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Forum Cinema em Cena
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O Que Você Anda Vendo e Comentando?

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"Um Homem com uma Câmera", de 1929, é o mais clássico dos documentários russos, e dos mais destacados de todos os tempos.

Buscava a autonomia do cinema enquanto arte,  afastando-o assim de suas ligações com o teatro e com a literatura. Portanto, não há atores, legendas, passagens de tempo, figurino, cenário, direção de arte. O cinema é reduzido a suas unidades básicas, a seus elementos brutos: Direção, Fotografia, e, principalmente, Montagem (feito pela esposa do cineasta Dziga Vertov). 

Consigo ver também um traço de Roteiro, na medida em que há uma clara ideia de "defesa do futuro". O cinema é uma tecnologia tanto quanto as ferrovias (as rodas de trem e as bobinas de um filme são igualadas), as novas construções erguidas pelo proletariado, as chaminés das fábricas. Há uma velocidade ínsita ao futuro, e ao que se entende por moderno, igualado pela velocidade da corrida dos negativos. É a União Soviética nascendo, enquanto país e enquanto símbolo. A Trilha Sonora também está presente, embora não o "Som". 

Impressionante trabalho de Dziga Vertov.

Chelovek s kino-apparatom (1929)

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Tive muito cuidado para não vomitar, pois é como se o Blog 247 tivesse sido filmado.

Mais um documentário de Petra Costa apoiado em narração. Nada contra, vide "deus" Herzog. Mas se você filma um pelicano e fala que é um flamingo, tudo fica embaralhado na mente do espectador,  que passa a acreditar. Nesse sentido, o documentário "O Processo" da Maria Augusta Ramos, sobre o mesmo tema, se mostra muito melhor, pois seu silêncio brutal, só captando os personagens, se traz chatice, se traz dificuldade, pelo menos mostra-se menos maniqueísta.

Mais uma vez Petra interpõe seu mundo privado ao mundo público, com imagens de seu arquivo pessoal, e suas filmagens da fase adulta. É uma estratégia de discurso lírico que se mostrou fascinante em "Elena" de 2012, mas aqui já me cansou. 

O roteiro do filme é, como adiantei, a narrativa petista: Havia uns políticos que pensavam exclusivamente nos pobres; eles foram depostos por um golpe e por uma prisão arbitrária; e o povo brasileiro vive desde então na antessala de uma Ditadura. Por isso, está a "Democracia em Vertigem" em nosso pobre país. Não existe meio tom. O doc, inclusive, é narrado de forma choramingosa. A corrupção desenfreada descoberta pela Lava-Jato é tratada como tradição histórica, erros necessários de uma aliança que visava ao bem maior. Mesmo assim, o maior escândalo de corrupção quiçá do mundo é tratado quase "en passant". Mensalão? Dura 1 segundo. O Impeachment...mera questão contábil. Todo mundo o faz. JBS financiar a eleição também dos petistas? Não se fala sobre isso. Dilma e Lula são heróis, que ousaram desafiar o sistema.

Enfim, é o ponto de vista dela, igualmente o ponto de vista de muitos amigos meus, e de boa parcela da população (A mim, este muro do cartaz não existe. Convivo com todos.). Filmado por Petra, de per si, mas também muito ajudado com as imagens de bastidores do fotógrafo oficial dos governos petistas, Ricardo Stuckert, o documentário traz boas imagens novas, originais, como um Bolsonaro, então deputado, fazendo, debochado, o sinal de roubar para Benedita da Silva. É cômico.

Pra finalizar, eu discordo em todos os níveis desse documentário. Mas a minha discordância essencial é: A democracia no Brasil não está fraca, nem morrendo, muito pelo contrário, Petra. Ela é forte o bastante para suportar prisões de poderosos, suportar um outro impeachment, suportar a ascensão, pelas urnas, de um governo de direita. Ela aguenta! E em 2022, veja você, teremos outra eleição. Uma nova oportunidade para, se quisermos, mudar.

 O que está em vertigem é a esquerda brasileira. Que não sabe o que fazer com pés e mãos, nem sabe o que fazer com os duros fatos.

 

Impeachment (2019)

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Desde ontem, estou com vontade de ver os comunistas autênticos, que ousam dizer seu nome, em vez dos comunistas de iPhone, em vez dos comunistas Netflix.

Nada melhor do que "Soy Cuba", de 1964, de Mikhail Kalatozov, maior diretor soviético da época. É uma obra panfletária anti-estadunidense? Uma obra marxista de encomenda? Com certeza.

Mas tem uns travelling e umas panorâmicas de tirarem o fôlego. A direção toda é um absurdo de maravilhosa. O que é a cena do cortejo? Como foi feita naquela época?

Quatro pequenas histórias para celebrar Cuba pré e pós Revolução.

Soy Cuba (1964)

 

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Gente...

"Oasis" , de 2002, do Lee Chang-Dong, acaba de se tornar um dos melhores filmes que já vi na minha vida.

Se "Sol Secreto" e "Poesia" são lindos, e, o mais recente, "Em Chamas" é absolutamente extraordinário, o que dizer desse filme? Uma história de amor tocante entre um ex-presidiário e uma jovem com paralisia cerebral, ambos, irresponsavelmente abandonados pelas suas famílias, tratados como coisas derrelidas, abandonadas, mas que são "achados" pelo amor. 

Sem romantismo excessivo, mas com fantasia. Sem melodrama, mas com tragédia. Os Sem-amor, inacreditavelmente, podem amar. 

Sublime! Maravilhoso! Inesquecível!

Lee Chang-Dong realmente é um dos maiores diretores vivos em atividade. Tudo que ele toca vira ouro.

Com uma magnífica atuação do ator Kyung-Gu So, mas, sobretudo, uma atuação absolutamente LEN-DÁ-RIA da atriz So-Ri Moon ( de "A Criada"), que só não venceu Melhor Atriz em Veneza naquela ano, por que tinha Julianne Moore pela frente em "Far From Heaven". 

Façam um favor a si mesmos, e vejam esse filme!

Oasiseu (2002)

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The Professor and the Madman é um interessante filme de amizades improváveis que fala da criação bizonha do Dicionário Oxford. A princípio parece mais um filme sobre a humanidade dos personagens principais, mas eu vi como um libelo ás palavras (e livros). Bem produzido e atuado, com destaque pra Penn (quase reprisando seu papel de Last Man Standing) e dos coadjuvantes britânicos, o filme dificilmente cai no melodrama e cacoetes típicos deste naipe de filme. 8,5-10

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Brightburn é um bacanudo terrorzão de um "Superman do Mal" que esperava pouca coisa, mas o filme não economiza em violencia e gore. Dos filmes de crianças malditas é o melhor até agora pois foge da tematica sobrenatural e trata o tema sob vários outros aspectos, como reinserção social e até bullying. É um filme simples B, de baixo orçamento, porém bem efetivo em sua proposta, direto. E esse moleque carrega o filme nas costas com sua ótima interpretação. E pensar que ele passou despercebido em Vingadores Ultimato, na cena do retorno do Formigão do Reino Quântico. 8,5-10

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Ao final da sessão de "Toy Story 3", em 2010, o pai sentado ao meu lado no cinema chorava, enquanto o filho ria. Era desde já uma tarefa perdida para o estúdio: Impossível superar aquilo.

"Toy Story 4", de fato, não conseguiu. Mas não faz feio. Diverte e emociona ao repetir a mesma estrutura: um incômodo; uma chegada; aventuras; e um final de superação do incômodo inicial. A primeira parte é ótima; a parte das aventuras -o meio do filme - é o maior "déjà vu"- pura repetição esquemática; e o final é muito bom. Na média é um bom filme! Mas nada catártico, que faz rir e chorar, ao mesmo tempo. O roteiro teve uma única grande sacada, a meu ver: tratar da questão do brinquedo, como reciclagem, no processo educacional. Mas mesmo isso não ficou tão bem resolvido assim no final das contas.

A parte da animação, como sempre, é encantadora e perfeita. A Trilha Sonora do Randy Newman (20 indicações/ 2 estatuetas) que ora tem canções (venceu em 2011), ora trilha sonora, sempre indicadas ao Oscar, tem seu melhor momento no final. Mas acho que ela não vai entrar em 2020. Pra mim, o filme consegue apenas a indicação em Melhor Animação.

Prometeram-me muitas lágrimas. Mas acho que finalmente cresci.

Mas "Tom Hanks, Keanu Reeves, Tim Allen, Annie Potts, Tony Hale, Christina Hendricks, Keegan-Michael Key, Ally Maki, and Jordan Peele in Toy Story 4 (2019)

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We Have Always Live in the Castle é um thriller dramático tão esquisito que parece ter sido feito pelo Tim Burton. É um conto gótico feminista que deve agradar alguns e odiar a outros, mas comigo funcionou. Bem, pelo menos me manteve atento até o final, principlamente pelas interpretações de seu eclético elenco. Destes, quem rouba fácil a cena é o Chrispin Glover. E a que é ofuscada é a bonitinha Lex Daddario.. 8-10

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Escape Plan 3 é um broxante filme de ação que parece ter sido feito pra ir direto pra locadora, no caso, streaming. Porra Stallone, tu já fez coisa bem melhor no quesito ação! Prefiria mil vezes a continuação da franquia Mercenários que pelo menos não se leva a sério, coisa que este aqui tenta ser, sem sucesso. E o Bautista, pelamor! Se dá melhor quando ri de si mesmo do que filmes de porradaria como este, mal dirigidos e bem meia-boca! 6-10

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Não tenho nem de perto a capacidade de escrever dos colegas do forum, mas ontem saí do filme do Almodovar e gostei muito. Estou num momento muito reflexivo da minha vida e o filme me deu muito tapa na cara, no bom sentido. Sentir, ser, lembrar, falar, conversar é muito importante e nunca NUNCA será o suficiente. Sempre quereremos mais, sempre pensaremos no SE, e sempre faltará algo.

Que bela poesia ser um diretor foda, e dê alguma maneira poder dar sua versão e tentar de alguma maneira se satisfazer, nessa inquietude que toma conta de 100% da humanidade.

Achei que o Banderas dá um show de atuação e humanidade, e ainda por cima lembrou muito o irmão do meu pai, seja fisicamente, e também por se tratar de um ator, roteirista e diretor de teatro. 

Dor e Glória É um FILMAÇO.

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O enorme sucesso dos dois filmes de “Invocação do Mal” foi mais do que o bastante para que se estabelecesse um “universo expandido” dessa saga de suspense, a qual conta agora com a recém finalizada (será?) trilogia de Annabelle, a demoníaca boneca que já havia conquistado aquele pequeno capiroto que existe dentro de todos nós. Porém, esse “Annabelle 3: De Volta Para Casa” (2019) empalidece e cai no genérico, se comparado em especial ao segundo filme do seu próprio segmento...

Cronologicamente, a história começa após o primeiro “Invocação”, quando os demonologistas Ed Warren (Patrick Wilson) e Lorraine Warren (Vera Farmiga) tentam manter a boneca Annabelle trancada em seu porão... até que um grupo de jovens acaba liberando sua maldição mais uma vez. De novidade, temos novos espíritos que nenhum de nós pediu (mais filmes derivados em vista?), e que não assustam tanto quanto os já apresentados anteriormente. E o casal, ironicamente, sai de cena bem antes de a história começar a ficar medíocre...

O diretor Gary Dauberman inicia a narrativa de forma acertada em seu diferencial, com um tom sutil e quase intimista, em que somos gradativamente apresentados às jovens que são as verdadeiras protagonistas da vez: Judy Warren (Mckenna Grace), Mary Ellen (Madison Iseman) e Katie Sarife (Daniela Rios). Além de serem personagens divertidas, elas são o ponto central da união entre o velho suspense de “casa assombrada” e questões sobre amadurecimento durante uma situação de terror claustrofóbico.

Porém, a partir de determinado momento, Dauberman começa a “empilhar” suas ininterruptas sequências de terror, algo que não apenas muda o tom do filme, como também consegue transformá-lo num barulhento circo – e sim, esse “espetáculo” provoca risos, em meio a uns sustos bem bacanas. Há certa habilidade técnica do diretor, como em algumas empolgantes cenas que usam bons jogos de reflexo ou iluminação. Mas, seus acertos não tiram o nosso desprazer de ver até as protagonistas tomando algumas decisões previsíveis e estúpidas...

Com erros e acertos, “Annabelle 3: De Volta Para Casa” não é um filme ruim... tampouco bom. Ainda existe apreço dos produtores pelo suspense que destaca o elemento humano, logo esse “universo invocado” ainda não está totalmente gasto. Mesmo assim, há uma pergunta esperta que foi colocada aos Warren no início desse filme: “será que não é melhor destruir a boneca de uma vez?”. E a resposta deles diz tudo sobre a demanda comercial que ainda existe por essa franquia: “se destruir, o efeito é pior”. Pois então, a “Invocação da Grana” continua...

Nota: 5

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1 hour ago, Pop Reverso said:

Com erros e acertos, “Annabelle 3: De Volta Para Casa” não é um filme ruim... tampouco bom. Ainda existe apreço dos produtores pelo suspense que destaca o elemento humano, logo esse “universo invocado” ainda não está totalmente gasto. Mesmo assim, há uma pergunta esperta que foi colocada aos Warren no início desse filme: “será que não é melhor destruir a boneca de uma vez?”. E a resposta deles diz tudo sobre a demanda comercial que ainda existe por essa franquia: “se destruir, o efeito é pior”. Pois então, a “Invocação da Grana” continua...

Imaginei que fosse algo assim..valeu por partilhar seu parecer e assim eu economizar meus suados merréis em conferir esse trem na telona... ainda bem que existem os torrents pra conferir essa bagaceira sem custo algum depois, uma vez que sou fã incondicional do gênero... Fórum C&C também é utilidade pública!?

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Achei esse "Brightburn" um filme dono de uma ideia muito boa, mas amarrada a uma direção e a um texto apenas medianos.

Tem um loira correndo mancando? Tem. Tem coisas estapafúrdias, como uma criança de 12 anos ganhando de presente uma es-pin-gar-da? Tem (Mas o mais surreal é que ela é dada em um embrulho enorme e os atores fingem supresa! Tipo "não tinha visto  esse pacote aí"). Tem desenhos macabros em um caderno escolar que explicam a trama? Tem. Claro que tem.

Mas diverte um bocado. Eu gostei sobremaneira do final. Terror tem de ter uma dose de piração. Não pode economizar, tem de se atrever a quebrar a moral.

Jackson A. Dunn in Brightburn (2019)

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"Hope" é um filme coreano de 2013 muito cultuado, pois baseia-se em um caso real, de estupro infantil. Não há muitos filmes com esse tema, verdade seja dita.

Então trataram tudo com realismo e muito respeito, mas, como cinema, para mim, foi uma experiência decepcionante. Pois ficou tudo "carinhoso", sentimental, açucarado. Esperava alguma reviravolta, mas não, o roteiro seguiu em movimento contínuo uniforme... 

Os atores coreanos se sobressaem. Todos ótimos. O pai, aqui, coincidentemente, é o mesmo ator de "Oasis", que vi recentemente.

Embora não seja um dos grandes expoentes, a conclusão é a mesma: o cinema coreano manda e desmanda neste século.

So-won (2013)

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Fast Color é um indie apenas razoável diante da poderosa mensagem de empoderamento femenino ás negras que se esforça em passar. A questão é que este conto scy-fy de superheróis é o oposto de Vingadores Ultimato, a precariedade de sua produção, a infantilidade com que é tocado e a debilidade de sua narrativa depõem contra. No entanto, o filme ganha pontos pela foderosa interpretação da personagem principal. Mas é só isso. 8-10

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Stockholm é uma comédia dramática (ou seria um thriller cômico) que tenta ilustrar o famoso assalto que criou a expressão "síndrome de Estocolmo", com resultado só marromenos. Bem atuado e produzido, esta produção não responde a questão alguma limitando-se a ser mais um filme engraçadinho de Sessão da Tarde. Podia ter rendido um ótimo estudo de personagem ou tese comportamental, fazendo jus á proposta inicial, mas opta o viés mais tradicional. Tem quem goste mas eu esperava mais. 7,5-10
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Fui obrigado a ver, por outra parcela de amigos, a esse "documentário" aqui, feito por algo chamado "Brasil Paralelo".

Nossa, mas como cinema isso nem existe...Não posso chamar qualquer coisa de documentário. Parece um programa de tevê. Mal filmado; narração sobre fotos,; música onipresente; um horror como linguagem. 

Enquanto tese, apesar de pessoalmente concordar com algumas visões - econômica especialmente - depois do escancaramento da Ditadura, em 1968 em diante, a visão dos fatos ali fica complicada, complicadíssima. Dá-se uma passada de pano tremenda.

Se a esquerda brasileira precisa de economistas, a direita brasileira precisa de artistas.

É a conclusão que chego.

1964: O Brasil entre armas e livros (2019)

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Hjemsokt é um thriller psicológico norueguês com um cuidado visual lindão, gélido e luminoso, mesmo com sua estória simples porém efetiva. No entanto, a proposta é pouco original e sua reviravolta final se antevê com folga, apesar da boa atuação da atriz principal, um clone da Michele Pfifer, e da pirralha. Logo, vale só pela embalagem européia e por sua beleza artística nórdica. 8-10

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O Animal Cordial é um ótimo thriller de terror nacional que te prende do início ao fim. Não bastasse, tem uma forte crítica á luta de classes e da relação patrão/empregado. No fundo, é um filme que revitaliza as convenções do slasher e os coloca no microcosmo  dum assalto a um restaurante. O filme tem uma pegada meio Relatos Selvagens e o Benicio e Paes estão macabramente muito bem. 9-10

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Uma das formas mais depreciativas de se referir aos filmes de super-heróis do grandioso “Universo Cinematográfico Marvel” (‘MCU’) é no uso de argumentos como “filme episódico demais” ou “apenas um trailer para o capítulo seguinte”... palavras essas que foram caladas temporariamente após o fenômeno de “Vingadores – Ultimato”. Porém, por mais que tentemos evitar os argumentos supracitados, eles voltam à tona – para o bem e para o mal – quando falamos sobre o 23º filme da franquia: “Homem-Aranha - Longe de Casa” (2019).

Essa nova aventura se passa em uma viagem escolar pela Europa, onde o Homem-Aranha é convocado por Nick Fury, juntamente com o enigmático Mysterio, para lidar com os vilões chamados de Elementais. Aqui, o diretor Jon Watts não se distancia muito da aura leve e despretensiosa da aventura solo anterior do aracnídeo, e entrega uma narrativa ágil, mais intensa na comédia, e que ainda investe em questões sobre amadurecimento e responsabilidade (#SddsTioBen), além de algumas sutilezas relacionadas a famílias e afins...

As surpresas ficam por conta dos intrigantes jogos de ilusão proporcionados pelo Mysterio, que é um personagem multidimensional muito bem incorporado por Jake Gyllenhaal... embora previsível quanto à principal reviravolta do seu arco. Já o Peter Parker de Tom Holland continua com aquelas dúvidas e inquietações adolescentes de sempre, além de finalmente estabelecer uma química bastante peculiar com a MJ (Zendaya). E os outros personagens, em sua maioria, se alternam entre a acertada utilidade no roteiro e o mero alívio cômico.

A ação é de um deleite para os olhos e ouvidos em sua parte técnica, mas não gera um real senso de perigo, possivelmente por causa do próprio enfoque de Watts em fazer deste um mero “filme ensolarado para as férias”. E, por mais bacana que seja a interação de Parker com mentores diferentes ao longo da narrativa (de Fury a Happy Hogan), é um pouco decepcionante constatar que sua evolução ocorre a passos lentos - e não à toa, o antigo mentor Tony Stark ainda é bastante citado.

Seja como for, “Homem-Aranha - Longe de Casa” é um filme divertido, moderno e “retrô” ao mesmo tempo, e que une bem a ação, comédia e romance adolescente. Tudo bem que as duas inspiradas cenas pós-créditos acabam sendo mais memoráveis do que momentos isolados do filme em si, mas o fato é que a “fórmula MCU” ainda traz pequenas surpresas e gostinhos de “quero mais” em meio a elementos já utilizados à exaustão. Algumas vezes, só precisamos ser devidamente iludidos, seja nas mãos do Mysterio ou nas mãos de Kevin Feige e companhia...

Nota: 7

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Minha vez de conferir "Annabelle: 3".  Em resumo: Achei fraquíssimo.

Os primeiros 40 minutos são bastante...sutis... E o terror mais exacerbado só chega mesmo aos 15 minutos finais. O meio do filme, entretanto, é formado basicamente por uma coleção de sustinhos,  e está por demais confinado a um ambiente só: o clássico "casa mal assombrada". Usei a palavra "confinado" por que é isso que me pareceu ao final. Um filme que está muito confinado a lembranças de seus predecessores, embora quisesse partir para algo novo. Mas infelizmente o roteiro não conseguiu trazer uma dimensão maior.

Só vi mesmo pela Vera Farmiga e pelo Patrick Wilson, dois atores que eu gosto muito. E, assim como a boneca maldita, que dá nome ao filme, são colocados a parte, como coadjuvantes. Estranha decisão.

Vera Farmiga, Patrick Wilson, Huiquan Cai, Mckenna Grace, Samara Lee, and Madison Iseman in Annabelle Comes Home (2019)

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Estava precisando ver um filmão antigo e peguei esse primeiro Oscar do John Ford, "O Delator", de 1935, que faturaria mais outros 3, entre eles Ator e Trilha Sonora (primeiro do Max Steiner), mas surpreendentemente perderia Melhor Filme para "O Grande Motim" (que solitariamente só venceria Filme, em 1936).

Enquanto história, é um filme datado. Tem um pararelismo óbvio e assaz católico com a traição de Judas a Cristo, mormente a cena final. Discute-se as consequências da traição, a culpa, a cuca pesada, a falta de hombridade, mas o verdadeiro filme repousa nas causas da traição. A tremenda crise econômica irlandesa, a tremenda necessidade de dinheiro, a perseguição aos rebeldes políticos. Hoje se faria um outro filme: causas são mais importantes do que consequências.

Porém, a parte técnica ainda é interessante, com a Fotografia, por exemplo, emulando Fritz Lang, em seus jogos de sombra, muito bem feitos. Como John Ford era versátil!

Fiquei pensando em quantas atuações masculinas de alcoólatras já renderam um Oscar ao longo da história, e essa deve ter sido a primeira, para o britânico Victor McLaglen.

Margot Grahame and Victor McLaglen in The Informer (1935)

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Filme de 1995, do chinês Wong Kar-Wai, "Anjos Caídos" é mais um exercício de estilo, em cima de um roteiro muito difícil, pouco inteligível (ainda mais nos últimos 30 minutos), que o povo pretensioso costuma chamar de "poético". Socorro!

Cores neon frias, melancólicas; baforadas de cigarros em grandes-angulares (alow, "Moonlight"!); jukebox numa cafeteria (alow, "Moonlight"!); trens e mais trens e mais trens; túneis, túneis, túneis; Marianne Faithfull e Laurie Anderson na trilha para agradar aos pretensiosos do parágrafo acima...

Tudo isso a serviço de nada.

Takeshi Kaneshiro and Michelle Reis in Do lok tin si (1995)

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Shaft é um filme bobinho que resgata o puliça machista, violento e desbocado setentista e o coloca no choque de gerações com o filho. Mas não se resolve se quer ser filme policial ou dramédia familiar e fica por isso mesmo. Sei lá, nessas horas dá saudade a deliciosa franquia noventista Maquina Mortífera a despeito do Samuel Jackson levar o filme nas costas com facilidade, mas ainda fica faltando algo pra dar liga. 8-10

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Daughter of the Wolf  é um thriller frouxo já visto trocentas vezes. O plot "mãe porreta vai contra tudo e todos atrás do filho" já foi melhor visto uma vez que nesta produção onde a protagonista não tem a força duma Charlize Theron, Milla Jovovich ou da Scarlet Johhanson, que o papel demanda. Ficam as sequencias de ação genéricas e um vilão desperdiçado. Dureza é ver o grande Richard Dreyfuss nesta barca furada, coitado..ele merecia algo melhor. 6-10

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13 hours ago, Gust84 said:

Esse shaft é aquele? Com bale como playboy  racista?

É a continuação desse.

Foi lançando recentemente, mas passou em brancas nuvens nos cinemas, aí pouca gente sabe que o filme de 2000 ganhou essa continuação.

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Segundo filme de Orson Welles,  "Soberba" é classificado como exemplo de "filme invisível", já que teria tantos problemas, com o diretor vindo filmar "É Tudo Verdade" em terras brasileiras, que perderia importantes 45 minutos na montagem. O que era para ser uma longa produção sobre o esplendor e a decadência de uma família aristocrática, ou sobre o dinheiro novo vindo da ascensão da indústria automobilística, ficou, ao final, tão desitratado, que virou apenas uma história sobre filho e tia empenhados a destruir uma segunda núpcia da mãe.

Mesmo assim, foi indicado a 4 Oscars em 1943, incluindo Melhor Filme. Não ganhou nenhum. Pudera, naquele ano haveria o extraordinário e sublime "Rosa de Esperança".

Alquebrado como é,  ainda consigo ver várias virtudes no filme, como o ótimo preto-e-branco, e lindos enquadramentos típicos do Wlles, mas a maior virtude se chama Agnes Moorehead, uma das melhores atrizes coadjuvantes da História, nessa que seria sua primeira indicação.

Um filme invisível por que sua intenção inicial foi decapitada, seus 45 minutos nunca vistos, e os 88 que restaram também, infelizmente, têm caído no esquecimento.

Adoro os créditos, com os atores sendo apresentados, sob uma luz branca. Tão nostálgico, tão teatral, tão "um mundo que não existe mais".

Anne Baxter, Joseph Cotten, Agnes Moorehead, Ray Collins, Dolores Costello, and Tim Holt in The Magnificent Ambersons (1942)

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