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A Criança


Nacka
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A Criança (L' Enfant) - Petardo dos irmãos Jean Luc e Pierre Dardenne, ganhador da Palma de Ouro em Cannes ano passado, tem sua estréia para próxima sexta dia 30 Jun e relata a história de Bruno, deliqüente de 20 anos, que vive de furtos e pequeno tráfico e cuja namorada, Sonia, dá à luz. Uma paternidade nova que deixa frio o jovem homem, habituado a viver cada instante e assegurar sua subsistência no dia a dia. Bruno comete o pior dos crimes, vendendo seu filho para conseguir um pouco de dinheiro.

Segundo a dupla, a idéia do filme partiu de uma cena vista na rua: Uma mulher puxava uma criança e não parecia se incomodar com o choro, arrastava-a como se fosse um saco os Dardenne resolveram aproveitar o que viram, transferindo ao pai o abandono do filho. Perguntas que eles jogam no nosso colo: O amor da mãe será suficiente para provocar a consciência do pai? Será suficiente para fazê-lo amar o filho que rejeitou? Podem conferir a crítica do Pablo aqui.

Nacka2006-6-25 14:51:11
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smiley10.gifsmiley10.gifsmiley10.gifsmiley10.gif - A CRIANÇA

"A Criança" dirigido por Jean-Pierre e Luc Dardenne é um retrato dos mais reais de uma situação-limite vivida por duas pessoas. Adotando uma visão bastante próxima daquilo que se considera como documental, este drama tem como principal mérito o de acompanhar a trajetória de seus personagem sem nenhum vislumbramento, sem nenhuma encenação e/ou momento que nos lembre que estamos diante de um filme. É um registro cúmplice de uma história sobre maturidade e como as experiências que temos em nossas vidas são importantes para o nosso crescimento pessoal.

Bruno ( Jérémie Renier ) e Sonia ( Déborah François, uma graça ) são dois jovens franceses que vivem pelas ruas da cidade e que precisam enfrentar o desafio de sobreviver no dia-a-dia, algo ainda mais intensificado com o nascimento do filho do casal. A chegada da criança parece ter sido uma benção para Sonia, apesar das dificuldades, porém Bruno mal consegue enfrentar a paternidade como algo relevante, tanto que as suas atenções ficam inteiramente voltadas para os planos que ele cria com a ajuda de dois menores para promover pequenos roubos e assim garantir o sustento de família, além do que mostra uma imensa falta de maturidade, o que só gera ainda mais desconforto. Nesse primeiro momento acompanhamos a fragilidade pela qual é estabelecida a relação entre esses dois jovens, ou seja, como a chegada dessa criança dá vazão ao cúmulo que é vê-los como pais desse bebê sendo que eles sequer sabem cuidar de si mesmos e parecem só interessados em brincar, não há nenhum tipo de preocupação realista.

A partir do momento que o filme se desenvolve notamos que o amor materno acaba falando mais alto e aos poucos Sonia vai desenvolvendo uma natural afetividade com relação ao bebê dando um toque de sensibilidade a essa família tão em frangalhos ainda mais quando Bruno sem idéia para conseguir dinheiro decide "vender" o seu filho sem o consentimento da mãe o que irá estremecer com o seu mundo e virá-lo de ponta cabeça. Vale destacar o bom gosto que os irmãos Dardenne possuem que é algo predominante no filme inteiro, mas pode ser traduzido no momento em que Bruno revela a Sofia o que fizera com o bebê mostrando a ela o dinheiro. Ao invés de se escorar em alguma escada de pieguice e/ou de sentimentalismo para criar uma cena digna de Oscar, eles optam por uma saída tão natural quanto chocante e essa é a sensação que temos ao acompanhar esses dois jovens e não é difícil esquecer que tudo estava no script.

E por falar no script há algumas situações que são mal contadas na história, como o fato de nos fazer acreditar que um "indigente" conseguiria alugar um carro "chique" sem nenhum tipo de problema ou até mesmo a não-condizente devolução da "mercadoria" que fez com que Bruno passasse a ser perseguido ( que bandido deixaria de "fechar" um negócio, ainda mais sabendo que uma das partes trata-se de um garoto de rua, para atender um sinal de arrependimento ). Só em filme mesmo, por isso chamo a atenção para esses dois momentos que se encarregaram de me mostrar que estava no escuro de uma sala de cinema e que atrás de mim havia um projetor. O que não se pode dizer do casal de protagonista que simplesmente esbanjam talento e naturalidade na composição desses dois personagens "vivos", especialmente Sonia que é por quem especialmente nos importamos já que Bruno parece irresponsável demais e exatamente por ela e pelo bebê que esperamos pela redenção do personagem principal.

O desfecho da história parece querer seguir a cartilha dos dramas hollywoodianos, mas não desmerece o impacto da história, porque ele é extremamente condizente com o processo de amadurecimento do personagem que passa a mostrar a integridade e a dignidade que ele fez questão de esconder durante todo o filme. E mais uma vez a história não se encarrega em promover o momento para que o "anti-herói" nos ganhe de vez, mas permite que as lágrimas traduzam justamente aquilo que é mais genuíno da alma humana que é a emoção de querer uma vida melhor, afinal a redenção também faz parte da realidade e "A Criança" é um ótimo filme sobre a vida real.

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  • 2 weeks later...

Outro dia em um tópico do Filmes em Geral alguém comentou que aqui no fórum estávamos banalizando o termo "obra prima", isso depois de muito se falar sobre, com direito a definições de dicionário e tudo, é claro que há uma definição universalmente aceita e é claro que eu posso (assim como qualquer outra pessoa) achar determinado filme ou obra de arte, como algo único, independente daquela definição.

Essa enrolação aí em cima é só para tentar explicar como eu me senti ontem ao assistir essa obra prima (?) dos irmãos Dardenne. 

A Criança é um filme universal. Abre com uma cena que dá o seu tom, amargo, pelo resto da narrativa. Vemos Sonia, a mãe, tentando atravessar com um bebê nos braços, uma pista, com carros zunindo dos dois lados. Ela está de costas para câmera e você não vê o que ela vê. Aflição. Ela acabou de sair do hospital e vai procurar Bruno, o pai do bebê. Procura-o no seu "esconderijo" e não o encontra, vai então ao apartamento onde ambos moram. Bruno também não está lá, enquanto Sonia estava no hospital ele alugou o apartamento (que é dela) para um casal. Você ainda não viu Bruno, mas já sabe que o cara é um escroque. E ele é.

Bruno comete o inominável, vende o próprio filho (outra sequência de arrancar as unhas) e exibe depois, orgulhoso, o dinheiro para Sonia. O que vocês acham que uma menina imatura de 18 anos faria? Ela sumiria, para dar lugar a uma mãe desesperada por ter perdido sua cria. A Sonia que emerge depois do choque, sacode a vidinha de ladrão barato de Bruno e vira seu mundinho de cabeça para baixo.

O filme não tem trilha sonora. E o resultado disso é por vezes assustador (Bruno vendendo a criança smiley3.gif ) e imprime um tom real e angustiante. Eu pensava o tempo todo, quando isso vai acabar?

Melhor, meu Deus, COMO isso vai acabar? E o final é um dos melhores que eu já vi. Filme obrigatório.

PS: Por favor, que nenhum diretorzinho de hollywood ouse fazer uma "homenagem" refilmando A Criança. Esse filme prova de uma vez por todas que menos é definitivamente muito mais e que respeito por quem assiste não é artigo em falta.

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  • 3 months later...

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