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"Para todos os Garotos: P.S Ainda Amo Você" é a continuação do sucesso pré-adolescente da Netflix "Para Todos os Garotos que Já Amei", de 2018. Se é esse o filão, se é Netflix, tem Noah Centinio, mas, supreendentemente, subutilizado, apenas na função galã.  Mesmo com seu inegável carisma, ele não tem nada a fazer, pois o roteiro do filme é raso como um pires. O conflito é...nada. Um triângulo amoroso que tem medo de se aprofundar, um triângulo amoroso que é mais "moral" do que físico (claro, as vias de fato não podem acontecer, para não chocar a púbere audiência).

Enquanto via essa bomba, fiquei pensando se esse tipo de filme para pré-adolescentes (realizados por protagonistas de 22, 23 anos) não serve apenas à continuação da ideia de "Contos de Fadas" da infância, e como eles se posicionam exatamente do lado oposto aos adolescentes "Oitava série", ou "Booksmart", muito mais pé no chão, tristes, com "gravitas". É dizer: Ainda se é uma idade para sonhar.

Noah Centineo, Jordan Fisher, and Lana Condor in To All the Boys: P.S. I Still Love You (2020)

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Vocês sabem o que é gag? É um termo para designar um efeito cômico de curta duração. Esse filme da Arlequina, seja lá que título estiver valendo, não tem roteiro, só tem gag. Mentira, tem também uma sombra de feminismo, um feminismo prêt-à-porter, mas sem fundo, sem rés do chão. 

Nos primeiros 20 minutos, todavia, eu confesso que estava gostando, parecia um "Deadpool" feminino. Mas depois de 1 hora, eu só queria que tivesse fim, pois a história é uma imensa besteira.

Margot Robbie, entretanto, está ótima. Ela é muito "profissa". Incorporou mesmo a personagem, com muita vontade, energia e carisma. 

A serviço de nada.

 

Rosie Perez, Jurnee Smollett-Bell, Mary Elizabeth Winstead, Margot Robbie, and Ella Jay Basco in Birds of Prey: And the Fantabulous Emancipation of One Harley Quinn (2020)

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Em tempos de filmes internacionais fazendo história no Oscar, "Vítimas da Tormenta", um Vittorio de Sica de 1946, também o fez em seu tempo. Em razão de seu humanismo e luta contra as adversidades, a Academia achou por bem premiá-lo com um Oscar Honorário em 1948 ( Muita gente o considera o primeiro filme estrangeiro a vencer um Oscar. Mas, oficialmente, a categoria específica só seria criada em 1957), também conferindo-lhe uma indicação em Roteiro Original, para, entre outros, Sergio Amidei (bisando a indicação por "Roma, Cidade Aberta"). Era o Neorrealismo bombando.

"Vítimas da Tormenta" é um filme ótimo, mas não diria que é uma obra-prima ou algo assim. Tem a seu favor o tema, tratar originariamente de marginalidade infantil no pós-guerra; a Itália destruída; mostrar a precariedade de uma instituição de menor lotada; o nenhum direito de defesa...Mas ainda tem uma carga de melodrama que não deveria, a meu ver. Retirada devidamente pelo seu sucessor espiritual, "Os Incompreendidos", de Truffaut, em 1959.

Em de Sica, o humanismo que sentimos não advém da política em forma de texo, advém da empatia com os personagens, feitos pelos não atores, todos com muita sensibilidade.

No final, os sonhos são derrubados.

Sciuscià (1946)

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O documentário Carta para Além dos Muros dirigido por André Canto aborda a AIDS sob vários pontos de vista, estabelecendo panoramas diferentes partindo justamente desses  pontos de vista pra abordar a doença. Traz bastante conteúdo, dados e fatos históricos desde a descoberta da existência do vírus e da estigmatização das vítimas até notícias e números mais recentes do vírus. Sempre é um tema relevante, justamente por se tratar de algo incurável que torna os acometidos muito marginalizados e a direção do documentário pincela esse assunto através de alguns depoimentos. Acontece que a realidade dos soropositivos - especialmente quando se trata de gays - é bem pior do que a retratada no filme e isso ficou bem amenizado. Embora se trate de uma discussão que também acaba sendo política, achei que o filme pendeu mais para esse lado na maior parte do tempo e não explorou a realidade vivida pelos pacientes. Gostei do filme, principalmente quando o tom é mais humanístico e os depoimentos da área científica exercem seu papel esclarecedor. Agora, achei que faltou explorar mais um dos assuntos dentro do tema pois ficou um monte de coisas pulverizadas sem que houvesse muito aprofundamento em alguma delas. 

 

 

Cartas para além dos muros.jpg

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The Wave é uma comedia scy-fy pra lá de psicotrópica, imagina um Depois de Horas regado a muita maconha e pó, é isso! É um sonho brisado mais convencional do que original, divertido e bem atuado, com dilemas filosóficos (rasos) e muito humor ácido.. Mas no final fica a sensação que o roteiro é mais um esboço que uma idéia bem desenvolvida, o porre pós-viagem. 8-10

Resultado de imagem para wave 2020 movie

 

 

Harriet é uma boa biografia sobre uma militante abolicionista pouco conhecida (fora dos States) que vale unicamente pela interessante história da personagem em questão e pela poderosa atuação da atriz que a encarna com unhas e dentes. É um Lista de Schindler com A Cor Púrpura onde a falta de ritmo (e de adversidades) prejudicam o longa. Fica a impressão que tentaram socar muita coisa em pouca metragem, ficando tudo meio aleatório. Mas ainda assim vale a bizoiada... 8-10

Resultado de imagem para harriet tubman movie review

 

 

Underwater é uma razoável aventura scy-fy que parece um Alien misturado com Segredo do Abismo, onde o terror espacial é levado pro fundo do oceano. Com atuações corretas e meio genérico em sua estrutura, este filme só se salva por uma única coisa: seu desfecho! SPOILER: os amantes do terror terão orgasmos ao ver um personagem loverkrafiano bem conhecido. Foi a mesma surpresa que tive ao descobrir que Fragmentado era sequência de Corpo Fechado, e só isso já eleva a nota do filme. Vem aí uma novo universo expandido caso o filme se pague... 8,5-10

Resultado de imagem para underwater William Eubank poster

 

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Resultado de imagem para joana a virgem as batalhas

Interessante versão por fugir do caráter épico e dramático geralmente impresso nos filmes sobre Joana. A coisa aqui é pouco romantizada e bem crua. Seria melhor se as poucas cenas de batalha fossem melhor produzidas. Essa é a primeira parte, há ainda um segundo filme. Cotação: Bom. Assistido de forma alternativa :)

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"Andrei Rublev", de 1966, considerada uma das obras-primas de Tarkovsky. São 205 minutos de puro cinema.

O que eu acho mais inteligente é que Tarkovsky não fez exatamente uma biografia do monge e maior pintor russo de ícones religiosos, Andrei Rublev. Até por que se sabe efetivamente pouco dela. Fez um drama histórico, pois sabe-se muito mais da caótica e violentíssima Idade Média, mais preciso, do séc. XV, período retratado no filme. Por isso a câmera  por muitas vezes abandona o artista para mostrar outros personagens, a situação social do país, as invasões tártaras, a situação rural dos servos...

Mas fora esse contexto social, sobressai a questão da fé. Andrei Rublev deixará o monastério para pintar, mas terá sua fé testada a todo momento, ao se deparar com a falta de caridade dos cristãos, por exemplo, ou ao se deparar com o paganismo libertário, rural, que não estava nem aí pras convenções cristãs. Também o pintor se deparará com a perseguição religiosa, e a extrema violência, até mesmo contra sua própria arte. Em resumo, a fé não nos ajuda. A fé é hipócrita. A fé destrói as liberdades sexuais. A fé mata. A fé não nos salva do mal. Diante de tantas atrocidades, Andrei Rublev fará um pacto de nunca mais falar. Depois de muitos anos, contudo, sua fé é restaurada, por meio da figura de um jovem sineiro. Contra tudo e todos, a fé em Deus misteriosamente se renova.

Um trabalho de roteiro e direção poderosos, de verdade. Só um grande artista não teria medo de fazê-lo.

Quando vi "The Revenant", escrevi que o filme me parecera assaz copiado e colado de Tarkovsky. E não deu outra. Logo a internet explodiu com vídeos de comparação. Outra coisa que me lembro é de expressar minha preocupação com os cavalos. Mal sabia eu como neste filme russo também os cavalos são usados de maneira brutal. 

Perdoai-os!

 

Andrey Rublev (1966)

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Sou alucinado pelo cinema de Abbas Kiarostami, e "Através das Oliveiras", de 1994, é dos meus preferidos.

Se o início pode ser lento e confuso, logo depois compreendemos que a vida dos não atores da filmagem fictícia é mais interessante do que os personagens ali. E o diretor, os fotógrafos, os roteiristas (Um certo Panahi) mal percebem. O amor platônico e a insistência amorosa entre o ator e a atriz causam problemas para a filmagem do filme. É Kiarostami fazendo uma ponte cinematográfica linda com Truffaut de "A Noite Americana".

Mas o exercício de metalinguagem não está só aí. Se o espectador conhece mais o cinema do iraniano, perceberá que existe outra jogada. A equipe de filmagem está refazendo a cena de "E a Vida Continua", um Kiarostami de 1992 ( na mesma locação, com os mesmos atores) o filme, que, por sua vez, procurava o garotinho de "Onde Fica a Casa do meu Amigo?", de 1987. Por isso costuma-se chamar esses três filmes de Trilogia Koker, uma região empobrecida,  assolada por um terremoto.

Cinema em cima de cinema em cima de cinema. Cinema ao cubo.

A cena final é um plano sequência longuíssimo, câmera parada, trilha sonora, e a resolução do conflito amoroso só pertencerá aos atores; digo, aos não atores; redigo, aos atores!  

Um banho.

Zire darakhatan zeyton (1994)

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Depois de "Através das Oliveiras'", um dos meus favoritos, o Telecine Cult emendou com "O Vento nos Levará", que é o que eu menos gosto. Filme de 1999, é quase um enigma, afinal, os motivos, os porquês, do protagonista estar visitando aquela região do Curdistão iraniano nunca são revelados. Ele é tido pelos populares como um "engenheiro", mas na verdade só porta uma câmera, usa uma camiseta preta e óculos redondos (curiosamente o figurino tradicional de Abbas Kiarostami em vida).

É tanto mistério, tudo é tão esquisito - por que esse homem anda para lá e para cá, pelas montanhas, e conversa tanto com o povo, crianças, velhos e grávidas? - que, de repente, uma ideia louca passou pela minha cabeça, será que ele fez um filme sobre "um diretor em busca de locações" ? Locações físicas, "locações" humanas?

Jamais indicaria esse filme para alguém ver, mas essa minha interpretação particular fez o filme crescer um montão. 

Agora vai passar "Gosto de Cereja", mas esse aí eu não preciso ver, tenho-o tatuado em mim. 

Como disse Godard: "O cinema começa com Griffith e acaba com Kiarostami".

Resultado de imagem para o vento nos levará imagens

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"O Beco das Almas Perdidas"/ ou "O Beco das Ilusões Perdidas" ( mencionei outro dia a inconsolidação dos títulos no Brasil de certa época), ou, no original, "Nigthmare Alley", é um filme noir, de 1947, do diretor de "Grande Hotel", Edmund Goulding. É sobre um artista de variedades, que aprende um truque para "ler" mentes, e percebe que pode fazer muito mais dinheiro longe da prática circense e mais perto da exploração da fé alheia.

O interesse em vê-lo surgiu pela informação do remake de Guillermo del Toro, que está em pleno processo de filmagem. Contará no elenco com Bradley Cooper (antes fora cogitado Leonardo DiCaprio). Rooney Mara e Cate Blanchett; e na parte técnica quase toda a turma de "A Forma da Água".

A trama é até boa, mas o roteiro precisará de muito trabalho, de muito capricho. Eu, sinceramente, não curti esse filme de 1947. Achei-o muito enrolado, muito perdido em cenas desnecessárias, e exigindo muita "suspensão da descrença" por parte do espectador. Mas tem potencial. Principalmente se a nova adaptação tiver a coragem bastante de aproximar religião de charlatanismo. O filme de 1947, naturalmente, não teve essa coragem - nem poderia.

Para salvar a apreciação hodierna deste filme de 1947, contamos com a atuação soberba do astro Tyrone Power, brilhando mesmo mais de 70 anos depois.

Tomara que o Bradley Cooper arrase também no papel.

Tyrone Power, Joan Blondell, Coleen Gray, and Helen Walker in Nightmare Alley (1947)

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Terminei de ler "Uivo", livro lendário do poeta Allen Ginsberg, e fui rever esse filme de 2010, dos diretores Rob Epstein ( ganhador de 2 Oscars, um pelo icônico documentário sobre Harvey Milk; indicado recentemente pelo tristíssimo curta "End Game") e Jeffrey Friedman (codirigiu "End Game" também).

A estrela é James Franco, que todo mundo ama odiar, mas eu não. Pra mim ele é muito bom ator mesmo. E aqui ele está perfeito como Ginsberg, no gestual, no modo de respirar e posicionar os braços. 

O filme optou por mostrar 3 linhas: o julgamento por obscenidade do livro; James Franco ficcionalizando uma suposta entrevista e a primeira leitura pública do poema em 1955; e também uma animação criada em cima do poema (que depois virou HQ). Ou seja, "Uivo" está no filme como fato histórico; como consequência da mente e da vida do artista; e também como objeto em si.

Já tinha gostado do filme em 2010, e agora, encharcado de poema, pensando de fato muito nele ( enchi meu "status" do WhatsApp com os versos), gostei ainda mais.

"Os Estados Unidos que tossem a noite toda e não nos deixam dormir" . Ou, parafraseio eu, a China, em época de Coronavírus, que tosse a noite toda e não nos deixa dormir em paz.

Na parte do julgamento, vemos como a Acusação  interroga qual o sentido, qual a mensagem do poema. É uma pergunta típica de quem não lê, ou de quem não vê muito filme, ou de quem não convive com arte. Essas pessoas acham que a arte contém "mensagens", como se fossem ditos de uma carta psicografada. É uma forma pobríssima de ver o mundo. E estamos assistindo a pessoas assim no Brasil de hoje querendo ditar o que a arte é. Porque, no fundo, só conseguem encarar a arte como meio para uma "mensagem moral".

Necessário.

Howl (2010)

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The Quake é um bom disaster-movie norueguês que dá sequência ás desventuras do geólogo Kristian, nesta franquia espécie de Duro de Matar dos desastres naturais. Se no primeiro, The Wave, ele encarava um tsunami aqui peita um terremoto. O longa parece seguir a cartilha americana com o diferencial que é tudo mais realista e menos fantasioso, tipo 2012 ou Terremoto. O ruim é que precisa encarar um hora de dramalhão pra só depois começar o vamuvê com CGI de primeira. Que venha o terceiro, quem sabe um furacão, erupção ou queda dum meteoro. 8-10

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VFW é um divertido exploitation ultraviolento que parece ter sido feito nos anos 70/80. Imagina um mix de Os Mercenários com Um Drink no Inferno.. é isso! É um bacanudo e despretensioso trash que só quer entreter, mas que só funciona devido ao seu elenco em estado de graça, um bando de atores de ação do século passado que visivelmente se divertem nos papéis. Sandler, Kove, Wendt e Williamson parecem reprisar algum antigo papel, em especial este último. Opção bagaceira B de primeira com efeitos práticos á moda antiga. 8,5-10

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Villains é uma comédia negra com plot "ladrões se dão mal ao assaltar casa errada", que parece ser obra dos Coen. As atuações estao ok nesta divertida e insana película e são eles que te mantem grudado, embora ja se saiba o desfecho desta bodega, espécie de Bonnie & Cleide ás avessas e repleta de reviravoltas. É um filme pequeno que não inventa nada mas o pouco que faz (e bem) se deve aos seu quarteto de atores bastante inspirados, principalmente a sumida Kira Sedwick. Agora o mais fraquinho de todos eles é o ator do Pennywyse, ele se dá melhor como palhaço macabro mesmo. 8-10

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Ainda sob influência do Oscar desse ano, quis assistir ao documentário Indústria Americana também impulsionado pelo fato dos Obama terem-no financiado. Confesso que fiquei um tanto frustrado com o resultado final especialmente por conta do tom institucional utilizado na maior parte do tempo. Talvez por conta da minha expectativa mais emocional frente a este tipo de filme (que não é meu favorito), esperava algo mais degradante, de denúncio forte e que me levasse a uma identificação imediata. O filme, que conta a história da criação de uma montadora de vidros automotivos no estado de Ohio por conta de um milionário chinês usando onde tivera sido uma fábrica da GM, tem seus bons atributos ao retratar a exploração capitalista dos empresários frente a pessoas que precisam trabalhar para sobreviver e se sujeitam a receber muito menos do que antes com o argumento de que é melhor ter emprego do que nada. Também consegue interessar ao mostrar os abusos cometidos pelos patrões e a falta de interesse dos mesmos na vida pessoal dos funcionários (os chineses passam o ano sem praticamente visitar a família, a empresa não se importa com a segurança dos funcionários e investe pesado para que o interesse destes não seja defendido pelo sindicato), salientando uma tendência tanto no capitalismo ocidental quanto no socialismo oriental (no caso, dos chineses). Pra mim, no entanto, acabou faltando algo que também senti falta no Carta Para Além dos Muros, já que o debate sobre a origem dessas relações predatórias entre patrão e empregado ficou sublimado. De novo me pareceu que quiseram falar de muita coisa quando, na verdade, não conseguiram mostrar nada com muita profundidade. Achei tudo muito frio, distante, desumano, sem muita proximidade com os envolvidos. Talvez tenha sido proposital mesmo porque a fotografia e a iluminação do filme focam quase o tempo todo em cenários vazios com cores bem opacas. Talvez tenha sido só impressão minha por conta da falta de tato com documentários. Fato é que, embora trate de um tema bem interessante e atual, eu não consegui ser fisgado pelo vencedor da estatueta da categoria neste ano.

 

Industria-Americana.jpg

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Já tem um tempo que eu queria ver Mulheres do Século 20 por dois motivos: 1- amo qualquer coisa cinematográfica que tenha mulheres à frente; 2- amo qualquer coisa cinematográfica que tenha a Annette Benning. Pesquisando depois, descobri que esse filme foi indicado ao Oscar de melhor roteiro original em 2017 (perdendo de forma justa para o sensacional Manchester à Beira-Mar) e que é dirigido pelo Mike Mills, que fez um dos filmes mais lindos que eu assisti na década passada, Beginners. Descobri também que Mills contou um pouco da história da mãe dele e que a casa onde se passam a maior parte das cenas foi inspirada na casa onde ele cresceu com a mãe. Tudo isso me fez ficar ainda mais encantado com o longa, que conta a história de uma mãe (Benning, maravilhosa como sempre) com algumas dificuldades de entender a fase pela qual seu filho (bem defendido pelo Lucas Jade Zumman, o Gilbert do seriado Anne com E) passa e pede ajuda para uma amiga dela (Greta Gerwig) e para a melhor amiga do filho (Elle Fanning, ótima, rouba a cena) neste intento. É verdade que a premissa de tentar entender as alterações ocorridas no mundo ao longo do séc. XX é um tanto quanto presunçosa e ambiciosa, já que se trata de apenas 2 horas de projeção. Uns detalhes de montagem (luzes de arco-íris em cenas com carros, aceleração de algumas cenas sem diálogos) e de fotografia eu achei excessivos por estarem um tanto dispersas do roteiro. Tirando isso, eu amei o discurso feminista da maior parte do filme (a personagem da Greta é um exemplo, me fez lembrar a Elizabeth Bennet de Orgulho e Preconceito); amei a abordagem sobre a adolescência, a construção da sexualidade e a influência da mudança da sociedade nas dinâmicas familiares produzida pela passagem do tempo; amei a estrutura familiar já bem modernista pra época apresentada; amei a maior parte dos diálogos (em especial o diálogo na mesa sobre menstruação) ricos em leveza e ironia (mais uma vez Jane Austen me veio à cabeça). Sobretudo, o que mais me encantou foi a personalidade de origem tão forte quanto diametralmente oposta das três protagonistas, cada uma defendendo seu viés sociológico á medida que o tempo avança e (re)constrói ideais culturais ao longo desta passagem. Os dois boys principais (o filho da Benning e o pedreiro locatário dela, um Billy Crudup sensualíssimo que me lembrou o Chris Cooper no Adaptação) cumprem muito bem seus papeis secundários: um servindo como olhos do espectador frente às modificações, e o outro como ilustração da maneira particular com que cada uma das protagonistas lida com o gênero oposto (uma fala dele, em especial, na cena da mesa que eu citei é incrível). É um filme menor, quase indie, de baixo orçamento mas com roteiro muito bem executado, texto a serviço da ideia e atuações mega competentes que eu super indico, principalmente pra quem ama pegadas mais feministas.  

Mulheres Séc XX.jpg

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Não posso dizer que são 30, mas pelo menos há 15 anos eu não via "Trinta Anos Esta Noite"/ Le Feu Follet/ The Fire Within/ ou "Fogo-Fátuo", de Louis Malle.

Esse filme de 1963 talvez seja a produção mais elegante e refinada sobre alcoolismo e depressão. Não há "cenas", não há descontrole dramático nenhum. Tudo é muito refinado, econômico, e chic, pontuado pela beleza da música de Erik Satie. Fez um bem enorme ao romance, Fogo-Fátuo, que eu já tive inúmeras chances de ler e ainda não li, pois seu autor, Drieu La Rochelle, em certa época da vida virou um militante do nazismo. É um filme esplêndido, e pra mim fica ainda melhor, pois ele se segue a "Vida Privada" que é terrível, chato de doer, mas dá pra entender melhor os monstros que iam pela cabeça de Malle. Ele se recuperou.

Todo mundo ressalta a cena final, mas essa aqui, a magistral cena no Café, é o ponto no qual se percebe como a vida normal é absurda para os depressivos: 

Dos bastidores do cinema, vem a informação que Malle emprestou ao personagem  de Maurice Ronet suas próprias roupas, e, o mais conhecido fato, seu próprio revólver. Ambos, personagem, e diretor, tinham trinta anos.

A crise existencial dos trinta, dos TrintAnos, tá ligado?! Para muita gente é muito difícil deixar a juventude dos VinteAnos pra trás...

"Vou deixar você com seu pior inimigo: você mesmo."

 

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HBO, ontem à noite...

Só queria assistir a cena da câmera entrando dentro da câmera, mas, por motivos de absoluta, completa e irresistível genialidade, tive de rever até o final.

Prazer sem limite.

Boogie Nights (1997)

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I See You foi um “found footage” bem meia boca que baixei por engano, uma vez que não sabia que existia este homônimo do filme que realmente queria. Assisti por estar sem saco de baixar o que queria e caí do cavalo. Começa como estudo sobre misoginia e celebridade online, mas depois degringola nos cacoetes de filmagem em primeira pessoa, ou seja, gritaria, câmera tremida, etc. Mal editado, trama incompreensível (senão absurda) e pessimamente atuado, transpira dramalhão de telenovela e não recomendo á ninguém. Só vale pela gostosinha e olhe lá.. 4-10

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Depois da bomba acima consegui baixar o I See You correto e não me desapontei. Este aqui é um thriller de suspense bastante efetivo e qualquer semelhança com o oscarizado Parasitas e As Criaturas Atrás das Paredes não será mera coincidência. É um filme que te prende porque tem uma grande reviravolta na primeira meia hora que muda toda percepção dos personagens e o bicho pega pra valer. Bem atuado e com desfecho legal, mais surpreendente ainda é ver como a Helen Hunt ta toda zuada de tantas plásticas. 8,5-10

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Neither Heaven nor Earth é um drama fantástico de guerra francês que reverbera Platoon com Predador, mas é tudo tocado de forma intimista e existencial. Sendo assim recorda o ótimo argentino El Paramo. É interessante tentar descobrir o que é que ta causando baixas no exercito francês e no taleban, e a atuação do grande Jeremie Renier carrega a metragem nas costas. O ruim é que o filme não explica nada, no final, a menos que deixe o espectador tirar suas proprias conclusões sobre o que acabou de assistir. 8-10

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Que surpresa boa!!!

"Sonic: O Filme" é uma boa e garantida diversão. Não tem nada de inovador em termos de história (a rigor, continua, em grandes linhas, a ideia de um cientista vilão atrás de criaturas exóticas, por todos, "Abominável"), mas a interação do Ouriço mais apressado do videogame com James Marsden é muito efetiva.  A criatura, depois das mudanças estéticas, ficou muito graciosa, muito "de estimação", fácil de gostar, o que é essencial nesses casos.

Jim Carrey, a quem considero talentoso pra dedéu, está apenas bem. Nada do que não tenhamos visto antes em termos de fisicalidade. Devo dizer também, no negativo, que algumas cenas com drones me pareceram muito próximas de "Spider-Man: Far From Home".

Vale a pipoca.

Jim Carrey, Frank C. Turner, James Marsden, Tom Butler, Neal McDonough, Adam Pally, Shannon Chan-Kent, Tika Sumpter, Elfina Luk, Ben Schwartz, Lee Majdoub, Debs Howard, and Natasha Rothwell in Sonic the Hedgehog (2020)

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O último filme do domingo (sob protestos do meu boy que não queria ver filme de assalto, rs) foi este exemplar do Steven Soderbergh, Logan Lucky - Roubo em Família, uma espécie de Onze Homens sem tanto charme, classe, elegância e astros. Ainda assim, dá pra ver a mão do Steven ali quando ele pega uma história bem clichezinha (dois irmãos que querem fazer um roubo astronômico de forma tão minuciosa quanto rocambolesca contando com a ajuda de tipos grotescos) e faz a gente manter o interesse até o final, mesmo sabendo qual será o desfecho. A trilha é bacanérrima, os figurinos são singulares e eficientes e o restante da parte técnica é apenas ok. Tem uma alfinetada ou outra aqui e ali (como a crítica às equipes automobilísticas "vendidas" que valorizam mais o patrocínio do que os pilotos), uma ou outra tirada cômica do texto, a criação de tipos "loosers" esquisitões e a presença de um competente elenco, do qual eu destaco o Adam Driver (irônico e caladão, bem diferente do emocionalmente destruído personagem que ele faz em História de Um Casamento e do obstinado e resiliente agente da CIA de The Report, a melhor das três atuações na minha modesta opinião) e o sempre competente Daniel Craig que rouba a cena em diversos momentos (tem ainda o gostoso do Chaning Tatum, a Katie Holmes, o Seth McFarlane e a Hilary Swank em participação curta no final). Os extensos 118 minutos de projeção poderiam ter sido enxutos ou contar com um andamento mais dinâmico, como outros filmes dele. Pra quem gosta do gênero ou Steven, vale a conferida. 

Logan Lucky.jpg

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"Simonal", de 2018, é uma boa cinebiografia, nesse, que, volto a dizer, pra mim é o gênero mais difícil artisticamente falando.

Estou horrorizado com vários aspectos do Brasil atual, e um deles é com essa essa política de "cancelamento" adotada sobretudo pela esquerda brasileira.  E nesse filme temos uma das vítimas mais famosas desse açodamento em sacrificar moralmente as pessoas. Deixemos a Justiça fazer o trabalho dela, com contraditório, ampla defesa, e tudo o mais que o pacote legal e democrático oferece. Chega de fiscalizar ilegitimamente as pessoas!

Fabrício Boliveira está excelente, e minha contraparente (Sabiam dessa? Desculpa, aí!!), Isis Valverde, linda linda, também.

Primeiro longa do carioca Leonardo Domingues, e vou ficar de olho na carreira dele. Há dois planos sequências lindos, de enorme gabarito. Fora o Figurino da craque Kika Lopes.

Desde criança, gostava muito das músicas do Simonal, mas mal sabia eu, que, no ano 2000, iria ficar completamente apaixonado por "Samba Raro", primeiro disco do filho dele, Max de Castro - até hoje um dos discos da minha vida, e um dos melhores do suingue brasileiro. Essencial para transar. Fica a dica! :)

 

Fabrício Boliveira in Simonal (2018)

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A sua biografia, e o documentário são fascinantes. 

Por isso estou com um pé atrás de ver o filme. 

É um dos meus artistas brasileiros favoritos, talvez chegue no meu top5 vozes do Brasil. 

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13 hours ago, Gust84 said:

A sua biografia, e o documentário são fascinantes. 

Por isso estou com um pé atrás de ver o filme. 

É um dos meus artistas brasileiros favoritos, talvez chegue no meu top5 vozes do Brasil. 

Algumas pessoas reclamam que ficou um tanto apressada a parte da seara criminal.

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Lembro como foi difícil encontrar e ver pela primeira vez "Meu Amigo Totoro"( 1988), e outros filmes mais antigos do Miyazaki. Agora, a Netflix está colocando todos em catálogo, a um click nosso! O bloco "Unidos de Dentro de Casa" deste carnaval vai se deleitar a revê-los.

Este é um filme bem bonito, bem decantado. Foi um dos primeiros que eu procurei como um louco, seguindo as recomendações dos cinéfilos mais antigos. Mais do que a história em si, ou a qualidade do traço, o que mais me chama a atenção nos trabalhos do mestre japonês é a sua concepção , a sua visão da natureza. A natureza é um "ente", um ser misterioso - e nem sempre benéfico. Há sempre uma lesma caminhando, uma borboleta passando, um sapo coaxando, uma folha caindo...No mundo dos homens,  a inocência infantil anda de mãos dadas com seus maiores medos psicológicos: perder os pais, perder a casa, não voltar pra casa...

Com razão, Hayo Miyazaki repele o epíteto de ser o "Disney" japonês. É bastante diferente. Este filme, em especial, deve mais a Lewis Carroll, do que a outro referente.

Obrigado, Netflix.

Tonari no Totoro (1988)

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