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Deixe Ela Entrar (Let the right one in)


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Deixe Ela Entrar
Låt den Rätte Komma In
Suécia, 2007 - 110 min
Suspense / Drama
Direção: Tomas Alfredson
Roteiro: John Ajvide Lindqvist
Elenco: Kåre Hedebrant, Lina Leandersson, Per Ragnar, Henrik Dahl, Karin Bergquist, Peter Carlberg
Trailer: http://www.apple.com/trailers/magnolia/lettherightonein/
IMDB: http://www.imdb.com/title/tt1139797/

Alguém ai já viu o filme? Parece que ele foi exibido na mostra de SP esse ano.
Eu assisti fazem algumas semanas e me apaixonei. Para mim o que menos importou foi o plot de vampiros e sangue. Achei incrivel como foi retratada a amizade e o amor entre as duas crianças. Pareceu muito adulto e sensível. Sem dúvida um dos melhores filmes que vi esse ano.
Vale muito conferir esse filme, mesmo que não goste de filme de terror nem histórias de vampiro, há outras coisas interessantes, como os variados mistérios na história e principalmente a relação das crianças.

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Lista de filmes de 2008 que entraram para o top 250 do IMDB:

 

This

year, nine films are ranked in the IMDB top 250 at year's end, and I

would think that at least five of them would be fixtures on the list

for years and years to come. So, according to the voters of IMDB, I

guess these are the top nine movies of 2008, complete with their

all-time rankings.

 

 

4 - The Dark Knight

 

34 -

Wall-E

 

68 -

Slumdog Millionaire

 

70 -

The Curious Case of Benjamin Button

 

78 -

The Wrestler

 

172 -

Milk

 

192 -

Gran Torino

 

224 -

Let the Right One In

 

234 -

In Bruges

 

16

 

EDIT: Filme é 221 agora 06

lizbennet2009-01-02 05:29:55

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  • 4 months later...

 

 

Låt den rätte komma in ou Let the Right

 

cartaz1.jpg



Sinopse: Oskar tem 12 anos e é um garoto ansioso e frágil, constantemente provocado pelos colegas de classe. Com a chegada de Eli, uma garota séria e pálida da mesma idade, que se muda para a vizinhança com o pai, Oskar ganha uma amiga. Quando a cidade começa a ser assombrada por uma série de assassinatos e desaparecimentos inexplicáveis, o menino, fascinado por histórias horripilantes, não demora a perceber que a amiga é vampira. Os dois acabam se apaixonando e a vampira lhe dá a coragem para lutar contra seus agressores.

 

O filme sueco estreou na Suécia e nos Estados Unidos em 24 de outubro do ano passado. Sem data de lançamento nos cinemas brasileiros, por enquanto o longa vampiresco foi visto na 32ª Mostra Internacional de Cinema de São Paulo.

 

trailler

 

 

critica do bocadoinferno:

“Uma história de amor, inocência, medo e sangue”



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Primeiramente preciso fazer uma confissão pessoal para os infernautas: eu não era fã de filmes de vampiros. Claro que devo excluir a parte das incursões artísticas fantásticas que rompem a barreira do estilo, como o DRÁCULA original ou NOSFERATU, contudo no geral sempre achei que os vampiros cinematográficos eram retratados de duas maneiras básica: ou eles são maus, aristocratas e sexys (DRACULA DE BRAM STOKER, ENTREVISTA COM O VAMPIRO, VAN HELSING) ou maus e feios (BLADE, 30 DIAS DE NOITE). Ambas as formas se tornavam quase invariavelmente muito superficiais, com o aspecto vampiresco do roteiro deixado apenas coadjuvante para uma história que você sabe como começa e termina.

Mas como disse, "eu não ERA fã". Uma primeira audição da produção sueca
DEIXE ELA ENTRAR (LET THE RIGHT ONE IN, nos Estados Unidos, ou Låt den rätte komma in, no original) baseada no best seller escrito em 2004 por John Ajvide Lindqvist (que também assina o roteiro) me fez acreditar no total oposto.
A impressionante obra - que teve sua premiere em janeiro de 2008 em seu país de origem e chegou a ser exibida na Mostra de Cinema de São Paulo em outubro do mesmo ano, mas que ainda permanece inédita para o grande público no Brasil - me fez ponderar como uma história bem feita sobre vampiros e humanos pode tomar dimensões muito além do que foi feito até hoje pelo cinema hollywoodiano.

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O aspecto vampiresco do roteiro de DEIXE ELA ENTRAR não é mais coincidente ou coadjuvante e por um bom motivo: ele é o elemento fundamental de uma sofisticada trama de amor e inocência, porém profundamente embasada no psicológico dos protagonistas para colocar de uma vez por todas que vampiros tem coração no peito, ainda que inerte.

Só que não pense que se trata de uma bobagem no estilo "romance para emos e desiludidas amorosas" como a contida em
CREPÚSCULO. Nem de longe. Este filme é muito mais adulto, muito mais carregado de emoção e de tão simples nos conquista nas sutilezas, tanto na história quanto na parte técnica. Até os clichês típicos das produções vampirescas são usadas com inteligência para desenvolver a trama. E como estamos falando de um filme que também é de horror – o que CREPUSCULO esqueceu - os banhos de sangue, desmembramentos e assassinatos são violentos e chocantes, mas dado o contexto em que elas se apresentam soam até poéticos.

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O roteiro acompanha o drama de Oskar (Kåre Hedebrant), um solitário garoto de 12 anos que vive em um conjunto de apartamentos no subúrbio de Estocolmo no início dos anos 80. Como é muito franzino e calado, é chamado de "porquinho" na escola pelos valentões na classe liderados pelo menino Conny (Patrik Rydmark), sendo atacado com xingamentos e agressões físicas frequentes.

Oskar, que tem pais divorciados, habitualmente mente para a mãe sobre os ferimentos e guarda para si toda a raiva dos garotos, ensaiando contra-ataques com um canivete e guardando recortes de crimes violentos que saem no jornal como forma de externar sua fúria.

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Uma noite no playground do pátio do complexo onde vive, encontra Eli (Lina Leandersson), uma pálida garota que diz que também tem 12 anos. Eli recentemente se mudou para o local com seu pai e protetor Håkan (Per Ragnar) morando no apartamento ao lado do menino. Inicialmente ela recusa qualquer laço de amizade com Oskar, mas com o tempo, eles começam a partilhar sua solidão juntos, trocando mensagens pelas paredes de seus quartos através de código Morse.

Oskar não parece incomodado com o fato de Eli não sair de casa durante o dia ou se alimentar como os outros. Nem a constatação ao fim das contas de que a menina é uma vampira é suficiente para atrapalhar seu inocente relacionamento e se completando eles passam a compartilhar conhecimentos um com o outro: Eli ganha um conceito de humanidade através da aceitação do garoto independente de qualquer preconceito enquanto Oskar aprende a reagir contra seus detratores, a não mais sofrer sem revidar, tal como a selvagem garota.

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Sem querer entregar o roteiro com todas suas reviravoltas inteligentes - e como não são poucas, digo que foi complicado escrever esta sinopse - digo apenas que sua relação aumenta em intensidade até chegando a uma paixão pré-adolescente levada as últimas consequências quando a comunidade do complexo desconfia que a garotinha, ao saciar sua sede, é a responsável por algumas mortes na vizinhança e precisa partir. O final cíclico e inspirador é a cereja que completa o bolo.

Agora vamos ao primeiro aviso: como se pode prever, o ritmo é lento quase parando (fazendo uma comparação porca, é tipo um CENTRAL DO BRASIL “do mal”) e a condução não é recomendada para o público fã de pipocas e diversão descerebrada por sua própria proposta. Isto significa que o espectador que vai assistir esperando um novo
VAMPIROS, de John Carpenter, ou uma continuação de UM DRINK NO INFERNO vai se arrepender profundamente.

Dito isto, fica difícil analisar devidamente
DEIXE ELA ENTRAR sem ser redundante na palavra "poético" (mas não é "gay", pelamordeDeus). O roteiro - e presumivelmente o livro também - é amarrado num sentimento de veracidade tão intenso que se torna quase plausível no mundo real. O próprio autor Lindqvist declarou que o livro é baseado parcialmente em eventos ocorridos com ele durante sua infância o que aumenta a legitimidade da correspondência.

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O diretor Tomas Alfredson dá um baile na direção, tornando cada frame e cada ângulo de câmera uma pintura, aproveitando o excepcional trabalho da fotografia gélida de desoladora de Hoyte Van Hoytema. O espaço dos enquadramentos é muito bem aproveitado e Alfredson sabe o quanto deve promover cada coadjuvante e diálogo para a devida condução da história, ou seja, não há aqueles excessos desnecessários ou explicações repetitivas que tanto incomodam o público nas produções estadunidenses habituais.

A carga de violência é grande, contudo nunca é gratuita. O público pode ficar de boca aberta com os eventos que encaminham para o derramamento de sangue, sem porém ter tripas jogadas em sua cara a todo momento. Muitas passagens ficam por conta da imaginação (como no final do filme) e isso dá um poder imenso para a película, pois cada pessoa que pensar um pouquinho mais a respeito pode ter sua própria interpretação dos eventos.

12.jpg14.jpg


Todos os elementos em cena convergem apenas e exclusivamente para a história e seus personagens, consciente disso o diretor Alfredson fez duas escolhas acertadas para os protagonistas: Kåre Hedebrant e Lina Leandersson. Esqueçam que se tratam de crianças, eles trabalham melhor que muita gente grande. O casal transmite uma química em cena além do normal com naturalidade e harmonia, conduzindo a narrativa tão sutilmente quanto a proposta da produção e fica difícil pensar em outro par de atores para realizar seus papeis.

Minhas ressalvas particulares ficaram apenas na trilha sonora, que é tão piegas chegando ao ponto de ser depressiva demais, sobrecarregando o filme com um tom triste que destoa com a proposta do roteiro. Outro problema é a ausência de mais informações sobre o passado de Eli, que apesar de ser irrelevante para o entendimento do roteiro e até chega a dar um ar de mistério, deixa um gostinho de "tá, legal, mas e daí?". Para nosso prazer, porém, são detalhes que em nada prejudicam qualquer mérito da produção.

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O reconhecimento veio em forma de prêmios e LET THE RIGHT ONE IN se sagrou vencedor em nada menos que 40 premiações diferentes, entre festivais respeitados pela Europa e América e associações de críticos por todo o globo. Só não entendo como o governo da Suécia não escolheu Låt den rätte komma in como representante para o Oscar de filme estrangeiro, pois também sairia certamente consagrado com louvores.

Como a ganância dos produtores de Hollywood é latente, e não é de hoje,
DEIXE ELA ENTRAR já tem um remake encaminhado - que está sendo provisoriamente chamado de LET ME IN - com previsão de estréia para 2010 com a direção ficando por conta de Matt Reeves (CLOVERFIELD). A notícia chateou Tomas Alfredson que declarou abertamente que "Remakes deveriam ser feitos de filmes que não são muito bons. Isto dá uma chance de consertar o que aconteceu de errado", além disso o diretor sueco teme que o resultado seja muito "mainstream" para se adequar ao público estadunidense.

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Porém o escritor Lindqvist declarou empolgação com a produção, pois Reeves estaria disposto a adaptar o livro novamente, ao invés de meramente copiar o filme, o que poderá algo diferente. Embora Reeves tenha um bom tato, é praticamente impossível se equiparar com LET THE RIGHT ONE IN sem abrir mão de uma audiência mais ampla. Seja como for estaremos lá para conferir.

De qualquer maneira as filmagens principais do remake começaram em maio de 2009 e até o lançamento – se as distribuidoras nacionais saírem da letargia - poderemos testemunhar, debater e desfrutar cada minuto do original, que me arrisco dizer que é um dos melhores filmes europeus de horror da história e um dos principais da safra atual. Aceite o risco e calibre seu QI para 100 pontos,
LET THE RIGHT ONE IN é absolutamente imperdível!
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Esse filme atípico e fascinante me enganou. Vi-o como uma inocente história de amor entre dois jovens (bem, um deles não é tão jovem assim...), mas, depois, refletindo melhor, entendi que na verdade há algo terrível por trás disso - o filme puxa o tapete debaixo dos nossos pés.

 

Um dos destaques do cinema mundial em 2008, sem dúvida.

 

 

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Låt den rätte komma in ou Let the Right

 

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Sinopse: Oskar tem 12 anos e é um garoto ansioso e frágil, constantemente provocado pelos colegas de classe. Com a chegada de Eli, uma garota séria e pálida da mesma idade, que se muda para a vizinhança com o pai, Oskar ganha uma amiga. Quando a cidade começa a ser assombrada por uma série de assassinatos e desaparecimentos inexplicáveis, o menino, fascinado por histórias horripilantes, não demora a perceber que a amiga é vampira. Os dois acabam se apaixonando e a vampira lhe dá a coragem para lutar contra seus agressores.

 

O filme sueco estreou na Suécia e nos Estados Unidos em 24 de outubro do ano passado. Sem data de lançamento nos cinemas brasileiros, por enquanto o longa vampiresco foi visto na 32ª Mostra Internacional de Cinema de São Paulo.

 

trailler

 

 

critica do bocadoinferno:

“Uma história de amor, inocência, medo e sangue”



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Primeiramente preciso fazer uma confissão pessoal para os infernautas: eu não era fã de filmes de vampiros. Claro que devo excluir a parte das incursões artísticas fantásticas que rompem a barreira do estilo, como o DRÁCULA original ou NOSFERATU, contudo no geral sempre achei que os vampiros cinematográficos eram retratados de duas maneiras básica: ou eles são maus, aristocratas e sexys (DRACULA DE BRAM STOKER, ENTREVISTA COM O VAMPIRO, VAN HELSING) ou maus e feios (BLADE, 30 DIAS DE NOITE). Ambas as formas se tornavam quase invariavelmente muito superficiais, com o aspecto vampiresco do roteiro deixado apenas coadjuvante para uma história que você sabe como começa e termina.

Mas como disse, "eu não ERA fã". Uma primeira audição da produção sueca
DEIXE ELA ENTRAR (LET THE RIGHT ONE IN, nos Estados Unidos, ou Låt den rätte komma in, no original) baseada no best seller escrito em 2004 por John Ajvide Lindqvist (que também assina o roteiro) me fez acreditar no total oposto.
A impressionante obra - que teve sua premiere em janeiro de 2008 em seu país de origem e chegou a ser exibida na Mostra de Cinema de São Paulo em outubro do mesmo ano, mas que ainda permanece inédita para o grande público no Brasil - me fez ponderar como uma história bem feita sobre vampiros e humanos pode tomar dimensões muito além do que foi feito até hoje pelo cinema hollywoodiano.

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O aspecto vampiresco do roteiro de DEIXE ELA ENTRAR não é mais coincidente ou coadjuvante e por um bom motivo: ele é o elemento fundamental de uma sofisticada trama de amor e inocência, porém profundamente embasada no psicológico dos protagonistas para colocar de uma vez por todas que vampiros tem coração no peito, ainda que inerte.

Só que não pense que se trata de uma bobagem no estilo "romance para emos e desiludidas amorosas" como a contida em
CREPÚSCULO. Nem de longe. Este filme é muito mais adulto, muito mais carregado de emoção e de tão simples nos conquista nas sutilezas, tanto na história quanto na parte técnica. Até os clichês típicos das produções vampirescas são usadas com inteligência para desenvolver a trama. E como estamos falando de um filme que também é de horror – o que CREPUSCULO esqueceu - os banhos de sangue, desmembramentos e assassinatos são violentos e chocantes, mas dado o contexto em que elas se apresentam soam até poéticos.

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O roteiro acompanha o drama de Oskar (Kåre Hedebrant), um solitário garoto de 12 anos que vive em um conjunto de apartamentos no subúrbio de Estocolmo no início dos anos 80. Como é muito franzino e calado, é chamado de "porquinho" na escola pelos valentões na classe liderados pelo menino Conny (Patrik Rydmark), sendo atacado com xingamentos e agressões físicas frequentes.

Oskar, que tem pais divorciados, habitualmente mente para a mãe sobre os ferimentos e guarda para si toda a raiva dos garotos, ensaiando contra-ataques com um canivete e guardando recortes de crimes violentos que saem no jornal como forma de externar sua fúria.

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Uma noite no playground do pátio do complexo onde vive, encontra Eli (Lina Leandersson), uma pálida garota que diz que também tem 12 anos. Eli recentemente se mudou para o local com seu pai e protetor Håkan (Per Ragnar) morando no apartamento ao lado do menino. Inicialmente ela recusa qualquer laço de amizade com Oskar, mas com o tempo, eles começam a partilhar sua solidão juntos, trocando mensagens pelas paredes de seus quartos através de código Morse.

Oskar não parece incomodado com o fato de Eli não sair de casa durante o dia ou se alimentar como os outros. Nem a constatação ao fim das contas de que a menina é uma vampira é suficiente para atrapalhar seu inocente relacionamento e se completando eles passam a compartilhar conhecimentos um com o outro: Eli ganha um conceito de humanidade através da aceitação do garoto independente de qualquer preconceito enquanto Oskar aprende a reagir contra seus detratores, a não mais sofrer sem revidar, tal como a selvagem garota.

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Sem querer entregar o roteiro com todas suas reviravoltas inteligentes - e como não são poucas, digo que foi complicado escrever esta sinopse - digo apenas que sua relação aumenta em intensidade até chegando a uma paixão pré-adolescente levada as últimas consequências quando a comunidade do complexo desconfia que a garotinha, ao saciar sua sede, é a responsável por algumas mortes na vizinhança e precisa partir. O final cíclico e inspirador é a cereja que completa o bolo.

Agora vamos ao primeiro aviso: como se pode prever, o ritmo é lento quase parando (fazendo uma comparação porca, é tipo um CENTRAL DO BRASIL “do mal”) e a condução não é recomendada para o público fã de pipocas e diversão descerebrada por sua própria proposta. Isto significa que o espectador que vai assistir esperando um novo
VAMPIROS, de John Carpenter, ou uma continuação de UM DRINK NO INFERNO vai se arrepender profundamente.

Dito isto, fica difícil analisar devidamente
DEIXE ELA ENTRAR sem ser redundante na palavra "poético" (mas não é "gay", pelamordeDeus). O roteiro - e presumivelmente o livro também - é amarrado num sentimento de veracidade tão intenso que se torna quase plausível no mundo real. O próprio autor Lindqvist declarou que o livro é baseado parcialmente em eventos ocorridos com ele durante sua infância o que aumenta a legitimidade da correspondência.

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O diretor Tomas Alfredson dá um baile na direção, tornando cada frame e cada ângulo de câmera uma pintura, aproveitando o excepcional trabalho da fotografia gélida de desoladora de Hoyte Van Hoytema. O espaço dos enquadramentos é muito bem aproveitado e Alfredson sabe o quanto deve promover cada coadjuvante e diálogo para a devida condução da história, ou seja, não há aqueles excessos desnecessários ou explicações repetitivas que tanto incomodam o público nas produções estadunidenses habituais.

A carga de violência é grande, contudo nunca é gratuita. O público pode ficar de boca aberta com os eventos que encaminham para o derramamento de sangue, sem porém ter tripas jogadas em sua cara a todo momento. Muitas passagens ficam por conta da imaginação (como no final do filme) e isso dá um poder imenso para a película, pois cada pessoa que pensar um pouquinho mais a respeito pode ter sua própria interpretação dos eventos.

12.jpg14.jpg


Todos os elementos em cena convergem apenas e exclusivamente para a história e seus personagens, consciente disso o diretor Alfredson fez duas escolhas acertadas para os protagonistas: Kåre Hedebrant e Lina Leandersson. Esqueçam que se tratam de crianças, eles trabalham melhor que muita gente grande. O casal transmite uma química em cena além do normal com naturalidade e harmonia, conduzindo a narrativa tão sutilmente quanto a proposta da produção e fica difícil pensar em outro par de atores para realizar seus papeis.

Minhas ressalvas particulares ficaram apenas na trilha sonora, que é tão piegas chegando ao ponto de ser depressiva demais, sobrecarregando o filme com um tom triste que destoa com a proposta do roteiro. Outro problema é a ausência de mais informações sobre o passado de Eli, que apesar de ser irrelevante para o entendimento do roteiro e até chega a dar um ar de mistério, deixa um gostinho de "tá, legal, mas e daí?". Para nosso prazer, porém, são detalhes que em nada prejudicam qualquer mérito da produção.

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O reconhecimento veio em forma de prêmios e LET THE RIGHT ONE IN se sagrou vencedor em nada menos que 40 premiações diferentes, entre festivais respeitados pela Europa e América e associações de críticos por todo o globo. Só não entendo como o governo da Suécia não escolheu Låt den rätte komma in como representante para o Oscar de filme estrangeiro, pois também sairia certamente consagrado com louvores.

Como a ganância dos produtores de Hollywood é latente, e não é de hoje,
DEIXE ELA ENTRAR já tem um remake encaminhado - que está sendo provisoriamente chamado de LET ME IN - com previsão de estréia para 2010 com a direção ficando por conta de Matt Reeves (CLOVERFIELD). A notícia chateou Tomas Alfredson que declarou abertamente que "Remakes deveriam ser feitos de filmes que não são muito bons. Isto dá uma chance de consertar o que aconteceu de errado", além disso o diretor sueco teme que o resultado seja muito "mainstream" para se adequar ao público estadunidense.

16.jpg17.jpg


Porém o escritor Lindqvist declarou empolgação com a produção, pois Reeves estaria disposto a adaptar o livro novamente, ao invés de meramente copiar o filme, o que poderá algo diferente. Embora Reeves tenha um bom tato, é praticamente impossível se equiparar com LET THE RIGHT ONE IN sem abrir mão de uma audiência mais ampla. Seja como for estaremos lá para conferir.

De qualquer maneira as filmagens principais do remake começaram em maio de 2009 e até o lançamento – se as distribuidoras nacionais saírem da letargia - poderemos testemunhar, debater e desfrutar cada minuto do original, que me arrisco dizer que é um dos melhores filmes europeus de horror da história e um dos principais da safra atual. Aceite o risco e calibre seu QI para 100 pontos,
LET THE RIGHT ONE IN é absolutamente imperdível!
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  • 3 months later...

Oh boy, here I go...

 

Esse é o tipo de filme que por causa de uma coisinha me impediu de apreciá-lo tanto quanto a maioria conseguiu apreciar. Neste caso, é a atuação do guri, muito, muito, muito ruim. Uma coisa é o moleque ser solitário e quieto, outro é ele ser um quase retardado como foi o que ocorreu. A menina não fede nem cheira.

 

Mas tem momentos fantásticos (é até desnecessário, mas eu tenho que dizer: cena da piscina = OP) e uma sensibilidade que eu jamais esperava encontrar. O moleque é ruim, o filme é bom.
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Contém spoiler.

 

O fato é que eu me apaixonei por esse filme quando, ainda sentado durante os créditos finais, imaginei como poderia ser o futuro dos dois. E percebi que o menino terminaria como aquela figura aparentemente paterna da menina, de certa forma dando continuidade ao ciclo. Isso me fez enxergar boa parte da estória com outros olhos, além de me deixar caído de amores por um filme que eu já havia gostado muito.

 

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O próprio diretor confirmou? Eu não conheço qualquer pessoa que tenha lido a obra originial, por isso eu não sei se há alguma evidência maior ou algo que o valha.

 

De todo modo, eu continuaria acreditando nesse raciocínio mesmo que alguém altamente envolvido com o a estória desmentisse. Mas seria bacana, é claro, se houvesse qualquer tipo de confirmação a respeito. É uma teoria que, pra mim, enriquece muito o filme.

 

 

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Dublado nunca. Baixei outro torrent (aliás, com uma qualidade incrível tanto de áudio quanto de vídeo) e ainda tive que procurar codec... foi bem trabalhoso. Mas não podia ter valido mais a pena.

Falando em dublagem: alguém percebeu que a voz da garota foi dublada? Como ela não é exatamente uma garota, o diretor procurou outra atriz com uma voz mais grave.
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