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33 minutes ago, Muviola said:

Dos anos 90, eu particularmente gosto muito de Síndrome de Stendhal, também com a deusa Asia.

 

Gente...Quem é vive sempre aparece, heim?! 

Depois você deixa aqui algumas dicas do que viu de melhor ultimamente.

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Oxygen é um bacanudo thriller scy-fy francês que mesmo se passando num cubículo de espaco o tempo todo, te prende do inicio ao fim, nos mesmos moldes de Phone Boot, Buried, Locke e tantos outros filmes do tipo. Tenso, claustrofóbico e agoniante, a gente vai descobrindo o que se passa com a infeliz protagonista conforme rola a metragem, seja por flashbacks ou pistas que vao nos sendo dadas a migalhas. Otima atuacao da Shoshana de Bastardos Inglorios neste filme redondinho que nao se furta de ser uma alegoria da pandemia com direito a reviravolta final. Surpresa da Netflix. 9-10

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Rocks é um bonito drama inglês de amadurecimento que parece ter sido feito pelo Ken Loach pelo tom de natureza social que impoe. O tema do abandono na adolescencia e a necessidade de crescer antes da hora é mostrado com forca de todo seu elenco teen de muié, todo mundo desconhecido, que parecem interpretando a si mesmas. Redondinho, o fato de ser ingles o beneficia pela pluralidade de etnias que mosstra enfurnadas num único gueto. Atentar pra trilha sonora musical, que diz muito sobre as protaonistas e do que se esta prestigiando. 8.5-10

Movie Review - Rocks (2019)

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(175)

"A Mulher na Janela" talvez tenha sido das minhas piores experiências literárias. Não sou o público alvo. Faz uns 2 anos, dei o meu exemplar para a dona da minha academia (que, lembrando Trocando em Miúdos de Chico Buarque, "nunca leu"). O filme de Joe Wright, que chegou hoje à Netflix, é fidelíssimo ao livro, não há nenhuma alteração do nível da ação, e, pior, mantém os diálogos pavorosos do livro. 

Mas o filme é um pouco melhor do que o livro. O francês Bruno Delbonnel conseguiu dar uma "lustre" no visual do filme, trazendo com cores sensações do lado de fora da casa. Achei que foi muito bem iluminado. O design de Kevin Thompson reproduz exatamente a casa, impressionante. Pra quem não leu o livro, não vai parecer nada demais, mas achei uma entrega muito competente. Já a trilha sonora de Danny Elfman não me disse nada, embora tenha tentado pegar alguns momentos de Bernard Herrmann ou Franz Waxman, de filmes de Alfred Hitchcock. É curioso, aliás, como o filme e o livro homenageiam Hitchcock (um diretor cuja obra eu não tenho tanta familiariedade assim), pois ele frequentemente adaptava livros ditos menores, mais baratinhos.

Amy Adams salva o filme de ser um constragimento total. Todo mundo a quer com um Oscar na mão, mas não por esse filme, gente. Vamos esperar um pouco, já que quando ela mais merecia nem indicada foi.

O filme, em geral, é um resumão de todas as senhas de suspense, todas as senhas dos thrillers. Um pacotão do que o público gosta, um pacotão do que vende.

Joe Weight adaptou "Reparação", "Anna Karenina", por que adaptar esse livro? Quis seguir a receita de Hitchock?

 

A Mulher na Janela poster - Foto 11 - AdoroCinema

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(176)

As pessoas em geral têm ódio de "Shakespeare in Love" ter ganhado/ comprado o Oscar. Fico a me perguntar em que filme as pessoas votariam, naquele ano de 1998, e acho que "O Resgate do Soldado Ryan" parece a principal opção. Meu voto segue imutável, no entanto, "Além da Linha Vermelha". Bom, fui rever o filme do Spielberg depois de uns 15 anos, e, nossa, o que a primeira parte tem de espetacular, a segunda parte tem de arrastada. Evitou-se a morte do Ryan, mas não a morte da história. Roteiro muito descalculado.

Os primeiros e caríssimos 27 minutos, no que tocam ao desembarque, são o melhor do filme. Mas me peguei gostando mesmo é daqueles momentos humorados típícos do Spielberg, em que um soldado joga o capacete um no outro; ou aquele do começo em que o "sortudo" soldado retira o capacete...Me lembram Indiana Jones capturando o chapéu, sabe? Esses momentos continuam funcionando...Mas o que eu amo mesmo é o soldado que atira rezando. Isso é uma dimensão a mais!

Fiquei meio abismado de ver como a cena mais importante do filme, é dizer, quando o capitão revela ao soldado por que o procuravam, é mal atuada. O Matt Damon até manda bem em outras passagens do filme, mas nesta, a meu critério, não. Não que eu quisesse uma reação dramática exagerada, não é isso, mas as decisões de olho e corpo, dele, na cena, não me convenceram. Eu, como diretor, a teria refeito. 

Lindíssima a fotografia do Janusz Kaminski, que lhe valeu seu segundo Oscar. E nem precisa falar do trabalho de Som, maravilhoso! Pena o Thomas E. Sanders ter morrido sem um Oscar, aqui com mais um trabalho espetacular de Design.

O filme foi um sucesso comercial incrível. Todo mundo só falava nele. 

Mais de vinte anos depois, tenho dúvidas se este Ryan faz valer a pena. Afinal, o personagem envelhecido leva à sepultura sua enorme família branca, com filhos e netos chorosos. Uma coisa comum: Uma família estruturada e patriótica. Oferece a descendência como prova - coisa mil vezes melhor realizada no filme anterior em "A Lista de Schindler". Por que não leva um quadro que tenha pintado? Ou uma cêramica que tenha modelado? Ou, então, melhor ainda, por que não se ajoelha sozinho na sepultura, e diz que não construiu nada, apenas sua miséria? Que teve traumas, que teve medo, que acabou desobedecendo a ordem de seu superior?

Claro, estaria exigindo do roteiro um pensamento fora da caixa. Um final não americano. Um final sem bandeira americana.

Ficheiro:Saving Private Ryan poster.jpg – Wikipédia, a enciclopédia livre

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(177)

A belga Chantal Akerman foi uma das cineastas convidadas para filmar a série de 9 filmes "Tous Les garçons et les Filles de leur âge", dos anos 1990, e o capítulo dela se chama "Retrato de uma Garota do Fim dos anos 60 em Bruxelas". Apenas uma hora de filme, mas muito eficiente.

Naquele tempo e naquela cidade precisa do título, uma adolescente de 15 anos, de saco cheio da escola, vai ao cinema, onde conhece um rapaz que abandonara o exército. Juntos, frequentam cafés, andam pela cidade, conversam sobre cinema, literatura, pais, e trocam beijos e carícias. Mas não fazem sexo. E ela adverte que não o quer.

Quem não tem olhos para ver se contenta com a sinopse, mas perde o principal. A garota nutre sentimentos lésbicos por sua melhor amiga. E tem medo/ vontade deles. O filme captura exatamente o momento em que as meninas lésbicas frequentemente passam de se verem "automaticamente" cortejadas por homens, mas querendo em segredo ir em outra direção. Lembro que uma amiga lésbica minha, lindíssima, uma deusa, cujos homens viviam no pé dela sem perceberem quem ela era de verdade, me disse uma vez: "Sérgio, eu não quero perder minha virgindade com uma mão!". Mas essa frase forte era penas sua autocontenção se manifestando. Um dia a sociedade heteronormativa vai ter consciência do mal que fazem aos adolescentes gays, ao torná-los invisíveis e medrosos. 

O filme é muito inteligente. Pegou esse momento de indecisão. Coragem e malícia, mas também muito respeito por essa personagem confusa, chata como todo adolescente, cheia de rebeldia pelo mundo e de sentimentos conflitantes.

Entendo bem.

Portrait d'une jeune fille de la fin des années 60 à Bruxelles (Film, 1994)  — CinéSéries

 

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Voltando a comentar aqui, os que mais marcaram recentemente e novas revisitas:

Eu sempre ouvira falar deste Bright Summer Day, do infelizmente morto precocemente Edward Yang e suas suntuosas 4 horas de duração. Foi uma aula:

Não tinha qualquer noção que se tratava de uma história real, logo o mergulho no inferno particular de Xiao Si'r foi uma experiência brutal.


Yang filma como se fosse um painel de Diogo Rivera, trazendo todos os aspectos macro desta Taiwan ainda em construção, com a paixão e obsessão aos EUA e temor à China. Este turbilhão é refletido neste garoto, que assim como o país, busca uma identidade própria, mas infelizmente esta busca constante por uma luz acabou cegando-o.

 

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Este ano O Pai (que ainda não consegui ver) fez sucesso ao mostrar na tela a confusão mental de seu personagem principal. Robert Altman em 1972 também fez este retrato, mas no lugar do drama de um senhor de idade com Alzheimer, aqui é um thriller com uma jovem casada esquizofrênico.

Susannah York ganhou o prêmio de Melhor Atriz em Cannes por retratar esta mulher completamente desorientada por imagens e amantes que representam passado e presente (e até futuro). Baseado em parte no livro infantil da própria York, o filme ganha uma camada a mais de desorientação ao trocar os nomes dos atores masculinos com os seus respectivos personagens (Hugh, Rene e Marcel).

Altman tendia a ser mais cerebral que seus pares americanos e isto até era visto como uma crítica, mas aqui justamente esta sua visão acrescenta muito a experiência sensorial, intensificada pelas lentes de Vilmos Zsigmond e trilha de John Williams (!!!).

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18 hours ago, Muviola said:

Voltando a comentar aqui, os que mais marcaram recentemente e novas revisitas:

Eu sempre ouvira falar deste Bright Summer Day, do infelizmente morto precocemente Edward Yang e suas suntuosas 4 horas de duração. Foi uma aula:

 

 

3 hours ago, Muviola said:

Este ano O Pai (que ainda não consegui ver) fez sucesso ao mostrar na tela a confusão mental de seu personagem principal. Robert Altman em 1972 também fez este retrato, mas no lugar do drama de um senhor de idade com Alzheimer, aqui é um thriller com uma jovem casada esquizofrênico.

Não vi nenhum deles! Obrigado pela dica, "The Father" é excelente.

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On 5/14/2021 at 4:34 PM, Jorge Soto said:

Oxygen é um bacanudo thriller scy-fy francês que mesmo se passando num cubículo de espaco o tempo todo, te prende do inicio ao fim, nos mesmos moldes de Phone Boot, Buried, Locke e tantos outros filmes do tipo. Tenso, claustrofóbico e agoniante, a gente vai descobrindo o que se passa com a infeliz protagonista conforme rola a metragem, seja por flashbacks ou pistas que vao nos sendo dadas a migalhas. Otima atuacao da Shoshana de Bastardos Inglorios neste filme redondinho que nao se furta de ser uma alegoria da pandemia com direito a reviravolta final. Surpresa da Netflix. 9-10

 

(178)

Adorei também!! Mélanie Laurent arrebentou! O filme consegue evitar situações redundantes, e nos prende o tempo todo. A cada momento eram ampliadas as suas implicações de ordem ética e biológica. Desse diretor francês, Alexandre Aja,eu só tinha visto bombas como "Piranha", e "Viagem Maldita".

Vi algumas pessoas decepcionadas com a imagem final, mas eu gostei demais.

Um adendo: O filme foi gravado durante a pandemia! Deve ter sido um dos primeiros a adicionar máscaras na narrativa.

Veja o claustrofóbico trailer de 'Oxigênio', com Melánie Laurent

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1 hour ago, SergioB. said:

(178)

Adorei também!! Mélanie Laurent arrebentou! O filme consegue evitar situações redundantes, e nos prende o tempo todo. A cada momento eram ampliadas as suas implicações de ordem ética e biológica. Desse diretor francês, Alexandre Aja,eu só tinha visto bombas Como "Piranha", e "Viagem Maldita".

Vi algumas pessoas decepcionadas com a imagem final, mas eu gostei demais.

Um adendo: O filme foi gravado durante a pandemia! Deve ter sido um dos primeiros a adicionar máscaras na narrativa.

Veja o claustrofóbico trailer de 'Oxigênio', com Melánie Laurent

Do Aja eu só assisti aquele Predadores Assassinos (Crawl no original), um Bzão muito bem-executado. 

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A sensação de assistir aos filmes do Rohmer pra mim é quase como se eu resolvesse gravar minhas sessões de terapia e quisesse revisá-las.
Não sou destas pessoas que precise me identificar com personagens e/ou situações para que me envolva com um filme. Cinema não é isso para mim.
No entanto, este senhor (centenário caso estivesse vivo) tem o poder de fazer de sua câmera um grande espelho para sua platéia.
Minha identificação pode ser tanto de um personagem específico (Conto de Verão) ou ser um verdadeiro caleidoscópio, como este Noite de Lua-Cheia.
A indecisão como elemento definidor das ações; a encruzilhada entre a segurança e a aventura; o medo da solidão e a claustrofobia de uma relação.
O eterno jogo de ação e reação.

Talvez os ciclos da Lua sejam mais decisivos nestas contradições do que eu pensava.

Screen Shot 2021-05-17 at 11.12.45.png

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On 5/15/2021 at 3:03 PM, SergioB. said:

(176)

As pessoas em geral têm ódio de "Shakespeare in Love" ter ganhado/ comprado o Oscar. Fico a me perguntar em que filme as pessoas votariam, naquele ano de 1998, e acho que "O Resgate do Soldado Ryan" parece a principal opção. Meu voto segue imutável, no entanto, "Além da Linha Vermelha". Bom, fui rever o filme do Spielberg depois de uns 15 anos, e, nossa, o que a primeira parte tem de espetacular, a segunda parte tem de arrastada. Evitou-se a morte do Ryan, mas não a morte da história. Roteiro muito descalculado.

Os primeiros e caríssimos 27 minutos, no que tocam ao desembarque, são o melhor do filme. Mas me peguei gostando mesmo é daqueles momentos humorados típícos do Spielberg, em que um soldado joga o capacete um no outro; ou aquele do começo em que o "sortudo" soldado retira o capacete...Me lembram Indiana Jones capturando o chapéu, sabe? Esses momentos continuam funcionando...Mas o que eu amo mesmo é o soldado que atira rezando. Isso é uma dimensão a mais!

Fiquei meio abismado de ver como a cena mais importante do filme, é dizer, quando o capitão revela ao soldado por que o procuravam, é mal atuada. O Matt Damon até manda bem em outras passagens do filme, mas nesta, a meu critério, não. Não que eu quisesse uma reação dramática exagerada, não é isso, mas as decisões de olho e corpo, dele, na cena, não me convenceram. Eu, como diretor, a teria refeito. 

Lindíssima a fotografia do Janusz Kaminski, que lhe valeu seu segundo Oscar. E nem precisa falar do trabalho de Som, maravilhoso! Pena o Thomas E. Sanders ter morrido sem um Oscar, aqui com mais um trabalho espetacular de Design.

O filme foi um sucesso comercial incrível. Todo mundo só falava nele. 

Mais de vinte anos depois, tenho dúvidas se este Ryan faz valer a pena. Afinal, o personagem envelhecido leva à sepultura sua enorme família branca, com filhos e netos chorosos. Uma coisa comum: Uma família estruturada e patriótica. Oferece a descendência como prova - coisa mil vezes melhor realizada no filme anterior em "A Lista de Schindler". Por que não leva um quadro que tenha pintado? Ou uma cêramica que tenha modelado? Ou, então, melhor ainda, por que não se ajoelha sozinho na sepultura, e diz que não construiu nada, apenas sua miséria? Que teve traumas, que teve medo, que acabou desobedecendo a ordem de seu superior?

Claro, estaria exigindo do roteiro um pensamento fora da caixa. Um final não americano. Um final sem bandeira americana.

Ficheiro:Saving Private Ryan poster.jpg – Wikipédia, a enciclopédia livre

O mote principal deste filme sempre me incomodou um pouco. Não gosto do comecinho e nem do final (bem pontuado por você). Mas curto o recheio: a sequencia da invasão é espetacular, tem boas interações entre os personagens e boas batalhas ao longo do filme. 

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On 5/16/2021 at 2:26 PM, SergioB. said:

 Desse diretor francês, Alexandre Aja,eu só tinha visto bombas como "Piranha", e "Viagem Maldita".

 

23 hours ago, Muviola said:

Do Aja eu só assisti aquele Predadores Assassinos (Crawl no original), um Bzão muito bem-executado. 

Assistam o primeiro filme dele, aquele que o catapultou pra Hollywood.. "Alta Tensão" (2003)... bem bao mesmo! 😁 

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1 hour ago, Jorge Soto said:

 

Assistam o primeiro filme dele, aquele que o catapultou pra Hollywood.. "Alta Tensão" (2003)... bem bao mesmo! 😁 

Esse é otimo (embora deteste a reviravolta final forçada).

Vale a pena também conferir VIAGEM MALDITA, otimo remake do clássico de Wes Craven QUADRILHA DE SÁDICOS.

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9 hours ago, Muviola said:

A sensação de assistir aos filmes do Rohmer pra mim é quase como se eu resolvesse gravar minhas sessões de terapia e quisesse revisá-las.
Não sou destas pessoas que precise me identificar com personagens e/ou situações para que me envolva com um filme. Cinema não é isso para mim.
No entanto, este senhor (centenário caso estivesse vivo) tem o poder de fazer de sua câmera um grande espelho para sua platéia.
Minha identificação pode ser tanto de um personagem específico (Conto de Verão) ou ser um verdadeiro caleidoscópio, como este Noite de Lua-Cheia.

 

Ah, bela recomendação! Este eu não vi!

Comentei há pouco tempo sobre "O Raio Verde", e fiquei de cara! Que filme maravilhoso! Como você, não levo a identificação como sinal de qualidade, mas eu me identifiquei demais com a personagem principal. Aliás, acho que sempre me identifico de uma maneira ou de outra com os personagens dele. Deve ser por que são bem escritos!

 

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(179)

Dizemos "promiscuidade" não apenas para referir a atitudes sexuais desbragadas, mas também para falarmos de certas misturas excessivas. Em "Os Pornógrafos"/ "Introdução à Antropologia", de 1966, Shohei Imamura segue mostrando o lado B da civilização japonesa, focando suas comunidades mais baixas, e os instintos mais primitivos.

Seguindo a linha de "Todos Porcos" (mas sem trilha sonora!), mais uma vez temos uma vila, onde casinhas se amontoam, onde os ambientes são fechados, quentes, lotados de objetos, onde impera uma selvageria de relações. Uma viúva jovem tem um relacionamento com um senhor que vende material pornográfico, filmes e fotos ilegais, bem como alicia jovens virgens para velhos senhores. A mãe mora com seu filho adolescente, e tem uma relação estranha com ele, em que os dois se apalpam incestuosamente, enquantro sua filha, também jovem é alvo da luxúria do quase-padrasto.

A promiscuidade não é só o incesto, o sexo fora do casamento, o aborto, o voyeurismo, algus dos temas do filme, mas a promiscuidade está em tudo, no amontoamento dos corpos dentro da casa, nos cubículos sem privacidade, no fato de um roubarem um dos outros, e viverem sempre atrás de grana para seus desejos. O Japão plácido, terno, das cerejeiras, encontra em Imamura o esgoto, o suor, e o gozo. Sem a instalação da moral, o que chamamos de "promiscuidade" é apenas a natureza acontecendo, como resssalta um personagem, defendendo que nos primórdios havia sexo entre os seus.

Imagino, no entanto, o choque que esse filme causou na época! Em determinada cena, meu queixo caiu. O protagonista ao filmar um pornô alicia uma jovem com deficiências mentais, e quando ouve alguma advertência velada, pergunta: "Segue sendo uma mulher, não?". 

Este tipo de choque, no entanto, não é gratuito, nem violento. Tem um quê de humor. O filme todo é bem humorado. Melhor, reina uma mordacidade. Ao longo do filme, percebemos que o cineasta é impotente. E ao final ele estará empenhado em criar uma espécie de boneca, "que não lhe peça dinheiro".

A identificação dos seres humanos com os animais, presente em todos os filmes dele que eu já vi, aqui chega ao ápice com o animal doméstico da viúva ser uma carpa, que incorpora o espírito de seu ex-marido. Uma carpa como pet. Décadas depois, uma enguia.

Mestre é pouco. 

Os Pornógrafos: Introdução à Antropologia - 12 de Março de 1966 | Filmow

 

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Cidade Ardente (City Heat, Dir.: Richard Benjamin, 1984) 2/4

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No fim dos anos 1970/começo dos 1980, tanto Clint Eastwood tinha feito sucesso com Doido pra Brigar Louco pra Amar, como o Burt Reynolds com a série Agarra-me se Puderes. Os dois filmes tinham suas semelhanças (ambos eram comédias road-movies com perseguição policial - fizeram sucesso e ganharam sequels), então quando colocaram os dois juntos, estranho não terem tentando fazer um filme semelhante, meio que crossover dos outros 2 filmes. Em vez disso, fizeram essa comédia que se passa nos anos 1930, com o Clint fazendo um policial mal encarado, e quase como um coadjuvante de luxo, com uma história mais focada no personagem do Burt, que era um detetive fanfarrão, e assim ele fazendo as maiores gracinhas. É uma boa comédia, que se assiste sem maiores problemas.

 

O Feiticeiro (The Wiz, Dir.: Sidney Lumet, 1978) 2/4

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Esse filme passava na Globo nos anos 80 com o título 'O Mágico Inesquecível'. É um remake/homenagem de 'O Mágico de Oz', mas com astros da música negra americana como a Diana Ross como Dorothy e Michael Jackson como o espantalho, só pra citar esses 2. Lembro dele quando pequeno, mas nem sei se cheguei a assistir, ou só vi a propaganda na TV. É um filme que ficou perdido na memória de alguma forma. Vendo hoje, não sei se funciona pra crianças, e acho que tem que assistir O Mágico de Oz antes pra ter uma ideia melhor da história/personagens (o Homem de Lata coitado, quase não tem função no filme, não sabemos onde ele conseguiu o coração nessa jornada, ao contrário do que rolou com Leão e  o Espantalho que tiveram seus momentos). Gosto da parte técnica, é bem interessante os cenários do Mágico de Oz só que agora em NY, e também as danças, músicas e coreografias em cima desse cenário. 

 

A Mulher na Janela (The Woman in teh Window, Dir.: Joe Wright, 2021) 1/4

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É um suspense 'Lifetime' com elenco estrelar. Era pra ser uma homenagem a Janela Indiscreta do Hitch, mas em algum momento a homenagem diluiu, e só sobrou um clone sem graça. Amy é uma ótima atriz e eleva isso aqui um pouco, mas acho que ela tem que começar a achar filmes melhores pra fazer.

 

Oxigênio (Oxygen, Dir.: Alexandre Aja, 2021) 4/4

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Um ótimo sci-fi usando o tema de 'pessoa presa dentro de uma caixa'. Complicado dar vida a um filme assim (ainda mais que tema já foi bem explorado), mas tudo funciona bem. Gostei de tudo.

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(180)

Na expectativa  por "A Hero", vi o terceiro longa do iraniano Asghar Farhadi, "Fireworks Wednesday", de 2006. E foi um alívio, pois o último filme que vi dele, "Dancing in the Dust", de 2003, me foi uma experiência odiosa. Este é muito bom, quase um prelúdio para "A Separação". Mais intrigas de casal, vejam só, e mais questões de apartamentos...

Uma jovem prestes a se casar vai trabalhar em um apartamento como diarista, e logo percebe que o marido e a esposa estão vivendo uma crise, às vésperas de se mudarem para Dubai. Descobrimos que a esposa sente um ciúme louco do marido, e desconfia, meio sem motivos, que ele tem uma caso com a vizinha. Logo, ela colocará a diarista para fazer uma pequena investigação.

Um enredo de fotonovela, uma ponte México-Irã, mas que vai nos revelando aos poucos o machismo presente na sociedade iraniana, a posição subalterna da mulher - dependente emocional, vítima das tradições. Pode-se achar o filme meio chato até uns 45 minutos, mas depois a coisa engrena. O final é muito bom.

Fica a pergunta de um solteiro: Quem gostaria de casar depois de testemunhar de perto o casamento alheio?

 

Perski Nowy Rok (2006) - Filmweb

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Há duas coisas que me parecem perpassar pelas obras de Rohmer: acaso e flerte. Um leva ao outro.

Jean Louis Trintignant faz um engenheiro de 34 anos, recém-chegado de uma temporada no exterior. Católico, frequenta uma igreja em que há uma jovem estudante do qual fica atraído. Ele se decide que quer casar com ela, afinal representa seu padrão: bela, católica e virginal. No entanto, o acaso faz com que ele trombe com um antigo amigo, marxista e filósofo, que o leva a uma noite na casa da ex-amante, Maud. Ela é o oposto da jovem católica: divorciada, mãe, ateia e que transa casualmente. Como um bom Rohmer, há o encontro, há as discussões (Pascal e correntes religiosas), há o flerte, mas nem sempre há o gozo. Novamente ele trata das inseguranças das próprias convicções.  

Imagino também o quão entediado que Rohmer ficaria das relações do século XXI, em que você parece já saber de tudo sobre o outro; ou então, busca-se apenas o comodismo e segurança de estar na bolha.
Não há o espaço para conhecer alguém completamente novo; não há espaço para o choque de ideias e moral. E nada mais tentador do que ir contra os próprios dogmas.

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(181)

"N`um vou nem falar nada!!!"

F I N A L M E N T E !!

Fiquei anos a procura de "Nénette et Boni", filme de 1996 da francesa Claire Denis, e posso dizer que a demora valeu a pena. Estou apaixonado! Melhor filme dela, para mim, acho que superou "Bom Trabalho". Ual!

O filme trata da reaproximação emocional entre dois irmãos adolescentes que cresceram separados, um com o pai, outro com a mãe, após o divórcio. A mãe morre, o garoto está sozinho sem muita grana. O pai, um escroque, deixa a menina em um internato. E com mais um problema a caminho...

Se pensamos em cinema de fluxo, pensa-se em Claire Denis. Um realismo desvinculado da literatura ou do teatro, é dizer, sem muito texto, mas tentando entender o tempo, o espaço, e os corpos, de uma maneira diferente, mais sensorial.  Boni, o garoto, está apaixonado pela mulher do padeiro. A cena em que ele, um pizzaiolo, abre e estica a massa, pensando em fazer sexo com ela, é in-crí-vel, sensualíssima. Mais uma cena para o rol de filmes misturando sexo e comida! Em relação a garota, Nénette, há menos desenvolvimento, mas ela tem uma cena muito boa também. Há uma sutil energia incestuosa entre os dois irmãos, mas depois essa energia, penso eu, vai virando uma intimidade mais fraternal mesmo, quando eles passam a viver juntos, construindo a dois uma família que não puderam ser.

A montagem e a fotografia deste filme são esplêndidas. Os corpos dos jovens são mostrados de maneira muito íntima, quase de maneira intrusiva, com a câmera colada nos rostos, ou em suas barrigas, ou no cabelo cachaeado da menina...É como se não pudéssemos mais fugir deles! Seja da excitação sexual do rapaz, seja dos desafios físicos da garota. 

No elenco, ainda há Valeria Bruni Tedeschi e Vincent Gallo, como os donos da padaria, que despertam o desejo no bairro, com seus produtos e com seus rostos risonhos, oferecidos.

Amei!

Meu ranking Claire Denis, portanto, se modifica:

1) "Nénette et Boni";

2) "Bom Trabalho";

3) "Deixe a Luz do Sol Entrar";

4) "Minha Terra, África";

5) "High Life"

 

 
Nénette et Boni - Filme 1996 - AdoroCinema
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Minhas Férias com Patrick é um bizonho (porém divertido) road movie a pé, do naipe de Livre ou na Natureza Selvagem, mas é tocado na comédia sussa. A atriz é muito boa e sua atuacao, espontanea ate o sabugo da unha, carregaria o filme nas costas nao fosse o animal que empresta seu nome ao titulo, um simpático burrinho. É uma comédia francesa bem comedida, porém bem legal, que no fundo fala que as vezes precisamos cuidar de nós mesmos que dos outros. Enxuta, uma boa pedida alto astral embora nao seja recomendada pra molecada... 8-10

L'Express : En l'absence de blockbusters hollywoodiens, le cinéma français  vit sa meilleure vie

 

 

A Família Mitchell e a Revolta das Máquinas é uma agradável animacao que peguei pra agradar a patroa, que curte muito esse tipo de filme. Eu nao sou muito chegado e claro que me fiei dos coments da galera daqui, em especial do post do grande @SergioB. (valeu, mermão!) que me convenceu a baixar esse trem pra ela. Valeu a pena, pois embora eu tenha dormindo nos finalmentes a patroa aaaaamou😂. Bem, nao posso falar muito do filme porque nao peguei o final, mas se a muié curtiu entao ta valendo. Forum do C&C é tambem servico de utilidade pública.... 8-10

A Família Mitchell e a Revolta das Máquinas': Nova animação da Netflix  ganha pôster hilário; Confira! | CinePOP

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20 hours ago, Jorge Soto said:

 

A Família Mitchell e a Revolta das Máquinas é uma agradável animacao que peguei pra agradar a patroa, que curte muito esse tipo de filme. Eu nao sou muito chegado e claro que me fiei dos coments da galera daqui, em especial do post do grande @SergioB. (valeu, mermão!) que me convenceu a baixar esse trem pra ela. Valeu a pena, pois embora eu tenha dormindo nos finalmentes a patroa aaaaamou😂. Bem, nao posso falar muito do filme porque nao peguei o final, mas se a muié curtiu entao ta valendo. Forum do C&C é tambem servico de utilidade pública.... 8-10

 

Que bom que ela gostou! Aliás, sua digníssima parece gostar dos mesmos filmes que eu (Vide, "Me Chame Pelo Seu Nome", que você já não curtiu tanto, e outros). 

A Pixar que se cuide pois a Sony com esse filme parece no caminho para conquistar o próximo Oscar de Animação. 

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(182)

Fui com esse terceiro filme de Michelangelo Antonioni, "Os Vencidos", de 1953. Um filme estruturado em três episódios, passando-se na França, na Itália, e na Inglaterra, nas linguas respectivas. Os episódios foram todos baseados em casos criminais reais, que chamaram a atenção dos jornais europeus da época. Três crimes, cujos autores foram jovens/jovens adultos. Ao ler alguns comentários pela internet, aprendo que o filme chegou a ser censurado na Itália e na França, e completamente proibido na Inglaterra. 

O diretor abre o filme exibindo notícias de jornais, e uma voz alerta didaticamente para a geração de jovens do pós-guerra, que está perdida, com valores errados, etc...Parece um informe educativo. Diz que os crimes não estão sendo cometidos por necessidades sociais, mas por capricho, por auto-afirmação de indivíduos da classe média.

A primeira história, francesa, é muito boa. Um grupo de amigos adolescentes mata um companheiro, por inveja, por que ele está em vias de se mudar para os Estados Unidos - ele que se gaba de sua beleza, de suas boas roupas, de viver com o dinheiro fácil. 

Na história italiana, um jovem de classe média alta vive a emoção de ser também um contrabandista de cigarros. Ao ser flagrado em uma operação policial, mata o homem da lei e foge pela noite, pelos barrancos, pela mata. É o que achei mais parecido esteticamente com o que Antonioni faria no futuro, é o mais silencioso, o mais enigmático. 

O terceiro, passado na Inglaterra, realmente, parece uma semente de "Blow-Up". Um poeta que liga para um jornalista revelando que descobriu o cadáver de uma mulher, para, aos poucos, assumir que foi ele quem a matou. Mata para angariar atenção midiática. Cabe dizer que o ator parece um cara de 30 anos, não exatamente um jovem.

Um ponto em comum é que a execução dos crimes acontecem no extra campo. Evitar chocar demais as plateias? Ou respeito pelas famílias das vítimas, já que baseado em casos reais?

"Os Vencidos" é muito bom filme, mas convencional. Há bons enquadramentos, mas nada daqueles instantes absolutamente deslumbrantes dos filmes dele dos anos 1960. Muito menos há a pensata sobre a incomunicabilidade, e que tais.

No filme essa geração pós-guerra é chamada de "Geração Queimada". Queimada, perdida, "nutella", como se depreciar o que não se entende?

Os Vencidos - 1953 | Filmow

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Vi agorinha o maravilhoso "Sonatine" ou, no engano-bobo título brasileiro, "Adrenalina Máxima", de 1993, do mestre Takeshi Kitano. 

Ao final, pensei em quanta preguiça me dá saber que Scorsese está às voltas (mas, não se enganem, só vem à lume no ano que vem)  com outro filme sobre o universo gângster! É que os anos 1990 começaram uma tendência de renovar, desmistificar, desglamourizar, esse universo de filmes, seja com "Cães de aluguel", mas também do outro lado do mundo, com este "Sonatine". 

Se em Tarantino os bandidos falam de música e filmes, ou de sanduíches, bem como dançam, numa pegada pop; aqui o bando está na praia, fazendo tiro ao prato com frisbee, treinando sumô na areia, ensaboando-se na chuva, fazendo mil patetices na orla, trajados com camisas hawaianas...Curtindo as férias adoidado...

É que o líder da prova, Kitano em excepcional interpretação, é um gângster veterano, prestes a se aposentar, com aquele semblante de quem já viu muitas mortes, e tudo lhe é indiferente, mesmo o amor que lhe chega inesperadamente. Há comédia, mas há uma resignação em seu semblante. O riso vem do contato com os jovens do bando, garotos bobos que o renovam; a seriedade vem do enfrentamento com os velhos amigos de bando, que o traem.

Os momentos de violência acontecem sem aviso, num susto. As vítimas caem sem alvoroço, sem drama, sem espalhafato. Ninguém chora por elas. Nem ele pelos seus. O mundo é como é.

A trilha sonora excelente é de Joe Hisaishi, compositor de filmes de Hayao Miyazaki.

O final é incrível. Sabe tudo!

Adrenalina Máxima - 5 de Junho de 1993 | Filmow

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Como achar A Cura quando não se conhece a doença?

Estamos a uma fagulha de termos sensações e emoções que nos pareciam desconhecidas. E invariavelmente ficamos aterrorizados quando descobrimos o que somos de verdade e que, sim, podemos ser monstros. Por isto, há quase uma escolha (intencional) de se esconder de verdade de si mesmo.

O detetive Takabe investiga os assassinatos seriais causados por uma aparente força sinistra, mas afinal "como saber de verdade o que causa um assassinato?", cita o psiquiatra acompanhante. Takabe caça um monstro, mas ele também é um fugitivo. Foge de sua esposa, de suas responsabilidades e principalmente de si mesmo.

E encontra Mamiya, este jovem que tem plena consciência de quem é e do que os outros almejam ser.

E Kurosawa age como o próprio Mamiya, hipnotiza e confunde com sua mise-en-cene e sonografia, mas principalmente assusta, porque ele tem a chave desta verdadeira Caixa de Pandora que é a mente humana 

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