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Greenland é um disaster movie divertidinho que dá pro gasto pautado mais no drama familiar que a ação pirotécnica desenfreada de, por exemplo, Terremoto ou 2012. Nesse aspecto se assimila bastante a Impacto Profundo ou melhor, ao ótimo australiano These Final Hours. Elenco competente e redondinho aliado á forte crítica á moralidade humana em tempos de pandemi.. ops, catástrofes fazem esta produção boa pedida pipoca. Só não curti as inumeras coincidências e conveniências absurdas do roteiro, sempre favoráveis aos personagens principais. E o título nacional é uma pérola de tradução. 8,5-10

Diamond Films divulga cartaz de "Destruição Final: O Último Refúgio"


 

The Wolf of Snow Hollow é um bom thriller de suspense e ao mesmo tempo consegue ser um filme de lobisomem diferenciado por levar o gênero como se fosse uma produção feita pelos Coen, tipo Fargo. O interessante é acompanhar até o final só pra saber se o assassino da cidade é um serial ou um licantropo mesmo, dúvida que permeia o filme até o desfecho. Acredito que justamente por esta abordagem diferenciada as atuações fiquem meio deslocadas, principalmente a do protagonista principal, que flerta com humor em momentos onde não deveria. 8-10

rooro (@Reemo17420753) | Twitter

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Vamos lá, chuchus. Nos brindem com seus comentários. E não vale só o nomezinho do filme.

"Baby Driver" é uma divertida matinê onde o roteiro batido não é o que interessa, mas sim o som e música, que são é mais um personagem ativo da estrutura do longa. Divertido,é mais um musical travesti

Barbie and the Rockers: Out of This World (Bernard Deyriès, EUA, 1987)   Os personagens são tão falsos quanto se tivessem sido criados para um material de ensino de inglês. Até mesmo Barbie, a única

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Assassino a Preço Fixo 2 - A Ressurreição (Mechanic Ressurrection, Dir.: Dennis Gansel, 2016) 1/4

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Filme original dos anos 1970 com o Charles Bronson é interessante. O remake com o Jason Statham, já transformam tudo num filme de ação genérico. Esse sequel segue o mesmo, genérico no talo, e ainda tentam emular James Bond/MI/Bourne, com o cara encarando várias missões, e aquelas cenas de dublê bem acrobáticas em lugares perigosos, mas roteiro muito fraco, não sustenta bem essa missões. Michele Yeoh, Jessica Alba e o Tommy Lee Jones com boletos atrasados pra pagar, só isso justifica a presença deles aqui. Mas tem tudo pra virar um clássico do 'Domingo Maior' da Globo (assim como vários outro do Statham).

 

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Maratona Hong Sang-soo.

A vez é da comédia romântica "Nossa Sunhi", um filme de 2013, que é quase a tradução completa da obra dele.

Uma estudante de Cinema que deseja fazer pós-graduação nos Estados Unidos retorna à sua Faculdade para pedir a um professor que escreva-lhe uma carta de recomendação. Por lá, encontra seu ex-namorado, interpretado por Sun-Kyun Lee (O pai rico de "Parasita") novinho, com sua sonante voz, que fez um filme autoral sobre a relação deles no passado. Tanto o professor quanto o ex-namorado são amigos de um outro professor, casado, meio sem grana, sem esperança, que se envolverá romanticamente com a jovem. Ou seja, o pronome possessivo do título se refere aos três. Mas sem dramalhão, sem ciumeira latina, é mais uma comédia de erros, mostrando, mais uma vez, como os homens são tolos, e fazem de tudo por um rabo de saia.

Formalmente, as repetições são de situações. Longas conversas prosaicas em cafés (Café "Arirang", Café "Gondry"), bebendo muito soju, deixando a verdade sair. Mas não há propriamente as repetições de cena dos filmes mais à frente. Porém, já  temos mais em evidência aqueles "zooms" próprios do diretor, que são realmente meio estranhos, às vezes enfatizando mudanças de cena, às vezes nada. 

A relação da jovem com o professor é bem curiosa. A primeira carta que ele escreve parece ser mais verdadeira, ele deixa bem claro as qualidades mas também os defeitos dela. Porém, quando ela pede outra carta, e eles conversam sobre sobre uma possível relação, ele escreve outra rasgando elogios, uma carta "falsa", exagerada, sem sinceridade, mas que é bem-recebida. Antes ele conclamava a jovem a fazer cinema, não a pensar cinema. Pois a prática, o fazer, a levaria a se juntar com mais pessoas, a se abrir aos outros, e essa abordagem direta do cinema a transformaria como pessoa. A abordagem , vamos dizer, lateral do cinema, só seu estudo acadêmico, que muita gente prefere principalmente aqui no Brasil, é vista por ele como uma apequenação da personalidade. Compartilho com ele essa ideia. As pessoas hoje se formam em Cinema para fazer resenha no Youtube. É muito pouco. 

Claro que essa papeata intelectual é um aspecto menor no filme. O que sobressai é a relação cômica dos três amigos paquerando a mesma mulher, e que têm seu auge nos últimos 10 minutos de filme. 

"Nossa Sunhi" é muito bom individualmente, mas quando conhecemos a filmografia do coreano o filme cresce. Integra-se perfeitamente ao todo. Como pode-se fazer tantos filmes sobre a mesma coisa? É como se ele concordasse com aquele princípio de que as obras de um autor são seu tema e suas variações. Aqui é mais uma variação.

Our Sunhi poster - Poster 2 - AdoroCinema

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Fim da Maratona Kelly Reichardt.

A conclusão foi com a revisão de "Certas Mulheres", filme de 2016, que reúne três histórias, tenuamente ligadas - mais que tudo pela geografia, já que todas se passam em uma pequena cidade do estado de Montana. Eu lembro de, na época, só ter gostado muito, enormemente, da terceira história, muito por causa do desempenho da atriz Lily Gladstone, que ganhou alguns prêmios na época, sendo o mais importante o de Melhor Atriz Coadjuvante da Associação da Crítica de Los Angeles. Porém, o filme deu uma crescida pra mim agora, bem como ficaram claros seus problemas. Estou com o cérebro preenchido pelo todo da filmografia?

Três histórias sobre mulheres. Mulheres no trabalho. Na primeira, Laura Dern interpreta uma advogada com um cliente complicado, macho sem poder, mas armado, que não acredita nas opiniões dela a respeito de seu caso. Ela se vê então obrigada a levá-lo até um advogado homem, que lhe confirma seu parecer. Ou seja, em assuntos sérios, os homens só teriam confiança em outros homens. Na segunda história, Michelle Williams é uma decoradora/arquiteta bem-sucedida, cujo marido trabalha para ela. Em busca de pedras de arenito para um projeto, as encontra na casa de um idoso da região. Ele atende o casal, mas só presta atenção, só olha, para o marido, não para ela. E o marido aceita passivamente, complacentemente, esse comportamento. É dizer, o machismo é tão arraigado naquela região, há tanto tempo instalado, que algumas figuras não se atentam para a evolução social da mulher. A terceira história protagonizada por Kristen Steweart é muito bonita, poderia escrever muito sobre ela, mas, sinteticamemte, fala sobre a descoberta de um sentimento homossexual, a partir da admiração profissional de uma jovem fazendeira por uma iniciante professora de Direito. Muito lindo comparar o esforço pelo primeiro trabalho da carreira em contraposição ao esforço de um primeiro amor gay.

O problema desse filme, que a imensa maioria acha monótono, sacal, chato pra dedéu, não é o ritmo característico das produções da Reichardt. É que a primeira e a segunda história não são tão "legais" quanto a terceira, o que gera um desequilíbrio na atenção. Também não gosto de que o roteiro dessas duas primeiras tenha falas bem óbvias para ressaltar o tema do filme. Não precisava Laura Dern lamentar não ser um advogado homem. Ou Michelle Williams brigar com o marido ao sair da casa. Já tínhamos captado isso. Quer dizer...os cinéfilos mais espertos. Teria riscado tais falas. Também acho que o filme não precisava de cenas finais, quase um epílogo. Isto posto, a terceira história vale o filme inteiro.

Nos créditos, o filme é dedicado a Lucy. Que agora eu sei quem é. É a cachorrinha da diretora. Participante ativa, "atriz", de "Antiga Alegria" e "Wendy and Lucy".

Bom, está terminada esta maratona, que eu adorei fazer, apesar de ser muito difícil achar os filmes iniciais da diretora. É que o maravilhoso "First Cow" - o melhor filme do ano até aqui - me obrigou a ir atrás da origem de tudo, me obrigou a viajar por seus caminhos. Conheci melhor o mundo rural, desprestigiado, silencioso, dos Estados Unidos, seus bosques, pântanos e desertos, onde moram os rednecks, onde há um vestígio da presença indígena, onde as mulheres e minorias ainda têm muito a lutar. 

Tendo visto todos os filmes, meu ranking Kelly Reichart fica assim:

1) First Cow;

2) Antiga Alegria;

3) Ode;

4) Wendy e Lucy;

5) Certas Mulheres

 

Is 'Certain Women' available to watch on Canadian Netflix? - New On Netflix  Canada

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Maratona Theodoros Angelopoulos.

Como um cineasta pesado filmaria uma história de amor? "O Apicultor" é a resposta. Filmaria o sentimento também como um tormento, como um nó de culpa. Ao longo desse passeio pela filmografia do grego, observo tematicamente a questão da culpa. Em geral, a culpa se expressa por um protagonista artista que se ressente de ter deixado de lado a família e os amigos como o escritor de "A Eternidade e um Dia", ou o cineasta de "Um Olhar a Cada Dia", que vão em busca de sua arte. Ou então a culpa se manifesta por um protagonista que abandona os seus familiares, amigos, sua região, para viver a militância política como em "Viagem a Citera", ou um pouco disso em "A Viagem dos Comediantes". 

Neste filme de 1986, temos um protagonista ( também Spyros, mesmo nome de "Viagem a Citera", vivido por Marcello Mastroianni) que abandonou sua família em prol de viver a profissão de criador de abelhas, viajando por toda a Grécia, pela rota do pólen, assim como outros companheiros apicultores (uma rotina já em decadência, é verdade), levando famílias de abelhas, atravessando as estações, indo atrás das plantações de trevo, tomilho, pimenta...Sua famíllia claramente se ressente. Um filho não fala com ele, a esposa abandonada leva um choque quando o vê depois de certo tempo, uma filha (capricorniana - "que sempre acham o seu caminho"! Amo quando falam de astrologia no cinema) se casa e encontra um jeito independente de viver sem ele. Mas, em todo caso, mesmo assim, ele ainda usa aliança. 

Essa reminiscência de consideração familiar é que o levará a lutar contra o desejo ardente por uma jovem - meio louquinha, sexy - que aparece em suas andanças. Ela se encaixará em sua vida, pois também gosta da estrada, pois também gosta de "outras flores"(outros homens), e sabe picar dolorosamente. A dificuldade em comunicar o seu amor pela esposa, ou em comunicá-lo para os filhos, aqui aparecerá também com a jovem, mas depois encontrará um saída através do sexo mais violento.

Dessa vez, não temos a História, nem a Política. É, como expressei acima, um filme de amor, filmado do jeito circunspecto, duro, silencioso, e magnífico, que só ele sabe fazer. Há uma bela cena, no final do filme, em cine-teatro, ainda de pé, ao contrário do cinema destruído, mais à frente, em "Um Olhar a Cada Dia". Mas nada supera a última cena...O que é aquilo? Ual!

É considerada a segunda parte da Trilogia do Silêncio, iniciada por "Viagem a Citera, que terminará no filme seguinte, com "Paisagem na Neblina".

O melissokomos (1986) - IMDb

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Maratona Emir Kusturica.

"Guernica" é a primeira obra do diretor sérvio, um curta-metragem da sua época de estudante na Escola de Cinema de Praga, no período de 1973 a 1977. 

É um assombro! Belíssimo! Em dezessete minutos, fotografado num lindo preto-e-branco, conta a história de um garoto judeu que, levado por seus pais a um museu, vê o quadro Guernica de Picasso pela primeira vez. Algum tempo depois, está-se em 1937, já vivendo a Europa a perseguição nazista. Seu pai lhe conta que ele e sua mãe serão levados a uma inspeção médica - se bem entendi - porque judeus têm narizes grandes, que precisam ser examinados. O pai também tenta de alguma forma explicar, com algo de criatividade e ilusão, por que sua mãe cortou o cabelo curto, e por que precisam usar uma faixa amarela. Enfim, ele tenta proteger a mente inocente da criança, mas tal postura se choca com o  início do filme, quando o filho pergunta a ele porque existe dia e noite, o pai, como um professor, dá a explicação científica tintim por tintim. É dizer: Os tempos do horror nazista impedem a real explicação.

Enquanto sua mãe é humilhada em uma sessão médica pelo departamento médico nazista, e seu pai o será em seguida, o  menino fica em sua bela casa sozinho e preocupado. Começa então a cortar os narizes das fotografias de família, e dos quadros de sua casa, rearrumando as imagens. Essa comparação entre o quadro cubista e as imagens recortadas da criança são o grande mote do filme, que, acabo de descobrir, é baseado em um romance sérvio. Linda história!

Muito curioso ver um Kusturica clássicão, com certa música, certa inocência e certo humor, mesmo em um tema tão complicado. Mas não tem gansos dessa vez!

Amei!

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"N`um vou nem falar nada!!"

Fechando a década de 1970, período no qual dirigiu 33 filmes ( longas mesmo, nenhum curta!), temos Fassbinder com o estonteante "O Casamento de Maria Braun". Paralelo entre a história de uma mulher e a reconstrução econômica da Alemanha pós-segunda Guerra, num tempo marcado muito precisamente de 1945 a 1954.

Casada por apenas uma noite e meio dia, antes de seu marido militar nazista desaparecer e posteriormente ser detido, ela manterá o casamento com seu primeiro amor, mesmo com ele atrás das grades. Porém, terá de recorrer primeiro à prostituição para se manter naqueles tempos difíceis. Não propriamente se manter economicamente...Na cama, dormindo com os outros, ela suprirá a ausência física, e, mais importante, aprenderá inglês com um militar americano (Negro. Ou seja, o preconceito não mais importa, ela tem um objetivo agora, se manter!). Depois aprenderá a trabalhar com um industrial francês, com quem também se deita. E assim, agindo imoralmente, ganhará um posto na fábrica, ganhará dinheiro, ajudará a família, ajudará o marido preso, se reerguerá como pessoa, bem como se tornará arrogante, rude, burguesa, como ela mesmo se autoqualifica: "Uma Mata Hari do Milagre Econômico" - ao desdenhar dos sindicalistas, e de sua ex-condição social.

A trajetória de Maria é a trajetória metafórica da Alemanha para se reerguer. Deita-se com os americanos, faz acordos com a França, ganha dinheiro, para depois esquecer do período difícil, e tratar mal a classe fabril, ou com arrogância política a eventuais trabalhadores imigrantes ( "O bom de dar gorjetas é que eu não preciso agradecer"). O filme termina com o áudio da vitória alemã contra a Hungria, na Copa do Mundo de Futebol de 1954, embalando a cena. A Alemanha e Maria saíram vitoriosas em suas trajetórias. Atinjiram a felicidade. O que fazer então?

Muitíssimo bem escrito ( "Só quem conhece a infelicidade não perde a esperança");  belíssimamente encenado, com Figurinos maravilhosos, com atuações formidáveis daquela trupe de sempre do diretor alemão, mas com uma atuação realmente espetacular de Hanna Schygulla, que aqui fazia as pazes com o diretor depois de uma briguinha de egos.

 

Meu Ranking Rainer Werner Fassbinder não será com 33, mas terá de ser maior do que 5, um top 10, para esse gênio está bom. Fica assim:

1) Berlin Alexanderplatz (maior "filme" que já vi na vida, 15 horas);

2) Querelle;

3) As Lágrimas Amargas de Petra Von Kant;

4) O Casamento de Maria Braun

5) O Medo Devora a Alma;

6) O Direito do Mais Forte é a Liberdade

7) Lili Marlene

8 ) Medo do Medo

9) O Amor é Mais Frio que a Morte

10) Num Ano de 13 Luas

The Marriage of Maria Braun (1979) - IMDb

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Vi a parte II dos Contos Morais de Éric Rohmer, intitulado "A Carreira de Suzanne", de 1963. Um média-metragem, menos de 55 minutos.

Carreira. Palavra com muitas significados. Pensamos logo no sentido profissional, mas há também o sentido de "um depois do outro", sucessão, fila. Neste conto, dois amigos estudantes conhecem uma garota aparentemente inocente, indefesa. Um deles, o mais sacana, mais atirado, se envolverá amorosamente com ela, e logo a descartará sem muita crise de consciência, embora tenha abusado do suado dinheiro dela por um tempo. O outro amigo, mais estudioso, mais nobre, o verdadeiro protagonista, reprovará o comportamento de ambos: o que humilha, e a humilhada. Tentará se afastar dos dois, tão desprezíveis moralmente, só preocupados com festas, encontros, levianos com dinheiro...Há também certa culpa por ele mesmo ter se servido de algum dinheiro dela. Do meio para o final, existe um roubo em seu apartamento. O amigo não sabe quem dos dois foi. Tem dificuldade em acusar. Ao final, ele é que será deixado para trás, pois os outros vão para a frente, tocando suas vidas, sem estarem preocupados com a correição de seus atos. E ele é quem estará solitário. A fila sexual não anda para ele.

Rohmer filma principalmente conversas prosaicas, cotidianas, irrelevantes, em Cafés parisienses, e também o interior de apartamentos de estudantes (Alow, Hong Sang-soo!). Não existe ação propriamente, uma briga, um tapa na cara, um acidente nuclear... É lógico, vê-se, é um conto moral. Moral, como algo que está dentro da cabeça, certo? Tanto que o filme é narrado pelo protagonista, mecanismo pelo qual conhecemos seus verdadeiros pensamentos. Por que algumas pessoas menos éticamente qualificadas simplesmente se dão melhor na vida?

"Dinheiro a gente acha. Basta procurar." 

 

Suzanne's Career, poster, , French poster, from left: Patrick... News Photo  - Getty Images

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"Minha Adorável Lavanderia" era um dos poucos filmes gays que eu guardei o nome só de ler no jornal. Mas como consegui-lo, como assisti-lo, como alugá-lo sem levantar problemas? Era um desejo cinéfilo na minha adolescência...Anos depois, quando finalmente o vi...que decepção! Não entendi nada.

E devo dizer que hoje, véio de guerra, 1000 filmes nas costas, continuo não gostando do filme. Ele tem uma narrativa muito confusa, ora se quer comédia de costumes, ora drama social, mas o gênero nem é o problema, os acontecimentos é que são muito mal costurados, sem lé com cré...Conseguiu sua indicação ao Oscar de Roteiro Original em 1987 pois foi ousado tematicamente para a época. Mas quando se olha por dentro é tão mal ajambrado...Cortes "do nada", vindos arbritrariamente da mesa de edição...Uma personagem feminina, pra ser triângulo amoroso, mal desenvolvida com um final inaceitável...Fora os Efeitos Visuais datados, terríveis, de gosto duvidoso, com logos rodando como na máquina de lavar...!

O único que parece compreender e consegue comunicar a intenção mais alta do roteiro foi Daniel Day-Lewis. Entrega um cara pobre, de passado fascista, desassistido pelo governo Thatcher, um magrelão sexy, meio delicado. Um tipo que quando recebe uma oportunidade financeira, ou sexual, a abraça sem destemor, pois sabe que é o pouco que terá. Por ser do Rock, conheço vários punks, conservadores, pobres, e dúbios sexualmente. Conheço vários tipos assim. É a única verdade desse filme.

Minha adorável lavanderia - Ingresso.com

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The Dark and the Wicked é um bom terror psicológico do diretor que trouxe preciosidades como Os Estranhos e The Monster. Novamente o filme lida com o desconhecido, que se mostra sempre presente mesmo no nada, e isso já é ponto positivo pois gera uma agonia tensa em toda metragem. O ritmo é lento, mas nem por isso não deixa de ter atmosfera sinistra, som misterioso e design sinistro. As atuações saõ poderosas e se aliam ás qualidades técnicas do longa, mas o filme tem desfecho pouco satisfatório, o que é broxante. 8-10

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Jiu Jitsu é um filme meia boca de porradaria que tenta emular a nostalgia oitentista de testosterona, algo que pelo menos Os Mercenários fez muito bem. Imagina um Mercenários repleto de com atores B de ação, encabeçado pelo Nicolas Cage (fazendo caras e bocas), com enredo de Predador?! É isso. Pior que nem a pancadaria presta pois ela é tão plastica e artificial que ate a violencia de Tom & Jerry diverte mais, pois de Jiu Jitsu não se tem nada. Sinal que um filme precisa muito mais que apenas juntar nomes de peso. 4-10

Jiu Jitsu - SAPO Mag

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Maratona John Cassavetes.

Reclamei que "Gloria" me pareceu um filme de gangster tradicional demais, e fui conferir em seguida o outro filme de gangster de Cassavetes, "A Morte de um Bookmaker Chinês", de 1976. Isso sim é Cassavetes. Completamente diferente! Muita personalidade! Muita singularidade!

Resumindo a trama em uma frase: Um dono de um clube de Striptease em Los Angeles precisa saldar uma dívida de jogo que tem com a máfia praticando um assassinato. As pessoas odiarão esse filme se não sacarem que o filme não é sobre isso.

O filme é sobre um homem apaixonado por seu inferninho, por sua casa noturna decadente. Tanto que numa das principais cenas, antes do acerto de contas, Ben Gazzara telefona para o seu clube para saber se determinado número está no palco, para saber como está o movimento. A própria dívida vem dos gastos excessivos do protagonista em se fazer impressionável para as candidatas a streapers: Limousine para pegá-las em casa, num terno extravagante romântico, champagne Dom Pérignon para brindar com elas...Porém, mesmo elas estão em outra época, não sabem apreciar esse tipo de coisa, só sabem entregar uma sexualidade fria e robótica.

É, senhores, um filme sobre a fantasia masculina. Estar rodeado de gatas desnudas (aliás, chama a atenção de quanta nudez - mas nudez triste - há neste filme), ser o anfitrião de um clube onde pode ser simpático com as pessoas, apresentar números artísticos com aura de sofisticação (Não à toa, o régisseur do espetáculo de nudez se chama Mr. Sophistication). Pena que essa fantasia se choca com a realidade deprimente. A excelente cena final retrata bem o quanto a vulgaridade irá prevalecer sobre esse mundo de aparente alegria.

Estudiosos argumentam que o filme é uma metáfora, em que a máfia seria a representação dos poderosos dos estúdios de cinema que tentam pressionar o trabalho dos verdadeiros artistas apaixonados pelo que fazem, mesmo quando eles estão em decadência, mesmo quando estão em declínio.

Por isso o filme, que tem vários problemas de ritmo, luzes estourando, ângulos de câmera meio estranhos, vem sendo reabilitado junto à crítica. Muitos o tendo até como a verdadeira obra-prima do diretor.

The Killing of a Chinese Bookie | John Cassavetes, Catherine Wong Ben  Gazzara, Seymour Cassell

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Vi nesta tarde de sábado a comédia clássica "Boudu, Salvo das Águas", de Jean Renoir (segundo filho do genial pintor impressionista), do ano de 1932.

Um mendigo é salvo de um afogamento por um livreiro que o acolhe em sua casa. O gesto é visto como heroísmo, e alvo até de condecoração na cidade. Porém, Boudu é uma pessoa incorrigível, suja, livre, trapalhona, indecorosa, meio louca, e põe a casa de pernas para o ar. Suja os ambientes, cospe nos livros  (em um Balzac), assedia a empregada. A graça, teoricamente, vem desse choque social. Na melhor tirada, maltrata um cliente da Livraria que procura por "As Florers do Mal", e ele o despacha para à Floricultura.

Mas mais do que a graça o que fica é a crítica social. Primeiramente, por evidenciar essa culpa burguesa, culpa cristã, que impele as pessoas a serem boas, mesmo que a pessoa ajudada não saiba corresponder a isso. Esse ato de bondade deveria se chamar assim se se espera algum tipo de retorno? Boudu é tão anárquico que não dá retorno. A lógica civilizatória- da pessoa agradecida - se rompe. Prefere ele viver como é, sem qualquer tipo de consideração à sociedade que o despreza.

Ótimo filme.

 

Benshi - Le guide du cinéma pour les enfants

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Anos e anos sem ver "Sozinho Contra Todos", de 1998, primeiro longa do Gaspar Noé. Precisava de um filminho curtinho hoje, e seus 88 minutos caíram bem, e ainda cumpriram o dever der ser uma homenagem mental a Philippe Nahon, vítima de COVID-19, em abril.

Atuação excelente para um personagem detestável. Um cara no Filmow perguntou se é assim que funciona a cabeça de um Bolsominion. Dei risada. Através da narração insana, conhece-se a mente perturbada de um psicopata. Homofóbico, xenófobo, machista, violento...doente doente, pancada mesmo. Não vi o média-metragem "Carne", de 1991, de onde surgiu o personagem. Talvez o veja daqui a a algum tempo. Através de rápidas fotomontagens nos primeiros muinutos, conhecemos a história do protagonista: Abandono infantil, abandonado pela esposa, uma filha internada, prisão...Através da inserção de letreiros, um costume na obra do diretor, acompanhamos a trajetória do protagonista pelos subúrbios de Paris, e também somos alertados, a certa altura, que temos a escolha de, em 30 segundos, deixar de ver o filme. Ou seja, o que já tava pesado, ficaria ainda mais...

É um alerta aos sensíveis, mas é um brinde a quem quer conhecer a câmera sem eixos, do diretor. Até então a câmera seguia um padrão convencional, depois do aviso ela se torna louca, cruel, e sem limites como o protagonista. 

É um cinema provocador, agressor, transgressor. Mas antes de tudo, é muito cinema.

Seul contre tous – I Stand Alone (1998) | Já viu esse?

 

 

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Te Pego na Saída (Fist Fight, Dir.: Richie Keen, 2017) 2/4 

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A coisa que mais me agrada nesse filme é que ele é um "remake"/homenagem ao Te Pego lá Fora (Three O'Clock High - 1987), comédia adolescente que é uma das minhas favoritas dos anos 80, e assim, ok, esse aqui é uma homenagem válida. História agora rola com 2 professores, e não alunos, como no original, o que não deixa de ser uma nova visão da história. O problema é que poderiam humanizar melhor os professores e alunos em geral. Quase todos aqui são bem irritantes, bem caricatos. Acho que poderiam deixar a história um pouco mais 'real' (já que estão lidando com adultos) e não essa tentativa de fazer piada o tempo todo. Considero que o professor "bully", não tem muita coerência. Fala que alunos tem que se responsabilizar pelo que fazem, mas ele mesmo não se entregou quando quebrou a sala de aula, depois põe culpa no outro professor por ter sido demitido (ele seria demitido, mesmo se o outro lá não falasse nada). Enfim, mesmo com os defeitos, tem certo carinho pelo filme, pela homenagem feita. 

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Maratona Hong Sang-soo.

Agora o difícil de achar "Lost in the Mountains", segmento do filme "Visitors", de 2009, um filme coletivo, de 3 diretores, cada um responsável por uma pequena história.

A de Hong Sang-Soo é a de um desencontro amoroso-profissional. Uma jovem pretendente a escritora viaja para reencontrar um professor mais velho com quem se relacionou no passado, mas ele está de caso com sua única amiga na região. Ela acaba então se envolvendo com um ex-colega de curso (Sun-Kyun Lee, novinho, o pai rico de "Parasita"), também aluno do professor.

São apenas 31 minutos, nada de muito relevante acontece. A menina tem chiliques de ciúme em uma estradinha, fica bêbada em uma mesa de restaurante, é grosseira com o atual casal no meio da rua...Muitas lamentações e impertinências românticas: "Como você pôde?",etc...no fundo o "perdida" do título tem a ver com a desorientação pessoal e profissional. Qer ser escritora, mas não se dedica. Seu colega, ao contrário, ganhou um prêmio. Quer amar, mas não sabe amar. Perdida não nas montanhas da região, mas em si mesma. Ora sendo sexy, ora sendo pudica.

Uma historiazinha, pequena, sem tempo para grandes demonstrações formais, apenas apto aos zooms estranhos do diretor.

Visitors (Jeonju Digital Project 2009) (2009) - Filmaffinity

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Maratona Hong Sang-soo.

"Lost in the Mountains" não me agradou, precisava compensar, e fui ter com o filme que, antes de inicar essa maratona, mais me apetecia. Porém tive imensa dificuldade de encontrá-lo dessa vez, talvez pelo nome, mas o encontrei. É "Ha Ha Ha", dono deste título estranho, literalmente uma risada, que garantiu ao diretor o prêmio Un Certain Regard em Cannes  2010. 

É uma levíssima comédia, a sabor de nada, mas que é puro cinema, muito bem estruturada. Dois amigos - um diretor de cinema de partida para o Canadá e um crítico - encontram-se para beber e para contar causos recentes, que, por concidência, ambos passaram em uma pequena cidade do litoral coreano (outra vez um filme de dois amigos em um balneário..."O Poder da Província Kangwon", "Mulher na Praia"...). O que eles não sabem é que conheceram e estiveram com as mesmas pessoas, e em vários lugares similares, num grande jogo de semelhanças. 

O encontro dos dois, no início, é feito por fotomontagem, em preto-e-branco, no melhor estilo Claude Lelouch, em "Um Homem,  uma Mulher", mas as situações vividas são mostradas de modo convencional, daquele estilo estático, em longos planos, com várias conversas prosaicas do diretor. Mas tudo está muito bem conectado por essa verdadeira arquitetura da repetição. Note-se: ainda não há as voltas, ou as repetições vindouras das obras-primas do final da década, mas há isso que chamei agora de "arquitetura da repetição", pela via do mecanismo da coincidência.

Mas fora essa composição, as tramas de amor são muito boas, muito graciosas, muito simpáticas. E não deixam de revelar o homem coreano infantilizado, fraco, bobo, dependente economicamente das mulheres...

A atriz Yuh-jung Yonh, provalmente indicada ao Oscar por "Minari", está aqui também, interpretando a mãe do diretor de cinema, que tem de bancá-lo até nessa etapa da vida, infantilizando-o, mimando-o, amando-o mesmo quando ele não é digno desse amor. 

Passa-se o filme todo sorrindo das situações, das banalidades, dos idiotices masculinas. E o título, ao final, se justifica. O filme termina, lembrando Ezra Pound em "Os Homens Ocos", não em uma explosão, não em um suspiro (como o mundo, segundo o poeta terminará), mas em uma gostosa gargalhada entre amigos.

Muito bom!

World Cinema - Korea - Comedy | Cinema Paradiso

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"N`um vou nem falar nada!!!"

F I N A L M E N T E!!!

Como procurei "O Mundo"! Filme do gênio gênio gênio Jia Zhangke. Não sei o que se passa, mas os filmes dele são muito difíceis de achar....

"O Mundo", de 2004, é realmente uma obra-prima, repetidamente citado como um dos melhores filmes do século. Pra começar, o "mundo" é um microscosmo, microcosmo dos trabalhadores de um parque temático que reproduz os mais conhecidos monumentos ao redor do globo, que, na primeira frase do filme já explicita o objetivo, fazer o chinês conhecer o mundo sem sair da China. Similares da Torre de Pisa, do Big Ben, do skyline de Nova York com o finado World Trade Center ("As torres deles foram destruídas, mas as nossas estão intactas"), da Basílica de São Pedro Vaticano, de uma colossal Torre Eiffel, em 1/3 de seu tamanho natural e detalhes, bem como das pirâmides do Egito e da Esfinge, são as atrações do tal parque, que reúne centenas de dançarinas, e uma multidão de seguranças e outros funcionários para dar viabiliadade à atração. Temos, portanto, o mundo como decoração! Os chineses não precisam viajar, não precisam tirar passaporte, conhecer outras culturas, o dinheiro chinês traz o mundo para seu povo! Podem tirar fotos à vontade, simulando viagens que nunca farão.

Ou seja, o filme tem em si um tema muito forte, um ambiente muito forte. Saber que essas coisas de fato existem chega a ser chocante para nós. Mas a genalidade do Zhangke não fica nisso. Essa crítica profunda à - vamos dizer - cafonice que o dinheiro compra, essa crítica profunda ao falseamento político da realidade, essa crítica profunda à banalização da cultura, está por dentro do filme, mas não é todo o filme. Também importa a relação dos indivíduos, todos pobres, vindos do interior, que nunca andaram de avião, quen sonham possuir um passaporte. Tendo à frente do maravilhoso elenco sua esposa e estupenda atriz Tao Zhao, o diretor mostra a realidade sonhadora, amorosa, e difícil dos trabalhadores desse parque, focando sobretudo o relacionamento amoroso e mentiroso de uma dançarina e de seu namorado, um policial. Eles também enganam um ao outro, embora traição carnal seja uma palavra pesada demais. Eles apenas - em minha interpretação - simulam um amor sincero. 

O final é a saída deste mundo de fantasia. O ambiente fica tomado pelas enormes chaminés dos arredores de Pequim. Não mais o mundo como decoração, mas a Realidade tomando o entorno. Que pode ser muito, muito, venenoso.

Espetacular!

 

The world (2004) - Jia Zhangke | Movie posters, Chinese movies, Great films

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"Vacas", de 1992, primeiro longa do espanhol Julio Medem. Lembro que fez muito sucesso de crítica nos anos 1990, ganhando vários prêmios. E é muito bom, de fato.

Uma história de rivalidade familiar, ao longo de três gerações, na Espanha do final do século XIX, mais precisamente de 1875 até o início da Guerra Civil espanhola. Lindamente fotografado em puro verde, retratando a dura vida do homem do campo, seu contato íntimo com os animais, sua labuta com os elementos primitivos, até coisas curiosas como o "deporte de acha", a nossa disputa de rachar lenha...As famílias vizinhas são rivais mas, como era óbvio, ocorre uma paixão proibida entre um membro de cá e um membro de lá...Não vira um Romeu e Julieta não, é outra coisa, muito mais pesada...; tem toques de fantasia (câmera caindo dentro de um chifre, por exemplo...), e toques de história... As vacas, do título, são testemunhas do horror humano.

Gostaria de ter gostado mais, equivalentemente ao que o filme é bom tecnicamente, mas cada vez suporto menos ver sofrimento animal. E aqui há uma cena odiosa.

Trilha ótima de Alberto Iglesias (hoje com 3 indicações ao Oscar), em um de seus primeiros trabalhos em longa-metragem.

Beiak Vacas: Amazon.es: Emmas Suarez, Carmelo Gomez, Julio Medem: Cine y  Series TV

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Triggered é uma produção sul africana divertidinha que não esconde suas inspirações como híbrido de Jogos Mortais com Sexta-Feira 13. É daqueles filmes onde um monte de teens idiotas é forçado a algum jogo mortal pra salvar suas vidas. Começa bem lento mas depois diz ao que veio, num ritmo frenético e sangrento só. O legal é ver como as relações dos personagens se fragmenta, feito um BBB, apesar que as atuações deixe a desejar. Tão chamando de Battle Royale da geração Z, mas isso é exagero. Curti, uma película simples, com gore legal e divertida. 8,5-10

MastersOfHorror: August 2020

 

 

Vanguard é um blockbuster de ação chinês frenético que se esquece no momento seguinte, mesmo tendo o sempre bom Jackie Chan no elenco. Aqui o problema é que tentam fazer um Missão Impossível elevado a enéssima potência inserindo trocentos elementos e clichês do gênero sem se preocupar se resultam coerentes ou não, ou se umas anulam outras, vai vendo.. Tem uma pegada bem nacionalista, mesmo se apropriando de todos os clichês ianques imagináveis. Muito bem feita tecnicamente e com boas sequências de ação, ainda assim é pouco memorável no currículo do Jackie Chan. 7-10

完美關係》接檔《下一站是幸福》收視高,佟麗婭、曹雲金遭吐槽| 陸劇吧

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"Era Uma Vez um Sonho" é um filme bem ruim. Infelizmente, já esperava, pela credencial Ron Howard. Alguém mais sincero na abordagem, mais polida nas relações, como Dee Rees, por exemplo, teria elevado o material. O roteiro de Vanessa Taylor ("A Forma da Água") eliminou tudo o que fez do livro um campeão de vendas, e um destaque jornalístico: sua abordagem sociopolítica. Eles escolheram focar somente na questão familiar, o que reduziu o escopo do livro, e o trouxe para o universo do melodrama.

Não se engane, as pessoas radicalmente de esquerda vão detestar a história, embora ela seja REAL, baseada nas memórias do próprio autor, e o filme seja fidelíssimo ao livro. Argumentarão primeiro que exageraram na visão dos caipiras. Basta ver os créditos, para contemplar a imagem real da família do autor, em suas fotos e vídeos, e constatar o trabalho excelente de maquiagem e caracterização. Não é invenção. Existe gente caricata assim mesmo, tão caricata quanto ela é de verdade! Vou ter que mudar minha lista do Oscar de ontem, para reservar um lugar para o filme em Maquiagem, assinada, entre outros, pelo grande David LeRoy Anderson, dono de duas estatuetas.

Em segundo, as pessoas da esquerda radical ficam putas com a "explicação" para ascensão social que o autor presta em seu livro. Odeiam o mérito ou o esforço como explicação (só acreditam no Estado forte, indutor do crescimento, que só faz aumentar a dívida pública). Mas quem leu o livro com atenção sabe que o autor não é tão republicano assim no argumento, oferecendo exclusivamente apenas esta razão conhecida. Ele diz que fatores como gravidez precoce, abuso de drogas, alcoolismo, família desregrada, impactam no desenvolvimento econômico de alguém, ou de uma comunidade. Pessoas de esquerda geralmente têm pavor desses argumentos, mas a vida real está sempre mostrando que quem fez a tarefa de casa, quem estudou mais de madrugada, quem bebeu menos, quem se expôs a menos riscos sociais, tem geralmente um futuro mais promissor. Isso pra mim nem é uma visão de "direita", é algo cotidiano. Essa visão vinda de alguém com "Lugar de Fala" soa como traição, pois ele não argumenta a favor das "Bolsas", ao contrário, diz que elas clientelizam a população,e as passam de geração em geração. Será que isso se passa atualmente no Brasil? Silêncio estrondoso! O problema maior do roteiro é não ter a coragem de abordar esse tema de frente, foi logo pro cantinho do "drama familiar". Uma pena.

Na parte técnica, a montagem é muito ruim, mas a direção, gente, é canhestra. Que horror as dinâmicas com os atores! Não estou me referindo às atuações, estou me referindo a deselegância na composição no quadro, a falta de gosto tremendo...O que é a cena da Amy Adams andando de patins no Hospital? Socorro! 

Porém, acho que a Glenn Close conseguiu se sair bem no papel dificílimo, principalmente na cena da calculadora. Volto a dizer, parece uma caricatura, mas não é. Existe gente assim, não no d.a de Economia da Unicamp, mas nos rincões empobrecidos do Brasil.

 

Hillbilly Elegy (Netflix Movie) Review: Why it Missed The Mark

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Quando vi "Terra Estrangeira" pela primeira vez achei um filmaço, lindo, etc, e repetia como todo mundo: "Ai, tem Vapor Barato", "Ai, é preto-e-branco"... 

Revi agorinha e, hoje, véio de guerra, achei um filme bastante normal, tardialmente tributário de aspectos da "nouvelle vague", e com um final metaforicamente copiado de "O Tesouro de Sierra Madre". Frequentemente é tido como o primeiro filme do Waltinho, já que ele não gosta de seu "A Grande Arte", de 1991. Outra coisa: Problemas de som gravíssimos, para ser dos anos 1990, mal se compreende algumas falas.

Continuo achando a Fotografia, e, principalmente a cena do navio, muito poderosa imageticamente. E dessa vez me vi pensando em um navio cabralino voltando derrotado do Brasil, voltando como sucata, voltando derrotado pelo insucesso nosso de cada dia, (mormente planos extravagantes, heterodoxos, como o Confisco de Poupança da era Collor, ou a "Nova Matriz Econômica" da recessão Dilmista, etc)

E acho curioso, como, dando a volta no relógio, Portugal é de novo um refúgio de brasileiros (do qual no filme o personagem de Alexandre Borges que fugir, "para ir para a Europa").

Fernando Alves Pinto estava no auge da beleza, em 1995, rosto das campanhas da Forum, rosto do clipe de Renato Russo em "Strani Amore"...

Terra Estrangeira - Limão Mecânico

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Maratona Emir Kusturica.

A morte de Maradona me faz imaginar o quanto meu maratonado sérvio deve estar sofrendo por seu ídolo. 

O filme de hoje é seu último longa, o difícil de achar "Na Via Láctea", de 2016, fruto de quase 10 anos sem entregar um longa, depois do ruinzinho "Promessas". Produção, dizem, atribuladíssima de mais de 3 anos, dividida com a sua gleba de agricultura biológica de maçãs e framboesas, e shows com a No Smoking Band...Mesmo assim, é um retorno ao cinema, a um cinema que ele faz tudo: dirige, roteiriza, toca instrumento (uma espécie de xilofone) e atua pela primeira vez em uma película sua.

Mais uma vez a Guerra nos Balcãs atinge uma pequena comunidade perdida nas montanhas da Croácia, onde vive um solitário leiteiro, com uma particular afinidade com os animais. Kusturica neste filme é quase uma Princesa Disney, tem como maior amigo um falcão peregrino, é próximo dos gansos, dos gatos, próximo de um burrinho, e, no decorrer do filme, será salvo por uma serpente e dividirá alimentos com um urso... Sim, há muitos efeitos visuais neste filme, alguns muito bem-sucedidos, no que tange aos animais, mas há uns CGIs meio "na cara" de mais. Essa dose de fantasia me remeteu ao lirismo de "Arizona Dream", mas aqui é numa feição, volto a dizer, bem Disney...

Faz ele par romântico com a estonteante Monicia Bellucci, falando em sérvio. Esperto que só...

Em "A Vida é um Milagre" já se davam os primeiros sinais de esgotamento da mise-en-scène incrível do diretor; "Promessas" foi a pá de cal, o estilo transformado em caricatura de si; o transcurso dos anos gerou a saudade que beneficia muito "Na Via Láctea", mas por outro lado não acrescenta nada de novo. É mais do mesmo. Ainda que tenha enorme esforço, e tenha graça em certos momentos.

Contudo, a repetição estilística não me desagrada tanto quanto o teor nebuloso do roteiro. O diretor parece criticar o Acordo de Paz que põs fim a Guerra nos Bálcãs, colocando-o como ingenuidade. Tipo...enquanto os habitantes da comunidade festejam, soldados (nunca bem explicados quem são) descem de helicóptero de uniforme negro, sem bandeira, sem distintivo, sem por quê, e a incendeiam...Seria uma forma de dizer que o conflito está apenas adormecido? Que pode voltar a qualquer momento? Que há outras potências externas interessadas em sua continuação? Não há desenvolvimento claro do "argumento". O filme é de 2016 e eu não tô por dentro de nenhuma questão política por lá; parece haver paz na região (os problemas estão mais acima, na Ucrânia...). O que ele quis dizer politicamente com esse filme? Não entendi.

Ao fim, para o homem comum, só o amor e o contato com a natureza valem a pena. Ambos divinos.

On the Milky Road on Twitter: "The Italian poster of On the Milky Road is  here! #MonicaBellucci #EmirKusturica https://t.co/WAF3D9a48Y"

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Assisti esses dias It: Uma Obra Prima do Medo, de 1990. Achei fantástico, porém (e isso até o diretor concorda) o final cagou na história, todo um potencial foi desperdiçado da pior maneira possível, e pra mim talvez um dos desfechos mais decepcionantes de todos os tempos. O vilão é memorável, e tanto o elenco infantil quanto o adulto funcionam muito bem, toda a história é bem construída, apenas no encaminhar pro final (já nessa parte 2) é que a telessérie perdeu muitos pontos.

Nota: 4/5

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Maratona Theodoros Angelopoulos.

Conferi o primeiro longa-metragem dele, de 1970, chamado - aí é que está - "Reconstrução"/"Reconstituição", na frágil consolidação dos nomes traduzidos aqui no Brasil. Difícil de achar esse caboclinho...Mas recompensa! É muito bom! Muito inteligente! E já apresenta vários aspectos que se tornariam recorrentes em sua filmografia.

Começamos com uma informaçãozinha. A história se baseará em uma aldeia grega que está decrescendo, morrendo mesmo. No censo de 1939 tinha cerca de 1200 pessoas, no final dos anos 1960, apenas 85 moradores. É neste cenário de extinção social, que um marido voltará de seu trabalho na Alemanha e será enforcado pela esposa e por seu amante. O caso é real. Angelopoulos enxergou acertadamente nela um conteúdo político. Ligando-se com essa questão de decréscimo populacional, evasão de jovens, etc, ele, no meio do filme, mostrará através da reconstituição (por isso, gosto mais desse nome) policial, que o marido sabia da traição. É claro, tido como um excelente chefe de família, uma figura amorosa, ele percebia que a mulher - as mulheres da aldeia - estava solitária, abandonada. Ual! Vejam como é discutir a condição Feminina sem marketing, né pessoal? Só na base do talento...

O filme é rodado em um preto-e-branco deficitário, mas com excelentes ângulos, sem a doravante onipresença dos planos-médios. Já comeca a carreira sem muitas palavras, bem silencioso, deixando o espectador pensar. Não sei se já comentei, mas o pai de Theos Angelopoulos foi dado como morto na guerra e voltou. Então em seu cinema, a começar por este filme, temos sempre a presença de uma figura masculina que volta ao lar, ou de crianças procurando o pai.

Um ótimo filme.

Reconstrução - 1970 | Filmow

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Tunnelen é um razoável disaster-movie norueguês que apesar de beber da fonte de todos os clichês desse subgênero consegue entreter. Lembra muito aquele filme noventista do Stallone, Daylight, e do recente coreano The Tunel. O foda é que este tipo de filme não tem mais o que inventar, o que limita vingar algo mais criativo. Ta tudo que já foi visto lá, apresentação do cenário e da galera, o desastre, dramas particulares e o herói fodão salvando a pátria. Muito bem feito e com fotografia belíssima exaltando as gélidas paisagens nórdicas, eis uma boa opção pipoca porém bem esquecível. 8-10

Top Mouviz

 

 

Fatman é um filme natalino diferenciado, um diversão subversiva em forma duma violenta comedia negra com premissa interessante, porem mal executada.. é um filme natalino não convencional mas por isso ja vale a pena, embora a premissa dum Papai Noel John Wick a principio pareça bizarra demais.. apesar disso, Mel Gibson e Goggins carregam filme nas costas. O espirito natalino ta ali, mas a embalagem que é diferente. Mas essa mistura ficou meio esquisita, a diferença do ótimo e mais que recomendável Keanu, um filme de bichiinho fofinho (no caso, um gatinho) ultraviolento. 8-10

Fatman Movie Download | Tags and Chats

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