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Shorta é um eletrizante thriller policial dinamarquês que emula Dia de Treinamento com Warriors ou 12 Quadras, e o tempera com a tradicional temática da xenofobia que não tem fronteiras. Um filme bem atual que podia muito em se passar aqui em terras tupiniquins. É um buddie movie cop violento, nervoso e atual que pega todas convencões do genero e atualiza sem edulcorar pílula alguma. As atuações do trio principal estao magníficas nesta grata surpresa da semana que deixaria John Carpenter e Walter Hill orgulhosos. 9-10

Centro de Ocio Bowling Linares


 

The Tomorrow War é um scy-fy de acão bem intencionado porém bem fraquinho em sua execucão. Foda que os temas de viagem no tempo pra mudar o destino marcado da humanidade ja deram no que tinham que dar e aqui não é diferente. Misturaram Um Lugar Silencioso com De Volta pro Futuro e rolou um filme em genérico e superficial. As atuacões tao corretas e o filme é muito bem feito.. mas é aquelas, ne? Tenta parecer profundo com paralelismos politicos atuais mas tudo fica só por cima.. Filme preguicoso com roteiro piegas que tinha mais pra render. 7-10

Trailer e poster para The Tomorrow War, o original Amazon


 

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(233)

Diante de tanta expectativa para a sua estreia, "Marighella" já pode ser tido agora como um mero insucesso? Não sinto amor do público pelo filme. Eu também mal queria ver, mas como vejo tudo, vi hoje, vi agora... Sempre escrevo que diretores deveriam começar pelo Terror, ou pelo Drama pontual, mas não, jamais, pela Biografia - o gênero mais difícil. No caso da pessoa em questão, ardente em controversias, foi um passo ainda mais arriscado do Wagner Moura - um ator que adoro. Gosto tanto que posso reconhecer coisas pessoais dele no roteiro, como a frase de "Hamlet", que ele costuma citar nas estrevistas, "Estar pronto é tudo", citada em determinado momento.

Aliás, esse é um dos pontos fracos do filme: frases de efeito. Cada vez gosto menos de frases assim no cinema. Pra mim um roteiro bem escrito, tipo Kenneth Lonergan, deve ter diálogos de uma beleza quase escondida. Em "Marighella", cada revolucionário morto ou apanhado grita uma frase marcante, do tipo: "Esse homem amou o Brasil!!", "Esse homem amou o Brasil!". Dose. Nesse sentido, o filme contém vários recados indiretos ao Brasil de hoje, que qualquer pessoa com cérebro capta, como, por exemplo, não sei de cor a frase, algo assim, "A justiça não pode ser feita com mentiras"...Enfim, é um filme com uma agenda implícita. Ninguém é bobo aqui. Há um prólogo, muito bem feito, que talvez seja das mensagens mais oportunas do filme, que é fazer a esquerda brasileira se apropriar dos símbolos nacionais. Eu gostei.

Como linguagem cinematográfica, não notei grandes atributos de direção. Tem mais a ver com a televisão. Quanto a outros elementos, conta com uma fantástica reconstituição de época, supercrível e meticulosa. De longe, o melhor aspecto do filme. Figurino e som muito bons, também. As atuações...Seu Jorge está "apagado", ou então foi intencional personificar um Marighella mais discreto, mais família, um homem experiente (salvo engano, já tinha sido preso na era Vargas, já tinha sido anistiado, já tinha vivido na China maoísta...deve ser por isso.) Não é um Marighella cheio de adrenalina, não! Causa surpresa esse aspecto. O lindo Bruno Gagliasso atua relativamente "bem", como sempre, mas ele não tem um porte sombrio, nefasto, como avatar de Sergio Fleury, já que rebatizaram o personagem - certamente uma das figuras mais torpes da história.

Assistam ao filme. Vai ver vocês gostem mais do que eu. Confesso que assisti com má vontade. Penso completamente diferente dos retratados. Acho que para o Brasil foi muito melhor sair da Ditadura via um processo político demorado, costurado no legislativo, cheio de idas e vindas, de derrotas e pequenas conquistas, do que nos esbaldarmos em um banho de sangue revolucionário. Ainda não sei o quê ganharíamos com isso. Pessoalmente, noto, por fim, que os herdeiros político-ideológicos de Marighella votaram contra a aprovação da Constituição de 1988. 

Ou seja, quando realmente chegou a hora da Democracia, fraquejaram. Não a reconheceram. Não era a imagem do espelho.

Dirigido por Wagner Moura, "Marighella" ganha pôster para o Festival de  Berlim - 04/02/2019 - UOL Entretenimento

 

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Em 2016, Leonard Cohen e sua musa e ex-mulher Marianne morreram separados por 3 meses um do outro. (No caso dele, não me lembrava, foi no meu aniversário).

Este documentário "Marianne & Leonard: Words of Love", recentemente adicionado na Netflix, é um olhar para este relacionamento de mais de 5 décadas. 

Formalmente é colcha de depoimentos, incluindo passagens dos dois personagens principais, embalados por imagens de arquivo, destacando a incrível Ilha de Hydra, na Grécia, onde a história deles se iniciou e que foi um ponto de encontro e fuga durante os anos, praticamente se tornando uma paisagem mitológica helênica.

Esta parte de depoimentos reside os dois pontos mais negativos do filme: a auto-inserção do diretor, algo de bem pouco interesse geral e uma cronolgia um pouco bagunçada. 

O principal da obra foi ver que ambos, Marianne e Leonard, por mais que tenham seguido caminhos muito distintos, tinham um interesse comum: a busca de si mesmos, de uma identidade, de respostas e, principalmente no caso de Leonard, da luz grega no meio da penumbra canadense.

"Poetas não fazem bons maridos.", uma frase de uma das amigas deles e que achei engraçada e bem certeira.

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1 hour ago, SergioB. said:

(233)

Diante de tanta expectativa para a sua estreia, "Marighella" já pode ser tido agora como um mero insucesso? Não sinto amor do público pelo filme. Eu também mal queria ver, mas como vejo tudo, vi hoje, vi agora... Sempre escrevo que diretores deveriam começar pelo Terror, ou pelo Drama pontual, mas não, jamais, pela Biografia - o gênero mais difícil. No caso da pessoa em questão, ardente em controversias, foi um passo ainda mais arriscado do Wagner Moura - um ator que adoro. Gosto tanto que posso reconhecer coisas pessoais dele no roteiro, como a frase de "Hamlet", que ele costuma citar nas estrevistas, "Estar pronto é tudo", citada em determinado momento.

Aliás, esse é um dos pontos fracos do filme: frases de efeito. Cada vez gosto menos de frases assim no cinema. Pra mim um roteiro bem escrito, tipo Kenneth Lonergan, deve ter diálogos de uma beleza quase escondida. Em "Marighella", cada revolucionário morto ou apanhado grita uma frase marcante, do tipo: "Esse homem amou o Brasil!!", "Esse homem amou o Brasil!". Dose. Nesse sentido, o filme contém vários recados indiretos ao Brasil de hoje, que qualquer pessoa com cérebro capta, como, por exemplo, não sei de cor a frase, algo assim, "A justiça não pode ser feita com mentiras"...Enfim, é um filme com uma agenda implícita. Ninguém é bobo aqui. Há um prólogo, muito bem feito, que talvez seja das mensagens mais oportunas do filme, que é fazer a esquerda brasileira se apropriar dos símbolos nacionais. Eu gostei.

Como linguagem cinematográfica, não notei grandes atributos de direção. Tem mais a ver com a televisão. Quanto a outros elementos, conta com uma fantástica reconstituição de época, supercrível e meticulosa. De longe, o melhor aspecto do filme. Figurino e som muito bons, também. As atuações...Seu Jorge está "apagado", ou então foi intencional personificar um Marighella mais discreto, mais família, um homem experiente (salvo engano, já tinha sido preso na era Vargas, já tinha sido anistiado, já tinha vivido na China maoísta...deve ser por isso.) Não é um Marighella cheio de adrenalina, não! Causa surpresa esse aspecto. O lindo Bruno Gagliasso atua relativamente "bem", como sempre, mas ele não tem um porte sombrio, nefasto, como avatar de Sergio Fleury, já que rebatizaram o personagem - certamente uma das figuras mais torpes da história.

Assistam ao filme. Vai ver vocês gostem mais do que eu. Confesso que assisti com má vontade. Penso completamente diferente dos retratados. Acho que para o Brasil foi muito melhor sair da Ditadura via um processo político demorado, costurado no legislativo, cheio de idas e vindas, de derrotas e pequenas conquistas, do que nos esbaldarmos em um banho de sangue revolucionário. Ainda não sei o quê ganharíamos com isso. Pessoalmente, noto, por fim, que os herdeiros político-ideológicos de Marighella votaram contra a aprovação da Constituição de 1988. 

Ou seja, quando realmente chegou a hora da Democracia, fraquejaram. Não a reconheceram. Não era a imagem do espelho.

Dirigido por Wagner Moura, "Marighella" ganha pôster para o Festival de  Berlim - 04/02/2019 - UOL Entretenimento

 

Nossa, eu tenho 0 vontade de ver este filme, por mais que eu tenha um posicionamento de esquerda e também goste de boa parte dos envolvidos. Sei lá, me pareceu um produto pra assistir enquanto se está no Twitter e não algo que gere uma discussão séria de fato.

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Inspirado por e inspiração para uma série de westerns, Yojimbo é a 13a parceria entre Kurosawa e Toshiro Mifune.

Sanjuro é um ronin que, sem muito destino, perambula pelo Japão do século XIX à procura de serviços. Ele chega a uma vila que é dividida por duas gangues rivais, colocando medo no restante do povoado. Sanjuro então decide "jogar" nos dois lados e acabar com ambos.

Um roteiro simples, mas zero expositivo, que traz toda a complexidade das relações deste lugar e que, em minha leitura, reflete a Guerra Fria, que naquele momento esteve no ápice da ansiedade de destruição mútua. 

As grandes forças são a construção visual e sonora, além da interpretação de Mifune. A trilha sonora aqui é o bastião para o que Ennio Moriconne desenvolveria em sua parceria com Leone; o som, principalmente nas lutas de espadas é um marco novo, também, tanto no tocar de uma com a outra, quanto a inserção na carne; visualmente, é impressionante como Kurosawa consegue focar tudo, seja nos planos gerais, quanto nos próximos. E Mifune, aqui é menos explosivo que em colaborações passadas, é mais cool, mas ao mesmo tempo é perceptível o seu cansaço de muitas batalhas passadas, mas que não impedem sua demonstração de força.

Entre as colaborações dos dois, acho que ainda prefiro Trono Manchado de Sangue, mas não por muito.

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(234)

Já escrevi aqui que acho o canadense Norman Jewison, ainda vivo, dos mais subestimados diretores de nosso tempo. Deveria ter ganhado o Oscar de Direção por sua versatilidade, por jogar nas dez. Ele já ganhou o Irving Thalberg, em 1999, que é a distinção máxima dos produtores, e mais exclusivo ainda do que o anual Oscar Honorário. Hoje revi dele "Jesus Cristo Superstar", de 1973. 

Que talento! Uma reimaginação hippie musicada para a "história mais conhecida".  De certa forma, é um filme que costura duas tendências  de gênero das décadas de 1950 e 1960, os filmes religiosos e os musicais. Não adoro as músicas, propriamente, mas acho muito legal como se dão as composições artísticas de todos os planos. De eles não serem lotados de figurantes, como qualquer filme bíblico, nem haver muito chororô, desespero, ou sanguinolência. Há um "vazio" ao redor dos cantores, um espaço, que só faz bem. Ninguém que não deveria estar nas cenas ocupa a cena.

Gosto do equilíbrio entre excentricidade e o respeito à história de Jesus, e, vale lembrar, nesse sentido, o filme ganhou a aprovação do Papa à época. Não há nada desrepeitoso. Mas há avanços de forma e estilo, com um Judas protagonista, e um Jesus vesgo.

Figurinos excelentes da inglesa Yvonne Blake, com o maior brilhantismo para o visú dos atléticos Anás e Caifás.

Ficheiro:Jesus Cristo Superstar.jpg – Wikipédia, a enciclopédia livre

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Não li a polêmica biografia de Benjamim Moser, mas Susan Sontag foi provavelmente a intelectual mais pop depois de Sartre, uma escritora interessada sobre tudo, mas principalmente, que sabia escrever sobre tudo, concorde-se ou não com seus posicionamentos.

Temos aqui um panorama geral da pessoa, num maior grau e da obra, num grau menor. Suas principais amantes e parceiras são ouvidas e muito é gasto sobre sua decisão de nunca ter se assumido como uma mulher lésbica. O que por si só é um tanto absurdo, pois ela era bissexual, um apagamento bastante recorrente na comunidade.

Sobra pouco para sua obra e diferente do que muitos intelectuais e acadêmicos perpetuam, falar sobre os tópicos quentes e fazer parte da ação, tal qual em suas viagens ao Vietnã e Bósnia. 

Outro ponto que poderia ser mais bem discutido é a decepção com sua obra ficcional, de romances e filme (não sabia que ela havia dirigido). Para mim, o insight principal disso vem de uma de suas ex, que mencionou "Susan é insensível"; ela era formidável em destrinchar o outro, mas não conseguia buscar em suas próprias emoções, a inspiração para criar.

Não importa, ela escrevendo de outros (Ou de tudo) fez eu me entender um tanto mais.

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1 hour ago, Muviola said:

Não li a polêmica biografia de Benjamim Moser, mas Susan Sontag foi provavelmente a intelectual mais pop depois de Sartre, uma escritora interessada sobre tudo, mas principalmente, que sabia escrever sobre tudo, concorde-se ou não com seus posicionamentos.

Temos aqui um panorama geral da pessoa, num maior grau e da obra, num grau menor. Suas principais amantes e parceiras são ouvidas e muito é gasto sobre sua decisão de nunca ter se assumido como uma mulher lésbica. O que por si só é um tanto absurdo, pois ela era bissexual, um apagamento bastante recorrente na comunidade.

Sobra pouco para sua obra e diferente do que muitos intelectuais e acadêmicos perpetuam, falar sobre os tópicos quentes e fazer parte da ação, tal qual em suas viagens ao Vietnã e Bósnia. 

Outro ponto que poderia ser mais bem discutido é a decepção com sua obra ficcional, de romances e filme (não sabia que ela havia dirigido). Para mim, o insight principal disso vem de uma de suas ex, que mencionou "Susan é insensível"; ela era formidável em destrinchar o outro, mas não conseguia buscar em suas próprias emoções, a inspiração para criar.

Não importa, ela escrevendo de outros (Ou de tudo) fez eu me entender um tanto mais.

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Essa mulher é a fundação da minha mente. Simplesmente, a mulher mais culta da história! Recomendo vivamente a biografia.

Eu a li assim que lançou, e fiquei boquiaberto. Há muitas revelações, muitas. Principalmente para quem conhecia os incríveis Diários dela, cheios de mistério. Foi um trabalho de detetive do Benjamim Moser - que havia brilhado com Clarice Lispector.

Sobre ser gay ou bi, realmente, ela teve casos com homens, foi até casada, muitos,muitos homens, até Warren Beatty, para ficarmos no mundo do cinema. Mas sem dúvidas tinha maior predileção pelas mulheres. No entanto, escondia o máximo que podia. Nem a irmã dela tinha noção, pra você ter uma ideia! Ficou sabendo depois que ela morreu, por incrível que pareça.

Gosto deste documentário, mas ele é muito curto pra dar conta da vida de Susan. Quanto mais da obra dela em si. A biografia, ao contrário, esmiúça todos os textos, todos os filmes que ela dirigiu, tudo que ela fez.

Quanto aos livros de ficção, acho que eles são subestimados, até por rivalidade. "O Amante do Vulcão", e "Na América" (principalmente do meio para o final) são excelentes. 

O livro dela que me causou maior impacto foi o primeiro volume dos "Diários". Aquilo causou um terremoto na minha alma. Uma adolescente judia, no meio do século XX, escrever sobre a diferença entre homossexualidade e bissexualidade (uma linha vertical x uma linha horizontal), ou sobre ser ativa ou passiva com uma mulher, ou sobre os tapas que as namoradas  lhe deram no rosto, sobre como ela não era benquista, acusado de ser gélida...E saber que foi o filho que editou aquilo ali...pesado! Fora a lista de filme e livros que ela ia anotando, anotando, anotando, até não ter mais fim....Incrível!

A mulher mais culta da história da humanidade. Só isso.

 

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(235)

Da fase theca de Milos Forman, "O Baile dos Bombeiros", de 1967. É uma comédia de costumes, uma sátira sutil ao regime comunista.

Integrantes do corpo de bombeiros de uma pequena cidade articulam um baile para homenagear um antigo membro, e a população local toda comparece. Tudo que é preparado e organizado não funciona. A comida some; a disputa de musa do baile, que serviria mais ao chauvinismo e a lascívia disfarçada dos fardados, tampouco; e outros pequenos eventos pitorescos acontecem em escalada para estragar a festa. Não é um humor desopilante, não, gera pequenos sorrisos. Mas é muito bem filmado, como de costume.

Um dos motivos pelos quais eu não gostei muito foi ele repetir de certa maneira o arcabouço, as linhas gerais, de "Os Amores de uma Loira", o filme anterior, que é muito melhor, Indicado ao Oscar, já resenhado aqui, no qual há também um baile de integração entre exército e população.

Foi também o primeiro filme em cores de Forman, e o último em seu país natal, antes de fugir para os Estados Unidos, e realizar, de cara, "Procura Insaciável" - aquela coisa!!!

O Baile dos Bombeiros - Filme 1967 - AdoroCinema

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Rua do Medo 1994, Netflix

Filme de terror que, parafraseando o @Jorge Soto , é uma mistura de Pânico com Stranger Things, que aliás, já me adiantando, tem uma atriz da série Stranger Things. Com toques de sobrenatural e slasher, e com decisões estúpidas, caso contrário não seria filme de terror adolescente se passando no colégio. O filme já me ganhou pela trilha sonora anos 90, que começa bem e depois some pra dar ligar a correria. O filme é uma Liga da Justica de assassinos psicopatas.

A história será dividia em 3 partes com a parte 2 sendo lançada em 9 de julho e será no ano de 1978, dá-lhe trilha da década de 70 e curiosamente a parte três dá um salto no tempo e será em 1666. 666 sacaram ? Kkk 

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Último filme dos Contos Morais e também o último da série que faltava assistir, "Amor à tarde", diferencia dos outros contos por trazer um protagonista casado; um feliz casamento burguês. 

No entanto, esta felicidade não impede, na verdade até é uma válvula para sua constante atração a todas as mulheres parisienses. Rohmer films duma maneira que todas estas mulheres de fato sejam atraentes aos olhares masculinos; seu prólogo inclusive mostra uma sequência de seu protagonista com as mulheres que participaram dos filmes anteriores da série. 

Sua situação muda um tanto quando uma ex-namorada de seu amigo volta dos EUA (O poder do acaso, constante em sua obra) e eles passam a se ver frequentemente às tardes, no intervalo do trabalho dele

Assim se arma o conflito: Frédéric nunca deixa de amar sua esposa e filhos e até certo modo continua atraído a ela, mas a ideia da possibilidade de dividir este amor e paixão por qualquer outra o intriga e perturba; é a possibilidade de cruzar a linha entre o flerte e a ação. Rohmer usa este questionamento moral como um suspense, esperamos para quando a relação ira de fato acontecer. São obras bem distintas, mas este dilema me lembrou o "De Olhos bem Fechado".

Meu ranking da série ficaria assim:

1) Minha noite com ela

2) A Colecionadora

3) Amor à tarde

4) Joelho de Claire

5) A padeira do bairro

6) A carreira de Suzanne 

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23 minutes ago, Big One said:

Rua do Medo 1994, Netflix

Filme de terror que, parafraseando o @Jorge Soto , é uma mistura de Pânico com Stranger Things, que aliás, já me adiantando, tem uma atriz da série Stranger Things. Com toques de sobrenatural e slasher, e com decisões estúpidas, caso contrário não seria filme de terror adolescente se passando no colégio. O filme já me ganhou pela trilha sonora anos 90, que começa bem e depois some pra dar ligar a correria. O filme é uma Liga da Justica de assassinos psicopatas.

A história será dividia em 3 partes com a parte 2 sendo lançada em 9 de julho e será no ano de 1978, dá-lhe trilha da década de 70 e curiosamente a parte três dá um salto no tempo e será em 1666. 666 sacaram ? Kkk 

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Quero ver. Mas não sei se espero até o terceiro sair...O que acha?

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Fiquei muito feliz em saber que o Mubi vai ter retrospectiva com boa parte das obras de Kelly Reichardt.

Poderei tirar meu atraso, pois até hoje só havia visto "Certain Women", que eu já havia gostado, com seus gestos pouco grandiosos e verborrágicos, mas altamente significativos.

Este detalhe de pequenos gestos e palavras é também preponderante em "Old Joy". Um fio de enredo, dois amigos vão fazer uma trilha antes que um deles se torne pai, é um grande exercício no entendimento do que tange amizade adulta; o distanciamento, a desconexão e uma tentativa de esconexão, tanto em corpo como em mente. Tudo regado a bela composição sonora da excelente Yo La Tengo.

Kelly Reichardt ainda inclui comentarios políticos, que à primeira vista podem soar meio fora do lugar, mas que é um tanto premonitória, pensando na grande crise de três anos depois, o que se encaixa perfeitamente com o clima melancólico final. 

Muito bonito.

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Rua do Medo Parte 1 - 1994 (Fear Street Part One 1994, Dir.: Leigh Janiak, 2021) 2/4

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Podemos dizer que essa é a primeira "superprodução" slasher de um streaming (considerando que Netflix sempre distribuiu alguns filmes do gênero, mas produzir, acho que é primeira vez). Baseado numa série de livros, que desde anos 1990 se planejava virarem filmes. A última tentativa seria pela Fox, mas a Disney dispensou o projeto depois de comprar o estúdio da raposa. NetFliz acabou pegando e resolveu produzir 3 filmes de uma vez. Então, ainda vão ter mais 2 partes (uma rola em 1978 e outra em 1966 - que são citadas aqui). Lembrou, pra mim, o Final Girls (Terror nos Bastidores - 2015), por fazer muita referência ao gênero, então fica a sensação de "colcha de retalhos". Mas 'Final Girls' tinha muito humor ali (principalmente zoando de si mesmo) que disfarçava um pouco isso. Aqui já é um filme mais sóbrio o que faz isso não descer tão bem. Mas no geral tá ok, apesar de achar a trama meio rocambolesca demais. Felizmente, tem personagens legais que faz com que torçamos por eles. Só que problema maior é que como vai ter mais 2 partes, o final não traz muitas resoluções, ficou muita coisa pra resolver depois, nisso, parece mais um episódio de série e não tanto um filme.

 

Freaky - No Corpo de um Assassino (Freaky, Dir. Christopher B Landon, 2020) 2/4

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Acabou que gostei menos do que esperava, apesar de ter gostado (talvez tenha ido com muita sede ao pote, sei lá). Problema pra mim foi que o filme tinha que mesclar 2 gêneros: o slasher e o 'troca de corpos' (e gosto muito dos 2 gêneros), mas acho que a parte slasher acabou sendo muito diluída pra parte 'troca de corpo' ficar maior. O filme foca muito na menina no corpo do serial killer e a parte slasher ficou pra escanteio (apesar de ter uma mortes/cenas bem criativas ali). 

Acho que rolou o mesmo que A Morte te dá Parabéns 2, onde a parte sci-fi passou por cima da trama slasher e o filme acabou virando um sci-fi. Como curti a parte sci-fi isso não me incomodou ali. Já aqui, acho que a parte troca de corpos não me agradou tanto, já que tem certas cenas inverossímeis ali e os personagens (envolvendo a turma da menina) não me agradaram tanto.

(Mas acho bem válido essa tentativa do diretor renovar o gênero slasher, envolvendo/misturando ele com outros gêneros - fico de boas se ele continuar nessa vibe).

 

Spoilers:

Falando da menina no corpo do do serial killer:

Ficou meio inverosímel, já que ela sai na rua, na escola e tudo que é canto de cara limpa, com pouca gente reconhecendo o serial killer ali, sendo que tinha imagem dele rolando em tudo que é canal de TV. Muita cena fica sem sentido com esse fato de colocarem a cara dele na TV, já que a menina não se sente muito impedida de fazer muita coisa ali (o que é aquela cena que os amigos dela vão arranjar uma máscara pra ela num mercado cheio de gente, e levam ela junto? Porque ela não esperou no carro? Ah, sim, porque tinham que fazer aquela cena dela conversando com a mãe...). Ficou conveniente pro roteiro escolher que as poucas vezes que ela seria reconhecida e assustaria alguma pessoa (única hora que isso seria necessário é quando uma pessoa que vê ela na escola e chama a polícia - mas até isso poderia ser feito de outra forma, sem a necessidade de mostrarem o rosto do cara na TV - achei que identificarem o cara fez a coisa ficar meio solta, não era necessário).

 

Falando do serial Killer no corpo da menina:

O cara é brutal, isso é mostrado logo no início do filme e está ali livre pra agir na escola, mas achei que fez pouco (matou 2), ainda mais se considerar o filme trazer cenas curiosas, como a que ele vendo que no corpo da menina ele não seria tão forte, e aí acaba apanhando de uma de suas vítimas (hehehe). E, no fim das contas, também faltou uma apresentação maior do serial killer, porque no começo ele é apresentado como se fosse um Jason (uma máquina de matar e fim), mas mais tarde se vê que ele teria um convívio social ali (quando a menina acorda no corpo dele, tem um cara ali pedindo drogas que aparentemente o conhecia), e teria uma 'personalidade'. Se ele passasse o filme todo sem falar nada e só matando, tudo bem, mas acontece coisas ali com ele que seria bom uma introdução melhor dele no começo do filme (ainda mais que nitidamente o filme trabalha mais o lado 'troca de corpos' do que a parte slasher, então teriam que mostrar bem os 2 personagens envolvidos na troca, e não só um).

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19 hours ago, Big One said:

Rua do Medo 1994, Netflix

 

1 hour ago, Jailcante said:

Rua do Medo Parte 1 - 1994 (Fear Street Part One 1994, Dir.: Leigh Janiak, 2021) 2/4

Podemos dizer que essa é a primeira "superprodução" slasher de um streaming (considerando que Netflix sempre distribuiu alguns filmes do gênero, mas produzir, acho que é primeira vez). Baseado numa série de livros, que desde anos 1990 se planejava virarem filmes. A última tentativa seria pela Fox, mas a Disney dispensou o projeto depois de comprar o estúdio da raposa. NetFliz acabou pegando e resolveu produzir 3 filmes de uma vez. Então, ainda vão ter mais 2 partes (uma rola em 1978 e outra em 1966 - que são citadas aqui). Lembrou, pra mim, o Final Girls (Terror nos Bastidores - 2015), por fazer muita referência ao gênero, então fica a sensação de "colcha de retalhos". Mas 'Final Girls' tinha muito humor ali (principalmente zoando de si mesmo) que disfarçava um pouco isso. Aqui já é um filme mais sóbrio o que faz isso não descer tão bem. Mas no geral tá ok, apesar de achar a trama meio rocambolesca demais. Felizmente, tem personagens legais que faz com que torçamos por eles. Só que problema maior é que como vai ter mais 2 partes, o final não traz muitas resoluções, ficou muita coisa pra resolver depois, nisso, parece mais um episódio de série e não tanto um filme.

Esse aí só pretendo maratonar quando ja tiver os três lançados ... Mas só vou ver por curiosidade mesmo pois sei que nao e nenhuma obra prima. Na real não da pra dizer que é produção "original". Netflix usa um algoritmo que pega o que a galera está assistindo e faz suas produções em cima deste "código". Foi assim com Stranger Things pelo menos.

E falando nesse Final Girls.. ó filme bao pra danar.. deveria ter continuação..😁 Agora teve outro indie chamado The Final Girl, que é só mais ou menos..

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15 minutes ago, Jorge Soto said:

 

Esse aí só pretendo maratonar quando ja tiver os três lançados ... Mas só vou ver por curiosidade mesmo pois sei que nao e nenhuma obra prima. Na real não da pra dizer que é produção "original". Netflix usa um algoritmo que pega o que a galera está assistindo e faz suas produções em cima deste "código". Foi assim com Stranger Things pelo menos.

E falando nesse Final Girls.. ó filme bao pra danar.. deveria ter continuação..😁 Agora teve outro indie chamado The Final Girl, que é só mais ou menos..

Falei mais no sentido que Netflix produziu ela própria o filme. Outros slashers que ela lançou, ela comprou depois do filme pronto. Então, seria primeira vez que ela investiria de forma maior num filme do gênero.

Já 'The Final Girls' eu também gostei muito e é melhor que esse aqui, com certeza. Comparação foi mais que ambos se apoiam muito nas referências ao gênero. Mas Final Girls se dá melhor por tirar um sarro ali e não se levar tão a sério como esse aqui.

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16 hours ago, Muviola said:

Fiquei muito feliz em saber que o Mubi vai ter retrospectiva com boa parte das obras de Kelly Reichardt.

Poderei tirar meu atraso, pois até hoje só havia visto "Certain Women", que eu já havia gostado, com seus gestos pouco grandiosos e verborrágicos, mas altamente significativos.

Este detalhe de pequenos gestos e palavras é também preponderante em "Old Joy". Um fio de enredo, dois amigos vão fazer uma trilha antes que um deles se torne pai, é um grande exercício no entendimento do que tange amizade adulta; o distanciamento, a desconexão e uma tentativa de esconexão, tanto em corpo como em mente. Tudo regado a bela composição sonora da excelente Yo La Tengo.

Kelly Reichardt ainda inclui comentarios políticos, que à primeira vista podem soar meio fora do lugar, mas que é um tanto premonitória, pensando na grande crise de três anos depois, o que se encaixa perfeitamente com o clima melancólico final. 

Muito bonito.

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Esse filme é lindíssimo. Estimulado por "First Cow", maratonei todos os filmes da Reichardt, e este "Antiga Alegria" ficou na segunda posição. É maravilhoso como ele se recusa a ser um drama de revelações, uma história gay, uma aventura trágica...É apenas aquilo ali, íntimo.

A cachorrinha, Muviola, é a mesma do maravilhoso "Wendy and Lucy", a cachorrinha da própria diretora, a mesma Lucy a quem ela dedica "Certain Women".

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(236)

Na madruga, "Rua do Medo: Parte 1: 1994" . O colega @Jailcante definiu a trama como "rocambolesca", e foi exatamente o que eu pensei. Uma trama muito "suja", misturando alhos com bugalhos, elementos de todos os tipos de terror adolescente + monstros + clima epocal...

Mas além disso, as duas meninas principais são péssimas! Socorro! A loirinha, coitada, não tem carisma nenhum. Toda vez que a câmera ia para ela, a coisa caía...Pra mim, da turminha ali, só o ator loiro, mesmo com o personagem mais esterotipado, mandou bem.

Achei muito fraco. E compará-lo com o excelente e marcante "Pânico" é um crime! Basta comparar as sequências iniciais de ambos.

Ai, agora vou ter que ver essa bomba 2 e 3! 

Rua do Medo: 1994 - Parte 1 poster - Foto 2 - AdoroCinema

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(237)

Sempre apontado como o grande fracasso comercial dos irmãos Coen (embora a direção caiba apenas a Joel Coen. Ethan, uncredit), "A Roda da Fortuna" é uma comédia fabular, de 1994, que eu não via desde a década de 1990. É um olhar sobre os espetalhões dirigentes de uma empresa, que após o falecimento do dono, planejam comprar as ações em baixa, colocando um cara ingênuo, tido como bobo, na presidência. No entanto, esse cara, vivido por Tim Robbins, consegue criar um grande sucesso comercial: o Bambolê.

É um filme sobre como a invenção humana - mesmo de algo "fácil" - pode vir de qualquer lugar, de qualquer pessoa, mesmo de pessoas sem conhecimento, ou sem experiencia. Pelo menos, era assim antigamente na indústria. Hoje acho mais difícil. Não importa, é um filme "de conto de fadas", quase infantil, e amalucado. A sequência das crianças da cidade descobrindo o brinquedo é fantástica!

Chamou-me a atenção como o Roger Deakins na Fotografia já arrasava, mesmo em uma história urbana, em um ambiente mais conhecido - sem trincheiras, futurismo, desertos... Trilha muito boa, de Carter Burwell. E Dennis Gassner, no design, excelente, como sempre (Precisa ganhar um segundo Oscar!)

ewmix.com: A Roda da Fortuna

 

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Profile é um bom thriller high tech nos mesmos moldes do ótimo Searching, ou seja, tudo é mostrado por meio de telas de computador da protagonista. No caso, o de uma reporter infiltrada online nos jidahistas que nao sabe onde se meteu. O formato online aqui promove a tensão de forma bem eficiente, e o roteiro ser baseado num caso real mantem o interesse ate os finalmentes. Sim, este formato parece ser o novo subgênero (porque sao muito baratos) assim como os found footage, mas aqui o tema serve de chamariz. As atuacoes online sao corretas, se comparadas aos filmes de terror do gênero em primeira pessoa, como Bruxa de Blair, onde é preciso um roteiro que preste pra sustentar a tela do pc como cenário único. 8,5-10

Profile - Profile (2018) - Film - CineMagia.ro

 

 

Breeder por sua vez é um thriller survival dinamarquês mediano que comecou muito bem mas não soube manter a pegada até o final. É um filme que denuncia industria farmaceutica, tem mad doctor, tem torture porn fraco e tem muita inverossimilidade. Tem filmes de prisao femenina muito melhores do que o que aqui se propõe mostrar, sem falar que as atuacões estao apenas corretas. É um filme nada original e o pouco que mostra é insuficiente pra entreter inclusive os fãs do gênero sobrevivência e até gore, bem fraquinho... Pelo menos tem um nude aqui e outro ali, mas nada que abone ainda mais esta precária producão nórdica cuja única intencão é lacrar feminismo da pior forma. 7-10

Watch Polle Fra Snave Online Free

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(238)

"O Absolutismo: A Ascensão de Luis XIV" é um filme para a tevê, de 1966, feita por Roberto Rossellini, um dos vários filmetes que faria registrando figuras históricas. Não me dou bem com esses filmes, devo dizer. Acho o mais conhecido, "Sócrates", um saco. Este é melhor. Mais interessante para mim.

Vê-se um Luiz XIV ainda jovem, sem muito dinheiro ou poder, roubado por todos os lados, quando, finalmente, decide "governar", em vez de apenas ser uma figura de Estado. Decide estar a par de tudo, afastando a família do resto das decisões, bem como afastando certas figuras da nobreza e do parlamento do poder decisório. É o progressivo caminho para a centralidade do poder. A parti dali, a gastronomia, as vestimentas, o cerimonial, os gestos, tudo deveria refletir o gosto do rei. A certa altura diz algo como: o súdito deve estar para o rei, assim como a natureza está para o sol. 

O filme ostenta um grande luxo no figurino, bem como e nas locações palacianas francesas; enquanto o tom das interpretações é "pobre", quase bressoniano, daquele modo meio robótico. Como se os atores estivessem mesmo fazendo caracterizações e não personagens. Rossellini, desgostoso com os caminhos do Realismo também?

O Absolutismo - A Ascensão De Luís XIV - ( La prise de pouvoir par Louis  XIV ) Roberto Rossellini | Amazon.com.br

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(239)

Um filme com lado A, e com lado B. Geralmente eu gostava mais do lado B dos discos. Mas não aqui.

"Durval Discos" , de 2002, é o primeiro longa-metragem de Anna Muylaert, depois de arrasar por anos e anos com "O Castelo Ra-Tim-Bum". O início em plano-sequência com os créditos colados pelas ruas e lugares do bairro de Pinheiros em São Paulo é excelente, e até os 50 minutos iniciais o espectador se delicia com tudo. É muito alto astral, é muito indie, é muito paulistano, é um clima lá em cima, com a melhor música brasileira se despedindo da era dos lp`s, para a então entrar na  avançada era dos cds.

Mas então vem o lado B do filme, com uma reviravolta que claramente o roteiro não consegue resolver. Os irmãos Coen teriam adorado a ideia, e teriam encontrado uma solução. Aqui, simplesmente, assumidamente, não houve solução. O evento fica impossível para um desejado final feliz.

Mesmo assim, os 50 primeiros minutos fazem parte do melhor que o cinema brasileiro já fez. Com Ary França, Etty Fraser, Marisa Orth, e Rita Lee, dando um show. 

Durval Discos – Wikipédia, a enciclopédia livre

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(240)

Cinema brasileiro marginal, com "Filme Demência", de 1986, do maioral Carlos Reichenbach. Que, nunca tinha pensado nisso, é nosso Fassbinder misturado com Godard! 

Pela sinopse, a trama é descrita como inspirada em "Fausto", de Goethe, tanto que assim batiza o protagonista. Aliás, "Fausto Murnau". Mas ao longo do filme, aparecia era Walmor Chagas na minha cabeça, em "São Paulo, Sociedade Anônima", e, ao final, o filme é dedicado a Luiz Sergio Person. Touché! Assim como o personagem de Walmor, dois insatisfeitos com o casamento, que fogem pelas ruas de São Paulo, estilhaçadas pela montagem surpreendente.

Um falido herdeiro de uma pequena fábrica de cigarros, transido pela crise financeira-existencial, erra pela noite marginal de São Paulo, tentando compreender a si mesmo. Para em barzinhos de poetas que leem Ginsberg, para em um lupanar de strip tease, para em um bordel, e (desen)caminha para a violência, usando sua velha arma. Eu entendo bem isso: a noite como porta-voz de mensagens existenciais, através de seus tristes personagens.

Um filme cheio de referências literárias e cinematográficas, com muitas boas sacadas de câmera, e texto caprichado, como, para exemplificar:

"É da merda que nasce a epopeia".

Filme Demência poster - Foto 2 - AdoroCinema

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33 minutes ago, SergioB. said:

(240)

Cinema brasileiro marginal, com "Filme Demência", de 1986, do maioral Carlos Reichenbach. Que, nunca tinha pensado nisso, é nosso Fassbinder misturado com Godard! 

Pela sinopse, a trama é descrita como inspirada em "Fausto", de Goethe, tanto que assim batiza o protagonista. Aliás, "Fausto Murnau". Mas ao longo do filme, aparecia era Walmor Chagas na minha cabeça, em "São Paulo, Sociedade Anônima", e, ao final, o filme é dedicado a Luiz Sergio Person. Touché! Assim como o personagem de Walmor, dois insatisfeitos com o casamento, que fogem pelas ruas de São Paulo, estilhaçadas pela montagem surpreendente.

Um falido herdeiro de uma pequena fábrica de cigarros, transido pela crise financeira-existencial, erra pela noite marginal de São Paulo, tentando compreender a si mesmo. Para em barzinhos de poetas que leem Ginsberg, para em um lupanar de strip tease, para em um bordel, e (desen)caminha para a violência, usando sua velha arma. Eu entendo bem isso: a noite como porta-voz de mensagens existenciais, através de seus tristes personagens.

Um filme cheio de referências literárias e cinematográficas, com muitas boas sacadas de câmera, e texto caprichado, como, para exemplificar:

"É da merda que nasce a epopeia".

Filme Demência poster - Foto 2 - AdoroCinema

Este é um dos filmes com mais citações memoráveis que já vi:

"O amigo gosta de mensagens? Então guarda essa: cada um aprende com as vilanias de cada um e continua a andar. Num é possível, e é."

"O homem progride porque é desgraçado e se aperfeiçoa em desgraça e para a desgraça."

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