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Forum Cinema em Cena

Schonfelder

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Posts posted by Schonfelder


  1. Never Let Me Go (Mark Romanek' date=' 2010)

    Esse Romanek deve ter visto The Island, do Michael Bay e pensado: "Vou roubar a premissa do filme e fazer um drmalhão inglês sci-fi, e como nós ingleses temos classe e falamos a língua corretamente, todo mundo vai adorar e me dar oscars. Vou salpicar de atores do momento pra dar liga e pronto, o careca é meu!". O filme do Bay é melhor, muito melhor, mesmo sendo apenas razoável. Sci-fi´s comm pitadas dramáticas são muito bem vindos (Blade Runner), mas isso aqui é novela mexicana sobre clones, não dá.

    [/quote']

     

    Parece que trata-se de uma adaptação de livro, na verdade. Mas é horroroso mesmo.

  2. Let Me In (Matt Reeves)

    Não é que eu esperava muito de um remake americano de um filme que não tem nem 3 anos (a história recente fala por si só), mas algumas coisas positivas que li, somados ao fato de eu gostar bastante do último filme do Matt Reeves, despertaram uma certa curiosidade para esse aqui.

    Acontece que não foi dessa vez que a escrita mudou : Let Me In sacou tudo o que de sutil e ambíguo tinha o original, para algo over-caracterizado e explicado nos miiiiiiinimos detalhes. Exemplo é o que não falta : logo no início, a relação entre a menina e o velho, que em nenhum momento no original é explicitada, aqui já é entregue logo de cara, com as discussões no melhor estilo "mestre x escravo" (e a caracterização de "o exorcista" da menina, tsc), e que é selada, pra quem ainda tinha dúvida, na ridícula cena da descoberta da foto da menina com ele ainda jovem. A humanização da personagem, que aumentava a questão da ambiguidade (história de amor x maniqueísmo etc) e era uma das forças do filme original é jogada pelo ralo, tanto em questões de roteiro como nos próprios recursos visuais : a já citada caracterização de "o exorcista" (voz grossa, rosto alterado etc), os ataques da menina com aquele cgi horroroso.

    Essa questão da falta de sutileza também é sentida no próprio visual e mise en scene, o primeiro ataque da menina mesmo pode ser usado como exemplo : se no original, vemos o ataque de uma forma simples e direta, em plano de conjunto (denotando uma certa distância e mostrando apenas uma menina agarrada no pescoço do cara - a questão da humanização que já falei), aqui temos a transformação num monstrinho de cgi cafoníssimo que fica girando mil vezes em torno do corpo do sujeito (querendo muito mais ressaltar um aspecto de carnificina). A cena da piscina também ilustra bem essa falta de tato : tudo tem de ser mostrado e maximizado.

    A sutileza, que traz força e faz do original um filme de nuances, é sacrificada até na fotografia : se num existe um forte trabalho do dito "espaço negativo" no quadro - vastas áreas sem informação ou sem foco - ressaltando algo de vazio (e contribuindo para a força e beleza das imagens), no remake tudo tem de ser preenchido, há de existir informação em cada tiquinho do frame. O mesmo pode ser dito do som : onde lá existe silêncio, que reforça cada pequena nuance sonora e complementa perfeitamente a imagem, aqui existe um exagero, como por exemplo aqueles malditos tambores que cismam em martelar por boa parte do filme, como que para reforçar ainda mais ao "incauto" espectador do perigo iminente.

    É claro que existe um mérito aqui e acolá, mas no fim das contas, trata-se de um filme para americano mastigador de pipoca que tem preguiça de ler legenda - e que procura, naturalmente, um filme nesses moldes.

  3. Coincidentemente, por esses dias vi que "Obsession" foi lançado em dvd na França, edição de 2008, anamórfica. Acabei comprando, junto com "Snake Eyes", também anamórfico (a edição que eu tinha era letterbox 09 ). Não ia aguentar ficar esperando esse boato de bd 06 , queria ver projetado logo...

     

    Falar nisso, na última quarta vi "Vestida Para Matar" no cinema, em película 16

  4.  

    Let Me In (Matt Reeves' date=' 2010)

     

    É impossível para mim não ficar com

    a pulga atrás da orelha quando americanos anunciam um remake de um

    filme de dois anos atrás. Além, claro, de extrema vagabundice do povo

    que tem preguiça de ver filmes legendados. Mas porra, esse remaque é

    muito, muito bom. O Reeves, que só tinha um filme em POV no curriculum,

    convence como diretor em terceira pessoa, não faz uma cópia, injeta

    estilo, acerta aqui, erra ali. A cena da piscina bem piorada e o CGI

    toscão são erros. A trilha e a forma que filma a mão do guri são

    acertos. No geral, ótimo filme.

     

     

    [/quote']

     

    Pois é, baixei o 720p também, mas to aqui em dúvida porque o filme entra em cartaz sexta que vem. Não sei se vejo em casa ou deixo a primeira impressão pro cinema...

    Agora, venhamos e convenhamos, Cloverfield é muito, mas muito mais do que "um filme em POV" né...

     


  5. Baixei Trágica Obsessão...um dos poucos que não vi dele...mas vejo que esse filme é pouco comentado aqui...alguém já viu?

     

    Obra-primaça-aça-aça. Um dos melhores do De Palma. É pouco comentado hoje em dia porque só existe uma edição em dvd de mil novecentos e bolinha.

     

    Corriam rumores de que a Criterion lançaria o filme em bd, mas agora com a confirmação do lançamento de Blow-Out, não sei se eles engatam outro ou se o boato estava errado...

  6.  

    No cinema, Unstoppable (Tony Scott), um grande filme de ação cujas retóricas para embalagem em circuito comercial (a inserção das filhas, subtrama mulher/filho, diálogo chefe da empresa x condutor) dão uma puxada pra baixo. Não fosse por eles, teríamos quase um "Hurt Locker" versão de trens (mas aí, provavelmente não teríamos distribuição do mesmo por aqui, etc). Ainda assim, vale muito por ser um filme que se sustenta inteiro pela ação (a própria apresentação dos personagens é feita por essa via, tal qual no filme da Bigelow). E belos planos - pena que a edição por vezes é muito frenética, o que se não atrapalha necessariamente o ritmo, dificulta na apreciação das imagens. Um filme a ser visto no cinema, em película.

    Também no cinema Hereafter (Clint Eastwood), que tenho de confessar, a primeira vista não entregou tudo que esperava do Clintão. Ainda que tratada de forma dura, sem muita afetação, a matéria (ops) em dados momentos beira o cafona. Por outro lado, o cruzamento de três histórias diferentes, de personagens completamente distintos (o que é sempre um perigo e, na maioria dos casos, resulta em cagada) é feito de forma segura e bem amarrada (alguém citou acertadamente numa comparação com o "Coeurs" do Resnais - apesar deste ser uma obra-prima). Talvez cresça numa revisão, veremos...Schonfelder2011-01-14 21:49:28


  7. Vai ter de tirar o escorpião do bolso 06

     

    E não parou por aí, ainda em abril :

     

    218_BD_box_348x490.jpg

     

    • Restored, complete, uncut version, with uncompressed monaural soundtrack
    • Excerpts from Cinéastes de notre temps: “Jean-Pierre Melville”
    • Video interviews with assistant director Bernard Stora and Rui Nogueria, the author of Melville

       

      on Melville

    • Thirty minutes of rare on-set and archival footage, featuring

      interviews with director Jean-Pierre Melville and stars Alain Delon,

      Yves Montand, and André Bourvil

    • Original theatrical trailer and 2003 Rialto Pictures rerelease trailer
    • PLUS: A booklet featuring essays by film critics Michael Sragow and Chris Fujiwara, excerpts from Melville on Melville, a reprinted interview with composer Eric Demarsan, and an appreciation from director John Woo
    E ainda :

     

    560_BD_box_348x490.jpg

     

    • New digital transfer, supervised and approved by director Claire Denis and cinematographer Yves Cape (with DTS-HD Master Audio soundtrack on the Blu-ray edition)
    • New interviews with Denis and actors Isabelle Huppert and Isaach de Bankolé
    • Short documentary by Denis on the film’s premiere at the Écrans Noirs Film Festival 2010 in Cameroon
    • Deleted scene
    • Theatrical trailer
    • New and improved English subtitle translation
    • PLUS: A booklet featuring a new essay by film writer Amy Taubin

    O da Claire Denis eu vou passar pois já tenho a edição britânica (reg B), que tem os mesmos (poucos) extras e vem do mesmo master. Mas trata-se de uma obra-prima, recomendo fortemente.

     

     

     

     


  8. Essa semana tá demais para o meu coração... Em abril :

     

     

    562_box_348x490.jpg

     

    • New, restored digital transfer, supervised by director Brian De Palma (with DTS-HD Master Audio soundtrack on the Blu-ray edition)
    • New hour-long interview with De Palma, conducted by filmmaker Noah Baumbach
    • New interview with star Nancy Allen
    • Cameraman Garrett Brown on the Steadicam shots featured in the film within the film
    • Select on-set photos from photographer Louis Goldman
    • Original theatrical trailer
    • More!
    • PLUS: A booklet featuring an essay by critic Michael Sragow and Pauline Kael’s original New Yorker review

     

     


  9. "O Casal Osterman", assim como "Comboio", já traz um Peckinpah meio decadente - apesar de nenhum filme dele ser ruim, acho que esses já são mais fracos.

    Pro Tensor que conhece esses quatro, recomendo Pat Garrett & Billy The Kid (um dos melhores Westerns já feitos - mesmo sendo um filme sobre o fim do western), Junior Bonner (o preferido do Peckinpah e totalmente subestimado - é uma obra-prima) e Cruz de Ferro (um dos melhores filmes de guerra já feitos).

     

     


  10.  

     

    Eu não acho o Nolan pretensioso em relação às cenas em si. Com a câmera na mão' date=' enquanto cineasta mesmo, ele faz um cineminha bem burocrático. Não lembro de vê-lo arriscando nada nem buscando esse tal "rasgo de gênio". O que o Nolan tem de pretensioso são as intenções, as ideias ishpertas, mas num plano mais amplo. A intenção de sustentar quase 1h e meia de movimentação contínua, dilatando a noção de tempo e tentando administrar 4 esferas de ação de uma só vez, é, por exemplo, pra lá de pretensiosa e muuuito além da capacidade dele.[/quote']

     

    Mas tu tá certo, ué, ele FAZ um cineminha bem burocrático. Acontece que o tal "rasgo de gênio" que ele procura não está necessariamente na mise-en-scene, mas na aura pretensamente "larger-than-life" que algumas imagens carregam (a cena do rapaz lá com o pai, por exemplo, querendo "evocar" a cena velho/monolito de "2001", ou aqueles planos das praias com pinta de "Planeta dos Macacos", etc etc).

    E lembrando, principalmente pro Nacka que achou que eu falava de "elitismo", que muitos cineastas funcionam bem melhor quando trabalham cientes de suas limitações, como por exemplo o Fincher fazendo o feijão com arroz muito bem feito em Social Network.

     

    E tu Foras, viu esse Amer ? Pega lá que tu vai curtir.

    Schonfelder2011-01-10 22:55:32


  11.  

     

     

    Sobre a edição de som ela diz muito, porque demonstra um cuidado absurdo e não tem nada a ver com grana. Só pra citar um exemplo bem tosco, o último filme de Piratas do Caribe é só estridente e eles também tinham grana.  

    Eu estava sendo irônico com o Renato. Vá lá... esqueci o emoticon.

     

     

     

     

     
    [/quote']

    Pois é, nunca vi o Schon fazendo esse tipo de comentário. Dá a entender que se o filme fosse uma obra prima ele acharia que o diretor não estaria fazendo mais que a obrigação, já que a grana investida foi muito grande.

     

    Porra Scofa, tu não tá falando sério né ? Ou então ninguém tá entendendo nada do que eu digo 06

    Tô falando que um aspecto técnico per se não qualifica obra alguma. Eu posso aqui falar que a captação e edição de audio de Transformers seja excelente, e isso se deve basicamente a uma grana astronômica investida em uma porrada de técnicos e engenheiros de som (não ao Michael Bay). O que não salva o filme, porém, de ser uma bosta retumbante : são coisas distintas.

    Não dá pra misturar as coisas, o cara pode querer ver o filme porque tem um mega sistema high end em casa, mas dizer que ele é uma grande obra só por conta disso é papo mais apropriado, sei lá, pro ht fórum.

    Schonfelder2011-01-10 22:35:28


  12.  

     

     

    Grandes artistas visam o público, não criam para o nada. Fazem sua obra para quem apreciar?[/quote']

     

    Meu Deus. Enfim, isso aí é definição de "entertainer".

    Em tempo, o que eu falei, de forma alguma, tem a ver com "elitismo". Muito pelo contrário...

    (o que não impede que, por algumas vias, algumas obras sejam elitistas. a questão é que isso não é mérito - ou demérito - algum...)

    Schonfelder2011-01-10 22:28:48

  13. Amer (Helène Cattet, Bruno Forzani)

     

    amer2010-poster-med-big.jpg

     

    Ah, mas que coisinha fufis que é isso aqui. Um exercício de formalismo, e apesar de um filme narrativo (ou ao menos, um fio dele), muito mais interessado na composição visual do que na criação do "efeito janela", mecanismo de identificação ou coisa que o valha.

    Como o poster entrega, trata-se de uma homenagem ao Giallo, naturalmente ao trio Bava-Argento-Fulci mas com requintes de Sergio Leone, outro mestre em se tratando de preencher o scope com exuberância. Dividido em três atos, trata basicamente de acompanhar uma personagem (Ana) e sua estranha percepção de mundo (e é bastante enfático nesse sentido, podendo ser considerado um filme quase todo "sensorial"), marcada por eventos traumáticos, sempre de conotação sexual-freudiana (e assim como suas fontes de inspiração, é carregado na safadeza - sem necessariamente ser explícito).

    Amer é uma aula de como conduzir uma narrativa visualmente - não há apresentação de personagens, explicação para os fatos, aliás o filme praticamente não tem diálogo - as coisas simplesmente acontecem (e as alucinações/distorções de mundo da personagem nos são passadas de forma bastante eficaz). Ainda que com um terceiro ato bastante problemático, é uma experiência altamente recomendável e entrará tardiamente no meu top de 2010.

     

    Fiquei muito feliz em saber, inclusive, que o filme será lançado em blu-ray em março. Já coloquei na wishlist da amazon pra não esquecer. 06

     

     

     

     

     


  14.  

    Aham... você acha que o diretor subestimou sua inteligência? Para alguns A Origem pode parecer demasiado didático enquanto a grande parte dos que o assistem saem do cinema com aquela cara de "Pô, preciso ver de novo, não entendi nada...". E aí? 

     
    [/quote']

     

    E aí que você tá nivelando as coisas por baixo pra dar credibilidade a uma obra. E aí que a grande parte dos que vão ao cinema, hoje em dia, são completamente burros em relação ao que olham - e essa proporção, graças a filmes como esse (e outros ainda piores, é verdade), só aumenta. Alias, literalmente ao que "olham" - porque cada vez mais neguinho vai ao cinema procurando identificação de signos, "lê" filmes e desaprende (ou nem aprende, dependendo) a VER.

     

    Quanto a questão da "pretensão" mencionada anteriormente, é contraditório : se o público do filme é "a grande parte dos que etc", é sinal de que o diretor está indo atrás do público - e acho que é de consenso geral que os grandes artistas são os que andam à frente do público (não por acaso, muitos deles só tiveram a obra reconhecida pos-mortem, em alguns casos até séculos depois).

     

    No caso do cinema, ou melhor, no caso do Nolan, trata-se de um realizador medíocre, no máximo "bem-intencionado", sempre tentando incutir à cena um "rasgo de gênio" ou "grandes momentos de cinema", enfim, sempre um gesto de superioridade em relação à cena.

     

    E quanto à questão do filme ter, por exemplo, uma "grande edição de som" (e tem mesmo), é o mínimo que se espera de uma produção onde foram injetados milhões de dólares, contando com N profissionais de ponta no que tange à viabilização da coisa como "produto". Daí a analisar a coisa enquanto obra, são outros quinhentos...

     


  15.  

    Eu vi esses dias nas Americanas um título lançado pela Spectra Nova (não lembro qual, agora) que nem sabia existir em HD.

    Mas dada a qualidade do selo, preferi não arriscar... Bom saber que pelo menos audio HD eles puseram...

     

    Quanto aos extras do Halloween Dook, o bd americano além desse Cut Above The Rest, só têm os comentários em audio do Carpenter (muito bom, por sinal) - e mais uma ou outra bobagem, os mesmos extras que vinham na edição americana dupla do dvd comemorativo de 25 anos (que eu também tenho).

     

    Schonfelder2011-01-08 20:43:40


  16. Sobre os filmes que eu assisto. Alguns acabaram interpretando que, eu costumo ver filmes "intelectuais" - que, pra mim, é uma intitulação desnecessária - e, mesmo assim, falo que gosto, só pra aparecer, ou coisa do tipo. [/quote']

     

    Bicho, posso até estar enganado, mas até onde vi NINGUÉM interpretou assim. Até porque nenhum dos filmes que você posta (pelo menos do que vi) pode se colocar num posto de "cinema intelectual". Pelo contrário, a essa altura do campeonato não me traz o menor interesse ler considerações sobre "O Iluminado", por exemplo - mas entendo que pra muita gente possa ser novidade e/ou de interesse, então obviamente que não sou contra.

    Quanto a questão de ponto negativo/nota, talvez seja interessante pra você enxergar/comentar os filmes pelo seu viés negativo também. Não sou contra dar nota, mas acho que ficar só penteando o macaco dá a impressão de que todo filme se trata de uma obra-prima.

    E quanto às opiniões (ou "implicâncias") de outros, acho melhor você interagir, conversar sobre os filmes do que simplesmente defender o seu texto.

  17.  

    O problema é sair dessa fase (ou ficar nela' date=' caso de muitos) mantendo uma opinião dogmática, essa coisa de achar que a "grife" já confere ao filme uma qualidade intrínseca. Os próprios Coen do texto em questão devem ter uns 5 filmes que vão de medianos a fracos.
    [/quote']

     

    Sobre as "grifes", infelizmente tem gente que pensa assim. Paciência... 

     

    E sobre os Coen, dê nome aos bois...03

     

     

     

    Roda da Fortuna, E aí meu irmão etc, Matadores de Velhinhas e Um Homem Sério. 4, talvez até exista um quinto que eu esteja esquecendo...
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