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Forum Cinema em Cena

O Curioso Caso de Benjamin Button


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Eu tinha mencionado esses dois erros que o Pablo comentou (mas que ele explanou melhor): a frieza de Fincher e a falta de qualquer traço de complexidade que exista no protagonista, que é definido apenas pela sua "doença". Acho que a única personagem complexa do filme é a de Swinton.

 

Pablo esqueceu apenas de citar os toques cômicos constrangedores que Fincher coloca (em especial as partes do homem que levou sete raios) e a péssima atuação de Blanchett. Fora isso, concordo com boa parte de sua crítica.
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olha, eu queria muito ter gostado do filme.

 

mas concordei com a crítica em sua totalidade. não tem a beleza do conto, que pode não ser extraórdinário mas consegue tocar de alguma forma nosso sentimento (frase clichê) e etc.

 

não fiquei emocionada com o filme, confesso me cansou sim porque o personagem do benjamin button vai perdendo a graça a cada segundo. acho até que só consigo gostar dele velho.

 

e está concorrendo a 13 oscars. céus.

 

 

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Boa crítica, alguns pontos interessantes. Acho que a decepção pelo filme se dá a imensa expectativa por se tratar do Fincher, caso fosse de outro diretor talvez não existisse essa pressão, e entendo. Não acho que seja uma vergonha em sua filmografia, e a não "complexidade" dos temas acusados de vazios pelo Pablo soam naturais, acho, e confortáveis em suas condições; não vejo o filme discutindo problemas raciais, por exemplo, acho que isso seria forçar a fábula/fantasia toda. Sobre o Katrina, não vejo ofensa, também, um detalhe no roteiro pois o filme se passa em New Orleans, não, acho que incluíram o fato deste desastre para dar a noção de tempo, de que Daisy encontrava-se no século 21, enfim. Como o filme atravessa vários momentos, este é mais um, nada de errado.  

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Nunca concordei tanto com uma crítica do Pablo (na verdade já concordei sim, muitas vezes, a diferença é que normalmente leio a crítica primeiro, e desta vez já saí do cinema pensando absolutamente tudo que viria a ler aqui).

Li o conto do Scott Fitzgerald postado no site e logo percebi que o filme teria que ser feito do zero, pois o conto dá no máximo o argumento do homem que nasce velho e rejuvenesce até morrer bebê, mais nada. É bem insosso e um tanto sem lógica.

 

Mas a história tinha um potencial incrível, e pelo que vi do trailer, esperava um grande filme dramático, bem emocionante. Saí do cinema comentando com minha esposa que o filme parecia uma mistura de Titanic com Forrest Gump. A velha nos tempos atuais contando a história para sua filha, com o flashback sempre se fundindo à voz da atriz nos dias de hoje, é Titanic. O resto é Forrest Gump, não lembrei de todas as semelhanças citadas pelo Pablo, mas agora me veio mais uma: o problema nas pernas quando "criança". A parte do barco é bem óbvia.

 

O furo dos eventos que levam ao incidente também é claro, e não tem razão para estar ali. Que diferença aquilo faz? Aquele tipo de cena encaixa bem em um filme como Magnólia, mas não tinha nada a ver aqui. Mas as duas coisas que mais me deixaram decepcionado quando sáí do filme foram, como você citou, a falta de "personalidade" do Benjamim e sua decisão estúpida.

 

A premissa do filme é tão interessante que te mantém curioso fosse qual fosse o desenrolar da história, mas é impressionante como um imenso potencial pode ser desperdiçado em futilidades. Nós simplesmente não vemos Benjamim por dentro, é apenas um sujeito vivendo sua vida indiferentemente, narrando seus casos ao estilo Forrest Gump, mas o Forrest Gump era bem mais intimista. Pódíamos sentir sua tristeza quando desprezado pela amada. Aqui nunca sabemos o que realmente se passa. Afinal, como Benjamim realmente encara sua condição? Para ele é algo bom ou ruim? Quando ele começa a ficar realmente bem jovem (depois que ele se separa da Daisy) como ele aproveita sua juventude? Ele sofre pela perda dos seus queridos e por saber que o fim de sua vida está chegando ou decide aproveitar tudo que o vigor da juventude proporciona? Nada. O filme nem precisava tocar no tema do racismo, como Pablo falou, realmente seria desnecessário caso a história estivesse focada na vida do Benjamim adulto (no meio de sua vida). O Katrina também é dispensável, mas não faz diferença, é apenas para pontuar que a história se passa em New Orleans e estamos na década de 2000, como disse outro forista. Mas o íntimo de Benjamim Button, isso precisávamos conhecer.

 

Por fim, a decisão que mata o filme. Por quê ele decide se afastar do amor de sua vida, com quem vivia feliz e estava formando uma família, sob o pretexto da filha precisar de um pai, não de um coleguinha? Além da estupidez, egoísmo e imaturidade citados pelo Pablo, isto é também um furo do roteiro, já que nesta época o Benjamim deveria ter uns 30 e poucos anos e tinha plenas condições de criar sua filha até eles terem idade aproximada, quando então a filha já seria uma pré-adulta (e ele sabia disso). Aquilo simplesmente não tem lógica dentro do filme. Se ninguém, nem a Daisy, questiona sua condição, por que que ele se preocuparia com a filha, quando esta já estivesse quase independente? Poderia aceitar muito bem também.

 

Outro furo é seu fim de vida. Como ele rejuvenesce, todo seu corpo vai ficando mais jovem e saudável, apesar de sua mente acompanhar sua idade. Ora, a demência não é um problema da "mente", esta é intangível. Ela se manifesta na mente, mas tem a ver com a deterioração do cérebro, suas células, e ligações etc. Como menino com cérebro e neurônios novinhos em folha, ele não deveria apresentar demência, mesmo que sua "mente" fosse idosa.

 

Enfim, bom roteirista, bom diretor, e a impressão que ficou é que muitos outros conseguiriam fazer uma história MUITO melhor e mais dramática/emocionante com o argumento que tinham em mãos.
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Pablo, me inscrevi no fórum só para escrever em defesa de dois elementos que, na minha opinião, foram mal interpretados por ti.

 

 

 

 

 

1) O uso do Katrina

 

 

 

Achei estranho você diminuir a presença do furacão na história. Pra mim o Katrina funciona como um elemento que envolve (como um invólucro mesmo) e confere à narrativa dois valores importantes: uma tensão crescente e o ar de fábula. Sempre que somos apresentados às cenas do Katrina nos deslocamos daquele mundo fantasioso de Benjamin Buttom para o mundo "real", para um evento grandioso, internacional. Saímos do particular para o global. Esse contraste entre a fantasia e o real, esse deslocamento, esses dois pesos só existem pela presença desse elemento "real" na história, no caso, o Katrina. Eu achei que foi uma forma excelente de conduzir a história. Sempre que estamos do "lado de fora" do diário o Katrina está se aproximando, quando estamos "do lado de dentro" nos deixamos levar pelo mundo estranho do velhote-criança.

 

 

 

Você lembra da última cena do filme? É o Katrina inundando o armazém onde o tal relógio que anda ao contrário estava guardado. É exatamente nesse momento final em que o "real" colide com a "fantasia". Um último suspiro e a tela fica preta.

 

 

 

Bom, já já volto e comento o segundo ponto que descordei da sua resenha...

 

Bruno Barros2009-01-25 15:13:40

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2) A cena do atropelamento

 

 

 

Na sua resenha você critica o fato de Benjamin citar tão precisamente fatos que ele não tinha conhecimento. Pra mim criticar isso é ignorar a possibilidade dele ter inventado aqueles pequenos fatos. A narração no filme representava uma leitura direta e oral do diário. Ou seja, tudo o que foi descrito durante a cena estava escrito. Nesse contexto, nada mais natural que Benjamin, ao escrever o diário, estivesse divagando a respeito das infinidade de possíveis coincidências que levaram à tragédia do atropelamento.

 

 

 

É isso.

 

 

 

Tirando essas duas observações, gostei muito da resenha. Parabéns.

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 Prezados deste Fórum, boa noite!

 

 Li a resenha com atenção e não sei se concordo com todos os pontos.

 

 Não entendo a tentativa  de avaliar o caráter dos personagens a partir de uma perspectiva moralista ou  coerente. Este filme não trata de coerência e sim de elementos surrealistas e ilógicos . Os personagens não são apresentados para serem modelos de conduta, são seres contraditórios, demasiadamente humanos e bizarros, portanto, tentar buscar uma explicação lógica para as suas atitudes é tentar colocar esta fábula cinematográfica numa camisa de força.

 

 Sinceramente? Não acho que este filme tenha a pretenção de ser complexo ou mesmo inovador em termos de narrativa ( apesar de desenvolver uma idéia original:  o protagonista nasce velho e vai rejuvenecendo ao longo do tempo), é um filme que  explora o universo clássico do cinema  americano de outrora, a ingenuidade e o romantismo explorado nos anos 40 por exemplo, de certo modo me lembra os filmes do Frank Capra.

 

Em relação ao personagem central ser passivo, acredito que a idéia é essa mesmo. Pouco ficamos sabendo sobre Benjamim Button, sabemos muito mais sobre os personagens que se relacionam com ele, que são afetados por sua peculiaridade e têm suas vidas transformadas. Ele é o narrador, o voyeur que observa introspectivamente a vida dos demais e fala pouco de si mesmo, na realidade ele é um enigma marcado por sua particularidade.

 

Péssima atuação de  Cate Blanchett?  Isso foi uma frase de efeito heim?? Acho que atualmente ela é uma das poucas atrizes que atua do pescoço para baixo e não tem medo de ousar. Uma atriz que consegue ser sutil quando assim é necessário ( Heaven por exemplo ) ou teatral quando o personagem assim exige ( O  Aviador ). Uma atriz versátil e talentosa.

 
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Sou leitor assíduo do CinemaEmCena, mas nunca havia postado no fórum. Achei propensa a oportunidade.

 

Pablo, gostei muito da resenha, parabéns!

 

Eu entendi a distância do personagem de Button como um toque proposital e não acidental. Benjamin Button sofre de uma condição única no mundo que o leva inevitavelmente a um isolamento social. Reparem que o personagem raramente comenta com outros a respeito da própria condição e é clara a obsessão de Button em recomeçar a própria vida em lugares diferentes. Desta forma, eu entendi a frieza do personagem como a manifestação de sua sabedoria única obtida a partir da passagem do tempo sob sua perspectiva. Ninguém no mundo viu o tempo passar como Button viu, então ninguém é capaz de compreendê-lo totalmente. Button é concebido como um sujeito simplório e contido que detém um conhecimento inatingível ao espectador, por isso o filme estabelece uma distância entre o espectador e a personalidade de Button.

 

Além disso, a opacidade da personalidade de Button contribui para o clima de mistério que o cerca. Esse mesmo clima é reforçado seguidamente pelas tomadas escuras que escondem as feições de Button. É como se Button fosse a personificação do próprio tempo dentro do filme, dotado de conhecimento privilegiado e de uma onipresença prática, e ainda assim incompreensível pelos demais. Como o tempo, Button simplesmente existe.

 

Em relação ao abandono da família por parte de Button, eu dircordo de que tenha sido egoísta e irresponsável. Button sabia que não poderia ser um pai dedicado para sempre. Logo, Button achou por bem dar o seu lugar de pai para alguém que pudesse exercer a função com mais talento. Por isso, foi embora antes de que sua filha pudesse ser traumatizada com o fato.

 

Button também tinha uma urgência desesperada para conhecer o resto do mundo. Enquanto a maioria de nós trabalha a vida toda e só tira o tempo suficiente para conhecer o mundo na aposentadoria, quando o ânimo já não é mais o mesmo, Button esperou a vida inteira para viver sua juventude, ou o auge de sua condição física. Entendi que Button precisava se desamarrar dos laços emocionais com esposa e filha para poder viver sua juventude em plenitude. A urgência de Button em aproveitar o final da vida é imensamente maior do que a nossa urgência em aproveitar o final da vida. É por isso que sua atitude nos parece tão irresponsável. Apesar da maduro, ele estava contagiado com a juventude recentemente adquirida e precisava sair de sua vida comum para aproveitar os momentos que lhe restavam.

 

 

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[quote name='Pablo Villaça

]Pergunto: em que a história se beneficia ao utilizar o Katrina?"[/quote']

Essa não é dificil. O filme é todo sobre vida, morte, casualidade, mudanças inesperadas, etc. Isso ocorre várias vezes durante o filme e é assim que ele é finalizado. Daisy está internada num hospital esperando a morte, enquanto as outras pessoas passam por ali acreditando que ainda têm a vida inteira pela frente, e que aquele é apenas mais um dia qualquer... E então vem o Katrina.

 

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