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Programas de Transformação da TV Brasileira


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Existem na televisão brasileira alguns
programas que se propõem a fazer a transformação visual de
tele-espectadores. Globo, SBT e Record produzem shows nesta linha. Em um
destes, a dupla de apresentadores chega ao extremo de rasgar algumas
peças de roupas e até a jogá-las no lixo para desespero da pessoa que
participa do tal reality show. Tudo em nome da moda e de um novo visual
de Cinderela.  Pelo que se vê nestes programas, a pessoa recebe roupas
de grife adquiridas em boutiques da moda cujos modelos, sapatos, bolsas e
acessórios custam pequenas fortunas;  tratamento de beleza em salões
frequentados por quem tem uma boa conta bancária; assessoria de
maquiadores, cabeleireiros, consultores de moda, etc… etc… Enfim, todos
os profissionais envolvidos em transformar uma pessoa simples em uma top
model.


A pessoa que recebe este tratamento de
pop star se sente importante e é claro que vai desfrutar, por alguns
dias, a sensação de ser especial, linda, maravilhosa e com a ilusão de
que tem uma conta bancária milionária para sustentar todo este luxo. Mas
aquela história infantil de gata borralheira que se transforma em
cinderela não é mera coincidência: A fantasia tem hora para terminar. E,
em alguns casos, antes do badalar da meia-noite.


Fico me perguntando: O que ocorre com
estas pessoas (mulheres principalmente) quando a tintura do cabelo
começar a descolorir, os sapatos gastarem e a maquiagem terminar? Como
usar a tal roupa elegante que não é compatível com o tipo de serviço que
executam diariamente? Onde usar tais vestidos e acessórios de grife sem
parecer estranho no ninho já que o ambiente que freqüentam não condiz
com  a roupa que a maioria usa? Isto sem levarmos em conta que a tal
vestimenta de grife vai desbotar sair de moda ou mesmo virar pano de
chão em algum momento. Quando tais circunstâncias aparecem, o que elas
fazem? Dinheiro para repor o guarda roupa, comprar novas maquiagens e
fazer tratamento de beleza não existe. Os profissionais da beleza e da
moda não trabalham de graça e a produção televisiva não vai arcar com
tais despesas vida a fora.  Citando o poeta Carlos Drumond de Andrade :


“a festa acabou, a luz
apagou, o povo sumiu, a noite esfriou, e agora, José? e agora, você?”


Seria interessante reencontrar estas
mulheres, meses depois, e verificar como resolveram esta questão da
falta de dinheiro para manterem o mesmo nível “social” e o mesmo estilo
de vida a que foram levadas a usufruir. Sentiram frustração em não poder
manter este mesmo padrão de vida? Que prejuízos morais e éticos
sofreram ao perceberem que seus status eram apenas um Ibope televisivo
de momento e que a vida real e diária não condiz com a mulher no
espelho? E seus maridos, namorados ou companheiros que receberam uma top
model de presente, e agora vivem com aquela mulher que sempre
conheceram?  Todo mundo merece ser feliz, claro. Quem não gostaria de
ser lindo (a), elegante e rico (a)? Os programas de televisão realizam
estes sonhos por alguns dias e não se propõem a fazer algo mais
permanente. O que não deixa de ser cruel na medida em que a rotina é bem
diferente e o dinheiro não chega fácil. Valeu a pena eu pergunto, esta
ilusão de querer ser uma modelo de beleza e se submeter a esta ditadura
da moda que a todos pasteuriza e uniformiza? E a personalidade e o
histórico de vida do indivíduo não conta? Ter a falsa ilusão de ser o
que não é e ter o que de fato não tem, evidentemente tem um preço. É
preciso sonhar e realizar alguns sonhos, claro. Todo mundo merece ser
feliz. Mas neste caso em particular, parafraseando o poeta: E agora?


Seria mais salutar dar condições a estas
pessoas para que a tal transformação fosse mais duradoura e não só
aparente. Porque não um programa de televisão que financiasse um curso
profissionalizante para que a pessoa tivesse oportunidade de um emprego
com melhores salários e assim ter condições de comprar, com seu próprio
rendimento, melhores roupas para si e sua família?  Ou um programa que
custeasse um tratamento médico para pessoa com alguma debilidade motora
para que ela não tivesse que depender de terceiros para viver com
dignidade?  Talvez uma cirurgia plástica para corrigir alguma
deformidade facial que isola pessoas em suas casas e assim as libertarem
para também, através do próprio labor, adquirir seus bens. Enfim,
programas que estivessem mais preocupados em transformar, não só a
aparência ou o modo de vestir, mas dar condições e ferramentas para que o
próprio indivíduo possa transformar a sua vida através do próprio
trabalho e esforço.


Ana Maria Braga, em seu programa Mais
Você fez uma transformação valiosa neste particular. Pegou um casal de
drogados que vivia em baixo da ponte e internou-os em uma clínica de
reabilitação. Conseguiu, através dos seus patrocinadores, um emprego
decente a cada um deles e ainda vai financiar, do próprio bolso, uma
casinha para que possam viver como seres humanos. E periodicamente se
propôs a fazer o acompanhamento do tratamento a que o casal está fazendo
para abandonar o vício. Isto sim é uma transformação. Porque
transformou a vida e deu-lhes a chance de viverem por seus próprios
meios financeiros e, acima de tudo, deu-lhes objetivos de vida e um
horizonte de perspectivas novas.


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As atrações assistencialistas... O público tem um fascínio por elas.

 

Quem participa da transformação sabe que não tem condição de se manter naquele alto padrão. Mesmo assim se deixa levar pela ilusão, para depois se decepcionar? Ou tem aquilo como uma brincadeira e aproveita enquanto pode, sem ressentimentos depois?

 

Nunca vi um programa de TV dedicado a transformar as pessoas, mas apenas um quadro onde a transformação era colocada como brincadeira de momento, para fazer propaganda de tintura de cabelo. Se entregarem roupas, acessórios e maquiagem com a promessa de que agora a pessoa será chique, fica mais complicado.

 

Eu acho fútil entrar no processo de embelezamento, se uma pessoa não pode continuar assim. Sempre que eu tenho opção, escolho fazer alguma coisa direito ou não fazer. Não aceitaria passar por aquele tratamento sofisticado, se ele fosse importante para mim e no dia seguinte eu tivesse que ver o sonho se desmanchar.

 

 

Lucy in the Sky2010-04-12 19:37:48

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Eu realmente gostaria de ver estas mulheres depois de alguns meses. Seria interessante saber como elas lidaram com o fim do sonho de cinderela.

 

Se a pessoa vai sabendo que é só um programa de tv e que depois a vida continua na mesma tudo bem. Mas depois de se vestir, maquiar e ser tratada como madame será?

 

E quem disse que a mulher tem quer ser linda como a Gisele ou ter o estilo de Constanza Pascolato para ser feliz?

 

Rótulos e armadilhas que muitas pessoas caem só para serem outra pessoa. Quando o que vale mesmo é a própria personalidade e seu estilo.

 

 

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Eu realmente gostaria de ver estas mulheres depois de alguns meses. Seria interessante saber como elas lidaram com o fim do sonho de cinderela.

Eu também gostaria.

 

Existem pessoas que passam por lojas de shopping desejando o tênis ou a bolsa de marca. E existe quem não fique apenas no desejo (e precise comprar certos artigos para se encaixar em um grupo social). Eu entendo que andar vestindo andrajos é triste. Mas não concordo com quem acha que para ser feliz é indispensável ter uma aparência pomposa. Mesmo que ela renda um tratamento melhor no nosso meio social, o que faz com que em algumas situações a necessidade de recorrer a ela sejá até compreensível.

 

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Eu acho aquele quadro do Gugu "de volta para minha terra" muito apelativo...sai mais caro mandar o pessoal de busão para o interior do país que ir de avião,mas para mostrar toda a trajetória da família,eles ficam 4 ou 5 dias na estrada mostrando o drama de ter se lascado na cidade grande.

Esse Esquadrão da Moda do SBT nunca vi até o final,parece que os participantes se divertem e até mantém um certo status pois alguns nem são tão pobres,só se vestem mal...alguns relutam em mudar e creio que só aceitam vestir as roupas compradas para aumentar o tamanho do guarda-roupa.
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  • 3 months later...

 

Eu realmente gostaria de ver estas mulheres depois de alguns meses. Seria interessante saber como elas lidaram com o fim do sonho de cinderela.

 


Eu também gostaria.

Existem pessoas que passam por lojas de shopping desejando o tênis ou a bolsa de marca. E existe quem não fique apenas no desejo (e precise comprar certos artigos para se encaixar em um grupo social). Eu entendo que andar vestindo andrajos é triste. Mas não concordo com quem acha que para ser feliz é indispensável ter uma aparência pomposa. Mesmo que ela renda um tratamento melhor no nosso meio social' date=' o que faz com que em algumas situações a necessidade de recorrer a ela sejá até compreensível.
[/quote']

 

Não é possibilidade, é fato.

 

 
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Eu acho aquele quadro do Gugu "de volta para minha terra" muito apelativo...sai mais caro mandar o pessoal de busão para o interior do país que ir de avião' date='mas para mostrar toda a trajetória da família,eles ficam 4 ou 5 dias na estrada mostrando o drama de ter se lascado na cidade grande.

Esse Esquadrão da Moda do SBT nunca vi até o final,parece que os participantes se divertem e até mantém um certo status pois alguns nem são tão pobres,só se vestem mal...alguns relutam em mudar e creio que só aceitam vestir as roupas compradas para aumentar o tamanho do guarda-roupa.
[/quote']

É, pq o estilo ali é meio imposto.

Eles  jogam fora suas roupas e as substituem por aquelas  que tu deveria comprar...se tivesse o poder aquisitivo p/ comprar nas lojas em que eles vão!

 

Constrangedor foi o dia em que tiveram o azar de pegar uma moça marrenta que falou na cara que o estilo dela era outro e que não gostou do corte de cabelo... aff!

Mas verdade seja dita, na maioria das vezes eles acertam!

 

Mas eu não gosto muito dos apresentadores do SBT, curtia mais as duas do "People & Arts"
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