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Forum Cinema em Cena

O Que Você Anda Vendo e Comentando?


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The Card Counter é um interessante estudo de personagem so fachada de thriller dramático, onde o Oscar Issac carrega facilmente o filme nas costas com seu personagem principal. A metáfora do jogo de poker com o poder é escancarada, mas isso é o de menos pois as semelhancas do personagem titulo com o Travis Bickle sao evidentes. É um filme sem acao, porém que te prende de forma hipnótica ao acompanhar a tentativa de redencao do cara e sua interacao com os demais personagens, em especial o jovem Tye Sheridan, com quem contracenou inclusive no penúltimo filme dos X-Men. 8.5-10

Heidi Hartwig Photo & Film


 

V/H/S/94 é mais uma razoável antologia de terror de uma franquia que revitalizou o found footage, mas que decaiu na sua última encomenda. Como é praxe, é bem irregular em seus curtas onde o melhor disparado é o do cientista maluco (que emula o bacanudo Frankenstein Army e ate jogo de tiro em primeira pessoa), seguido pelo da mina no funeral, que apesar de simples gera tensao da fora clàssica com muito pouco. O dos supremacistas planejando um atentado com um vampiro tem boa premissa, mas é previsivel demais. Os demais curtas sao bem nhééé e sua espinha narrativa dorsal é bem preguicosa. Resumindo, os dois primeiros filmes da franquia continuam sendo os melhores, mas este aqui é pelo menos superior ao último, o ruinzinho Viral. 8-10

V/H/S/94 Reviews - Metacritic

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(318)

Segundo longa do vietnamita Anh Hung Tran. "Entre a Inocência e o Crime"/ "Cyclo" , de 1995, ganhou o Leão de Ouro em Veneza naquele ano, coroando sua explosão de sucesso anterior, com "O Cheiro do Papaia Verde". Situado entre dois filmes que abordam a delicadeza familiar, mais que isso, uma delicadeza doméstica, como o primeiro já citado e "As Luzes de um Verão", este filme é sobre uma família, mas é mais fora de casa. É um drama policial duro, duro, duro - tipo com o corpo de um homem sendo incendiado (não sei como fizeram a cena!).

Um pobre garoto de 18 anos, órfão, arrimo de família, tem seu riquixá roubado, e se vê na necessidade de entrar para o crime a fim de saldar a dívida com a real proprietária do veículo. Entremeios, sua irmã (interpretada pela esposa do diretor, presente em todos os filmes) terá de encarar a prostituição. Em comum, os dois irmãos estarão nas mãos do mesmo rufião, da mesma quadrilha. A situação social precária põe os jovens em risco; é a moral do filme. 

Seria um filme comum, se não fosse o marcante estilismo do diretor. O Vietnã em seus filmes é verde, úmido, molhado, populoso, embora silencioso. Cada cena é muito estudada, muito preparada. A belíssima Fotografia é como sempre do francês Benoît Delhomme ("No Portal da Eternidade"), que deveria ser mais premiado.

Para quebrar o asiático da coisa, digamos assim, há uma linda cena em que se toca "Creep" do Radiohead. O que me faz lembrar que em "As Luzes de um Verão" se tocava Lou Reed. Parece estranho, mas tudo se encaixa na atmosfera única do filme.

Entre a Inocência e o Crime - 27 de Setembro de 1995 | Filmow

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Diante de uma carreira marcada por desafiar convenções narrativas, "Inland Empire" extrapola ainda mais o limites.

David Lynch criou aqui uma verdadeira fita de Moebius narrativa. Temos a suposta personagem 1 de Laura Dern, Nikki Grace, uma atriz prestes a iniciar a rodagem de um filme; a personagem 2, Susan Blue, a personagem interpretada por Nikki Grace; temos uma outra garota que assiste à tudi, talvez presa num cativeiro, talvez emulando a gente, a platéia; e há a camada de Laura Dern, que acompanha a garota (ou a gente) estando numa platéia ela mesma, acompanhando o que acontece na tela.

Lynch aproveita a imagem do digital para distorcer ainda mais a estas linhas e nos joga numa atmosfora de confusão, ansiedade, mas também euforia. E além de tudo aproveita para comentar o status da indústria cultural naquela máquina de moer sonhos, chamada Hollywood. 

Lembro-me que na época ele fez campanha para Laura Dern no Oscar com uma vaca. Ela não ganharia mesmo, pois era o ano de Helen Mirren , mas merecia muito a indicação. Que trabalho!

Este ainda é o último filme lançado por Lynch (não sou daqueles que considera a obra-prima magistral "Twin Peaks: O Retorno" um filme de 18 horas), mas fico sempre na esperança que ele tenha alguna nova ideia numa de suas sessões de meditação. 

images - 2021-10-09T191933.700.jpeg

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(319)

"O Padre Voador", de 1951, é o primeiro trabalho de Stanley Kubrick, uma curta-metragem a preto e branco. Fiquei me indagando se ele seria classficado como um curta de documentário, ou um curta de ficção, hoje em dia, já que o padre do título não é invenção, vive a si mesmo na tela, um padre do Novo Mexico, cuja paróquia é tão grande que só pode cobri-la por meio de um bimotor. Mas é claro que as situações de trabalho, embora críveis, foram criadas para a câmera: Um sermão a um jovenzinho bully; um resgate de uma criança doente através do céu.

É um trabalho simpático, sem diálogos, mas narrado, que apresenta o tal padre em suas várias facetas fora o trabalho eclesiástico com os hispano-americanos: como campeão de tiro, ou vendedor de passarinhos que ele mesmo captura. 

A descoberta de um padre pop, ou um elogio ao trabalho dos missionários na integração americana?

8 minutos.

 

O Padre Voador - 23 de Março de 1951 | Filmow

 

320) Já "O Dia da Luta", também de 1951, é outro curta-metragem do mestre americano que segue um personagem real, dessa vez um boxeador de origem irlandesa, no dia de sua luta à noite contra um outro grande oponente. Registra-se desde seu acordar, seu desjejum ao lado de seu irmão gêmeo, a batida de peso, a verificação clínica, os últimos treinamentos, a tensão das horas até o embate, e a luta em si - aliás, bem filmada.

Este já tem mais cara de curta documentário, mesmo. Com um letreiro sublinhando que todos os eventos eram verdade. Como o anterior, o voice over passa a ideia de uma apresentação jornalística para uma outra mídia qualquer. 

Lembro-me que em seu ótimo "A Morte Passou por Perto", de 1955, o personagem principal também era um boxeador, mas vindo do interior. Só que derrotado, by the way.

12 minutos.

O Dia da Luta - 30 de Março de 1951 | Filmow

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Night of the Animated Dead é a versao animada do clássico filme do Romero, mas na boa...que deixa muuuito a desejar! Sim, é uma copia exata e fiel do filme, tem critica social e tals.... mas é demasiado pobre como animacao que parece projeto escolar (ainda mais vinda da Warner que tem fama de qualidade). Mas tem seus pontos positivos, como o trabalho na voz dos personagens e a trilha sonora. Mas o conjunto, infelizmente nao se salva... Romero se revira no túmulo.. 6-10

Night of the Animated Dead Cast, Release Date and Box Art Revealed

Injustice por sua vez é uma razoavel adaptacao da famosa graphic novel que traz um Superman ditador num universo alternativo, coisa que o Snyder apenas sugeriu em seus dois ultimos longas. Apesar de sangrenta, sombria, bem desenhada e agil em ritmo, a impressao que tive foi a mesma que o filme Watchmen: bom filme mas adaptacao duvidosa. Ou seja, desagrada que conhece a obra original (eu!), mas agrada quem sequer a viu. Sempre reclamo de excesso de tempo em producoes, mas aqui é o oposto.. faltou metragem que poderia ter complementado a trama mostrada. 1hora e 15minutos é muito pouco pra mostar algo que demandou 4hrs nos jogos e calhamacos de HQs.. 7-10

Janet Varney Best Movies and Shows List

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(321)

Fiquei pensando no gênero deste filme. Apenas um Drama ou um Western? Um Western contemporâneo, urbano, e em vias de extinção. Os cavalos são mercadoria, não mais meios únicos de transporte; o problema é o narcotráfico não o roubo a bancos; os outrora lotados saloons são restaurantes e hotels de beira de estrada esvaziados pela estagnação econômica. México e Estados Unidos têm suas fronteiras definidas e hipervigiadas. O mundo do Western parece assumir que perdeu seu clima. Que seu mundo é o passado. De interessante, apenas a simbologia.

"Cry Macho", no Brasil, com o subtítulo "O Caminho para Redenção", é o novo filme dirigido e protagonizado por Clint Eastwood, na altura de seus 91 anos. Palmas para isso. E retiro as mãos. Muito pobre como arte cinematográfica. Não tem nada de mais. Uma trama de resgate; tirar alguém de algum lugar. 

A atuação do Clint é boa nas partes em que ele precisa mostrar vulnerabilidade. Nas partes de confronto, ou de ação, mostra-se inconvincente - ajudada até onde deu pelos muitos cortes de montagem. Aliás, se a atuação do menino é tida unanimemente como o ponto mais fraco do filme, eu devo dizer que as composições de cena me parecem fraquíssimas. Tipo: Enquanto Clint brinca com crianças, a mãe observa enternecida a cena com a mão na porta; cena de dança, com um beijinho no final; policiais mexicanos sendo facilmente subornados...Tudo é antiquado neste filme. 

Só gostei da atuação da atriz mexicana Natalia Traven, que deu um up no filme.

Cry Macho - film 2021 - Beyazperde.com

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2 hours ago, SergioB. said:

"Cry Macho", no Brasil, com o subtítulo "O Caminho para Redenção", é o novo filme dirigido e protagonizado por Clint Eastwood, na altura de seus 91 anos. Palmas para isso. E retiro as mãos. Muito pobre como arte cinematográfica. Não tem nada de mais. Uma trama de resgate; tirar alguém de algum lugar. 

Pois é, Clintao ja fez bem melhor mas sei la... seu cinema ta se segurando unicamente pelo nome e carisma do bom velhinho, nao pelo seu bom e reconhecido cinema... o cineasta Paul Shrader detonou o filme se dó🤣

https://www.papodecinema.com.br/noticias/paul-schrader-critica-cry-macho-e-chama-filme-de-clint-eastwood-de-muito-ruim/

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(322)

"N`aum vou nem falar nada!!"

Revi depois de muitos e muitos anos "Hospital", de 1971, do diretor canadense Arthur Hiller. Uma comédia hilária, absurda, passada em um hospital caótico, cujo médico-administrador está deprimido, e atingido por problemas de toda ordem, inclusive, mortes inusitadas de seus funcionários, e pacientes com tratamento trocado. Uma confusão incrível. Além de tudo, se apaixona pela filha de um dos acamados.

O roteiro, vencedor do Oscar, é do mito Paddy Chayefski; sua segunda estatueta. As situações são muito engraçadas, e lidam com muitos aspectos: romance, mistério, até mesmo a denúncia sobre a ambição financeira e corrupção daqueles que lutam proximamente com o setor da saúde. 

George C. Scott dá um show absoluto como o protagonista, único a ter responsabilidade moral e um pouco de sanidade naquele ambiente. Sua atuação o levou a ser indicado novamente ao Oscar, em 1972, ele que ganhara e recusara o prêmio no ano anterior. Dessa vez, ele nem sequer se deu ao trabalho de recusar a indicação. 

O filme é delicioso e conta com várias tiradas excelentes. Fica até difícil destacar uma num roteiro tão bem escrito. Não anotei exatamente a frase, mas, em certo momento, se diz que nem Jesus Cristo ensanguentado saindo da cruz conseguiria um leito naquele hospital superlotado, fora de controle. Numa certa cena, numa discussão romântica, há a frase: "Você até abriu a janela e berrou para rua". E efetivamente Gorge C. Scott faz isso, em seguida. Uma frase que parece perdida, mas como não associá-la ao posterior texto de Chayefski, de 1976, que lhe rendeu sua terceira estatueta dourada, "Network"? - aquela coisa! 

No final, se diz que um dos médicos corruptos pretende voar para o Brasil. Eu que sempre reparei nas nossas canções presentes na filmografia internacional,  comecei a anotar recentemente em quais filmes os criminosos pretendem evadir-se para o nosso país. Ou seja, simbolicamente somos um paraíso para os criminosos.

Maravilhoso.

Hospital - 1971 | Filmow

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(323)

A única coisa que eu sabia a respeito de "491", filme sueco, de 1964, era que ele era muito cultuado por suas cenas fortes. De resto, vi o filme no escuro total. 

Baseado em um livro, o diretor Vilgot Sjöman conta a história de um experimento social, no qual seis jovens delinquentes passam a morar juntos, de modo a testar sua recuperação social, desenvolver autocontrole, contenção, amizade, etc, sendo os garotos supervisionados por dois assistentes sociais, cujo lema é "Você pode pecar e ser perdoado 490 vezes". O título ironicamente mostra a conduta 491.

O filme foi censurado em seu país e na Escandinávia, proibido, cortado, mas nem o conservadorismo pôde com ele. É muito bom, é bom com força, por ter a coragem de tocar em várias feridas, entre elas, o assistente social carinhoso que estupra um dos garotos, em uma cena com uma construção lenta e sórdida. Fantástica as atuações dos dois atores. Várias coisas fortes se passam na história, mas ela culmina com uma garota, que se envolve com os meninos, sendo estuprada por um cachorro. Não é spoiler, juro, e explico:

O público da época se indignou, mas a cena é tão bem construída, que sabe-se o que aconteceu, ainda que ela não seja mostrada efetivamente. É intuída. Tão bem feita, que é como se a tivéssemos assistindo de verdade. Não são as cenas que são fortes, é o tema: A função da ressocialização da pena é mais do que difícil, é um mito religioso.

Um "Pixote" do Primeiro Mundo.

491 (1964) - IMDb

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Estes dias assisti a quadrilogia de terror Welcome to Blumhouse, feita pela icônica produtora desse tipo de filmes pra atender a demanda pré-Halloween, na Amazon.. e posso afirmar que é divertidinha dentro do que se espera do gênero, alias ta bem acima da producao que vai pro cinema. Assisti mesmo porque os filmes eram relativamente curtos (menos de hora e meia cada) e aqui vou falar brevemente de cada um, em ordem descrescente de gosto.
 

Black as Night é o mais divertido de todos com sua pegada teen terrir, é um filme sobre vampiros sem-teto (sim, isso mesmo!) que tem uma pegada Lost Boys com muita militância racista, o que o aproxima mais ao divertido Vampiros vs. The Bronx. Despretensioso, aqui é delicioso pincelar as referencias ao gênero aqui e ali, que vao desde Crepúsculo, Blade e até Buffy. Boa matinê de Sessao da Tarde. 8.5-10

Estreias: Novo 007, O Culpado e mais


 

Bingo Hell já é uma producao relativamente aceitavel dentro de sua premissa maluca, um Bingo onde os idosos vendem sua alma ao capeta. Imagina uma versao terror de Cocoon.. é isso! Este é o mais experimental e viajado de todos pois o baixo orcamento permite alguma criatividade nessa deficiência. Logico que nao é pra todos as dá pra passar o tempo pois o forte dele sao as ótimas interpretacoes do seu octagenário elenco. Ah, e do gramunhao tambem. 8-10

Bingo Hell (2021) | MovieZine

 

Madres por sua vez é mais um terror social de denuncia do que terrozao tradicional mesmo, mas te prende pelo mistério que se debruca no casal latino do longa. Misturando sobrenatural com historia real, o longa comeca devagar mas da metade ate o fim engrena de vez escancarando xenofobia, injustica social, racismo, etc. Aqui, no entanto, a boa historia entra em xeque pela interpretacao ruinzinha do casal principal...em especial a atriz. Curiosidade foi rever a mocinha do filme Predador aqui, no papel da feiticeira. 7.5-10

Welcome To The Blumhouse: Confira os trailers da coletânea de filmes |  Coxinha Nerd


The Manor ta pau a pau com o filme acima, sendo em convencional com seu acertos e erros. A estoria da tiazinha com visoes na casa de repouso so te cativa pela estupenda atuacao da sumida Barbara Hershey, figurinha carimbada no século passado, no papel principal. A quimica dela com o pirralho é o melhor do filme. É um longa que fala de envelhecimento, descaso e maus tratos que se mantem ate a metade, mas depois sabe-se la porque o roteiro trilha caminhos incoerentes e por ai vai. Tem defeitos, sim.. mas no final ele se redime. 7.5-10

Edição 2021 do 'Welcome to the Blumhouse' ganha trailers

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Eu acho que as sessões mais decepcionantes são naqueles filmes que começam muito bem, rola aquela empolgada, mas do meio para o final se perdem. Este francês "Faca no coração" se encaixa no tipo.

Uma produtora lésbica de filmes pornôs gays, alcoólatra tem de lidar com a própria obsessão com sua ex, que por sinal é a editora de seus filmes e ao mesmo tempo com uma série de assassinatos de alguns de seus atores.

Os primeiros assassinatos são muito bem construídos, à base de muita fetichizações com máscara, couro e dildo. A primeira meia-hora mescla bem giallo, De Palma e um pastiche à luz de muito neon.

No entanto, a abordagem se perde muito. O que era uma divertida psicanálise se torna uma jornada de espiritualidade tirada sabe-se lá de onde e até as mortes posteriores perdem o impacto e imaginação, para não dizer que é brega.

Uma pena, poderia ter sido bem legal.

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"N`aum vou nem falar nada!!"

Desprezo quando as pessoas manifestam desdém ao atribuírem aos espectadores de filmes iraniano um gosto cinematográfico pretensamente cult, ou próprio dos delicados. É pura ignorância. Só ignorância. Quando você assiste a um filme como "O Ciclista", de 1989, do grande Mohsen Makhmalbaf, de pouco mais de 80 minutos, você passa por tantas emoções, tão desconcertantes, que é impossível retirá-lo da memória. Só uma pedra Bolsonarista não se emociona com um filme assim.

Um pobre imigrante afegão residindo com sua família no Irã, provavelmente fugindo da guerra contra a URSS, tem sua mulher gravemente doente. Sem dinheiro para o custeio do tratamento hospitalar (até por que em determinado momento se explica que aos afegãos se pagam menos do que a um nacional), por extrema necessidade, afasta-se da ideia inicial do suicídio, para entrar em um desafio de pedalar durante 7 dias sem parar. Uma gingana da morte. O que me remeteu, claro, a obra-prima "A Noite dos Desesperados" - akela coisa! - do Sydney Pollack. Aqui, é uma versão iraniana.

Se nos primeiros dias, o pedalar em volta a uma praça não chama tanto a atenção, ao longos dos dias, o interesse local só cresce. O que desperta a inveja das autoridades da cidade que vê no ciclista um suposto espião; desperta interesse midiático; desperta interesse econômico de quem começa a lucrar com aquela presença circense e mortal; mas aparece também o genuíno interesse do povo, que passa a torcer por ele, como por um herói.

O lado sentimental da história é forte, mas está anexado a temas políticos muito complexos, como a pobreza dos dois países vizinhos; a imigração afegã (uma questão atualíssima), a ditadura religiosa.

Os vinte minutos finais são sublimes. Cansei de bater palma! Como não se emocionar com pessoas jogando água no rosto dele, para que o ciclista nao caia no sono, ou mesmo, tapas, ou mesmo, beijos...E, posso estar enganado, mas me pareceu o próprio diretor, Mohsen Makhmalbaf, dirigindo a grua da tevê local, perfazendo uma metonímia brilhante, numa relação lógica de substituição da tevê pelo cinema. 

Um filme maravilhoso!

O Ciclista - 1987 | Filmow

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(325)

Fruto da chamada Nouvelle Vague theca, "Trens Estreitamente Vigiados", de 1966, ganhou o Oscar de Filme Estrangeiro em 1968, e seu diretor, Jirí Menzel - morto por COVID -19 no ano passado - foi até indicado ao DGA! Baseado em um romance, o filme compartilha aquele tom de humor - que eu particularmente não racho de rir - da "fase theca" do Milos Forman. Mas a grande atração é que se trata de uma comédia passada durante a Segunda Guerra Mundial, e sua premissa é, sim, muito legal, e muito inteligente, e foi o que eu mais gostei do filme: Tipo, quem é que, em meio a Segunda Guerra Mundial, com seu país invadido por nazistas, vai se preocupar com ejaculação precoce? Resposta: Um adolescente.

Um jovem tem seu primeiro emprego, de despachante, em uma estação de trem controlada por simpatizantes do Nazismo. Não são alemães, de fato, são os nacionais colaboracionistas. O "estreitamente vigiados" do título ( que, penso deveria ser, na verdade, "estritamente") é uma mentira. O trabalho é uma zona! Acontece de tudo. Os companheiros de trabalho do garoto são caras parvos, que gostam de beber, assanhados, daqueles intrometidos que gostam de dar dicas sexuais. O garoto está em sua fase de descobertas, apaixonadinho por uma menina da resistência, mas se vê em conflitos interiores, pois sofre de ejaculação precoce. Tipo, o sofrimento psíquico da guerra bate nele como ansiedade sexual. E, claro, ele sofre demais com isso, como não?! Tenta até uma medida extrema. 

O filme é muito bem dirigido, e a atuação do protagonista é muito simpática e delicada. Nunca ficando ridícula. Porém, o tal humor é meio sem noção em vários momentos.

Trens Estreitamente Vigiados - Filme 1966 - AdoroCinema

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Candidatíssimo a filme mais louco que vi em toda a minha vida, "Hitler 3º Mundo", de 1968, é um filme de vanguarda, experimental, dirigido pelo escritor e cineasta paulistano José Agrippino de Paula, buscando, à la um Buñel dos primórdios, imaginar como seria um regime fascista nascido na periferia do Terceiro Mundo.

É conhecido também por ser "protagonizado", digamos assim, por um Jô Soares que encarna um samurai bizarro, com uma peruca crespa, vingador. Num primeiro momento, atira verduras e legumes para uma legião de crianças e pessoas faveladas; depois resgata as crianças em um furgão; mata um dos brasileiros nazistas em um banheiro; depois debate-se com a televisão...

Temos a tendência de tentar armar um roteiro, mas não há. O que temos é uma sucessão de imagens fortes, como a de uma mutilação peniana; ou uma sucessão de imagens loucas, como um Adão e Eva negros, nus, subindo uma montanha; ou uma espécie de Hitler de bermuda florida, camisa florida, recriminando a miséria do país.

O trabalho sonoro é propositadamente deslocado. Custamos a entender as poucas frases que são ditas. Há um ruído constante também. Tudo é muito estranho e desarticulado.

O filme nunca foi lançado comercialmente, mas é cultuado pelos estudiosos do cinema marginal brasileiro, ainda mais pelo ano de sua feitura, em plena Ditadura Militar.

Tendo a concluir, pessoalmente, é que a mensagem do filme é que nem o Fascismo iria querer um país como aquele! Tão miserável, atrasado, e primitivo. O Fascismo precisa de adoradores acríticos, que se creem grande entendedores das coisas. O povo retratado ali, lutando por sua sobrevivência, estava aquém de qualquer nível de politização.

Hitler IIIº Mundo (1968) - IMDb

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"Alice ou A Última Fuga", de 1977, é uma fantasia surrealista escrita e dirigida por Claude Chabrol, que reúne elementos fáceis de notar de "Alice no País das Maravilhas" e, cinematograficamente, de "O Ano Passado em Marienbad". 

Protagonizado pela neerlandesa Sylvia Kristel, eterna Emmanuelle, acompanha-se uma esposa que foge do casamento em uma noite chuvosa, dando adeus ao marido insuportável e a uma vida aburguesada. Na estrada, com chuva, tem problemas com o carro. E abriga-se em uma antiga, requintada, e estranha mansão, onde fica misteriosamente aprisionada, vagando pelos cômodos e jardins. 

Pode-se facilmente encarar a trama pelo ponto de vista religioso, como uma metáfora para a morte (já escrevi diversas vezes que não gosto do cinema como metáfora, mas como metonínia - como no recente "O Ciclista"), e a mansão como sendo um estágio de purgatório. E parece que é essa mesma a intenção. Para mim, ateu, isso não diz nada.

Como cinema, fiquei o tempo todo comparando-o à proposta radical do filme de Resnais, que vai ao limite do limite, ao não explicar nada dos personagens, ao não propor nenhuma investigação social ou psicológica, e só encarar o vazio do tempo e do espaço. 

Ao tentar explicar, ou ajudar o espectador, diminui-se como arte.

Alice Ou a Última Fuga - 1977 | Filmow

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Remake do dinamarquês "Culpa", de 2018, Antoine Fuqua dirige esse novo filme da Netflix, "O Culpado", com produção e protagonismo de Jake Gyllenhaal.

Os dois filmes trabalham com a relação campo-extracampo, o que é mostrado e o que é apenas escutado, deixando a suposta ação principal a cargo da nossa imaginação - havendo apenas por um breve momento uma quebra nessa estrutura, e meio sem razão fundante para isso.

O Gyllenhaal está ótimo, como sempre, e o Fuqua deu um jeito de relacionar o filme a vários problemas intrinsecamente americanos, desde os devastadores incêndios anuais na região de Los Angeles aos excessos da ação policial.

Para mim foi uma experiência apenas mais ou menos, porque a história principal é legal, mas, sinceramente, não é tão legal assim... Não é excitante como "Dia de Treinamento", embora traga uma leve recordação dele ao se valer da voz de Ethan Hawke como um ex-parceiro de rua do personagem principal.

O Culpado - Filme 2021 - AdoroCinema

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On 10/17/2021 at 2:46 PM, SergioB. said:

(328)

Remake do dinamarquês "Culpa", de 2018, Antoine Fuqua dirige esse novo filme da Netflix, "O Culpado", com produção e protagonismo de Jake Gyllenhaal.

Serjao, mas esse remake é melhoir ou nao que o dinamarquês, que achei legalzinho?

 

Duna é um filme que tava com pé atras pra assistir por varios motivos: duracao excessiva, desconhecer o livro de origem e porque o filme original oitentista do Lynch nao achei lá essas coisas... No entanto, fui intimado pela patroa a assistir pois ja tava disponivel no torrentao.. mas assistimos em duas sessoes, diga-se de passagem! E olha que curti em partes porque boiei (e até cochilei) bastante no decorrer do longa... pois parece que o filme foi feito pra quem leu o livro, nao é meu caso, parece que deixaram os ganchos narrativos mais coerentes pra segunda e terceira parte, uma vez que o filme ta sendo concebido pra trilogia. Um deslumbre visual e técnico, claro.. Como espetáculo é top mas falta tensao, onde o roteiro poderia ter caprichado mais pro espectador leigo.. a diferenca da trilogia Senhor dos Aneis, que acompanhei de boas mesmo sem saber dos livros do Tolkien. Outra, o filme tem muito blábláblá e a coisa so melhora quando comeca a acao, e ai tudo termina! Coito interrompido... anticlimax total porque deixaram pra sequencia! Maleditos!🤬🤣 Chalamet, Momoa e Brolin se destacam. Ao contrário do Isaac, Barden, Zendaya e Bautista. Resumindo, tentaram resumir uma obra complexa mas nem isso foi suficiente pro filme me ganhar, algo similar ocorreu quando assisti a adaptacao de Watchmen. Ou seja, é bom e melhor que o filme do Lynch, mas esperava beeeem mais diante de todo hype.  Que sabe nas sequencias a coisa engrene pra mim. 8-10

137 eleştirmen seçti! Festivallerin yıldızı olan filmler açıklandı - Mynet  trend

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2 hours ago, Jorge Soto said:

Serjao, mas esse remake é melhoir ou nao que o dinamarquês, que achei legalzinho?

 

Duna é um filme que tava com pé atras pra assistir por varios motivos: duracao excessiva, desconhecer o livro de origem e porque o filme original oitentista do Lynch nao achei lá essas coisas... No entanto, fui intimado pela patroa a assistir pois ja tava disponivel no torrentao.. mas assistimos em duas sessoes, diga-se de passagem! E olha que curti em partes porque boiei (e até cochilei) bastante no decorrer do longa... pois parece que o filme foi feito pra quem leu o livro, nao é meu caso, parece que deixaram os ganchos narrativos mais coerentes pra segunda e terceira parte, uma vez que o filme ta sendo concebido pra trilogia. Um deslumbre visual e técnico, claro.. Como espetáculo é top mas falta tensao, onde o roteiro poderia ter caprichado mais pro espectador leigo.. a diferenca da trilogia Senhor dos Aneis, que acompanhei de boas mesmo sem saber dos livros do Tolkien. Outra, o filme tem muito blábláblá e a coisa so melhora quando comeca a acao, e ai tudo termina! Coito interrompido... anticlimax total porque deixaram pra sequencia! Maleditos!🤬🤣 Chalamet, Momoa e Brolin se destacam. Ao contrário do Isaac, Barden, Zendaya e Bautista. Resumindo, tentaram resumir uma obra complexa mas nem isso foi suficiente pro filme me ganhar, algo similar ocorreu quando assisti a adaptacao de Watchmen. Ou seja, é bom e melhor que o filme do Lynch, mas esperava beeeem mais diante de todo hype.  Que sabe nas sequencias a coisa engrene pra mim. 8-10

 

* O dinamarquês é melhor. Conseguiu me envolver mais com a ação "escutada", fora da tela. Essa versão não é ruim, mas foca mais no policial. 

* Ainda não vi, mas sei exatamente onde o filme vai terminar. Daí por diante, o livro é muito melhor, e, acredito, dará um filme com mais ação.

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Depois do fantástico "Toni Erdmann", de 2016, a diretora alemã Maren Ade não lançou mais nenhum trabalho, infelizmente. Fiquei muito contente, então, ao descobrir e assistir ao seu primeiro longa, de 2003, "A Floresta para as Árvores" - um trabalho de conclusão de curso - acredite se quiser - que ganhou vários prêmios, inclusive em Sundance. 

É uma comédia deliciosa a respeito de uma professora iniciante, idealista, cheia de inocência, e de esperança no mundo, que sai do interior para uma cidade maior, para trabalhar em uma escola. Escola essa, que, pesquisando, é exatamente onde a mãe da diretora trabalhou na vida real. 

Ela não tem força para controlar o ímpeto dos alunos, que pintam e bordam com ela. Os professores mais experientes riem às suas costas. Em seu novo lar, tenta fazer amizade com os vizinhos, mas de um jeito atabalhoado. Acaba sozinha, sem amigos, recebendo a descortesia da cidade grande. O maior drama é que ela tenta forçar uma amizade com uma vizinha, que às vezes lhe dá atenção, mas ela acaba metendo os pés pelas mãos, interfirindo demais na vida dela de um jeito "freak". Sabem aquelas pessoas "too much"?

A atriz principal Eva Lobau dá um verdadeiro show. Consegue passar a bondade, a solidão, o desespero por ter amigos, na medida exata. Ganhou, pelo desempenho, vários prêmios de Melhor Atriz. 

 A solidão extrema torna as pessoas esquisitas.

Amei.

A Floresta para Árvores - 27 de Janeiro de 2003 | Filmow

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330)

Por falar em comédia boa, tive sorte e vi essa simpatícissima obra do grande Mario Monicelli, "Pais e Filhos", de 1957.

Uma filme com múltiplos personagens, a respeito do mesmo tema, encetado no titulo: A relação pais e filhos. Filhos que agem como pais de seus pais (minha fase atual!); filhos rebeldes; filhos vagabundos; pais com muitas crianças; casal sem filhos pensando em adoção; pais de adolecentes descobrindo a sexualidade...

Vittorio de Sica atua aqui, e tem o principal papel; Marcello Mastroianni, ao contrário, faz uma ponta, mas com direito à cena mais bonita. É tão bom ver esses simples filmes italianos dos anos 1950...Penso nos meus avós, nos meus tios-avós. A casa cheia, sempre cheia, com muita discussão...terá sido assim também?

Ninguém nasce pai ou mãe. É um aprendizado. Aprende-se sendo.

Pais e Filhos - 21 de Fevereiro de 1957 | Filmow

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331)

"O Grande Chefe", de 2006,  é a incursão na comédia de Lars von Trier. De riso desopilante, não tem nada. É mais sarcasmo. Sarcasmo puro. Então eu entendo as críticas sobre a "falta de graça", mas dou o desconto que frequentemente o humor não migra tão bem entre as nações, e elogio a inteligência do Lars em rebater em forma de filme muitas das críticas que recebera até aquele momento.

Um ator desempregado é contratado para representar o dono de uma companhia cujo verdadeiro dono quer pô-la à venda. É contratado para ser desagradável, tomar decisões impopulares, e aos poucos se vê envolvido sentimentalmente com vários funcionários, e com questões imprevistas na hora de fechar o negócio. Eis a trama. Para mim, ela é o que menos interessa.

De interessante cinematograficamente, primeiro, Lars von Trier dispensa um fotógrafo, e dá a um computador as decisões dos enquadramentos. O resultado produzido pela inteligencia artificial é um monte de cenas mal ajambradas: teto aparecendo, pescoços cortados, perfis divididos, etc. Em dois momentos, contudo, o próprio Trier aparece em uma grua, para filmar o prédio da empresa de longe, se colocar como um narrador, e interfirir na história. 

Segundo, Trier já era criticado por muitos atores que trabalharam com ele, e aqui ele coloca a figura do ator como um mero empregado - alguém que se contrata - não como um autor - O autor é o diretor de cinema (tal qual o real diretor da companhia)! A ele pertence o controle significativo das ações. 

Terceiro, uma questão de fundo, um artista declaradamente muito depressivo pode fazer rir. Tentar fazer rir. São coisas independentes.

O Grande Chefe - 24 de Agosto de 2007 | Filmow

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Copshop é um bom filme de acao e porradaria que pelo menos nao pretende ser mais do que é e isso já vale a bizoiada. Ou quase isso, pois o lance de querer ser moderninho e vintage depoe contra, emulando clássicos do genero como Shaft ou Assalto ao 13 DP, etc. As atuacoes estao aquilo ja esperado pois o Grillo e Butler, pois destilam canastrice ate o sabugo da unha. Nao ta ruim como previsto mas tambem ta longe do esperado porque o filme tem momentos bizonhos, fora o plot estupido dele. Tem uma estetica setentista bacana mas é só. Quem sabe nao quissesse ser mais pretensioso e se assumisse um B fosse melhorzinho. E olha que o diretor ja fez coisa muito melhor. 8-10

Movie Times at AMC Theatres


 

Stallone: Frank, That Is é um curioso documentário que disseca a carreira do irmao do Stallone, Frank, sempre esquecido nos churrascos hollywodianos. Um cara que tem muito talento (como musico) mas tem o azar de carregar o sobrenome Stallone, vivendo sempre na sombra do irmao famoso. Dá pra sentir dó do cara, pois ocara só emplacou um sucesso (Far from Over, do filme Embalos do Sabado Continuam) e nunca mais! Fez terapia, tentou atuar em filmes B sem sucesso, quase mudou de nome, fez trilhas nos filmes do irmao, etc.. Mas o melhor sao as estorias dele e depoimentos de muitos atores do alto escalao sobre o real talento do cara, atentar a cena dele treinando com Schwarzza na academia. Filme bacana dos chamados "underdogs" 8.5-10

Interview with Frank Stallone about boxing and pro wrestling | Miami Herald

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332) 

Como eu sempre digo, o Cinema é um professor de geografia. "A Mongolian Tale", de 1995, em que pese ser dirigido pelo chinês Fei Xie, faz questão de, em seus créditos finais, abrir um parêntesis e elucidar que os atores são todos mongóis. É um filme da Mongólia, portanto, e faz questão de nos deslumbrar os olhos com as paisagens daquele país. E funciona bem comigo, pois sou fascinado por essa parte do mundo, tão vasta fechada e desconhecida.

Adaptado de um livro, conta a história de duas crianças órfãs criadas juntas por uma senhorinha, e que são prometidas em casamento ainda jovens. O garoto a certa altura vai estudar na "cidade", e a menina fica, isolada, na pradaria, cuidando da avó.  Quando o garoto volta, homem feito (protagonizado nessa parte por um conhecido cantor pop mongol), sonhando em concretizar a promessa matrimonial, a jovem está grávida. 

Ao fim e ao cabo, uma história de machismo. De como o machismo comumente fica acima do amor. Ainda que cuidar do filho de outrem não é - digamos assim - uma coisa que um homem faz com um sorriso na cara. 

Um filme com um tema batido, mas que é beneficiado pela exuberante cor local. 

A cena final, presente no poster, é lindíssima.

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333)

Fechando a chamada Trilogia da Guerra", "Cinzas e Diamantes", de 1958, de Andrzej Wajda, conta a história de um rebelde nacionalista da Resistência Polonesa que, exatamente no último dia da Guerra, com o povo comemorando a rendição alemã, recebe a missão de assassinar um líder comunista, que se projetava como o homem de confiança da URSS. Porém, o homem encontra uma moça, apaixona-se por ela, e meio que decide viver uns últimos momentos de prazer, antes da missão. O amor se contrapõe à morte, para mostrar que a vida pode ser melhor, e confundir o rapaz se ele prossegue com a missão.

O filme é muito celebrado, sempre entra na lista dos melhores da História, mas eu fiquei meio decepcionado. A direção é soberba; a Fotografia utiliza lindamente a profundidade de campo; conseguiram achar uma locação fantástica de uma Igreja em ruínas com um Cristo dependurado de ponta a cabeça; e outros predicados; mas o roteiro não é bom. Entendo que a premissa seja boa, e irônica, pois se comemora o fim de algo terrível, às vésperas da nação ("O Cristo da Europa" como diz Susan Sontag) cair em outra coisa horripilante, contudo a história não é bem desenvolvida, nem tem pontos muito fortes. Toda a parte da armadilha para matar o dirigente é muito chata e sem tensão.

Uma das poucas boas frases: "A Guerra acabou, mas a luta continua", diz o dirigente comunista, a certa altura do filme. A tal "A luta continua", seja em que contexto for, em que país for, arrepia-me. Os bem-intencionados costumam fazer duplamente o mal.

Achei curiosa a ponte cinematográfica com "Canal" - aquela coisa!! - do ano ano anterior, pois o protagonista, em certo momento, diz que usa constantemente óculos escuros pois lutou muito tempo nos esgotos. Aí sim, aquele filme sim me conquistou.

Cinzas e Diamantes - 1958 | Filmow

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