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Moviolavídeo

O Clube do Filme

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Após ler O Clube do Filme, de David Gimour fiquei

um tempo digerindo as 239 páginas deste livro antes de escrever este

texto. Por vezes o livro me emocionava (pelo diálogo franco entre pai e

filho) e por vezes ficava indignado com a irresponsabilidade de David

em relação à educação que ele estava dando ao seu filho adolescente.

Como pai que sou não conseguia entender (e aceitar) a falta de

autoridade de David com o filho. Por vezes, um pai precisa impor sua

autoridade para colocar o filho no rumo certo e educá-lo de forma

segura para que ele possa enfrentar as dificuldades da vida de forma

íntegra, honesta e com responsabilidade. Não sei, sinceramente, se

teria coragem de fazer aquela proposta que David fez ao seu filho Jesse

de liberá-lo de freqüentar a escola ou mesmo de ter um emprego só para

ficar em casa e assistir três filmes por semana como forma de educá-lo

para a vida.

Outra passagem do livro que me incomodou profundamente foi a forma,

quase inconsequente, com que David reagiu quando descobriu que seu

Jesse estava usando cocaína e a sua completa falta de responsabilidade

como aceitava as bebedeiras do filho (inclusive bebia em sua companhia)

e a aceitação do garoto em fumar. Devo lembrar para quem não leu o

livro, que o garoto tinha somente 16 anos! Não era à toa que tinha

perdido as rédeas da educação do filho. Isto que não estou levando em

conta que os pais de Jesse eram separados.

Por outro lado, foi interessante notar que, ao assistir a estes

filmes, o garoto tomava ciência de outras experiências de vida tais

como soluções para problemas existenciais, conseqüências por escolhas

mal feitas, consolo para sofrimentos efêmeros (ou não), exemplos de

superação e tantos outros “exemplos” que assistia na tela da TV em

companhia do pai. Assim, por osmose, assimilava conhecimento de outras

realidades diferente da sua ou, em alguns casos, similares a sua

vivência. Eu não teria esta coragem de abrir mão da educação formal de

meu filho para sentar com ele e ficarmos discutindo sétima arte como

forma de educação. Foi muita coragem realmente.

Claro que David tinha sua parcela de culpa por assistir ao seu filho

trilhar caminhos tão árduos de enfrentar dificuldade na escola, ter

relacionamentos confusos, bebedeira, cocaína e tudo mais. Mas foi

emocionante assistir sua tentativa de reconciliação e aproximação

através do diálogo e da companhia diária. Não precisaria todo este

sofrimento se David tivesse usado pulso forte. Dizer não também é uma

forma de educação e uma criança de 16 anos precisa de orientação e pais

que os oriente com determinação, amor e respeito. Ser amigos dos filhos

e compartilhar momentos é essencial, mas existe uma hora em que é

preciso ser, muito mais que amigo, ser pai.

Vale à pena ler o livro já pelos argumentos que David dava ao filho

pelas escolhas dos filmes que iriam assistir e os comentários que ambos

faziam após cada sessão. Cada filme tinha um propósito e variavam de

acordo com o humor de ambos ou os problemas que estavam enfrentando no

momento. Preciso ver alguns dos filmes citados no livro e outros fiquei

com vontade de rever.

 

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