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Forum Cinema em Cena

O Que Você Anda Vendo e Comentando?


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Godard fez este "2 ou 3 Coisas que sei sobre você" enquanto filmava "Made in USA" e, mais do que tudo, estava nos momentos finais de seu casamento com Anna Karina.

Apesar de não ser tão explícito na observação de "crise no relacionamento", tal qual em "O Desprezo", Godard demonstra sim uma profunda melancolia nos pensamentos que faz sobre o universo e o desconhecido, além de questionar o que seria amar e viver. Óbvio que mescla isso com sua constante provocação à linguagem e aqui com um foco maior ao culto à objetificação na sociedade.

Não considero meu favorito, mas sempre há momentos de inspiração que me fazem falar "fdp!"

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Te Peguei (Tag, Dir.: Jeff Tomsic, 2018) 2/4

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Comédia de 2018 que não sabia da existência até fds passado. O melhor, com certeza, é o elenco que está, nitidamente, se divertindo bastante.  Baseado num caso real de grupo de amigos que mesmo depois de adultos ainda brincam de 'pega pega' (por aqui se chama assim, pelo que me lembre), com vários deles criando armadilhas pra pega o outro (nas créditos finais é mostrado muita coisa que eles gravaram). Aqui no filme, o problema é que um deles é invicto, nunca conseguiram pegar o cara, daí vai grupo ir atrás dele enquanto esse está se casando. Talvez não renda tudo que possa  render, mas tem muitas situações bem divertidas.  

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(221)

De madrugada, "E não Sobrou Nenhum"/ "O Caso dos Dez Negrinhos"/ "O Vingador Invisível", de 1945.

Bom, quando eu tinha lá meus 11, 12 anos, eu devo ter lido mais de vinte obras da Agatha Christie, "O Caso dos Dez Negrinhos", neste título que apavora o politicamente correto, embora fosse muito estimado por todos, nunca esteve no meu top 3, que sempre, sempre, sempre, foi encabeçada por "O Assassinato de Roger Ackroyd". É que a forma das mortes e o destino de todos já estavam dados desde o início, o que é o lance original do livro. 

Nesta adaptação de 1945, tudo vai bastante fiel, até o final. Fiquei meio surpreso por terem alterado o desfecho, dando um tom menos trágico à história, e, principalmente, dando vivas aos piores personagens, se bem me recordo. Estranho escrever personagem, são mais "tipos". O ser humano é uma máscara limitada para Agatha Christie.

Adoro o Barry Fiztgerald. Grande ator. Que, aliás, ganharia o Oscar naquele preciso ano pela chato "O Bom Pastor".

 

Pictures & Photos from And Then There Were None (1945) | Agatha christie,  Then there were none, Agatha christie books

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(222)

"Luca" é a nova animação da Pixar, que chegou tocando trombetas a respeito de diversidade, até de ordem sexual, e entrega ...

...Um filme muito infantil. De criança, no argumento. Belíssimo no que toca a arte, mas a história em si é muito pequenininha; o conflito é muito tênue. O vilão, que é frequentemente o responsável pelo carisma das animações, aqui é só uma criança "má", um covardão "buller". 

O destaque positivo fica por conta da ambientação italiana. Mas é pouco. Os adultos pescarão elementos visuais de "Roman Holiday" e até de "Call me By Your Name", mas os excessivos clichês culturais atrapalharão qualquer atração mais intelectual.

Nem sei se chega no Oscar de 2022, já que a temporada nesta categoria será muito forte.

Ficheiro:Luca poster.png – Wikipédia, a enciclopédia livre

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The Retreat é um survival fraquinho, fraquinho cujo único diferencial é ter um casal de muié como isca da vez. A intencão de representatividade é boa mas o filme deia muito a desejar naquilo que se propõe. Pra frisar bem isso os assassinos, que parecem saídos do melhorzinho Hostel, matam apenas homossexuais. Fraco no roteiro e nas idéias, resta apenas as boas e empenhadas performances do casal principal e das lindas paisagens naturais e só. Nem gore decente tem, e isso é falha grave neste tipo de filme. 7-10

The Retreat - casal queer é perseguido por extremistas - trailer – Lugar  Nenhum

 

Spontaneous por sua vez é um simpático terrir romântico teen (existe isso?) que resumidamente é um alegoria da ansiedade adolescente nestes tempos de pandemia. Aqui o plot é bem trash - jovens do nada comecam literalmente a explodir feito o bacanudo Scanners - e isso dá margem a releituras do "saber curtir a vida", etc e tal.. Inventivo nesse quesito e dinâmico feito videoclipe, gore bacana, trilha animada, as atuacões sao sinceras e convincentes, com direito a sermão final esfregado no rosto. Tem defeitos, mas valeu a visita. 8,5-10

Spontaneous.jpg

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Eu até recentemente tinha uma mancha vergonhosa na minha vida cinéfila, que era de ter visto quase nada de Claire Denis. Estou tirando o atraso aos poucos. Hoje foi a vez de ver sua estréia, Chocolat. 

De traços biográficos, é a memória de uma garota que volta ao Camarões, país no qual passou parte de sua infância, ainda uma colônia da França (por sinal, seu nome é France). Claire Denis insere já neste ponto-de-vista infantil traços da observadora externa que se tornou de relações de poder entre raças e da política do corpo masculino. Estes dois pontos se cruzam principalmente no criado Protée, um belíssimo Isaach de Bankolé. Ele é a força magnética que atrai olhares de carinho, paternalismo, exploração, desejo, ódio e inveja, emoções estas que servem praticamente como metonímia do imperialismo europeu no continente. 

Aqui ainda é um pouco mais episódico e menos sensorial que suas posteriores obras-prima, mas já dava pra ter noção que surgia um olhar que fugia de lugares-comuns. 

Chocolatposter1988.jpeg

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(223)

Nos últimos anos, só tenho elogios ao Spike Lee. Os filmes dele crescem para mim. "O Plano Perfeito", o verdadeiro, o de 2006, é uma delícia como entretenimento. Fora o absoluto show da montagem do inglês Barry Alexander Brown, temos muita ironia criativa desde a escalação dos atores. E não sei se as pessoas percebem que muito da riqueza desse filme é pré-filme, é desde a escolha do elenco.

Tipo, o afro-americano é o homem da Lei, o mocinho; que tenta prender os ladrões brancos, com a ajuda de outros negros, ou de imigrantes albanêses; o refém mais destacado é um Silk ( que é confundido pelos brancos como árabe, e, portanto, quase vai preso); enquanto o proprietário do banco é o maior escroque de todos...É quem roubou primeiro...Ou seja, o cara faz um policialzão, bom pra caramba, que o público gosta e está acostumado a ver, mas com seu olhar social desmitificador ligado, ligadíssimo.

Meu ranking Spike Lee é assim:

1) Faça a Coisa Certa;

2) Infiltrado na Klan;

3) Ela Quer Tudo;

4) Malcom X;

5) O Plano Perfeito

O Plano Perfeito: Fotos e Pôster - AdoroCinema

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(224)

Depois da sova que tomamos dos russos no vôlei hoje, assisti a outra sova russa, mas de cinema, É "Agonia Rasputim", de 1981, um longa difícil e exigente, do grande, do enorme, Elem Klimov.

Confesso quer tive de dar um google. É que essa biografia do monge/charlatão/hipnotizador/influenciador político da Rússia Czarista não é das mais didáticas. Ou então eu que era ignorante mesmo. O diretor aproveita seu passado de documentarista e incorpora à sua ficção várias imagens raras e também fotografias raras, do fim do século XIX ao começo do Século XX, pré-Revolução, principamente no início, o que nos ajuda a contextualizar as situações.

O Império Russo passava por tantas e tantas conflagrações sociais: fome, desigualdade social opressiva, confitos miltares com o Japão, ou conflitos internos, centenas de movimentos grevistas, revoltas sociais, revoltas prisionais. É nesse cenário que emerge a figura estranhíssima de Rasputin, como um conselheiro religioso, um adivinho, mas também um hábil conselheiro político. Ele cura o filho do Czar, se bem entendi, que sofria de males associados a Hemofilia, e ganha a simpatia das mulheres da Corte. Porém, sua faceta libertina, de predador sexual, de consumidor voraz de bebida, fora seu semblante tenebroso, causa pavor em certas alas do Império, cujo líder, o Czar Nicolau, em meio ao turbilhaõ social, só fazia caçar. Os políticos ao redor então tomam a iniciativa de matá-lo.

Resumi bem resumido, mas isso nem importa tanto, embora tenha sido muito bom conhecer mais. O que importa é o talento para compor os planos. Ual! Cada cena é um delírio! O ator incorporou a figura, em um banho de atuação. Muita energia, com muita dramaturgia teatral bem potente, nada realista, contrapondo-se assim com as imagens documentais.

Não é uma obra-prima como "Vá e Veja", mas é muito bom. Um alerta último: Exige demais do espectador. Como um saque russo. Como um ataque russo. Um bloqueio russo. É preciso estar preparado.

Agonia Rasputin - 1981 | Filmow

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(225)

Na Netflix está o documentário "Um Filme de Cinema", de 2017, do grande Fotógrafo, e diretor bissexto, Walter Carvalho. Pra quem curte cinema, é obrigatório, uma aula. Contando com depoimentos inteligentíssimos de gente como Lucrecia Martel, Jia Zhangke, Béla Taar, Júlio Bressane, Héctor Babenco, Asghar Farhadi, Gus Van Sant, entre outros maiorais, colhidos em instantes diferentes, em anos diferentes. Tais cineastas respondem a perguntas filosóficas sobre o cinema em si, a saber: O que é o plano, qual o tempo ideal do plano, a função do som, por que filmar...

Béla Taar, Lucrecia Martel, Júlio Bressane, e Jia Zhangke, particularmente, arrasam. Já Ken Loach me decepcionou em sua participação, ligando o drama a Shakespeare (Ora, jogou fora cerca de mil anos de teatro grego), numa patriotada, bem ao estilo inglês de se considerarem o centro do mundo, em qualquer assunto.

Os depoimentos são pontuados por cenas de filmes muito bem escolhidas, desde a travessia na ventania em "O Cavalo de Turim", até a emoção insegurável de "Cinema Paradiso". 

Amei ver Jia Zhangke explicando por que prefere o plano longo, e ligando isso a "democracia", por conferir liberdade maior aos atores. Sim, um chinês percebeu isso, quem melhor? Maravilhoso ver a Lucrecia Martel falando em "atmosfera" no cinema, mostrando por que uma narrativa não deve ser uma flecha para frente.

Olha, pra quem é cinéfilo, um doc imperdível.

Pra quem é público ocasional, entretanto, pode ser chato, pois é muitas vezes técnico e autorreferente.

Um Filme de Cinema - 2014 | Filmow

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The Man in a Hat é uma curiosa comédia britânica que parece filme mudo... sim, o personagem principal (e os demais) não dá um pio e tudo se resume a imagem, gestos expressões. Imediatamente lembrei de O Artista, mas a pegada ta mais pra Mr Bean sem gags. É um filme duro de digerir, mas se você embarcar neste curioso road movie vai ter pano pra manga pra dissecar semioticamente cada cena pois ele dá margem pra isso. A atuacão do cara principal ta muito boa, e mesmo sem abrir a boca a gente reconhece que ta muito melhor que como Lobo da Estepe, vilão de Liga da Justica. Vale a visita pois é um indie emocionante que não é pra qualquer um. 8-10

Been To The Movies: The Man In The Hat - New Poster and Trailer - Starring  Ciarán Hinds


 

The F**k-It List por sua vez é uma comédia teen ianque que reverbera o clássico Curtindo a Vida Adoidado em tempos online de rede social, mas curiosamente não tem o mesmo charme e carisma que a tradicional matinê de Sessão da Tarde. É legalzinho e dá pra assistir, mas parece que o protagonista principal não sabe que é o ator principal, manja? Fora os atores desconhecidos no automático (dos quais o único que reconheci foi o gordinho de Stand by Me), o filme nao tem o dinamismo que este tipo de producão requer, até a trilha sonora é frouxa. Bem, quicá eu não seja seu público-alvo mas não me fisgou a ponto de querer rever depois, feito o crássico do John Hughes. 8-10

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(226)

Influenciado pelo doc de ontem, fui atrás do primeiro filme de Béla Tarr, feito em 1977, mas creditado como 1979, "Ninho Familiar". É uma estreia em preto e branco, como muitos de seus melhores filmes. Mas se parece tematicamente com outro dele, posterior, em cores, "Almanaque de Outono". Por parecido, ser rodado em um apartamento, retratando um lar sem afeto.

Uma família de 8 membros, vive junta em um pequeno apartamento na Hungria socialista. A esposa de um dos filhos vive atormentada pelo sogro aka "pior pessoa do universo". O sogro a repreende à mesa, mete-se na educação da neta, reclama das contas, suspeita de sua fidelidade, trata mal aos amigos dela, enfim, cria um inferno. A nora, a protagonista, deseja uma casa para ela, o esposo e a filha, e está disposta a fazer de tudo para consegui-la. Endividar-se, ocupar uma vivenda abandonada, viver sem teto, sem chão, tudo, mas sair dali. Uma de suas estratégias é conseguir uma moradia junto ao generoso governo popular. Porém, aí está a riqueza do filme como tema: a economia socialista mata os empreendimentos imobiliários. Não há investimento, não há mercado. A fila para conseguir um teto via assistência social é gigantesca. Esta é uma das bençãos do socialismo, como vê-se em Cuba, hoje: gerações e gerações vivendo no mesmo lugar. 

O filme é praticamente todo feito em closes, ou primeiros planos, o que ajuda na sensação de sufocamento. A enorme família se atropela nos espaços. Queixas e críticas se amontoam. E o curioso é que as iniquidades de caráter também estão comungadas. Os filhos se mostram tão escrotos como o pai, ou tão inertes quanto a mãe.

Esteticamente, é uma estreia bem diferente dos últimos filmes do húngaro, que o celebrizariam, de planos longos e silenciosos. Mas nem por isso deixa de ser ótimo.

Quem casa quer casa; diz o ditado.

 Só se há casas.

Ninho Familiar - 25 de Janeiro de 1979 | Filmow

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Após uma das noites mais catárticas rticas de nossa política recente, fui ver este que é um dos primeiros documentários de Werner Herzog.

Fata Morgana é o efeito ótico causado por uma inversão térmica. No entanto, esta miragem é apenas um ponto de partida pra ele tratar da relação homem-natureza, separada em três partes: i. Criação, que trata da intervenção divina, com imagens impressionistas e narração poética de Lotte Escreiner; ii. Paraíso, a entrada humana e o conflito entre narração poética e imagens de pobreza e morte, embaladas pela música de Leonard Cohen; iii. The Golden Age, a reconciliação. Homem e Mulher se complementam harmonicamente e ambos aceitam o que a Natureza é. 

O resultado é um pouco irregular, mas me trouxe ecos do que Koyanisqaatsi e uma parte do cinema de Terrence Malick discutiram posteriormente.

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15 hours ago, Muviola said:

Após uma das noites mais catárticas rticas de nossa política recente, fui ver este que é um dos primeiros documentários de Werner Herzog.

Fata Morgana é o efeito ótico causado por uma inversão térmica. No entanto, esta miragem é apenas um ponto de partida pra ele tratar da relação homem-natureza, separada em três partes: i. Criação, que trata da intervenção divina, com imagens impressionistas e narração poética de Lotte Escreiner; ii. Paraíso, a entrada humana e o conflito entre narração poética e imagens de pobreza e morte, embaladas pela música de Leonard Cohen; iii. The Golden Age, a reconciliação. Homem e Mulher se complementam harmonicamente e ambos aceitam o que a Natureza é. 

O resultado é um pouco irregular, mas me trouxe ecos do que Koyanisqaatsi e uma parte do cinema de Terrence Malick discutiram posteriormente.

 

 

Vi este intrigante doc em outubro. Meu comentário:

"Fata Morgana é um documentário de Werner Herzog, de 1971, bastante curioso enquanto forma.

Uma narração do mito da criação maia, o Popo Vuh, é sobreposta à imagens do deserto do Saara, em sua porção do norte da República Centro-Africana, e também em Camarões. Ou seja, imagens do universo sem o homem, pré-civilização, quando a terra, com sua força, expulsou a água e o ar, diz o texto. Dunas, areia, ondas de calor, emolduram as palavras míticas. Aos poucos vão aparecendo sinais do homem (carcaças de tanques, ou de pequenos aviões, ou torres de petróleo). Depois aparecem imagens dos sofridos animais. Então o filme entra em uma segunda parte, enfocando as populações do deserto, seus nômades, seus caçadores...  E depois há uma terceira parte, já em uma região mais estruturada, no qual aparecem imagens aleatórias de um homem tocando piano, ou de um mergulhador em um parque marinho, simbolizando, a meu ver, a "conquista" do homem daquele espaço africano.

Bom, eis aqui um dos primeiros exemplos de Herzog mostrando a relação homem-natureza. Mas o grande diferencial do doc para mim é como o diretor conseguiu comparar o "realismo" próprio do documentário com as miragens - o tal efeito fata morgana - ocasionado pela inversão térmica. Isso fica claro desde o princípio, quando o espectador assiste a 8 aterrissagens de aviões. As imagens nos vêm tremelicando, sem nitidez. Sabemos, por experiência, é dizer, com o cérebro, que trata-se de um avião pousando em uma pista quente, mas não estamos vendo, é dizer, com os olhos, aquilo nitidamente. É realismo, ou apenas uma miragem? Nosso ato de ver, sob certas circunstâncias, fica distorcido.

Assim como beduínos, ou aventureiros perdidos, enxergavam um lago no meio da areia; depois de assistirmos a essa obra, fica a pergunta: é isto um documentário, ou é uma miragem de um filme?

Seleção musical de  Mozart, Händel, e Leonard Cohen. "

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(227)

Produzido em 1981, censurado, e só lançado em 1987, "Sorte Cega" é um excelente filme de Krzystof Kieslowski. Aborda tantas questões políticas e existenciais que tenho até receio de falar apenas de uma das facetas do filme, e assim diminuí-lo. No básico, é um filme que imagina três destinos diferentes para seu protagonista.

Pra começar, uma minibriografia, na qual conhecemos rapidamente o protagonista criança, sendo um bom aluno, despedindo-se do melhor amigo, tendo um primeiro amor...Depois, o filme pula para ele enquanto adulto jovem, estudante de medicina, em uma aula de anatomia, onde se está abrindo um cadáver (maravilhoso esse simbolismo). Segue-se o estudante até uma estação de trem, onde, apressado, uma moeda cai ( e pode dar cara, ou coroa - ou pelo filme, mais um resultado adicional), mas mesmo assim ele corre, atrasado, para pegar o trem.

Na história 1, ou primeiro destino, o protagonista pega o trem e conhece militantes comunistas, que o fazem aderir ao partido, logo tornando-se um funcionário do governo, uma espécie de espião ideológico. Essa história dura uns 55 minutos, e nela vemos uma Polônia dividada politicamente, na qual os universitários lutam por liberdade, e recriminam os adesistas do comunismo, francamente em vias de extinção.

Na história 2, ou segundo destino, o estudante corre mais uma vez pela estação, a moeda cai, faz de tudo, mas perde o trem. Furioso, acaba se envolvendo em uma briga com um guarda local. É julgado, pega uma pena ressocializadora, e então conhece a vida "marginal". Passa para o outro lado, digamos assim. Liga-se aos opositores do comunismo. Conhece uma revolucionária, faz amigos na clandestinidade, promove reuniões secretas para traficar literatura clandestina.

Na história 3, ou destino 3, ele novamente corre pela estação, a moeda tilinta, compra a passagem, mas perde o trem. No entanto, resigna-se. Não briga com ninguém. Continua a Medicina,forma-se, casa-se com a namorada, tem um filho, arruma um emprego na Universidade, passa a ter uma casa, enfim, vira um "perqueno-burgês". É o prêmio pelo apartidarismo, digamos assim. Longe da política, não tem problema. Esquiva-se da Polônia dividida, levando uma vida normótica.

O desfecho dessa história é riquíssimo. Infelizmente, não dá pra contar. Mas fiquei com a impressão, que ela conseguiu, pela ambiguidade, reunir os três destinos em um mesmo local: Os investigadores governamentais, os dissidentes, e o que acontece com quem acha que pode-se viver afastado da Política. 

Há um terceiro lado para a moeda.

Maravilhoso!

Blind Chance (1987)

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Abbas Kiarostami ficou conhecido por dilatar os limites de narrativas e representações cinematográficas. Close-up, Dez, Gosto de Cereja, Cópia Real e outros são maravilhosos exemplos desta mente inquieta. 

Eis que tenho contato com "Onde fica a casa de meu amigo?", um filme de "simplicidade" ímpar em sua obra. Essencialmente, um garoto (Ahmed) vê seu amigo tomar um esporro de professor por estar sem seu caderno na aula. Se ele esquecer novamente, será expulso. Ao voltar pra casa, percebe que está com o caderno dele e para evitar o pior, precisa devolvê-lo. Detalhe: ele não sabe onde o amigo mora.

Temos aqui início de uma jornada épica para este menino de 08 anos. Incorporando o próprio Sisifo em suas subidas e descidas do Morro que separa os bairros de onde moram, a narrativa toma contorno kafkaniano na impossibilidade de achar a casa.

Mais do que isso, a grande beleza é o contraste que fica dos códigos morais dos adultos, com destaque para respeito às autoridades versus a moralidade própria de Ahmed, brilhantemente encenada na sequência que Ahmed "some" por alguns minutos e o foco vai para seu avô e outras autoridades da Vila.

Além disso, Kiarostami insere algumas observações incríveis, sem precisar gritar, como um outro colega de Ahmed que reclama de dores nas costas e descobrimos o porquê. 

Emulando Ozu com um toque de Neo-Realismo, este é um dos trabalhos mais singelos sobre cumplicidade e caridade sem qualquer pieguismo. Tenho muita saudades de Abbas Kiarostami.

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21 hours ago, Muviola said:

Abbas Kiarostami ficou conhecido por dilatar os limites de narrativas e representações cinematográficas. Close-up, Dez, Gosto de Cereja, Cópia Real e outros são maravilhosos exemplos desta mente inquieta. 

Eis que tenho contato com "Onde fica a casa de meu amigo?", um filme de "simplicidade" ímpar em sua obra. Essencialmente, um garoto (Ahmed) vê seu amigo tomar um esporro de professor por estar sem seu caderno na aula. Se ele esquecer novamente, será expulso. Ao voltar pra casa, percebe que está com o caderno dele e para evitar o pior, precisa devolvê-lo. Detalhe: ele não sabe onde o amigo mora.

Temos aqui início de uma jornada épica para este menino de 08 anos. Incorporando o próprio Sisifo em suas subidas e descidas do Morro que separa os bairros de onde moram, a narrativa toma contorno kafkaniano na impossibilidade de achar a casa.

Mais do que isso, a grande beleza é o contraste que fica dos códigos morais dos adultos, com destaque para respeito às autoridades versus a moralidade própria de Ahmed, brilhantemente encenada na sequência que Ahmed "some" por alguns minutos e o foco vai para seu avô e outras autoridades da Vila.

Além disso, Kiarostami insere algumas observações incríveis, sem precisar gritar, como um outro colega de Ahmed que reclama de dores nas costas e descobrimos o porquê. 

Emulando Ozu com um toque de Neo-Realismo, este é um dos trabalhos mais singelos sobre cumplicidade e caridade sem qualquer pieguismo. Tenho muita saudades de Abbas Kiarostami.

 

Extraordinário, mesmo. 

Como diria Godard: "Film begins with D. W. Griffith and ends with Abbas Kiarostami"

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(228)

De madrugada, revi "Cinema, Aspirinas e Urubus", de 2005, primeiro longa de Marcelo Gomes, que, a propósito, entrega um novo filme neste ano, depois do fabuloso documentário "Estou me Guardando para Quando o Carnaval Chegar".

Já escrevi que adoro quando o cinema incorpora elementos de astrologia, mas tinha me esquecido que o Ranulpho, do excelente João Miguel, é "de 5 de novembro". E quando a personagem de Hermila Guedes, uma "canceriana", e, como tal, chora à toa (já entra chorando na caminhonete), informa a ele que ele é escorpiano (como eu!), ele pergunta se isso é bom. Ela responde: "Bom e ruim. Fogoso". Ah, que resumo! Essa cena de sedução ao volante, aliás, é demais, com os três se azarando. 

Um filme excelente. Que tem a coragem de começar com quase 8 minutos de puro silêncio. Não é fácil começar assim.

Cinema, Aspirinas e Urubus - 29 de Dezembro de 2005 | Filmow

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Zebra Girl é um razoável indie britânico que tenta dissecar a psicopatia através de varios flashacks da protagonista que dá nome ao longa. É um thriller que beira a comédia negra e se sustenta mesmo pelas atuacões da trinca de atores principais, porque a violência e caricatura de desenho animado permeiam o longa. No final a gente que decide se a menina é pinel ou não. Seu humor extravagante as vezes funciona ao lado de temas mais sérios como o abandono e abuso infantil. 8-10

Zebra Girl (2021) - Adey Movies Ethiopia Addis Ababa


 

Security é outro razoável thriller italiano que pega carona nos thrillers digitais com trocentas câmeras analisando tudo aquilo que assistimos, como se fossem personagens ativos. Fora as tretas digitais, trata de choque geracional e de dinâmica social. O filme tem um lance investigativo que se mescla aos dramas pessoais do protagonista, como sempre, mas aqui é tudo tocado de forma mediana, onde a boa performance do elenco pelo menos faz manter o interesse pelo trem. 8-10

Segurança Filme Netflix Crítica Pôster

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(229)

O @Muviolame injetou ânimo para rever Kiarostami, então fui com "E a Vida Continua", de 1992, a segunda parte da chamada Trilogia Koker, a região empobrecida do Irã, filme que dá seguimento metalinguístico a "Onde Fica a Casa do Meu Amigo?". Neste filme, um diretor (avatar de Kiarostami) e seu filho procuram saber o que aconteceu com o garotinho do primeiro filme, depois do terremoto que assolou a região onde ele vivia em junho de 1990. O personagem do diretor mostra sua preocupação ética com seu elenco de não atores, já que aquele filme fez tanto sucesso.

Engraçado, que eu estava preparado intelectualmente para catar as muitas semelhanças com o filme 3, "Através das Oliveiras", que é um sonho, um dos meus preferidos, mas acabei me interessando por outro aspecto da narrativa, o futebol. 

O terrível acidente geológico, que matou mais de 50 mil pessoas, foi parelho à Copa do Mundo de 1990, então no fillme há várias menções às partidas do início daquele certame - de más lembranças para nós. Em primeiro lugar, pai e filho interrogam-se a respeito se a partida exibida na tevê (pois a transmissão se cortou pela tragédia) era Brasil e Escócia, ou Brasil e Argentina. O filho, empolgado com a Copa, mais atento, insiste que foi Brasil e Escócia. E foi mesmo, vitória do Brasil, 1x0, gol do Müller. Mas ele só terá a confirmação quando, no final do filme, os moradores do vilarejo destruído preparam-se - porque a vida continua! - para assistir a Brasil e Argentina. E o filho do diretor ainda aposta no futuro campeão, o Brasil. Pobrezinho...Aposta uma bola, ou um "caderno" (Como não rir metalinguisticamente disso, conhecendo o primeiro filme?)

A procura pelos atores mirins do filme de 1987 serve aqui como motivo para mostrar um Irã que persiste, que não se entrega às dificuldades, mesmo quando o mundo inteiro está celebrando algo superficial, ignorando a tragédia persa. Mostra-se as estradas cheias de entulho, fendas na terra, colhe-se depoimentos de pessoas que perderam tudo, algumas 16 familiares, e, claro, encontra-se uma casa que foi cenário para o primeiro filme, mas na verdade, será a casa principal do terceiro filme, onde se repetirá inúmeras vezes a mesma cena, colhida originalmente para este segundo filme, do jovem noivo calçando o sapato.

É cinema dentro do cinema dentro do cinema. Cinema ao cubo. Um filme entregando sentido ao filme seguinte. 

O plano final é espetacular. Plano final que será repetido em  "Através das Oliveras" e "O Vento nos Levará".

E a Vida Continua - Filme 1992 - AdoroCinema

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O Conformista

Itália | 1970 | 113 min | Ficção | 14 anos

Direção: Bernardo Bertolucci

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Filme visto no propjeto Sesc Cinema em Casa. Escolhi o filme ao caso, ou nem tão ao acaso assim, pois era do Betolucci, enfim, acabou sendo providencial, pois o filme trata do facismo e se fosse áq alguns anos eu estaria assitindo essse filme pensando, nossa, olha como era em 1938, mas agora estamos em 2021 com o facismo batendo na noss aporta. O personagem central é um facista, chama-se Marcello, estamos no periodo do governo Mussolini, Marcello possui um esposa ingênua e o ao mesmo tempo em que ele é covarde, tanto para seguir em frente na sua missão quanto para desistir, ele exibe um seriedade ameaçadora o tempo todo, a cena mais pro final que ilustra a foto acima é bem dramática. A fotografia desse filme é belissima bem como uso das luzes, principalmente no encontro com o professor em Paris.

 

 

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3 hours ago, SergioB. said:

O @Muviolame injetou ânimo para rever Kiarostami, então fui com "E a Vida Continua", de 1992, a segunda parte da chamada Trilogia Koker, a região empobrecida do Irã, filme que dá seguimento metalinguístico a "Onde Fica a Casa do Meu Amigo?". Neste filme, um diretor (avatar de Kiarostami) e seu filho procuram saber o que aconteceu com o garotinho do primeiro filme, depois do terremoto que assolou a região onde ele vivia em junho de 1990. O personagem do diretor mostra sua preocupação ética com seu elenco de não atores, já que aquele filme fez tanto sucesso.

Engraçado, que eu estava preparado intelectualmente para catar as muitas semelhanças com o filme 3, "Através das Oliveiras", que é um sonho, um dos meus preferidos, mas acabei me interessando por outro aspecto da narrativa, o futebol. 

O terrível acidente geológico, que matou mais 50 mil pessoas, foi parelho à Copa do Mundo de 1990, então no fillme há várias menções às partidas do início daquele certame de más lembranças para nós. Em primeiro lugar, pai e filho conversam a respeito se a partida exibida na tevê (pois se cortou nas comunicações) era Brasil e Escócia, ou Brasil e Argentina. O filho, empolgado com a Copa, mais atento, insiste que foi Brasil e Escócia. E foi mesmo, vitória do Brasil, 1x0, gol do Müller. Mas ele só terá a confirmação quando, no final do filme, os moradores do vilarejo destruído preparam-se - porque a vida continua! - para assistir a Brasil e Argentina. E o filho do diretor ainda aposta no futuro campeão, o Brasil. Pobrezinho...Aposta uma bola, ou um "caderno" (Como não rir metalinguisticamente disso, conhecendo o primeiro filme?)

A procura pelos atores mirins do filme de 1987 serve aqui como motivo para mostrar um Irã que persiste, que não se entrega às dificuldades, mesmo quando o mundo inteiro está celebrando algo superficial, ignorando a tragédia persa. Mostra-se as estradas cheias de entulho, fendas na terra, colhe-se depoimentos de pessoas que perderam tudo, algumas 16 familiares, e, claro, encontra-se uma casa que foi cenário para o primeiro filme, mas na verdade, será a casa principal do terceiro filme, onde se repetirá inúmeras vezes a mesma cena, colhida para este filme, do jovem noivo calçando o sapato.

É cinema dentro do cinema dentro do cinema. Cinema ao cubo. Um filme entregando sentido ao filme seguinte. 

O plano final é espetacular. Plano final que será repetido em  "Através das Oliveras" e "O Vento nos Levará".

E a Vida Continua - Filme 1992 - AdoroCinema

Eu não vi ainda. Eu sabia que havia ocorrido um terremoto bem onde rolaram as gravações. Não sabia que havia este note da Copa do Mundo. Espero ver o mais breve possível.

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(230)

Assisti a este filme brasileiro, de 2014, "Permanência", estreia de Leonardo Lacca, diretor de segunda unidade de "Bacurau", por exemplo, entre outros. 

É difícil fazer um drama urbano contemporâneo. Escrevê-lo mais ainda. Reconheço as dificuldades. Mas um filme sobre um ex-marido que se hospeda, em viagem, na casa da ex-esposa atualmente em outro casamento, não tem um apelo dramático muito forte. Teria que se ancorar muito no desempenho dos atores e na qualidade do texto. 

O desconforto da situação rivaliza com a educação entre os envolvidos: ex-marido, esposa, atual marido. Todos tentando ao máximo serem cabeça-aberta. O atual marido, com cara e papo de paulistano típico, finge que a presença do ex não lhe incomoda. A mulher finge que não sente mais desejo pelo ex, em sua vida mais colorida e leve de artista. O protagonista, o ex-marido, finge não ser um conquistador inveterado, fruto ele mesmo de um pai que ciscou em vários terrenos.

É legal a premissa. Mas o problema é o conflito ser necessariamente muito surdo, bem diminuído. Falta um rompante, um pico de energia. E não achei o texto muito bem escrito, também.

Lateralmente, o filme comenta sobre a presença nordestina/pernambucana em São Paulo. Sua dificuldade em achar certos alimentos (??), dormir em redes na pequena sacada dos apartamentos, a perda do sotaque.

Nem o talento de Irandhir Santos conseguiu resolver a falta de dramaturgia do filme.

Permanência - Filme 2014 - AdoroCinema

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(231)

Um dos filmes que estiveram na boca dos cinéfilos, e, que, simplesmente, sem razão, eu deixei passar, "Ayka", de 2018, esteve forte na corrida para o Oscar 2019, mas não se classificou. Um dos maiores prêmios que acumulou naquela temporada foi o prêmio de Melhor Atriz em Cannes, coroando o trabalho excelente da atriz Samal Yeslyamova. 

Uma mulher do Quirguistão, vivendo ilegalmente em Moscou, abandona seu bebê recém-nascido no hospital, e foge pela cidade, em meio a uma das maiores nevascas do século. Precisando desesperadamente de dinheiro, assume qualquer trabalho, sem se importar com sangramentos, mastite, cansaço, frio, apenas temendo a máfia de imigrantes que a colocou no país, a quem deve.

A direção é do cazaque Sergey Dvortsevoy, do bonito e exótico "Tulpan", de 2008, que trabalha novamente com a mesma atriz, 10 anos depois. É um filme muito pesado, de aparência semiducumental, em que a câmera segue a personagem o tempo todo, como nos filmes dos irmãos Dardenne, e essa perseguição é quase como se quisesse também acuar a personagem, tantas vezes ela recai esbaforida em um canto. 

Assistimos ao filme sem saber por que ela abandona o filho, o que só é revelado ao final. Entendemos tudo. Compreendemos. O julgamento se suspende.

É um ótimo comentário também acerca da Rússia. Sua perseguição aos imigrantes ilegais da região, da ex-União Soviética, bem como um comentário sobre a desigualdade econômica na sociedade russa. Em uma das cenas, a pobre protagonista ouve um pouco da palestra de um coach sobre o sucesso individual no mundo capitalista depender de si, enquanto ela está a esfregar o chão. Na hospedaria de ilegais, ouve um deles elogiar a riqueza do metrô de Moscou, enquanto o lugar em que estão é miserável. Logo depois, vai trabalhar em uma clínica veterinária, em que os animais, servindo como metáfora,  são tratados melhor do que ela, notadamente, uma cadela, que também recém-pariu, cujos filhotinhos mamam, enquanto da protagonista vaza leite materno na blusa.

Muita gente não vai gostar, eu gostei muito.

Ayka - 11 de Abril de 2019 | Filmow

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Superintelligence é uma comédia romântica bobinha e inofensiva com toques scy-fy no meio, ecoando uma versão digital ou high-tech de Todo Poderoso. A gordinha Melissa McCarthy segura em a peteca com sua performance natural pra comédia, pelo menos superior ao mediano Esquadrão Trovão. O resto da galera parece que ta ali pra recheio apenas, pois ninguém se destaca. Mas o filme deixa-se ver de boa mesmo sabendo de cor e riscado como vai terminar, mesmo que a projecão se estique além do necessário. 8-10

Superintelligence | Comédia ganha primeiro pôster oficial; Confira!


 

The Superdeep é um thriller scy-fy russo que eu esperava bem mais diante do trailer bacanudo que me fisgou logo de cara. O contexto real do longa é interessante, mesmo com todo plot sendo recalque de Enigma de Outro Mundo, Alien e Bolha Assassina. Muito bem feito tecnicamente, o filme peca por sua falta de ritmo, por se alongar demasiado e pela fotografia escura demais, sem dar pra enxergar bem o que se passa. E o body horror é fraquinho. As atuacões estao boas, dentro do esperado, com destaque pra Ripley da vez, a gatona Milena Radulovic. 8-10 

Juanma Zaragoza on Twitter: "25. POST-MORTEM 🇭🇺 Ser fotógrafo d gente out  en la Hungría de principios de s.XX es trabajo chungo. Solo te lleva a una  cosa: fantasmas!!. Larga y ridícula

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(232)

Li a novela "Notas do Subsolo" no ano passado, e, sinceramente, não está entre minhas obras prediletas de Dostoiévski. Ele, que, aliás, pode ser o maior escritor da história ("Os Irmãos Karamazov"), ou o mais chato escritor ("O Idiota"). Aqui, a balança cai mais para segunda coluna.

A adaptação para as telas mais conhecida é de Gary Walkow, em 1995, com o canadense Henry Czerny no papel principal. A adatação é fidelíssima, mas confiando demais no poder universal da literatura, a moderniza, transportando-a para o tempo contemporâneo, para uma socidade ocidental, com nomes ocidentais...Tipo, algum interesse histórico, a saber, o protagonista ser um dos milhões de funcionários públicos ineficientes,  que parasitavam o Império russo, enfim, o painel histórico, se perde. 

Ficamos com a angústia atemporal e sem fronteiras desse homem. Um homem sem verdadeiros amigos, sem prazer de viver, sem dinheiro, sem amor por ninguém. Que precisa desabafar.

Notes from Underground (1995) - IMDb

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