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O Que Você Anda Vendo e Comentando?


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On 12/8/2020 at 5:44 PM, SergioB. said:

Ouçam bem, um dos melhores filmes do ano!


Coincidência Pedrão, tambem vi ontem esse a pedido da patroa. The Sound of Metal já é um bom drama sobre um baterista surdo, típico filme sobre deficiência, superação, reinvenção e blábláblá.. mas é tudo bem contagiante e bem encantador mesmo, tipo Whiplash. O ator principal manda muito bem e os coadjuvantes idem. A fotografia muda conforme vai mostrando a via-crucis do protagonista e não bastasse, o roteiro é cheio de reviravoltas. Só achei que o filme se estica demais sendo que meia hora a menos não faria muita diferença no entendimento do longa. Outro destaque positivo é a ótima utilização do som que nos coloca na condição do protagonista, conduzindo a trama a todo momento. Enfim, não esperava nada e curti pacas. 9-10

Sound of Metal, bande-annonce [VOST] | Slidemovies

 

 

Stardust é uma bobagem de cinebiografia musical sobre o David Bowie que não empolga feito a do Freddie ou Elton John, só pra citar as mais recentes. Eu já sabia que a familia não tinha autorizado o filme e muito menos cedido direito das músicas, ou seja, sabia que o mínimo que a produção poderia entregar seria algo bom no quesito drama, pra compensar a falta dos hits do cantor. Que nada.. é um dramalhão clichezado até o talo que dá até vergonha! Sem saber contornar o problema de ausência de músicas, sobra um filme sem energia que não cativa, apesar da boa (e esquisita) caracterização do Johnny Flynn. A impressão é que é só mais um filme caça-níquel pegando vácuo dos outros já citados. E pra não dizer que sem música não rolava um bom filme, taí Velvet Goldmine pra desmentir, pois trata do Bowie e consegue o que esse filme sequer chegou perto. 6,5-10

Stardust (2020) | Trailer oficial e sinopse - Café com Filme

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Se eu não acelerar, o ano acaba, a pandemia acaba, mas essa maratona Hong Sang-soo não acaba!

Maratona Hong Sang-soo.

 Em 2010, o prolífico diretor coreano fez dois filmes, que contaram com o ator Sun-Kyun Lee (o pai rico de "Parasita"). Em "Ha Ha Ha", um personagem menor, um norte-coreano; mas em seguida, deu a ele um papel de muito destaque, neste pouco visto "O Filme de Oki".

A estrutura é muito boa. São quatro segmentos, com três personagens principais presentes em todos. Um jovem diretor de cinema que gosta muito de encher a cara; um velho professor da Universidade; uma jovem também estudante de cinema, a tal Oki, do título, que ficará com a titularidade do último segmento, e unirá todos eles. 

Pode-se dizer que Hong Sang-soo conseguiu fazer um triângulo amoroso desconstruído, episódico. No último segmento, Oki andará por um caminho nas montanhas com os dois homens, em dias diferentes, e comparará as experiências. Como diz ela na narração, ela quer colocar os dois lado a lado, compará-los, para fazer um filme com isso.

É muito legal, por que nos segmentos anteriores soltam-se pequenas informações, como a de que os filmes dela são melhores do que os filmes do jovem diretor. Ou então, entendemos por que este jovem diretor não ganhou o prêmio de reconhecimento que todos os outros estudantes diziam que seria dele. É que o professor não quis premiar o amante...Coisas assim. No final, o quebra-cabeça está montado.

Um quebra-cabeça que celebra a estrutura. Enquanto temos altas doses de álcool, conversas prosaicas, acusações de infidelidade marital, a defesa de que um filme não é o seu tema, e, mais importante, um grande resumo do pensamento de Hong Sang-soo: A experiência cinematográfica é como conhecer uma pessoa em um encontro. 

Os filmes dele são basicamente isso: um encontro inesperado. Na praia, em um bar, em um hotel, em um templo. É como conhecer uma pessoa. Ou duas.

Muito bom!

 

 

Oki's Movie / Ok-hi-eui Yeonghwa / 옥희의 영화 (2010)

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Onda 21 – “O homem que burlou a máfia” (1973), a denominação do filme no  Brasil conta o final, uma gafe

Filme americano policial safra anos 70. Não tem muito o que dizer: um diretor motherfucker (D. Siegel) dirigindo um monte de atores motherfucker que interpretam vários personagens motherfucker. Prato cheio para quem gosta do estilo. Cotação: Bom. Assistido em DVD da caixa Cinema Policial (Versatil).  

 

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Lamentável a morte do talentosíssimo Kim Ki-duk por Covid-19. Nossa! O primeiro diretor sul-coreano que me entusiasmou. No geral, foi ele quem abriu as portas para essa geração fantástica de hoje em dia. Mesmo sendo um cara com reprováveis comportamentos sociais, na hora do vamos ver, na horar de filmar, mostrava a mente genial que tinha. Doença maldita!

Conheço bem sua filmografia, mas sempre reservava "Moebius" pra um momento especial. Digamos que não estava muito a fim de ver tantas alardeadas castrações fálicas, estupros, e escarificações em sequência. Vi agora, como homenagem. É curtinho, embora embrulhe o estômago.

Pra começar, um filme mudo. Um filme mudo, quase "gore". Mas não é terror. É um drama edipiano. O filho adolescente testemunha o pai agredindo a mãe por ela ter descoberto que ele era infiel. A mãe agride o pai, e como vingança, castra o filho, e come o pênis dele. Isso nos primeiros 10 minutos. Depois só piora. O pai se compadece do garoto, e procura informações sobre transplante genital, enquanto o filho vira alvo de zombarias pelo bairro...Não vou contar mais, pois a história é cheia de acontecimentos. Acho que é uma forma de prender os espectadores, já que não apresenta nenhum diálogo, nem trilha sonora. É acontecimento atrás de acontecimento. Violência atrás de violência. Vingança atrás de vingança. E muito sexo na modalidade masoquista, na modalidade de autoflagelamento.

No fundo, uma metáfora sobre a excessiva dependência humana do prazer sexual. Isso fica claro na derradeira e muito bem sacada última cena. Aliás, todos os filmes dele têm excelentes finais. 

Gostei muito.

No mais, meu ranking Kim Ki-duk, permanece inalterado.

Amplio o top 5, para enaltecer sua belíssima e inesquecível obra. Deixando claro que os 7 primeiros são excepcionais. 

Ranking Kim Ki-duk:

1) Pietá;

2) A Rede;

3) Primavera, Verão, Outono, Inverno...e Primavera;

4) O Arco;

5) Dente por Dente;

6) Casa Vazia;

7) A Ilha;

8 ) Endereço Desconhecido;

9) Moebius;

10) Bad Guy

Obrigado, Kim Ki-duk!

Win a Signed “MOEBIUS” Poster! | Moebius 2013, Moebius, Free movies online

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Maratona John Cassavetes.

Seu segundo filme de estúdio, "Minha Esperança é Você", de 1963. Filme que tem a mão de Cassavetes, sim, mas tem muito mais a mão de seu produtor, o enorme Stanley Kramer, com seu humanismo à frente do tempo, e que por isso resultou em divergências sérias entre os dois artistas.

Fato é que o filme é ousado e corajoso para a sua época. Passado em uma instituição para crianças deficientes, com as criança internas representando a si mesmas. Muitos pessoas podem não gostar, se caírem no erro de querer comparar o que sabemos hoje sobre certas condições especiais do seu humano e o que se sabia àquela época. O filme, na verdade, é muito chamativo também sobre esse ponto de vista, pois podemos marcar a nossa evolução de entendimento, trilhando um caminho de de maior inclusão e de promoção dos diretos humanos.

A intituição juntava crianças altistas (em breve menção a uma possível ligação com o sarampo), crianças com Down, crianças com deficiências de fala (e, numa cena fantástica, mostra-se, mais tarde, o pavilhão dos adultos!), tudo junto. Seu diretor, um psicólogo vivido com altivez pro Burt Lancaster, pregava que as crianças especiais deveriam ser educadas em um lugar singular, separadas daquelas consideradas normais. Hoje, a nomeclatura mudou, as recomendações mudaram, as leias mudaram, a educação mudou...

Bom, mas voltanto à obra em si, temos um garoto altista abandonado por seus pais (com dinheiro, com educação superior. Mãe: Gena Rowlands) nessa instituição. E ele se apegará a uma profesora recém-contratada, vivida lindamente por Judy Garland, em seu penúltimo filme. 

Um dos méritos do roteiro é dar apenas algumas dicas sobre o passado dos protagonistas. Podemos entender que Lancaster é um cara separado (algo mal-visto na época), e que Garland é uma musicista que fracassou na carreira, talvez por uma depressão, ou alcoolismo. É dizer: os dois também estão afastados da sociedade. Ela chega, tão insegura àquele universo, temendo outro fracasso pessoal. E é lindo ver como ela vai querer se destacar, mas também se mostrará insegura nas ações, principalmente em um meio tão difícil. O desempenho dos dois é lindo.

É um filme bastante convencional, melodramático, sem improvisos dos atores profissionais, mas ainda sim, único na sua abordagem, elevado pelo retrato verdadeiro dos não atores. O final é alegre e triste ao mesmo tempo. 

Amei!

 

 

Review: A Child Is Waiting (1963) – Classic Movie Reviews by Todd Kalk

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"The Prom"/ "A Festa de Formatura", musical Netflix, de Ryan Murphy.

Gostei bastante, me divertiu.  Mas como cinema não tem nada de mais. É muito televisivo no jeito de filmar, com excesso de closes, por exemplo. Tudo meio um repeteco de "Glee". Sou fã de musical, mas até eu achei que o número de músicas foi exorbitante. São muitos personagens e todos têm pelo menos uma canção gigante.

Todos estão bem, mas Meryl Streep, Andrew Rannels, e Jo Ellen Pellman, foram os destaques pra mim.

As coreografias são melhores do que as canções. Uma ironia Kitsch permeia o Design e o Figurino, dialogando com um consumismo fácil dos nossos tempos.

Indo ao cerne da trama - Uma adolescente lésbica impedida de levar sua namorada a um baile de formatura -  uso o meu "lugar de fala", pra perguntar, para além do direito civil: Por que os gays precisam se sentir aceitos por essas estruturas criadas pelos héteros e só para eles mesmos? Disso, creio, o universo do Rock n`Roll me livrou. Ensinou-me a dar um grande FODA-SE para essas estruturas, e mandar todos eles TOMAREM NO CU. Pra que se rastejar pela aceitação de gente atrasada? Por que a pessoa tem que usar o vestido x, ir acompanhada da pessoa y, por exemplo, ao fim e ao cabo, celebrar a cultura criada em torno de algo historicamente excludente?

Ser alternativo é muito melhor, filha!

The Prom Movie Poster (#11 of 12) - IMP Awards

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Maratona Theodoros Angelopoulos.

Ufa, 210 minutos pesados de Angelopoulos. É o filme dele de 1980, "O Megalexandro" / "Alexandre, o Grande"; chame como quiser.

Uma reivenção da história grega, usando o escudo conquistador de Alexadre Magno. Se aquele, no inimaginável 400 a.C, conseguiu expandir militarmente as fronteiras, e expulsou os persas de parte do território grego; agora, na virada do século XIX para o XX, em 1900, a ideia é expulsar os ingleses, os novos invasores.

A partir de um fato histórico real, acontecido em 1870, Angelopoulos imaginou a história de um bandido chamado Alexandre que foge da prisão com comparsas e sequestra lordes e diplomatas ingleses, que tinham ido visitar as ruínas do Templo de Poseidon, aquele debruçado sobre o Egeu libertado por  Alexandre, o Grande. Eles se escondem nas montanhas geladas próximo à Macedônia, junto a anarquistas italianos fugitivos. O objetivo do sequestro é trocar os ingleses pelo reconhecimento de terras de uma certa planície que seriam alvo de uma exploração mineral, mas que, originariamente, seriam de pertencimento daquela comunidade que forma o exército do novo Alexandre (embora use elmo e capa, como o da figura helênica). Eles vivem em comunismo primitivo, onde tudo é de todo mundo, mas ainda sem a noção dogmática marxista. Acontece que o novel Alexandre se torna uma espécie de tirano, passa a executar quem se opõe aos planos dele, bem como recalcitra nos acordos com os gregos-ingleses. A utopia comunista se transforma em totalitarismo sempre.

Nada como uma sinopse e nada como uma sinapse, né? Porque é duro decifrar tudo isso. Exige da cabeça muitas associações, pois nada está dado de barato.

Travelings fantásticos de 360º, únicos planos-médios silênciosos de até 8 minutos; homens enforcados (como em "Reconstituição", "O Passo Suspenso da Cegonha",etc), vários atores em fila diante de monumentos, ou do casario gregos antigos (por todos, "A Viagem dos Comediantes") como se apresentassem o país, e a união entre mitos gregos e socialismo.

Quem é que faz um cinema intelectual assim hoje? Ninguém. A um, porque não há dinheiro; a dois, porque não há público (nem nunca houve); a três, porque não existe nenhum diretor como ele no mundo.

Prêmio da Crítica e do Júri em Veneza 1980, perdendo o Leão de Ouro para os resenhados recentemente, "Atlantic City" de Malle, e para o outro maratonado, John Cassavetes, por "Gloria". Absurdo.

Alejandro el Grande (O Megalexandros, 1980), de Theodoros Angelopoulos. –  Esculpiendo el tiempo 2.0

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Relic é um bom terror dramático (e por vezes psicológico) que trata sobre envelhecimento e abandono na forma de muitas alegorias..body horror bão..e tensão crescente a outra producao que trata quase do mesmo tema, The Dark ant the Wiched.. Náo o tipo de filme com grandes surpresas, sustos ou reviravoltas, mas o clima, a pegada sensìvel sobre o tema e a òtima atuacão da Emily Mortimer ja valem a visita. Reparar que o corpo idoso è retratado de forma tremendamente asquerosa, em cenas realmente repugnantes. 8-10

New 'Relic' trailer; Emily Mortimer, Bella Heathcote and Robyn Nevin star


 

Uncle Frank é um bacanudo drama sobre intolerância e aceitacão...a trama é bem batida mas é a època (anos 70) e a trinca de atores que a elevam a outro patamar, a destacar o Paul Bettany, a pirralha e o hilàrio companheiro do Visáo, que não raramente rouba a cena. È uma pelicula charmosa dentro de sua simplicidade, que se avexa em náo ousar mais e permanecer em sua zona de conforto, mas ao menos faz isso muito bem...em se manter ordinària e menos previsìvel em sua proposta. Um tema pesado levado de forma bem light, quase Sessão da Tarde, feito pra lacrimejar no final. 8.5-10

Uncle Frank Official Trailer And Poster | Nothing But Geek

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Terminei de ler o excelente livro de Mario Vargas Llosa, "Pantaleão e as Visitadoras", de 1974, e fui ver esta adaptação homônima, de 1999, do diretor Francisco J. Lombardi.

O livro tem uma história principal: Um capitão do Exército encarregado de formar um pelotão de prostitutas para servir aos homens na selva amazônica. Mas também tem uma segunda trama incidental, sobre um fanático religioso que crucifica animais e pessoas na região. O intuito, creio eu, é mostrar como sexo e religião dominam mentes. Esta segunda história foi totalmente cortada no filme. Ficou-se só com a bizarra prestação militar. Não acho que foi uma decisão ruim, mas diminuiu a fidelidade ao livro. Assim como a adaptação preferiu fugir das imposições custosas de filme de época, os anos 1950, para atualidade; e também cortou personagens, como a religiosa mãe do Capitão Pantoja.

Pois bem, o filme cumpre o objetivo, diverte (embora tenha mais linguagem televisiva do que cinematográfica). E é bem sexy também. No tocante, a colombiana Angie Cepeda é um estouro de beleza e sensualidade. Que mulher linda! No livro, a personagem, por ter vivido em Manaus, recebe o apelido de "Brasileira", aqui recebe o nome de "Colombiana". 

Porém o filme pertence ao ator Salvador del Solar, que está excelente como o oficial caxias, que com sua competência e respeito ao trabalho e a uma tropicalizada burocracia Weberiana, só faz crescer o profissionalismo do serviço das visitadoras, o que lhe provoca a ruína pessoal. Como curiosidade, o ator é um homem muito respeitado no Peru, advogado, homem bastante culto, que seguiu carreira política, e era até recentemente, ex-Ministro da Cultura, e ex-Ministro do equivalente a nossa Casa Civil. Não me admiraria se ele virasse Presidente peruano, num futuro próximo, já que o cargo por lá parece estar em constante alteração.

A mãe de Javier Bardem, a atriz Pilar Bardem, tem um papel legalzinho aqui, como a ex-dona de um bordel.

Pantaleão e as Visitadoras - Filme - Cinema10.com.br

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Maratona Hong Sang-soo.

"A Mulher é o Futuro do Homem", quinto filme do coreano, datado de 2004. A trama: Um triângulo amoroso formado por dois amigos - um professor de arte ocidental, e um jovem diretor de cinema - com uma moça, que, há tempos, fora namorada do diretor, antes de ele imigrar para os Estados Unidos. Ele transou com ela, falou "eu te amo", prometeu que voltaria, pediu para ela esperar, e ele...Bem, não deu as caras. Típico. O amigo professor que criticará o comportamento, depois, hiprocritamente,fará algo semelhante.

Temos o machismo oriental e a toxidade masculina mais uma vez postos como tema. O filme tem discussões em torna de mesas de restaurantes, soju, caminhadas pela cidade, encontros fortuitos, situações que variam em pequena escala, mas o que me deixou admirado, espantado até, foi a novidade de haver uma cena de sexo bem forte.

Nesses mais de 19 filmes que já vi e resenhei aqui, só havia uma cena de sexo mais ousadinha, no segundo filme dele "O Poder da Província Kangwon", mas aqui é uma cena aos moldes ocidentais, sem pudor, com atores completamente nus, por longo tempo. Aliás, há duas cenas de sexo, mas na segunda, com outro personagem, ele colocou uma mantinha tapando os glúteos do ator. O sexo, como abordagem visual, desapareceu doravante em sua enorme filmografia. Em nenhum filme posterior, há a visualização dele. Só aqui.

Acho que ele entendeu que a distinção do seu cinema era ser prosaico, corriqueiro, um casulo de palavras, e não precisaria de velhos impactos visuais, sendo o sexo um recurso popular para ganhar a atenção.

É um filme da prateleira de baixo.

Yeojaneun namjaui miraeda (2004) - IMDb

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Dia apertado por aqui, então fui com uma película curtinha de Takeshi Kitano, o belo "Kids Return - De volta às Aulas", de 1996.

Me chamou a atenção que no perfil do IMDB do diretor, logo na primeira linha, encontra-se a informação de que ele fora expulso do colégio por rebeldia. E justamente este filme mostra dois jovens amigos, que são casos de insucesso escolar. Destoando do consagrado perfil dos adolescentes nerds japoneses, os dois têm notas baixas, perturbam os outros alunos, fazem brincadeiras bobas, meio que roubam os colegas, matam aula fazendo acrobacias de bicicleta...

O caminho deles não será o dito normal, de árduo estudo para alcançar um emprego formal, não, um deles tentará a sorte no Boxe, o outro entrará para a a Yakuza. Os dois têm talento para os inusuais ramos. Mas faltam-lhes justamente a disciplina. Que não é um atributo da escola. No esporte, você também precisa se esforçar (e o rapaz fraquejará na alimentação, usará pílulas para emagrecer rápido, não aplicará nas lutas tudo que lhe foi ensinado...); e também no crime há de ter esforço (não se pode ter pena, nem delicadeza, no confronto de rua). É dizer, os dois fracassarão, apesar da aptidão, pois não terão a determinação exigível em toda e qualquer caminhada.

O roteiro é muito bom. Rápído, fácil, meio violento, e..engraçado. O filme é um cruzamento entre a comédia e o gângster clássico, tal qual a vida do diretor (consagrado como comediante na tevê japonesa, e diretor lembrado por filmes violentos). Mas o melhor de tudo, é a excelente, deslumbrante, trilha sonora. Fui ver de quem era: Joe Hisaishi, compositor de Hayo Miyazaki, e de outros filmes de Kitano. 

Muito bom ver o que está no filme, mas também o que não está. Em nenhum momento, vê-se a figura dos pais. São figuras ausentes da educação e da vida vadia dos garotos. Assim a crítica fácil que se poderia fazer aos personagens, transfiro-a eu aos ausentes. Como exigir que o caminho deles seja o mesmo de alguém de sucesso, se falta a orientação paternal, ou de alguma autoridade, justamente nessa fase da vida? O professor que os reprova pela janela, jamais atravessa a porta da sala de aula para buscá-los de volta.

Sutilezas me ganham.

Parabéns, mestre Takeshi Kitano!

Kids Return (1996) Review | Tv documentary, Takeshi kitano, Japanese film

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1999 é o ano é o ano é o ano.
 
Revi "Tumbleweeds"/ "Livre para Amar", de Gavin O`Connor, aqui como diretor, e como ator - bem acima do peso na época. Indicação ao Oscar, e vitória no Globo de Ouro de Comédia, em reconhecimento da maravilhosa atuação da inglesa Janet McTeer, como uma interiorana americana, meio vulgar, cheia de vida, que se agarra a qualquer homem do caminho, enquanto cria a filha desleixadamente. 
 
O roteiro poderia levar a conclusão de que se trata de uma mãe ruim, terrível. mas, na verdade, a dinâmica das duas, entre mãe e filha pré-adolescente, é tão franco e sincero, que elas riem das deficiências uma da outra. O jogo está estabelecido, sabe? A menina desistiu de mudar a psicologia da mãe. Existe uma insinuação bem sutil de que os contatos amorosos da mãe influenciam precocemente os instintos da garota. Isso seria execrado hoje em dia. A jovem atriz está ótima, mas não deu em nada na carreira.
 
A atriz Lois Smith faz uma pontinha, com o talento de sempre.
 
Amazon.com: Tumbleweeds [VHS]: Janet McTeer, Kimberly J. Brown, Jay O.  Sanders, Gavin O'Connor, Laurel Holloman, Lois Smith, Michael J. Pollard,  Ashley Buccille, Cody McMains, Linda Porter, Brian Tahash, Josh Carmichael,  Gavin O'Connor,
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Este média-metragem de Atom Egoyan, em 2000, foi direto para a tevê, em 59 minutos. É a filmagem da obra-prima "A última Gravação de Krapp", de Samuel Beckett. Tive a sorte de ver a adaptação teatral com Sérgio Britto em 2009, creio, pela qual ele ganhou seus últimos grandes prêmios.

No filme, o papel-título é de responsabilidade de John Hurt, que está di-vi-no! Amo o texto dessa peça, quero tê-la, para "gravar" cada frase na memória. O tema? Um homem idoso, aos 69 anos, que teve o costume de gravar depoimentos ao longo dos anos, acha a sua fita gravada quando de seu aniversário de 39 anos de idade. A partir daí, as comparações são inevitáveis. O que ele era, o que se tornou, ou se não mudou tanto assim... O cerne do texto é essa dissociação entre os eus, de várias épocas. É Beckett, né? Não é esse comercial de Natal com o Rodrigo Santoro, escrevendo uma mensagem para si quando jovem...

Os detalhes são de rara inteligência. Na fita, o jovem de 39 anos, por sua vez, recorda de um amor 10 anos antes. Amor que ele chutou, descartou. E, jovenzinho, também promete-se comer menos bananas (no início da peça, o velho eu come duas), e beber menos álcool (o homem de 39 e o de 69 riem, juntos, da aspiração), pois perdia-se muito dinheiro e tempo de vida nos bares. Ele está sozinho no seu aniversário de 39 anos. Está até orgulhoso de ter passado a data assim. Ao fim da vida, ele também está sozinho. Não tão orgulhoso, mas aceite. O homem de 39 anos admira a jovialidade da voz de então, e agora o idoso em suas poucas falas, tem uma voz rascante, árida, como uma agulha avariada. 

A genialidade é que não há fatos concretos. Não sabemos o que de fato aconteceu na descrição gravada do relacionamento com a garota. Não sabemos quase nenhum fato da vida. O realismo, em Beckett, é apagado, fugidio, um vestígio.

Egoyan, pelo que me toca, respeitou a integralidade do texto. Não fez firulas cênicas. Não fez incrementos visuais. A câmera apenas se move vagarosamente, nunca por trás de Hurt, sempre pela frente, mas nunca em close. Até mesmo na última cena, quando se ouve a última frase - aquele soco no estômago - ele não aproxima a câmera do ator. Respeitou a distância do teatro.

"Passa da meia-noite. Nunca conheci tanto silêncio. A Terra podia estar desabitada. Talvez os meus melhores anos já tenham passado. Quando havia uma chance felicidade. Mas eu não ia querê-los de volta. Não com o fogo em mim agora. Não, eu não ia querê-los de volta"

O eu de 69 anos ouvindo isso do eu de 39 meditando sobre o eu de 29.

 

Krapp's Last Tape - 2000 | Filmow

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Mulher Maravilha 84 é melhor que o primeiro por nao ter a responsa que tinha o de anos atrás. É bem simplinho e acho que o roteiro é um dos piores pela obviedade previsivel que é.. mas o filme entretêem sem se furtar de ser brega, esperancoso, escapista e divertido. É uma espécie de Back to Future da DC.. na verdade curti porque fui sem expectativa. Mas incrivelmente curti mais que o primeiro, sério.  Atuacoes redondinhas e cena pós-credito pra là de nostálgica. Tem erros pontuais aqui e ali, mas o conjunto todo consegue ser superior a tudo isso. Mas a trilha sonora tinha muito potencial pela època retratada, mas foi desperdicada, infelizmente. 8-10

Wonder Woman 1984 è rinviata a gennaio 2021 in Italia

 


The Honest Thief è uma bola fora do Liam Neeson, ator carimbado em filmes de acao. E claro que o filme parece derivado de Taken, onde o ator vai atràs de viloes que fizeram algum mal a ele. Mas o filme nao empolga e a acao è bem borocoxò, e pasmem a cadela que aparece consegue te cativar mais que o personagem principal. Enfim, um filme esquecivel na carreira do Neeson, nada memorável como o do pai que vinga a filha do filme supracitado. 7-10

فيلم - Honest Thief - 2020 - معرض الصور

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Maratona John Cassavetes.

Em 1970, estreou "Husbands"/ "Os Maridos", que tem um subtítulo, "Uma comédia sobre a vida, a morte e a liberdade". Começa com uma sessão de fotos, mostrando quatro amigos com suas esposas e filhos, em várias ocasiões sociais, ao redor da piscina, brincando, se divertindo. Mas o primeiro plano vivo é em um funeral, um dos quatro falecera (o que nas fotos é desempenhado por um irmão de Gena Rowlands, que aqui só aparece fotografada, desempenhando a função de esposa do personagem de Cassavetes.).

Os três amigos restantes estão nos quarenta&poucos, cresceram juntos, têm muitas intimidade, muita brotheragem. Vão beber em homenagem ao colega falecido, e aí instala-se uma série de consequências. Parece que lhes é acionado o gatilho da finitude também. Embebedam, brigam, fazem as pazes um segundo depois, jogam basquete, correm e praticam bobeiras pelas ruas de Nova York, até que um deles, ao chegar em casa, discute com a esposa e a sogra (com direito a tapas nas duas) e então para escapar de algum problema na seara criminal, decide escapulir para Londres. Os outros dois decidem largar por uns dias seus empregos e famílias e acompanhar o intempestivo amigo. Do outro lado do oceano, viverão mais alguns dias de uma espécie de janela de juventude, janela de solteirice: Bebendo, jogando, tentando conquistar mulheres...

Contei a trama, mas ela nem é importante. O importante é a técnica de improviso. Sempre se escreve a palavra improviso para falar de Casssavetes. Mas esquece-se do substantivo técnica.  Pesquisei rapidamente sobre o filme, e parece que esse roteiro levou anos para ser escrito, e tinha mais de 400 páginas. Não que nessa técnica de improvisação não haja espaço para o imprevisto. Dizem que alguns dos tapas ao longo do filme não estavam lá, simplesmente surgiram, por exemplo, do confronto entre os atores.

A cena mais comentada atualmente também tem muito de um naturalismo que saiu do controle. Trata-se da famosa cena do bar em que os amigos praticamente humilham uma senhora que não sabe cantar. A atriz chegou a chorar de verdade. É um plano muito longo, deve ter mais de 10 minutos, e causa espécie...

Vê-se muitas comédias sobre amigos, ou amigas, aprontando poucas e boas em uma viagem qualquer. Mas nenhuma chegou nesse ponto de colocar o escapismo da alma quase como uma doença conjunta. Como se fosse a última vez deles todos. Não que esses amigos aqui estejam com o "pé na cova". A cova é a vida doméstica, regulada, do terreno da família.

Ah, sim, dos atores, Ben Gazzara está fenomenal.

Husbands [DVD] [Import]: Amazon.de: DVD & Blu-ray

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Gostei muito mais do que achei que fosse gostar deste "Ma Rainey`s Black Bottom", adaptação da peça de August Wilson.

Deve ser por que amo jazz/blues e vertentes. Os negros conseguiram fazer do jazz a música autenticamente americana, a música profunda do país, assim como os nossos afrodescendentes fizeram do samba a nossa música principal. Este legado artístico, em ambos os países, tem cor. Então a cena final do filme pra mim foi extremamente perspicaz. Não se pode mimetizar a raiz de uma arte. Entretanto ela pode virar um produto, sim.

O roteiro, infelizmente, teve medo de cortar certas passagens. Digo isso, por que, talvez por ser uma pessoa que não se comove fácil, os depoimentos memorialísticos pra mim ficaram extensos demais. Waldemar Dalenogare, em sua crítica, que acabo de ver, também pensa assim. Esses monólogos certamente ficariam melhores no palco do que no cinema. Digo sempre que Literatura é construir imagens com palavras. Cinema é o inverso.

Todo o elenco está muito bem. Viola Davis está excelente, poderosa, em uma participação menor do que se poderia imaginar de tempo de tela para uma protagonista. Apenas não gostei do seu primeiro plano, achei a dublagem mal feita.

Chadwick Boseman está incrível. No início do ano, em minha primeira previsão, dava o oscar de Ator para ele por "Da 5 Bloods". Errei o filme, mas captei o momento do ator, e o momento conturbado do país. Muito difícil essa estatueta não ir para ele. Os dois são muito ajudados por estarem fisicamente muito diferentes do que estamos acostumados, extremamente bem caracterizados. Acho que o Oscar de Maquiagem e de Figurino (para a veterana Ann Roth, seu segundo, aos 90 anos, são muito prováveis).

A direção de George C. Wolfe é boa, mas não notável. É um filme de atores e palavras. Viola Davis ao ganhar seu aguardado Oscar, pediu que se "exumassem" corpos, palavras, e histórias, que o cinema geralmente não conta; a respeito dos negros, acrescento. Não conhecia essa cantora. Uma cantora de 1927, em Chicago, negra, lésbica, cheia de si.

Graças a você, ela está viva, Viola!

 

Ma Rainey's Black Bottom (Netflix) movie large poster.

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Maratona Hong Sang-soo.

Terceiro longa do diretor sul-coreano, datado de 2000, este desconhecido "A Virgem Desnudada por seus Celibatários", mesmo com essa estranha tradução, é importante para a filmografia dele. É nele em que se vê pela primeira vez algumas de suas características de hoje em dia.

Nesta obra, já temos o principal, suas repetições de situações, suas voltas, suas semelhanças. Acontecem, se bem notei, em duas oportunidades cenas idênticas. Só que não há a conexão com a metaliguística dos filmes mais à frente, suas verdadeiras obras-primas. Aqui, a repetição veio sem muito propósito cinematográfico. 

A história-base é a de uma garota virgem que se envolve com dois homens, mas sempre recalcitra na hora do sexo. Uma mulher no Filmow o resumiu perfeitamente, muito melhor do que eu: "Dar ou não dar, eis a questão?".  Sim, esse, creio deu, deve ser um dilema feminino, como perceber o cara certo, o momento certo. Mas também é uma questão de poder. Ela abusa da paciência, e confunde mentalmente os homens. Eu sinceramente achei que os dois são pessoas melhores do que ela, que inclusive para corroborar meu entendimento, chega a dizer que não sabe fazer nada. Só é bonita. 

Bom, primeiro filme em preto-e-branco do Hong Sang-soo. Depois teremos "O Dia em que Ele Chegar", "O Dia Depois", "Grass", e "Hotel By The River". Primeiro filme com uma cena de sexo mais explícito, não tanto como o último resenhado "A Mulher é o Futuro do Homem", mas ainda sim é uma cena mais ousada. Depois tais cenas desapareceriam. Encontros fortuitos, embriaguez de soju, conversas prosaicas, passeios... Está longe de ser o melhor filme dele, mas é o primeiro em que se está tudo isso. Fica o registro.

Gente, que emoção! Só falta um! Será que sou o único brasileiro a ver todos os 25 filmes dele?

A Virgem Desnudada Por Seus Celibatários - 2000 | Filmow

 

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Songbird é um razoável thriller apocalíptico que pega o vácuo do Corona, tanto que ta sendo chamado o filme da pandemia, pois mostra o mundo devastado pelo Covid-24. A crítica detonou mas eu consegui ver algo que preste nele, mas é bem pouco mesmo. Tipo o desenho de producao e a parte técnica, sempre impecavéis sendo do Michael Bay seu produtor. Mas sendo dele tem um roteiro raso feito pires, personagens mais rasos ainda e a pretensao de criar paralelismos estúpidos com a atualidade. Creio que se nao tivesse rolando tempos de pandemia eu curtisse mais, porque como filme deixa a desejar muito. Piegas demais! Curiosidade è rever a Elpidia Carillo, a mocinha do Predador do Schwarzza, hoje o pó da rabiola interpretando a avò da mocinha. 7-10

stuart pettican - Photographer - Pettican Photography | LinkedIn

 

 

Breach é a prova definitiva que desisto dos filmes do Bruce Willis de vez, a menos que ele volte á franquia Duro de Matar. PQP... arca espacial, alienígenas metamorfos, um mecânico sendo escolhido pra salvar a humanidade, etc?! Meu, isso ta longe de ser veìculo pro Willis nem em pensamento. Pior que esta bagaceira se leva a sèrio! Antes fosse filme B mas nem, è tudo meia boca e sem graca! Nao bastasse um Bruce Willis apàtico, no automático, sem um pingo do carisma que o tornou famoso. Disso se salva apenas o sempre bom coadjuvante Thomas Jane, mas nao a ponto de salvar este filme da mediocridade. Passem longe! 5-10

Critique Ciné : Breach (2020) - Critiques séries et ciné, actu - Breaking  News, ça déborde de potins

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Maratona Theodoros Angelopoulos.

Grosso modo, pode-se dividir a filmografia do diretor grego em duas grandes metades: A primeira tem uma abordagem mais histórica, e política do país durante o século XX: "Reconstituição"; "Dias de 36"; " A Viagem dos Comediantes"; "Os Caçadores"; "Megalexandre". A segunda tem uma abordagem mais intimista, individual, lírica,  incluindo a Trilogia do Silêncio, começando com "Viagem a Cítera"; "O Apicultor"; "Paisagem na Neblina"; "O Passo Suspenso da Cegonha"; "Um Olhar a cada Dia"; e "A Eternidade e um Dia". Todos já resenhados por aqui.

Depois de receber sua Palma de Ouro em Cannes, pelo filme de 1998, Angelopoulos ficou alguns anos sem filmar, preparando uma nova trilogia, que, de certa forma, conseguisse alinhavar as duas abordagens, político e individual, descritas acima. Em 2004, vem o primeiro filme, este  "Trilogia: o vale dos lamentos".

Quase três horas de duração, para contar a história de conflitos bélicos gregos no século XX, atingindo uma família. Começa em 1919, e termina em 1949, acredito. Expatriados gregos fugindo da revolução socialista, que tomava corpo em Odessa na Ucrânia, retornam ao país. Uma narração nos diz que era gente anteriormente com posses, culta, que fugia dos revolucionários. Entre eles, uma órfã. Esta menininha será adotada por uma família, e viverá um caso de amor com o irmão de criação, dando à luz a dois bebês que serão dados em adoção. O tempo passa, e o amor deles é interditado, pois ela está prometida ao seu próproio padrasto. Casa-se com o velho, mas após o casamento foge com o irmão-amante, que é músico. Eles sofrem pra caramba, são ajudados por intelectuais de esquerda, o irmão-amante arranja trabalho em bailinhos, até que é convidado para ir à América. Logo depois, estoura a Segunda Guerra, e a mulher fica sozinha.

Tragédia pouca é bobagem, né? Depois ainda vêm os sofrimentos da Guerra Civil grega...etc. 

O filme tem planos-sequência enormes, gigantescos mesmo, muito silêncio, aquela técnica assombrosa, majestosa de sempre. A duração enorme dos planos elimina qualquer traço de melodrama. Ficamos de queixo-caído com a execução, e claro, meio entediados com a vagarosidade. É um convite à reflexão. A história como fato social atinge a todos. Neste momento de pandemia que o mundo vive, não tem uma única pessoa que não esteja sofrendo. A História com H maiúsculo penetra na horizontalidade de nossa vida individual e pouco podemos fazer.

Fiquei pensando sobre isso. O vale dos lamentos é a nossa condição de vítimas da História, de algo muito maior do que podemos combater.

convergência cinefila: TRILOGIA: O VALE DOS LAMENTOS - 2004

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Destoando da grande maioria da comunidade LGBTQ+, não tenho apreço nenhum por "O Reino de Deus", primeiro longa do diretor britânico Francis Lee. "Ammonite", seu segundo longa, me pareceu melhor, mais ainda com traços daquela severidade desagradável do primeiro filme.

Com respeito a prêmios, só indicaria a Melhor Figurino para Michael O`Connor, portanto sua quarta indicação, todas mais ou menos no mesmo universo, tendo vencido por "A Duquesa". Gostei mais da atuação da Saoirse Ronan, e bem menos da performance da Kate Winslet, permanentemente com cara de brava. No entanto, parabéns para as duas atrizes na cena de sexo, feita com verdade e ousadia.

Gostei da ambientação, do cotidiano no litoral, e da metáfora com os fósseis. Se os primeiros 40 minutos são desafiadores, a cena final brilha intensamente pela sua ambiguidade e síntese. 

New Trailer and Poster released for Ammonite • Blazing Minds

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Fim da maratona Hong Sang-soo.

Maratona Hong Sang-soo.

Terminei, comme il faut; terminei com o último. "The Woman Who Ran"/ "A Mulher que Fugiu", deste ano de 2020. O filme foi premiado com o Urso de Prata de Melhor Direção em Berllim. Não era pra menos. Um filme brilhante! Não poderia estar mais contente de terminar esta maratona com mais de 20 filmes resenhados, filmes que me fizeram companhia ao longo de todo o ano, desde a busca pelas profundezas da internet até sua visualização, alguns realmente dificílimos de achar, e terminar com uma obra tão representativa de seu cinema como esta. Tão boa que está na lista de melhores filmes de 2020 de muitos críticos por aí.

É um filme curto, menos de 80 minutos. Até os 70 minutos, eu estava achando apenas ótimo. Mas os últimos 10 minutos são brilhantes, ainda mais quando você está por dentro da filmografia toda. A protagonista é a parceira do diretor, a musa Min-hee Kim (já em seu sétimo trabalho com Hong), agora de cabelo curtinho - linda de doer. Ela interpreta uma dona de floricultura, que aproveitando que o marido está em viagem de negócios, visita três amigas, ou melhor dizendo, visita propositalmente duas, e a terceira é fruto de um encontro casual.

No primeiro encontro, ela visita uma amiga que acaba de se separar do marido (um diretor de cinema), e que está morando afastada, quase em uma zona rural, com uma amiga. O cinema é feito de sutilezas. A roommate tem um aspecto meio masculino, usa camisa social masculina, assa um churrasco para o aproveitamento das duas velhas amigas, e tal. Podemos interpretar que agora formam um casal lésbico, ainda que não seja de bom tom deixar explícito isso para os coreanos. Mas voltando ao texto dito: apenas amenidades, trivialidades, aquele realismo prosaico, diuturno de sempre, quando nossa protagonista diz que nunca se separou um dia sequer de seu marido, nos 5 anos em que estão juntos. O que causa admiração. Depois serão interrompidas, por um cara idiota que implica com o gato delas.

No segundo encontro, nossa protagonista visita ujma bem-sucedida amiga, solteira, que já se estabeleceu financeiramente, tem um belo apartamento (sabemos que é belo pela oralidade, não pelo imagem), elas trocam impressões várias, e a amiga confessa que tem saído bastante, tem tido lances casuais com alguns caras, quando a protagonista diz a ela que está casada há 5 anos, e que nunca se separa um dia o marido. Até que a conversa das duas é interrompida por um amante da amiga, de personalidade stalker, que bate à porta querendo voltar.

Percebam as semelhanças da estrutura, a repetição da informação. Foi aí que já comecei a questionar: "Ué, se eles nunca se separam em tantos anos, por que dessa vez, ela está só?"; "Será verdade?". O título A Mulher que Fugiu, aparentemente, tem a ver com uma informação da primeira parte, quando a amiga diz que uma vizinha fugiu, e deixou a filha adolescente, problemática, sozinha, no condomínio. Mas foi aí que comecei a suspeitar que o título tem mais a ver é com a nossa protagonista. Por que frisar, por que repetir sempre essa informação colateral? Será ela que "fugiu" do casamento de 5 anos, para ter um dia livre?

O terceiro encontro é casual. Com uma, digamos, ex-amiga. Esta trabalha no café acoplado a um cinema, onde nossa protagonista foi ver um filme. Durante a conversa, a amiga pede perdão. Perdão por ter ficado com o ex-namorado da personagem de Min-hee Kim. Hoje eles estão casados. A amiga perdoa, diz que também está casada, e repete a história dos 5 anos de casamento juntinhos, sem um dia afastados. Ao final, ela dá de cara com o ex-namorado. E discutem. O terceiro macho escroto da vez! Vaidoso, cheio de si. Pois bem, se quisermos interpretar que a protagonista fugiu para encontrar o ex, ver como ele está...não seria desarrazoado.

Mas o que torna o filme muito especial são os últimos diálogos entre ela e a terceira amiga. A amiga diz que não gosta de ver o marido, psicólogo palestrante, na televisão pois ele se repete muito. "É absurdo como ele se repete". "Como isso pode ser sincero?", "É ridículo. É estúpido"... Não entende alguém que fala a mesma coisa sempre, e por aí vai... Pura autoironia do diretor consigo mesmo! Deliciosa autoironia! Os fãs do cinema dele poderiam ver essa repetição para sempre! Estão vendo o mesmo filme  há décadas, percebendo as semelhanças e os afastamentos.

Ainda assim, conseguiriam perceber novidades. Só neste último filme me veio a luz para os estranhos empregos de zoom, característica formal de seu cinema. É QUE NÃO TEM PLANO E CONTRA-PLANO EM UM  DIÁLOGO EM PLANO ESTÁTICO!  Só agora eu fui me dar conta disso: é uma maneira de cortar.

Um filme maduro, adulto, urbano, elegante, sutil, e brilhante.

Amei!

Terminada essa longa jornada, deste cineasta incrível, meu ranking Hong Sang-Soo termina assim:

1) "Certo Agora, Errado Antes";

2) "O Dia Depois";

3) "Na Praia à Noite Sozinha";

4) "A Mulher que Fugiu";

5) "Conto de Cinema";

6) "Você e os Seus";

7) "A Visitante Francesa";

8 ) "Montanha da Liberdade";

9 ) "Noite e Dia";

10) "Nossa Sunhi"/ "Ha Ha Ha"

 

The Woman Who Ran poster - Poster 1 - AdoroCinema

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Run é um bacanudo thriller de suspense que se vale do batido plot de "deficiente passa perrengue na própria casa", no caso, uma jovem cadeirante. É legal ver a tensao sendo construída aos poucos, ver que a mae da protagonista esconde algo sinistro e que a condicao de cadeirante dela dificulta resolver as coisas. Com elementos de Louca Obsessao e do ótimo espanhol Cuerdas, o longa é muito eficaz em manter o mistério e o suspense, nos colocando no lugar da pirralha com tao poucos elementos e uma ambientacao limitada. Bem atuado pela Sara Paulson e a pirralha, com reviravolta razoável e epìlogo de deixar sorriso estampado no rosto, eis um bom exemplar feito com orcamento merreca. 8.5-10

Saw the movie and found this out! She's such an amazing actress , and  GORGEOUS! - 9GAG


 

El Agente Topo é um filme chileno que engana a princípio, insinuando ser uma comédia pastelao sobre a terceira idade mas depois se revela um sensìvel drama documental, um quase Globo Reporter, sobre as mazelas de umgrupo de velhinhos num asilo em Santiago. Usando e abusando de metalinguagem, e com cativantes atuacoes (todas naturais) do seu elenco octagenário, a película aponta sem dó pro maior inimigo dessa faixa etária, a solidáo, misturando de forma atípica varios gêneros cinematográficos e criando algo relativamente original...sem ser piegas. A premissa é esdruxula e se tivesse sido leva a cabo por Hollywood vingaria numa comedia escrachada..sim, naquela que eu pensei que seria. 8.5-10

Votaciones de tus amigos a El agente topo (2020) - Filmaffinity

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Maratona John Cassavetes.

Sem muito tempo nesses dias, então fui com o último filme dele, curtinho, "Big Trouble"/ "Problemas em Dobro"/ "Um Grande Problema", de 1986.

O roteiro não é de John, só a direção. Que não apresenta nenhuma característica de seu cinema, nada, nem os improvisos. É uma comédia a respeito de um golpe de seguro de vida. Na verdade, uma inspiração óbvia em "Pacto de Sangue" de Billy Wilder. 

O elenco está todo bem, Alan Arkin, Beverly D`Angelo, (o amigão de Cassavetes) Peter Falk, e Charles Durning, fazendo as vezes de Edward G. Robison, como o investigador.

Nada de clima noir também, pelo contrário, é um clima de trapalhadas.

Um último filme de estúdio, bem anos 1980, claramente pra ganhar dinheiro. Três anos depois, morreria de crise hepática, aos 59 anos, deixando Gena e três filhos.

Big Trouble (1986) - IMDb

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9 hours ago, Jorge Soto said:

Run é um bacanudo thriller de suspense que se vale do batido plot de "deficiente passa perrengue na própria casa", no caso, uma jovem cadeirante. É legal ver a tensao sendo construída aos poucos, ver que a mae da protagonista esconde algo sinistro e que a condicao de cadeirante dela dificulta resolver as coisas. Com elementos de Louca Obsessao e do ótimo espanhol Cuerdas, o longa é muito eficaz em manter o mistério e o suspense, nos colocando no lugar da pirralha com tao poucos elementos e uma ambientacao limitada. Bem atuado pela Sara Paulson e a pirralha, com reviravolta razoável e epìlogo de deixar sorriso estampado no rosto, eis um bom exemplar feito com orcamento merreca. 8.5-10

Bem feitinho, mas muito formuláico.  Fiquei impressionado com a habilidadade atriz com a cadeira de rodas. Se movimentou com bastante desenvoltura. O final é bacana.

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1999 é o ano é o ano é o ano.

Um filme de David Lynch com a Disney. A parceria é a única coisa estranha, enigmática, desse lindo "Uma História Real". Um filme que tem o ritmo de um cortador de grama antigo atravessando o meio-oeste americano. A lenta viagem proporciona muitos encontros, reflexões, e um olhar detido ao povo da zona rural, mais religioso, mais caridoso, mais desconfiado.

Richard Farnsworth é - possivelmente até o ano que vem, com Hopkins no caminho -  o mais velho indicado ao Oscar na categoria de Melhor Ator, aos 79 anos. Infelizmente, ele dispararia contra si um ano depois. Uma atuação emocionante, com olhos sempre cheios de humildade, carinho, e vontade de ser perdoado.

Sissy Spacek está muito bem também, como a filha especial, mas tem pouco tempo de tela.

Linda trilha sonora de Angelo Badalamenti.

FILME : História Real (The Straight Story) | Área 15 >>> Vital Caló Fº

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