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O Que Você Anda Vendo e Comentando?

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Sabe aquele sem-número de pessoas que dizem não gostar de filme nacional? Ou só de "Central do Brasil", ou só de "Cidade de Deus"? Gente..."Eles não Usam Black-Tie" é sensacional! Que vontade de esfregar esse filme - com a cópia restaurada, diga-se de passagem - na cara dessas pessoas!

O cartaz está errado, não ganhou o Leão de Ouro em Veneza, ganhou os importantes Prêmio do Júri e o Prêmio da Imprensa internacional. Estava no território certo, a terra de Elio Petri! E as pessoas devem ter ficado boquiabertas ao saber que; apesar do filme ser de 1981, depois do surgimento da obra-prima "A Classe Operária vai ao Paraíso";  o texto desse filme brasileiro, irmão temático do italiano, irmão de consciência de classe, é bem mais antigo, de 1958! Aliás, um dado lateral: o sucesso da peça de 1958 salvou o grupo do Teatro de Arena de situação quase falimentar. E mais do que isso inaugurou a brasilidade de seu teatro, pois eles trabalhavam,  atrevo a dizer sem muitra certeza, basicamente com textos teatrais estrangeiros, já consagrados. 

Aliás, que texto do Gianfrancesco Guarnieri! Um diálogo melhor do que o outro! Ninguém está 100% certo, ninguém está 100% errado. Todos defendem bravamente, belamente, seu modo de pensar. Aliás, esse filme é pra quem gosta de economia! Quanta discussão rica pode vir dele, inclusive com nosso olhar de 2020. É inegável que o direito de greve é/era essencial para defender os trabalhadores de uma constante exploração. Até um liberal clássico como eu reconhece isso. Esse é o único lado bom do marxismo, o único. Melhorou muito a situação laboral dos trabalhadores, tirou-nos a venda! Agora, passadas essas décadas, a questão laboral mudou completamente. Hoje em dia, pergunte a um trabalhar de uma fábrica se ele quer fazer greve. Pergunte. A maioria está dando graças a Deus por trabalhar ainda na indústria, ainda poupado da substituição por uma máquina, um local em que tradicionalmente se paga melhor, em que ainda há certos benefícios. Comparando as épocas, ninguém hoje fica na porta da fábrica fazendo piquete, só vejo as pessoas na porta de fábrica para pedir emprego! Engraçado, que, no filme, a greve também fracassa. Lá, por medo de retaliação; hoje, eu diria, fracassa pelo trabalhador com carteira assinada se sentir até um privilegiado...

Mas o filme, mesmo assim, está atual, e será eterno, pois o texto se preocupa mais com lar, com a família e com o indivíduo. 

Carlos Alberto Riccelli, não bastasse a beleza, está incrível! Fernanda Montenegro, nem precisa dizer, está incrível! Bete Mendes, presa duas vezes (?) e torturada pelo DOI-CODI, acrescentando uma simbologia extra à história, está incrível! Mas quem me ganhou foi Gianfrancesco Guarnieri, um monstro! Claro, sabia por dentro a intenção de cada palavra, sabia cada meandro, cada caminho. Uma atuação colossal!

Que pena o Leon Hirszman ter morrido cedo! "A Falecida" e esse filme são excelentes! Ambos os filmes são adaptações de teatro, mas como ele conseguiu transformar as palavras em ação imagética!

Viva o teatro, e viva o cinema nacional!

 

Fernanda Montenegro and Gianfrancesco Guarnieri in Eles Não Usam Black-Tie (1981)

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Fantasy Island é o novo terror que assisti puramente pela boa empreitada da Blumhouse com Homem Invisível, pois se trata também de um remake do antigo seriado, que eu curtia. Aqui tentam reinventar tudo e percebe-se a falta que faz um Tatoo e, principalmente, um Mr Roarke sinistro e decente. Eu olho pro Michael Peña e só consigo ver o Luiz, de Homem-Formiga..não dá! Resta o quê? Uma versão soft de Jogos Mortais ou Panic Room, etc e tal. Outra, tem uma das reviravoltas finais mais irracionais que já vi. Tinha muito potencial..pra nada. Terror nutella pra molecada atual. 7-10

A Ilha da Fantasia - 11 de Abril de 2020 | Filmow

enfim..

Miniaturas

 

Killers é um sangrento thriller indonésio que já logo de cara diz a que veio, com uma pesada cena de torture-porn. Sou suspeito de falar dos diretores, pois curto muito Macabre e Headshot (além dos curtas da antologia V/H/S). O plot da rivalidade entre dois serial-killers que se conhecem na internet é pra lá de bizonho mas muito bem levado. O gore não desaponta, embora o filme escorregue aqui e acolá. Ta cheio de cenas antológicas, a da roleta-russa, do vidro quebrando, etc.. Diversão pauleira de primeira que salvou o inicio do finde. 9-10

Killers (2014)

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Ontem à noite, no Telecine Cult, "A Flor do Meu Segredo". Um Almodóvar de 1995.

Começando pelo final: Caetano Veloso cantando "Tonada de Luna Llena", em uma interpretação belíssima do clássico venezuelano! Não tem Caetano só em "Fale com Ela", não, minha gente! Outro brasileiro é o carioca Affonso Beato na Fotografia.

Uma comédia deliciosa e muito inteligente, e, ademais, cheia de pegadas para outros filmes seguintes do diretor. Em certo momento, a protagonista escritora revela a ideia de um enredo, que, na vida real, será desenvolvido posteriormente em "Volver". Bem como fala de uma história envolvendo transplante de órgãos, um tema decisivo de "Tudo Sobre Minha Mãe". Mas, fora a cinefilia, esse filme conquista pelas hilárias interações entre as mulheres, principalmente entre mãe e irmãs ( Chus Lampreave e Rossy de Palma, brilhantes!) É muito espirituoso! Muito latino! Briga-se feio, diz-se coisas horríveis, e faz-se as pazes em segundos! 

Que delícia para mim, como leitor voraz, reencontrar citações a Djuna Barnes, por exemplo, cujo seu "No Bosque da Noite", um quase desconhecido representante da literatura no que tange às lésbicas, serve como inspiração (ou meio cópia?) à protagonista.

Apesar de tantas virtudes, não é dos filmes mais cultuados do espanhol. Desconfio infelizmente que a maioria das pessoas só perceba essa camada da comédia, e não consiga se atentar para uma coisa: a crítica ao endeusamento da "realidade"! Eu diria: ao endeusamento do drama. Por que penso assim? Almodóvar por muito tempo não foi considerado "sério" o bastante, não falava sobre a "Realidade", com "R" maiúsculo. Por isso aqui ele mostra como o lado mais novelesco das relações amorosas acontece justamente na vida real! Não é coisa de telenovela de Porto Rico. Os livros da personagem de Marisa Paredes fazem sucesso, vendem, mas são considerados "subliteratura", romances de veia popular, cujo título do filme, "A Flor do Meu Segredo", soa bem representativo disso, um tanto cafona. Não se enganem, é proposital essa ironia. 

Há muito de novelesco, e de tragicômico, em todas as vidas.

Maravilhoso!

 

La flor de mi secreto (1995)

 

Pra fechar:

 

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Decepção!

Não tenho problema com nenhum gênero cinematográfico, nenhum mesmo, mas detesto quando o gênero vem em forma de alegoria. "O Ornitólogo" é um filme português, de 2016, de um diretor que eu gosto muito, João Pedro Rodrigues (do ótimo "Morrer como um Homem"). Acompanha-se um ornitólogo que estuda uma espécie de cegonha de plumagem preta, e que sofre um acidente de caiaque, e desce rio abaixo...Até aí, tudo bem. Dava para refletir filosoficamente sobre o ato de ver: em virtude da profissão do personagem; e do olho do binóculo ser um parente do olho da câmera. Aparecem imagens estáticas de animais. Bem como às vezes são os animais que olham para o estudioso. Lentamente, porém, o espectador começa a perceber que, na verdade, caiu em uma roubada mística. O filme na verdade era sobre o caminho de transformação de um homem de ciência, ateu, em um santo. Mas não qualquer Santo. A história é, até onde entendi, uma metáfora muito louca sobre Santo Antônio de Pádua/ou de Lisboa. 

Isso inclui, a proximidade amorosa dos animais; um contato com uma pomba ( o Espírito Santo?); um contato íntimo e violento com um jovem surdo e mudo de nome Jesus (em uma cena de sexo gay), e assim vai ...Ao final há uma transformação do ator principal Paul Hamy em outro ator ( que eu não vou dizer quem é, pois seria muito Spoiler, mais do que eu já dei). Tem gente que vai achar o máximo. Eu não. 

Não gosto de alegorias, não gosto de metáforas - a figura de linguagem preferida dos estudantes no ensino médio. Quando fiquei mais adulto, e mais cínico, percebi que a metáfora na verdade é pura e simplesmente uma mentira. Uma forma fácil de dizer que algo é uma coisa que não é. Sem fino controle, a metáfora torna-se só um desatino.

O Ornitólogo (2016)

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"Papicha" perdeu, inesperadamente, o Prêmio Un Certain Regard, em Cannes 2019, para o nosso "A Vida Invisível", e, embora não seja tão artístico quanto o outro, no conjunto, é muito melhor, agrada muito mais ao espectador. Também foi o candidato da Argélia ao Oscar de Filme Estrangeiro, inclusive sendo o primeiro candidato anunciado. Todos tinham muita confiança no filme. Não só pelo filme em si, como por sua temática. Afinal de contas, é um enorme elogio à luta das mulheres contra a opressão religiosa.

Estamos na Argélia em 1997, durante a Guerra Civil, com os movimentos extremistas islâmicos se fortalecendo, e um grupo de amigas estudantes querem apenas viver sua juventude: sair à noite, se maquiar, se vestir, ir à boite, namorar. Mas começam a perceber que o ambiente lá está endurecendo, que a vida social começará a ser restringida cada vez mais. Desse grupo, sobressai uma garota que tem pendor para desenhar. Muito pendor. É uma estilista nata. Ela, além de talentosa, é muito corajosa, e, unindo as duas qualidades, decide fazer um desfile de moda. Esse desfile será sabotado de diversas maneiras pelos homens idiotas da cidade.

Os homens, nesse filme da russa Mounia Meddour, aliás, só aparecem como estorvo. Machistas, trogloditas, espúrios, assediadores...Quem brilha são as mulheres! A sororidade, a amizade, a resiliência feminina diante dos problemas, são os destaques.

A atuação da atriz principal foi premiada em Cannes e no Cesar! Merecido, pois a jovem e linda Lina Khoudri dá um show. E que alegria ver que ela estará em "The French Dispatch", novo filme do Wes Anderson. 

Amei.

Papicha (2019)

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Nada acrescentar à minha resenha de 30-12-2017. É perfeito.

"Call me By Your Name

A remessa perfeita que esse filme faz em mim...

Parece que todo mundo elabora a mesma resenha sobre cinema, hoje em dia,  antes de mijar pela manhã. Não queria mais escrever assim.

Vou fazer diferente. Vou falar da remessa perfeita que esse filme faz em mim...

Minha família é italiana, então o filme me dá a Itália nas suas mais variadas formas. 1) O apreço pela boa mesa, o apreço pela discussão política à mesa, gostar de cozinhar, gostar de receber, a desfeita cultural que é você não se sentar à mesa para jantar  - como o personagem americano em certo momento faz.  2) A cidade de Crema, na Lombardia, captada pelo fotógrafo indiano Sayombhu Mukdeeprom ( que disse muito acertadamente que a luz do Equador é uma merda pois não tem nuances,  mas a da Itália é maravilhosa, "seca". Reparem na luminosidade dos jardins da casa, como a sombra é mais preta, como a grama é mais verde. É a sensualidade também da natureza! E isso o tempo todo se reflete no filme: O peixe recém-pescado abre as guelras, desesperado. Uma mosca pousa no ombro do protagonista, que a aceita, e o diretor deixa, deixa, eu queria frisar- deixa- não manda o contra-regra espantá-la) 3) A sensualidade natural das pessoas. É tão bom ser latino, né? Não ter aquele atroz medo do corpo como os americanos têm. Assisto aos vídeos dos youtubers do USA e eles a comentar o uso escandaloso dos "shorts". Os personagens usam shorts, no calor, vejam vocês!  E os homens ficam sem camisa! Vejam vocês! Que coisa! 4) Os italianos amam futebol? Sim. Mas também amam voley ("pallavolo")...parece bobo, é um detalhe, mas eu  amo ver o cinema agir como um detetive da cultura.  5) A riqueza na Itália visa ao conforto e não à ostentação-Kardashian. O design de produção desse filme é absurdo de maravilhoso. Captou a riqueza intelectual dos personagens. A casa da locação tem rachaduras, a pintura está descascando em alguns pontos, mas os livros estão por todo canto.  São velhos, tem orelhas, foram "usados", a dizer, foram lidos...Os móveis não são de design da Armani, são de madeira, são de ferro, ficam envelhecendo e enferrujando no jardim. A piscina não tem borda infinita, a piscina é um tanque de tijolos medievais, sabe? Que locação! Que achado! As pessoas falam: "o filme é bonito", mas não sabem explicar por que é bonito. É porque se passou dias e dias procurando um lugar assim. Uma das tarefas menos "visíveis" do cinema é o trabalho duro de se achar as locações. Não é fácil.

Eu sempre fui um admirador dos filmes do James Ivory. A elegância de tudo, quase um esnobismo, na verdade (Vamos contar um segredinho entre parêntesis, que é como o convém: Tudo bem ser um pouco esnobe na vida! As outras pessoas, por incrível que pareça, gostam.). O andamento calmo. As coisas mais desimportantes ganham 5 minutos de atenção. Que coisa maravilhosa que o Ivory nos ensina: que o colateral é importantíssimo! O 'plot' dos filmes dele é apresentado quase como uma "chateação"...É a vida que importa! Enfim, como cinéfilo, é prazeroso reconhecer o tanto de "A Room with a view" nós temos aqui. Não só um banho de Itália , mas o sempre artístico banho no lago. O banho de lago entre homens, vale dizer! Tanto naquele filme, como neste. Banho no lago, seja na pintura, seja no cinema, seja na literatura: uma forma aristocrática de apresentação da nudez! Naquele filme, os amantes vão para as montanhas fazer um piquenique; neste também. Amantes precisam se isolar... Eu fiquei catando esses paralelos...O novo filme que me era apresentado confrontando-se com o velho filme que existia dentro de algum escaninho empoeirado da minha mente (De dentro dela, estabeleci um outro paralelo entre a cena do trem e a cena do trem de "Summertime", de 1955, do David Lean, com a Katharine Hepburn fazendo ...uma solteirona americana apaixonada em Veneza. Foda!). James Ivory ganhará sua aguardada estatueta,  pela adaptação do roteiro, tornando-se o mais velho a receber um Oscar. A remessa perfeita.

A importância do primeiro amor. Como negar? Eu duvido que exista uma pessoa no mundo que não pense constantemente no seu primeiro amor. Não pode ser apenas eu que tenha esse problema mental! Não pode ser eu apenas o único louco! E não sou! Tanto que o escritor egípcio André Aciman escreveu sobre isso. Porque o primeiro amor é diferente de todos! Inaugura o corpo; inaugura o conhecimento do ciúme ( no filme, representado na cena da festa, com um close espetacular, que, é concomitantemente, uma das mais belas imagens de alguém fumando cigarro que eu já vi!); inaugura aquela vontade incontrolável de querer estar perto de outro ser humano o tempo todo ( no filme, representado na brilhante cena de Timothée quase ajoelhado, alquebrado, na porta de casa, enquanto toca a lindíssima canção do Sufjan Stevens); inaugura a vontade maluca de MORAR dentro das roupas de outra pessoa (no filme, a ardente cena da bermuda), como se vestir as roupas da outra pessoa pudesse ser um abraço contínuo (ecos de "Brokeback Mountain"? Sim, o abraço da camisa!). Roupas que o Figurino inteligentemente escolheu em tons pastéis, claros, a brincar com listras verticais para o Hammer, e horizontais para o Chalamet (A menina Marzia também usa listras. E a mãe! O que Freud diria disso? Só as listras dariam uma tese)! E ainda me matou de inveja com a camisa do Talking Heads.O primeiro amor merece um filme como este. E o primeiro amor merecia sobretudo o extraordinário monólogo do personagem do Michael Stuhlbarg! Que texto! Que coisa mais linda! Seria merecidíssima a indicação. O primeiro amor causa inveja. O Sérgio de 2017 inveja até hoje o Sérgio do ano de 2000. Nunca mais poderei sentir aquilo novamente. Daquela maneira pura e intensa. É a remessa perfeita que eu nunca mais terei. "Is it a video? Is it a video?".

Mas, convenhamos, se tem um aspecto que é decisivo no filme é a não mencionada palavra "bissexualidade". É a remessa mais forte do filme em mim. A perfeita remessa. Semana passada, peguei um cara e uma menina. Meus amigos - no geral, roqueiros barbudos héteros - ainda estão tentando se acostumar a ver isso. E tão sempre me perguntando: "Mas qual você gosta mais?". A partir de agora eu posso responder a eles, pagando de culto e citar Heráclito: "Por mudar, é que permaneço o mesmo, galera. Foi dito num filme aí". No Filme também, os dois personagens gostam do corpo feminino e gostam do corpo masculino. Chalamet foi perfeito nisso, até com uma fruta ele demonstrou a força do prazer, numa cena ANTOLÓGICA. Percebo o Mito do Amor Romântico na inúmeras resenhas vendendo o filme como "história de amor entre dois homens". Sim, tem amor na sua faceta "homossexual". Mas pra mim o tesão bateu foi de ver a bissexualidade atuando!  O personagem descobrindo que gosta de uma coisa e gosta de outra. Tem tesão pelas duas. As pessoas, querendo posar de libertárias, têm enxergado o filme assim: " Que lindo! Salve o amor! Salve o amor!" É dizer: O amor autoriza você a gostar seja de quem for. Como se o sentimento de amor "legitimasse". Ora, não precisa de amor! Que papo careta! "Call me By Your Name", para mim, não é "história de amor entre dois homens", é mais amplo, é uma "HISTÓRIA DO PRAZER" ! Todo ser humano está naturalmente legitimado, pela natureza, a ter relações sexuais com quem quiser! É por isso que a família, intelectualizada o bastante, orgulhosamente discreta quanto à religião!,  não se incomoda de ver um dos seus representantes pegar, no mesmo dia,  ora uma vizinha, ora uma visita, e nem pergunta se está ou não apaixonado, ou coisas do gênero. Não há essa pesquisa romântica. Os pais querem que o filho se descubra. Nada é forçado ("Nada foi escavado, e sim trazido à superfície"). Querem que o filho tenha liberdade ( talvez ele dê um gritão sem sentido diante de uma cachoeira, só para o TAO ouvir!). Como decorrência da liberdade,  aqueles pais inclusive não veem problema em o filho transar na própria casa. A sociedade careta brasileira inventou o "motel" por que não suportava admitir o sexo passado dentro de casa! Na Europa, na França que eu conheço bem, não existe motel! Os filhos transam na casa dos pais, ora! Qual o problema? 

O texto já está colossal, extrapolou o  confidencial, eu vou parando por aqui...Indicaria o filme a tudo: Fotografia, Trilha, as duas canções originais ( executadas em dois momentos brilhantes: a cena do ônibus e o final de encher os olhos), Montagem, Roteiro Adaptado,  Ator Coajduvante ( Stuhlbarg!, pela precisão técnica, pelo speech; e  o Hammer, em uma atuação "flamboyant", de um jeito como "flutuante"); Direção ( bastaria a brilhante cena do sonho); Filme; Figurino, Direção de arte; tudo que pudesse. Tudo é meritório. Mas se eu pudesse apenas escolher uma categoria, uma só, teria de ser forçosamente ATOR!

Timothée Chalamet, um arraso! Uma atuação sublime! Extraordinária! O modo como ele se ajeitava no sofá, desculpe, mas nem o Daniel Day-Lewis faria melhor.  Por outro lado, é maravilhoso ver um ator heterossexual acertar em maneirismos tão delicados que um cara fluído tem. Coisas de mão, certos olhares; gestos pequenos mesmos...O filme só poderia terminar com 4 minutos do rosto dele, onde se vê saudade, fossa e... um sentimento que não tem nome, mas todo mundo já sentiu: "orgulho da dor". Que alguém um dia invente uma palavra - deve ter em alemão - para esse sentimento.

Foi uma remessa perfeita. Vi na tela o italiano que eu sou. O esnobe que eu sou. O jovem apaixonado que eu fui. E a cara de prazer que eu demonstro, seja com um homem, seja com uma mulher. 

A remessa perfeita."

Armie Hammer and Timothée Chalamet in Call Me by Your Name (2017)

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Sea Fever é um razoável thriller scy-fy que reconta a estória de Alien ou The Thing só que num barco, algo ja visto trocentas vezes, incluindo o recente Underwater que tem até heróina uma jovem e alguma mensagem ecológica. O baixo orçamento não foi problema pra gerar tensão e pelo menos manter o interesse, o que é ponto positivo. A favor joga a atual pandemia, uma vez que o bicho/vírus/bactéria vai contaminando aos poucos todo elenco, gerando desconfiança na tripulação em quem vai ser o próximo a ir pro saco. É um filme irlandês correto e competente naquilo que se propõe, mas sem novidades. 8,5-10

haziema (@hziemaa_) | Twitter
 

 

El Cuaderno de Sara é um bacana thriller investigativo que se sustenta na ótima Belen Rueda, atriz que curto muito, pois carrega nas costas uma produção repleta de defeitos embora bem intencionada na denuncia de neo-colonialismo. A jornada da mulher atrás da irmã numa África estereotipada é demasiado crua e barra pesada como A Feiticeira da Guerra ou Diamante de Sangue, e muito azarosa pra ser vista como documentário. Mas como disse, é a atriz principal que consegue elevar positivamente o filme a outro nível, e são poucos atores que conseguem isso. Em tempo, é baseado num livro (e história real) que não li. 8-10

acción – Te hablo de arte…

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As 7 Faces do Dr. Lao
1964 ‧ Fantasia/Faroeste ‧ 1h 43m

 

As 7 faces do Dr. Lao: Você se lembra desse filme? | Quizur

 

Clássico da Sessão da Tarde, eu adorava este filme e ontem me lembrei dele e fui correndo baixar pra poder revê-lo. Continua bom, ela já era "velho" quando eu vi na primeira vez, afinal ele é de 1964. Como diz acima, mistura fantasia e faroeste, num faroeste que já tinha carros. O filme tem aquela cara de matinê, tem humor, tem uma galhofas, mas nada que atrapalhe. Numa cidade do Arizona, um cara muito rico, que por acaso chama-se Stark, kkk. O Sr Stark, tenta comprar todas as casas da cidade alegando que vai "ajudar" as pessoas. Enquanto a votação não acontece, chega na cidade um chinês montando de um burro com um aquário (com um blowfish). JUnto ele trouxe um circo, pequeno por fora e grande por dentro, com várias atrações peculiares, tais como a Medusa (dava muito medo e continua bem feito), Merlin (sim ele), deus Pan (mitologia grega), uma serpente gigante, Apolônio um homem cego que prevê o futuro e o abominável homem das neves. Com isso várias pessoas encontram seus temores, verdades e até alegrias nesses personagens.

 

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" - Disseram-que você estava fazendo um filme"

" - São boatos"

Premiado como Melhor Roteiro em Cannes 2018, "3 Faces" foi encarado como um Jafar Panahi menor. Como poder ser "menor" algo que a pessoa, sentenciada a 20 anos de censura,  faz em clandestinidade, com a corda no pescoço, eu não sei?! Ainda mais com esse nível de qualidade! Enfim,  depois de assisti-lo nessa manhã no Telecine Cult, minha cabeça superlotou! Fui ler as crÍticas do filme, e como sempre, a do Pablo é a melhor. Mas, talvez por medo de Spoiler, ele não se atentou para um detalhe. E acho que é um detalhe muito relevante. Em certo momento, é falado que o diretor Panahi, aqui atuando como ator, usando seu próprio nome, deseja fazer um filme sobre suicídio. E é isso que ele faz. Ele faz um filme de suicídio. E também faz, ao mesmo tempo, um teste para atriz.

Dos três rostos; o dele, e o da conhecida atriz Behanaz Jafari, interpretando a ela mesma, são vistos o tempo todo. Mas um rosto ironicamente não aparece. A da atriz do passado, artista antes da Revolução Cultural, que é rejeitada pela própria aldeia, e que somente irá aparecer de costas. É dizer: Um Irã de passado laico em vias de desaparecer.

O final é uma clara homenagem ao plano-sequência final de "Através das Oliveiras" de Abbas Kiarostami, morto em 2016. Além de o carro pelas montanhas ser "Gosto de Cereja", e as andanças pelo Irã rural ser "O Vento nos Levará". Como não reverenciar o seu legado?

Ou, quem sabe, me ocorreu agora, como um arrepio diante da inteligência alheia: O rosto que falta não seja o dele? O rosto de Kiarostami? 


.Jafar Panahi in Se rokh (2018)

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On 4/6/2020 at 10:40 PM, SergioB. said:

Gente...Fiquei muito bem impressionado com esse primeiro longa da diretora Melina Matsoukas (diretora de clipes da Beyoncé, Rihanna, Ne-Yo...)! Que filme classudo, sofisticado, e sedutor!

É um "Bonnie and Clyde" atual, negro, denso, político, e romântico. E sem tantos gritos! A trilha sonora, alow @Gust84, é cheia de músicas muito bem escolhidas, do repertório negro-romântico americano. Vai tocar direto aqui em casa. Design de Produção excelente também, de Karen Murph (braço direito da mestra, vencedora de 4 Oscars, Catherine Martin, esposa de Baz Luhrmann.)

Daniel Kaluuya está muito bem, de novo, mas é Jodie Turner-Smith o grande destaque. Uma beleza incrível, uma voz, uma sedução...

Palmas a todos os envolvidos! Na minha cabeça era só uma história de racismo policial, racism profiling, o que em essência o é, mas se revelou muito mais cinematograficamente interessante do que eu esperava. Se os brancos aqui não têm nuance, alguns personagens negros em contraste são mostrados atuando com covardia, ou servilismo. Sobrou pra todo mundo. Mas principalmente para os que mais sofrem.

OBS: Este cartaz é cheio de significados. Vocês nem imaginam. 

Amei!

Daniel Kaluuya and Jodie Turner-Smith in Queen & Slim (2019)

É um filme excelente mesmo, valeu pela dica..fiquei com a música Collider na cabeça. É um road movie, de fuga e tudo mais, mas n]ão eh um tenso de fuga a todosd momento, tem vários momentos de contemplação e poético, muto bonitos. O design de produção eh muito bom. Os protagonistas dão show com destaque pro tio Earl (Bokeem Woodbine) da Queen. Como o Sergio bem disse com relação ao racismo, sobrou pra todo mundo.

 

 

 

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Como as coisas são....

O Documentário é ótimo, mas o longa-metragem, de mesmo nome, "Sergio" do mesmo diretor,  Greg Barker, só conseguiu ser banal. É o gênero. Biografia é muito difícil de fazer. Pra mim, o gênero mais difícil.

Espelhados, as duas produções são bastante parecidas, inclusive em sua estrutura, ao optar pela não linearidade dos fatos históricos, embora o doc foque bastante mais no resgate às vítimas do atentado. Inclusive, o filme perde um pouco da relevância pois o resgate de Sergio Vieira de Melo foi permeado por improvisações e precariedades de materiais. Ou seja, era a ONU bastante despreparada para lidar com os perigos que enfrenta.

Wagner Moura consegue reproduzir bastante bem a forma de sorrir, a forma de discursar, e alguns esgares de sobrancelha, que o diplomata de fato tinha. Ana de Armas, linda demais, também atua bem a meu sentir. Será uma estrela, indiscutivelmente. O problema maior é que o lado do romance se esticou demais. Vendo mais uma cena de dança a dois, quase no fim do filme, pensei: "Não estava terminando?" Faltavam ainda mais 19 minutos! Esticaram por demais a história, quando não havia mais o que contar.

A montagem é da carioca Claudia Castello, de, entre outros, "Fruitvale Station". É o trabalho técnico mais difícil, pois tem de permear lembranças, países diferentes, o resgate... Logrou fazê-lo, mas poderia ter eliminado muitas cenas.

 

Wagner Moura and Ana de Armas in Sergio (2020)

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"Never, Rarely, Sometimes, Always" é um drama de Eliza Hittman (do ótimo "Ratos de Praia"), que fez sucesso em Sundance e ganhou o Urso de Prata em Berlim, no início do ano. Trata a questão do aborto enquanto "procedimento". O mais importante é mostrar como não é uma decisão fácil para a gestante adolescente ter que enfrentar a burocracia, meandros legislativos, as perguntas médicas (que, mesmo feitas com carinho pelo pessoal médico, colocam a pessoa na berlinda), os problemas de logística que surgem inesperadamente. Tudo se agrava, quando você é jovem, sem recursos, e tem uma família ausente. Repetindo: Não se avança à operação ou a pós-operação, nem se retroage à concepção, digamos assim. O foco é muito específico: a questão procedimental do aborto, o diagnóstico, a entrevista social, a tensão da véspera da operação...É um olhar novo sobre o tema.

Bem como é novo o foco sobre a legalidade, pois recorta ainda mais o tema: a questão do aborto em adolescentes, segundo diversos estados americanos. A garota precisa ir da Pensilvânia para Nova York, em busca da resolução de seu caso.

Eu não amei o filme, como imaginava. A primeira hora estava apenas sendo "ok" para mim, mas quando chega a cena em que esse belo título é justificado...Ual! Uma cena belíssima, que surpreende, e emociona. Valeu o filme. 

Em minha primeira lista de Previsões para o Oscar, coloquei o nome da atriz em quinto lugar para a indicação. Agora, depois de ver o filme, já não estou tão otimista. O nome de Sidney Flanigan vai frequentar as listas mais indie, com certeza. Mas a do Oscar, penso agora, já estará mais difícil.

Sidney Flanigan in Never Rarely Sometimes Always (2020)

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"Clemency" é um filme sobre corredor da morte. Mas não da perspectiva de que fomos habituados, com a história do condenado em destaque. Se desde 1958, temos a interpretação colossal de Susan Hayward, vencedora do Oscar em 1959, como um exemplo paradigmático do personagem sentenciada à morte; neste filme temos o outro lado da moeda, poderemos, daqui para a frente, incluir Alfre Woodard, em desempenho notável, interpretando a algoz dos sentenciados.

Na verdade, encarei mais o filme como um trabalho de ressenbilização de uma mulher. Orgulhosa de sua posição como diretora de uma prisão, formal e protocolar no trato com subordinados, advogados, e familiares dos presos; a partir de um incidente, sua "casca" vai se abrindo, e ela vai conseguindo perceber que sua posição profissional também a deprime. Fria com o marido, sem filhos, indiferente ao perfil da vítima (minorias, como ela); aos poucos ela vai se ressenbilizando. Até chegar aos ótimos 15 minutos finais do filme, quando sua emoção não dá mais para ser represada.

Poderia ou deveria ter concorrido ao Oscar de Atriz, em 2020. Mas o filme, em si, tem um ritmo ruim. Vagaroso demais. Faltou eletricidade.

Alfre Woodard in Clemency (2019)

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Ontem à noite, encarei essa tortura, que não via desde criança. Cabe dizer que vi e revi a versão que chegou a nós mais facilmente, não vi a versão estendida, nem a versão dos fãs - que dizem ser a melhor. Quis ter a dimensão mais exata dos perigos que envolvem a adaptação. Da trama gigantesca à comunicação por pensamentos, à necessidade de difundir a crítica ambiental...

Eu posso até ser bem bonzinho e dizer que o filme é até um aceitável resumo do que é o livro, pois a obra de Frank Herbert é tão recheada, tão cheia de enredo (tanta trama, tanta reviravolta, tantos personagens), que eles conseguiram sim chegar a um mínimo denominador, para um filme só.

Pra mim, o que faz desse projeto um fracasso total são os Efeitos Visuais terríveis, que não dão conta da imaginação proposta; bem como os atores principais abaixo da crítica. Tem Linda Hunt, tem Max Von Sydow, tem José Ferrer, tem Silvana Mangano, tem, mas eles fazem personagens secundários. Os atores principais, o que movem a trama, estão péssimos. Péssimo é gentileza. Uma nota zero também para Figurinos e Design. Faltou orçamento, mas principalmente faltou classe. E esse filme ainda foi indicado a Melhor Som no Oscar de 1985. Competir contra "Amadeus" é sacanagem...

Não é um filme "B". É um filme "C". Ou melhor, um filme "D". D de Duna.

Dune (1984)

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On 4/20/2020 at 2:29 PM, SergioB. said:

Como as coisas são....

O Documentário é ótimo, mas o longa-metragem, de mesmo nome, "Sergio" do mesmo diretor,  Greg Barker, só conseguiu ser banal. É o gênero. Biografia é muito difícil de fazer. Pra mim, o gênero mais difícil.

Wagner Moura consegue reproduzir bastante bem a forma de sorrir, a forma de discursar, e alguns esgares de sobrancelha, que o diplomata de fato tinha. Ana de Armas, linda demais, também atua bem a meu sentir. Será uma estrela, indiscutivelmente. O problema maior é que o lado do romance se esticou demais. Vendo mais uma cena de dança a dois, quase no fim do filme, pensei: "Não estava terminando?" Faltavam ainda mais 19 minutos! Esticaram por demais a história, quando não havia mais o que contar.

Também achei isso. Wagner Moura é sempre um ator bem competente, o problema é o filme mesmo: ele retratando figuras reais como seres que emanam bondade pelos poros são mais inocentes que Chaves.

 

8 hours ago, Big One said:

Nunca vi....tentei assistir a um tempo atrás e não passei dos 30 minutos iniciais.

somos dois, nunca consegui assistir inteiro....sempre dormia..😂

 

My Spy é um filme que repete a formula batida de Um Tira no Jardim da Infância e Operação Babá, com resultados razoáveis. Não chega aos pés do filme do Schwarzza mas vai além a bomba do Vin Diesel, a pelicula tem premissa simples e é cheia de clichês..mas dá pra passar o tempo pela boa química dos protagonistas e uma ou outra zuada com esses mesmos clichês. 7,5-10

Dave Bautista est le pire espion dans My Spy


 

The Lodgers é um horror gótico razoável e visualmente deslumbrante que lembra A Queda da Casa de Usher, Colina Escarlate e o bacana Marrowbone. Atuado corretamente, tem uma atmosfera sombria que funciona a despeito de sua curiosa premissa e do ritmo lento. O ponto negativo é que não tem muito suspense e ta mais pra drama, sem falar que o desfecho deixa mais perguntas do que respostas de tudo que se viu. 7-10

The Lodgers 2017 – My Own Personal Hell

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"Starman", 1984, é uma delícia de filme, um classicão dos anos 1980, que passava direto no SBT. Só os fãs mais ardorosos do terror do mestre John Carpenter lamentam a existência desse romance "de outro mundo", pois significou um adocicamento da visão sobre a existência. Música marcante de Jack Nitzsche.

Jeff Bridges, nem precisa dizer, está excelente. Foi inclusive indicado ao Oscar em 1985, entrando como um azarão favorito do público, no que é até hoje a única indicação ao prêmio de um filme do Carpenter.

Amo a Karen Allen! Tão boa atriz, tão linda, uma "escada" perfeita para grandes astros, que poderia ter tido mais reconhecimento ao longo da carreira, no que tange à prêmios.

Jeff Bridges in Starman (1984)

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Primeiro filme da diretora e roteirista Eliane Coster, "Meio Irmão", de 2018, mas que veio ao público em 2020, é um filme de perfil. Mostra a vida de dois meio irmãos, que não moram juntos, nem na real se gostam muito, e cuja mãe desapareceu. Acompanha a vida da garota e do garoto, suas ambições, seus talentos, seus problemas, seus trampos, e a lenta reaproximação amorosa entre eles. Além de ser um perfil dos dois jovens, é também um perfil da Zona Leste de São Paulo. Gírias da periferia, as casas cuja fachada é uma garagem, os meios de vida emparedados pelo renda média e pela violência acima da média.

Obviamente, a armadilha está lançada desde o cartaz. Alguém perguntar, ou reparar, que eles são de cores/raças diferentes. Acho essa armadilha muito boa na verdade, porque em nenhum momento do filme isso é questionado por nenhum personagem mais próximo à família, só lateralmente por um figurante menor. É aquele negócio: não há por que repararmos na cor de ninguém - esse costume besta - , ao mesmo tempo que essa temática está esfregada na cara do espectador, desde o cartaz. É uma boa armadilha.

Gostei muito da parte dos perfis. Ficou bem realista. Eu conheço "manos" assim, eu conheço "minas" assim. Toda a caracterização é muito verossímil.

Agora, não vá ver o filme esperando um "enredo". O filme não tem uma história bem desenvolvida. Repito: Não espere por um enredo. Se assim for, o final será mais decepcionante do que você esperaria. Pois NADA acontece.

Diego Avelino and Natália Molina in Meio Irmão (2018)

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We Summom the Darkness é um divertido terrir que flerta com vários gêneros, começa sendo slasher, passeia pelo torture-porn e termina no home invasion. Na metade tem uma inteligente reviravolta que muda o rumo das coisas de forma surpreendente, boa sacada. As atuações estão ok, principalmente a Daddario, num papel pouco habitual dela. O porém é apenas o desfecho, abrupto e apático, não está a altura do resto. Um filme que os metaleiros vão adorar pelas muitas referências. 8,5-10

Hashtag #wesummonthedarkness no Twitter

 

Extraction é o tradicional filme de ação blockbuster, com muita porradaria, perseguição e explosões, feito pros fãs do gênero. Quem quer algo mais cerebral pode tirar cavalinho da chuva. Atuado corretamente pelo Thor, com algumas piadinhas até, o filme tem o DNA de Atômica e John Wick exalando por t toda metragem. Na verdade é um genérico de ação muito bem feito, e que vale mesmo pelo espetacular plano sequência de 12 minutos, parecido com Filhos da Esperança. E só. 8-10

extraction-poster – Lugar Nenhum

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"Atrás da Estante" é um documentário excelente a respeito de um casal judeu de Los Angeles que comandou durante décadas uma livraria/sex shop/ produtora de pornôs, que virou referência na cidade. O legal é que eles só queriam ganhar dinheiro para sustentar a família, e acabaram vendo suas vidas entrelaçadas com a questão da luta pela liberdade sexual. Pois esta é indubitavelmente um direito-irmão da liberdade de expressão, e ambos filhos do Direito à Liberdade.

A cada minuto, o documentário vai ganhando em relevância histórica e política. Mostra a tentativa de criminalizar o comércio, o preconceito social,  a hecatombe da comunidade pela AIDS, e, por fim, a derrocada do negócio com o surgimento da Internet.

Vale muito a pena ver.

Parabéns, Netflix!

Circus of Books (2019)

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Esquentando os tamborins para "Ammonite", com Saoirse Ronan e Kate Winslet, fui conferir o filme mais famoso do diretor Francis Lee. É "O Reino de Deus", título brasileiro para "God`s Own Country", de 2017. São gays na fazenda. Peões à volta com criação de ovelhas, que depois de um pouco de conflito, se apaixonam. Básica "love story". Que, aproveitando-se da característica chucras dos personagens, comodamente se abstém de maiores verbalizações.

Sobra apenas fetiche.

Não gostei. 

Alec Secareanu and Josh O'Connor in God's Own Country (2017)

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Nos últimos anos, tenho gostado cada vez mais de filmes de ação. Deve ser por que eles estão cada vez mais bem coreografados em suas cenas de luta. Quem diria que a testosterona máxima é muito parecida em essência com o balé?!

Pirmeiro filme do diretor Sam Hargrave, ele que foi diretor de segunda unidade em "Vingadores: Ultimato", "Atômica", entre outros, além de diretor de dublês. Amei diversas sequências, de "Resgate",  sendo a dos tapas nos "goonies" a mais divertida, e a que termina com um caminhão a que mais me impactou.

Penso que filmes assim não deveriam incorporar cenas clássicas de drama. Me refiro às cenas motivacionais, de explicação dos por quês. Essas são exigências do drama clássico. Formam um corpo estranho, um corpo desviante aqui. Não há mal nenhum em ser apenas pancadaria.

Chris Hemsworth, um astro.

Chris Hemsworth in Extraction (2020)

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Nos últimos meses, tenho visto todos os primeiros filme de Elio Petri, da década de 1960, antes da consagração absoluta dos anos 1970. Já foram: O Assassino, Os Dias São Numerados, O Professor de Vigevano, e hoje, "A Ciauscuno il Suo"/ A Qualquer um o Que é Seu/ "Condenado pela Máfia", de 1967, premiado como Melhor Roteiro em Cannes.

Um professor esquerdista, filiado ao partido Comunista, tenta decifrar a morte de dois homens, mas terá a máfia como adversária. A Máfia, na Siciliana, quer dizer a cidade inteira: a burguesia, a Igreja, as mulheres da sociedade, os políticos...Pois todos dependem de uma rede de fofocas, de uma rede de ascensão social, de uma rede de proteção mútua. 

O professor, em questão, é vivido por Gian Maria Volontè. Ou seja, neste filme começa a mágica da colaboração ator-diretor entre esses dois gigantes. Volontè substituirá Mastroianni e Salvo Randone como rosto principal de Petri, assim como paulatinamente o Neorrealismo Italiano ( de De Sicca e Rossellini, que tanto fez pela Itália do pós-guerra) era substituído pelo Cinema Político, em 1960~1970, no país mediterrâneo, enquanto movimento estético.

É um filme muito bom, mas não é maravilhoso. Ainda dependente de um texto original, é dizer: que não é fruto do coração e do cérebro original e próprio de Petri, o filme claramente peca pela estrutura novelesca. Que seria jogada fora dentro de poucos anos, para atacar os problemas de frente.

A ciascuno il suo (1967)

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