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334)

"Ex-Pajé", documentário de 2018, de Luiz Bolognesi. Seu tema é o etnocídio. A morte de uma cultura étnica, no caso, a dos índios de uma tribo de Rondônia. O personagem principal é um pajé, ou ex-pajé, nesse belíssimo título, que agora é o zelador da Igreja missionária, que evangeliza os índios da região, e que colocou o conhecimento tradicional do pajé como coisa demoníaca. O doc é muito bom, acompanha tudo sem muita interferência até onde sei.

Lembrei-me a toda hora do fabuloso ensaio de Susan Sontag sobre "Tristes Trópicos", livro icônico de Claude Lévi-Strauss. A americana logo depois do lançamento entendeu que esse seria um dos textos fundamentais do Século XX, e escreveu um ensaio sobre ele presente em seu "Contra a Interpretação". Susan ensina que Claude era um professor "sério", circunspecto, sem muitos exageros. Portanto, de acordo com sua personalidade, o "triste" do título, outro belo título, por sinal (em português, seus dois "t"s o tornam ainda mais belo), é então um eufemismo. Um eufemismo por que os trópicos não estão tristes, estão em "agonia". Nunca me esqueci do emprego preciso dessa palavra. Agonia, pois os povos originários da América não têm um saber escrito, com força de permanência, só têm a cultura oral, passada dos mais velhos para os mais jovens.

Se há um assassínio cultural, como mostra o doc, há, segundo minha interpretação, também um "suicídio". Pois os índios mostrados estão muito felizes com suas máquinas de lavar, eletricidade, fogão, caminhonetes, e armas de caça. Não me parece que eles queiram voltar ao tempo do não contato com a cultura branca. Não idealizo esse tema. Mas acompanho o parecer que a imposição religiosa chega até ali com muita força, sem respeito algum, contra pessoas que não sabem se defender.

Ex - Pajé de Luiz Bolognesi ( Ex Pajé ) | Amazon.com.br

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On 6/21/2021 at 7:34 PM, SergioB. said:

(222)

"Luca" é a nova animação da Pixar, que chegou tocando trombetas a respeito de diversidade, até de ordem sexual, e entrega ...

...Um filme muito infantil. De criança, no argumento. Belíssimo no que toca a arte, mas a história em si é muito pequenininha; o conflito é muito tênue. O vilão, que é frequentemente o responsável pelo carisma das animações, aqui é só uma criança "má", um covardão "buller". 

O destaque positivo fica por conta da ambientação italiana. Mas é pouco. Os adultos pescarão elementos visuais de "Roman Holiday" e até de "Call me By Your Name", mas os excessivos clichês culturais atrapalharão qualquer atração mais intelectual.

Nem sei se chega no Oscar de 2022, já que a temporada nesta categoria será muito forte.

 

e...

"Raya e o Último Dragão" é a nova animação da Disney, que é um pot-pourri de várias ideias que estão sistematicamente dando certo no campo infantil: uma protagonista mulher empreendendo uma "jornada do herói", atrás de algo mágico, que vai unir o seu povo, espantar o mal...Acompanhada, claro, de um animalzinho coadjuvante fofo, executando lutas marciais, e, de quebra, enviando alguma mensagem social/ecológica.

No campo das ideias, portanto, não há nada de novo. A fórmula está pronta há algum tempo.

Tem me chamando a atenção, contudo, a rapidez das etapas de ação. Já tenho notado isso desde outros filmes, mas aqui não há muita perda de tempo. Aos outros personagens que aparecerem no caminho, dedica-se também pouquíssimo tempo, ou simplesmente não são explorados. Apenas estão lá.

Agora a parte técnica é um primor, uma perfeição. A água em redemoinho dos rios, os cabelos dos personagens, as penugens dos animais, os rostos humanos...Sério, talvez seja um dos filmes mais perfeitos da Disney! 

Trilha sonora linda do incansável James Newton Howard.

É do diretor Don Hall, vencedor do Oscar por "Big Hero 6"; e de Carlos López Estrada."

 

 

Aí, @Gust84!

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"N`um vou nem falar nada!!"

Gente...Vivo dizendo que meu critério amoroso é: Encha o meu cérebro!  Quando o cinema faz isso comigo é igualmente apaixonante. Estou embasbacado com "Violência e Paixão", de 1974, penúltimo filme de Luchino Visconti. 

Em inglês, o título é "Conversation Piece", pois se refere às pinturas de famílias nobres dos séculos passados, e o personagem do professor, vivido por Burt Lancaster, é um colecionador desse tipo de quadro. Ele, que não tem ninguém, vive sozinho, dedicado aos livros, à arte, vê sua vida mudar, quando uma família burguesa, caótica, vulgar, endinheirada, cheia de segredos e fúria de viver, aluga dele o apartamento acima do seu. Uma mãe, sua filha, seu noivo, e o amante-michê da mãe. Quantos tormentos! Quanto estrondo! Quanta juventude! Quanto erotismo! entram va vida do velho professor.

O filme, na verdade, é uma elaboradíssima e refinadíssima alusão à vida pessoal do diretor. Sabe-se que ele era bissexual/homossexual, e que desde o fim dos anos 1960 relacionava-se com o ator austríaco Helmut Berger, um bissexual assumido, ator de tantos de seus filmes. Visconti, a esta altura, dirigia na cadeira de rodas, com sequelas de um AVC, que acabariam por vitimá-lo em 1976. Burt Lancaster é quase um alter ego do diretor, um cansado e requintado homem de saber. Lancaster que, em sua vida privada, também era bissexual, e por imposições de Hollywood teve de colocar sua sexualidade no armário.

Pensava nessas alusões todas, quando, em uma das mais incríveis cenas do filme, uma sala secreta, contígua à biblioteca se abre. Um cômodo escondido, no velho apartamento, onde, no passado esconderam-se judeus e foragidos políticos, diz o professor. Um armário, pensei! E dentro dessa sala secreta se dará uma cena de ménage à trois, entre a filha, seu noivo, e o amante-michê da mãe, com o professor observando, só observando, mesmo sendo chamado a participar. E embala a cena "A Distância", de Roberto e Erasmo Carlos. Mais uma música brasileira presente no cinema internacional. Mais um exemplo para a minha coleção mental! 

O filme é sobre um homem culto enrustido que apaixona-se por toda aquela família. Mas em especial se apaixona obliquamente pelo modo de vida sem-limites dos mais jovens. Ainda que eles firam seu sistema de vida, de educação, formalismo, e refinamento. Chega um momento que quase não pode evitar se apaixonar pelo personagem de Helmut Berger, o amor do diretor italiano na vida real.

É o mundo do aristocrático Visconti que não existe mais. Vê-se tomado pela vulgaridade do mundo contemporâneo. Mas pela sua liberdade sexual também.

Amei!

Violência e Paixão - 10 de Dezembro de 1974 | Filmow

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Habitué de Cannes, o mexicano Carlos Reygadas levou o prêmio de Direção no icônico ano de 2012, que tinha "Amor", "Holy Motors", "Moonrise Kingdom", "A Caça", entre outros, por este "Luz Depois das Trevas". Isso por que o filme foi vaiado na sessão e dividiu a crítica, o que, em Cannes, é sempre bom.

Mescla uma tênue narrativa sobre uma família abastada que abandona a cidade grande para viver na zona montanhosa do México; com memórias pessoais do diretor, de passagens de sua vida na Europa - incluindo seus filhos, crianças, no elenco. É difícil saber em que a parte ficcional dialoga de verdade com a vida do diretor. Será que são representações dos pais dele? Parentes dele? Não sei.

Filmado em razão de aspecto 4:3, e com o centro do quadro delimitado, ainda por cima, por uma espécie de desfocamento das bordas, o filme apresenta uma Fotografia esplendorosa, de Alexis Zabe ("Projeto Flórida"), que reafirma mais uma vez a potência do quadro fílmico. Gosto bastante da filmografia dele, mas não exatamente por essas características. Elas, ao contrário, tornam seus filmes, a meu sentir, muito acadêmicos e sérios em demasia.

Eu gosto dos filmes dele pelo modo com que retrata sem medos os corpos humanos. Há muita verdade em todos eles. Se em "Japão", temos o longo plano de uma senhora de 78 anos transando; se em "Batalha no céu", temos aquelas pessoas extremamente obesas fazendo sexo oral; aqui temos um enorme plano de um casal, acredito, na Bélgica, onde o diretor morou, participando de uma orgia em uma sauna. Uma sauna sem ninfetas e ninfetos, mas com casais de meia idade, com seios já caídos, barrigas de chope, paus discretos, loucos por trocas de parceiros.  

É difícil dizer sobre o que esse filme é. Afinal, logo no começo, tomamos um susto, com a figura de um diabo, de vermelho néon, pura luz, pura radiância, entrando de maleta na casa dos protagonistas...Estranho. O diabo do vício em sexo pelo qual o protagonista se ressente, se frustra, e o faz maltratar sua mulher, e, numa cena pavorosa, seus pobres cachorros? Lembrei-me de que há o medo do demônio em "Luz Silenciosa" também.

Post tenebras lux | Full movies online free, Movie posters, Darkness film

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337)

"N`um vou nem falar nada!!"

1999 é o ano é o ano é o ano!!!

Do nada, revi "Matrix" na Netflix. Ansiedade para o capítulo IV, "Ressurrections", do final de ano, que dizem derivar do III, do qual não lembro muito. 

Do primeiro sim, lembrava de tudo. A não ser a impressão de que já vi ele "mais verde", e "menos verde". Alguém sabe o motivo?

A pessoa mais importante da minha vida amava esse filme das - hoje irmãs - Lana e Lilly Wachowski. E costumava repetir frases aleatórias do roteiro, ou criticar o governo da vez, ou nossa sociedade problemática, referindo-se a eles como a Matrix. Não está errado, errado não está. Mas falava isso com senhorinhas dos pombos ou senhores de bengala na pracinha..."Culpa da Matrix". Me envergonhava (Envergonhava de um modo que eu gostava...). Era simplesmente o jeito de sua mente filosófica e pop, apaixonada e delirante, funcionar. 

Enfim, como sempre digo, e ratifico uma vez mais, ninguém filma em câmera lenta como elas; bem como me impressiona como a velocidade de suas produções está associada à multiplicidade exorbitante de ambientes e locações. 

Quatro estatuetas do Oscar muito bem dadas, naquele ano icônico. O melhor da história do cinema.

Maravilhoso!

Big Poster Filme Matrix LO02 Tamanho 90x60 cm no Elo7 | Loot OP (F1E783)

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338)

"N`aum vou nem falar nada!!"

Estou perplexo com o brilhantismo de "Titane", Palma de Ouro em Cannes. Caramba! A introdução cronenbergiana é feita de forma belíssima esteticamente, mas se fosse só isso, uma atualização do estilo do canadense, seria um filme menor. O que me pegou de jeito é ser um filme que engana. Na primeira meia-hora pensamos que seria um filme de horror, um slasher, matança aleatória surrealista; mas depois, não, o filme mergulha de um modo quase freudiano no tema existencial da metamorfose. Jamais esperaria por isso! Um pai que procura um filho perdido/ uma criança que anseia um pai. 

Julia Ducournau arrasou na escalação do elenco. O excelente Vincent Lindon dá um show, trazendo camadas interessantíssimas a respeito da sexualidade desse homem. A certa altura da vida, o personagem não precisa mais de sexo, não precisa sequer ser gay, precisa só egoicamente de si, de seu corpo envelhecido mas trabalhado no doping. A atriz principal, Agathe Rousselle, está excelente neste seu primeiro longa, e, vou escrever porque tá na cara, mas muitos não querem ver, ela está "a cara" da própria diretora! Alterego, sim. E mais uma vez a sexualidade exerce um papel decisivo, pois se no início imaginamos automaticamente uma lésbica, temos depois de trabalhar nossa ideia de binariedade, de androginia, pois o que teremos é um menino, um homem grávido. 

As cenas de dança são espetaculares! Primeiro, a irônica dança em um Salão do Automóvel, satisfazendo o machismo dos frequentadores. E a última, tão ambígua, ganhando os olhos reprovadores dos bombeiros sem camisa, por imaginarem verem ali um homem gay dançando lascivamente, quando na verdade trata-se, talvez, de uma mulher...Quando na verdade, a bem da verdade, é a mesma pessoa, só uma pessoa,que eles provavelmente delirariam se vissem a primeira dança...

E o final é um pai com seu filho, aceitando-o, sem julgamentos, amorosamente. Tudo o que vier. 

Whoal, pra esse filme!

Salve a França selecionando um filme tão ousado como seu candidato! "Titane" faz avançar o cinema. A diretora deu à luz uma coisa estranha e bela, assim como já tinha feito no seu maravilhoso "Raw".

Titane (2021) | Hi-Def Ninja - Pop Culture - Movie Collectible Community

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Nightdrive é um indie que entorna Depois de Horas e De Volta pro Futuro (sim, isso mesmo!) num caldo só, e a liga funciona a contento esmo co as limitacoes desta simplória producao! Sim, o baixo orcamento é nítido mas o carisma dos dois atores principais carrega esta película nas costas. É um filme que fala de escolhas e decisoes, e o faz da forma mais realista possível, o que pode nao agradar a maioria. Eu curti o desfecho, pois eu teria tomado a essa decisao. E só pelo final corajoso ja valeu a bizoiada. 8.5-10

AJ Bowen goes for a NIGHT DRIVE on 8/6 - Horror Society


 

Mayday é um bacana drama indie que flerta com realismo fantástico ao contar a estória duma mina que acorda numa "Terra do Nunca sem homens"! Sim, Alice no Pais nas Maravilhas e Sucker Punch ja deram essa deixa, mas aqui a pegada é mais intimista e lúdica. O legal é a simbologia dos personagens principais e o uso da fábula pra superacao de traumas. As mina (desconhecidas) mandam em na atuacao, mas o filme peca quando quer viajar demais na maionese, surtando quando encaixa na trama um musical ao som de Love is Blue, do Liberace. 8-10

Ending Soon :: Laemmle Virtual Cinema

 

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14 hours ago, SergioB. said:

338)

Estou perplexo com o brilhantismo de "Titane", Palma de Ouro em Cannes. Caramba!

Putz, Serjao..esse filme nao funcionou meeeesmo comigo! ele comeca de um jeito e termina de outro, sao dois filmes em um só... é isso! Se tivesse mantido a pegada do comeco eu teria curtido mais.. porque depois ficou bem sem nocao e surreal demais, a metamorose da personagem pra mim so foi ate antes da metade, fumado demais esse filhote feminista de Crash... curti mais o filme anterior da diretora..aquele que os veganos adoram🤣

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20 hours ago, Jorge Soto said:

Putz, Serjao..esse filme nao funcionou meeeesmo comigo! ele comeca de um jeito e termina de outro, sao dois filmes em um só... é isso! Se tivesse mantido a pegada do comeco eu teria curtido mais.. porque depois ficou bem sem nocao e surreal demais, a metamorose da personagem pra mim so foi ate antes da metade, fumado demais esse filhote feminista de Crash... curti mais o filme anterior da diretora..aquele que os veganos adoram🤣

É um dos filmes mais controversos do ano, sem dúvida. Não acho que sejam "dois filmes", ele justamente engana o espectador, ao buscar sempre um caminho menos linear. O final, por exemplo, todos esperamos um rebento X, e aparece um rebento Y. Eu amei. Ainda estou pensando nele.

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339)

Em preparação para o quarto capítulo, "Matrix Reloaded", de 2003. Ou do início de 2003, pois o terceiro capitulo viria no final do mesmo ano. Lembro-me da decepção coletiva, à época. Justificadíssima.

Se as coreografias de luta permanecem sensacionais, há um esvaziamento enorme de tudo que o primeiro filme tinha de filosofia platônica, de tudo que o fazia parar em pé enquanto pensamento mais profundo, no eterno debate Realidade versus Ilusão. É um empobrecimento cultural, em troca de um simples filme de ação, a ponto de não haver mais conteúdo.

Ao assistir, fiquei pensando em uma coisa...O primeiro filme me ganha pela questão de que eram poucos os que despertaram, eram poucos os que venceram a ilusão e passaram a enxergar a realidade do mundo. Como sabemos, a maioria das pessoa tem um comportamento bovino, normótico, vive sem refletir, é dizer, vive sem filosofia. Neste filme, não, temos uma cidade secreta com 250 mil pessoas...Ah! Perde muito do charme isso. A cidade é ridícula, falsa, com dirigentes de cunho religioso, "líderes espirituais", sei lá eu...Outra matrix! 

Como todo filme 2, um filme de transição. Com encheção de linguiça, e poucas surpresas. 

Amazon.com: 11 x 17 The Matrix Reloaded Movie Poster: Prints: Posters &  Prints

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340)

Assisti a "Cidade Oculta, de 1986, do diretor precocemente falecido Cláudio Botelho, no início dos anos 1990. Cultuado hoje em dia, é um filme policial que tentou dotá-lo de características bem brasileiras, melhor dizendo, paulistanas. É a noite de SP dos anos 1980, seus inferninhos, um cyberpunk do terceiro mundo, embalado com músicas do paranaense Arrigo Barnabé, também ele o protagonista do filme. Na trilha, ainda agarrada à MPB, destaque para a transformação em rock do poema de Álvaro de Campos, heterônimo de Fernando Pessoa, "Poema em Linha Reta". 

Arriga Barnabé vive um cara que cumpriu pena durante 7 anos, e que vai ao encontro de um amigo, ex-companheiro de crimes, que hoje trafica "muamba" (Nunca fica muito claro se é ouro, ou drogas, ou as duas coisas), e que é açoitado por um policial corrupto, que quer ficar com a mercadoria. Nesse ínterim, conhece a personagem de Carla Camurati (lindíssima, corpasso - ai, as feministas vão me matar por esse elogio!), que tem o melhor desempenho no filme, uma dançarina e parceira da gangue, "Shirley Sombra" (bom nome!) e então apaixonam-se. A trama em si é esse esboço, pois depois desenvolve-se muito mal. O final é muito confuso e inconclusivo.

Penso que o Brasil àquela altura não precisava provar que sabia fazer um filme policial. Sganzerla, nesse sentido, já tinha logrado isso, décadas antes, com seu "O Bandido da Luz Vermelha". De resto, muito mais original. Aqui é apenas uma ambientação muito bem aproveitada, utilizando seus evidentes poucos recursos, mas que repete a estrutura de tudo que havia no mercado gringo, com seus cacoetes e clichês, do tipo, esticar a mão e fincar velozmente uma faca entre os cinco dedos...

Não vi nada de mais.

Cidade Oculta poster - Foto 2 - AdoroCinema

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On 10/27/2021 at 4:50 PM, SergioB. said:

É um dos filmes mais controversos do ano, sem dúvida. Não acho que sejam "dois filmes", ele justamente engana o espectador, ao buscar sempre um caminho menos linear. O final, por exemplo, todos esperamos um rebento X, e aparece um rebento Y. Eu amei. Ainda estou pensando nele.

hahaha...eu to tentando é esquecer esse filme , isso sim....😂

 

 

13 Fanboy é o típico filme de nicho que tem até boa premissa mas é pessimamente mal executado. Vai vendo, fã maluco da franquia Sexta Feira 13 vai matando os atores reais da famosa cinesérie de terror oitentista. Poderia vingar uma ótima revisao meta da franquia, a semelhanca de Hora do Pesadelo 7, mas aqui é tudo porcamente feito que beira o genérico mesmo! Parece até que vai na contramao de sua proposta, o que cai mal diante de tudo que expoe ao espectador. Tem gore, tem...tem slasher, tem.. mas é mais do mesmo, saca? Sobra o quê? A boa intencao da diretora Vorhees, uma das atrizes vitimas do Jason, e a reuniao nostálgica de muitos atores da franquia. Atente pra patética participacao do ja decadente Corey Feldman. Quica o @Jailcante curta mais que eu.  6-10

Friday The 13th Franchise Stars Being Killed In New Film 13 Fanboy


 

Bad Candy é uma antologia fraquinha de Halloween que tem até uma boa espinha dorsal, capitaneada pelo DJ interpretado pelo sumido Zack Galligan (o moleque de Gremlins) mas seus curtas sao quase todos fracos, sem excessao. O conjunto é fraco devido ao seus elos fracos e mal feitos. A precariedade desta producao de baixo orcamento é visível, faltou criatividade pra compensar isso. Pra nao so jogar pedra, creio que o unico conto que curti (em partes) foi o da enfermeira necrófila e dos caca-fantasmas. Efeitos fracos, gore exagerado, uma ou outra boa maquiagem e roteiro fraco. Nem falo das atuacoes porque todas sao sofriveis, beirando amador. Resumindo, passe longe porque tem antologias de Dia das Bruxas muuito melhores...tipo o ótimo Trick'r Treat. 5-10

Whispering Corridors 6: The Humming (2021) Full Movie Full HD English Sub  Online

 

 

Night Teeth é um filme mediano de vampiros que parece ser feito pra nova geracao. Imagina um Colateral so que ao invés de um matador dando rolê num taxi, aqui tem duas vampiras passeando uma noite num Uber!!! É isso.. O filme ate tenta emplacar uma nova mitologia modernosa pros sanguessugas endinheirados, mas o filme nao tem tensao nem te prende de acordo. Vai ver porque ele aposta as fichas do romancinho borocoxô do taxista com uma das vampiras.. Com boa fotografia noturna, o filme poderia ser bem mais violento mas nao sai da zona de conforto. E as atuacoes? Ate sao razoaveis, mas nao saem disso. Dou destaque apenas pra vampirona doidona... até a Megan Fox é desperdicada em papel de vampira fodona mas ela entra muda e sai calada. 7-10

Poster: NIGHT TEETH (Jorge Lendeborg Jr., Debby Ryan) MOVIE – Lost Posters

 

 

Coming Home in the Dark é um foderoso e brutal thriller de horror neozelandês que te prende do início ao fim. Ja nos primeiros minutos você ja recebe um potente soco no estômago que te avisa do que vem a seguir. Imagina juntar Wolf Creek e A Morte pede Carona.. é isso! Dá até dó da infeliz familia que protagoniza o longa, do perrengue de levar uma dupla psicótica a tiracolo, mas o fora o gore e violência, o subtexto de crítica social dá ao longa uma boa e diferenciada releitura. Boas atuacoes, em especial a dos dois carismáticos killers, que entra pro panteao dos grandes viloes do cinema. Acredito que o filme so peca quando tenta explicar demais a motivacao dos viloes (ela fica obvia), diluindo em parte a tensao construida ate ali. Melhor filme desta leva Halloween disparado!!! 8.5-10

Posterized October 2021: The French Dispatch, Titane, The Velvet  Underground & More

 

 

Army of Thieves é um prequel totalmente genérico que seu prolema maior é ser spin off do filme do Snyder... nao se decide se é filme de roubo ou de terror-zumbi, uma vez que tenta ser hibrido destes dois! Dinamico, ágil, acao frenetica, alegre e romantico..sim, tem romance nesta mistureba toda... dá pro gasto mas esperava mais, ainda mais quando de todas suas atuacoes, a melhor é disparada a do diretor protagonista. No entanto, o filme do Snyder continua sendo melhorzinho se comparado a este. Matinezinha bem esquecivel e demasiado longa em metragem, sem necessidade. 8-10

army_of_thieves-679536224-large.jpg

 

 

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341)

Alguns dos meus melhores amigos têm Duna, de Frank Herbert, como seu livro favorito. Por causa deles, encarei a leitura. Embora tenha me divertido, achei a escrita "pobre". Enredo há até demais, há bons personagens, há bons temas (como a evidente relação com a exploração petrolífera), mas é o texto em si que decepciona. Essa pobreza de escrita está perceptível também no filme. Expositivo demais, rascunho de Tolkien em termos de neologismo, sem profundidade ou humor.

Dito isso, a adaptação do Villeneuve ( e parceiros de roteiro, como Eric Roth) é excelente. Resolveu alguns problemas, como a infilmável linguagem entre mãe e filho, por exemplo; conseguiu ser fiel à trama; e, ao mesmo tempo, não perdeu demasiado tempo com aspectos coadjuvantes. 

O melhor do filme disparado é a criação estética. São maravilhosos o trabalho do Patrice Vermette no Design e de Jacqueline West no Figurino. Mas o trabalho do Vermette realmente é especial. Paradoxalmente, é uma grande produção ao estilo minimalista. As cenas têm um vazio ao redor dos personagens que me encantou, como se fosse uma resposta ao carnaval proposto da versão nunca feita de Alejandro Jodorowsky (sempre friso, para mim, o maior artista sul-americano vivo). Até as cenas de combate não são superlotadas. Isso faz um bem enorme para o filme. É lindo, moderno, chic, e solene.

Aliás, aí entra a minha maior crítica. O filme tem uma aura solene, que é reforçada constantemente pela sombria trilha sonora de Hans Zimmer. Parece que ele é o favorito ao Oscar na categoria, já que apenas uma vitória parece pouco. Vi que muita gente amou a trilha, mas meus ouvidos não. É o melhor trabalho dele nos últimos anos com certeza. Mas é a mesma coisa de sempre: aquele som metalizado unido com cantos estranhos, sem melodia. Não sou fã da música dele, nunca fui. 

Chalamet, Ferguson, Momoa, Isaac, Skarsgard, Brolin estão perfeitos, muito dentro de seus personagens. Mas como eles deveriam ansiar, acho eu, por uma única cena que fosse mais "bonita", mais engraçada, mais terna, mais carinhosa, que não fosse só a aflição da aventura, ou bater o texto (aquele texto) de uma forma crível. A bem da verdade, só o Brolin e o Chalamet puderam fazer uma cena assim...É culpa do diretor? Não, é culpa do texto. O livro é assim. 

Efeitos Visuais e Fotografia, excelentes também. A Isabela Boscov, em sua maravilhosa crítica, ressaltou o lado volumoso, denso, das imagens, como elas nos circundam. É bem isso.

Gostei do filme enquanto construção; gostei do filme. Ou do meio filme. Pois, a bem da verdade, é a metade.

Novo poster de DUNA destaca o elenco

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342) 

Finalizando a trilogia com "Matrix Revolutions", também de 2003. Se o segundo filme já tinha esvaziado toda a filosofia para entregar um simples filme de ação, o terceiro completa a tarefa rumo ao esquecimento e a irrelevância cinematográfica ao esvaziar Matrix de seus principais personagens: Trinity, Morpheus, e, pasmem!, Neo têm pouco a mostrar neste filme, passando eles, inclusive, quase inexplicáveis trinta minutos fora de cena, no longo segmento da invasão de Zion pelas máquinas. É um suicídio, esvaziou-se de si.

No mais, péssimo! Mais péssimo ainda é seu início, completamente sem pé nem cabeça. 

Não tenho nada de positivo para falar, então me veio à cabeça como a formação do elenco multiétnico nesta trilogia, composta naquela época, era realmente um valor e não uma receita mercadológica visando likes como hoje em dia. Parabéns às irmãs Wachowski por isso.

Matrix Revolutions - 5 de Novembro de 2003 | Filmow

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Citado por Pedro Almodóvar como seu filme de horror favorito, o espanhol "Arrebato", teve um recente lançamento nos EUA, criando novo burburinho para a obra (eu particularmente nunca tinha ouvido falar).

Um cineasta de filmes B de horror (Eusbio Poncela, antes de iniciar a parceria com Almodóvar), recebe um pacote com um rolo e uma banda sonora de alguém que conheceu num passado recente. Presente na sua casa está sua ex-amante, Ana (a deslumbrante Cecilia Roth, antes de ser a mãe de um cinéfilo). Eu digo "ex", porque não fica la muito claro o status deste relacionamento. A partir do momento que ele liga a fita sonora, ativam memorias desta pessoa e de um passado repleto de confusões mentais pelo uso abusivo de heroina e, por que não, o cinema.

Eu contei esta trama de uma maneira meio lógica, mas a construção é bastante sensorial, quase num questionamento metafísico, que une as consequências de abuso das drogas com uma busca de uma "realidade" que só a câmera cinematográfica é capaz de prover.

A câmera alucina, aliena e vicia.

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23 hours ago, SergioB. said:

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Alguns dos meus melhores amigos têm Duna, de Frank Herbert, como seu livro favorito. Por causa deles, encarei a leitura. Embora tenha me divertido, achei a escrita "pobre". Enredo há até demais, há bons personagens, há bons temas (como a evidente relação com a exploração petrolífera), mas é o texto em si que decepciona. Essa pobreza de escrita está perceptível também no filme. Expositivo demais, rascunho de Tolkien em termos de neologismo, sem profundidade ou humor.

Dito isso, a adaptação do Villeneuve ( e parceiros de roteiro, como Eric Roth) é excelente. Resolveu alguns problemas, como a infilmável linguagem entre mãe e filho, por exemplo; conseguiu ser fiel à trama; e, ao mesmo tempo, não perdeu demasiado tempo com aspectos coadjuvantes. 

O melhor do filme disparado é a criação estética. São maravilhosos o trabalho do Patrice Vermette no Design e de Jacqueline West no Figurino. Ms o trabalho do Vermette realmente é especial. Paradoxalmente, é uma grande produção ao estilo minimalista. As cenas têm um vazio ao redor dos personagens que me encantou, como se fosse uma resposta ao carnaval proposto da versão nunca feita de Alejandro Jodorowsky (sempre friso, para mim, o maior artista sul-americano vivo). Até as cenas de combate não são superlotadas. Isso faz um bem enorme para o filme. É lindo, moderno, chic, e solene.

Aliás, aí entra a minha maior crítica. O filme tem uma aura solene, que é reforçada constantemente pela sombria trilha sonora de Hans Zimmer. Parece que ele é o favorito ao Oscar na categoria, já que apenas uma vitória parece pouco. Vi que muita gente amou a trilha, mas meus ouvidos não. É o melhor trabalho dele nos últimos anos com certeza. Mas é a mesma coisa de sempre: aquele som metalizado unido com cantos estranhos, sem melodia. Não sou fã da música dele, nunca fui. 

Chalamet, Ferguson, Momoa, Isaac, Skarsgard, Brolin estão perfeitos, muito dentro de seus personagens. Mas como eles deveriam ansiar, acho eu, por uma única cena que fosse mais "bonita", mais engraçada, mais terna, mais carinhosa, que não fosse só a aflição da aventura, ou bater o texto (aquele texto) de uma forma crível. A bem da verdade, só o Brolin e o Chalamet puderam fazer uma cena assim...É culpa do diretor? Não, é culpa do texto. O livro é assim. 

Efeitos Visuais e Fotografia, excelentes também. A Isabela Boscov, em sua maravilhosa crítica, ressaltou o lado volumoso, denso, das imagens, como elas nos circundam. É bem isso.

Gostei do filme enquanto construção; gostei do filme. Ou do meio filme. Pois, a bem da verdade, é a metade.

Novo poster de DUNA destaca o elenco

Ainda pretendo ver, mas já comentei aqui que estou bem longe de ser entusiasta da obra de Villeneuve. Para mim, seus filmes são meio antisséptico, bem produzidos e feitos, mas falta alma, falta tesão.

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Ainda no embalo Halloween...💀😈👻👹🧛‍♀️

Nobody Sleeps in the Woods Tonight 2 é a sequencia horrível pro original bacaninha do ano passado. É um filme terrível que pode se chamar de horror pelos motivos menos honrosos. Vai vendo, ele até dá sequencia pros eventos do filme anterior...mas além de resolver pegar mais no humor que terror, ele ainda viaja demais na maionese ao nos colocar sob a ótica dos vilóes. Nada contra, mas o cara nos escancara com cenas surreais e bizonhas no pior sentido possivel da palavra! Tem até uma cena de trepada de "dois monstros" que quer se levar a sério! Pode ter gore e violencia, mas se o filme anterior pelo menos funcionava como homenagem ao slasher oitentista, este aqui nem isso... Bela derrapagem desta franquia polonesa que tava comecando a me surpreender pela qualidade técnica. Aqui faltou bom senso num o roteiro pra dar sequencia ao file anterior. Parece que o filme foi feito as pressas... 5-10

Inna Kultura в Twitter: "#AksonStudio na swoim Story na koncie na  #Instagram opublikowało pierwszy poster #WLesieDziśNieZaśnieNikt2. Poster  prezentuje się tak:… https://t.co/zfoROH3pVZ"

 

 

Paranormal Activity: Next of Kin é a boa surpresa que assisti nao esperando nada e saí bem satisfeito. Em tempo, o filme nao tem NADA a ver com a franquia, tanto que ele iria se chamar Black Snow mas o pessoal de marketing (safadenhos) pegou nome da franquia pra vender melhor o filme, o que vai desagradar muito que espera ver elementos dela na metragem. Nao tem nada a ver, repito, é um filme independente em primeira pessoa que funciona muito bem sozinho. Misturaram Midsommar, A Vila e Bruxa de Blair e mandaram ver. O filme te prende e somos testemunhas dos mistérios que a protagonista presencia. Outro ponto positivo é o ritmo e a ambientacao na comunidade amish, alem do entorno natureba inóspito, que potencializam o mistério. Em atuacoes a protagonista é fraca, sendo seus coadjuvantes mais interessantes que ela. Enfim, um filme que nao inventa a roda mas o que faz faz direitinho e de forma bem competente. 8,5-10

Atividade Paranormal | Reboot ganha trailer e pôster - Alternativa Nerd

 
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343)

Assisti nesta manhã a "Pocilga", filme de 1969, de Pier Paolo Pasolini, este que é considerado por muitos o seu filme mais críptico. Confesso que não entendi tudo - e parece ser essa a intenção. O filme dá-se em duas linhas temporais diversas, e em dua geografias diferentes: Em um planalto vulcânico, no século XVI; e em uma mansão burguesa na Alemanha pós-segunda Guerra Mundial. Leio sobre o filme e todo mundo repete que é uma metáfora à burguesia, e dá-lhe militância comunista, aquela papeada...

Ok, mas eu fiquei pensando mesmo é na filmografia de Pasolini como um todo. Como este filme se posiciona muito bem nesse todo, pois consegue unir as duas formas predominantes de seu cinema: A crítica à sociedade contemporânea preconceituosa, excludente, dominada pelos poderosos, presente em "Salò", "Mamma Roma", ou "Gaviões e Passarinhos"; e sua viagem a uma região ou a um passado místico, ou sexual, de forças da natureza, como em "Os Contos de Canterbury", "O Decameron", "Édipo Rei"...

Neste filme, há as duas linhas. Na medieval, um guerreiro anda pelas paisagens vulcânicas, depara-se com um inimigo, o mata, o come, e ao se tornar canibal enloquece (se bem entendi); na outra, um filho de um burguês alemão, de passado nazista, recusa-se a sair de sua bela mansão, contrariando a namorada comunista que deseja participar de um protesto contra o Muro de Berlim.

Notei que o único ator/personagem que aparece nas duas histórias paralelas é (o de) Ninetto Davoli, alegadamente o grande amor de Pasolini, presente na maioria de seus filmes, daquele jeito sorridente e ingênuo. Ele, que é a própria personifificação da Itália campesina. É muito curioso como Davoli, depois de anos de relação, se casa no início dos anos 1970 com uma mulher, e, conta-se que Pasolini teria ficado bem enraivecido com isso, a ponto de dedicar-lhe vários poemas (um dia lerei sua Poesia), e, não à toa, se bem me lembro, em "As Mil e uma Noites", de 1974, ele o castra em uma cena. 

Bom, quanto a "Pocilga"...Eu não gosto do cinema como metáfora. Mas gosto muito de como Pasolini entrega uma cinema louco, rural, estranho, com uma coleção de rostos que antes estavam descartados do cinema.

Pocilga - Filme 1969 - AdoroCinema

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344)

Depois do maravilhoso texto do @Questão fica difícil acrescentar algo sobre "Halloween Kills: O Terror Continua", que deixei reservado para ver neste 31 de outubro, mas vou dizer que gostei mais do que ele, e mais do que a maioria das pessoas. 

Os vinte primeiros minutos eu achei excelentes. Um revival sobre a noite de 1978, com um apelo a nostalgia ao resgatar antigos personagens, que são uma delícia para os fãs. Fora que a reconstituição de época e a questão da luz e da fotografia daquela era me ganharam. Depois disso, o filme se inicia onde o filme de 2018 parou, repetindo a bem-sucedida estratégia de "Halloween II". 

Pegando aquele filme, vamos ser sinceros, a Jamie Lee Curtis aparecia muito pouco, já que a personagem estava em leito hospitalar. E aqui tive essa mesma sensação, já que está praticamente ausente dele por mais de 1 hora. Mas, volto a dizer, isso também era assim no II. Aquele ambiente era um dos principais cenários, e aqui também temos isso, no que me faz pensar que este filme de 2021 tem mais a ver com o citado filme de 1981, que não merecia ser descartado totalmente como as demais sequências, até por que é ele que traz a revelação do parentesco. Foi legal mostrar e introduzir a questão dos perigos de um "linchamento", pois, nos filmes II e IV, quando a cidade inteira estava atrás do "The Shape", ninguém dava por isso. Era uma questão moral ausente. 

Michael Myers está insano neste filme, muito amedrontador, e matando de maneiras bem criativas, em novos ângulos e atitudes. As cenas evidenciam que David Gordon Green é um bom diretor. Tem muita técnica de câmera. Aliás, todas as cenas de exibição do "rosto" foram muito bem feitas.

Está na prateleira de cima, para mim. 

Halloween Kills' ganha pôster oficial e sinopse

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"Se gostou, geme"

"A mulher que inventou o amor" é um filme de 1979, dirigido pelo português, radicado e extremamente afeiçoado ao cinema marginal paulistano, Jean Garret. 

Doralice descobre o sexo assim como muitas mulheres assim o fazem: pelo abuso. Ela é um pedaço de carne; sim, a alegoria é grosseira, mas a construção e iluminação da sequência é fabulosa. (direção de fotografia do grande Carlão Reichenbach, que também faz uma ponta)

A católica convicta do casamento virginal descobre esta desilusão, entra para a prostituição em busca de sobrevivência e, por meio deste instinto, se torna a "rainha dos gemidos". A fama chega aos ouvidos de homens de todos os estratos sociais. "Se gostou, geme". 

Ela perde esta inocência da busca do amor e do casamento perfeito, se junta com um rico homem mais velho, que a inicia num processo de  desconstrução e sofisticação à Hitchcock e passa a ser Tallulah.

Há um resquício ainda da jovem virginal Doralice: seu amor romantizado pelo galã de novelas bissexual Carlos Augusto, que logo evolui para um comportamento obsessivo. E esta obsessão é marcante pois alia o desejo do antigo (Doralice) pelo gozo da atual (Tallulah).

E esta Tallulah não é mais uma jovem submissa. Ela detém o controle das relações; ela fica por cima, ela objetifica e desdenha seus parceiros; elas os transveste. E ela manda "Se gostou, geme". 

A subversão (de trama e da própria personagem) é elevada à máxima potência na sequência final, onde desejo, posse, amor e gozo se mesclam numa dança entre o melodrama e o horror.  

"Se gostou, geme".

Jean Garret.jpeg

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345)

Nesta semana, decidi ver todos os filmes da Jane Campion que ainda me faltam para completar sua filmografia. É a expectativa por "The Power of the Dog"?

Comecei por "Fogo Sagrado!", de 1999 ( é o ano...é o ano...é o ano...), constantemente reputado como o pior filme da carreira da neozelandesa. É uma comédia erótica, escrita por ela e sua irmã, que junta Kate Winslet e Harvey Keitel, ambos em alta naquele momento. Ela, lindíssima (e, claro, nua de corpo inteiro como apareceu várias vezes ao longo da carreira) interpreta uma jovem australiana meio perdida na vida, que se vê influenciada por um guru na Índia. A família dela pira com sua permanência em um ashram, e decide contratar uma espécie de detetive especializado em resgatar jovens influenciadas por seitas espirituais. Adivinhem? É fácil. Ambos terão um romance. E ele é quem há de dominá-la.

Parece uma premissa de drama. Mas o filme, principalmente em sua primeira parte, é estruturado como uma comédia, com direito a montagem acelerada, música engraçadinha; piadas xenófobas com a Índia. Depois o filme muda de tom. E fica mais cativante, ao meu gosto, com a entrada do jogo erótico. Amei a passagem de Winslet dublando e dançando a esplêndida "You Oughta Know", da Alanis Morissette, musa das adolescentes da minha época.

O texto captura a desorientação de uma mulher em busca de si, e o aproveitamento masculino, tantas vezes abusivo. Isso está no texto. Mas não entendi a estruturação de comédia na primeira parte. Parece que Jane queria muito fugir do Drama, mas no meio do caminho não conseguiu. Desistiu.

Melhor do que eu pensava.

Holy Smoke (1999) - IMDb

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1 hour ago, SergioB. said:

345)

Nesta semana, decidi ver todos os filmes da Jane Campion que ainda me faltam para completar sua filmografia. É a expectativa por "The Power of the Dog"?

Comecei por "Fogo Sagrado!", de 1999 ( é o ano...é o ano...é o ano...), constantemente reputado como o pior filme da carreira da neozelandesa. É uma comédia erótica, escrita por ela e sua irmã, que junta Kate Winslet e Harvey Keitel, ambos em alta naquele momento. Ela, lindíssima (e, claro, nua de corpo inteiro como apareceu várias vezes ao longo da carreira) interpreta uma jovem australiana meio perdida na vida, que se vê influenciada por um guru na Índia. A família dela pira com sua permanência em um ashram, e decide contratar uma espécie de detetive especializado em resgatar jovens influenciadas por seitas espirituais. Adivinhem? É fácil. Ambos terão um romance. E ele é quem há de dominá-la.

Parece uma premissa de drama. Mas o filme, principalmente em sua primeira parte, é estruturado como uma comédia, com direito a montagem acelerada, música engraçadinha; piadas xenófobas com a Índia. Depois o filme muda de tom. E fica mais cativante, ao meu gosto, com a entrada do jogo erótico. Amei a passagem de Winslet dublando e dançando a esplêndida "You Oughta Know", da Alanis Morissette, musa das adolescentes da minha época.

O texto captura a desorientação de uma mulher em busca de si, e o aproveitamento masculino, tantas vezes abusivo. Isso está no texto. Mas não entendi a estruturação de comédia na primeira parte. Parece que Jane queria muito fugir do Drama, mas no meio do caminho não conseguiu. Desistiu.

Melhor do que eu pensava.

Holy Smoke (1999) - IMDb

Nossa, eu nunca ouvi falar deste. Boa dica. Mas eu achei que o pior filme dela, ao menos entre a crítica, fosse o "In the Cut".

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346)

O primeiro longa de Jane Campion que chegou aos cinemas foi este ignorado "Sweetie", de 1989. Ela já tinha feito um filme antes, para a televisão, o excelente "2 Friends", já resenhado aqui.

"Sweetie" é uma dramédia, que conta a história de uma jovem introspectiva, que, influenciada por uma vidente, "rouba" o namorado de uma amiga. Os dois passam a morar juntos; mas se veem importunados pela irmã mais jovem dela, a tal Sweetie, que tem problemas mentais, e passa a morar com eles, assim como o sogro. É a premissa de um drama. Mas as confusões todas têm um ar de comédia. O idílio se transforma em um inferno, pelos segredos escondidos, domésticos, que, na vida real, nunca, antes de namorarmos alguém, poderíamos adivinhar.

O filme tem um certo carisma, que advém de uma narrativa que não se desenvolve conforme o esperado. Os problemas mentais da irmã menor não são nada perto do medo que a protagonista tem de ser vista, ela mesma, como louca. É ela quem atrapalhará ainda mais o casamento, ao recusar o sexo, ou desejos menores do marido quanto a casa.

Nos créditos, a produção é dedicada à irmã da diretora. Indaguei-me se na vida real ela terá algum problema mental também, pois o lindíssimo "Um Anjo em Minha Mesa", o filme imediatamente posterior, também aborda seriamente a questão mental de uma mulher;  assim como, mais à frente, "Fogo Sagrado", escrito pelas duas irmãs, tem um pouco disto. 

Outra repetição, a nudez frontal dos dois protagonistas. Quase uma constante nos trabalhos dela.

Sweetie - 1989 | Filmow


 

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347)

A maioria dos cinéfilos sabe que Jane Campion foi a primeira mulher a receber a Palma de Ouro, em reconhecimento a obra-prima "O Piano", em 1993, mas o que muita gente não sabe, nem eu sabia, é que, anos antes, em 1986, ela tinha recebido a Palma de Ouro em Cannes de Melhor Curta-Metragem. Por curiosidade, fui conferir essa sua primeira entrada cinematográfica.

"Um Exercício em Disciplina: Cascas" conta a história de uma viagem de carro entre pai, filho, e tia, conforme indica seu pôster, e sua primeira imagem. Mas podemos sacar algo mais desse triângulo, triângulo que é de verdade, pois se trata de uma família real. Sacamos que esse vermelho/carmim tem a ver com o fato de eles serem ruivos, e também por serem, psicologicamente, teimosos, além de ser a cor do carro.

Irmão e irmão estão em discussão dentro do veículo, quando vemos o garotinho atirar cascas de laranja na estrada. O pai, num exercício de disciplina, conforme o título, para o carro, chuta o garoto para fora, e o manda recolher o lixo. Daí, vemos que o pai só quer ter razão, pois deixa o menino em perigo à beira da estrada. Daí, meio que se arrepende, e  vai atrás do garoto, enquanto a irmã fica no carro, um tanto desanimada por estar atrasada para um compromisso. A indisciplina geral então se estende, e piora a situação. 

É muito bom, e muito ambíguo. É como se toda a família não tivesse aprendido nada.

8 minutos.

 

An Exercise in Discipline: Peel (Short 1983) - IMDb

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