte da minha formação relativa a caráter e fundamentos sofrem influência notória de tais eventos embora não sejam por mim relacionados com uma figura divina necessariamente) e sempre assisti ela falando sobre a fé ser como um grãozinho de mostarda que vai crescendo aos poucos mas sempre permanece pequena TALVEZ por considerarem ser condição humana se questionar a respeito de tudo.

 

Bom, acontece que alguns eventos não possuem explicação racional. Seria bastante lógico imaginar que se tivéssemos muita fé Deus sempre atenderia nossos pedidos, especialmente quando não são decorrentes de nossas ações - ou seja: não cometemos erros que causaram situação ruim, ela simplesmente aconteceu (uma vez que ele nos ama e é onipotente) em todos os casos já que os fundamentos relacionados ao amor de Deus são respeitados nessa condição. O problema é que em alguns casos...a coisa simplesmente não acontece. A Sra. não levanta e anda nas várias tentativas do pastor, embora pareça demonstrar fé intensa. A única explicação plausível é a resposta simples: algum dos fundamentos da frase está quebrado: ou nós não pedimos algo justo, ou Deus não nos ama, ou não temos fé suficiente para pedir algo de tal magnitude e ser atendido.

 

Nesse caso, posso estar terrivelmente errado, mas tenho a impressão de que a idéia não provém do pastor, mas de elementos razoáveis, que fazem pleno sentido dentro da doutrina que propaga.

Então essa suposta crueldade ímpar teria origem em algo mais profundo do que o simples personagem do pastor e ultrapassaria sua figura, atingindo um âmbito muito mais amplo. Não estaríamos, portanto, falando da crueldade (e sim, concordo que é muito cruel) de uma pessoa, mas de uma idéia, talvez até de uma religião inteira.

 

Engraçado que assisti a um filme do Bergman recentemente chamado O Silêncio e algumas pessoas comentam por aí que há uma apologia direta do título e da situação tensa que envolve duas irmãs (em um constante conflito que, por vezes, até se apóia em uma tensão sexual) e o filho de uma delas com a existência de um Deus silencioso, que permanece à espreita nos observando e na verdade não se interessa tanto assim por nós a ponto de interferir diante de algumas situações, mesmo diante de nossos clamores desesperados.

 

Seria de novo esse silêncio de Deus que causou a não reatividade do corpo da Senhora a ponto de fazê-la andar de novo?

 

 

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A culpa absoluta e generalizada pela não-ocorrência de uma cura milagrosa ser jogada nas costas da suposta "falta de fé" do crente é um discurso recorrente em igrejas neo-pentecostais como a IURD e, com todo respeito, totalmente anti-bíblica.

 

Claro que a falta de fé ocasiona um silêncio proposital por parte de Deus, mas um líder religioso quando responsabiliza a suposta "falta" de fé de um TERCEIRO (que pensa diferente, que crê de maneira diferente, que raciocina de maneira diferente, que reage ao mundo e às pessoas de maneira diferente) está sim agindo de forma incrivelmente cruel, não tendo o condão de determinar que o seu "fracasso" se deve à falta de fé do outro. Pode muito bem ser falta de fé do pastor/líder que acusa os outros de seu "fracasso". Quem sou eu para dizer que a fé do outro é pequena? O cristianismo não dá base para esse tipo de julgamento embora os cristãos de variadas denominações insistem em tentar o que é lamentável.

 

O que se tem que ter em mente é que Deus possui um propósito para cada coisa que ocorre com a pessoa, sendo esta coisa boa ou ruim. O cristão pode pedir a cura? Claro que pode. Mas na minha opinião, deve pedir, paralelo a isso, o entendimento do propósito de Deus para aquilo tudo até para agir biblicamente diante das circunstâncias. "Todas as coisas cooperam para o bem daqueles que amam a Deus" diz um versículo. Isto inclui inclusive as coisas ruins.  
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