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Forum Cinema em Cena

Um Homem sério, dos Coen


-felipe-
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  • 2 months later...

 

 

 

 

 

 

Não lembro dos Coen num estado de espírito tão inquieto quanto aqui. Eles parecem muito insatisfeitos e incomodados com seu passado, no sentido de que o filme é uma enorme bolha particular que engloba todo o conflito deles com sua fé, sua criação judaica e, claro, deus.

 

É certo que alguns (talvez muitos) criticarão o olhar azedo que os irmãos lançam sobre os judeus, mas me interessei bastante por esse teor pessoal do filme.

 

Enfim, gostei bastante. Isso sim é 3D. O resto é mera tecnologia.

 

PS: assistido em alta definição, graças à internet. Falta de educação do povo brasileiro eu dispenso. É triste, mas prefiro assistir na poltrona da minha casa que numa tela de cinema e ter minha experiência comprometida por conversinhas paralelas, celulares inconvenientes, etc.

Gago2010-02-18 14:18:24

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Não importa. Com muitas ou poucas pessoas na sessão, é praticamente certo que me sentirei incomodado. Digo isso baseado em muitas experiências anteriores, independentemente do naipe, gênero ou assinatura do filme. Não sei se é um problema em todo o território nacional ou se é uma infeliz falta de sorte minha, mas o fato é que não dá mais para aguentar as constantes inconveniências.

 

Infelizmente, minha sala e a dos meus amigos não são boas o suficiente para que eu me sinta verdadeiramente tranquilo quanto ao fato de estar evitando as grandes salas. Mas o que eu tenho à disposição é, na minha opinião, bom o bastante para que eu tenha claro comigo que a relação de perdas e ganhos é favorável para mim.

 

 

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  • 2 weeks later...

Crítica: Um Homem Sério

Os irmãos Coen colocam mais um herói tragicômico sob provação - e vão além

18/02/2010

 

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"O que eu fiz para merecer isso?" é a pergunta retórica que todo mundo se faz em períodos de provação. No caso dos religiosos, é mais um pedido por clemência. O professor judeu Larry Gopnik (Michael Stuhlbarg) passa todo Um Homem Sério formulando-a para si mesmo, para seu advogado, para os rabinos da comunidade, para os céus. Mas quanto mais questiona mais apanha.

É uma pergunta, ademais, que todo protagonista das comédias de humor negro dos irmãos Joel e Ethan Coen deve se fazer em algum momento. Mas Larry Gopnik não é o grande Jeffrey Lebowski, nem o homem que não estava lá. Para ele, "o que eu fiz para merecer isso?" não é uma pergunta retórica. Como Larry leciona física, com inclinações matemáticas, na cabeça dele todo efeito teve antes uma causa.

Talvez seja, portanto, o primeiro herói tragicômico dos Coen a buscar solução para seu perrengue não com reações, mas refletindo sobre a ação que desencadeou todo o processo - uma reflexão que tem tudo a ver com o momento de crise dos EUA (a bandeira na tempestade no final do filme não poderia ser mais clara). "Tudo é matemática", diz Larry, como se falasse de macroeconomia. Só que ele esquece de considerar que o caos também é um conceito matemático.

Os Coen transferem essa ideia de caos para o roteiro. A sacada estilística da primeira metade de Um Homem Sério está na forma como o filme nos enrola com relações de causalidade que são falsas. Entendemos, a princípio, que a história de Larry se passa em dois tempos (adolescente ouvindo música com fone/adulto fazendo exame de ouvido), mas essa premissa se revela uma armadilha. Em seguida, achamos que os acidentes de carro estarão ligados, mas não estão. Ou será que estão?

Ao embaralhar causas e consequências, os Coen conseguem impor ao seu protagonista um dilema ético puro - e, dependendo do caminho escolhido por Larry, impor um castigo definitivo, não mais "de brincadeira". É diante de crises assim que homens tremem, não importa o credo. Como canta o Jefferson Airplane em "Somebody to Love", "quando a verdade se revela mentira, toda alegria interior se vai".

Nesse caso, é estreito enxergar em Um Homem Sério uma sátira ao judaísmo. Na verdade, talvez os Coen estejam fazendo o completo oposto. Ainda que sirvam de piada ao longo do filme, conceitos absolutamente abstratos como tradição e fé (livros na estante, cerimônias, acúmulos de histórias) terminam enaltecidos. "Por favor aceite o mistério", diz a certa altura o sul-coreano ao judeu matemático.

E aí, numa leitura politizada, em sintonia com a referência que os Coen fazem à crise econômica, tradição judaica se mistura com tradição americana. Se o momento histórico pede lições de moral, Ethan e Joel deram a sua.

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UM HOMEM SÉRIO - 6/10 - Gosto dos Coen, mas este filme me decepcionou até mais do que "Queime Depois de Ler" que é apenas bacana. Aqui o seleto grupo de personagens excêntricos encontram-se deliciosamente personificados por um ótimo elenco, além de permitir que se explore a cultura judaica e as questões de causa, consequência e fé. Tudo em uma embalagem tecnicamente impecável. Mas o filme é todo realizado em banho maria, nunca esquenta, nunca decola e em alguns momentos até parece se levar a sério de mais. Um filme de roteiro que pode trazer todas aquelas técnicas de escrita e de orquestração de narrativa, mas que aqui não conseguem me atingir. Tiro o chapéu pelo seu desfecho, mas considero em linhas gerais bem frustrante.

 

PS: Li a crítica do Pablo, tudo que está escrito tá no filme, mas ainda assim não achei nada de mais... não quer me dizer nada.
Thiago Lucio2010-02-25 23:05:55
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Então o filme só estreou aqui em SP? É, os cinemas brasileiros estão indo de mal a pior...

 

Mas o filme é todo realizado em banho maria, nunca esquenta, nunca decola e em alguns momentos até parece se levar a sério de mais. Um filme de roteiro que pode trazer todas aquelas técnicas de escrita e de orquestração de narrativa, mas que aqui não conseguem me atingir. Tiro o chapéu pelo seu desfecho, mas considero em linhas gerais bem frustrante.

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Não acho que o filme não decola: pelo contrário, a cada cena o filme vai ganhando força. E sobre o filme "se levar a sério demais", não acho, até porque em alguns momentos essa seriedade é quebrada pelo humor negro: por exemplo, na cena em que Larry é obrigado ouvir da agora ex-esposa e seu novo amante que Larry terá que sair de sua própria casa pra morar com o cunhado num hotel. É uma cena que poderia ser séria, mas foi feita de uma forma cômica. Mas, enfim, depende de quem assiste.

 
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Sobre a merda que muitas vezes é ir ao cinema, same here. Mês passado na minha sessão de A Fita Branca um comediante deixou o celular tocando por uns 5 minutos.

 

A Serious Man? Gostei muito. Como o Gago falou, os caras tavam com a macaca. É um olhar bem raivoso sobre a cultura deles.

 

Visto no conforto do lar tb - não pretendo ver no cinema. Até pq o final é inconclusivo e eu tô de saco cheio de ouvir o povo saindo da sessão revoltado pq não mastigaram pra eles.
Zanile2010-03-06 17:09:20
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  • 2 weeks later...
  • 3 weeks later...
  • 8 months later...

Não gostei muito desse aqui. Achei chato (ohhhh, lá vem a discussão do "chato", hehehe). Nada do humor funcionou comigo, com exceção de um diálogo no meio do filme. De resto, nem parecia dos mesmos caras que fizeram Onde os Fracos... e principalmente Queime Depois de Ler. Vá lá que tem umas boas jogadas de câmera e edição, mas eu já sei que os Coen sabem fazer isso. Ou seja, Um Homem Sério não valeu pra muita coisa.

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