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Forum Cinema em Cena

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Three From Hell é um fecho meio melancólico da trilogia do Zombie, com House of 1000 Corpses e The Devils Reject´s. Sim, é o filme mais frouxo. Os melhores momentos das anteriores estão aqui, mas cobertos pelo verniz grindhouse, o que confere ao filme um tom de comédia desnecessário. As atuações do trio principal estão ok, mas um pouco beirando o caricato. No entanto, a violência explícita ta bem legal. Resumindo: recomendada unicamente aos fãs da saga e do Rob Zombie, mas com ressalvas. 7-10

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El Viaje é um bacanudo road movie argentino dum moleque rodando pela America Latina onde é preciso uma certa paciência pra entender o que nos é mostrado. É uma espécie de On the Road ou até Diários da Motocicleta, sobre a viagem servindo de reencontro com si mesmo, etc e tal.. mas aqui as alegorias, o simbolismo e as cenas surreais conferem ao filme um toque meio Terry Gilliam. As críticas á pobreza, corrupção, dívida externa, a paródia ao Menem e Collor, e a participação do Fito Paez são ingrediente extra.  8,5-10

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Vamos lá, chuchus. Nos brindem com seus comentários. E não vale só o nomezinho do filme.

Barbie and the Rockers: Out of This World (Bernard Deyriès, EUA, 1987)   Os personagens são tão falsos quanto se tivessem sido criados para um material de ensino de inglês. Até mesmo Barbie, a única

"Baby Driver" é uma divertida matinê onde o roteiro batido não é o que interessa, mas sim o som e música, que são é mais um personagem ativo da estrutura do longa. Divertido,é mais um musical travesti

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Trivia: Um filme indicado ao Oscar de Melhor Filme cuja protagonista é uma bailarina atormentada pelo encenador?

Resposta: "The Red Shoes", Os Sapatinhos Vermelhos, de 1948. Continuando hoje minha saga para ver os filmes indicados daquele ano, para o canal do Meu Tio Oscar.

Esse drama inglês, de Michael Powell e Emeric Pressburger, é um dos filmes preferidos de Martin Scorsese. Pudera, a cena de dança de quase 15 minutos é das coisas mais magistrais já filmadas.  É lindo, é obsedante, é mágico, é de fazer flutuar. Juntou efeitos visuais com tudo que de melhor havia na música e no design. Não à toa, levou o Oscar de Direção de Arte, e o Oscar de Trilha sonora.

Não se engane pelo título remetendo ao conto de fadas, o que interessa é o bastidor, uma história de amor e ciúme, entre egos inflados,  tentando criar um balé, estrelado por 3 excelentes atores, e no caso de Moira Shearer, uma bailarina de verdade.

Quem se interessa muito por "Cisne Negro", a ponto de considerá-lo um grande filme, com aqueles psicologismos de beira de esquina, precisa conhecer essa pérola dos anos 1940, para saber de onde vieram diretamente algumas cenas do filme de 2010, como a cena do "giro" de "O Lago dos Cisnes"; ou mesmo a maquiagem da bailarina; ou mesmo o cabelo de Vincent Cassel. 

Em suma, um espetáculo inesquecível.

 

The Red Shoes (1948)

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Segundo melhor filme da temporada, a meu ver. Não esperava tantos acertos.

Toda vez que falarem da violência nesse filme, eu pensarei na tristeza.

Vou começar falando de Oscar...Ainda sem ter visto todos os concorrentes - como poderia? - espero que a trilha sonora dessa violoncelista islandesa, Hildur, de sobrenome impossível - vejo aqui que ela fez parte de "Arrival" (então já ganha muitos pontos comigo), - seja indicada e, quem sabe, ganhe a estatueta. Casou perfeitamente com as imagens, e com o clima sombrio e tenso do filme, fora a escolha das canções preexistentes como "That`s Life" e "Send in the Clows" (a propósito, a melhor versão é a do eterno Renato Russo). Muito bom gosto musical. Tô vendo aqui os profissionais de Maquiagem, pois eles vão subir no palco para receberem o prêmio por seu trabalho. Vai ser a primeira indicação de alguns, e alguns trabalham em "The Irishman" também (Carla White, Tania Ribalow) Sabem por que eu gostei? É uma maquiagem muito triste. Não é só uma máscara. É uma maquiagem que chora, que craquela...Eu amei.

Assim como a Maquiagem, o Roteiro também é muito triste. Mais do que violento. Aliás, toda vez que falarem da violência nesse filme, eu pensarei na tristeza. A tristeza funde a cuca total. Assim como aquela bela frase anotada no diário, e que virou a síntese do filme por aí, acertadamente diz: não dá pra esperar ser de outro jeito. Uma vida de abusos, sem amor, violenta, solitária, sem aceitação de si, sem aceitação dos outros...funde a cuca. Eu gostei muito dos diálogos, e de algumas frases. Não esperava gostar tanto. Essa linha de tristeza me conquistou! Muito mais do que nas outras vidas do Coringa vividas no cinema até aqui que privilegiavam o comentário social, o anarquismo como resposta ao capitalismo.... Aliás, toda vez que falarem da violência social nesse filme, eu pensarei na tristeza. Uma indicação ao Todd Phillips e Scott Silver na categoria de Roteiro Adaptado é possível. 

Amei a cenografia em tons pastéis, ou amarronzados, sem vida, sem luzes, de Mark Friedberg (nunca indicado). E a recriação de Gothan bem anos 1970 ficou fantástica.

Pois bem, acho que o filme será indicado em Trilha Sonora, Maquiagem, Design de Produção, Roteiro Adaptado. E Ator.

Falar o quê desse ator? Pela Trindade! Que atuação foi essa do Joaquin Phoenix? No magistral plano da entrevista, ele dá um olharzinho, para o lado, no fim, que fiquei bobo! Que nível de insanidade ali. Agora, todo o elenco está ótimo, a mãe (Frances Conroy), a vizinha, e, claro, o De Niro, em sua escalação mais que perfeita, homenageando os descaminhos de seu personagem em "O Rei da Comédia". 

Contudo, não acho que Joaquin irá ganhar. O personagem comete alguns atos extremos demais para ser gostável ao público mais careta. Não sei se a Academia está preparada para separar atuação de personagem. O vilão, a rigor, não pode passar de certa linha. Lembro-me de "O Silêncio dos Inocentes", e "Sangue Negro", cujos astros foram premiados, mas nem naqueles casos acho que é comparável.

Gostaria muito de ver Todd Phillps indicado em Direção. Fiquei bobo com a cena da escada, e com a cena do dossiê de internação. E com a do portão. Olha, várias cenas memoráveis para mim. Mas, não sei...No momento, estou reticente.

Filme? Acho que sim. Acho que dá. É a maior cartada da Warner Bros, afinal.

Tantos elogios eu ainda teria para fazer, mas a maior é não sobrevalorizar a anarquia, como resposta social, coisa que sempre o personagem do Coringa faz, mas sim colocar dessa vez a tristeza como motivo.

Toda vez que falarem da violência nesse filme, eu pensarei na tristeza. Ela funde a cuca da gente.

 

Joaquin Phoenix in Joker (2019)

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The Art of Racing in the Rain é um filme bacaninha de cachorro que vai além, é pra quem gosta de pulguentos e corrida de carros. Sim, mix de Marley e Eu com Rush é uma produção feita pra lacrimejar, mas e daí? Pelo menos é muito bem feita. As atuações estão ok e a narrativa da perspectiva do dog (com voz do Kevin Costner) é um acerto. Só acho que pesaram demais nos dramalhões, mas dane-se.. era mais que previsível. Aliás, o diretor deve gostar muito do Senna porque as referências (diretas até!) ao nosso campeão estão por toda projeção. E nem atente pro título ridículo que ganhou aqui.. Meu Amigo Enzo (?!) 8,5-10

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In the Tall Grass é uma razoável adaptação de conto do Stephen King que logo de cara te enfia num labirinto bem claustrofóbico, mas logo surgem os mistérios temporais do naipe Triangulo do Medo que fundem a cuca do espectador e não se sabe o que ta rolando. É interessante, bem atuado e tem tensão com cenas bizonhas, mas deixa a desejar no quesito explicações porque se deixar pra subjetividade do espectador pode ser qualquer coisa. Pra mim o filme funcionou mais como thriller de sobrevivência do que terror psicológico. 8-10

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Tenho um carinho gratuito pela Anna Muylaert. Afinal, a mulher dirigiu muitos episódios do icônico "Castelo Ra-Tim-Bum", além dos maravilhosos "Durval Discos" e "É proibido Fumar", bem antes da consagração crítica com "Que Horas ela Volta?".

Mas esse "Mãe Só Há Uma", de 2016, que só agora vejo, via Netflix, é bem ruim, o pior filme dela. Muito pelo ator principal, que não deu conta da complexa personagem; mas, tenho que dizer, pelo roteiro, evidentemente improvisado, cheio de "cacos" dos atores, parecendo feito nas coxas.

Sinto que todas as discussões ficaram pela metade.

E, sim, a maioria do elenco fala muito baixo, baixíssimo, na toada terrível do cinema nacional. É tão avesso ao país, pois, na realidade, os brasileiros falam quase gritando.

Mãe Só Há Uma (2016)

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Quem não gosta de um bom filme que misture ação bombástica, drama, ficção científica e Will Smith? Em “Projeto Gemini” (2019), novo trabalho do consagrado diretor Ang Lee, temos essa fórmula em versão duplicada, visto que o protagonista é apresentado como dois personagens: o indivíduo original e o seu jovem clone. Porém, ao contrário de outros exemplares semelhantes dos gêneros supracitados, o resultado aqui é bastante irregular em termos narrativos.

Na história, Henry Brogan (Smith) é um veterano assassino de elite que tenta se aposentar, mas logo se torna o alvo de um jovem clone seu, o qual se mostra um agente igualmente habilidoso e fatal. De forma inesperada, o diretor Ang Lee entrega ótimas, empolgantes e bem editadas cenas de ação – com destaque para o extenso e arrepiante confronto inicial entre os “dois” protagonistas. E Will Smith faz uma atuação cativante, intensa, e com nuances específicas de personalidade para as suas duas versões, o que gera uma aura hipnótica nos bons momentos de interação entre os dois personagens.

No mais, temos uma trama que desenvolve com desinteresse alguns subtextos batidos, como as conspirações de espionagem, e os perigos da biotecnologia para uso militar. Para piorar, é exigido do espectador um nível absurdo de suspensão de descrença, especialmente quando devemos acreditar que um clone nascerá com o mesmo dom do indivíduo original. De sobra, a personagem de Mary Elizabeth Winstead tem poucos momentos de força e destaque, e Clive Owen faz um vilão que falha na tentativa de ser um Tommy Lee Jones “sensível”.

Na parte emocional, há alguns competentes momentos daquele bom e velho Ang Lee dramático, quando este aborda as consequências psicológicas e familiares de um emprego que envolve frieza absoluta. E, ainda que o roteiro se torne previsível a partir de certo ponto, a conclusão dos arcos dos dois personagens é levemente satisfatória... e pode ser até comovente, para alguns espectadores.

No fim, “Projeto Gemini” é um clone clichê de outros filmes – em especial, das grandes obras ‘blockbuster’ dos anos 90 que também foram produzidas pelo Jerry Bruckheimer. Mesmo assim, ele é de uma diversão razoável e otimista para um fim de semana regado a bastante pipoca. Se for possível ignorar as várias falhas de roteiro, aprecie o seu visual impecável, os momentos da tríade “tiros/porradas/explosões”, a trilha sonora marcante, os incríveis efeitos especiais de “rejuvenescimento”, e cada um dos momentos de Will Smith e Will Smith em tela.

Nota: 6

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Terminei de ler a peça "Coriolano" de Shakespeare e parti para procurar o que o cinema fez dela...

Encontrei esse filmeco de 1964 do italiano Giorgio Ferroni, mas falado em inglês, sem legendas em PT-BR, que, na verdade, se revelou mais Plutarco do que Shakespeare. É sabido que depois do Terceiro Ato, praticamente Shakespeare repetiu os encadeamentos narrados pelo grande biógrafo romano. No filme, aqui e ali, percebia que o roteiro repetia as mesmas frases da peça, mas houve bastantes alterações nela, transformando a imensa poesia em linguagem corriqueira, de dia de semana.

Os cenários e figurinos são paupérrimos, dignos de um episódio do Chapolin Colorado. Aquelas túnicas reaproveitadas, aquelas colunas de papel machê...No campo das atuações, todas ruins, só reconheci mesmo Gordon Scott, o Tarzan dos anos 1950, que ficou com o papel título.

O problema mais impressionante é que os responsáveis pelo filme tiveram a coragem de MUDAR O FINAL!

É o cinema daquela época - tão feito para agradar ao público - que resolveu de pronto mudar o destino histórico, bem como "consertar" o texto de Shakespeare.

 

Coriolano eroe senza patria (1964)

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29 minutes ago, SergioB. said:

Terminei de ler a peça "Coriolano" de Shakespeare e parti para procurar o que o cinema fez dela...

Encontrei esse filmeco de 1964 do italiano Giorgio Ferroni, mas falado em inglês, sem legendas em PT-BR, que, na verdade, se revelou mais Plutarco do que Shakespeare. É sabido que depois do Terceiro Ato, praticamente Shakespeare repetiu os encadeamentos narrados pelo grande biógrafo romano. No filme, aqui e ali, percebia que o roteiro repetia as mesmas frases da peça, mas houve bastantes alterações nela, transformando a imensa poesia em linguagem corriqueira, de dia de semana.

Os cenários e figurinos são paupérrimos, dignos de um episódio do Chapolin Colorado. Aquelas túnicas reaproveitadas, aquelas colunas de papel machê...No campo das atuações, todas ruins, só reconheci mesmo Gordon Scott, o Tarzan dos anos 1950, que ficou com o papel título.

O problema mais impressionante é que os responsáveis pelo filme tiveram a coragem de MUDAR O FINAL!

É o cinema daquela época - tão feito para agradar ao público - que resolveu de pronto mudar o destino histórico, bem como "consertar" o texto de Shakespeare.

 

Coriolano eroe senza patria (1964)

Existe uma versão modernizada do Ralph Fiennes. 

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Luz é um curioso filme alemão sobre possessão demoníaca com forte estilo arthouse. Nada convencional e de difícil digestão, esta produção prima por cenas bizarras e queima bem devagar beirando o insuportável, pra só no final mostrar sua cara. Com estética bacana noventista, este horror nada convencional tem boas atuações e de longe a melhor cena é a sessão de hipnose e do interrogatório. Surreal, aqui ou você se encanta ou dorme todo filme. 7,5-10

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The Fanatic é um thriller bacana de stalker de ídolo, do naipe do noventista Estranha Obsessão (com Snipes e De Niro), mas com poderosa critica ao sonho americano. Travolta está irreconhecível (e muito bem) na pele duma espécie de Forest-Gump-geek-do-mal obcecado pelo seu ator preferido; o resto do elenco ta bem fraquinho. Tem muitos furos mas não desmerece como todo a produção indie e bem eficiente. Atente pras várias referências a clássicos do terror. 8,5-10

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22 hours ago, J. de Silentio said:

Existe uma versão modernizada do Ralph Fiennes. 

Pois é, deixei para hoje essa atualização ambiental de Ralph Fiennes, de 2011.

O roteiro preservou o texto de Shakesperare de modo fiel, fidelíssimo. Acompanhei com o livro aberto e foi muito impressionante. Foi a estréia de Fiennes na Direção; ele até foi indicada ao BAFTA, entre os estreantes. 

Mas, gente, quem deu show mesmo foi a Vanessa Redgrave. Que atuação! Se no filme de ontem, o papel da mãe, Volumnia, é quase apagado, aqui ela está, como na peça, preponderante. Uma articuladora, uma diplomata nata (ao contrário do filho militar), que, com a força das palavras consegue tudo o que quer. Dá gosto ver uma atriz revelar múltiplos sentidos em frases que no papel parecem tão fechadas. Maravilhosa atuação.

Eu gostei do filme. É meio estranho ver certo arcaísmo do texto passado num mundo contemporâneo. Há um deslocamento que pode ser chato - chato é a palavra - para certas pessoas. Mas é uma boa experiência no geral. Eu teria gostado mais se eles tivessem reduzido ainda mais o lado "guerra" do filme, e privilegiado mais a política. Por exemplo: O povo como massa de manobra, louco pra ouvir um carinho demagogo! Conhecem algum povo assim? E fica o recado de que a paz é conseguida mais por palavras do que por tiros.

Os dois generais, orgulhosos de suas forças, ao final, são plenamente manipulados pelas palavras, seja de seus parceiros de exército, seja, no caso de Coriolano, pelas de sua mãe. Como realça o cartaz do filme, as feras naturalmente se gostam.

 

Ralph Fiennes and Gerard Butler in Coriolanus (2011)

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Para muita gente, Breaking Bad é uma das séries dramáticas mais criativas e intensas dos últimos anos. Porém, seu último episódio deixou uma pequena ponta solta quanto ao destino do querido personagem Jesse Pinkman (Aaron Paul), enquanto que Walter White (Bryan Cranston) e outros personagens centrais tiveram seus arcos muito bem finalizados. Tal pendência foi solucionada através do filme “El Camino” (2019), em que a história se passa logo após aquele marcante episódio.

Jesse nos é apresentado já como um fugitivo, e como alguém que deseja superar o passado e encontrar um novo caminho após ter cometido sua parcela de crimes. Assim como ocorria na série, o diretor Vince Gilligan apresenta uma narrativa crescente, sem apelações, e que transita bem entre o drama e o suspense policial. Há mensagens sobre as consequências da vida criminosa, estresse pós-traumático, e sobre a extrema dificuldade – ou impossibilidade – de retomar o controle da vida após certas situações...

Como Jesse é o centro da narrativa, há algumas falhas de condução no sentido de que todos os outros personagens se tornam episódicos – e consequentemente, esquecíveis para qualquer pessoa pouco familiarizada com a série. Aaron Paul faz uma atuação excelente em termos de angústia total, intensificada pelos bons flashbacks que nos mostram não apenas como o personagem mudou bastante ao longo de sua jornada, como também evidenciam a necessidade de uma ruptura com o seu “inocente” passado.

Gilligan ainda nos apresenta uma direção que encontra vida em meio a uma ambientação mais sombria do que de costume, e sem abrir mão de suas rimas visuais e narrativas, além de outros pequenos elementos que se tornam partes importantes do filme. Infelizmente, ele não fornece o mesmo senso de perigo que nos prendia na maioria dos episódios da série, exceto por alguns vislumbres bem interessantes dos seus melhores momentos – como, por exemplo, em uma cena tensa de confronto que remete diretamente ao faroeste.

Sim, “El Camino” é um filme digno, bem amarrado e respeitoso com o legado de Breaking Bad, especialmente quando dá total razão a uma simples frase dita por Mike (Jonathan Banks) logo no início do filme: “você nunca vai conseguir fazer o certo”. Só faltou um “algo mais” para que pudesse ir além de um quase ‘fan service’... o que é compreensível até certo ponto, pois nós amamos Jesse Pinkman. A mensagem universal dessa franquia ainda pode ressoar por muito tempo, pois todos nós devemos lidar com as consequências dos nossos atos.

Nota: 7

ECCartaz.jpg

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Prey é um fraco terror que mistura vários gêneros sem conseguir ser original. Começa como drama, passeia pelo survival de Naufrago, flerta com romancezinho feito Lagoa Azul e finalmente tem um monstro tipo Predador. Na boa, so curti mesmo o thriller de sobrevivência pois o resto deixa muito a desejar, até o gore e o próprio monstro, meia boca. Pra completar, atuações ruins e um desfecho previsível coroam esta produção da Blumhouse que desponta pro anonimato. E olha que o diretor é o mesmo do ótimo remake de Maniac. 6-10

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Scary Stories to Tell in the Dark é um terrorzinho juvenil até divertido. É um Goosebumps feito pelo Del Toro, com um plot macabro meio História sem Fim mas com estrutura de mortes tipo Premonição. A ambientação sessentista e o design das criaturas é o ponto positivo, além das atuações e tal. O ruim é que pela faixa etária do público faltou um gore mais nervoso e, claro, ser meio previsível. Mas o resultado é bom passatempo apesar dos apesares.. Pra quem curtiu It, Stranger Things, etc.. 8-10

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"A Shaun The Sheep Movie: Farmageddon" é a nova produção da Aardman. 

O filme de 2015, indicado ao Oscar de Animação em 2016, é simplesmente hilariante, eu rolei no chão de tanto rir. Depois dele, fui conhecer a série de desenhos, e sempre que posso assisto aos episódios na Netflix. É incrível o capricho do stop-motion. 

Mas esse filme de 2019 infelizmente é bem ruim. Pegaram "E.T" e alguma coisa de "Encontros Imediatos de Terceiro Grau" e tentaram replicar no universo. Se faltou originalidade ao roteiro, eu ousaria dizer que faltou o principal em uma comédia: faltou piada. Não há quase nada realmente engraçado.

É pena. Mesmo assim, os caras são amados pela Academia (mas curiosamente não pelo público americano que prefere computação gráfica, conforme já disseram os diretores), e alguns analistas consideram que o filme hoje pode lutar por uma vaga surpresa em Animação, repetindo 2016.

A Shaun the Sheep Movie: Farmageddon (2019)

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Este "Madame Bovary" de Claude Cabrol é bastante fiel ao sublime livro, ainda que nenhum filme, a menos que tenha 4 horas, conseguirá colocar todo o enredo na tela. Mesmo assim, é fiel. Não só em termos da história em si, mas em termos de cenário, de luz da fotografia, de composição no geral. Nada é estonteante como nas versões americanizadas, mesmo a riqueza de certas personagens é uma riqueza possível, dentro dos padrões. O Figurino de Corrine Jory ( fez "Adeus, Meninos",  "A Fraternidade é Vermelha") até foi indicado ao Oscar em 1992, se não em razão da quantidade gigantesca, sobretudo por uma cena belíssima, a cena do baile, a cena da valsa, em que os vestidos de diversas senhoras simplesmente vão batendo na câmera, em sequência de  verde-claro, azul-claro, topázios...Linda a cena!

Madame Isabelle Huppert conseguiu trazer todas as nuances da personagem, tal qual o livro, fazendo uma romântica, observada pela sensatez do Realismo. Não que ela julgue a personagem, mas sua frieza natural caiu bem, conteve os arroubos. No entanto, foi-me impossível esquecer que ela já estava com quase quarenta anos nessa época, e a Emma é uma "moça".

 

Madame Bovary (1991)

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Mais um filme de 1948.

Agora é "A Terra Treme", do "Conde Vermelho", Luchino Visconti. Um aristocrata feito comunista. E o filme, para mim, tem essas facetas da personalidade. O roteiro segue a cartilha marxista; mas o ângulo, o tom, a câmera, tem um quê bastante clássico. 

Pilar do Neorrealismo italiano, obra-prima dos trabalhadores: O elenco é orgulhosamente composto por pescadores, pedreiros, e lavadeiras. A outra voz, externa, é a do narrador, o próprio Visconti. Mas sem psicologismos, ele só acompanha a ação.

Sobre o título: O mar treme pela maré, e a terra - a vida dos homens -  também treme, com tantos desfortúnios. Os 20 minutos finais são tristes e crueis: "A fome tira o lobo da toca", diz o atravessador triunfante aos pescadores que vêm pedir emprego.

O pensamento sindical já teve lugar no mundo, já foi muito necessário, para evitar a exploração pura e simples dos individuos. Hoje o mundo do trabalho mudou tanto que...continua a mesma coisa.

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Ok, depois de anos escrevendo no Fórum, já deu para vocês sacarem que eu sou, digamos, "excêntrico". Mas a minha maior excentricidade vocês ainda não sabem: eu não uso jeans! Não uso nada jeans há uns 7 anos. Tenho ojeriza pela roupa, acho que todo mundo fica igual esteticamente, fora ser um tecido altamente poluente. 

Qualifico esse documentário, visto na Netflix, "Estou me Guardando para quando o Carnaval Chegar", como um filme de terror! Uma cidade inteira fabricando dia e noite sem parar jeans de má qualidade, transformando seus lares em minifabriquetas ruidosas e estafantes, da época da Revolução Industrial inglesa. As crianças e as casas deles, bem como a cidade em si, ficam abandonadas, com os adultos privilegiando o dinheiro, para depois gastarem em porcarias consumistas. Não há beleza nenhuma na cidade, nas casas das pessoas, nada, apesar de elas ganharem um dinheiro considerável - em torno de 6 mil reais - com o trabalho duro, sacrificante. 

É uma miséria por dentro. E também uma miséria social, com a cidade abandonada, vivendo para uma indústria de um produto só. Não há Ministério do Trabalho em Pernambuco? Alôw, autoridades! Parece um garimpo de tecido! Em suma, um filme de terror! Com a nossa miséria educacional estampada na cara, com um erro de português a cada 4 palavras. 

Cabe dizer que Marcelo Gomes, de tantos filmes excelentes, a partir de tanta miséria produz um documentário incrível. "Linho nobre, pura seda", como canta o poeta.

Estou Me Guardando Para Quando O Carnaval Chegar (2019)

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Little Monsters é uma divertida comédia com gore onde a evolução do personagem principal em assumir responsabilidade da vida adulta é muito bem narrada. Repleto de gags hilárias, a surpresa foi ver a Lupita Nyong’o se dar muito bem neste tipo de produção, cuja premissa já é bizonha: o apocalipse zumbi numa fazendinha de pets, onde rola uma excursão infantil(!?). Resumindo, o filme não inventa a roda como Shaun of Dead mas é diversão acima da média feito Zumbilândia por carregar mensagem sentimental bem fofuchis, sem soar piegas. Ponto pra carismática molecada do longa. 8,5-10

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The Standoff at Sparrow Creek é um tenso e claustrofóbico thriller que te prende mesmo rolando tudo num único cenário, onde um grupo de milicanos tem que descobrir qual deles promoveu um massacre. O forte deste índie são os diálogos, roteiro e as atuações, onde ninguém é o que parece ser, do naipe de Cães de Aluguel. De baixissimo orçamento, a película é uma navalha com uma boa reviravolta final, com uma forte crítica ao governo Trump e á industria armamentista (e do entretenimento atual). É daqueles filmes que você pode discordar pelo viés político que carrega, mas que isso não faz dele menos sensacional. 9-10

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O candidato da Itália ao Oscar, "O Traidor", vem de um diretor queridinho de Cannes, Marco Bellocchio, que sempre concorre no Festival, assim como neste ano. Trata-se da biografia do mafioso Tommaso Buscetta, que se refugiou e foi preso aqui no Brasil, e depois da extradição tornou-se um delator/colaborador da justiça italiana.

Gosto dos filmes de Bellocchio, eles têm uma pretensão de entender o país, de falar da alma dos italianos. É bem bom em sua arquitetura, mas o filme poderia ser melhor se não fosse tão longo e exaustivo. O processo penal de lá, com suas fanfarronices, de ter os réus enjaulados nas salas de julgamento por exemplo, rende cenas engraçadas e curiosas, mas...O filme, no geral, padece de um mal insanável: querer fazer com que os espectadores simpatizem com seu principal personagem a todo custo. Como se ele não fosse quem era.

E pior que consegue. 

Impossível um brasileiro não relacionar o que se passou na Itália, com o que estamos vivendo na Operação Lava-Jato. Mesmíssimas situações. Advogados de réus politizando os debates, apoio popular, delatores encobrindo certos fatos, juizes se tornando heróis nacionais...

Maria Fernanda Cândido está muito bem no papel, mas é um papel de "esposa", sem muito desenvolvimento. Ela e Rodrigo Santoro, valem dizer, estão em candidatos ao Oscar por filmes de outras nações. 

Pierfrancesco Favino in Il traditore (2019)

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Bom, minha experiência com "Projeto Gemini" e de quase todo mundo fica prejudicada pois não vi o filme "comme il faut", em 120 quadros por segundo, no cinema adequado em 3D+. Então, não senti diferença de campo nenhuma na Fotografia. É uma pena. Azar o meu que não moro em Los Angeles ou Nova York, pois queria ter essa experiência de vídeo-game. 

Já a parte do rejuvenescimento, que podemos apreciar, é muito dahora, mas depois a gente se acostuma e só acha "legal".

É um bom filme de ação! O plano da Moto é inacreditável!!!!! Eu me diverti. Achei bacanudo o CGI, e tudo o mais. 

Mas quero o Ang Lee dos anos 1990 e começo dos 2000 de volta, por favor?! "Banquete de Casamento"; "Comer,Beber,Viver"; "Razão & Sensibilidade"; "Tempestade de Gelo"; "Brokeback"; o maravilhoso e subestimado "Lust:Caution"...É possível? Por que os fãs de cinema vão perder a sensibilidade desse homem pra ganhar um outro diretor de ação?

Que ele crie então um clone mais novo de si mesmo. Que faça o que ele fazia na juventude. Um Gemini da vida real. 

 

Will Smith in Gemini Man (2019)

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Semper Fi é um thriller que resumidamente trata da "broderagem" e fidelidade masculina. É um filme de alta testosterona, mix de Uma História Americana no quesito drama prisional e de O Franco Atirador. Sabe equilibrar bem ambos gêneros mas derrapa quando foca apenas num, em detrimento do outro. As atuações estão boas, com destaque pro Jay "Capitão Bumerangue"  Courtney, mas o filme desperdiça coadjuvantes fascinantes em detrimento do dramalhão fácil. Ainda assim deixa-se ver de boas, com ressalvas. 8-10

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Harpoon é um eficiente thriller negro indie que tinha tudo pra dar errado - feito num único ambiente e apenas 3 personagens - mas não. Diálogos afiados e interpretações competentes fazem desta comédia negra algo do naipe do Tarantino, Guy Ritchie ou Coen. Lembra do noventista Dead Calm? É algo parecido mas tocado de forma bem dinâmica com uma pitada de survival. Não bastasse, esta bacana narrativa de desconstrução da amizade e amor se vale dum conto de Edgar Allan Poe e, pasme, Da Vida de Pi. Pequeno grande filme. 9-10

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Não li a novela assinada por Stephen King e seu filho Joe Hill, então não posso atestar a fidelidade ou não da trama, nem se a adaptação foi boa ou não. Mas o filme "Campo do Medo", lançamento da Netflix, deixou, não sei se de propósito, várias pontas soltas. Não que isso seja um problema para o diretor Vincenzo Natali, que quebrou a cabeça de todos os jovens, em 1997, com o enigmático "Cubo", outro pesadelo sem saída.

Para os fãs do gênero, acho que é um bom divertimento. Para públicos maiores, acho que pode ser uma experiência desagradável, já que não é claro nas ideias; não é claro nos motivos; é sinistro, mas repetitivo...

Contudo, tem uma coisa que eu sempre aprecio no cinema em geral: que é a "troca de protagonistas". Ora um personagem carrega o filme; ora, outro. Eu gosto disso.

Ao final, sem muitas respostas, indaguei-me se a história, em si,  não tinha um fundo "moralista" demais?! 

Aliás, acho que os 3 filmes baseados em King,  lançados este ano, carregam todos a defesa puritana de alguns valores.

Laysla De Oliveira in In the Tall Grass (2019)

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Quando a Netflix divulgou que iria lançar o próximo filme do Sion Sono, eu imaginei que eles iam controlar parte da doidera. 

Graças aos deuses do cinema, não.

"Floresta de Sangue" mantém a triunfal e hilária pauleira gore que estamos acostumados, com aquele apuro técnico de cair o queixo. A primeira hora e meia, de apresentação dos personagens, de apresentação do tema, é um presente do céu, é um sonho, é perfeito, é demais! Mar-ra-vi-lho-so!! Depois a trama dá uma caída, como normalmente acontece nos filmes do cara. A trilha da inconsequência se espirila de mais, atinge um grau de despautério de mais. 

Alguém pode reclamar que ele faz sempre o mesmo filme: com suicídios adolescentes, sangue, sexo lésbico, interpretações exageradas, sadomasoquismo, mas, não é o mesmo filme, é algo além, é uma constante obsessão. Os filmes dele são uma virada de sadismo contra o próprio eu.

 Coisa de gênio.

The Forest of Love (2019)

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