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Forum Cinema em Cena
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Mr. Scofield

Cineclube Light

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Bom, como sabem o Cineclube em Cena foi criado com objetivo explícito de aprofundar e melhorar as discussões ocorridas na seção de Filmes em Geral. A princípio coordenado pela moderação e com o auxílio de alguns usuários específicos, viveu seu momento glamoroso no fórum com ótimas discussões e depois foi perdendo o interesse gradativo dos usuários.

Visando corrigir as supostas deficiências do outro tópico e agregando algumas idéias provenientes de várias fontes (do próprio Nacka, desejoso de ver mais discussões sobre posts que se tornam meio abandonados no O Que Você Anda Vendo e Comentando? - normal pelo estilo do tópico; e de várias pessoas com as quais conversei a respeito - alguns dos quais nem participam do fórum hoje e de minhas próprias opiniões), pedi a autorização do Nacka, criador desse magnífico projeto do Cineclube para a criação e reformulação de algumas idéias, criando esse tópico também diferenciado.

 

A idéia aqui é contemplar críticas, resenhas e comentários mais aprofundados de quaisquer filmes e promover mais visualização de discussões de filmes mais alternativos, cinema asiático, europeu, cult, independente, etc. Mas a diferença para o Cineclube criado a princípio está na forma de utilização do espaço. Aqui não há datas específicas, filmes selecionados, usuários comprometidos a realizar a resenha em um dia específico. O espaço é livre para comentários dos filmes que quiserem quando quiserem. Quem sentir vontade de postar sobre algum filme que viu e achou interessante, inusitado e, principalmente quer discutir de forma mais ampla e abrangente é livre para postar aqui.

 

As regras também não são rígidas quanto aos filmes, valendo aqui o bom senso para avaliar a subjetividade. American Pie não é um filme cult, alternativo, cool, é uma comédia teen repleta de piadas adolescentes e coisas do gênero...mas se x quiser fazer um comentário sobre a linguagem  empregada no filme, a forma de abordagem da adolescência e os espelhos do suposto domínio da figura masculina nas relações de tal natureza, será hiper bem vindo. Acho que ficou claro que o espaço diz mais respeito à forma de abordagem dos temas e não aos filmes propriamente ditos e escolhidos.

 

Mas algumas observações:

 

O espaço será acompanhado pela moderação e não será tolerado flood;

O tópico não é para comentários do tipo "filme x: nota 10 - lindo, sensacional e perfeito" - estes serão apagados ou transferidos para o tópico "O que você anda Vendo";

Se você não concorda com o espaço, ou o acha elitista ou blahblahblah, exponha suas insatisfações no tópico de sugestões e dúvidas ou na CMJ - Não utilize esse espaço para isso, ou seja sensato e simplesmente não entre no tópico.

 

Espero que gostem e utilizem esse novo tópico para acrescentar e ampliar as idéias. O fórum mudou muito desde os últimos posts do Cineclube e espero que se torne atrativo. O espaço é de vocês, aproveitem, sugiram e vamos adaptando com o tempo. Se tudo correr legal, a gente fixa o tópico. 01

 

Começo catando essa preciosidade do usuário Tensor (posso?) postada no O Que Você Anda Vendo sobre o filme Dazed and Confused de Richard Linklater que parece ter ficado perdido no meio do limbo do tópico:

 

dazed1.jpg

 

 

Dazed and Confused (Richard Linklater, 1993) - 10

 

 

É incrível como existem filmes que estão bem ali, do teu lado, já

passaram por ti milhares de vezes, e tu nunca tinha os enxergado com os

olhos certos, mas na verdade isso é pq tu nunca sentiu eles do jeito

que poderia. Quase como uma guria que tu trabalha ou estuda junto,

sempre te dando a maior bola, e tu esnobando, até que um dia ela

arranja outro cara, tu começa a notar as coxas dela, a bunda, os

peitos, o quanto essa guria era legal e pensa "porra, onde eu tava com

a cabeça que não reparei antes?" e vira o amor da tua vida. Sorte que

filmes não te trocam por outros caras, mas todo o resto aconteceu

exatamente comigo. Eu sempre adorei Dazed and Confused, nunca dei menos

que nota 10 pra ele, não encontrei nada de muito novo nessa revisão, os

méritos continuam praticamente os mesmos, os motivos que fazem eu

gostar também, etc, mas... PORRA! Agora foi devastador, uma nostalgia

impressionante. Fiquei pensando aqui, os motivos que podem ter feito

ele subir de forma tão radícal no meu conceito dessa vez, e acho que

dois foram essências: um é o emocional, óbvio que eu tava muito mais

receptivo, muito mais no clima, com uma sensibilidade pra esse tipo de

mensagem bem mais aguçada e etc, e outro, principalmente, é o

perseptivo mesmo, antes eu via ele basicamente como um espelho da

melhor época, um retrato em movimento daqueles momentos fodões que hoje

só existem na lembrança, e quanto mais tempo passa, quanto tu puxa na

memória, vem sempre acompanhado com um sorriso bobão. E ele continua

sendo isso, só que hoje eu vi esse conceito ser aplicado de uma forma

bem mais ampla, bem mais generalizadora, não se limitando a ser uma

super memória não sua mas muito parecida, mas sim um resgate completo

dela com um ligamento do que você é hoje e do que será amanhã. É lindo

isso aqui.

O filme não é pra quem vive essa época, o filme é pra quem viveu

essa época (e quando falo época, não me refiro aos anos 70, mas sim

esse período colegial independente da década que tenha sido). O filme é

pra ser acompanhado sempre com o pensamento invejoso de que você já fez

isso tudo, sabe como é bom, mas que nunca mais vai voltar. Não tem como

dar muitas voltas nisso aqui, ele é o que mostra ser, essêncialmente,

ele é a garotada fugindo de uma surra, e tratando isso como um envento

mais aterrorizador que a segunda guerra mundial, que te consome por

completo.. ele é a gurizada saindo por aí, sem objetivo algum, apenas

pq o tempo naquele momento não faz falta, ele nem passa, na verdade...

ele é a insegurança de chegar numa guria pela primeira vez, ele é a

satisfação de quando se anda com uma turma que tu sempre idolatrou

"putz, esses caras são legais, eu sempre quis ser como eles", ele é a

sensação de ficar podre de bebado com 3 latinhas de cerva pela primeira

vez, e se sentir o rei do universo por isso, ele é a sensação de

imponencia, se superioridade, o prazer de intimidar os mais novos e

mais fracos apenas pq são mais novos e mais fracos, e você pode fazer

isso,ele é fazer qualquer merda na rua em qualquer lugar que tenha, só

por fazer mesmo, ele é FESTA o tempo todo, e sempre á caça de gurias e

álcool nela!... mas acima de tudo ele é tudo isso sendo visto por quem

já passou, por quem sabe que acabou, por quem vê aquela gurizada

aproveitando sem ter ainda a noção do que estão vivendo, sem saber o

quanto essa fase é mágica - e talvez a única fase mágica da vida - e,

inevitavelmente, se questionando se você passou direito por ela. Será

que não poderia ter aproveitado mais, se divertido bem mais? Mas aí não

vale, se alguém passar por ela com a real dimenssão do que ela

representa, seria sem graça. Ela tem que ser vivida por idiotas como

nós erámos e como todos ali são, não tem que ser pensada, só sentida, e

o filme fode totalmente no bom sentido com isso. E é incrível como o

final representa muito bem o final disso, eles no campo do ginásio,

deitados no gramado, fumando uma baseado, e ali, quando se dão conta

que acabou, tudo vai ficando... sei lá, precioso, e a única coisa que

vale na vida é aquele momento e os momentos em que eles se divertiram

pra caralho juntos. E porra, aqueles são momentos teus também, pq assim

como acabou pra eles acabou pra você também. Até que o dia amanhace, e

o tempo realmente passou. Foda. Eu diria até que se tornou meu filme

preferido hoje, mas sei lá, vou esperar um pouco.

 

 

 

Mr. Scofield2009-08-08 23:13:36

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Grande idéia. Acho que o próprio Nacka chegou a criar um tópico com esses mesmos fins e outro nome, não foi? De qualquer forma, parabéns!

 

Vi Dazed há muito tempo e não tenho segurança nenhuma pra comentar, mas lembro que gostei bastante. Esse é um que precisa ser revisitado.

 

Segue uma resenha do filme Caramelo que eu havia feito para o Multiplot! e que jamais foi postada, por motivos que desconheço:

 

caramel.jpg

 

Em Caramelo (Sukkar banat, 2007), a atriz Nadine Labaki, que também é a diretora do filme, interpreta Layale, uma esteticista que mora em Beirute e é apaixonada por um homem casado. Ela divide o salão de beleza com outras três mulheres, que também têm seus problemas: uma se sente velha demais para competir com mulheres mais jovens, outra vai se casar mas não é mais virgem e a última é gay. O fato de tais aspectos serem de menor importância ou mesmo irrelevantes em outras culturas já indica a ênfase do filme: estamos no Líbano, país onde as mulheres podem até se vestir como no Ocidente, mas que pratica os mesmos e velhos atentados contra a liberdade de expressão e sexual das mulheres árabes, embora de maneira menos ostensiva.

 

Dito isso, teríamos os ingredientes para um filmaço, mas infelizmente não é exatamente o que ocorre. Labaki opta por fazer um filme menos agressivo, quase esvaziando os choques culturais que existem no Líbano, nação que historicamente desempenhou o papel de ponto de encontro entre o Ocidente e o Oriente Médio e que, por isso mesmo, até hoje tem problemas de identidade. Não coincidentemente, algumas das mais belas passagens do filme mostram uma personagem quase que totalmente desvinculada desse contexto social: Rose, uma mulher idosa que tem que cuidar de Lili, sua irmã ainda mais idosa e que tem problemas mentais. Seu ato de amor por ela, que é um dos momentos mais bonitos que eu vi nos cinemas nesse ano, poderia ocorrer em qualquer outro lugar e com qualquer outra pessoa, homem ou mulher.

 

Ainda assim, o filme é bastante bonito. A suavidade dos tons dourados da fotografia e a edição de imagens, bastante eficiente, se juntam ao elenco de grande qualidade - e que realmente transmite a intimidade emocional que só os verdadeiros amigos têm - para deixar o filme muito acima da média. Num momento em que os cinemas exibem excrescências como Transformers - A Vingança dos Derrotados e Anjos & Demônios, o pequeno, porém sincero - ainda que com um jeitão de novela das 7 -, filme de Labaki é um verdadeiro colírio para os olhos maltratados do espectador.

 

3/4

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Ah é, você me mandou o texto e eu acabei esquecendo de dar alguma explicação. Só pra esclarecer então, Alex, o mp estava/está desativado. Eu procurava alguém pra passar a bola, mas não encontrei ninguém. Mesmo assim até postaria os textos que o pessoal fosse deixando no ccc ou que me mandassem quando tivesse um tempo (tem uma porção de textos e comentários por lá, incluindo o do Tensão ali em cima), mas formatei o pc esses tempos e perdi o photoshop. Anyway, qualquer dia eu pego o programa com algum conhecido e posto teu texto lá, ou então você poderia assumir o blog. Ou o Scofa, ou Tensão, etc, tá às ordens.

 

E desnecessário dizer que a iniciativa do Scofa aqui é louvável. Até conversávamos esses tempos (embora isso sim faça tempo, tipo coisa de ano atrás) sobre um tópico assim pra finalmente fazer do CeC um lugar interessante aos olhos de quem gosta de cinema (como foi na época do Cineclube). Tomara que funcione. Se um dia eu voltar a escrever sobre filmes, venho direto pra cá.

 

Vou deixa um textinho então, o último que eu fiz. OP do cinema do francês e um dos dez maiores dos anos 80 facilmente.

 

A Lua na Sarjeta (Jean-Jacques Beineix, 1983) - 4/4

 

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A Lua na Sarjeta é todo filmado como num estado de delírio, situado num mundo de sonhos e desilusões onde as emoções ganham luzes, texturas e neblina regidas pela estética onírica e pela sensibilidade em carne viva de Jean-Jacques Beineix. A dor, a frustração, a vingança, a raiva e a paixão como elementos impregnados, todos juntos, em cada centímetro da atmosfera irreal mista de noir e pesadelo que recai sobre o filme após a belíssima seqüência inicial, abrindo as portas de um mundo que anoiteceu sem que o dia seguinte jamais chegasse a nascer outra vez. Porque o dia seguinte já está morto.

Gérard (vivido cheio de ternura e solidão por Gérard Depardieu) é um estivador que vaga todas as noites pelas ruas do porto em busca do assassino de sua irmã, ou em busca de si mesmo, ou em busca de algo para buscar, quando encontra Loretta, a deusa em forma de Nastassja Kinski [/redundância].

E Loretta invade o filme como uma aparição. Ela entra no bar filmada de baixo, sob um contraluz dourado, passa por um néon amarelo e a câmera começa a girar pelo ambiente, como se ela tivesse gravidade, enquanto relâmpagos cruzam pelas janelas e uma trilha a la old hollywood toca ao fundo. O tempo pára, o filme entra em outra dimensão, tudo para que Beineix celebre sua femme fatale presenteada com o dom de roubar o universo todo para si e transformá-lo numa extensão do seu domínio, auto proclamando-se (através dos olhos de Gérard, filtro entre o mundo de Beineix e o do público) como o último rastro de beleza pelas ruas do porto.

A Lua na Sarjeta é um filme sobre medo, culpa, sonhos desfeitos. Segundas e terceiras chances. E Loretta é um espírito sobre o último trem do fundo da merda em direção ao miolo das nuvens, e a uma saída do pesadelo, ou a um sono ainda mais profundo. E Gérard tenta se deixar levar, permiti-se ao desconhecido e à possibilidade vaga de uma outra forma mais rara e mais forte de amor pela primeira e última vez, sentindo-se enfim como um ladrão, no poder de algo que não lhe pertence ou que não lhe inspira o único sentimento com o qual está acostumado.

O que há de mais belo na constelação tecida por Jean-Jacques Beineix é, ao fim de tudo, a falha converter-se em direção e a impotência em única rota possível. Encarar a penitência do mundo como um castigo merecido e a tristeza da alma como um sinal pulsante de que, com sorte, ainda há alguma alma para se sentir triste, e que a felicidade é na verdade um bem que Gérard não saberia jamais administrar.

Isso porque A Lua na Sarjeta é um filme sobre um homem feito de carne, sangue, remorso, fraqueza e vingança que, na falta de um alvo, resta desabar sobre ele mesmo, punindo-se com a forma de castigo mais cruel e nociva que já vi num filme: o veto aos próprios sonhos.

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Grande idéia. Acho que o próprio Nacka chegou a criar um tópico com esses mesmos fins e outro nome' date=' não foi? De qualquer forma, parabéns!

 
[/quote']

Sim, e ele o trancou e mandou para a lixeira por motivos que me deixaram revoltado e me fizeram abrir esse com algumas modificações (com a autorização dele, inclusive). Melhor deixar isso pra lá e continuar.

 

Eu pretendo tratar esse tópico como um cineclube mesmo e ver praticamente tudo que for postado aqui, ou ao menos à medida que puder.

 

Já estou com Dazed and Confused aqui (adorei o comentário do Tensor e adoro Linklater) e pretendo assisti-lo hoje. Logo, logo posto comentários. 05

Mr. Scofield2009-08-10 19:19:55

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Na verdade, esse tópico me fez lembrar de uma idéia proposta por mim há mais de dois anos, na época injustamente metralhada. Mas os tempos são outros e as necessidades mais urgentes, por isso, claro, não posso esconder toda a minha felicidade e o desejo de parabenizar o Scofa pela iniciativa. Minhas sinceras congratulações!

 

Quanto a Jovens, loucos e rebeldes, eu tenho pra dizer que sou completamente apaixonado pelo filme e que o enxergo de maneira um pouco menos literal que o Tensor.

 

Pra mim, o filme é menos sobre aqueles momentos em si e mais a respeito da alegria de viver daquelas

pessoas. É, na realidade, sobre observar seres humanos aproveitando intensamente suas vidas, se divertindo muito e, por mais que eventualmente idiotas, sendo felizes. Há uma paixão e empolgação pela vida no meio disso tudo que eu considero linda, inspiradora mesmo. E a narrativa leve do Linklater, junto com a maneira nostálgica como embrulha seu conteúdo, deixa o negócio todo bem agradável e gostoso de se assistir. Mas, no fim das contas, fica um gostinho amargo na boca mesmo: não porque aqueles tempos se foram, mas sim pela tendência natural que as pessoas têm de perder aquele espírito, aquela energia.

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Ótima visão, carica. Mas de qualquer forma, não consigo desvincular muito com o que eu falei, até pq quando falo de momento, quero falar da forma que eles vivem isso, como quando citei transformar a fuga de uma surra como um evento aterrorizador, é justamente pq eles vivem tudo intensamente, extrapolando tudo, intensificando qualquer experiência, como realmente deve ser.

E o cara parece que vai começar a continuação desse negócio aí mesmo, super ansioso.

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Na verdade' date=' esse tópico me fez lembrar de uma idéia proposta por mim há mais de dois anos, na época injustamente metralhada. Mas os tempos são outros e as necessidades mais urgentes, por isso, claro, não posso esconder toda a minha felicidade e o desejo de parabenizar o Scofa pela iniciativa. Minhas sinceras congratulações!

 

Quanto a Jovens, loucos e rebeldes, eu tenho pra dizer que sou completamente apaixonado pelo filme e que o enxergo de maneira um pouco menos literal que o Tensor.

 

Pra mim, o filme é menos sobre aqueles momentos em si e mais a respeito da alegria de viver daquelas

pessoas. É, na realidade, sobre observar seres humanos aproveitando intensamente suas vidas, se divertindo muito e, por mais que eventualmente idiotas, sendo felizes. Há uma paixão e empolgação pela vida no meio disso tudo que eu considero linda, inspiradora mesmo. E a narrativa leve do Linklater, junto com a maneira nostálgica como embrulha seu conteúdo, deixa o negócio todo bem agradável e gostoso de se assistir. Mas, no fim das contas, fica um gostinho amargo na boca mesmo: não porque aqueles tempos se foram, mas sim pela tendência natural que as pessoas têm de perder aquele espírito, aquela energia.[/quote']

 

isso.

 

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Há um diálogo, no meio do filme, que é um dos meus preferidos:

 

TONY: So, you're not gonna go to law school? What you wanna do then?

MIKE: I wanna dance!

 

Em menos de um minuto ele capta toda a alegria, esperança, melancolia e ingenuidade dessa fase da vida. Um negócio muito bacana de ver.

 

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Acabei de assistir a Dazed and Confused e me uno ao coro. O filme é uma preciosidade. Concordo totalmente com o Tensor quando diz que viver a época é o de menos, o filme atinge um emocional muito mais abrangente, de nostalgia aplicável a qualquer tempo porque a raiz está na intensidade de tudo, nas experiências, na felicidade de vivenciar, nas responsabilidades deixadas de lado em prol DO MOMENTO.

 

É esquecer um pouco o futuro e viver o presente. Linklater, para mim, escolheu uma época sensacional para retratar a estória porque, embora particularmente não tenha vivido nessa época e muito menos nos Estados Unidos, houve um aprimoramento da informação e da rigidez dos fundamentos morais no decorrer dos anos. Todas as ações dos personagens parecem incrivelmente ERRADAS, possivelmente mais até hoje que na época (somos bombardeados o tempo todo com as propagandas anti-drogas, o risco do álcool, os horrores do vandalismo urbano e a alienação dos jovens). Mas é impressionante como eles se mostram intensamente felizes com suas escolhas e o principal: nada parece dar errado.

 

O filme para mim mostra como nossos olhos treinados e experientes da idade que temos hoje se vinculam a um comportamento muito mais próximo dos pais dos rapazes que dos próprios jovens, mesmo ainda sendo jovens. E isso é, ao mesmo tempo, muito bom, porque mostra que temos mais consciência dos perigos das escolhas hoje, mas por outro lado péssimo, porque nos esquecemos de quanta alegria pode gerar algumas escolhas (correr o risco de viver pouco, mas intensamente ou correr poucos riscos, viver muito e deixar de lado os excessos?).

Mr. Scofield2009-08-13 18:39:22

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Resolvi rabiscar um pouquinho a respeito de Larisa (Elem Klimov, 1980). Não ficou grande coisa, mas este é um filme que precisa ser mais conhecido.

larisa-shepitko1.jpg

 

Uma

semana depois da sessão e ainda não consigo organizar de modo

satisfatório tudo o que Larisa foi capaz de me proporcionar. A beleza

da montagem inicial, por exemplo, é indescritível. O máximo que posso

fazer é alertar para a brilhante sincronia entre imagens e trilha

sonora. E, talvez, perguntar se essa colagem não fica realmente mais

triste assim, na abertura, do que em sua tradicional função de

desfecho. É um filme forte, cinzento, doído mesmo. E muito bonito

também. Que parece abraçar com sucesso - e em menos de meia hora (!!) - vários temas: amor, perda e cinema. O genial, no entanto, é

como essa elegia consegue conectar tudo isso.

 

 

Um dos

grandes méritos de Klimov é o de suscitar no espectador a vontade de

conhecer o trabalho artístico de Larisa Shepitko, sua falecida esposa, ainda consideravelmente

desconhecido no ocidente. Os comentários feitos pelas pessoas que se

envolveram artisticamente com a diretora russa parecem desenhar um

alguém cujo talento é milagroso, e as cenas de autoria da própria

Larisa, ao mesmo tempo impressionantes e lindas, aparentemente não os

deixa mentir. Entrementes, ela surge com depoimentos forrados de

lucidez e sabedoria. Uma coisa linda.

Truffaut

certa vez disse que sua expectativa com relação a um filme era a de que

ele expressasse ou a alegria ou o sofrimento de fazer cinema. Sempre

pensei haver muita verdade nessas palavras. Hoje, Klimov me trouxe a

certeza. Larisa saiu diretamente do seu coração. Um coração todo

arranhado e ferido. E a minha impressão é a de que ele não busca uma

cura, pois sabe que por mais que Larisa tenha ido, uma boa parte dela

permanecerá nas imagens que ele mesmo capturou e, acima de tudo, nas

obras que ela deixou.

Gago2009-08-18 13:52:09

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Que é um dos melhores filmes já feitos. Ou algo muito próximo disso. Por isso eu acho que o termo "estigmatizado" é um pouco impróprio. Mas tudo bem, eu entendi o que você quis dizer. E, claro, não dá pra discordar.

 

Poderia até ser sugerido que fosse montado uma espécie de módulo Klimov, para o pessoal se reunir, estimular o outro a ver uma parte da filmografia do cara, e depois se encontrar aqui e bater um papo. Mas aparentemente quase ninguém deu bola pra esse tópico. Uma pena. De todo modo, fica a dica para que assistam a Larisa, um filme maravilhoso.

 

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Assisti a "Vá e Veja" há muitos anos - em vhs, heheh

Comprei o dvd há uns meses, mas o mesmo ficou na prateleira imaculado. Vou ver se tiro a poeira em breve - até porque, a minha visão do filme hoje provavelmente será bastante diferente...

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deu merda no post de cima, sei lá pq.

 

spoorloos-johanna-ter-steege-and-gene-bervoets1.jpg

 

 

O Silêncio do Lago (George Sluizer, 1988) - 10

Qualquer coisa que mexa com esse lance de quebra de destino já faz com que me desperte uma certa curiosidade, já que é um negócio que eu sempre achei interessante, e esse aqui extrapola em todos os limites isso. O filme já destoaria de 99% de outros thrillers que tem por aí pelo simples fato da falta de dúvidas: o assassino já é revelado, o destino da vitima fica totalmente claro e a única coisa que nos resta é esperar um como aconteceu, e acompanhar o mergulho autodestrutivo por respostas de um personagem, e clareamentos sobre a personalidade sociopata de outro, o que só engrandece tudo, já que poupa qualquer perda de tempo em explorar qualquer clichê já exaustivamente explorado em coisas semelhantes. O cara que perde a esposa é interessante, toda a busca alucinada dele, a obceção por uma resposta dominando cada centimetro de músculo do corpo, a incapacidade de se vincular a qualquer coisa que não faça parte do mistério que tenta solucionar, ou distrair, nem que por um segundo, o pensamento sobre isso, é filmada de uma forma absurda, a sensação é que o tempo realmente passou de uma forma diferente pra ele: de uma forma rápida, como se nesses 3 anos não tivesse vivido outra coisa, e ao mesmo tempo sofreu toda a carga de tempo que o drama lhe causou nesse período. E o cara que faz o personagem ta demais. Mas não tem, 90% do filme é o sociopata filha da puta.

Não existe uma razão muito lógica pra ele fazer o que faz, a não ser o simples fato de fazer pq seria algo que ele não faria, seria como vencer a própria vontade e lucidez, como desviar a linha pré estabelicida da vida (que "inevitavelmente" já estava traçada) pra algo novo, destruindo o próprio destino e, consequentemente, o de outras pessoas. Não destruindo de forma literal, mas sim criando um inteiramente novo, como um cara que se forma na faculdade de medicina, já tem uma idéia bem clara do que lhe espera, e muda tudo esfaqueando uma pessoa qualquer na rua. Ele fugiu da vida que teria, venceu o medo dessa mudança, pelo simples conforto de se sentir dono do próprio destino. Evitar ou inevitável, ou algo do tipo. Enfim, é talvez o personagem mais interessante que eu vi no cinema, sem exagero.

E a forma que tudo é filmado é demais. Porra, aquela cena no inicio do tunel, ou o final (que é de uma crueldade absurda)... Bah, um dos melhores filmes do gênero, se não for o melhor.

Tensor2009-08-21 17:02:54

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Legal, peguei O Silêncio do Lago ontem. Não sei quando vou assistir, mas assim que o fizer eu retorno pra esse post. So uma coisa:

 

 

O filme já destoaria de 99% de outros thrillers que tem por aí pelo simples fato da falta de dúvidas: o assassino já é revelado

 

Em Banho de Sangue, do Mario Bava, o assassino não apenas é revelado, como é assassinado. na primeira cena do filme. ::%29

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Legal' date=' peguei O Silêncio do Lago ontem. Não sei quando vou assistir, mas assim que o fizer eu retorno pra esse post. So uma coisa:

 

 

O filme já destoaria de 99% de outros thrillers que tem por aí pelo simples fato da falta de dúvidas: o assassino já é revelado

 

Em Banho de Sangue, do Mario Bava, o assassino não apenas é revelado, como é assassinado. na primeira cena do filme. ::%29

 

ta baixando, te acalma. ::%29

 

e depois fala aí o que acho desse, nem tava esperando muito, mas é fantástico.

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Gosto bastante desse Spoorloos. Foi um filme que me fez pensar na existência de outras vidas inteligentes no cinema holandês além de Paul Verhoeven. O barato desse filme é a visão que o Sluizer tem do mundo em que aquelas pessoas vivem: bem desencantado, pálido, como se as cores fossem se desgastando com o tempo. É um detalhe que pra alguns pode parecer pequeno, mas que pra mim faz toda a diferença. Outra forte sensação que tive ao assisti-lo foi a de que ele é impregnado de uma morbidez quase subconsciente o tempo todo. Uma tensão só. E, claro, há aquele trecho final, que é uma das minhas refrências do verdadeiro horror.

 

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Gosto bastante desse Spoorloos. Foi um filme que me fez pensar na existência de outras vidas inteligentes no cinema holandês além de Paul Verhoeven. O barato desse filme é a visão que o Sluizer tem do mundo em que aquelas pessoas vivem: bem desencantado' date=' pálido, como se as cores fossem se desgastando com o tempo. É um detalhe que pra alguns pode parecer pequeno, mas que pra mim faz toda a diferença. Outra forte sensação que tive ao assisti-lo foi a de que ele é impregnado de uma morbidez quase subconsciente o tempo todo. Uma tensão só. E, claro, há aquele trecho final, que é uma das minhas refrências do verdadeiro horror.

[/quote']

 

pois é, mas parece que só o Verhoeven manteve o nível, já que o Sluizer cagou com sua própria obra. me refiro ao remake com Jeff Bridges (esse tá foda no papel do assassino, bom, ele é foda) e Kiefer Sutherland (nhé).

 

o orgininal é muito foda mesmo, eu havia escrito sobre ele ano passado no cCc, teve gente até baixando depois disso. vale a pena divulgar esses filmes mais "obscuros".

 

enfim, pra quem gosta desse aí, recomendo passar longe do remake (exceto por curiosidade mórbida) que destrói com o desfecho do original - que é das coisas mais fodas do filme.

batgody2009-08-22 19:35:10

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Two Lovers

 

E se amar significasse tudo? E se as irracionalidades inerentes a beleza desse sentimento pudesse nos sustentar diante de todas as adversidades que a vida nos traz?

Two Lovers se inicia com uma tentativa de suicídio de um rapaz que sofre de transtorno bipolar. Não fora a primeira vez, mas fica evidente que ele deseja mais que tudo VIVER e isso nem sua instabilidade psicológica conseguiu destruir. É como se a vida fosse uma chama incandescente residente em seu peito e perdesse a força vez ou outra, mas é intensa demais para se apagar completamente.

Com o futuro delineado por uma relação familiar complexa (e aqui cabe destacar a magnífica atuação de Isabella Rosselini como mãe, que, apesar de pouco conhecermos de seu histórico - como todos os personagens do filme - transmite sensações, desejos e emoções com suas expressões delicadas e que remetem a um profundo conhecimento das atitudes do filho). Leonard desenvolve métodos de escape da realidade, sem fugir de sua natureza humana - dotado de sexualidade, em busca da felicidade, buscando superar os problemas que fatalmente surgem simplesmente por existirmos.

E nessa busca, James Gray nos faz conhecer um homem diferente, que não se comporta de forma coerente com um ser tomado pela doença. Leonard consegue ser divertido, conquistador, malandro e, principalmente é capaz de amar. E amar intensamente.

Quando sua trajetória cruza com a de duas mulheres também de natureza inexplicavelmente dúbia (e esse inexplicavelmente tem a função de mostrar o quanto nossos comportamentos são misteriosos e não podemos ser enquadrados em padrões racionais) a estória se complica. A mistura do certo com o errado, do normal versus o anormal, do típico rivalizando com o atípico gera no final um furor absurdo, inexplicável, poderoso e cinematograficamente falando, beirando a perfeição.

Para lembrar de dois primores - e há muitos :

Spoilers

Há uma cena de criação de suspense no final do filme com um caminhar da personagem de

Gwyneth Paltrow em sombra empalidecida, até revelar seu rosto, enquanto Joaquin Phoenix espera ansioso até receber a

triste notícia de que ela o deixaria, que é uma coisa do outro mundo. Denuncia o contraste do mundo de delírio apaixonado de um homem que ama, mas ama tanto que esqueceu de perceber que a outra parte poderia não sofrer da mesma "doença" do morrer de amor, ou pelo menos não por ele.

 

Assim também se fazem

as cenas dos encontros lá em cima, especialmente a da explosão

psicológica de Leonard que se esgota em um "não quero mais te ver

novamente", enquanto durante todo o diálogo observamos as tomadas

fragmentadas por causa das pilastras, mostrando ora um personagem ora

outro, em um surto de nervosismo pálido, estranho e triste.

 

Fim do Spoiler

 

Belíssimo filme, dos melhores do ano. Atuação magnífica do excepcional Joaquim Phoenix e de Paltrow (que sempre adorei), sem contar Mama Rossellini, que dispensa comentários.

 

 

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Scofa gostando do Phoenix 13

 

já viu Noites Brancas do Visconti' date=' Scofa?

 

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Mas eu mudei minha opinião do Phoenix há algum tempo já. Acho a atuação dele em Walk the Line fabulosa (aliás, esse é um dos meus filmes preferidos).

Noites Brancas é fenomenal, assisti por indicação do Foras há algum tempo atrás, top 92. Agradeço a ele até hoje por ela.

 

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Olha meu texto de Le Notti Bianche aqui (que, se não me engano está no MP também)

Aliás, o filme de Visconti é MUITO superior a Two Lovers.

Le Notti Bianche (Noites Brancas)

 

 

Seria o amor um

sentimento explicável, com características simples e descritíveis,

existente em sua plenitude somente em um mundo onde a realidade não

predomina sobre a imaginação?

O

que dizer então de suas gradações - o amar demais, por exemplo - uma

entrega total a subdivisão de um fluxo consciente utópico, onde o real

não existe mais? (embora cá entre nós seja praticamente impossível

imaginar algo em que ambas as esferas: realidade e fantasia sejam tão

disjuntas a esse ponto).

Em

Noites Brancas, uma obra prima de Luccino Visconti indicada por meu

amigo Foras, todos os estágios desse sentimento controverso são

expostos, independente de seus potenciais destruidores ou compositores

na determinação de nossa felicidade. Felicidade esta também instável,

frágil, perturbada. Visconti não nos poupa nem um segundo durante os

107 minutos de projeção. O diálogo de sombras com o espectador, as

alternâncias entre o preto e o branco, o cenário tristonho, as

expressões impotentes dos personagens diante de algo tão

grandioso...tudo fala através do filme, tudo compõe a reprodução dos

fragmentos que remetem a tal sentimento quando analisados como um todo.

É preciso cada gota da construção dos planos e dos artifícios

cinematográficos para compor uma estória que ilustra algo tão difícil

de se dizer em palavras.

Os

personagens são pessoas simples. Mário é tão simples que no início do

filme, Visconti simplesmente se recusa a lhe conferir imponência sobre

o cenário repleto de sombras e solidão. Ele é filmado à distância e

tragado por ela, sem qualquer relevância em relação a um cão à procura

de alimento ou a um grupo de pobres a perambular pelas ruas, ou mesmo

uma pequena ponte erguida sobre um riozinho que se estende

paralelamente ao asfalto.

Tão

simples quanto ele parece ser a adorável Natalia, cuja dilaceração

psicológica avançada (porém ainda assim progressiva) perante a ação da

emoção produzida pelo amor que sentia por um homem misterioso é tão

evidente que ficamos imaginando os limites e prejuízos que podem advir

de tal sentimento. A percepção de Mário não é de todo incorreta:

insanidade parece ser uma possibilidade. Erra, porém, diante do

poderoso "amor", que mal sabe ele a princípio, já o possuía, cegava e

corrompia todo seu ser.

E

quando totalmente à mercê de tal adversário, Mario decide lutar em um

round injusto, suas pequenas vitórias representam momentos belíssimos.

O que dizer da cena da dança no bar, coroada com uma beleza

incomparável, mas impregnada com as mesmas contradições discutidas

anteriormente: as diversas pessoas que se interpõem entre os dois

contrastada com a felicidade estampada nos olhares, que não deixam de

se cruzar como se o fluxo de energia fosse constante, a linda melodia

contagiante contraposta com o incômodo da moça em não saber dançar e os

movimentos desajeitados de Mario e Natalia, refletindo em cada segundo

nos passos, o sentimento.

Ou

dos inúmeros planos em que cenas se entrecruzam em microambientes

distintos, cuidadosamente mostrados por Visconti como porções que

captam todos os elementos em conjunto?

A

conclusão, por mais que sombria, também é contraditória, de certo modo.

E aqui, recomendo a quem não assistiu o filme a parar por aqui e ir

correndo procurar esse magnífico exemplar de como a arte pode ser

perfeita. Seria a personagem de Natalie cruel o suficiente para

envolver Mario em um ciclo de autodestruição e frustração infinito ou

portadora de um amor tão infinito que era capaz de resistir a todos os

tipos de tentações e manter a força perante o amado, mesmo com a

distância e a incerteza de sua volta?

 

E o personagem de Mastroianni,

não menos controverso, com relação a linda moça morena que parece

encantada com ele, mas sofre de sua fúria incontida por um amor não

correspondido em relação a outra mulher? Só há espaço no coração para

um grande amor? Seria o final tão questionado pela simpatia de tal

protagonista uma punição exatamente pelo descaso com relação a outras

relações que poderia ter desenvolvido?

 

Mr. Scofield2009-08-30 18:20:30

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