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O Que Você Anda Vendo e Comentando?

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Agora eu sei por que tiraram "Eurídice Gusmão" do título de "A Vida Invisível", e não é só por uma questão mercadológica. É que - comparando com o livro - jogaram a história de Eurídice fora! Estou muito impressionado em como a adaptação foi ruim. Não é só que o roteiro foi infiel à trama, mas é que ele optou por descartar as melhores passagens do livro, no que concernem à personagem Eurídice. Trocando em miúdos: a história do livro deixa no chinelo a história do filme; é 1000 vezes melhor. Porém, o final do filme é muito melhor, 1000 vezes melhor do que o do livro.

O filme, no geral, é bom. Termina-se a experiência, aliás, em grau altíssimo, com a performance simplesmente avassaladora da Fernanda Montenegro - a mesma atriz que foi chamada de "sórdida" por um ex- Secretário de Cultura aí... São 5 minutos de emoção genuína, que são também a melhor coisa do filme, e dá um banho no desempenho das outras duas atrizes. Elas estão apenas corretas, sendo Júlia Stockler claramente melhor do que Carol Duarte.

O trio Fotografia, Design e Figurino são dignos de aplausos. Sobre a Direção, eu gosto muito do Karim Aïnouz, conheço bastante do seu cinema, quase tudo, pra falar a verdade, e acho muito inteligente como ele tratou o sexo nesse filme. Não como algo digno de prazer, ou um produto do romance, ou da paixão. O sexo é mostrado aqui ora como algo que trazia sofrimento às mulheres, pois o homem não pensava nos caminhos do prazer feminino; ora o sexo é tratado como algo patético, sem jeito, "apequenado" (o personagem de Gregório Duvivier aparece com o membro ereto, mas, parece, que era um dublê de corpo.), próprio de homens incapazes. Amei também como o Karim deixa espaços laterais sobrando em seus enquadramentos, como se eles evidenciassem a ausência da outra irmã. 

Gostei do filme, no geral, mas ele poderia ter sido muito melhor caso tivesse sido mais fiel ao livro.

Agora...que desatino escolher esse filme em detrimento à "Bacurau". Socorro! Digo com tranquilidade, não havia a menor possibilidade de "A Vida Invisível" ser indicado ao Oscar, fizesse a campanha que fizesse a Amazon. Além de um close de um pau pequeno, anti Michael Fassbender, feio, na sua cara, as outras cenas de sexo são muito fortes para a têmpera da Academia, assim como há uma lavação de vagina também. Bolsonaro teria um treco se descobrisse isso! GENTE, BOTEM A MÃO NA CONSCIÊNCIA, O FILME NUNCA TERIA A MENOR CHANCE DE SER ACEITO! Tanto que nem entrou na pré-lista de nove. Não é um papo moralista meu, eu, pessoalmente não tenho nada contra as cenas (são completamente lógicas para a ideia do filme). Mas, em termos de campanha para o Oscar, são gols contra.

Mais uma escolha errada do Brasil no jogo de atenção que é o Oscar.

A Vida Invisível (2019)

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Ontem dei fim a uma vergonha cinéfila. Nunca tinha visto "Akira" (1988) , pois tinha o intento de ler o mangá antes. Resultado? Sempre adiei os dois, para desespero de alguns colegas.

Em termos visuais, colorido, e estilo, eu adorei esse logro cyberpunk! Mas confesso que esperava mais da história em si, principalmente do meio para o final, quando o coreto fica meio bagunçado demais. Embora tenha adorado a perspicácia do seu mundo: O fato de se passar em 2019 ( lembrando que "Blade Runner" também), usar o estádio olímpico de Tóquio (meu coração esportivo adorou);  falar de uma época em que reina o caos social e ambiental. Muito revolucionário, de fato. Gostei muito do clima de mistério, mas não gostei tanto da parte "destrutiva" da coisa, pois ao longo do tempo essa representação gráfica da destruição já ficou viciada...

Algum dia enfrentarei os 6 volumes do mangá.

Joshua Seth in Akira (1988)

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O cineasta russo Viktor Kosakovskiy é um expoente na seara de documentáristas, segmento que fez muito lobby em favor de "Aquarela" para que essa produção fosse uma das indicadas ao Oscar deste ano. Não deu. Mas o doc é, de fato, lindíssimo.

É sobre a personalidade da água. Em 85% do filme, acompanhamos o lago Baikal congelado, e seu degelo precoce - Com pouquíssimas falas, um bombeiro russo diz que o degelo começou 3 semanas mais cedo do que o habitual. No contexto, vem a ser a única frase política do filme, que, claro comporta o subtexto do aquecimento global -, os outros 15% se dividem entre as forças das ondas provocadas por um furacão na costa de Miami ( também esse um evento associado ao aquecimento global); e entre a beleza da maior queda d`água do mundo, o Salto Ángel, na Venezuela, que, em razão da altura, tem suas águas chegando ao chão quase como um simples vapor (uma demonstração da futura escassez?). Minha única crítica é essa má divisão de tempo, em relação às localidades, poderia ser mais bem equilibrado.

Pra mim, que amo Geografia, foi bastante legal de acompanhar. Mas imagino que a maioria das pessoas achará um porre. De qualqurer forma, além das imagens serem belíssimas; além de comprovarem a força, e ao mesmo tempo, a fragilidade da natureza; é possível ver mais um exemplo da arte de Documentário em que não se faz intervenções. Apenas se capta o objeto. Nada de narração em off, nada de explícita doutrinação. Alguns documentaristas brasileiros têm muito a aprender...

Pablo Villaça, em Berlim, elogiu demais o novo trabalho de Kosakovskiy, chamado "Gunda". Acompanha uma família de porquinhos, duas vacas, e um galo perneta. Quem sabe em 2021 o veremos no Oscar?

Aquarela (2018)

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O Jovem Ahmed é um drama interessante que parece estilo found footage, pois quase acompanha o personagem principal (quase) sempre em primeira pessoa. Mas o tema é mais reflexivo e até polêmico, ao testar os limites da empatia com o fundamentalismo religioso. Dá pra ver de boa mas creio que faltou mais ritmo á producão pois eu e a patroa demos altos bocejos neste naturalismo habitual dos Dardenne. 8-10

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O Professor Substituto por sua vez é outro drama quase com mesmo tema do filme acima, mas envereda pelo thriller de mistério (e até horror) ao falar da atual apatia juvenil. Os moleques estão perturbadoramente muito bem, assim como seu profe. É um Ao Mestre com Carinho mais mórbido e de crise existencial. O desfecho é bem legal, unindo as pontas deixadas em toda metragem, melhor até agora. 8,5-10 

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The Door in the Woods é um horror horrível que tem grandes pretensões mas só consegue extrair risadas e bocejos. Pensa num Poltergeist feito com orcamento merreca, quase estilo Hermes e Renato..é isso! Pior que quer se levar a sério. Antes não fosse, pois a meia hora final do exorcismo é a coisa mais hilária que tem. 6-10

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Methamorfosis é um bacanudo drama de horror coreano sobre possessão demoníaca. Aqui é bem diferente do filme acima, é um mix de Poltergeist, Exorcista e Morte do Demônio. Tem gore, suspense e muita acão. As atuacões são aquela coisa asiática ja vista e tem o esquema gringo de narrativa, mas é tudo muito bem feito. É legal, mas não supera o muito melhor The Priests. 8-10

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Primeiro filme de Elio Petri, "L`Assassino"/"O Assassino", de 1961, foi um sucesso de crítica e de público. Tem muito a ver com a história: saber se o acusado é culpado ou inocente, é o assassino ou não. Fórmula que sempre funciona. Além do mais, o tal acusado é vivido por Marcello Mastroianni, já um astro. O curioso é que ele interpreta um personagem detestável, longe da sua habitual simpatia. E se sai muito bem. Mas essas são as explicações fáceis de por que o filme foi um sucesso.

Há outros motivos menos aparentes...O roteiro e a direção criam a figura de um empresário esnobe, mentiroso contumaz, que tem vergonha de sua origem pobre (quando não deveria, já que seu avô fora um notório antifacista), que tem vergonha da própria mãe...Mesmo assim, mesmo sendo um representente da burguesia esnobe em meio a pobreza italiana, que Petri, comunista de carteirinha, sempre haveria de denunciar, mesmo assim, essa figura mereceria um adequado Processo Legal, uma investigação sem atropelos, que colhesse o máximo de evidências para se chegar à verdade.

É Petri dizendo que a Justiça deve ser cega. Para todos. Mesmo para quem não a merece.

 

L'assassino (1961)

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On 2/13/2020 at 8:10 PM, SergioB. said:

Vocês sabem o que é gag? É um termo para designar um efeito cômico de curta duração. Esse filme da Arlequina, seja lá que título estiver valendo, não tem roteiro, só tem gag. Mentira, tem também uma sombra de feminismo, um feminismo prêt-à-porter, mas sem fundo, sem rés do chão. 

Nos primeiros 20 minutos, todavia, eu confesso que estava gostando, parecia um "Deadpool" feminino. Mas depois de 1 hora, eu só queria que tivesse fim, pois a história é uma imensa besteira.

Margot Robbie, entretanto, está ótima. Ela é muito "profissa". Incorporou mesmo a personagem, com muita vontade, energia e carisma. 

A serviço de nada.

 

Rosie Perez, Jurnee Smollett-Bell, Mary Elizabeth Winstead, Margot Robbie, and Ella Jay Basco in Birds of Prey: And the Fantabulous Emancipation of One Harley Quinn (2020)

Serjão, esse aí vale a pena asssistir na telona ou não perde nada baixando? Não que eu queira assistir mas a patroa ta enchendo saco pra ver  esse treco no cinema e eu tô a procura de argumentos razoáveis (e convincentes) pra dissuadi-la de encarar essa bomba ou, no maximo, assistir no conforto de casa. Eu to torcendo pra não gastar meus suados merréis nisso aí por conta dela...😥😂

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2 hours ago, Jorge Soto said:

Serjão, esse aí vale a pena asssistir na telona ou não perde nada baixando? Não que eu queira assistir mas a patroa ta enchendo saco pra ver  esse treco no cinema e eu tô a procura de argumentos razoáveis (e convincentes) pra dissuadi-la de encarar essa bomba ou, no maximo, assistir no conforto de casa. Eu to torcendo pra não gastar meus suados merréis nisso aí por conta dela...😥😂

Não tem razão técnica nenhuma para ver no cinema. Me arrependi. Podia ter ido ver o filme do Pelé. :)

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Sempre ouvira dizer que "Porco Rosso: O Último Herói Romântico", de 1992, era um filme ruim do Miyazaki, e ontem, graças à Netflix, finalmente tirei a prova dos nove por minha conta. E...amei! Que coisa mais linda! Que trilha sonora deslumbrante! Que humor elegante! Estou apaixonado!

Como não lembrar do belo "Vidas ao Vento", de 2013, indicado ao Oscar em 2014, e que também une Itália, Japão, e os pioneiros da aviação? "Porco Rosso" é a antessala para essa combinação. Mas aqui o foco é o período entreguerras, mostrando sutilmente um fascimo a ponto de alcançar voo ("Prefiro ser um porco a ser um fascista"), bem como seu contrário, um certo progressismo, uma fábrica de aviões construídos inteiramente por mulheres. 

O final é muito inteligente, um clássico antifeitiço. Mas não é que preferimos continuar enfeitiçados?

Ao contrário da maioria, acho que ficará bem alto no meu ranking do mestre japonês.

Em tempo: SPOILER: Os pais de Chihiro também se transformaram em porcos. Uma imagem para quando se falha moralmente? No caso de "Porco Rosso", por ele ser um ex-combatente, ter matado pessoas - de modo que ele, após o feitiço, já não atira nos pilotos adversários, já não os mata mais? Se assim for, mais um ponto a favor.

Kurenai no buta (1992)

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Há alguns dias queria rever esse filme em forma de homenagem a José Mojica Marins, um pioneiro, um desbravador. "À Meia-Noite Levarei sua Alma", 1964, primeira aparição de Zé do Caixão, é um filme muito inventivo e à frente de seu tempo. Mexe no vespeiro da fé cristã do brasileiro, com frases bastantes impertinentes à moral da época, antirreligiosas ("Crer em quê? Num símbolo? Numa força inexistente criada pela ignorância?"), só podendo ser proferidas por uma personagem de índole amoral e fantasiosa. No fim, contudo, o espectador médio é devolvido à fé tradicional, e sai aliviado do cinema, fazendo o sinal da Cruz.

Não sei se todo mundo percebe, mas Zé do Caixão é dublado, não é a voz de seu criador. Queria-se, imagino, mais gravidade, mais retumbância; além de, na pós-produção, se conseguir a correção da péssima mixagem de som da época.

Se o som é falho, a parte técnica é muito boa. Acho as mortes muito bem feitas, principalmente a cena da banheira.

Senhor José Mojica Marins, R.I.P. , ou atormente as nossas almas por muito tempo!

Resultado de imagem para à meia noite levarei sua alma cartaz

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Não é que o filme seja complexo, é que a trama é propositalmente confusa, para soar importante. "The Last Thing He Wanted" aparecia nas primeiras projeções dos Oscarmaníacos no ano pasado, mas agora se vê por que desistiram do filme. Os personagens viajam de Miami, a El Salvador, a Costa Rica, num pulo; e fazem coisas complemente sem sentido.

Thriller político tem a tendência de querer se mostrar relevante. Para isso, evitam diálogos expositivos; capricham em diálogos ferinos rapidíssimos; e apostam no "Quanto mais obscuro, melhor". Tem horas que é preciso ajudar o espectador. Quem é que sabe dos meandros políticos de El Salvador dos anos 1980?

Continuo achando que o melhor filme da Dee Rees é o telemovie "Bessie", pelo qual - diga-se de passagem - Queen Latifah mereceria um Oscar de Melhor Atriz.

 

Ben Affleck, Willem Dafoe, Rosie Perez, and Anne Hathaway in The Last Thing He Wanted (2020)

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"American Pop" é uma animação cult de 1981. Quer dizer, agora é cult, pois foi muito criticada à época de seu lançamento pelo corporativismo dos Animadores, que, em geral, detestam a técnica da rodoscopia (redesenhar quadros de filmagens prévias; e segundo, acredito, por que muita gente sente falta de uma ou outra canção, uma ou outra banda.

Quanto à última crítica, não a endosso, é uma missão meio árdua resumir 60 anos de música americana em menos de 100 minutos. Mas, de todo mundo, eu adorei ouvir figuras das mais diferenciadas, de Cole Porter a Lou Reed, dos Irmãos Gershwin a Jim Morrison. 

Minha única crítica é que talvez tenha faltado "filme", poderiam ter explorado mais ainda essa história de 4 gerações de músicos (judeus russos americanizados) da mesma família. Mas se tem algo que me faz tirar o chapéu é para o subtexto. Nessa animação se faz uma ode aos artistas. A como algumas pessoas - seja em que época for - submetem-se a passar fome, a não pagar contas, a ficar na calçada, a ser estigmatizados, a ser errantes...em nome de um desejo artístico. Não é nem em nome do sucesso. Mas a algo que vem de dentro.

Também louvo a compreensão histórica mostrada na animação de como a música foi da exigência pela virtuose de um instrumento (anos 1920), a uma necessidade de se passar uma mensagem pública (1960), a pôr em evidência um estilo pessoal mesmo sem técnica ou mensagem (anos 1980).

Gostei muito. Indicação de um colega roqueiro - do time da contracultura dos 1980.

American Pop (1981)

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E.M.P. 333 Days é um drama-survival-pós-apocaliptico cujo diferencial é ser protagonizado por uma criança. É um filme pequeno e de orçamento merreca mesmo, mas eficiente dentro de sua proposta. A protagonista-mirim ta apenas razoável mas não compromete o conjunto. Mas creio que melhor dirigido e com mais grana teria dado um filmão. 8-10

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Troop Zero é um delicioso filme de amadurecimento infantil com aceitação das diferenças. O plot já foi visto trocentas vezes desde A Vingança dos Nerds até Pequena Miss Sunshine, mas aqui o diferencial é que é tocado com sensibilidade ímpar e sua protagonista-mirim leva filme nas costas, ofuscando até a fodona Viola Davis. Ótima matinezona alto astral com trilha sonora fodástica, com destaque prum classico do Bowie, que nunca fez tanto sentido como aqui. 9-10

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Superman: Red Son é uma bacanuda animação de realidade alternativa estilo Logan, que supõe um mundo onde o Azulão é criado num país comunista e não junto do Tio Sam. Eu li a HQ que deu origem e garanto que não perde nada, mesmo com algumas adaptações e pequenas mudanças, que só vem pra melhor. A principal diz respeito á Mulher Maravilha e é bem atual. Mas o cerne da HQ está ali: o ambiente muda o caráter do indivíduo ou não? E é sempre ver um Bátima raiz, matando sem piedade.. 9-10

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14 minutes ago, Gust84 said:

Aonde viu essa animação, Soto?

ja tem pra baixar, legendadinha...😁😎  qualquer sit de torrent ja disponibiliza....o opensubtitles tem a legenda ja logo na capa..😉

o melhor de tudo é o Batima sanguinario, sangue no zóio...🦇

 

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A Netflix costuma formar pares. Colocou o ruim "The Last Thing He Wanted", adaptação de um romance da escritora Joan Didion, e também um documentário que homenageia sua carreira, dirigido pelo sobrinho da escritora.

É curioso, pois ela é um ícone nos Estado Unidos, sempre candidata a um Nobel, mas os brasileiros pouco falam dela. Li seu livro mais famoso no ano passado, "O Ano do Pensamento Mágico", a respeito do terrível período em que perdeu seu marido e sua única filha, e esse aos poucos se torna entre as gentes das letras um grande texto sobre o luto, pois encara essa terrível coincidência de um ponto de vista racional, íntimo e jornalístico.

O documentário "Joan Didion: The Center Will Not Hold" não apresenta nada de novo do ponto de vista artístico, mas se faz grande pelas entrevistas com ela. É impressionante sua figura. 85 anos, esquálida, chocantes 34 quilos, mas a coragem de uma leoa para enfrentar os problemas. A nossa cinefilia se esbalda também em saber como a casa dela e do marido na costa da Califórnia recebia de Scorsese a Brian de Palma, ao ainda carpinteiro Harrison Ford; e no final temos uma bela conversa entre a escritora e Vanessa Redgrave, ambas vendo um álbum de fotografias das filhas mortas.

Joan Didion: The Center Will Not Hold (2017)

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On 2/4/2020 at 3:16 PM, Jailcante said:

Os Órfãos (The Turning, Dir.: Floria Sigismondi, 2020) 0/4

220px-The_Turning_poster_2020.jpg

 

Todos já falam como é ruim esse filme (a trinca dos infernos da Universal - Cats, Dolittle e esse, lançados um atrás do outro), mas tive que ir lá conferir... Até porque revi recentemente o filme dos anos 1960 (Os Inocentes) e queria ver as diferenças. Ah! Primeiro: Esse não é 'remake' do filme dos anos 1960. Deixam claro que é nova adaptação do livro que deu origem ao filme anterior. "The Turn of the Screw" (até legendaram isso em português nos créditos iniciais do filme pra deixar claro - legendar créditos, algo que poucas vez vi), mas convenhamos, se o livro for parecido com isso aqui, é melhor passar longe dele... Então sim, com certeza, o filme é ruim que dói. Foi interessante sair do cinema e ver a cara de nojo de todo mundo ali com esse filme. Acho que nunca presenciei algo assim com nenhum outro filme nos cinemas por pior que fosse. hehehe Enfim, terrível mesmo.

Auto quote:

Filme em DVD e Blu ray vai trazer um final alternativo. Fizeram questão de colocar isso na capa com letras garrafais (claro porque todo mundo vomitou com o final do filme, aí devem pegar aqueles que está com curiosidade mórbida de ver outro desfecho desse filme).

the-turning-blu-ray.jpg?resize=768,988&s

Universal já fez recall de efeitos especiais no Cats, agora é recall de final incompleto de filme... 

 

Final da versão cinema é simplesmente ridículo, (soft spoiler)tem um jump scare mas não pro público, só pra personagem. Sim, a personagem leva um susto mas o público não sabe do que se trata, já que o filme rola os créditos finais antes de qualquer revelação.

 

https://bloody-disgusting.com/home-video/3607043/floria-sigismondis-turning-heads-home-april-alternate-ending/

 

Matéria da Bloddy Disgusting diz que o único problema é o final do filme, mas não acho só isso. Filme tem festival de personagem chato e um monte de clichês de filme de casa mal assombrada no atacado. Não acrescentou nada pra mim. 

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"Chuva de Luz na Montanha Vazia" é um filme chinês de 1979. O título, poeticamente bonito, nada tem a ver com a história. Um monastério budista guarda uma pergaminho de valor inestimável. Quando o principal sacerdote precisa escolher seu sucessor, convida ao templo vários dignatários para acompanhar a cerimônia. Porém, todos os convidados têm o intento de aproveitar a ocasião para roubar o pergaminho para si. É muito legal acompanhar como cada um tentará se apossar da relíquia. Por meio de mentiras, golpes, traições, e outros crimes, aplicados uns nos outros.

Na verdade, eu esperava mais artes marciais, mais confrontos, mais "lutinhas", que ficam reservados em volume para a parte final. A China, em 1979, ainda era um país bem fechado; nota-se portanto que faltou "fun", faltou uma influência mais pop, que teria feito muito bem à história.

De qualquer forma, valeu a pena conhecer esse clássico que inspirou tantos filmes, entre eles, seu filho mais famoso, a obra-prima, essa sim, cheia de "fun", cheia de "pop",  "O Tigre e o Dragão".

Kong shan ling yu (1979)

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HBO, ontem à noite...

Fazia uns 20 anos que não via, então valeu rememorar. Lembro de não ter gostado do final muito corrido, mas hoje aceito com um toque de admiração os destinos serem "datilografados", em vez de mostrados. 

O que mais admirei dessa vez foram sem dúvida o Som e o Design de Produção, ambos com justiça premiados com o Oscar. O som incessante de máquina de escrever, bem como os telefones ininterruptos, demonstrando o frenesi das redações. O design...Eles não puderam gravar na redação do Washington Post, então, a recriaram, e ficou perfeito. Até as estantes abarratotadas com papelada desorganizada me chamaram a atenção. A câmera lateral de Pakula passeando pela redação horizontalmente realça ainda mais a criação.

A ponte com "The Post": a última cena daquele ser a primeira deste. Falando um pouco de "Spotlight", lembro do Pablo e outros do Cinema em Cena destacando o "machismo sutil" do filme, mas talvez seja até intencional, pois em seu pai, "Todos os Homens do Presidente" só há homem nos postos-chave. Ou seja, era um modo de se dizer que a evolução fora mínima dentro das redações.

Ponto a refletir: Este filme é tido como exemplo da carreira, já que valoriza o cuidado com as fontes e a necessária vigilância do poder, porém trata o jornalista como herói, quase atuando como um investigador criminal.

"Just Follow the Money".

Dustin Hoffman and Robert Redford in All the President's Men (1976)

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Comecei a ver "The Last Thing He Wanted" por causa do elenco mesmo, já que adoro a Hathaway mas sem saber muita coisa sobre ele. Depois, fui atrás de mais informações e acabei descobrindo que a história de uma jornalista que larga a cobertura de uma eleição presidencial para cuidar de uma das "transações" do pai enfermo é baseada num livro e fiquei me perguntando porque fizeram essa adaptação. O boy desistiu do filme na metade e dormiu. Já era um indicativo de que seria difícil de se conectar com a trama. Muito confuso e com essa coisa de querer ser importante que o Sergio falou, o filme é tão embaralhado que eu só fui realmente entender o que tava acontecendo no final. Não consegui torcer por nenhum personagem ali por falta de identificação mesmo. A menos pior é a da Anne, que acaba tendo um desfecho muito nada a ver que eu e o boy (que acordou no fim) detestamos. Tô cada vez tendo mais preconceito com esses filmes da Netflix. Esse aqui nem deveria ter sido feito.

 

The Last thing he wanted.jpg

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"Os do Norte" é uma excêntrica comédia holandesa, de 1992, dirigida por Alex van Warmerdam, que também atua no filme (faz o carteiro, que lê à sorrelfa as cartas da comunidade).

Passa-se num conjunto habitacional, que reúne uma gente muito louca, composta por tarados sexuais a Santos que criam vida. Lembrou-me um pouco aquelas novelas antigas do Aguinaldo Silva.

O humor é usado para criticar certas facetas da sociedade holandesa, como por exemplo, a mentalidade colonial. Exemplo disso, um personagem negro é trazido enjaulado para exposição.

Comédia que não é pra rir.

De noorderlingen (1992)

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On 2/20/2020 at 8:15 PM, SergioB. said:

"Simonal", de 2018, é uma boa cinebiografia, nesse, que, volto a dizer, pra mim é o gênero mais difícil artisticamente falando.

Estou horrorizado com vários aspectos do Brasil atual, e um deles é com essa essa política de "cancelamento" adotada sobretudo pela esquerda brasileira.  E nesse filme temos uma das vítimas mais famosas desse açodamento em sacrificar moralmente as pessoas. Deixemos a Justiça fazer o trabalho dela, com contraditório, ampla defesa, e tudo o mais que o pacote legal e democrático oferece. Chega de fiscalizar ilegitimamente as pessoas!

Fabrício Boliveira está excelente, e minha contraparente (Sabiam dessa? Desculpa, aí!!), Isis Valverde, linda linda, também.

Primeiro longa do carioca Leonardo Domingues, e vou ficar de olho na carreira dele. Há dois planos sequências lindos, de enorme gabarito. Fora o Figurino da craque Kika Lopes.

Desde criança, gostava muito das músicas do Simonal, mas mal sabia eu, que, no ano 2000, iria ficar completamente apaixonado por "Samba Raro", primeiro disco do filho dele, Max de Castro - até hoje um dos discos da minha vida, e um dos melhores do suingue brasileiro. Essencial para transar. Fica a dica! :)

 

Fabrício Boliveira in Simonal (2018)

Visto!

Gostei bastante! Tinha medo de uma "romantização" excessiva dele,  mas a nota do filme termina, como acho que deveria terminar. 

Num agridoce.  Ele foi uma vítima, mas ao mesmo tempo não é. Não esconderam as cagadas que, tenho certeza que fez.

Ainda assim pagou por ser um negro "que tentou ser branco" naquela época. (Triste falar assim)

Por fim não mostraram um dos episódios que pra mim é o mais triste que me lembro de ter visto. 

Ele na porta da esperança pedindo pra o Silvio trazer a Madonna no show dele pra ter público. 

 

 

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11 hours ago, Gust84 said:

Por fim não mostraram um dos episódios que pra mim é o mais triste que me lembro de ter visto. 

Ele na porta da esperança pedindo pra o Silvio trazer a Madonna no show dele pra ter público. 

 

 

Gente...A noção de ilusão foi atualizada...

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Deixei "Wildlife"/ "Vida Selvagem", de 2018, para trás, pois tinha entendido que havia cenas de incêndios e combate à chamas e tal, e eu não aguentava mais ver essas cenas...Bobeira! Elas são bem curtas, e nada a ver com  o angustiante "Fire in Paradise".

Eu amo os livros do Richard Ford (principalmente "Canadá") - um autor meio desconhecido no Brasil - e eles sempre tratam de famílias desnucleares, que se perdem. O filme então me deu vontade de ler o livro, o que é um sinal de que a adaptação foi bem sucedida, passou o recado.

Jake Gyllenhaal está muito bem, assim como Carey Mulligan (espero que seja indicada ao Oscar novamente), mas, convenhamos, o filme é do garotinho Ed Oxenbopuld, seja por que vemos a loucura dos pais pelos olhos dele, seja por que consegue transmitir a maturidade precoce, a solitária sensatez diante do caos.

Estreia do ator Paul Dano na direção. Tirando alguns enquadramentos (que até cortaram um pouco do cabelo dos atores), eu gostei. 

Jake Gyllenhaal and Carey Mulligan in Wildlife (2018)

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Minha vez de ver esse "Superman: Red Son", animação que reimagina um Superman soviético. Não li a HQ para saber se é fiel ou não a ela, mas se o  @Jorge Soto diz que sim, então acredito.

É bem divertido. E torna-se um contra-argumento irônico da DC a respeito da velha acusação de que o Superman é apenas um produto da Guerra Fria.

Superman: Red Son (2020)

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Radioflash é um thriller pós-apocaliptico que por incrível que pareça tem plot similar ao indie E.M.P 333 Days, só que é mais abonado e mais bem produzido. Mas acredite, não chega aos pés do supracitado. ele até começa em e cria bom clima, mas a partir da metade parece que esquece a trama principal e foca noutra qe não tem nada a ver. Até tem boas atuações, mas esta quebra de ritmo desfavorece muito o conjunto. 7,5-10

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Aqui No Ha Pasado Nada é um thriller dramático chileno que retoma um caso famoso de impunidade daquele país, algo parecido com Contratiempo ou até um dos segmentos de Relatos Selvagens. A idéia de tratar de crime e castigo é boa, mas aqui é tudo feito quase no estilo de telefilme. Mas embora prenda a atenção, reconheço que falta mais alguma coisa. Atuado corretamente, ha muita encheção de linguiça nos finalmentes. 7,5-10

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Temporada de Caza é um bom thriller dramático argentino de reconciliação familiar, perdas e danos. A ambientação ás gélidas e desoladas paisagens patagônicas é um acerto ao transmitir o luto, a culpa e a introspecção de seus personagens. E a caça do filme serve como ponte entre os personagens, algo visto no ótimo indie Walking Out. É um filme introspectivo, sem muitas falas mas muitas expressões faciais, alavancadas pelo ótimo elenco principal. 8-10

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