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Oscar 2016: Previsões

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Sergio, só uma nota off topic:

 

Comecei a seguir o deepfocuslens, e a menina parece saber bem o que ela fala hein.

Caramba, ela sintetiza muita coisa de um jeito genial, ela explicou muita coisa que eu acho e penso e nunca conseguiria fazer de forma tão simples.

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Gust84, ela é muito boa, mesmo.

 

Outro que parece que leu meus pensamentos foi o Pablo a respeito de "Joy". Fico pensando em como uma pessoa talentosa como David O. Russel (não estou falando que ele é um Lars Von Trier, estou dizendo apenas que ele tem talento) pode ter feito um filme tão equivocado como este. Para corroborar o meu ponto de vista a respeito do talento dele, aquela grande sequência dos bastidores da gravação do comercial é muito legal, muito bem feita, dinâmica, joga com as emoções do espectador, é convincente, tem graça,  tudo funciona...

 

O restante do filme...gente! Que calamidade!

 

Pensando em estrutura e não em resultado, tudo bem fazer uma "mexicanização" da história, ok, nós entendemos, tudo bem usar a artificialidade como arma dramatúrgica, tudo bem, a escolha é sua, mas não aguento mais certas repetições de estilo dele. Encher a tela de personagens caricaturais, que andam atrás do protagonista o tempo todo como um coletivo, que falam um por cima do outro o tempo todo, que quebram objetos frágeis para chamar a atenção, que usam roupas chamativas...Amora Mautner faz isso aqui no Brasil com mais talento, e mais verdade, inclusive.

 

De novo, eu não aguento mais essa repetição de estilo nos filmes do Russel. Estava esperando que a qualquer momento alguém estrasse em cena com um extintor e enchesse o ambiente de fumaça! Ou que um canário passasse voando no meio da sala! Ou que viesse um inesperado beijo lésbico no banheiro...Esse tipo de mise-en-scène louca, de duvidoso efeito cômico, não me surpreende mais. "American Hustle" já tinha muito disso, muito. Vou classificar como casca "Camp" (leiam Susan Sontag). É isso. "American Hustle" era só uma casca "Camp" a respeito de uma história que sequer é relevante nos Estados Unidos, quanto mais para o mundo. Por falar em significado reduzido, se lá era aquele estranho caso do FBI, em "Joy" é a criação de um esfregão. E nem adianta colocar aquele prólogo feminista, porque não vai colar. É uma história pequena. A minha família também construiu algo do nada. A família do meu vizinho da frente também. E a do vizinho do lado também. Não há essa importância. DEFINITIVAMENTE.

 

David O.Russel precisa se renovar. Não sei. Ler coisas diferentes, ver uns filmes diferentes, sair com outras pessoas, sei lá. Dar uma guinada de 180 graus. E certamente trocar de turma. Nada contra a Jennifer Lawrence que ainda tem alguma coisa que salva esse filme de ser uma bomba completa, mas, convenhamos, já deu...Por último, por favor, diretores, não mostrem mulheres cortando o próprio cabelo de frente a um espelho como metáfora de "ir à luta". Não. Não,não,não,não,não,não,não!!!!

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É difícil não imaginar que SAG teve certa tendência por causa do problema de diversidade do Oscar. Mas quando foi que eles votaram? Foi depois da indicações?

 

O prazo de votação foi até o dia 29/01, então, acho que houve, sim, uma tentativa de compensar a "falta de diversidade" do Oscar.

 

No link abaixo, é possível ver o cronograma completo do SAG 2016:

 

http://www.sagaftra.org/key-deadlines-and-dates-22nd-annual-sag-awards-announced

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Relutei, relutei, mas se faz parte dos indicados, mais cedo ou mais tarde, eu me obrigaria a ver... Não vou me estender muito no assunto, porque eu nunca gostei, nem quando eu tinha 6 anos, nem vai ser agora. Houve sempre uma distância e um estranhamento. Então eu vou comentar de forma desinteressada, sem querer arranhar os sentimentos da enorme quantidade de pessoas que sinceramente ama essa produção... Amor não se explica, só se reconhece.

 

"Star Wars: The Force Awakens" é o melhor episódio das últimas décadas. Fato.

 

O que não o exime de ter tudo que eu odeio na série: a xaropada sentimentaloide, as piadinhas de showbizz americano, aqueles diálogos técnicos jogados para a plateia que tem de engolir tudo porque se-trata-de-um-filme-de-ação- então-filme-de-ação-não-precisa-ter-lógica. O sucesso do filme original foi tão retumbante nos anos 1970 que de certa maneira autorizou toda uma cadeia de filmes chamados "de entretenimento" a serem, dali por diante, sem pé nem cabeça, obrigando a todos a trabalhar a capacidade de suspensão da descrença ao máximo. Foi a verdadeira força do mal.

 

Contudo, neste filme, aquelas características estão melhor contornadas. Talvez porque o George Lucas não seja o diretor, não sei. Neste episódio VII, todos os atores defendem seus personagens de maneira digna, especialmente esse John Boyega e, claro, o Harrison Ford, que, de resto, é uma lenda . Não temos por exemplo Ewan McGregor ou Samuel L. Jacson completamente deslocados, fora de quadro, sem saberem o que fazer das mãos e dos pés. Ponto para o J.J. Abrams. Não sou capaz de avaliar se eu gostei mais desse filme por causa do roteiro, que é melhor, que tem esse final que chama a atenção, ou se é por causa da direção. Tenho de refletir.

 

 Mas sem dúvida nenhuma um fator que me fez gostar mais deste filme em relação aos outros foi um maior bom gosto na concepção das criaturas, uma redução dos níveis de cafonice. Não temos coisas constrangedoras como Carrie Fisher de biquini dourado deitada em frente a um monstro de gosma flatulento, por exemplo. Não sei como algum diretor pode ter feito isso um dia a Carrie Fisher! Uma mulher inteligentíssima, capaz de escrever um livro/roteiro bacaníssimo como "Postcards from the edge"! Enfim, só de não ter esse tipo de coisa já me ajudou a fazer a travessia.

 

Falando do Oscar que é a razão deste fórum: Não endosso as indicações de Trilha Sonora e nem a de Montagem. A trilha é um subproduto de tudo que ouvimos desde a maravilhosa e marcante trilha de 1977, premiada com o Oscar inclusive. Não tem nada aqui que seja especial. Ela está muito presente no filme, acompanhando as naves, as lutas, sim, mas não é a quantidade de música que justifica uma indicação. Bem como a montagem não é um trabalho especialmente marcante.

 

Concordo, entretanto, com todo o trabalho de som indicado.  É muito curioso ver o editor de som dos filmes do Paul Thomas Anderson, Matthew Wood,  trabalhando com ação, em um projeto dessa envergadura. E , falando em mixagem de som, pensa-se em Andy Nelson. Mais uma vez duplamente indicado ("Bridge of Spies"), acho até que 2 Oscars são pouco para ele. Efeitos Visuais...ok. 

 

Se tivesse visto o filme antes, não teria imaginado por tanto tempo que ele entraria na lista final de Best Picture. Ele é melhor do que quase todos os outros, mas a Academia continua pé atrás historicamente com sequências. O que só reforça a excepcionalidade de "Mad Max: Fury Road" e "Toy Story III", que são realmente de outra galáxia de tão bons.

 

É coisa de fanboy colocar esse filme como o melhor do ano passado, encabeçando várias listas. Vamos ser sinceros, né, pessoal?! Não é.

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VES Visual Effects Awards Winners:

 

Outstanding Visual Effects in a Photoreal Feature
Star Wars: The Force Awakens
Roger Guyett
Luke O’Byrne
Patrick Tubach
Paul Kavanagh
Chris Corbould

 

Outstanding Visual Effects in an Animated Feature
The Good Dinosaur
Sanjay Bakshi
Denise Ream
Michael Venturini
Jon Reisch

 

Outstanding Visual Effects in a Photoreal Episode
Game of Thrones; The Dance of Dragons
Joe Bauer
Steve Kullback
Eric Carney
Derek Spears
Stuart Brisdon

 

Outstanding Visual Effects in a Commercial
SSE; Pier
Neil Davies
Tim Lyall
Hitesh Patel
Jorge Montiel

 

Outstanding Animated Performance in a Photoreal Feature
The Revenant; The Bear
Matt Shumway
Gaelle Morand
Karin Cooper
Leandro Estebecorena

 

Outstanding Animated Performance in an Animated Feature
Inside Out; Joy
Shawn Krause
Tanja Krampfert
Jacob Merrell
Alexis Angelidis

 

Outstanding Animated Performance in an Episode, Commercial, or Real-Time Project
SSE; Pier; Orangutan
Jorge Montiel
Sauce Vilas
Philippe Moine
Sam Driscoll

 

Outstanding Effects Simulations in a Photoreal Feature
Mad Max: Fury Road; Toxic Storm
Dan Bethell
Clinton Downs
Chris Young

 

Outstanding Effects Simulations in an Animated Feature
The Good Dinosaur
Stephen Marshall
Magnus Wrenninge
Michael Hall
Hemagiri Arumugam

 

Outstanding Effects Simulations in an Episode, Commercial, or Real-Time Project
Game of Thrones; Hardhome
David Ramos
Antonio Lado
Piotr Weiss
Félix Bergés

 

Outstanding Visual Effects in a Student Project
Citipati
Andreas Feix
Francesco Faranna

 

Outstanding Visual Effects in a Real-Time Project
The Order: 1886
Nathan Phail-Liff
Dana Jan
Anthony Vitale
Scot Andreason

 

Outstanding Virtual Cinematography in a Photoreal Project
Star Wars: The Force Awakens; Falcon Chase / Graveyard
Paul Kavanagh
Colin Benoit
Susumu Yukuhiro
Greg Salter

 

Outstanding Visual Effects in a Special Venue Project
Fast and Furious: Supercharged
Chris Shaw
Alysia Cotter
Ben White
Diego Guerrero

 

Outstanding Created Environment in a Photoreal Feature
Star Wars: The Force Awakens; Falcon Chase / Graveyard
Yanick Dusseault
Mike Wood
Justin van der Lek
Quentin Marmier

 

Outstanding Created Environment in an Animated Feature
The Good Dinosaur; The Farm
David Munier
Matthew Webb
Matt Kuruc
Tom Miller

 

Outstanding Created Environment in an Episode, Commercial, or Real-Time Project
Game of Thrones; City of Volantis
Dominic Piche
Christine Leclerc
Patrice Poissant
Thomas Montminy-Brodeur

 

Outstanding Models in a Photoreal or Animated Project
Star Wars: The Force Awakens; BB-8
Joshua Lee
Matthew Denton
Landis Fields
Cyrus Jam

 

Outstanding Compositing in a Photoreal Feature
The Revenant; Bear Attack
Donny Rausch
Alan Travis
Charles Lai
TC Harrison

 

Outstanding Compositing in a Photoreal Commercial
SSE; Pier
Gary Driver
Greg Spencer
Grant Connor

 

Outstanding Compositing in a Photoreal Episode
Game of Thrones; Hardhome
Eduardo Díaz
Guillermo Orbe
Oscar Perea
Inmaculada Nadela

 

Outstanding Supporting Visual Effects in a Photoreal Feature
The Revenant
Rich McBride
Ivy Agregan
Jason Smith
Nicolas Chevallier
Cameron Waldbauer

 

Outstanding Supporting Visual Effects in a Photoreal Episode
Vikings; To the Gates
Dominic Remane
Bill Halliday
Paul Wishart
Ovidiu Cinazan
Paul Byrne

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"Winter on Fire: Ukraine`s Fight for Freedom":

 

 Fiquei o tempo todo me questionando como passei vários meses acompanhando pela CNN e outras redes tal conflito e mesmo assim não deu para ter a dimensão do acontecido, senão por este documentário. Ele não é uma conversa de diplomatas ou homens de poder, ao contrário, a câmera está com o povo da praça Maidan. Nesse ponto de vista, trata-se de um documentário de molde clássico, regido pela imediaticidade, preocupado em mostrar os fatos quando estão acontecendo, pegando fogo. Os depoimentos são usados, mas são apenas complementares às imagens que estamos vendo. Daí a importância da coragem do diretor de estar sempre no meio do levante. Vale a pena ser visto. Netflix, manda mais!!!

 

 Documentário é sempre a categoria de nível mais parelho. Quase sempre todos os indicados seriam justos merecedores da estatueta. O favorito é o "Amy", mas esta produção poderia correr por fora.

 

Meu lado economista fica perplexo em constatar que em 2015 o Brasil quase conseguiu ter uma recessão pior que a desta Ucrânia em guerra. Quase. Todavia, em 2016, teremos a proeza de crescer menos do que ela. 

 

Vai vendo.

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Mesmo com vida badalada, carreira de DiCaprio foge do estereótipo de astro

 

Ator e produtor de cinema. Ambientalista fervoroso. Dono de uma visão política liberal e apoiador de uma dúzia de causas nobres. Sempre com uma modelo belíssima nos braços. Ídolo de multidões. Leonardo DiCaprio é tudo isso. Ainda assim, nada poderia ser mais distante do estereótipo de "astro hollywoodiano" do que este californiano de 41 anos.

 

Desde que começou sua carreira, antes ainda de poder beber uma cerveja legalmente, Leo (vamos manter as coisas mais informais) demonstrou não só uma visão precisa sobre que filmes fazer e com quem fazê-los, mas decidiu também nunca se repetir. Ao contrário de seus pares com a mesma estatura --como Tom Cruise, Brad Pitt e Johnny Depp--, mergulhar em uma franquia nunca esteve em seus planos. Seus filmes também nunca geraram uma continuação. Mesmo tendo dito não para longas que poderiam projetar seu nome ainda mais alto, como "Homem-Aranha" e "Star Wars: Ataque dos Clones", Leo está tranquilo. Financeiramente e artisticamente.

 

Um bom exemplo é justamente "O Regresso", que estreia nesta quinta-feira (4) no Brasil, e concorre a gordos 12 prêmios no Oscar --inclusive à estatueta de melhor ator para DiCaprio. O drama de vingança, ambientado na época da colonização da América e dirigido por Alejandro G. Iñárritu, é um filme difícil, que coloca seu protagonista em situações que nem o mais sádico produtor do reality "Survivor" imaginaria.

 

Ao longo de pouco mais de 2 horas, Leo é caçado por nativos americanos, atacado por um urso (são poucos e agonizantes minutos em que ele é virado ao avesso pelo animal) e, finalmente, enterrado vivo. Acredite, isso é a ponta do iceberg. Ainda assim, "O Regresso" já faturou US$ 290 milhões desde que aportou nos cinemas no fim do ano passado. Não é difícil apontar que estes números ainda vão inchar mais dependendo do resultado do Oscar. E é corretíssimo afirmar que os cinemas lotam por causa de Leonardo DiCaprio.

 

Parte da culpa da descoberta de DiCaprio recai sobre os ombros de Robert DeNiro. Ele viu 400 jovens atores que concorriam pelo papel principal em "O Despertar de um Homem", de 1993, e enxergou em Leo --que fez o teste para o papel aos 15 anos e só tinha um filme no currículo, o horroroso "Criaturas 3"--, a intensidade necessária para o papel de Toby Wolff, um adolescente abusado física e verbalmente pelo padrasto.

 

Seu filme seguinte seria a comédia "Abracadabra", com Bette Midler, segundo o ator, o caminho natural de ganhar mais dinheiro e aparecer em mais filmes. "Mas algo em mim dizia que atuar não era só isso", lembra DiCaprio. "Eu estava intrigado por 'Gilbert Grape - Aprendiz de Sonhador', ainda tentando achar meu caminho como ator. Se eu não pegasse o papel, então seria 'Abracadabra'." Leo não só "pegou o papel", o irmão mentalmente deficiente de Johnny Depp neste drama delicado de Lasse Hallström, como foi indicado ao Oscar de melhor ator coadjuvante. De repente, todos os olhos da indústria estavam sobre o jovem que desapareceu até de maneira incômoda no personagem, criando uma química sensível com o protagonista interpretado por Depp.

 

Papéis de mais visibilidade --ao menos em teoria-- foram surgindo, como o faroeste "Rápida e Mortal", de Sam Raimi, com Gene Hackman e Sharon Stone, que pagou o salário de Leo do próprio bolso quando o estúdio reclamou do orçamento do longa. Em seguida, foi o poeta Arthur Rimbaud em "Eclipse de uma Paixão", e o poeta Jim Carroll em "Diário de um Adolescente".

 

A essa altura, Leonardo era um ator que conseguia carregar um filme, e seus traços angelicais, somado ao talento óbvio e comprovado, garantiam que os diretores continuassem batendo em sua porta. Em 1996, ele parecia satisfeito nessa posição, alternando candidatos a blockbuster, como a versão modernosa e bem-sucedida de "Romeu + Julieta", de Baz Lurmann, com filmes independentes, como o drama "As Filhas de Marvin", em que ele contracenou com Meryl Streep, Susan Sarandon e reencontrou Robert De Niro.

 

Estrelato

 

Então aquele navio chocou-se com aquele iceberg. E tudo mudou. DiCaprio inicialmente recusou o papel em "Titanic", mas James Cameron tanto insistiu que o ator, então com 22 anos, topou fazer o par romântico de Kate Winslet no drama que encenaria uma das maiores tragédias marítimas da história. O que ninguém poderia prever era o tamanho do estrago: "Titanic" chegou aos cinemas no Natal de 1997 e tornou-se um fenômeno, o maior que o cinema testemunhara em décadas.

 

Com US$ 1.9 bilhão nas bilheterias (número que só foi batido pelo próprio Cameron mais de uma década depois, com "Avatar"), e 11 Oscar no bolso, o filme impulsionou a carreira de Leonardo de maneira incomparável. A Leomania tomou conta do globo e, de repente, o jovem ator estava na capa de todas as revistas do planeta, era objeto de três biografias (entre os seis livros mais vendidos nos Estados Unidos no ano seguinte) e se viu numa posição peculiar em Hollywood, livre para escolher qualquer direção.

 

Os números corroboravam. O sofrível "O Homem da Máscara de Ferro", lançado em 1998, foi um sucesso de US$ 180 milhões globais. O drama "A Praia", de 2000, também faturou alto, com US$ 140 milhões em caixa.

 

 

Divulgação
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Cena de "Titanic" (1997)

 

Mas Leo não parecia satisfeito, e se recusava a seguir os passos pré-programados dos astros do cinema. Não que exista algo errado em abraçar continuações ou atrelar seu nome a uma série, mas foi uma decisão consciente que o afastou de filmes como "Homem-Aranha", de Sam Raimi ("Tivemos uma reunião, eu e Sam, e ficamos nisso"), personagem que terminou nas mãos de seu melhor amigo, Tobey Maguire.

 

O que DiCaprio queria era trabalhar com os melhores e nunca se repetir. Foi exatamente o que ele fez na década seguinte, filmando com Steven Spielberg ("Prenda-me Se For Capaz"), Ridley Scott ("Rede de Mentiras"), Sam Mendes ("Foi Apenas um Sonho", que o reuniu com Kate Winslet), Christopher Nolan ("A Origem", um sucesso global de quase US$ 900 milhões) e, mais recentemente, Clint Eastwood ("J. Edgar") e Quentin Tarantino ("Django Livre").

 

Seu maior triunfo, porém, chegou duplamente em 2004. Seu primeiro filme com Martin Scorsese, o drama de 2002 "Gangues de Nova York", foi assombrado por brigas constantes do diretor com o produtor Harvey Weinstein, e o astro decidiu ele mesmo colocar a mão no bolso. Assim nasceu sua produtora, Appian Way, que entrou no mercado com "O Assassinato de Richard Nixon", com Sean Penn, e com "O Aviador", biografia do milionário, inventor e excêntrico Howard Hughes, mais uma vez dirigido por Scorsese.

 

A parceria com o diretor rendeu mais três filmes: "Os Infiltrados" (2006, com Jack Nicholson e Matt Damon), "Ilha do Medo" (2010, também produzido pela Appian Way), e "O Lobo de Wall Street" (mais um com sua assinatura como produtor).

 

Ambientalista

 

A Appian Way, por sinal, terminou sendo o instrumento perfeito para Leo jogar os holofotes sobre sua outra grande paixão, as questões ambientais e o futuro do planeta. Foi com o documentário de 2007 "A Última Hora", um retrato assustador das graves condições que equilibram os sistemas da Terra, emoldurado por contribuições de políticos, cientistas, ativistas e outros notáveis da causa ambiental, que DiCaprio tomou em suas mãos a responsabilidade por fazer sua parte para garantir o futuro do planeta.

 

Quando conversamos no ano seguinte, durante o lançamento de "Rede de Mentiras", o ator parecia muito mais empolgado em falar sobre causas ambientais do que sobre o próprio filme --sem nunca parecer um ecochato. Arriscando (e bem) uma ou outra frase em português, reflexo de seu relacionamento de cinco anos com a modelo brasileira Gisele Bündchen, Leo disparou sobre sustentabilidade ("Vocês no Brasil são pioneiros no uso de etanol como combustível, o que o mundo precisa copiar rápido", ressaltou), aquecimento global e a necessidade de cada um fazer sua parte. Não raro, ele doa vultosas somas em dinheiro para as causas --políticas, ambientais, sociais-- em que acredita, como a campanha do presidente Barak Obama, e também a organizações que lutam pelos direitos das minorias e dos animais.

 

Sem ostentar luxos como jatos ou gastos excêntricos, Leonardo DiCaprio continua avesso à exposição, e usa sua fama como trampolim para defender o que acredita. Sua única concessão ao estereótipo do "astro de cinema hollywoodiano" talvez seja a coleção de ex-namoradas, quase todas supermodelos, de Gisele à israelense Bar Rafaeli, passando por Erin Heatherton, Toni Garrn e Kelly Rohrbach --embora continue um solteirão convicto.

 

Entre o futuro do planeta, sua vida amorosa e os vários projetos já engatilhados, ao menos uma preocupação pode parar de rondar o astro na cerimônia do Oscar no próximo dia 28 de fevereiro: a não ser que uma zebra fenomenal cavalgue pelo palco do Kodak Theater, ele deve sair da festa com uma estatueta dourada em mãos. Merecidíssima, já que "O Regresso" é testemunho de suas imensas habilidades como ator.

 

Não que o Oscar signifique um prêmio máximo e o começo da ladeira abaixo em sua carreira. É mais um reconhecimento sincero de seus pares. E a internet perderá uma de suas fontes favoritas de memes.

 

 

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Assisti o vencedor da Palma de Ouro

 

Dheepan

 

Não entendo porque criticaram tanto a vitória desse filme em Cannes. As atuações são tão verdadeiras, os atores do Sri Lanka demonstram só com o olhar toda tragédia no qual a vida deles está imersa. Gostei muito do roteiro demonstrar que eles saíram de uma guerra pra enfrentar outro tipo de conflito. Uma crítica dura a forma como os imigrantes são tratados na Europa e a falta de oportunidades. Quando Dheepan e sua "família" chegam na França, não existe nenhuma infraestrutura, são alojados num bairro marginalizado e precisam enfrentar outro tipo de conflito.

 

O filme é brilhante até os 20 minutos finais. Infelizmente o roteiro e o diretor exageraram naquelas cenas de ação e no final excessivamente "feliz".

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"Winter on Fire: Ukraine`s Fight for Freedom":

 

 Fiquei o tempo todo me questionando como passei vários meses acompanhando pela CNN e outras redes tal conflito e mesmo assim não deu para ter a dimensão do acontecido, senão por este documentário. Ele não é uma conversa de diplomatas ou homens de poder, ao contrário, a câmera está com o povo da praça Maidan. Nesse ponto de vista, trata-se de um documentário de molde clássico, regido pela imediaticidade, preocupado em mostrar os fatos quando estão acontecendo, pegando fogo. Os depoimentos são usados, mas são apenas complementares às imagens que estamos vendo. Daí a importância da coragem do diretor de estar sempre no meio do levante. Vale a pena ser visto. Netflix, manda mais!!!

 

 Documentário é sempre a categoria de nível mais parelho. Quase sempre todos os indicados seriam justos merecedores da estatueta. O favorito é o "Amy", mas esta produção poderia correr por fora.

 

Meu lado economista fica perplexo em constatar que em 2015 o Brasil quase conseguiu ter uma recessão pior que a desta Ucrânia em guerra. Quase. Todavia, em 2016, teremos a proeza de crescer menos do que ela. 

 

Vai vendo.

 

Eu não gostei tanto assim. Na verdade, não que não gostei, mas achei que o outro documentário que a Netflix fez sobre "Revoluções", o The Square tinha muito mais camadas a ser exploradas. Achei claro uma denúncia muito relevante sobre autoritarismo e opressão policial (oi PM), mas é isto. Não acho que deveria ter ocupado o lugar que poderia ser de Going Clear, Best of Enemies ou Listen to Me Marlon.

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Espero ver todos esses ao longo de 2016, Muviola. Netflix não emplacou "Beasts of no nation", mas, como você bem lembrou, tem emplacado indicações nesta categoria. Seria maravilhoso se mais documentários chegassem aos cinemas brasileiros.

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Sim, só que já há alguns anos a festa de homenagem acontece antes (novembro), privando os reconhecidos de subirem ao palco na festa do Oscar. Tudo para poupar tempo na cerimônia.

 

Os agraciados com o Honorary Award este ano são: Gena Rowlands, Debbie Reynolds, e Spike Lee. 

 

 

 

 

 

 

 

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"O Menino e o Mundo" é lindo. Comentário social em forma de animação. Uma animação que retoma suas bases de desenho mesmo, de arte pictória, desprovida da necessidade, que foi sendo construída ao longos desses anos Pixar, de haver uma "história genial" por trás. Por ventura essa necessidade de roteiro ixxxperto acaba se transformando em uma muleta. A animação do Alê Abreu vem nos alertar para esses caminhos e mostrar que existem outras forma de fazer. Inteligentemente desprovido de sotaque ou cor local, é realmente a história de um menino e o mundo que o cerca. Sensível a ponto de começar na forma de um ponto, e se agigantar como uma mandala (Os mais místicos entendem e compartilham o recado). No maravilhoso final, o desenho se abre para se converter em um outro tipo de "imagem" - levando esta animação a outro patamar. Não deixem de ouvir a canção do Emicida ao término dos créditos.

 

 

Rola um bobo complexo de vira-latas entre nós de que o Brasil se dá mal no Oscar, já que nunca ganhamos e tudo. Mas é bom notar que esta inédita indicação em Animação vem a se somar a outras indicações brasileiras em Fotografia, Roteiro Adaptado, Direção, Montagem, Canção, Atriz, Documentário, e, claro, Filme Estrangeiro. Não é pouco, não. Quem acompanha com atenção a história do Oscar sabe que essa plêiade é muito difícil de alcançar. Nós temos um cinema para nos orgulhar.

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Pete Hammond traçando um cenário que remonta a 1981/1982, quando 3 competidores fortes ("Reds", "Raiders of the Lost Ark", On Golden Pond" ) se estraçalharam e o que que deu? "Chariots of Fire". Ele  faz o mesmo case para "Room", em virtude da surpreendente indicação em Direção. Só que o processo não é mais o mesmo, né? Convenhamos. Ele raciocina baseado em uma corrida aberta, mas se Mckay vencer DGA? Aí acabou. Eu aceito melhor o raciocínio dele mas com "Mad Max" vencendo. hehe

 

Eu adoro o Pete Hammond porque ele sabe tanto de Oscar, faz paralelos tão interessantes, traz tanta curiosidade, tanto bastidor. A fofoca da semana é que o PGA foi decido a favor de "The Big Short" por apenas 3 votos de diferença!!! Eu, particularmente, gosto do filme, mas não o aaaaamooooo, e não vejo ninguém que o ama tanto assim. Lembra, Pete, de como é difícil para "Mad Max" vencer Best Picture sem indicação a Roteiro (mesmo caso de "The Revenant"; algo que só aconteceu  com "Titanic", "The Sound Of Music, e, claro, "Hamlet") e sem indicação de atores. Seria um raio num céu azul.

 

Ele ainda conta a história deliciosa do estupendo Irving Berlin abrindo o envelope do Oscar de Best Song em 1943 e dizendo: "I won!" (hahaha), isso para ilustrar por que Iñárritu não vai apresentar o prêmio de DGA no sábado e sim Tom Hooper. Com reforço da estatística, lembra que um diretor não vence o Oscar duas vezes consecutivamente desde, nada mais nada menos, Joseph Manckiewicz em 1950 e 1951, e nunca, jamais, um mesmo diretor obteve duas vitórias consecutivas de Best Picture. Esses dados nos dão parâmetros de como podem ocorrer momentos históricos mesmo neste ano.

 

Um Best Picture com apenas 2 Oscars não acontece desde "O maior espetáculo da Terra", em 1953, que também teve 5 indicações, então "The Big Short" tem uma parada realmente bem difícil. Essa DGA é fundamental.

 

Estou ansioso.

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Pete Hammond traçando um cenário que remonta a 1981/1982, quando 3 competidores fortes ("Reds", "Raiders of the Lost Ark", On Golden Pond" ) se estraçalharam e o que que deu? "Chariots of Fire". Ele  faz o mesmo case para "Room", em virtude da surpreendente indicação em Direção. Só que o processo não é mais o mesmo, né? Convenhamos. Ele raciocina baseado em uma corrida aberta, mas se Mckay vencer DGA? Aí acabou. Eu aceito melhor o raciocínio dele mas com "Mad Max" vencendo. hehe

 

Eu adoro o Pete Hammond porque ele sabe tanto de Oscar, faz paralelos tão interessantes, traz tanta curiosidade, tanto bastidor. A fofoca da semana é que o PGA foi decido a favor de "The Big Short" por apenas 3 votos de diferença!!! Eu, particularmente, gosto do filme, mas não o aaaaamooooo, e não vejo ninguém que o ama tanto assim. Lembra, Pete, de como é difícil para "Mad Max" vencer Best Picture sem indicação a Roteiro (mesmo caso de "The Revenant"; algo que só aconteceu  com "Titanic", "The Sound Of Music, e, claro, "Hamlet") e sem indicação de atores. Seria um raio num céu azul.

 

Ele ainda conta a história deliciosa do estupendo Irving Berlin abrindo o envelope do Oscar de Best Song em 1943 e dizendo: "I won!" (hahaha), isso para ilustrar por que Iñárritu não vai apresentar o prêmio de DGA no sábado e sim Tom Hooper. Com reforço da estatística, lembra que um diretor não vence o Oscar duas vezes consecutivamente desde, nada mais nada menos, Joseph Manckiewicz em 1950 e 1951, e nunca, jamais, um mesmo diretor obteve duas vitórias consecutivas de Best Picture. Esses dados nos dão parâmetros de como podem ocorrer momentos históricos mesmo neste ano.

 

Um Best Picture com apenas 2 Oscars não acontece desde "O maior espetáculo da Terra", em 1953, que também teve 5 indicações, então "The Big Short" tem uma parada realmente bem difícil. Essa DGA é fundamental.

 

Estou ansioso.

 

 

Pois é, esse ano tá meio atípico, né? Não tem um grande favorito tanto em filme quanto em direção. Mas, sei lá, acho que, no Oscar, não vão premiar o Inarritu por dois anos consecutivos (principalmente em direção).

 

The Big Short não tem cara de Best Picture!! Apesar das muitas qualidades, é um filme cujo tema é muito específico e complexo. Eu tô torcendo para que não vença.  :)

 

Acho que esse ano pode haver uma divisão entre os prêmios de melhor direção e melhor filme.

 

Vamos ver o que vai acontecer no DGA!!

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Anne Thompson tem certeza que George Miller irá ganhar o DGA e o Oscar de Direção.

 

 Argumenta que o branch dos diretores ficou alucinado com o filme; que eles não premiarão consecutivamente o Iñárritu; eles votam por big movies (filmado durante 120 dias; 400 horas de imagens antes da montagem; participação do Cirque Du Solei para realizar aqueles incríveis ataques sob varas) não por pequenos como "Spotlight".

 

Ela torce pelo filme. Não tanto quanto eu.

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Acho que se tem um diretor esse ano que merece é o Miller. Seu filme não é só um conjunto de obra bem dirigida em diversos níveis, mas também uma afirmação a qualidade de filmes de ação atuais: "Vejam crianças, assim que se faz".

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"Cartel Land" impressiona. O bagulho é loco!!!!

 

Se o tema é difícil, duro, importante, polêmico, lá está o nome de Kathryn Bigelow, desta vez na produção executiva deste documentário premiado em Sundance. Que mulher! Que artista! Só os brasileiros idiotas para acharem que ela faz propaganda americana, quando entrega dois filmes estupendos como suas duas últimas produções. Sem contar os magníficos "Point Break" e "Strange Days". Sou fã número 1. O assunto mais uma vez é guerra, só que a guerra contra as drogas. E seu fiasco. Suas milícias, seus líderes carismáticos, sua bala que - como num desenho animado - volta-se de novo para o cano da arma.

 

O diretor Matthew Heineman teve acesso irrestrito a grupos paramilitares, a vigilantes, policiais, políticos demagogos - bandidos em última instância. Ele acompanha o arco todo da situação. Talvez reconheça-se a coragem do diretor: dormir em carros, dormir no deserto, estar no meio do tiroteio... Ou talvez tudo soe meio "tropicalone" para os votantes. De qualquer forma, está indicado ao DGA. Vamos ver o que acontece.

 

É difícil entender como se forma um vencedor do Oscar em Documentário. Se é a importância do assunto, se é o apelo emocional, se é a intenção de premiar um documentarista pela sua trajetória, se é o "momento".

 

Nunca sei em quem votaria. Pablo Villaça gravou vídeo em que diz que o documentário, que ele viu em Tribeca, deveria vencer todos os prêmios deste ano.

 

https://www.vice.com/video/talking-to-the-people-behind-the-new-mexican-drug-war-documentary-cartel-land-815

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Sobre "O Regresso":

Assistido.

Pesado, violento e claustrofóbico. Ao mesmo tempo que escancara a violência humana, mostra que a natureza ainda pode ser mais implacável.

Achei um baita filme, tecnicamente impressionante e com uns 3 planos sequências de cair o queixo.

Leo e Hardy carregam o filme com uma entrega total e absurda.

Deram uma apelada aqui e ali mas a experiência do filme é única.

Nunca senti tanto frio no cinema, e as poucas vezes em que aparece um sol com um céu azul eu me esquentava,Haha. Vi no imax e guardada as devidas proporções, aquele peso que sentimos vendo Mad Max, devido ao pouco cgi aparente usado e a luz natural está presente aqui também.

Filme foda mas não sei se consigo assistir de novo, haha.

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Gust84, ontem à noite eu revi "Ali", que também tem fotografia do Lubezki (quase nunca citam esse trabalho dele). Já cumpriu o item obrigatório do currículo de um grande fotógrafo de arrasar em filme de boxe. Esse homem é um gênio.

 

Sobre "The Revenant", eu só ficava assim: "Poupem os cavalos, seus motherfuckers!"   :D

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Anne Thompson tem certeza que George Miller irá ganhar o DGA e o Oscar de Direção.

 

 Argumenta que o branch dos diretores ficou alucinado com o filme; que eles não premiarão consecutivamente o Iñárritu; eles votam por big movies (filmado durante 120 dias; 400 horas de imagens antes da montagem; participação do Cirque Du Solei para realizar aqueles incríveis ataques sob varas) não por pequenos como "Spotlight".

 

Ela torce pelo filme. Não tanto quanto eu.

 

 

 

 

SérgioBenatti, em quem você votaria para filme e direção deste ano?

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