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O Que Você Anda Vendo e Comentando?

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Consigo tranquilamente separar a vida pessoal de um artista de sua obra. Então, as polêmicas, in general, envolvendo o diretor Kim Ki-Duk, não obliteram o prazer que tenho ao assistir a seus filmes.

Contudo, fica impossível assistir a este "Bad Guy", de 2001, sem pensar nas recentes acusações de assédio do diretor. Pois o filme começa com uma importunação sexual, e só piora. A obra desnuda o artista, sim. Tecnicamente, o filme tem belos planos; um roteiro simbólico (com mais diálogos do que a maioria de suas obras), e ótimas atuações. O amor aqui é uma Síndrome de Estocolmo: violento, sombrio, inconsciente. Terminando com uma canção em sueco, pra frisar a condição mental.

Escroto? Mas sabe tudo.

Ranking Kim Ki-Duk permanece inalterado: 1) Pietá; 2) Primavera, Verão, Outono, Inverno...e Primavera; 3) O Arco.

Nabbeun namja (2001)

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Shazam! E você volta a ser criança. Volta ao (agora superexplorado) clima dos anos 1980, ao clima dos anos 1990 (não é que foram bons?), à "Quero Ser Grande" , e ao prazer sem-época de ver um bom filme.

Tudo diverte. No meu caso, preferi mais a fase de apresentação dos problemas e da sempre fascinante descoberta dos poderes à fase final de enfrentamento do vilão, quando a ação se revela até...sem muita grana...

"Não tenho dinheiro não, moço"! E outras bem sacadas piadas, complementaram o prazer. Mas nada melhor do que o ator coajuvante, Jack Dylan Grazer ("It", "Beautiful Boy"), roubando as cenas.

 

Zachary Levi in Shazam! (2019)

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Durante la Tormenta é um ótimo drama fantástico vindo da Espanha com ecos do bacanudo "Efeito Borboleta". O filme já te fisga logo de cara e se desdobra em tramas paralelas temporais que vão dando sentido ao conjunto, que se mostra um quebra-cabeça narrativo. Bem amarrado, com boas atuações e várias reviravoltas, este filme foi a grata surpresa do final de semana borocoxô e um grande acerto da Netflix. 9-10

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Stray já é um policial com elementos sobrenaturais que embola gêneros sem se definir que caminho seguir, beirando o telefilme. Ele começa feito "Invocação do mal" de forma satisfatória mas depois emplaca quiném "X-Men", uma mistura que não dá liga alguma. Até que é bem atuado e bem feito tecnicamente, mas a tal mescla e a sensação de já ter visto essa história melhor contada depõe contra. 7-10

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Minha vez de ver "A Mula", alegada última atuação do Clint Eastwood. Narrativa clássica; começo, meio e fim; boa história; boas atuações; gostei muito.

É comovente vê-lo baqueado em cena. E incrível pensar que atuou, dirigiu e produziu esse filme. De quebra, seu cinema, meio silencioso, está aí para nos dizer, que há muitas pessoas deslocadas na América. Por deslocadas: sem dinheiro, sem aposentadoria, amedrontadas pelo avanço tecnológico de um simples telefone, ouvindo canções que se perderam no tempo... A América dessa geração morreu há muito, a geração, em si, ainda não.

Um filme que é melhor do que aparenta.

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1 hour ago, SergioBenatti said:

Minha vez de ver "A Mula", alegada última atuação do Clint Eastwood. Narrativa clássica; começo, meio e fim; boa história; boas atuações; gostei muito.

É comovente vê-lo baqueado em cena. E incrível pensar que atuou, dirigiu e produziu esse filme. De quebra, seu cinema, meio silencioso, está aí para nos dizer, que há muitas pessoas deslocadas na América. Por deslocadas: sem dinheiro, sem aposentadoria, amedrontadas pelo avanço tecnológico de um simples telefone, ouvindo canções que se perderam no tempo... A América dessa geração morreu há muito, a geração, em si, ainda não.

Um filme que é melhor do que aparenta.

também tive essa mesma sensação a respeito do filme, é incrivel ver o Clintão andando curvado fazendo seu papel... idem o suposto último filme do Robert Redford, o delicioso the Old Man and a Gun..

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Por indicação amorosa, tive de ver esse filme do Luc Besson, de 2011. Luc Besson? Pois é, algo alienígeno à filmografia dele. No Brasil, com o título de "Além da Liberdade", conta a história da Premio Nobel da Paz, San Suu Kyi, de Myanmar.

O ângulo escolhido não é tanto o histórico, mas a vida íntima dela, é dizer, como sua prisão domiciliar por 15 anos afetou seu casamento e sua família. Michelle Yeoh, às vezes, santarrona de mais.

O produto final é razoável. Meio sem nuance, bem perto da hagiografia. Biografias têm esse risco inerente. Penso que iria gostar de saber a história dela hoje, acusada que está pelos movimentos internacionais de Direitos Humanos por fazer pouco, ou nada, pelas minorias muçulmanas no país - Rohingya - perseguidas racialmente.

Daria um filme melhor.

Infelizmente, vou ter de dizer: "Gostei muito, amor". Quem nunca passou por isso?

The Lady (2011)

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Unicorn Store é um filme simples mas simpático em sua intenção de divagar sobre o ser humano, etc e tal. Despretensioso, porém com ritmo lento, o que deve desagradar quem espera algo convencional. Encabeçado por bom elenco, do qual destaca de longe a Capitã Marvel, é uma boa matinê de "feel good movie". É um filme curioso e com muitos erros, mas muito fofo. 8,5-10

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Slaughterhouse Rulez é uma comédia inglesa que emula bastantes gêneros, com resultado apenas marromenos. Imagina um "Sociedade dos Poetas Mortos" tocado como terrir..é isso! Pior que tem um puta elenco mas não sai das bobagens teens que é o público a que se destina. Vindo da mesma terra de "Todo Mundo Quase Morto" esperava bem mais..  7,5-10

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Cold War - 2018

Depois de um certo atraso, assisti a esta beleza que me cativou pela trilha sonora, que maravilha. Adorei as músicas follóricas polonesas cantadas pelo grupo bem como as músicas cantadas pela Joanna Kulig,, ela canta muito e nesse filme ela tem um magnetismo, uma beleza e ao mesmo tempo um ar triste que nos deixa vidrados nela. O Ator Tomasz Cot já tem aquela aura mais fria, enigmáica e com expressões minimalistas. Filmado num preto e branco aspetco 4:3 o filme retrata a histporia de amor embalado com bela música e contexto politico ao fundo. 

 

 

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Segui a sugestão do @Jorge Soto, e não me arrependi. Na real, acho que é o filme do momento, pois todo mundo tem falado dele.

Conquistada a "suspensão da descrença", o filme funciona muito bem. Quando terminei fiquei uns 10 minutos tentando encontrar brechas na história, e não as encontrei. No elenco, ótimos atores, como a atriz de "Julieta" do Almodovar, e o filho do Darín. Muito empolgante mesmo.

Meu único ponto negativo é quanto a fotografia dos filmes espanhóis, que me parecem todas iguais ("Veronica", "Enquanto Você dorme", etc)

Javier Gutiérrez, Adriana Ugarte, Ãlvaro Morte, Chino Darín, and Luna Fulgencio in Durante la tormenta (2018)

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Filme do taiwanês Chu Hsien-Che, de 2016, a respeito de um jovem que tem fetiche em roubar e usar lingerie feminina, até que é filmado por um trio de estudantes, e então entra em parafuso com o segredo revelado. Quer dizer, este é o primeiro ato. O segundo ato é o melhor: sobre o sentimento de culpa desses que filmaram. E o terceiro é sobre as origens daquele fetiche. Em suma, são atos que se complementam, mas não são exatamente desenvolvimentos lógicos um do outro.

Cada um deveria cuidar da própria vida, né não?!

Bai yi (2016)

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The Silence é um thriller pós-apocaliptico bem fraquinho apesar da premissa boa. Imagina Um Lugar Silencioso mal feito.. é isso! Bem feitinho, o filme tropeça em seu roteiro clichê, com um romancezinho teen melodramático nada a ver e basicamente sem nenhum momento efetivamente cagante. Resta o rosto bonitinho da Sabrina e uma ou outra passagem xerocando Birdbox. 7-10

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El Habitante por sua vez é um terrorzão mexicano dos bons, do plot básico "ladrões-que-se-dão-mal" tipo Não Respire, misturado com O Exorcista. O ritmo, tensão e jogos psicológicos deste filme que começa home invasion e depois envereda pelo sobrenatural é impressionante. Com atuações corretas, com destaque pra pirralha encapetada, o desfecho deste filme tem um dos planos mais perturbadores que tenho visto, e só por isso ja vale a pena. 9-10

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Domingo de chuva com o cinema audacioso e sofisticado de Claude Chabrol...

"Mulheres Diabólicas" é um filme de 1995 que fez muito sucesso no circuito dos festivais, dando uma pletora de indicações e prêmios (Veneza!, entre eles) à Isabelle Huppert e Sandrine Bonnaire. As duas estão esplendorosas. Que química! E ainda tem Jacqueline Bisset...

Para que banho de sangue? Mais original é sociopatas que atiram em livros, em Mozart, no "Grand Monde"... 

Perfeição!

La cérémonie (1995)

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À Beira da Loucura (In the Mouth of Madness, Dir.: John Carpenter, 1994) 5/4

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Adorei. Coloco esse com meus favoritos do Carpenter junto do Halloween, Enigma do Outro Mundo, Fuga de NY e Aventureiros do Bairro Proibido. Carpenter surtadão não tem como dar errado. E adorei o Sam Neill já que filme anterior usava o visu do Indiana Jones (o chapéu de arqueólogo no Jurassic Park?), e aqui tá a persona da Indiana que depois vai se perdendo nos eventos do filme, mas a persona do cara continua lá de alguma forma. hehe Personagem dele sempre cético sobre tudo que tá rolando, aí essa persona de Indy é bem aproveitada. Ele tem que descobrir o paradeiro de um escritor de livros de terror que teria sumido (se era real o sumiço dele ou só golpe de marketing), aí cai numa cidade misteriosa onde acontecem coisas relacionadas aos livros do escritor. O filme sempre fica nesse limiar de se tudo está acontecendo mesmo, ou o personagem do Neil está enlouquecendo.

Acho que Carpenter poderia ter surtado mais e usado mesmo o Stephen King e seus livros no filme (ele existe nessa realidade já que é citado no começo), com ele sumindo, o personagem do Neill indo atrás dele, e com detalhes dos livros dele sendo usados na parte da cidade misteriosa. Ia ser demais isso, imagina? hehe

Mas enfim, delícia de filme.

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Não via esse filme há uns 15 anos, mas continua adorável. Audrey Hepburn, maravilhosa é pouco. Que pena não terem indicado a Kay Thompson como Atriz Coadjuvante em 1958.

Aquela cena meio nada a ver de Emma Stone dançando pra valer ao som do piano jazzistico de Ryan Gosling em "La La Land" veio deste clássico aqui. E também todo o início de "O Diabo Veste Prada": não só a chegada poderosa da editora de revista de moda, mas também a colocação de duas mesas de secretárias uma de frente pra outra, e outros detalhes...

Edith Head e Givenchi perderam esse Oscar de Figurino não sei como! Um acinte! Não importa, entrou pra história.

Funny Face (1957)

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"Tito e os Pássaros" é uma animação brasileira que levou 8 anos para ser concluída, e conseguiu indicações importantes ao Annie Awards 2019, na categoria Independente, e figurou na pré-lista da categoria no Oscar, entre 25 produções.

O trio de diretores conta que, quando eles informaram que a equipe era composta por 120 pessoas, os colegas de Annie riram. Pois, em animação, a média mínima é 400 profissionais. Isso tudo revela as dificuldades de se produzir no Brasil.

Valendo o esforço o filme é bem bonito esteticamente, numa pegada expressionista. Porém...Ah, gente, é uma alegoria muito boba, enquanto história. Lamento dizer, mas ...não ficou bem resolvido. "Ah, é sobre a difusão do medo na sociedade..." Parabéns pela intenção! Mas a história, pra mim, ficou sem pé, sem cabeça, sem asa, sem tudo...

Tito e os Pássaros (2018)

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The Field Guide of Evil  é uma antologia de contos de terror nos moldes de V/H/S ou ABCs of Death e como tal o resultado é irregular devido aos altos e baixos entre os curtas. O grande diferencial (e ponto a favor) aqui é que não há lobisomens ou vampiros e sim lendas pouco conhecidas referentes ao folclore/mitologia dos países que integram o curta. Os melhores são o belga, o turco, o divertido americano e o húngaro, que tem estética de filme mudo; já o alemão, o grego, o indiano deixam a desejar; e o polonês é ruim mesmo. 8,5/10

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The Wind é um drama sobrenatural com tintas psicológicas que emula Bone Tomahawk por se valer do gênero western e O Iluminado, pela temática da loucura em função da solidão. É um filme lento com jeitão intimista tipo A Bruxa, tipico dos indies, mas que não decepciona pois te deixa agoniado o tempo todo, mérito da protagonista principal. 8-10

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Comédia romântica Netflix: boba, tolinha, legalzinha, com as presenças obrigatórias do "amigo negro", "do romance GLS" que não se dá um toque de mão...Mas tem duas piadas muito boas que me fizeram, apesar dos pesares, gostar.

Noah Centineo está em tudo da Netflix, vai acabar desgastando sua imagem, mas...tem uma presença de fato carismática.

Uma questão que passa batida...A comédia romântica tende a ser "superescrita". Pois em geral os protagonistas se bicam. Então as brigas precisam ser engraçadinhas. Aqui, não há um diálogo normal, tudo é troca de de piada, deixas irônicas, metáforas espertinhas...

Sei lá, cada vez mais eu valorizo um realismo que é escrito com qualidade sim, mas de maneira invisível, uma escrita por dentro, à la Kenneth Lonergan.

 

Noah Centineo in The Perfect Date (2019)

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Minha vez de ver esse filme dirigido, produzido, e protagonizado pela Brie Larson. 

Gostei de muita coisa, não gostei de muita coisa, mas que bom que eu restaurei minha fé na capacidade de Brie Larson em atuar. "Capitã Marvel" me deixou até assustado, pois não acho mesmo que ela esteja bem, com uma constante cara de brava. Tudo que ela precisava era de um papel diferente, uma comédia!, pra ela demonstrar outras facetas. Eu achei a atuação dela aqui muito boa, surpreendi-me com certas decisões de olhar, e de expressões. O coadjuvante - Mamoudou Athie - também é muito bom.

Eis a boa-nova: Temos uma atriz!

Ainda não temos uma diretora (excesso de plano/contraplano), mas temos - de volta - uma atriz!

Brie Larson in Unicorn Store (2017)

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Killers Within é um agitado thriller de horror que começa tenso como filme de assalto mas logo tem uma guinada sobrenatural feito Um Drink no Inferno. É bacana e cria uma mitologia interessante, mas a precariedade (falta de orçamento) e atuações fraquinhas desta produção irlandesa depõem contra. Com mais grana teria dado um baita filmão, mas diverte pra passar o tempo se não for pedir demais. 8-10

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You Might Be the Killer é uma divertida comédia slasher que desconstroi este sub-gênero de forma bem criativa e estilosa. Bem feitinho e com atuações corretas, o melhor é pincelar as deliciosas referências aqui e ali, principalmente a Sexta-Feira 13. Só decai no seu desfecho, meio borocoxô. Sim, dentro de sua proposta não chega aos pés de Pânico ou The Final Girls, mas é visivelmente feito com amor por quem gosta do gênero. 8,5-10

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MELHOR FILME DO ANO!!!!

Fiquei surpreso quando li no jornal que a Netflix tinha disponibilizado o ganhador de festivais "Temporada" em seu catálogo. Não perdi tempo e fui conferir...

Gente... É Jafar Panahi? É o irmão mais novo do fabuloso "Arábia"?

Um estudo de personagem excelente. Que não se busque grandes acontecimentos neste filme: "Quando nada acontece, há um milagare que não estamos vendo" (Guimarães Rosa). E uso Rosa pois o filme é mineiro, mineiríssimo, instalado no coração de Minas Gerais. Não só o filme se passa na periferia alongada de Belo Horizonte, mas há uma coisa que me chama a atenção... A carência social mostrada neste filme é uma "estagnação econômica delicada" própria de Minas Gerais. Não há corre-corre entre traficantes como em filmes do Rio de Janeiro, não há disputa de rappers ostentação como em filmes de São Paulo, a música é outra distinta da periferia de Salvador...Em suma, este é um filme muito mineiro, na sua representação social. Casas pobres, mas com quintal. Bares pobres, mas a comida é ótima. O maior sonho é ser do SAMU ou ser cabeleireiro. O dinheiro se ganha com ajuda de amigos. E a prosa é informal, com palavras comidas em seu fim, popular na forma, e sábia por dentro. Claro que todos os brasileiros poderão se identificar, pois "Minas é o nó que une o Brasil e faz dele uma coisa só" (Darcy Ribeiro), mas somos nós mineiros quem terão um espelho à frente.

Impossível falar desse filme sem falar da atriz Grace Passô, tida por muitos como a Viola Davis brasileira. É um arraso! Muita técnica e muita sensibilidade. Mas, nossa, o que o ator coadjuvante, Russo Apr, um cantor mineiro, faz aqui é mostruoso! Uma atuação fabulosa! Eu tinha escrito que o filme é um estudo de personagem, mas na verdade é um estudo de personagens, pois todos os integrantes do grupo de controle de endemias têm oportunidade de contar um pouco a sua história.

Parabéns ao diretor André Novais Oliveira. Fez um filme sem maquiagem, sem filltro, sem instagram. No qual as roupas são roupas (não consigo chamar isso de "figurino", de tão real que é); no qual as pessoas feias e fora de forma - pra espanto de muitos - se beijam, têm direito ao sexo, transam e gozam!; no qual as pessoas nâo tem grana, mas o celular tá na mão; no qual o roteiro é oralizado ( e ontem reclamava de um filme superescrito) intuitivo, espontâneo; no qual a trilha sonora é comedida e pontual; no qual a fotografia escolheu o lado mais distante - longe da foto! -  contaminado da Lagoa da Pampulha.

Amei! Quem diria que um filme iraniano iria um dia se passar em Contagem? Contagem, Minas Gerais.

 

Temporada (2018)

 

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Documentário intimista brasileiro enfocando a história do pai da diretora, um judeu theco que veio para o Brasil depois da Segunda Guerra. Tem dados terríveis: apenas 12 famílias de judeus de Praga sobreviveram. De 350 mil judeus thecos, só 20 mil sobreviveram. Então, basicamente, é um relato de sobrevivência, um testemunho de guerra. 

Falando assim, dou a impressão que é ótimo. Não é. É bem chato. Estilizado, intelectualoide, narrado em excesso (quando o mais simples, apenas a colheita do depoimento, seria mais legal) que pretende ser maior do que é. Tem Cesar Charlone pra fazer a fotografia brasileira, que é basicamente, Copacabana vista do alto, e a família da diretora, o pai sobrevivente, andando na praia com os netos. Entenderam? Dá a impressão de um filme bancado.

Red Trees (2017)

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Terminus é um thriller scy-fy indie bem intencionado, mas sem fôlego pra dar liga por hora e meia. Com orçamento merreca até que ta bem caprichado, as atuações estão na média e tals..mas fica a sensação de encheção de linguiça até o final. Narrativamente, se fosse enxugado num curta teria ficado perfeito. 8-10

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As Fábulas Negras é uma deliciosa antologia de 6 contos de horror tupiniquim, nos moldes de Creepshow, que tem seu ponto forte em valorizar a cultura e lendas nacionais. É trash? É. Tem gore? Tem. É mal atuado? É. Tem defeitos aqui e ali? Tem. Tem altos e baixos como qualquer antologia? Tem. Mas em termos de efeitos especiais não deve nada aos ianques. Já logo destaco bacanas o do saci, da loira do banheiro e do lobisomem. O da iara e o resto são só marromenos. Atente pras divertidas cenas pós-créditos mostrando erros de produção e making off. 8,5-10

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MELHOR FILME DO ANO!!!!

As definições de melhor filme do ano foram atualizadas... No caso, muito provavelmente será o maior filme do ano também (Do ano, entenda-se, lançado no Brasil, pois ele é de 2017)! São quase 4 horas. É o filme mais longo que eu vi nesta década, com certeza. Conta a história de 5 indivíduos muito perdidos em seus prumos - dois adolescentes, um jovem, uma jovem, e um senhor idoso - que têm suas vidas entrelaçadas ao longo da história.

"Um Elefante sentado Quieto" é o longa de estréia de um diretor chinês, Hu Bo, que se suicidou logo depois de lançar o filme. Ganhou inúmeros prêmios, por exemplo, no Festival de Berlim do ano passado. Não vou mentir, é um  filme difícil de assistir, cansativo, lento, principalmente nas suas duas primeiras horas. Mesmo assim, o trabalho técnico nessas duas primeiras horas já é apreciável pra quem gosta de cinema, já é louvável e impressionante. Mas - eu até gravei o minuto - no instante de 2h e 27 min, foi quando, eu, de fato, entendi TUDO, foi quando tudo fez sentido pra mim, foi quando brotou uma lágrima no meu olho. A partir desse instante, de um diálogo, de uma fala, o filme cresceu enormemente pra mim, e foi só escalando de patamar. Sua hora final é dilacerante.

O mencionado instante é uma frase até singela, então não será um SPOILER, deixo-a com vocês, junto do diálogo, que é pra que vocês tenham coragem de enfrentar essa marotona melancólica:

"A minha vida está igual a um depósito de lixo. E o lixo continua acumulando. Chega um após o outro. Nunca dá pra limpar"

"Na verdade...todos são iguais. Acha que é o único que não aguenta?"

"Você é sempre dura em relação a mim"

"Por que não me larga?"

(...)

"Na verdade, você não é diferente das outras mulheres"

"Você é tão sombrio...sempre igual. Quem te deu esse direito?"

(...)

"Olhe ao seu redor...pra que fingir uma vida de classe média?"

(...)

"Vou a Manzhouli ver algo. Quer vir comigo?"

"Não quero"

"Não quer saber o que vou fazer lá? Vou dizer assim mesmo. A coisa mais engraçada que já ouvi. Lá existe um elefante num zoológico. Ele só fica sentado o dia todo."

"Qual é a graça disso?"

"O cara que se suicidou me contou na semana passada. Não está interessada?"

"O cara que se suicidou me contou na semana passada". Tem alguma coisa demais? Não. Tem tudo! Porque ela dialoga com o exterior, com a morte do diretor, com tudo que ele quis dizer com o filme. É puro niilismo, é pura agonia, é pura melancolia. Não há um sorriso, uma alegria, um calorzinho. Não está interessado, público? Não está interessado nesse filme de 4 horas? Com um título extravagante como esse? Não o achou curioso? Um elefante sentado quieto...por quê?

O cara que se suicidou na semana passada, esse tal diretor, o Hu B, nos diz o quanto viver é pura agonia. Pura solidão. Um grito de dor. Um balido.

Um balido de pura dor.

Não está interessado?

Da xiang xi di er zuo (2018)

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Dia de muito é véspera de nada; diz o ditado.

Terrível filme brasileiro, "Elon Não Acredita na Morte" só não é o pior filme brasileiro que eu vi nos últimos tempos, por que a concorrência é grande.

Primeiramente, não têm fôlego pra ser um longa - e olha que ainda é curto. Não é interessante o bastante. Mas isso é o roteiro, e nem é o pior aspecto... A Mixagem de som é horrível! Eu tinha que voltar várias vezes para entender o que era pronunciado. Tenho reclamado dessa tendência indie brasileira há tempos, vocês sabem, mas aqui atingiu o paroxismo. A Fotografia faz o que pode ao tentar dar alguma beleza à decisão do diretor de pura penumbra. As locações são horripilantes. Mais uma tendência do cinema indie brasileiro: mostrar que todos os brasileiros moram em muquifos. Os lares pobres que já frequentei na vida sempre eram limpos, tinham plantas, tinham suas coisinhas, seus objetos de adorno...Sei lá...esse Brasil não é o meu! Que diferença para o "Temporada", em que a pobreza material não é sinal de pobreza interior.

Só não rejeito o filme por completo em respeito aos atores, pois tiveram que se submeter a uma cena de sexo explícito. Sim, sexo explícito. Sem meias palavras. Cuidado com quem forem assistir a esse filme! Essa cena, pra mim, pela ousadia, pela bela forma em que foi filmada, pela coragem dos atores, inclusive, me faz ter algum respeito pelo filme.

 

Elon Não Acredita na Morte (2016)

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