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Forum Cinema em Cena

Homenageie sua(s) banda(s) predileta(s)


Roy Batty
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Esse foi um tópico que criei em outro forum.

 

 

 

Bom, pessoas,acho que tem vezes que queremos expressar o quanto gostamos de uma determinada banda, a ponto de termos vontade de empurrá-la goela abaixo de todo mundo. Não que seja o caso aqui...o tópico é pra gente fazer “homenagem” às nossas bandas favoritas. Postem qualquer coisa sobre suas bandas...mas sem provocar aquele cara que escuta Linkin Park no talo dentro do carro e que se acha fã de Rock ou Metal. Obviamente, todos possuem seus próprios gostos e isso TEM QUE SER respeitado.

 

 

 

 

 

O fato de eu, por exemplo, ser fã bem mais dos anos 70 e 80 do Rock, não significa que entendo ou tenho gosto melhor do que quem curte somente as bandas recentes ou aquelas dos anos 90 pra cá. Então, nada de comparações por aqui...apenas vamos expor nossas bandas no intuito de, QUEM SABE, alguém que já esteja CANSADO das mesmas bandas, tenha a oportunidade de conhecer bandas que não são faladas em lugar algum e que mesmo assim significam tudo para muita gente. Mas também podem falar dos Iron Maidens, Metallicas, Judas Priests, Black Sabbaths, etc.....afinal, não há restrições e nada que possa diminuir nosso amor por uma arte tão etérea como a música e seus infinitos estilos. 16.gifRoy Batty2010-11-11 03:03:31

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Bom...nossos gostos tendem a entoar como um mantra o termo “Rock N´ Roll” ou “Heavy Metal. Eu realmente queria falar o quanto eu curto algumas coisas do Rock Progressivo, do Folk e do Blues (ando ouvindo MUITO o fodão Johnny Winter..). Na verdade, queria até mesmo fazer um especial sobre o U2 (pois é..eu gosto....mas antes eu tinha preconceito...que acabou depois que conheci os trabalhos dos anos 80 desses caras!!!). Mas não tem jeito...minha paixão maior na vida é o Heavy Metal e também o Hard Rock!

 

 

 

Além do Running Wild, Fates Warning e Manilla Road, o Virgin Steele é uma das bandas que encarnam BEM o que é (ou o que deveria ser) o Heavy Metal.

 

 

 

 

 

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Exatamente no Halloween de 1981 surgia mais uma banda da prolífica cena metálica americana, tida pelo líder do Virgin Steele, David DeFeis, como a New Wave of American Heavy Metal. Quatro semanas após a formação da banda, o Virgin Steele já estava em estúdio gravando o seu debut, que saiu naquele mesmo ano, dois dias antes do Natal, e mostrou uma banda com muita garra, porém sem tanto a acrescentar, gravando um disco não mais que mediano. As coisas mudaram consideravelmente e, já entrosados e com certa experiência, seis meses depois estavam gravando um clássico do Heavy Metal oitentista, o espetacular "Guardians of the Flame", que traz músicas antológicas como “The Reedemer”, "Don't Say Goodbye (Tonight)", "A Cry in the Night" (uma belíssima balada, e que me lembra Pretty Boy Floyd [?]), e a faixa-título, que é uma das músicas mais marcantes da banda, possuindo um refrão inesquecível.

 

 

 

 

 

 

 

Nunca, em quase trinta anos de carreira, esse grupo fez algo só por fazer, se reciclando ou apresentado mais do mesmo, sempre tem ideias relevantes a trabalhar e apresentar, e se preocupam em fazer tudo com esmero, sempre mantendo a integridade musical intacta, tanto que possuem uma discografia que cobre o Heavy Metal em suas mais variadas abordagens, desde a fusão com o Hard Rock, mais tarde com o “Symphonic Barbaric Romantic” (como define DeFeis), além da inserção de passagens voltadas à música clássica e elementos operísticos com direito à óperas rock.

 

 

 

 

 

A banda obteve ótimos resultados e que acabou 'virando' a cabeça do guitarrista Jack Starr, que começou a se achar um dos principais responsáveis por aquele modesto sucesso, e decidiu gravar seu disco solo, criando divergências na banda, sendo logo expulso, mesmo ele sendo o fundador da banda. DeFeis, muito esperto, tomou as rédeas de tudo relacionado à banda, e com controle total do grupo, chamou seu velho amigo Edward Pursino, com quem tocava junto desde os 13, 14 anos. No disco seguinte, surge o primeiro dos álbuns antológicos do Virgin Steele, com refrões memoráveis apresentando guitarras com doses cavalares de cavalgadas típicas do Heavy britânico; assim nasceu o "Noble Savage", de 1986, um dos melhores álbuns da banda. Nessa época, as pessoas começaram a notar que o Virgin Steele era uma banda diferenciada e que seu líder era um gênio que fazia suas composições a partir do teclado, ou piano, fazendo com que a adição da guitarra em cima das melodias originalmente escritas para as teclas soasse tão único.

 

 

 

 

 

 

 

Porém, DeFeis, apesar de ser graduado em música, e ter uma formação musical clássica e jazzística, no meio dos anos 80 ainda aperfeiçoava sua voz, e possuía um timbre limpo e indefinido. Mas com o lançamento de "Age of Consent" em 1988, isso foi resolvido com louvor, trazendo um DeFeis mais solto e com interpretações magistrais em hinos como “Burning Of Rome”, “Lion In Winter”, Perfect Mansions” e “On The Wings Of The Night”. "Age of Consent" juntamente com os dois discos que o sucederam, tem algumas das melhores atuações de DeFeis, com uma voz potente, 'drivada', grave e rouca, que às vezes lembra Paul Shortino.

 

 

 

 

 

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Chegando na década de 90, uma das maiores polêmicas da história da banda, o disco "Life Among the Ruins", completamente voltado para o Hard Rock causou estranhamento num primeiro momento, e o intento da banda nesse disco só foi absorvido ao longo do tempo. Porém estranho mesmo, em minha opinião, foi essa rejeição, que ainda ocorre, sendo que a banda sempre carregou o Hard Rock como uma grande parte de sua sonoridade, e então decidiu naturalmente fazer algo mais voltado para o Hard, mesmo que não seguindo os clichês, fazendo um som bem 'bluesy'. "I Dress in Black", "Sex Religion Machine", e as lindíssimas baladas "Never Believed in Good-Bye", "Wild Fire Woman" e "Last Rose of Summer", -essa última cheia de vibratos, falsetes e um feeling profundo, são músicas de grande impacto.

 

 

 

 

 

 

 

Pressionados a voltarem a fazer um som mais voltado para o Heavy Metal, eis que DeFeis decide de uma vez por todas cortar o Hard Rock da sonoridade da banda, e visando uma sonoridade direcionada apenas para o Heavy Metal. Entretanto, DeFeis não queria trabalhar em cima de um simples disco de Heavy Metal, e decidiu elaborar uma grandiosa obra temática, com orquestrações que mais tarde seriam ainda mais bem aproveitadas, e fechou o conceito resultando em um dos maiores épicos do Metal, a clássica trilogia "The Marriage of Heaven and Hell". Porém, o primeiro "The Marriage" não apresentou nuances Power Metal, como ocorreria na sequência.

 

 

 

 

 

 

 

Conhecidos por serem a banda mais subestimada do Heavy Metal, o Virgin Steele nunca conseguiu se tornar um grupo de grande expressão por quase sempre terem lançado seus discos por gravadoras pequenas, embora sempre tivessem tido uma excelente repercussão em seu país, sendo capas de inúmeras revistas especializadas, além de ter uma legião de fãs fiéis pelo mundo. Novamente, repito que é lastimável incontáveis bandas fazendo paródias do Heavy Metal por aí, angariando um público enorme, fazendo um sucesso absurdo com um som detestável, sem musicalidade, apoiando-se em clichês, com vocalistas sem o menor senso de interpretação e medida, além de exagerados, enquanto se tem uma banda do nível do Virgin Steele, praticando um estilo próprio, tendo um dos melhores compositores e vocalistas do estilo, fazendo parte do lado b da música pesada. Vai entender...

 

 

 

 

 

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Muito se discute quanto ao devido reconhecimento que o Virgin Steele deveria ter; uns dizem que o fato de a banda manter-se no underground é bom porque não gera opiniões alheias e desprezíveis como geralmente acontece com bandas grandes, e também uma maneira de se sentirem privilegiados por conhecerem uma banda de qualidade irrepreensível que não tem tanto destaque. Outros lamentam, porque dessa forma, a banda jamais vai pôr seus pés em solo brasileiro, por mais que alguns de seus discos tenham sido lançados aqui, principalmente os últimos. A realidade é que se o Virgin Steele estivesse no topo da cena metálica, talvez nunca teriam tanta liberdade artística pra poder trabalhar obras épicas de forma contínua, sem pressão de major, sem grandes pretensões comerciais, simplesmente soltando as idéias contidas na mente incansável de David DeFeis, que ao lado de Edward Pursino, trabalha numa simbiose perfeita. Em cima dessa licença de compor da forma que achar necessário, foi feita a trilogia "The Marriage of Heaven and Hell", que terminou num dos discos mais impressionantes de todos os tempos: “Invictus”, de 1998.

 

 

 

 

 

Virgin+Steele+-+Invictus+-+Front.jpg

 

 

 

 

 

Na segunda parte dessa história que envolve diversas mitologias e mitos cristãos, os elementos clássicos aparecem ainda mais acentuados, dando as primeiras amostras do Power Metal que seria praticado com mais ênfase nos discos seguintes, e uma curiosidade que persegue DeFeis até hoje, suas linhas vocais semelhantes em muitos momentos, às do Eric Adams, embora aqui isso também apareça de forma meio vaga. Logo na primeira faixa de um dos monumentos do Heavy Metal, o indiscutível diamante que é o álbum “The Marriage of Heaven And Hell Part II”.

 

 

 

 

 

The+Marriage+Of+Heaven+And+Hell+Part+Two+-+Front.jpg

 

 

 

 

 

Na música de abertura "A Symphony of Steele", percebe-se tal semelhança entre Defeis e o Eric Adams. As faixas curtas também impressionam, sendo tão apoteóticas que é até desmérito chamar de "intro", e que jamais devem passar despercebidas, pois como uma obra inspirada pela música clássica, vários trechos são repetidos ao longo das músicas, o que incita uma audição ainda mais cuidadosa. Não vou apontar quais trechos se repetem, pois são vários, e acabaria até tirando a graça da coisa, mas posso dizer que o belíssimo tema principal da trilogia aparece em outras músicas. Qual é o tema? Em quais músicas aparecem? Escute e identifique!

 

 

 

 

 

Outros destaques de "The Marriage II" ficam por conta de "Crown of Glory" com um tremendo refrão, "Twilight of the Gods" que mostra o Joey Ayvazian quebrando tudo em sua última gravação com a banda, "Transfiguration" que tem uma semelhança interessante com duas músicas do Virgin, a ponte lembra "Never Believed in Good-Bye" e o refrão, "Arms of Mercury" do "The House of Atreus Act II", e por último não posso deixar de destacar as epopéias, "Prometheus The Fallen One" que transmite toda a atmosfera da Grécia antiga no começo e depois cai em um Heavy Metal intenso e "Emalaith", ambas já trazendo nas baquetas, o Frank Gilchriest.

 

 

 

 

 

E fechando a trilogia, "Invictus", talvez o disco mais rápido e pesado do grupo, onde novamente a música clássica foi colocada em ascensão, e vale ressaltar que, inúmeras, digo, quase todas as bandas de Metal que usam orquestrações (mesmo que "artificiais") não reproduzem e muitas vezes sequer compõem essas partes. Dando nome aos bois: produtores como Charlie Bauerfeind e Sascha Paeth na maioria das vezes são responsáveis por trabalhar ou direcionar todos elementos operísticos das bandas com as quais eles trabalham. No caso do Virgin Steele, David DeFeis cria, executa e produz TUDO! Sempre contando com o apoio do Edward Pursino. "Invictus" em sua complexidade merece ser apreciado por inteiro.

 

 

 

 

 

Apaixonado pela cultura grega, DeFeis achou que a abordagem da mitologia grega na trilogia não foi tão bem explorada e resolveu criar mais dois discos conceituais, dessa vez voltados somente para a Grécia antiga e em toda sua amplitude - guerras, lendas e mitos. Quem se interessar pela história que envolve os dois atos de "The House of Atreus", eu recomendo que cheque o site da banda, que lá tem tudo detalhadamente explicado acerca dessa história que não abrange só historicismo, como também uma intrigante trama envolvendo crimes e mistérios. Mas não adiantaria nada criar todo um conceito ousado desses se o som não correspondesse à altura. Obstinados em criar um marco na história do Heavy Metal, a banda compôs nada mais, nada menos, do que 55 faixas para essa estória!

 

 

 

 

 

Virgin+Steele+-+The+House+Of+Atreus+Act+1+-+Front.jpg

 

 

 

Lançados em três cds de dois álbuns, "The House of Atreus" mostra uma diversidade musical sublime, e que sem dúvida, musicalmente foi o ápice da carreira do Virgin Steele. Porém a magnitude alcançada aqui em pleno momento onde a música era tida apenas como produto e não mais como arte, é digno de prêmios em absolutamente todas as premiações pelo mundo, altos posicionamentos nos charts, vendagens monstruosas... o que não aconteceu nem pela metade! Falo isso, porque além da música desenvolvida aqui transcender as barreiras de qualquer estilo, é a mais pura cultura dispersada em um trabalho que tem sua conclusão em aproximadamente três horas. Eu vou me privar de tecer mais elogios pra uma obra sofisticada desse porte, e só peço uma atenção especial às músicas voltadas essencialmente para a música clássica, como "G Minor Invention (Descent Into Death's Twilight Kingdom)" e "Fantasy And Fugue In D Minor (The Death Of Orestes)".

 

 

 

 

 

A intenção principal de DeFeis com os "The Marriage's" e os "The House's" foi mostrar a proximidade da música clássica com o Metal, e não para inserir arranjos sinfônicos piegas dentro de uma sonoridade pesada para chamar a atenção ou por modismo. Também não tem como comparar dois trabalhos conceituais com qualquer outro trabalho não-conceitual da banda, ou digamos simples, tendo o seu desfecho em um único disco, que foi o caso de "Visions of Eden", que saiu seis anos após o último "The House of Atreus". Demora essa causada porque DeFeis se concentrou em trabalhar em versões remasterizadas dos discos mais antigos e lançou duas compilações nada convencionais, trazendo inúmeras preciosidades, músicas inéditas soberbas, além de versões alternativas, mixagens originais, e garanto que muita coisa lançada em "Hymns to Victory" e "The Book of Burning" ficou ainda melhor. Agora, falando sobre o "Visions of Eden"...

 

 

 

 

 

Front.jpg

 

 

 

 

 

Esse disco me chocou mais do que qualquer outra coisa, considero-o um álbum extremamente injustiçado do Virgin Steele. E comparando musicalmente com os outros discos de forma isolada, sem levar em consideração o valor conceitual, acho que esse é o trabalho mais “elegante”, atmosférico e complexo de toda a discografia do conjunto, embora não necessariamente possua hinos monstros e músicas irresistíveis como nos álbuns “Noble Savage”, “Age of Consent”, “Invictus”, “The Marriage of Heaven And Hell Part II” e, claro, as duas partes de “The House Of Atreus”.

 

 

 

 

 

 

 

Também envolto em uma estória conceitual, "Visions of Eden" causou um alvoroço por causa da gravação limpa, um som relativamente “leve” (não se você ouvir “Back Light On Black”), e guitarras sem a mesma evidência dos álbuns anteriores. O som da bateria obviamente não podia ser muito encorpado, até porque a banda apostou em uma sonoridade mais suave e intricada, e foi claramente todo composto a partir dos teclados e piano. Enfim, o que importa é que a abundante fonte criativa de DeFeis já tá se tornando algo surreal. Como que depois de tantos anos lançando clássico atrás de clássico é escancarado pro público composições magistrais como "The Hidden God", "Angel of Death", "Back Light on Black" e "The Ineffable Name" ?! E que não possuem mais referências em relação a nada feito antes; o lado Power Metal foi permutado pelo Progressivo, o próprio DeFeis deixou de cantar à la Eric Adams, e apesar do som ser todo guiado pelos teclados e pianos, é muitíssimo bem arranjado (mesmo aqueles que não concordam que o disco seja o mais complexo, tem de convir que os arranjos foram superados aqui). Mas como de praxe, várias bandas de Metal possuem fãs de música pesada e não exatamente de bandas de criatividade, então é mais do que normal que esse rumo tomado pela banda tenha desagradado muita gente, embora isso não ofusque o brilhantismo do play, que de uma maneira geral foi muito bem aceito.

 

 

 

 

 

Para quem quer conhecer melhor a banda...

 

 

 

 

 

http://www.youtube.com/watch?v=xN7JwdATAjc

 

 

 

 

http://www.youtube.com/watch?v=IU0aFCnjKUg&feature=player_embedded

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

http://www.youtube.com/watch?v=kIelknIewJ8&feature=player_embedded

Roy Batty2010-11-11 03:31:14

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