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Forum Cinema em Cena

Festival de Veneza 2009


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Começa amanhã. Pode ser que algum filme desponte na corrida do Oscar. Os filmes da mostra competitiva:

 

- "Baaria" de Giuseppe Tornatore - Itália

- "Soul Kitchen" de Fatih Akin - Alemanha

- "La Doppia Ora" de Giuseppe Capotondi - Itália

- "Yi Ngoi" ("Acidente") de Cheang Pou-Soi - China, Hong Kong

- "Persecution" de Patrice Chereau - França

- "Lo spazio bianco" de Francesca Comencini - Itália

- "White Material" de Claire Denis - França

- "Mr. Nobody" de Jaco van Dormael - França

- "A Single Man" de Tom Ford - EUA

- "Lourdes" de Jessica Hausner - Áustria

- "Bad Lieutenant: Port of Call New Orleans" de Werner Herzog - EUA

- "The Road" de John Hillcoat - EUA

- "Ahasin Wetei" ("Between two words") de Vimukhti Jayasundara - Sri Lanka

- "El Mosafer" ("The traveller") de Ahmed Maher - Egito

- "Levanon" ("Líbano") de Samuel Maoz - Israel

- "Capitalism: A love story" de Michael Moore - EUA

- "Zanan-E Bedun-E Mardan" ("Women without Men") de Shirin Neshat - Alemanha

- "Il Grande sogno" de Michele Placido - Itália

- "36 Vues du Pic Saint Loup" de Jacques Rivette - França

- "Survival of the dead" de George Romero - EUA

- "Life during wartime" de Todd Solondz - EUA

- "Tetsuo the Bullet Man" de Shinya Tsukamoto - Japão

- "Lei Wangzi" ("Prince of tears") de Yonfan - China, Taiwan, Hong Kong.

 

 

Destes, me interessa mais o filme de Michael Moore. Vamos ver o que ele vai falar sobre o capitalismo e a crise financeira...
formula60442009-09-01 18:13:20
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Reporduzo aqui o que o Orlando Margarido, enviado do Portal Terra, disse sobre o filme:

 

 

Baarìa é uma produção de 25 milhões de euros dirigida por Giuseppe Tornatore, o cineasta que fez a Itália ressurgir no cinema comercial do mundo com filmes como Cinema Paradiso, Mediterrâneo e Malena, um elenco com participações especiais de Monica Bellucci e Michele Placido e os temas de fascismo e máfia que se tornaram simbólicos do país. Mesmo com esses recursos, esse primeiro concorrente ao Leão de Ouro deste ano, exibido hoje no Festival de Veneza, não empolgou nem um pouco a platéia de jornalistas. Isso porque, como é habitual, a representação de profissionais da casa costuma ser grande quando se trata de um título italiano. Foi o que fez o silêncio, ao final da sessão, ser ainda mais constrangedor.

 

A razão para isso está, em boa parte, nas características que justamente fazem do cinema de Tornatore ter a apreciação internacional que tem. Realizador que gosta de flertar com apelos melodramáticos, ele trabalha na tela a visão da Itália dos clichês, como o comportamento folclórico e exagerado de seus compatriotas, da malandragem e do amor temperado com muito sol e calor. Em Baarìa, esses aspectos reaparecem, mas agora a serviço de uma revisão histórica e política representada num painel de vida de um personagem, tipo idealista, desde a infância até a velhice, na Sicília.

Sicilianitá
Essa ilha ao sul da Itália, que já foi uma república separada, apresenta uma cultura muito particular em relação ao resto do país e é daí que o filme tira muito do seu material. Na coletiva, Tornatore se referia à "sicilianitá", algo como "sicilianidade", para expor a particularidade cultural da ilha. A começar pelo uso do dialeto - já presente no título do longa -, o que não é uma característica apenas siciliana, diga-se.

Baarìa, e onde se passa a história, é como os locais chamam Bagheria, cidade próxima a Palermo e local de nascimento do cineasta. Na exibição na manhã desta quarta-feira (2), a cópia trazia legendas em italiano, e, quando o filme estrear no Brasil, no próximo dia 25, haverá cópias em siciliano autêntico e outras "mais italianizadas", explicou o diretor.

Seu protagonista é Peppino (Francesco Scianna, quando adulto), garoto pobre que se vincula ao Partido Comunista do vilarejo, na época do fascismo, e cresce para a liderança. Não chega a ter propriamente um trabalho, vivendo de expedientes. Mesmo assim, casa com a mais bela jovem do lugar, Mannina (Margareth Madè). Em torno do casal, Tornatore desenvolve uma espécie de crônica épica até os dias atuais, resvalando no poder da máfia que toma conta da Sicília.

Tudo pelo social
Na entrevista, o diretor disse que não pretendeu fazer do filme uma homenagem ou retrato da região onde nasceu, mas sim um trabalho que seja útil no sentido de servir a uma reflexão e a uma provocação da política que se faz hoje, especialmente a pertinente à esquerda.

"É importante aceitar o pensamento diverso e a convivência com a diferença", apontou. "Penso num modo justo de fazer política, pois hoje temos um modo pouco razoável. Por isso quis mostrar um personagem que tem uma paixão civil, de luta por melhores condições de vida em seu país."

Tornatore elege seu filme como uma alegoria do que seria a condição ideal de convivência. "Na minha casa, não aprendemos só a como usar o garfo quando pequenos, mas também o sentido de coletividade."

A intenção pode ser boa, mas são vários os obstáculos na fita para cumpri-la: da música de Ennio Morricone, exagerada e incômoda como todo o som do filme, à falta de talento e apelo do elenco principal, formado por atores sicilianos novatos.

Esse não deve levar. Não sabia que o Tornatore dirigiu "Cinema Paradiso". Todo mundo que ouvi sobre o filme diz que é bom.
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Essa lista tá na ordem de exibição?

 

Não. Acho que depois os organizadores definem quando esses filmes vão passar. Amanhã vão ser exibidos "Life During Wartime" e "The Road", esse último um dos filmes na corrida pelo Oscar.

 

E a jornalista Neusa Barbosa, enviada do portal UOL, gostou:

 

 

O segundo concorrente ao Leão de Ouro em Veneza, "A Estrada", produção norte-americana dirigida pelo australiano John Hillcoat, mirou num apocalipse futurista, mas investiu muito de sua energia na relação de amor entre um pai (Viggo Mortensen, de "Um Homem Bom") e um filho (o ótimo adolescente australiano Kodi Smit McPhee). O filme será exibido em sessão de gala nesta quinta (3) e tem estreia prevista no Brasil para fevereiro de 2010.

 

O enredo baseia-se no livro homônimo, assinado pelo escritor Cormac McCarthy (autor de "Onde os Fracos Não Tem Vez", filmado pelos irmãos Ethan e Joel Coen) e que venceu o prêmio Pulitzer. Num tempo futuro indeterminado, uma catástrofe ambiental de proporção planetária varreu a natureza. Terremotos, incêndios e temporais se sucedem, ao mesmo tempo em que a atividade econômica se interrompe, bem como toda vida social.

 

Ilhada nestes tempos obscuros, uma família, formada por uma mulher (Charlize Theron, de "Terra Fria"), um pai (Viggo Mortensen) e seu filho (Kodi Smit McPhee), sobrevivem como podem. Até que ela perde a esperança. Mais tarde, somente o pai e o filho são vistos juntos, errando por estradas devastadas e perigosas, infestadas de gangues canibais. O destino da mãe só é revelado mais adiante na história.

Com ecos de outros filmes mais ou menos recentes abordando diversos tipos de apocalipse - como "Extermínio", de Danny Boyle, "Eu Sou a Lenda", de Francis Lawrence, e até mesmo "Ensaio sobre a Cegueira", de Fernando Meirelles - o filme de Hillcoat tem energia e personalidade. Embora claramente não seja nada fácil de assistir.

A tensão que "A Estrada" produz no espectador é genuína. É o tipo de filme que se assiste com os sentidos acesos e o coração apertado. E sustenta com força sua única premissa - o que será deste pai e deste filho, procurando manter um mínimo de amor e de ética num mundo em que a sobrevivência se tornou o último desafio?

Uma outra atração está nas pontas de alguns atores conhecidos - caso do veterano Robert Duvall e do australiano Guy Pearce ("Amnésia"), quase irreconhecíveis debaixo de pesada maquiagem.
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É verdade, aquilo é uma bosta extratosférica de proporções épicas (sai no meio da sessão). Mas o diretor é o marido dela, daí não é tão estranho assim ela ter aceitado participar. Além disso, ela nunca se deu bem com produções mais comerciais (como indica The Forgotten, Evolution, Next, Laws of Attraction, Trust the Man, etc.).

 

Mas porra, Tom Ford? Isso é que é estar sem grana...
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Parece que "Life During Wartime" é o primeiro favorito ao Leão de Ouro. Mas está apenas no início...

 

Amanhã é que vai passar a refilmagem de "Vício Frenético" por Werner Herzog. A princípio me surpreendi com essa refilmagem porque, cá pra nós, o filme não é tão antigo assim, e ainda é bastante lembrado por aqueles que adoram cinema alternativo.

 

Será que o Nicolas Cage vai engrenar uma boa atuação? Desde "O Sol de Cada Manhã" ele tá devendo uma. Hoje revi "Adaptação" e digo: é a melhor atuação dele nestes últimos 10 anos.

 

 

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O Jonny perguntou se o filme de Werner Herzog seria a ressurreição de Nicolas Cage. É, acho que não, parece que quase houve vaias para o filme. A crítica de Orlando Margarido:

 

O clima parecia que ia esquentar na reunião com os jornalistas, realizada nesta sexta-feira (4), do filme Bad Lieutenant - Port of Call New Orleans.

Não da temperatura exterior ao Casinò, onde acontecem as entrevistas do

Festival de Veneza, que nesta época do ano ultrapassa fácil os 36º. Mas

dentro da sala, onde um jornalista perguntou ao cineasta alemão Werner

Herzog se ele havia pedido licença a Abel Ferrara para usar o mesmo

título de um filme deste de 1992, exatamente Bad Lieutenant (Vício Frenético,

no Brasil), e se não achava a história muito similar. Para espetar

ainda mais o diretor, ainda quis saber se ele já havia consumido

drogas. "Em que planeta você vive, é o que eu lhe pergunto", disparou

de volta Herzog, visivelmente irritado. Para depois responder que nunca

viu o filme de Ferrara e nunca falou com ele a respeito do filme. E que

muito menos havia experimentado drogas algum dia.

 

Os questionamentos feitos procedem. Além do título, a trama e o

personagem que foi de Harvey Keitel no filme de Ferrara e agora é de

Nicolas Cage tem semelhanças inegáveis. Trata-se do mesmo tipo de

investigador da polícia corrupto e viciado em drogas que apela a todos

os desvios de ética possíveis e se alia ao crime organizado para

garantir seu vício. Como pano de fundo, temos a investigação, no caso

da fita de Herzog, da chacina de uma família de senegaleses, a qual

Terence, o personagem de Cage, está encarregado e leva com descaso e

imprudência a ponto de deixar a única testemunha fugir.

Mais preocupado em conseguir crack, cocaína ou heroína das

apreensões da própria polícia ou na base da extorsão de ricos clientes

de prostitutas, inclusive sua própria namorada (Eva Mendes), Terence

vai se descontrolando aos poucos até chegar ao impasse de perder seu

distintivo. Sempre alterado, em estado quase psicótico, o personagem de

Cage lembra as parcerias radicais de Herzog com Klaus Kinski, seu ator

fetiche em filmes como Fitzcarraldo, que terminaram em desacordo

definitivo entre os dois. Mas Herzog se limitou a negar qualquer

intenção de Cage em lembrar Kinski e que isso era passado. Cage disse

que seria impossível imitar a intensidade do ator polonês na tela. "Eu

teria que estar possuído de seu espírito".

O filme não foi recebido com grande empolgação na sessão de imprensa,

que terminou silenciosa e com alguma tentativa de vaia. Pode-se tentar

dedicar esse desânimo a um tema já por demais executado no cinema

americano. Herzog atualmente está radicado em Los Angeles, segundo ele

pela razão de viver um casamento feliz ali, e situou sua fita na Nova

Orleans logo depois do furacão Katrina. "Eu fiquei impressionado com o

que aconteceu ali, e passei a pensar como a cidade se recuperaria, não

só do modo econômico, material, mas como voltaria a lidar com valores,

a justiça, as leis", justificou o diretor. "Além disso, queria abordar

ainda alguns aspectos sociais e políticos dos Estados Unidos que acho

importante tratar depois do 11 de Setembro (data do atentado ao World

Trade Center); e o personagem principal representa essa possibilidade

de salvação que o país inteiro precisou ter; por fim, é o tipo de

história e personagem que eu adoraria ver num filme no cinema, então eu

os fiz". Ou seja, Herzog parece cometer o pecadilho cinematográfico de

realizar, sob seu ponto de vista, o que muitos colegas americanos

fizeram antes e melhor.

 

Então, se Herzog acha que não é uma refilmagem de "Vício Frenético", mas os protagonistas são parecidíssimos, será que pode pintar um processo por plágio?

 

formula60442009-09-04 18:25:05

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Notas deste fim de semana no festival:

 

- O novo filme de Michael Moore, "Capitalism: A Love Story", como sempre, foi elogiadíssimo, e é o favorito até agora na Competição do Leão de Ouro.

 

- Também muito aplaudido foi "South Border", de Oliver Stone, sobre Hugo Chávez. Esse é exibido fora da competição.

 

- "O Desinformante" também foi bem recebido. Orlando Margarido comparou esse filme com "Queime Depois de Ler".

 

- Uma pergunta que deixo no ar: como é que festivais como Cannes e agora Veneza deixam uma mulher como Paris Hilton entrar nos festivais?

 

formula60442009-09-06 19:08:22

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E o Leão de Ouro foi para um film que passa dentro de um tanque de guerra. Parece bem interessante. Os filmes sobre a guerra do Líbano andam muito bem elogiados.

 

Os vencedores (copiei do site do Festival de Veneza):

 

Leão de Ouro: Lebanon by Samuel MAOZ (Israel, France, Germany)

Leão de Prata (ou melhor diretor): Shirin NESHAT for the film Zanan Bedone Mardan (Women Without Men) (Germany, Austria, France)

Prêmio Especial do Júri: Soul Kitchen by Fatih AKIN (Germany)

Coppa Volpi para Melhor Ator: Colin FIRTH in the film A Single Man by Tom FORD (USA)

Coppa Volpi para Melhor Atriz: Ksenia RAPPOPORTin the film La doppia ora  by Giuseppe CAPOTONDI (Italy)

Prêmio Marcello Mastroianni para ator ou atriz revelação: Jasmine TRINCAin the film Il grande sogno by Michele PLACIDO (Italy)

Osella para melhor direção de arte: Sylvie OLIVÉfor the film Mr. Nobody  by Jaco VAN DORMAEL (France)

Osella para melhor roteiro: Todd SOLONDZ for the film Life during Wartime by Todd SOLONDZ (USA)

 

É, "A Single Man" surpreendeu. E Colin Firth, um ator bastante criticado pelas suas atuações, calou a boca dos críticos. Alguma chance de Oscar para o filme?
formula60442009-09-12 15:39:11
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