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O Grande Truque [The Prestige]

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O GRANDE TRUQUE (The Prestige) 4/5

Entreter o público maravilhosamente enquanto o verdadeiro truque acontece embaixo dos palcos – e dos nossos narizes - é o papel dos mágicos. E assim o fez magicamente Christopher Nolan em seu mais novo filme.

O Grande Truque [The Prestige] conta com as belas atuações de Christopher Bale, Hugh Jackman e Michael Cane para contar a história - agradavelmente original, já que pouco explorada pela indústria do cinema - de dois grandes mágicos rivais ingleses na virada do século XIX. De um modo simplista, poderíamos dizer que o filme se trata de uma disputa - ou porque não dizer, obsessão - de dois mágicos para superarem um ao outro e ter para si o mérito de o melhor mágico da Inglaterra e o possuidor do melhor truque. A resenha do filme pode parecer sem graça para os “caçadores de ação” e sedutora aos olhos dos amantes do cinema, mas de fato é que não deixa a dever a nenhum dos dois espectadores. Isso porque Nolan, tal qual em Amnésia, abusa da narrativa não linear e das reviravoltas que a acompanha do início ao fim, para criar um filme inteiramente envolvente, atraindo, com êxito, a atenção do espectador para os detalhes da história.O roteiro de Jonanthan e Christopher Nolan é rico e belo, recheado de  passagens extremamente convenientes [como os 3 atos da mágica],  e cheias de analogias - seja entre mágica e vida real e entre mágico e público. [vide fala final de Jackman]

 

Como nos truques dos mágicos, Nolan entretêm o público enquanto os elementos reveladores da trama vão sendo mostrados paulatinamente no decorrer da história. Porém, poucos minutos depois estes elementos são substituídos por outras verdades. E assim segue o filme causando a estranheza de que nada é o que parece e que é só uma questão de tempo até que a verdade que nos foi a pouco colocada seja tomada como falsa dando lugar a uma nova.

Nisso, o filme se enquadra na atual onda – e porque não dizer “moda” – cinematográfica das grandes reviravoltas. A diferença entre este e os outros filmes [falo dos fracos] que insistem nessa condição de reviravoltas é simples. Os últimos o fazem pelo puro prazer de não deixar para o espectador a vantagem de descobrir o fim da história, como se isto os fizesse colocar o filme num patamar acima. Mas isso não acontece com o novo filme de Nolan, que oferece desde o princípio os elementos-base para se deduzir cada uma das reviravoltas da adaptação. E captar estes elementos-base é algo que, de fato, o espectador é inteiramente capaz de fazer; basta que esteja “olhando atentamente” - como nos pergunta a narração no início e no fim do filme.

Esse talvez seja o ponto que torna o filme o mais distante de um truque de mágica, pois enquanto o mágico se esforça ao máximo para não revelar seu truque – o que levaria sua “grande mágica” por água abaixo - Nolan talvez exponha seus elementos exageradamente. E assim, enquanto o público mais “preguiçoso” mantém sua mente desligada durante a exibição da película, deixando-se absorver cada nova informação somente quando esta lhe é dada de bandeja, o espectador atento terá percebido todos os truques da mágica da história bem antes do fim da exibição ainda que sentado nas poltronas da última fila do teatro [aqui, citando Borden, vivido por Bale].

O que incomodou a mim particularmente [spoiler] foi a revelação do “grande truque” de Angier, personagem de Jackman. Não me agrada quando o roteiro chega a um estado em que não consegue mais sustentar-se com explicações plausíveis e recorre a abstrações, recaindo em fatos não reais [quem assistiu ao filme entende qual o ponto em questão]. Em algumas outras histórias isso funcionaria perfeitamente, mas o clima do filme - que tem seus alicerces na humanização da mágica, sempre mostrando as explicações concretas dos seus truques – exige explicações reais para os fatos que apresenta.

Mas nada disso diminui a beleza do filme de Nolan, que se deixa inteiro envolver-se em um clima muitíssimo conveniente para o desenrolar da história - seja pelo cenário, pelo figurino, ou pela postura dos personagens.

E falando aqui nos personagens, temos que comentar o mérito das excelentes atuações. Bale, Jackman e Cane estavam impecáveis nos papéis dos mágicos Borden e Angier e do engenheiro Cutter. Minha única crítica quanto a escalação do elenco talvez esteja na personagem Olívia, interpretada por Scarlet Johansson. O papel não exige um nome tão forte de uma figura tão presente na mídia quanto Johansson. Poderia ter sido perfeitamente vivido por uma outra atriz, que se fizesse, tal qual uma ajudante de palco, necessária e insubstituível, mas que se mantivesse no segundo plano, mantendo sua condição de elenco de apoio. Esse não era, portanto, um papel para a grande Johansson.

 

Enfim, o filme se sustenta e se desenrola de forma magnífica pelas mãos de uma excelente direção e alcança sim as expectativas geradas pelos grandes nomes que o precede. É o melhor filme em cartaz, vale a pena conferir.


Por Mônica Veras

THE PRESTIGE - 2006

3764-2006-09-24-14:35:45_1.jpg

[PS: cartazinho meia boa esse, hein?]


 


Nacka2006-11-04 08:21:37

Muito boa a crítica Veras, adorei, só o primeiro parágrafo já me convenceu 01. O lugar até mais certo pra postar ela seria no próprio tópico do filme mas acho que essa merece uma exceção, caso o Pablo venha a postar a dele aqui depois a gente junta as duas senão fica assim mesmo

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Muito boa a crítica Veras' date=' adorei, só o primeiro parágrafo já me convenceu 01. O lugar até mais certo pra postar ela seria no próprio tópico do filme mas acho que essa merece uma exceção, caso o Pablo venha a postar a dele aqui depois a gente junta as duas senão fica assim mesmo[/quote']

 

valeu, beckhoney.

valeu pela atençaõ dos mods.

 

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Sempre é bom ver uma mulher que entenda assim de cinema, parabens Veras.

 

dos filmes que estão em cartaz aqui em Recife esse era o que mais me agradava, depois dessa sua crítica não tem dúvidas que esse será o próximo filme que irei assistir. 

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