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Doutor Sono (Mike Flanagan) - Sequel de 'O Iluminado'

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On 9/28/2019 at 12:19 PM, Gustavo Adler said:

Mas macho, eu não estou questionando isso, estou questionando o efeito desse elemento.

 Mas o efeito dele depende da montagem.

On 9/28/2019 at 12:19 PM, Gustavo Adler said:


É tedioso, acaba com todo o terror que depende da nossa imaginação.

Mas tu acha que o fator visual exclui totalmente a imaginação? E o que dizer da icônica cena do chuveiro de PSICOSE? Pra maioria das pessoas, é uma cena de terror explícito, todo mundo jurou que viu a faca entrando no corpo daquela mulher. Os censores da época quiseram barrar a cena por que esse tipo de violência não era explícito. Mas a jogada genial é que nunca mostra de fato a faca entrando no corpo da mulher. As pessoas só imaginaram devido a montagem cinematográfica (trilha, atuação, cortes rápidos, sangue na tela). O que é enquadrado não exclui o fator imaginação.

On 9/28/2019 at 12:19 PM, Gustavo Adler said:


Se eu olho pra um desfiladeiro e consigo visualizar todo ele, visualizar no sentido de entender do que se trata, eu perco o medo dele e passo a observa-lo a procura de procurar os pontos onde posso colocar minha mão e segurar pra escala-lo. O medo, ao meu ver, de subir um monte está na imaginação de que ali é algo intransponível, que você não consegue visualizar como irá subir, e imagina um monte de situações que te levarão a morte. 

 Mas ai tu tá tratando a imagem do desfiladeiro como se ele fosse a própria montagem, e não um mero elemento da montagem. A imagem de um desfiladeiro é só a imagem de um desfiladeiro. A imagem de um desfiladeiro nas sombras é só a imagem de um desfiladeiro nas sombras. Que trilha está tocando? O quanto eu vejo na tela desse desfiladeiro? O personagem sofre de agorafobia? Eu posso ouvir a respiração desse personagem? Tem algo atrás dele, de modo que ele não vai ter tempo de ficar procurando ponto de apoio? Como essa cena é decupada? 

Enfim, dependendo ver o desfiladeiro inteiro pode ser muito mais ameaçador do que deixar ele nas sombras.

 

On 9/28/2019 at 12:19 PM, Gustavo Adler said:

isso, é o efeito da imaginação, e não do fato em si.

Eu nunca disse que o terror está no fato. O fato, tal quanto uma imagem horrível, ou sua ausência, é só mais um elemento.

 

On 9/28/2019 at 12:19 PM, Gustavo Adler said:


 (mesmo se for um fato extra natural, um demônio. Ora, o que me faz crer que eu não posso conversar com um demônio e dizer pra ele: "tá, tu ta ai mas sei que tu não pode mexer na faca pra me matar se não tiver fortalecido com meu medo, então, e dai que tu ta ai?)

   E como é que você tem essa informação? Você me pergunta o que te faz crer que tu não pode conversar com um demónio e tirar a energia do seu medo dele. Mas o que te faz crer que tu pode? É um ponto de duvida da qual perfeitamente pode se construir uma montagem de terror.

 Ou vamos pro climax de O ILUMINADO. O Jack Nicholson pirou, pegou um machado e vai matar a família. Aqui não se interessa se tem fantasmas no hotel, ou se ele só pirou, o cara tem um machado. Eu (e os personagens) compreendemos o fato apresentado, e as diversas formas de se lidar com ele,  que de forma sucinta é "não deixe o maluco com o machado te pegar". E nem por isso, acho que toda essa sequência final de O ILUMINADO não seja aterrorizante. 

On 9/28/2019 at 12:19 PM, Gustavo Adler said:


Os filmes do Jason, ao meu ver, são uma bosta. Não tem nada além da brincadeira de pega pega. 

Já a do freddy krueger acho a proposta muito massa embore não goste dos filmes (ou não tenha assistido, só assisti um quando era criança e me lembro que não me pegou). Porque justamente não se tratava de um monstro pura e simplesmente, mas se tratava dos enigmas do sonho e do psicológico. A cada vez que a vitima sonha com o Freddy e se mostra amedrontada o Freddy vaii ganhando força, certo? isso tipo é uma exploração do efeito do estado mental da pessoa na sua qualidade de vida, na sua saúde física, no seu mundo físico, tem algo realmente interessante nessa proposta dos filmes da hora do pesadelo, algo que depende da nossa imaginação pra entender como ele o matará

 Eu gosto dos filmes do Jason, mas é um tipo de terror bem diferente do que estamos discutindo aqui, um tipo de terror que não tem pretensão nenhuma de passar pelo terror psicológico. Não é o seu tipo mesmo. É um "terror despreocupado.

Quanto ao Freddy, você pode ter assistido qualquer um (são sete filmes, um crossover com Sexta Feira 13, e um remake), mas aconselho que assista ao filme original, que acho fantástico. E é justamente um filme que não esconde a cara feia do personagem e sua violência, e nem faz segredo de sua natureza, mas que nem por isso deixa de se valer do fator desconhecido, não pelo que não vemos, mas pelo o que vemos.

On 9/28/2019 at 12:19 PM, Gustavo Adler said:

Mas e dai macho? no universo do personagem há dimensões em que o lobisomen é possível, ou por se tratar de um ser de outra dimensão que tomou conta de um corpo humano da dimensão do personagem ou sei lá o que. Mas o fato de você espectador saber que aquela proposta de filme tem lobisomen já me faz ligar o on, opa, é natural aparecer lobisomen nesse filme (mesmo que no mundo proposto pelo diretor essa tenha sido a primeira aparição e, consequentemente, não tenha sido algo natural para os personagens)

 Mas eu que pergunto, e dai que eu sei que a proposta do filme contém um lobisomem? Não é você que tem que ficar chocado com a existência de um lobisomem(até por que em tese, lobisomens não existem), são os personagens que tem que fazer isso e te transmitirem esse choque (através da montagem cinematográfica). E outra, o fato de você ter uma informação que os personagens não tem (você sabe que existe um lobisomem sanguinário, e eles nem sabem que existe um bicho desses) é também um elemento que embora mais usado na construção do suspense, também pode ser utilizado na construção do terror. 

 

On 9/28/2019 at 12:19 PM, Gustavo Adler said:



Tipo, sim, o filme afirma, mas não fecha, as cenas, a abordagem, a montagem e todo o roteiro deixa a assombração pra segundo plano, o primeiro plano é o surto dos personagens (seja decorrente das visões e pertubações que as assombrações lhes apresenta, mas todo o foco do filme é o sofrimento da família e não as assombrações e o dano que essas assombrações fazem no psicológico delas. E isso faz com que as assombrações possam nem existir e tudo não passe de alucinação dos personagens, decorrente daquele ambiente e contexto terrível).

 Algumas questões ele fecha sim, mas com certeza o foco do filme não são os fantasmas e sim a degradação daquela família. Os fantasmas (metafóricos ou não) não criam a crise, apenas pioram uma situação que já existia.

 

On 9/28/2019 at 12:19 PM, Gustavo Adler said:


O mentor acredita que tem um dom e acredita que a criança tem um dom, e eles acreditam que um teve conexão mental com o outro. Mas será que foi o dom ou foi a crença nesse dom e o contexto em que ambos partilham e do traço da personalidade?
 

Não era uma questão de crença, era uma questão de saber. Nessa cena, o Danny vê as gemeas pela primeira vez antes de conhecer o Dick (o cozinheiro). Mas ok, o Danny pode simplesmente ter imaginando pela história das gémeas que foram mortas lá anos antes ( e ai temos que supor que o Jack Nicholson contou essa história pro filho), mas fica a porta aberta pra não existência do sobrenatural aqui.

Então, quando conhece o Danny e a mãe dele, o Dick sabe o apelido do menino, e mente que sabe por que ouviu ela o chamando pelo apelido, embora ela afirme que não o fez. Temos que forçar um pouco a barra aqui para por em duvida a telepatia do personagem, mas vamos supor que ela disse, e ele ouviu.

Mas depois de "portas fechadas para qualquer duvida". Ora, ouvimos os personagens conversando telepaticamente, fica muito claro que o Dick fala, e o menino escuta. Quando eles conversam depois, o Danny sabe exatamente o numero do quarto do hotel que assusta o Dick, pois leu na mente dele. A demonstração de poder pode ser sutil, mas é inequívoca. Não há espaço para leitura de efeito placebo aqui. O filme escancara que esse menino tem poderes medíunicos. Porta fechada;

On 9/28/2019 at 12:19 PM, Gustavo Adler said:


E a informação que o fantasma deu pra o pai pode ter sido muito bem algo que ele percebeu e como o cerebro dele não tinha como explicar como ele percebeu isso atribuiu inconscientemente a um fenomeno externo. 

 Não tinha não. Como ele ia perceber qualquer coisa se o Danny pediu a ajuda telepaticamente? E como ele ia saber não só que o Danny estava tentando trazer alguém de fora do hotel, mas sabia quem ele estava trazendo "ele está trazendo o negro cozinheiro, senhor". Realmente, aqui o Kubrick elimina qualquer dúvida que poderia haver tanto sobre os poderes do Danny quanto a existência de forças sobrenaturais no hotel.

On 9/28/2019 at 12:19 PM, Gustavo Adler said:


Bem, não estou dizendo que o filme não assume que é assombração, mas que ele aborda o transtorno psicológico decorrente dessas assombrações e da casa e que todo o filme pode muito bem ser explicado sem essa assombração, e que isso, em mim, tem um efeito devastador no quesito medo.
 

 Mas ai tu concorda que seria outro filme., pois tira as assombrações e o contexto sobrenatural, e um dos principais pontos da obra se perde. E esse ponto não é se os fantasmas do Hotel Overlook são reais, pois no momento em que o filme estabelece os poderes do Danny de forma inequívoca na cena com o Dick os poderes do Danny e a natureza especial do lugar, a gente assume que sim, os fantasmas são reais, e não alucinações. As gémeas assustam, o elevador de sangue assusta, a mulher da banheira assusta, por que são imagens poderosas, mas o coração do filme não tá ai. O coração do filme tá naquela conversa do Jack com o Garçom e o Barman fantasma, figuras muito mais discretas que as vistas anteriormente. A duvida onde mora o terror do filme pra mim é; as forças sobrenaturais do hotel transformaram Jack Torrance em um monstro, ou ele sempre foi um? Ele tá sendo transformado, ou só revelado? Eu não preciso duvidar da existência dos fantasmas pra conseguir isso.

On 9/28/2019 at 12:19 PM, Gustavo Adler said:



Mas assim, então, horror não me pega, não tem jeito. 

Mesmo essa cena do Alien que tu citou, sim, sei que o filhote de alien saindo do corpo é um elemento necessário, mas ao meu ver, necessario mais pra narrativa do filme do que pro terror em si. Tá, realmente, tem o susto, mas o susto, ao meu ver, é mais um efeito da surpresa de algo que você não esperava (e que, portanto, hoje já não sei se teria o mesmo efeito).

Mas a função do alien aqui não é dar continuidade ao terror, é apresentar o seu desenlace, que é o horror. E o terror, tem que algum tipo de desenlace, mesmo que sirva como ponto de passagem pra outra passagem de terror, até por que o surgimento do Alien não termina com o terror do filme, e sim com a da cena (por que tinha que acabar mesmo). Não invalida o que veio antes, e prepara o terreno pro que vai vir depois.

 

On 9/28/2019 at 12:19 PM, Gustavo Adler said:

 

Como não sei? ele tem mãos e a utiliza pra levantar a boneca, porque diabos ele não a utilizaria pra enforcar o humano? 

Para mim, tá resolvido, tá tudo explicado, é um ser de outra dimensão que tem mão e que pode utilizar essas mãos (e se tiver outros poderes, tem outros poderes, mas tchalaaaa, o filme tem o demonio que tem poderes, qual a novidade e suspense nisso? o fato de ter um demonio físico ali presente, assumidamente, já torna previsivel que ele tenha algum super poder sei lá o que que faz a casa pegar fogo, voar, as pessoas levitarem, enfim...)

O problema do seu argumento, pra mim, é que você tá considerando tudo de um ponto de vista muito racionalista, e apontando todo o conhecimento de um "outro assustador" em uma mera imagem. O terror é tudo, menos racionalista. O que tem de tão revelador sobre uma criatura no fato de que ele tem mãos e pode levantar uma boneca? Tem uma série de variáveis incontáveis ai que poderiam abrir novas situações de terror depois que o horror encerrou a anterior (só pra esclarecer, não estou defendendo o lixo que é ANNABELLE, só os conceitos em questão mesmo)

 Você diz que não faz diferença que outra ameaça física/psicológica o demónio da boneca pode representar . Mas que diferença faz se na cena de abertura do Tubarão ele tá puxando o pé, ou a perna ou a cintura da vítima? Aplicando a lógica racionalista que você usou no caso da boneca, nenhuma. Tem um tubarão ali, e eu sei que é um tubarão, e eu sei que ele vai devorar ela. Dentro de uma lógica racionalista, é chato e previsível. O sucesso da cena de TUBARÃO não se deve simplesmente ao fato de a gente não saber o que ele tá fazendo, por que a gente sabe. Ele tá matando ela.

 Eu não consigo pensar a montagem de terror simplesmente como essa função binária de o que tu vê e o que tu não vê, o que tu sabe, e o que tu não sabe. É simplório, e o terror é mais do que isso. Até por que muitas vezes, o terror vem justamente do que nós público sabemos. E ai voltamos lá para O ILUMINADO. O que assusta em O ILUMINADO não é a duvida se os fantasmas existem ou não, mas em como aqueles fantasmas impactam o emocional dos personagens, e em como a montagem cinematográfica (e mais uma vez, não me refiro apenas ao processo de organização de planos) nos faz compartilhar das emoções desses personagens.

 

On 9/28/2019 at 12:19 PM, Gustavo Adler said:



Aquele homem mosca que o filme expos não tem nada a ver com homem e mosca de fato.

 Como assim? Claro que não tem nada a ver com um homem e uma mosca, por que é uma terceira criatura, uma fusão dessas duas. Quero dizer, não existe uma figura pra tu se basear no que seria uma fusão genética exata de um homem e uma mosca. Se eu pedir pra vinte pessoas  desenharem como elas acham que seria o resultado de uma fusão genética de um homem e uma mosca, eu teria vinte criaturas diferentes.

On 9/28/2019 at 12:19 PM, Gustavo Adler said:

Duvido muito que o autor não queria fazer uma pessoa com cara de mosca ou uma mosca com cara de pessoa, enfim, um ser com características bem definidas de mosca e humana, mas só pode fazer aquela coisa meio gororoba meio gosmenta meio sei lá o que que nos lembra uma mosca e um homem. 

 Olha, pelo que eu conheço da filmografia do Cronenberg e do estilo Body Horror dele, acho que ele fez exatamente o que queria fazer

 

On 9/28/2019 at 12:19 PM, Gustavo Adler said:



Evil Dead, pow, aqueles bonecos se quebrando e sei lá o que parece mais um boneco do que uma pessoa (ou seja, o efeito especial não consegue de fato esconder que ali são manequins usados pra fazer o papel de "mortos vivos") .

 Tem efeitos de EVIL DEAD que envelheceram  mal, mas acho que o filme super funciona e imaginação também é conseguir ver a realidade nos efeitos (no limite do bom senso, é claro). Imaginação não é apenas construir do zero o que não se vê, também é completar o que sê (como em PSICOSE que citei no início do Post). Quando a sala de cinema, a gente quer ser "enganado" pela tela (dentro das regras da linguagem, é claro). EVIL DEAD funciona pra mim por que as situações que vão sendo apresentadas são absurdas em um nível macabro até que chega em um ponto que os personagens ultrapassam a barreira do medo, e começam a enlouquecer mesmo. Tem um que de Lovecraft ali que é assustador o que tá acontecendo com aquelas pessoas pelo nível do surreal (mais uma vez batendo nessa tecla, construído pela montagem). Mas ai é uma questão de gosto mesmo.

 

On 9/28/2019 at 12:19 PM, Gustavo Adler said:



Suspira é bom mas não me deu medo não (assisti a uns 3 anos atrás).

 Ai é que está. Convencionou-se que o filme de terror (ou o bom filme de terror) tem que necessariamente nos dar medo. E necessariamente não tem. DEIXE ELA ENTRAR é um baita filme de terror, e não me assusta. O medo tem que estar presente na linguagem narrativa e estética, mas o que faz o sentido de terror não é o nosso medo É a sensação de medo na montagem.

 

On 9/28/2019 at 12:19 PM, Gustavo Adler said:

 

Bem, sei lá, acho que um filme como tubarão, o exorcista, o iluminado, poderia perfeitamente ser tão terrorificante sem a aparição dos monstros (pra mim, seria até mais terrorificante).

Poderiam. Seriam filmes diferentes, mas poderiam.

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13 hours ago, Questão said:

 Mas o efeito dele depende da montagem.

Mas para mim, montagem que depende desse elemento não funciona, entende? ele tem que ser só um plus a mais. 

Toda a cena que ancora demais no elemento "cara feia", ao meu ver, perde a graça

 

13 hours ago, Questão said:

Mas tu acha que o fator visual exclui totalmente a imaginação? E o que dizer da icônica cena do chuveiro de PSICOSE? Pra maioria das pessoas, é uma cena de terror explícito, todo mundo jurou que viu a faca entrando no corpo daquela mulher. Os censores da época quiseram barrar a cena por que esse tipo de violência não era explícito. Mas a jogada genial é que nunca mostra de fato a faca entrando no corpo da mulher. As pessoas só imaginaram devido a montagem cinematográfica (trilha, atuação, cortes rápidos, sangue na tela). O que é enquadrado não exclui o fator imaginação.

Macho, sua explicação já deixa claro que não é visual o lance. 

 

 

13 hours ago, Questão said:

 Mas ai tu tá tratando a imagem do desfiladeiro como se ele fosse a própria montagem, e não um mero elemento da montagem. A imagem de um desfiladeiro é só a imagem de um desfiladeiro. A imagem de um desfiladeiro nas sombras é só a imagem de um desfiladeiro nas sombras. Que trilha está tocando? O quanto eu vejo na tela desse desfiladeiro? O personagem sofre de agorafobia? Eu posso ouvir a respiração desse personagem? Tem algo atrás dele, de modo que ele não vai ter tempo de ficar procurando ponto de apoio? Como essa cena é decupada? 

Enfim, dependendo ver o desfiladeiro inteiro pode ser muito mais ameaçador do que deixar ele nas sombras.

Então, pra mim, pode por o som que for, a medida que você me apresenta o desfiladeiro você me apresenta a chance de olhar pra ele e buscar formas de subi-lo.

 

13 hours ago, Questão said:

Eu nunca disse que o terror está no fato. O fato, tal quanto uma imagem horrível, ou sua ausência, é só mais um elemento.

Eu sei que não, mas você defende que o elemento visual é importante, eu até concordo, mas, sei lá, é algo tão batido e tão bem definido pelos efeitos especiais, que nenhum me pega mais como me pegava antes.

 

13 hours ago, Questão said:

 E como é que você tem essa informação? Você me pergunta o que te faz crer que tu não pode conversar com um demónio e tirar a energia do seu medo dele. Mas o que te faz crer que tu pode? É um ponto de duvida da qual perfeitamente pode se construir uma montagem de terror.

 Ou vamos pro climax de O ILUMINADO. O Jack Nicholson pirou, pegou um machado e vai matar a família. Aqui não se interessa se tem fantasmas no hotel, ou se ele só pirou, o cara tem um machado. Eu (e os personagens) compreendemos o fato apresentado, e as diversas formas de se lidar com ele,  que de forma sucinta é "não deixe o maluco com o machado te pegar". E nem por isso, acho que toda essa sequência final de O ILUMINADO não seja aterrorizante. 

Então, todos os filmes de assombração dependem do envolvimento emocional da vítima pra que o fantasma consiga ter forças pra agir no "mundo real"

E o iluminado o perigo não são os fantasmas, são os surtos dos personagens decorrente dessa exposição (ou não, como falei, o filme pode ser explicado muito bem sem ter os fantasmas, não que o filme não assuma que são fantasmas, mas a abordagem do filme foca mais no surto que pode ter n causas, no caso do filme a causa maior são as assombrações).

 

13 hours ago, Questão said:

Eu gosto dos filmes do Jason, mas é um tipo de terror bem diferente do que estamos discutindo aqui, um tipo de terror que não tem pretensão nenhuma de passar pelo terror psicológico. Não é o seu tipo mesmo. É um "terror despreocupado.

Então, o fato dos filmes de assombração passar pelo terror psicológico me pega porque eu não consigo prever exatamente o que, qual ação, como ele me afetaria se eu tivesse na situação do personagem. Por exemplo, como o Freddy iria sair do mundo dos sonhos pra entrar no mundo real me perfurando a barriga? eu me lembro de uma cena que depois do pesadelo de uma vítima, a mão do Freddy sai na barriga dela. Tá ali as cenas, uma cena explica a outra, mas o que não está explicado é de que modo ele consegue atravessar os mundos? através da força do medo que a vitima tem é uma explicação muito abrangente ou temática, mas não explica de que forma a força que o medo da faz com que o Freddy se materialize, isso na nossa imaginação gera um efeito interessante, porque você fica se imaginando como ele, o Freddy, conseguirá despertar esse medo de forma que ele consiga sair do mundo dos sonhos pro mundo real? como faço pra evitar? tenho possibilidade ou algum controle em algo que possa evitar?

 

13 hours ago, Questão said:

 Mas eu que pergunto, e dai que eu sei que a proposta do filme contém um lobisomem? Não é você que tem que ficar chocado com a existência de um lobisomem(até por que em tese, lobisomens não existem), são os personagens que tem que fazer isso e te transmitirem esse choque (através da montagem cinematográfica). E outra, o fato de você ter uma informação que os personagens não tem (você sabe que existe um lobisomem sanguinário, e eles nem sabem que existe um bicho desses) é também um elemento que embora mais usado na construção do suspense, também pode ser utilizado na construção do terror. 

Sim, mas o fato de eu já prever que vá existir lobisomen no filme meio que faz um processo preventivo na minha imaginação de acordar do sonho: "aaah, essas pessoas só não param para tentar matar o lobisomen porque são atores e tudo é um filme"

Tipo, a imagem ao invés de mexer com meu medo e com a minha imaginação de que os personagens estão em perigo, ela meio que me acorda pro fato de que aquilo tudo é uma criação de um filme.

Na verdade,, eu não sei explicar bem, toda essa explicação que eu estou dando é a que eu acho que é o motivo de nenhum filme com imagens aparentemente assustadoras me cativarem.

 

13 hours ago, Questão said:

Mas depois de "portas fechadas para qualquer duvida". Ora, ouvimos os personagens conversando telepaticamente, fica muito claro que o Dick fala, e o menino escuta. Quando eles conversam depois, o Danny sabe exatamente o numero do quarto do hotel que assusta o Dick, pois leu na mente dele. A demonstração de poder pode ser sutil, mas é inequívoca. Não há espaço para leitura de efeito placebo aqui. O filme escancara que esse menino tem poderes medíunicos. Porta fechada;

O Dick pode ter falado em vão, e o menino pode ter acreditado que ouviu algo, e quando ambos se falaram o menino preveu o que o dick tinha falado talvez pela obviedade do contexto, obviedade de que aquele ambiente era terrivel (e eles atribuiam essa característica a existencia de fantasmas ali). Sobre o quarto, ora, o unico quarto que fica eternamente fechado e que ninguém entra nem pra limpar... meio auto sugestivo isso, não?

13 hours ago, Questão said:

 Não tinha não. Como ele ia perceber qualquer coisa se o Danny pediu a ajuda telepaticamente? E como ele ia saber não só que o Danny estava tentando trazer alguém de fora do hotel, mas sabia quem ele estava trazendo "ele está trazendo o negro cozinheiro, senhor". Realmente, aqui o Kubrick elimina qualquer dúvida que poderia haver tanto sobre os poderes do Danny quanto a existência de forças sobrenaturais no hotel.

Leitura corporal, leitura dos fatos, percepção de uma certa intimidade no olhar entre o menino e o cozinheiro?

Tipo, sim, todas essas cenas é o filme dizendo que é assombração e ponto final, mas o que o filme utiliza pra deixar essa questão fechada são elementos sutis, entende?

A intensão do filme é tratar do surto da familia e utiliza as assombrações para esse fim, mas vamos imaginar no mundo real, quantas situações no mudo real meio que próximas a essas no filme, com pessoas que parecem ter se comunicado telepaticamente mas provavelmente foi uma leitura de contexto em que ambas tiveram em comum e que alegaram pra si mesmos ser uma conversa telepatica?

É claro que situações como a do filme nunca ocorreram pois a montagem do filme foi feita para que seja assombração e dom telecinesico, mas como o objetivo era a crise que a familia estava passando, toda essa questão é sutil e que faz com que tenha efeito fabuloso no terror crescente do filme, até onde vai o efeito dos fantasmas no surto do Jack e até onde vai a própria condição psiquica do Jack como fator causador do surto? que há fantasmas o filme deixa claro, mas ele deixa pra imaginação o impacto que eles tem na familia, se é fundamental ou se apenas uma contribuição. 

E eu estou aqui te convidando a explicar o filme sem a existência dos fantasmas, porque o filme pode ser explicado sem essa presença, sem a existência dos fantasmas, mesmo que o filme deixe claro que exista, mas como é algo tratado como mais uma desculpa pro Jack surtar, você pode tirar essa desculpa e por outra no lugar, e isso é o terror ao meu ver, a imaginação de qual ameaça é de fato!

14 hours ago, Questão said:

Mas ai tu concorda que seria outro filme., pois tira as assombrações e o contexto sobrenatural, e um dos principais pontos da obra se perde. 

Eu não acho que se perde não, o filme ficaria o mesmo. 

Vamos dizer que o Kubrick estivesse vivo e quisesse refazer o filme, colocando tudo, até a fala da criança com o cozinheiro, mas ao invés de assumir que a assombração é real, assumir que a assombração é fruto de uma crença ou assumir que essa questão fique em aberto. O filme, em termos de terror, basicamente seria o mesmo, a familia surtando, os fantasmas criados na imaginação do Jack e da familia aumentando influenciando nesse surto, etc. Só que a explicação filosófica do filme seria outra, deixaria de ser os fatores externos que podem desencadear ou contribuir para o desenrolar de uma condição psico-emotiva já presentes nos personagens, e passaria a ser que o fator externo pode até mesmo ser criação dessas condições já presentes nos personagens

 

14 hours ago, Questão said:

O problema do seu argumento, pra mim, é que você tá considerando tudo de um ponto de vista muito racionalista, e apontando todo o conhecimento de um "outro assustador" em uma mera imagem. O terror é tudo, menos racionalista. O que tem de tão revelador sobre uma criatura no fato de que ele tem mãos e pode levantar uma boneca? Tem uma série de variáveis incontáveis ai que poderiam abrir novas situações de terror depois que o horror encerrou a anterior (só pra esclarecer, não estou defendendo o lixo que é ANNABELLE, só os conceitos em questão mesmo)

 Você diz que não faz diferença que outra ameaça física/psicológica o demónio da boneca pode representar . Mas que diferença faz se na cena de abertura do Tubarão ele tá puxando o pé, ou a perna ou a cintura da vítima? Aplicando a lógica racionalista que você usou no caso da boneca, nenhuma. Tem um tubarão ali, e eu sei que é um tubarão, e eu sei que ele vai devorar ela.

Sim, talvez o que me faz perder o tesão seja essa ancia minha de ver tudo sobre um viés supostamente racionalista.

Mas faz diferença sim, você não está vendo o tubarão, você só está imaginando, então você não consegue antecipar e já se preparar emocionalmente, entende?

Agora o demonio, após você ver, você consegue se antecipar emocionalmente, você fica anestesiado. 

 

14 hours ago, Questão said:

Como assim? Claro que não tem nada a ver com um homem e uma mosca, por que é uma terceira criatura, uma fusão dessas duas. Quero dizer, não existe uma figura pra tu se basear no que seria uma fusão genética exata de um homem e uma mosca. Se eu pedir pra vinte pessoas  desenharem como elas acham que seria o resultado de uma fusão genética de um homem e uma mosca, eu teria vinte criaturas diferentes.

Hmmm, interessante isso, mas tipo, será que essa terceira criatura não foi decorrente da falta de efeitos especiais? 

Digo, se eles tivessem condições de fazer uma terceira criatura com características perfeitamente detectaveis de mosca e de humanos, será que eles não fariam?

Enfim, eu imagino hoje os diretores de filmes de terror fazendo figuras perfeitas de uma fusão de homens e moscas, e duvido muito que o diretor do filme a mosca iria optar por fazer uma figura meio desforme meio sem definição como é aquela figura (entenda sem definição a imagem, porque o filme define que é uma mistura de mosca e humano, mas se você olhar pra figura você não conseguira definir bem). Aposto que ele iria por uma imagem de meio mosca meio homem.

 

14 hours ago, Questão said:

Imaginação não é apenas construir do zero o que não se vê, também é completar o que sê (como em PSICOSE que citei no início do Post). Quando a sala de cinema, a gente quer ser "enganado" pela tela (dentro das regras da linguagem, é claro).

Sim, mas por isso eu apontei o efeito da tecnologia da epoca, hoje com CGI, restaria muito pouco, ao meu ver, pra nossa imaginação (ou pra minha hehehe).

 

14 hours ago, Questão said:

Ai é que está. Convencionou-se que o filme de terror (ou o bom filme de terror) tem que necessariamente nos dar medo. E necessariamente não tem. DEIXE ELA ENTRAR é um baita filme de terror, e não me assusta. O medo tem que estar presente na linguagem narrativa e estética, mas o que faz o sentido de terror não é o nosso medo É a sensação de medo na montagem.

 

Hmmm, ai você apontou uma coisa que eu concordo mas que afirmo que isso é uma compreensão nova pra mim, pois até um tempo atrás o medo era inerente. Mas após ver filmes como a bruxa, e nós, pude perceber que podemos ter a sensação inquietante, desconfortável mas que não é medo.

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Doutor Sono | Duração do filme é revelada

Bruno Gomes  14 de outubro de 2019
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De acordo com informações do site oficial do AMC Theaters, uma das principais redes de cinemas dos EUA, “Doutor Sono” chegará aos cinemas com duração acima de seu antecessor, “O Iluminado“.

Teremos nada menos do que 02 horas e 32 minutos, enquanto o clássico do diretor Stanley Kubrick ficou com 02 horas e 26 minutos.

Doutor Sono foi publicado em 2009 como uma sequência para O Iluminado, onde mostra a história de Danny Torrance, filho de Jack (Jack Nicholson), viajando pelo país até parar em uma cidadezinha em New Hampshire, parando de beber para assim, suas habilidades psíquicas voltarem.

Com direção de Mike Flanagan (Jogo Perigoso), Doutor Sono chega aos cinemas em 8 de novembro. O filme traz Ewan McGregor (Fargo) no papel principal.

O elenco também conta com Rebecca Ferguson (Missão: Impossível – Efeito Fallout), Bruce Greenwood (Star Trek), Jacob Tremblay (O Quarto de Jack), Zahn McClarnon (Westworld, Fargo), Carl Lumby (Alias – Codinome Perigo) e Alex Essoe (Starry Eyes).

 

FONTE: O VÍCIO

 

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