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Forum Cinema em Cena

$ = repressão do talento?


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Galera, o objetivo desse tópico é reativar uma discussão de anos atrás sobre os possíveis efeitos da grana sobre a qualidade de uma obra.

 

Acho que podemos definir claramente duas vertentes extremas aqui:

 

1) Os que acham que isso é uma besteira completa, que os verdadeiros autores, independente da grana disponível, sempre entregarão algo que represente exatamente o que ele gostaria de mostrar.

 

2) Os que acham que pode ocorrer uma vontade demasiada em se utilizar das facilidades proporcionadas pelo dinheiro  e mesmo cineastas de talento podem "se deixar levar" por isso e acabr gerando algo desprovido da criatividade que poderia ter se houvessem restrições.

 

E aí, o que vocês acham?

 

 

 

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Eu acho que as duas situações coexistem. Um autor sempre irá entregar uma obra que o represente, independente da grana que está envolvida, mas é claro que quanto mais limitado ele estiver, mais ele terá que se virar nos 30 e ser digamos mais criativo. Mas uma coisa não anula a outra... rsrsrs... acho que falei, falei e não disse nada... 06

 

Eu sei que você não queria fazer esse tópico por causa do James Cameron, mas ele foi um puta autor em "Avatar" assim como foi no primeiro "Exterminador do Futuro".

 

Eu citaria o Peter Jackson também, mas acho que só seria apropriado se tivesse visto "Um Olhar no Paraíso". Mas "King Kong" não deixa de ser um filme autoral assim como foi "Almas Gêmeas". E não posso dizer que em um ele foi mais criativo do que em outro.

 

O assunto pode render...03

 
Thiago Lucio2010-03-10 22:13:19
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Não seria capaz de me posicionar, nesse caso. Acho que, no geral, um artista talentoso é capaz de lidar com toda e qualquer dificuldade em seu caminho - incluindo a falta ou o excesso de grana. Mas é claro que isso não pode ser generalizado, muito menos num meio como o cinema e se tratando de diretores, notoriamente (sim, isso é uma generalização) os seres mais egocêntricos e arrogantes do mundo.

 

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O exemplo do Jackson é bom para um lado mais prático dessa discussão: quando um sujeito recebe 150 milhões de um grande estúdio, ele vira um funcionário que tem que entregar um produto com certas restrições. The Lovely Bones - um filme caríssimo, um dramão com cara de blockbuster - é sobre uma garota que foi estuprada e esquartejada, e o que é mostrado no filme não choca nem o público da Xuxa. Claramente todo o material pesado foi deixado de lado para que se conseguisse uma classificação mais branda. O que aconteceu, o filme foi PG-13 nos EUA.

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Acontece as duas coisas. Vai depender justamente da capacidade do realizador de balancear as ideias que surgem na esteira de um caminhão de dinheiro. É óbvio que dificuldades e limitações financeiras são um verdadeiro empurrão criativo... a busca por soluções o obriga a repensar muitas coisas e dentre elas pode aparecer a grande sacada que "faz" o filme. Mas pergunta para alguém que vive produzindo nesse perengue se isso é o ideal? Evidente que não...

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Sobre o tópico, lembrei agora de Shyamalan.

Os filmes dele sempre foram diferentes, indo meio que contra a correnteza. Não ouso falar em cinema autoral pq no fim das contas os estúdios bancavam o projeto. Ai ja viu né...06

 

Mas mesmo assim na maioria deles, Shy conseguiu imprimir algo seu.

Tô torcendo pra que a incursão dele em blockbusters, no caso The Last Airbender, dê certo e que o fime fature.

 

Assim ele vai ganhar mais "carta branca" com os estúdios e poderá continuar com seu cinema "diferente".

 

Acho que é o grande desejo de boa parte desses diretores: emplacar 1 ou 2 grandes sucessos pra conseguir grande autonomia nos próximos trabalhos.

 

PS: à exceção de Fim Dos Tempos (The Happening), gosto de todos dele. Inclusive o controverso Lady in the Water rss. Sou fã de A Vila, Unbreakable, Sexto Sentido... e gosto muito de Sinais.

 

 
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Não lembro de nenhuma vez que as duas coisas foram equalizadas a contento na história do cinema. Ninguém faz filmes sem dinheiro (é bom lembrar que existem muitas lendas) e quando tem de sobra, tende a pesar a mão.

 

Às vezes recursos de menos e sobrenome (e prestígio) demais também conta...

 

 

 
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Não pode misturar essa idéia de que dinheiro reprimi a criatividade.

 

Sem dinheiro Spielberg teria parado no Encurralado, dali pra frente todos os seus filmes precisou de muita grana, mas muita grana mesmo.

 

JC segue pelo mesmo caminho.

 

Acredito que hj com pouca ou muita verba apenas Paul Thomas Anderson e Ridley Scott (Sr. pau pra toda obra) conseguem fazer trabalhos excelentes.

 

 

 

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Sei lá, cada vez mais me parece que produtos de entretenimento vindo dos EUA tendem a trocar idéias por bonequinhos digitais. Hurt Locker está aí pra provar que filmes tecnicamente impecáveis podem ser produzidos com recursos limitados. Enquanto isso, caminhões de dinheiro fazem Sherlock Holmes se tornar um arremedo do que realmente é (eu até gosto do filme). E mesmo o Guy Ritchie, que não é nenhum gênio, já tinha feito coisa muito melhor com muito menos.

 

A verdade é que tenho sérias restrições com CGI no geral. Avatar, por exemplo, é estupendo tecnicamente e tals, mas ainda via bonequinhos digitais ali. Acho que o CGI tende a ser melhor utilizado quando complementa algo, como nos maravilhosos efeitos de Where Wild Things Are, que arrisco considerar melhores que os revolucionários do Cameron.

 

O Zemeckis é um exemplo de cineasta competente que se foi, levado por tecnicalidades mirabolantes. Seus filmes recentes são uma tristeza de idéias, empurrados por (na minha opinião) uma tristeza de efeitos.

 

Tenho medo que algo que deveria ser o meio se torne o fim e que cineastas interessantes se tornem produto pasteurizado.

 

 

 

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Às vezes recursos de menos e sobrenome (e prestígio) demais também conta...

 
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Se alguém tiver a oportunidade, assista ao documentário "O Inferno de Clouzot".

l-enfer-d-henri-georges-clouzot-18781-2117080265.jpg

 

O Clouzot era um diretor que neste tópico seria considerado do grupo que tem talento. Mas quando na década de 60 ele foi fazer um filme chamado "O Inferno", acabou conseguindo um orçamento enorme para os padrões franceses, muito dinheiro mesmo.

E em meio ao estouro da Op Art, ao invés da falta de criatividade, ele simplesmente estravazou o bom-senso, levando o seu perfeciconismo a níveis absurdos. Afundou uma produção que contava com Romy Schneider e Serge Reggiani, e uma equipe invejável por trás das câmeras.

 

Tem gente que não lida bem com dinheiro.
Stradivarius2010-03-11 11:38:35
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Um Olhar no Paraíso é' date=' para mim, um bom exemplo do item 2. Isso não significa necessariamente que eu seja da segunda vertente.

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Será que ele é um exemplo do item 2? Pelo que andei lendo, parece que esse Um Olhar no Paraíso custou BEM menos do que os filmes épicos anteriores do Jackson...
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O exemplo do Jackson é bom para um lado mais prático dessa discussão: quando um sujeito recebe 150 milhões de um grande estúdio' date=' ele vira um funcionário que tem que entregar um produto com certas restrições.[/quote']

 

É isso. Claro que existem exceções, mas nenhum estúdio em sã consciência entrega uma grana alta para um diretor e diz "faz o que tu quiser". Quanto maior o investimento, mais garantias de retorno a empresa vai querer ter. E no mundo real (de novo, existem exceções) um trabalho estritamente autoral tem menos chances de sucesso comercial (quantas rimas...) do que outro que obedece algumas fórmulas testadas e aprovadas.

 

Então, respondendo a pergunta do tópico, se o investimento não for de um magnata amante de cinema que caga para o retorno, sim, grana significa repressão de talento via regra.

 

 
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Sei lá' date=' cada vez mais me parece que produtos de entretenimento vindo dos EUA tendem a trocar idéias por bonequinhos digitais. Hurt Locker está aí pra provar que filmes tecnicamente impecáveis podem ser produzidos com recursos limitados. Enquanto isso, caminhões de dinheiro fazem Sherlock Holmes se tornar um arremedo do que realmente é (eu até gosto do filme). E mesmo o Guy Ritchie, que não é nenhum gênio, já tinha feito coisa muito melhor com muito menos.

 

A verdade é que tenho sérias restrições com CGI no geral. Avatar, por exemplo, é estupendo tecnicamente e tals, mas ainda via bonequinhos digitais ali. Acho que o CGI tende a ser melhor utilizado quando complementa algo, como nos maravilhosos efeitos de Where Wild Things Are, que arrisco considerar melhores que os revolucionários do Cameron.

 

O Zemeckis é um exemplo de cineasta competente que se foi, levado por tecnicalidades mirabolantes. Seus filmes recentes são uma tristeza de idéias, empurrados por (na minha opinião) uma tristeza de efeitos.

 

Tenho medo que algo que deveria ser o meio se torne o fim e que cineastas interessantes se tornem produto pasteurizado.

 

 

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Eu também reconheço a proficiência tecnológica de Avatar e tudo mais, mas acho que nem nesse aspecto o filme consegue ser o número um. Olho, por exemplo, para O curioso caso de benjamin button, que é um filme do qual não gosto, inclusive bem menos que o do Cameron, e vejo uma revolução nesse sentido que eu particularmente julgo muito mais poderosa, apesar de jogar bem menos luzes sobre si mesma.

 

Simplesmente não consigo lembrar, a título de exemplo mesmo, de nenhuma cena ou passagem desse filme que me impressione a metade do que consegue a cena da perseguição de carros na chuva, em Os donos da noite. Eu juro, chega a ser covardia a comparação.

 

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Sobre o tópico, é bem mesmo o que o Fulgora falou: Quando há um alto investimento, invariávelmente mais amarras criativas serão colocadas no diretor, uma vez que quem investe quase sempre buscará retorno (a não ser que seja alguém que não se importa com o dinheiro). Claro que há exemplos de diretores que conseguiram conciliar isso, mas isso ainda não é uma regra.

 

 

 

Uma das saídas (inclusive utilizada por muitos diretores) para ter a sua liberdade criativa o menos castrada possível é ser um dos produtores do filme. Aliás, mesmo o que pode parecer a primeira vista o cenário ideal para um diretor (que é ser o ÚNICO produtor do mesmo) pode-se tornar um tremendo martírio, já que o mesmo terá que lidar com inúmeras atribuições fora do ofício de diretor.

 

 

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Concordo demais com o que o Vini disse, sobre o filme do James Gray. Eis aí um exemplo brilhante de como a tecnologia pode ser usada de modo pleno, a serviço da qualidade e em função da narrativa. E, ainda mais, num filme que além de ser um grande entretenimento, é cinema autoral.

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  • 6 months later...

Eu sempre tenho a impressão de que tudo está mais comercial nos dias atuais. Principalmente musica e cinema. É raras as ocasiões em que um cineasta que dispõe de MUITO dinheiro, o usa para enriquecer o filme. O que vemos hoje em dia é só mescarar um filme com efeitos especiais. (Eu não entou generalizando) Os filmes que eu mais adimiro são aqueles de custo baixo, e que fazem sucesso até hoje, como Psicose e Cães de aluguel.  01

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